Ele é considerado ao mesmo tempo rei e rainha da disco, sua voz em falsetto conquistou toda uma geração, uma mistura de Billie Holiday e Diana Ross em LSD, segundo John Waters, este é Sylvester!
Sylvester James (seu nome de nascença) começou sua carreira de cantor nas igrejas gospel, que sua família freqüentava, e logo virou a criança estrela do coral.
Porém quanto mais o tempo passava, Sylvester ia mudando sua personalidade, passando a se vestir com roupas femininas e muitas vezes agindo como uma mulher e isto a igreja não aceitava.
Sylvester resolveu trocar Los Angeles (onde vagava pelas ruas) por San Francisco, onde havia mais liberdade para os gays e acabou ingressando na trupe de artistas transformistas que eram os Cockettes. Um detalhe interessante é que desta mesma trupe, Divine teve uma participação e os dois ficaram amigos (e alguns dizem até amantes).
Como membro do Cockettes, Sylvester arrasava cada vez mais assim que cantava, lotando os teatros e casa de espetáculos onde se apresentava.
Numa destas apresentações, ele foi descoberto por um scout da gravadora Fantasy, que na verdade era mais de jazz, mas que acreditou no talento de Sylvester.
Em 1977, ele lança seu primeiro álbum, “Sylvester”, que não teve muito sucesso, com exceção de “Over and Over”, música composta por Ashford & Simpson que acabou virando um single e também uma das músicas favoritas de Larry Levan, que a bombava no Paradise Garage:
A grande reviravolta na carreira de Sylvester aconteceu quando ele conheceu Patrick Cowley, o ótimo produtor que deu uma nova sonoridade em sua música, acrescentando elementos eletrônicos como sintetizadores e baterias.
Foi graças a ele, que a música “You make me feel (mighty real)” estourou e se tornou um sucesso mundial, fazendo dele o mais novo artista disco:
A idéia inicial de Sylvester era não ser ligado tanto à disco music, já que cantava bem soul, jazz e blues, mas isto foi inevitável. No álbum ‘Step II” havia outro grande hit disco “Dance Disco heat”, no qual ele é acompanhado pelo Two Tons O’ Fun, suas backing vocals que eram Martha Wash e Izora Rhodes (que mais tarde viriam a ser The Weather Girls, do hit “It’s raininig men”):
Estas duas músicas ficaram se alternando nos primeiros lugares durante seis semanas em Agosto e Setembro de 1978, dando a Sylvester três prêmios Billboard (incluindo vocalista do ano), além de aparições no filme “The Rose” (como uma Diana Ross drag) e no Castro Street fair, evento liderado por Harvey Milk (no filme de Gus Van Sant sobre o político esta cena foi recriada).
Nesta época, ele veio ao Brasil e foi recebido como a pantera negra, por um público de 20 mil pessoas gritando “bicha”, que explicaram a ele que significava o nome de uma cobra…
Com o sucesso, o estilo flamboyant de Sylvester torna-se cada vez mais marcante, ele se veste cada vez mais de mulher, com roupas e acessórios bem chamativos, além de jóias, peles e tudo o que uma estrela de sua grandeza precisava naquele momento ( levando-o a ter dificuldades financeiras).
Porém, este seu estilo drag, acaba tendo problemas com a gravadora, que buscava suavizar sua imagem, mas isto foi um ultraje a Sylvester, que se recusa a minimizar seu visual excêntrico e suas atitudes homossexuais.
Depois de cinco álbuns com a Fantasy, ele troca para a Megatone Records e grava com seu amigo e colaborador Cowley o hit “Do you wanna funk”, música considerada a precursora do hi-energy:
Mas Cowley acaba sendo vítima da Aids, o que deixa Sylvester muito abalado. A doença estava apenas começando a vitimar grande parte da comunidade gay.
Um dos últimos singles de Sylvester, ‘Someone like you’, tinha capa feita por Keith Harring.
Uma de suas últimas aparições foi na marcha pela Aids, realizada em San Francisco, onde ele apareceu pela primeira vez em público, já debilitado pela doença, em uma cadeira de rodas.
Ele veio a falecer em 1988, aos 41 anos, vítima de complicações ocasionadas pela Aids.
Estão em preparação, duas homenagens a Sylvester: um documentário sobre sua vida, “Sylvester Mighty Real” (cujo trecho está abaixo), e um filme baseado no livro “The fabulous Sylvester”:
Sylvester sempre lutou pelos direitos gays, ele só queria era ser ele mesmo, estava à frente de seu tempo e queria mostrar ao mundo a sua arte de cantar, o que sem dúvida ele fazia maravilhosamente bem.
























































































