Bom dia! Boa semana!!!Nada como voltar pra casa e me deparar com a explosão das #orquídeas #DendrobiumNobile ! Primavera chegando...Getty Villa é uma réplica exata do  Palácio dos Papiros, escavado das cinzas em Pompéia...Mummy portrait of a woman Romano-egyptian A.D. 100-110Boa segunda! Boa semana!Since 1987
@lizandray @kikizinha

                
       





















bloglovin



CURRENT MOON

Archive for junho, 2012

Today’s Sound: The Lady from Shanghai por Arthur Mendes Rocha

‘The Lady from Shanghai” (A Dama de Xangai) é um filme escrito, dirigido e atuado por Orson Welles e com Rita Hayworth, de 1947, e mistura noir com mistério e uma intriga de nos deixar atônitos.

Na época em que o filme foi rodado, o casamento de Welles e Hayworth já estava se desintegrando, logo este foi uma maneira dele reacender a chama e também fazer um clássico noir. Eles acabaram por se separar logo após o filme ser lançado.


Welles baseou-se no livro “If I die before I wake” de Sherwood King.

Aqui ela faz mais um papel de Elsa, uma femme fatale, mulher bonita e perigosa, que complica a vida Michael (Welles), homem que a conhece salvando-a de um assalto.

No início do filme, o próprio Welles fala que havia se deixado levar, que bancara o idiota e isso ele deixa claro ao decorrer da trama.

É claro que Elsa seduz Michael, mesmo sendo casada com o advogado Lannister (Everett Sloane), cujo sócio, Grisby (Glen Anders), faz uma proposta a Michael: fingir que o mata para ele puder fugir com o dinheiro do seguro, assim não tendo o corpo, Michael não seria preso.

Só que a trama vai ficando cada vez mais complicada e Elsa está por trás deste plano, onde quer se livrar do marido e ainda sair bem financeiramente.

Welles filma Hayworth com paixão, em cada cena ela está mais deslumbrante, com seu look platinado e com cabelos mais curtos (idéia do próprio Welles), além dos belíssimos gowns (vestidos) de Jean Louis (que vestiu muitas das estrelas da época, além de ter feito os vestidos de “Gilda”, filme que lançou Hayworth ao estrelato).

O todo poderoso chefão da Columbia Pictures (distribuidora do filme), Harry Cohn, exigiu que Welles fizesse mais close-ups de Rita além de obrigá-lo a inserir a música “Please don’t Kiss me” para mostrar os dotes da estrela, como vemos na cena abaixo:

‘Lady from Shanghai” tem várias cenas incríveis filmadas com maestria por Welles, com planos elaborados, fotografia, além de ótimos diálogos como nesta cena onde ele cita o Brasil, falando dos tubarões de Fortaleza que acabam se matando uns aos outros (como os personagens no filme):

Mas a cena ápice do filme é a famosa perseguição no parque de diversões abandonado, com a cena da sala de espelhos, onde Welles faz um jogo de imagens refletidas, usando e abusando de várias imagens repetidas na tela, confundindo os personagens que tentam acertar uns aos outros. A cena é extremamente bem feita, com excelente design de produção e edição, sendo que na versão que Welles imaginava ela teria 20 minutos de duração e não os três minutos que o estúdio lhe impôs:

O filme enfrentou vários problemas, já que um filme de Welles nunca é simples: teve estouro de orçamento, cenas tiveram que ser rodadas novamente, fazendo com que o filme fosse somente lançado no ano seguinte, estreando em 1948.

“Lady from Shanghai” foi filmado em locações em São Francisco, mostrando lindas tomadas de alguns pontos da cidade como em Chinatown, e também em Acapulco, nas cenas do iate e praias. Outro detalhe interessante é que o iate utilizado nas filmagens pertencia a Errol Flynn, que emprestou a seu amigo Welles.


Até hoje, não se tem notícias do destino das cenas originalmente filmadas pelo diretor, o que faria o filme ter umas três horas de duração, mas com certeza seriam geniais, vindo de um talento como Welles.

O filme não fez sucesso em arrecadação, o público não entendeu o filme direito e nem aceitou a mudança de visual de Hayworth.

Recentemente ele foi homenageado por David Lynch no comercial “Lady from Shanghai”, que ele dirigiu para a Dior.

Hoje o filme é reverenciado pelos críticos que não se cansam de elogiar a maestria e genialidade de Welles neste brilhante filme noir.

   Comentário RSS   
 

Today’s Sound: Cat People por Arthur Mendes Rocha

Este ano completam-se os setenta anos de um filme marcante no gênero noir/terror: “Cat People”, produção de Val Lewton com direção de Jacques Tourneur.

O filme é reconhecido pelos críticos como um primor, já que é um dos primeiros filmes a tratarem o psicológico no terror, tudo é sugerido ao invés de mostrado.

“Cat People” foi produzido pelos estúdios da RKO em 1942, foi uma produção relativamente barata e rendeu muito bem na bilheteria e inclusive teve até uma continuação, “The Curse of Cat People” e uma refilmagem em 1982 com Nastasja Kinski e música tema de David Bowie.

Simone Simon faz o papel central como Irena Dubrovna, uma estilista sérvia que vai trabalhar em NY e esconde um passado misterioso: ela é descendente de uma tribo que quando excitada sexualmente transforma-se em pantera (daí o título do filme).


O filme é instigante, pois mexe com nossos demônios internos, além disso, é um filme adiante de seu tempo, pois nos anos 40 assuntos como desejos reprimidos eram tabus.

O estúdio RKO havia lhe contratado Lewton para rodar filmes de terror de baixo orçamento e ele acabou se tornando um mestre do gênero.

‘Cat People” foi sua primeira produção e foi baseada em uma história curta escrita por ele mesmo e chamada ‘The Bagheeta”.

Inclusive, sua marca pessoal virou um estilo denominado ‘Val Bus”, que utiliza um som para dissipar uma cena de tensão. O nome originou-se desta cena de perseguição, na qual o efeito sonoro de um ônibus ao abrir as portas lembra o rugido de uma pantera:

No filme, Irena é apaixonada pelo engenheiro Oliver; os dois chegam a se casar, mas ela não consegue ir para a cama com ele, com medo de se transformar em pantera. Ele acaba se envolvendo com outra moça, Alice, a qual Irena passa a perseguir, como nesta clássica cena da piscina:

Tourneur arrasa nas cenas com muito uso de sombras e a fotografia p&b de Nicholas Musuraca (que ajudou a definir o look noir em outro filme do diretor como “Out of the past”) como nesta cena onde Irina é seduzida e transforma-se em pantera sem efeitos especiais:

O figurino de Irena é bem anos 40, em várias cenas ela usa um casaco de pele preto, que nos remete aos pelos de uma pantera negra.

Irena deve evitar ficar nervosa ou sentir ciúmes, já que isso desperta os demônios que existem dentro dela, bem como sonhos com seus antepassados homens-panteras.

Há cenas incríveis no filme: a presença de Irena perturbando os gatos em uma pet shop, no seu jantar de noivado quando uma mulher de sua tribo aparece e tem os traços felinos, a cena no zoológico na jaula da pantera, todas filmadas com precisão e estilo por Tourneur.

Mesmo com elenco desconhecido, pouco orçamento e muitas vezes utilizando cenários de outras produções da RKO, o filme virou cult, admirado por cineastas e críticos como Roger Ebert que o incluiu em seu livro “Grandes Filmes”.

Além disso, o filme foi selecionado pelo New York Museum of Modern Art para seu acervo, bem como pela Livraria do Congresso americano.

“Cat People” lida com repressão, simbolismo, tudo isto tendo o visual dos anos 40, sombras escuras, fogs, e um olhar único sobre a sexualidade. É um filme que influenciou enormemente os filmes de terror que se seguiram após ele e que merece ser visto e redescoberto pelas novas gerações.


   Comentário RSS   
 

Marcas da Vida

Edição – Droodro

Estrelando:

Jun Matsui

Poisé

Ig Aronovich

Jorge Lepesteur

Thronn

Glauco

Vivian Andersen

   Comentário RSS   
 

Today’s Sound: Freaks por Arthur Mendes Rocha

O post de hoje é sobre um dos meus filmes de terror favoritos, uma produção controversa e que foi banido em algumas cidades americanas, na Inglaterra e na Austrália: “Freaks”.

‘Freaks” é um filme preto e branco de 1931, dirigido por Tod Browning, famoso por ter dirigido a primeira versão de “Drácula” com Bela Lugosi e por suas colaborações com Lon Chaney (ator famoso por encarnar tipos inusitados).

Um dos grandes atrativos do filme é que o diretor optou por utilizar freaks de verdade, ou seja, aberrações verdadeiras que ele e sua equipe pesquisaram nos circos da época. Evitando o uso de artifícios como maguiagem, isto acabou sendo um golpe contra ele mesmo, já que o público da época não entendeu o que aquele bando de gente esquisita estava fazendo lá. Abaixo confiram algumas cenas do filme:

O diretor foi extremamente corajoso e abraçou a causa de levar ás telas a história curta, ‘Spurs”, com este elenco desconhecido e fora dos padrões e o estúdio era nada menos que a própria Metro Goldwyn Mayer.

A história gira em torno de um casamento arranjado pela sinistra Cleopatra, que na verdade é um ser humano normal e que resolve tornar-se a esposa de um anão (Hans), por interesse na fortuna dele. Só que seu plano é descoberto, ela é amante de Hercules, o homem forte e normal do circo, gerando a revolta dos freaks.

Outra grande sacada do filme é sua tentativa de humanizar os freaks, sendo que os humanos normais são do mal e os freaks são do bem.

O filme se passa todo nestes circos antigos de aberrações (nos EUA são conhecidos como carnival) daí temos a mulher barbada, as gêmeas que nasceram grudadas, o homem torso (sem braços e pernas), a mulher que é metade homem, além de vários anões dos mais diferentes tipos e figuras bem esquisitas com cabeças pequenas, deformidades, como o homem esqueleto (foto abaixo) e também a garota-passarinho (bird girl).


“Freaks’ teve uma recepção desastrosa nos chamados test-screenings (as projeções teste para ver a recepção da audiência). O público repudiou o filme e suas criaturas e a MGM exigiu cortes e uma diminuição da projeção, encurtando o filme de 90 minutos originais para 64 minutos.

Também exigiu que o filme tivesse um final feliz, cena esta que acabou sendo criada e que não estava no roteiro original, com o casal de anões principais se reconciliando (o que foi amenizado no filme, já que na vida real eles eram irmãos).

Além disso, na Inglaterra, o filme acabou sendo banido durante trinta anos, bem como na Austrália.

Um detalhe interessante é que a idéia original da MGM era colocar as atrizes Myrna Loy e Jean Harlow no elenco, mas a idéia foi abandonada.

Tod Browning acabou sofrendo uma espécie de maldição pelo filme, já que ficou sem trabalho por vários anos depois de tê-lo dirigido.

O filme acabou se tornando um cult com o passar dos anos, especialmente quando foi redescoberto no início dos anos 60 pelos adeptos da contracultura e virou programa obrigatório nas sessões da meia-noite em alguns cinemas americanos dos anos 70 e 80.

Hoje revendo o filme, ele continua a chocar, já que ele é completamente diferente de tudo que vimos, seus climas de sombras, a atmosfera do circo, os freaks todos se unindo contra quem queria prejudicá-los, é um belo tratado sobre a intolerância social.

Na cena do confronto final entre Cleopatra e Hans, a música tocada na flauta é o “Mournful Tune”, da ópera ‘Tristão e Isolda” de Richard Wagner.

Na versão original, que acredita-se perdida para sempre, os freaks castravam Hercules e o filme terminava com ele cantando em falsetto. Em relação à Cleopatra, ela fugia em uma tempestade e uma árvore a atingia cortando suas pernas e os freaks cobriam-na com a lama da chuva. Abaixo vemos alguns destes finais alternativos:



Eu consegui ver o filme apenas na década de 90, tendo que importar uma fita VHS para ter acesso ao filme, já que no Brasil não havia sido lançado nem em vídeo.

Nesta versão havia a cena em que Cleopatra é transformada numa mulher-pato, com deformações que tornam seus como pés como patas e torso com penas, ela acaba se tornando uma atração daquele circo de horrores.





Hoje em dia, o filme pode ser encontrado em locadoras nacionais, lançado pela distribuidora Magnus Opus.

Em Los Angeles, haverá uma sessão especial ainda este mês no Egyptian Theatre da American Cinemateque em homenagem as oitenta anos deste incompreendido filme, que estava há anos-luz na frente de seu tempo.

   Comentário RSS   
 

Today’s Sound: The Seventh Seal por Arthur Mendes Rocha

Nos próximos posts, não falaremos apenas de música e sim de cinema também, privilegiando filmes marcantes, de diferentes cinematografias e sempre com toques darks.

Hoje iniciaremos por um filme que tornou o nome de Bergman conhecido em todo o mundo, num filme inesquecível: “The Seventh Seal” (O Sétimo Selo).

“O Sétimo Selo” foi lançado em 1957, sendo um dos primeiros trabalhos de Bergman a levar o nome da Suécia para as audiências do resto do mundo.

Apesar de ser o 17º trabalho de sua maravilhosa cinematografia, o filme lançou-o no mercado internacional, vencendo o prêmio do júri no Festival de Cannes de 1956 e introduzindo-o aos críticos do Cahiers Du Cinéma, entre outros.

O filme não foi meu primeiro contato com Bergman, eu já havia visto vários outros filmes dele, mas sem dúvida, é um dos grandes filmes do diretor, cheio de simbologias e falando de temas como morte, crença em Deus, o papel do homem na terra, entre outros.

O filme tem um forte tema existencialista, já que a principal pergunta que o personagem principal, Antonius Block, faz é: Deus criou o homem ou o homem criou Deus?

‘O Sétimo Selo’ primeiramente havia sido encenado no rádio e depois no teatro, em uma peça escrita pelo próprio Bergman intitulada “Wood Painting”, onde ele se inspirou na Idade Média e nas cruzadas, bem como na peste negra (que permeia todo o filme).

Na cena mais icônica do filme, Block (vivido por Max Von Sydow) joga xadrez com a morte, interpretada pelo ator Bengt Ekerot (que chegou a dirigir uma das montagens da peça na Suécia) e cuja cena vemos abaixo:

O xadrez não deixa de ser uma simbologia, já que as peças incluem figuras de poder e também religiosas, além do branco e do preto, cada movimento destas peças e quem se enfrentava vão dando pistas dos destinos dos personagens.

Várias cenas do filme tiveram inspiração na arte medieval, como a cena do jogo de xadrez que foi baseada numa pintura de Albertus Pictur do século XV, cuja imagem vemos abaixo:

O título do filme é originado de uma passagem do Livro da Revelação (no livro final do Novo Testamento) que fala: “E quando a ovelha abriu o sétimo selo, houve silêncio nos céus no espaço de meia hora”.

Inclusive em outra cena famosa do filme, Block vai se confessar com um padre (na verdade, a Morte disfarçada de padre) e ao perguntar o que acontece aos que se recusam a acreditar em Deus, ele simplesmente não responde. O tema sobre o silêncio de Deus está sempre presente no filme:

Bergman não deixa de fazer um comparativo da peste que assola a Idade Média com o nosso medo de um holocausto nuclear, lembrando que na época que o filme foi lançado, 1957, vivia-se a guerra fria e os filmes que a este se seguiram falam de apocalipse, pestes, holocaustos como ‘Godzilla”,“Forbidden Planet”, “Kiss me deadly”, entre outros.

No final do filme, outra cena icônica, uma referência à danse macabre, ou a dança da morte, que era encenada na Idade Média para tentar explicar a inevitabilidade da morte devido às epidemias e na qual a morte era um mensageiro de Deus:

Um detalhe interessante é que esta cena da dança foi feita com a equipe técnica do filme, já que os atores já haviam sido dispensados. Bergman notou que o céu estava perfeito para fazer uma cena nas montanhas apenas com as silhuetas dos participantes e com os técnicos vestidos com os figurinos do filme e não quis perder a chance de fazer esta cena que se tornou histórica.

Vale ressaltar que Bergman aqui já trabalha com vários de seus colaboradores como Max Von Sydow, o grande ator que hoje faz milhares de filmes americanos, mas que na época era um jovem ator iniciante; Bibi Andersson, que na época era sua esposa e depois estrelaria outro filme seu famoso “Persona”, além da maravilhosa fotografia preto e branco de Gunnar Fisher, que também fez a fotografia de “Morangos Silvestres”, outro sucesso do diretor.

Behind the scenes, director Ingmar Bergman talks to "Death", actor Bengt Ekerot

A música é de Erik Nordgren e a trilha nunca foi lançada oficialmente, mas são temas muito bonitos de inspiração medieval.

O impacto cultural de “O Sétimo Selo” foi absurdo, sendo que várias paródias foram feitas incluindo Woody Allen (em ‘Love and Death”), além de “Bill and Ted’s Bogus Journey” e até no filme “Last action hero” com Schwarzenegger.

Opening of the Seventh Seal by Albrecht Dürer

Bergman se questionava sobre religião, seu pai era pastor e o filme mostra bem este questionamento, as dúvidas, a fé, a descrença; através de uma alegoria medieval ele fala das sensibilidades e ansiedades modernas depois da perda da fé medieval.

Recentemente a Criterion lançou o filme em Blu-Ray em uma edição super cuidadosa, com extras incríveis como documentários sobre Bergman, comentários de críticos sobre o filme, além de uma perfeição de imagem onde os contrastes são perfeitos e áudio remasterizado.


   Comentário RSS   
 

Monstro Belo Monte

O planeta se aquecendo, os pólos degelando, o mundo com olhos grandes para o ainda verde Brasil e Belo Monte sendo construída, a floresta sendo desmatada e os problemas sociais na região se multiplicando.

A construção da destruição.

Contramão das necessidades do século XXI.

Que o Brasil precisa de mais energia para o seu pleno desenvolvimento é uma verdade absoluta, porém, este tamanho de hidrelétrica é símbolo de uma visão de desenvolvimento defasada.

Um engano gigante é afirmar que  energia das hidrelétricas é limpa , porque, além dos desmatamentos, o próprio lago podre gera uma quantidade imensa de gases ultrapoderosos sob o ponto de vista do aquecimento global.

Belo Monte não agrega novas tecnologias, não embica o país para o futuro.

É uma obra de cimento e aço, típica do século que passou.

Além de antiga, Belo Monte  vai operar com um alto nível de ineficiência.

Belo Monte carrega o futuro status da terceira maior hidrelétrica do mundo, ficando atrás de 3 gargantas na China e Itaipu (Brasil-Paraguai).

Teria uma capacidade instalada de 11 mil MW de energia, mas, devido à sazonalidade do rio Xingu, este volume só seria produzido durante quatro meses ao ano.

A energia firme (média anual da energia a ser produzida ) seria de apenas 4,5 mil MW, cerca de 40% de sua potência (em setembro, quando a seca do rio atinge seu auge, a energia produzida não passaria de 1,8 mil MW, por exemplo).

Isso qualifica a hidrelétrica como um dos projetos com menor eficiência energética do mundo.

Longe dos principais mercados consumidores do país, a energia gerada em Belo Monte terá de ser enviada às regiões Sul e Sudeste do Brasil, produzindo enormes perdas.

Para quem servirá esta energia toda?

Principalmente para as mineradoras que enviarão metais para a China.

Este é o maior e trilhardário interesse.

O foco federal e o temor estendido dos ambientalistas é que Belo Monte, abrirá as compotas do projeto chamado “Complexo Tapajós” que pretende construir cinco hidrelétricas no leito do rio paraense, em terras indígenas e com a parceria das vorazes mineradoras.

O Ecocínio já foi iniciado.

Recheada de irregularidades e polêmicas Belo Monte é uma  lenda que começou em 1975.

Em 1988 protestos violentos a fizeram adormecer, porém na década de 90 virou a principal obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sendo alvo de protestos nacionais e internacionais.

Após vídeo incluindo vários artistas globais, envolvimento do diretor de Avatar James Cameron, Movimento Gota d’Água e Xingu Vivo,  que renderam um milhão de assinaturas, a obra não foi parada.

O governo recebeu o documento e o arquivou, mesmo tendo sido o tema recordista entre as cartas recebidas pelo palácio do Planalto.

Quanto a sua licença, os técnicos do IBAMA vedaram o projeto alegando a falta de conhecimento das conseqüências ambientais e sociais da Usina.

No dia seguinte o presidente do IBAMA assinou a licença apagando o laudo anterior. São incontáveis os presidentes do IBAMA que caíram no decorrer deste processo.

Ao conceder a licença prévia ao empreendimento em fevereiro de 2010, o Ibama definiu 40 e a Funai 26 condicionantes (ajustes no projeto em função de problemas ambientais e sociais não resolvidos) a serem cumpridas pelo poder público e pelos empreendedores antes e depois do leilão.

Até outubro de 2010, nove condicionantes do Ibama não foram realizadas, duas foram realizadas parcialmente e sobre as demais não há informações.

Sobre as condicionantes da Funai, que prevêem ações como demarcação de Terras Indígenas e retirada de não-índios das áreas demarcadas, entre outros, 14 não foram realizadas e duas foram realizadas.

Relocar os ribeirinhos, quilombolas e isolar as comunidades indígenas não são solução digna.

Os verdadeiros defensores das florestas são os povos nativos que, historicamente, já foram bastante massacrados.

Atualmente, o Brasil está numa situação constrangedora perante a ONU por conta da RPU (Revisão Periódica Universal), que alega uma série de violações dos Direitos Humanos em Belo Monte.

Outras violações seguem rio abaixo.

Índio é contido pela tropa de choque da polícia durante reintegração de posse na comunidade Lagoa Azul 2, localizada na altura do km 11 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara), no Amazonas.

O orçamento de Belo Monte estava estimado em R$ 16 bilhões e o custo do canteiro de obras era o equivalente a 4% desse montante (R$ 640 milhões).

Por um erro básico de calculo o canteiro subiu para espantosos R$ 2,85 bilhões.

Ou seja, o valor inicial para construção do canteiro de obras aumentou mais de quatro vezes.

Comparativamente, é como se uma casa com custo de construção de R$ 64 mil passasse para R$ 285 mil sem se alterar o projeto.

Quem paga as contas astronômicas somos nós.

Este é o péssimo comecinho da obra bilionária.

O Consórcio Construtor Belo Monte Norte Energia, ainda não pagou à prefeitura de Altamira o Imposto Sobre Serviço (ISS) das obras da usina – e, segundo a administração pública da cidade, não quer pagar.

Outro desrespeito gerou a greve dos trabalhadores da Usina, em novembro de 2011, alegando questões como qualidade da comida, do intervalo entre as folgas para visitar suas famílias e baixos salários (R$ 900) no alto custo da cidade, que fica cada dia mais cara.

Os aluguéis triplicaram e o kilo do feijão já chega em R$ 6,00.

A Norte Energia, consórcio encarregado da obra, resolveu o conflito de forma prática.

Demissão em massa dos grevistas.

Vale dizer que por falta de cuidados com os trabalhadores, um funcionário morreu com a queda de uma árvore.

Birra da Floresta.

As maiores questões ambientais de Belo Monte, bem resumidamente pode-se dizer:

  • Inundação constante, hoje sazonal, dos igarapés Altamira e Ambé, que cortam a cidade de Altamira, e parte da área rural de Vitória do Xingu. Alagando as raízes a remanescência da floresta, apodrecendo a água, matando milhares de espécies.
  • A pesca fica comprometida, tanto pela qualidade das águas, como pelo espaçamento dos peixes, dificultando a caça de subsistência dos indígenas e ribeirinhos.
  • Redução da vazão da água do rio na Volta Grande do Xingu e interrupção do transporte fluvial até o Rio Bacajá, único acesso para comunidades ribeirinhas e indígenas.
  • Remanejamento de mais de 20 mil famílias de moradores da periferia de Altamira e da área rural de Vitória do Xingu, e de impacto em cerca de 350 famílias ribeirinhas que vivem em reservas extrativistas.
  • Alteração do regime do rio sobre os meios biótico e socioeconômico, com redução do fluxo da água.

Os impactos sociais também são alarmantes:

Há poucos meses, Altamira era uma cidade de 100 mil habitantes entre o rio Xingu e a Transamazônica, com apenas um semáforo, 17 mil carros e um monte de problemas.

Em menos de um ano, ganhou faróis inteligentes, guardas de trânsito, helicóptero, tráfego caótico de 30 mil veículos, 45 mil novos moradores e outro monte de problemas.

Na cidade, a vida segue sem saneamento básico, a educação é precária, água limpa é para poucos, o sistema de saúde funciona mal para todos… Há um descompasso notório entre o ritmo da construção da usina e a lentidão em atender às demandas urbanas.

O lixo, o tráfico de drogas e a prostituição aumentados em abundância é sinal antropológico de uma cidade inflando sem responsabilidade e planejamento.

O professor doutor em ecologia, Hermes Fonsêca Medeiros, defende que a obra geraria milhares de empregos, mas, ao final dela, restariam apenas 900 postos de trabalho, o que levaria a população que se instalou na região ao envolvimento com o desmatamento e tráfico de animais, pois não há vocações econômicas desenvolvidas na região.

A hidrelétrica irá, segundo ele, atingirá 30 terras indígenas e 12 unidades de conservação.


Esta demanda de desenvolvimento, geração de empregos e atração de investimentos para a região confronta com o já existente estilo de vida viável e sustentável dos habitantes da região, baseado em sistemas agroflorestais e na exploração parcimoniosa de recursos naturais.

O ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, defende que o Brasil desperdiça, anualmente, o equivalente a três usinas de Belo Monte ao não utilizar o bagaço e a palha da cana-de-açúcar.

Um exemplo de desenvolvimento possível foi dado em maio deste ano na Alemanha, que bateu o recorde mundial de 22 gigawatts de energia solar por hora.

Os subsídios governamentais para energia renovável ajudaram este país a se tornar líder mundial, somando 20% da energia do país  fotovoltaica.

A Alemanha pretende diminuir suas emissões de gases de efeito estufa em 40%, em relação aos níveis de 1990 até 2020.

Olhem para o céu.

Vamos pegar os recursos de cima (vento, sol, resíduos orgânicos) e não para baixo (água, petróleo, carvão).

Imagine estes  R$ 16 ou talvez 30 bilhões,  investidos em Belo Monte, revertidos em manutenção da rede elétrica, pequenas usinas hidrelétricas, energia eólica no escasso sertão nordestino, energia solar em grande escala, biomassa…idéias e soluções existem e precisam de investimento.

Os interesses dos senhores feudais do nosso país que impedem um crescimento sustentável e contemporâneo.

Como ajudar:

http://xinguvivo.org.br

   Comentário RSS