Pronto! Mamãezinha já foi longe demais mesmo com isso hoje! @hannariusaOlá, eu sou eu o Tigre denovo, venho por meio desta reclamar que Mamãezinha resolveu me torturar mesmo com essa troca de roupinhas! Disse que com este pullover @hannariusa posso ir estudar em Harvard! Já falei que não quero e não adianta mesmo!Alô? Boa tarde, meu nome é Tigre, sou o amor da minha Mamãe porém tô aqui muito #chatiado com isso. Mamãe me abandona na casa da Vovó pra viajar e volta com isso! Disse que eu tô chic de trench coat e gravatinha e que é pra ficar paradinho mesmo mesmo! Meu look #1 @hannariusa modas de Nova IorqueSo good to finally find my partner in crime from the punk rock years in the Lower East Side, Manolo!!! It's been 15 years at least, since I last saw him...! Love you #Mannie Garcia Miss our days...Spreading the word!Ma brotha from anotha motha @ricardoctavaresGoing to my town...Outra novidade babado para 2015  é a abertura do @la_central no Edifício Copan, restaurante de alta gastronomia mexicana, onde meu marido @ddonaire é um dos sócios! Em destaque meu arranjo floral do amor 💚! La Central abre oficialmente para o público dia 15 de dezembro! Nos vemos lá?2014 terminando com grandes alegrias e renovações, entre elas a abertura de LifeUnderZen do meu Brother Mór Jun Matsui, na Galeria do Rock! True style! Meus Ikebanas, Bonsais e arranjos do amor, direto do meu jardim, expostos e a venda lá, tá? Congrats e vida longa @junmatsui e @jlta !!!Another level flower arrangements @liajacinto & Ricardo wedding! Photo by @djfelipevenancio

                
       





















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CURRENT MOON

Archive for julho, 2012

Today’s Sound: Don’t Look Now por Arthur Mendes Rocha

Um terror psicológico dos anos70 e eleito pela Time Out como o melhor filme britânico de todos os tempos, este é “Don’t look now” (Inverno de Sangue em Veneza).

O filme é uma produção de 1973, dirigida por Nicholas Roeg (o mesmo de ‘O Homem que caiu na terra” com David Bowie), tendo no elenco Donald Sutherland e Julie Christie em ótimas atuações.

“Don’t look now” não teve sucesso de público, mas a crítica o recebeu bem. Com o tempo, seu valor foi crescendo e hoje ele é considerado uma excelente obra de terror e um dos dez melhores filmes britânicos do século XX.

Sua influência na cultura pop vai desde os diretores Danny Boyle e Alfonso Cuarón, até a série de TV American Horror Story, o Anticristo de Lars Von Trier, entre outros.

Ele é baseado numa estória curta de Daphne Du Maurier (a mesma autora de “Rebecca, a mulher inesquecível”, que virou filme de Hitchcock).

O filme também é a estréia de Pino Donnagio em trilhas sonoras de cinema, atividade pela qual ficou famoso especialmente por suas colaborações com Brian DePalma.

A estória é centrada num casal que perde a filha em um horrível acidente e tem de lidar com esta perda, só que não conseguem, já que são assombrados pelo espírito da menina. Além disso, envolvem-se com duas irmãs, sendo que uma delas é psíquica e diz que se comunica com a menina falecida.

A cena da morte da menina já é uma das cenas iniciais do filme, como vemos abaixo:

A ação se passa em boa parte na linda cidade de Veneza, para onde o casal vai após a morte da filha, e seus canais, becos, ruazinhas, igrejas acabam criando um clima ainda mais mórbido no filme.

Uma das cenas mais famosas do filme, a cena de sexo entre Sutherland e Christie, quase acabou não acontecendo, pois nem estava prevista no roteiro original e foi incluída para que o filme não ficasse carregado demais nas cenas de discussão entre o casal.

Esta cena foi a responsável pelo filme ter sido mal recebido pela censura da época, já que cena era considerada muito gráfica. Hoje em dia, ela é reconhecida como uma das melhores cenas de sexo no cinema em todos os tempos.

O filme surpreende pela forma com que o tema da perda é abordado, já que se trata de um filme sobrenatural, mas que lida muito bem com a psicologia da perda e os efeitos que esta tem no casal principal.

Outro destaque do filme é a edição inovadora de Graeme Clifford (diretor do belo e triste “Frances”), usando e abusando dos flashbacks e flashforwards, além da associação de elementos como objetos e cores como forma de premonição, como nesta cena abaixo:

O diretor Roeg queria fazer um filme onde mostrava que a dor da perda pode afetar tudo, até destruir um casamento bem-sucedido. Com a perda da filha, o casal fica estraçalhado emocionalmente e é tema recorrente no filme as circunstâncias da morte da menina, a roupa vermelha que estava utilizando, a água que a afogou (afinal Veneza é cercada por água).

Outro tema recorrente é o uso de reproduções, de reflexos na água, de fotografias. O filme acabou recebendo o Oscar de melhor fotografia para Anthony B. Richmond.

Roeg consegue criar um clima de tensão constante, estamos sempre esperando que o pior vai acontecer, já que o filme mesmo nos avisa isto quando ocorrem acidentes ou outras pequenas ações.

‘Don’t look now” é um filme que merece ser visto e revisto, já que é cheio de nuances e climas que muitas vezes só são percebidos com uma segunda visão.

Como o próprio Roeg definiu que queria mostrar com o filme: nada na vida é o que parece e onde o tempo – passado, presente, futuro – pode coexistir.

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Today’s Sound: The Night of the Hunter por Arthur Mendes Rocha

Charles Laughton foi um dos grandes atores da época de ouro de Hollywood e sua única incursão como diretor é uma pequena jóia, um filme surreal, assustador, dark: “The Night of the Hunter” (O Mensageiro do Diabo).

O filme foi lançado em 1955, feito sem pretensões, estrelando atores como Robert Mitchum e Shelley Winters, bem como a veterana Lilian Gish (atriz famosa no cinema mudo).

‘Night of the Hunter” não teve sucesso na época, foi um filme que não teve reconhecimento merecido e hoje é considerado um dos grandes clássicos do cinema americano.

É compreensível entender seu fracasso: a América vivia os anos Eisenhower e o filme é sobre um serial killer que matava suas esposas, que pregava a religião e que de repente era um monstro.

Em muitas listas de melhores filmes, ele é tido como a melhor estréia de um diretor novato, sendo que Laughton, quando o filme foi mal recebido, prometeu nunca mais voltar a dirigir um filme.

A estória gira em torno de um psicopata, Harry Powell (Mitchum), que em sua estada numa prisão, acaba sabendo, por um colega de cela, que uma fortuna de um roubo está escondida em uma boneca, pertencente à filha do mesmo.

Ao sair da prisão, Harry mata seu colega de cela e se faz passar por um reverendo e se aproxima da viúva (Winters) e de seus dois filhos. Só que o menino desconfia das reais intenções do reverendo e passam praticamente fugindo dele o filme todo.

O filme é baseado no romance do mesmo nome de autoria de Davis Grubb e na verdadeira história de Harry Powers, enforcado em 1932 pelo assassinato de uma viúva e seus dois filhos.

Quando Laughton adquiriu os direitos sobre o livro, ele encontrou-se e trocou várias correspondências com Grubb. Este acabou lhe enviando vários desenhos de como imaginava as cenas e que acabaram por servir como uma espécie de storyboard para o diretor.

“Night of the Hunter” diferencia-se dos filmes da década de 50, já que é obscuro, lírico e expressionista, servindo de grande influência no trabalho de diretores como David Lynch, Jim Jarmusch, os irmãos Coen, Terrence Malick, entre outros.

Uma das cenas mais geniais do filme é o da cena da fuga no barco, filmada em glorioso p&b, num misto de onírico com macabro, de sonho e pesadelo. Sapos, teias de aranha, coelhos são filmados em deep-focus, como que assistindo as crianças passearem com o barco:

Um dos aspectos mais bacanas do filme é que ele é contado sob a visão das crianças, ele é bem assustador, pois mostra bem o isolamento destas.

Robert Mitchum dá um show de interpretação como Harry, já que se passa como bondoso, ele é carismático, charmoso, sexy com as mulheres e na verdade é um assassino frio e calculista.

Entre as imagens icônicas do filme está a de Mitchum com suas mãos, onde em uma está escrito ‘Love” e na outra “Hate”:

Charles Laughton usa toda sua experiência como ator para criar uma ambientação sinistra, já que o filme é cheio de climas, sombras, cenas noturnas, silhuetas, os contrastes do preto e branco são bem definidos e tudo é filmado com brilhantismo pelo ator/diretor.

Laughton trabalhou com diretores como Hitchcock, Kubrick, Billy Wilder, além de ter recebido o Oscar de melhor ator em 1934. Ele utiliza técnicas do cinema mudo em seus takes, já que seus planos são longos e o corte só acontecia quando o rolo de filme da câmera terminava.

Além disso, ele utiliza inspirações de diretores do cinema mudo como D.W. Griffith e também do expressionismo alemão. Inclusive utilizando no elenco uma das atrizes preferidas de Griffith, Lilian Gish, como na cena abaixo:

Ele também se cercou de uma equipe competente para lhe ajudar neste seu primeiro filme: o a fotografia de Stanley Cortez (que já havia trabalhado com o deep-focus em “The Magnificient Ambersons) e a música de Walter Schumann (que pontua as cenas maginificamente), entre outros.

O filme foi feito com um orçamento restrito, em poucas semanas, já que os direitos para a compra do romance haviam sido bem caros.


Perversão e  hipocrisia, estes assuntos não eram comuns na época e são os temas principais deste pequeno grande filme de Laughton “Night of the Hunter’, um filme que merece o status que adquiriu de cult ao decorrer dos anos.

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Aranhas em paz, morcegos também!

Retrato de Dora Maar, fotografado por Erwin Blumenfeld, 1932

Pavor, pânico, gritos histéricos, filmes de terror…

Este é o quadro, normalmente, pintado quando nos deparamos com aranhas e morcegos.

Malditos e incompreendidos estes seres tem uma importância fundamental nos ciclos da natureza.

Os perigos que causam são muito menores que os benefícios.

A importância das aranhas para a manutenção do equilíbrio ecológico é muito grande, pois, sendo carnívoras, alimentam-se principalmente de insetos, que se prendem nas teias ou que são ativamente caçados, evitando assim  que  insetos dominem ambientes, são eles o prato predileto destes seres de oito pernas e até oito olhos.

Alimentam-se do que transmite: Malária, dengue, febre amarela…

Diminuem a desagradável ação de pernilongos, moscas, baratas e traças que estragam alimentos e pertences humanos.

Os ácaros também são aracnídeos e servem de comidinha para algumas espécies menores de aranhas.

"Crab Spider", litografia de Louis Prang

São um dos elementos essenciais do processo de regeneração da vida em zonas destruídas por incêndios florestais, sendo das primeiras colonizadores dos locais e que com a sua presença vigorosa, permitem a vinda de outras espécies.

As folhas das bromélias costumam fornecer um habitat para as aranhas, que as utilizam como abrigo e em troca as aranhas da família Salticidae fornecem, por meio das fezes, fornecem nutrientes para as bromélias.

O estudo indica que as fezes dos aracnídeos são ricas em guanina, uma base nitrogenada orgânica, e que o acúmulo desse material nas folhas fornece à planta nitrogênio, nutriente primário dos vegetais.

Medindo de 1cm a 15cm se dividem basicamente em  tecedoras e caçadoras, elas só atacam se forem ameaçadas.

As aranhas grandes têm um veneno insignificante, pois se garantem na força, já as menores têm veneno que podem ser letal.

No Brasil apenas 3 são perigosas: armadeira, viúva-negra e aranha-marrom.

Não mate aranhas.

Apenas as evite, colocando-as de volta ao meio.

Enxergue suas teias como adornos do jardim dotados de uma beleza universal.

Em forma de labirinto, funil, aquática, triangular, copo e prato e sempre formando mandalas, as teias são ultra resistentes e seu uso é estudado para a formação de sistemas ópticos.

Tarântula azul cobalto

Um costume grego é usá-las para coberturas de feridas inflamadas  e também como fio de pesca de pequenos peixes pela etnia das Ilhas Salomão.


Segundo a lenda grega, a tecelã Aracne desafiou a deusa Atena e, como castigo, foi transformada em aranha.

"Arachne", ilustração de Gustave Doré para o Purgatório de Dante

O fóssil de aranha mais antigo encontrado é de Araneae (Attercopus fimbriunguis) que data cerca de 380 milhões de anos.

Já os morcegos, existem 47 milhões de anos e podem ser encontrados em quase todo planeta exceto nos pólos.

Representam 1/5 de todos os mamíferos da Terra.

Nós na ascendência de humanóides australopitecos, existimos a 2,5 milhões de anos.

Respeito aos mais velhos é código de ética básico, não é ?

Photography by Tim Flach

São pelo menos 1 116 espécies, existindo apenas três espécies de morcego que se alimentam apenas de sangue.

Todas as três espécies são nativas das Américas, estando distribuídas desde o México ao Brasil, Chile e Argentina.

Os morcegos possuem uma enorme variedade de formas e tamanhos, podem ter uma envergadura de cinco centímetros a dois metros e meio, e uma ampla diversidade de hábitos alimentares.

A fama de mau e sombrio também vem de seus hábitos noturnos, porém percebam que suas funções vão muito além das trevas.


Assim como as aranhas, eles são grandes controladores de insetos.


Algumas espécies ingerem 200 ou mais insetos em apenas alguns minutos de vôo.


Todo este consumo ainda contribui significativamente para a redução do uso de venenos químicos utlizados nas plantações, o que significa comida mais saudável para todos, solo e lençóis freáticos mais protegidos.


São fundamentais pela formação de florestas, pois ao ingerir um fruto deixam cair as sementes em local distante do original, onde poderá nascer nova árvore.


Mais de 500 pequenas sementes podem ser transportadas por um único morcego a cada noite.


São como beija-flores noturnos que ajudam na reprodução de mais de 500 espécies de plantas, visitando as flores e transportando o pólen de flor em flor.















Há morcegos que se alimentam de pequenos animais, incluindo os roedores, que tanto prejuízo trazem à agricultura e ainda suas fezes constituem excelente adubo que, foram largamente explorados, até o desenvolvimento dos adubos sintéticos.

Photography by Tim Flach

A saliva do morcego vampiro, por ter forte ação anti-coagulante, poderá ser largamente empregada para o tratamento de várias doenças vasculares, inclusive já é testado em humanos com sucesso, na Grã-Betanha, para tratamentos de derrame cerebral.

Este mamífero voador único é praticamente o responsável pela existência de vida nas cavernas.

Ao defecar, ou mesmo deixar restos de comida na escuridão das cavernas, eles estão ajudando a manter um ecossistema inteiro que tem grande dificuldade em gerar vida.

Se os morcegos forem extintos, a pequena biodiversidade das cavernas também será.

Para se ter uma idéia da importância dos morcegos, basta dizer que cerca de dois terços das angiospermas das florestas tropicais do mundo são polinizadas por eles.

"Bat before the Moon" by Biho Takashi, 1910

Têm sido estudados para aperfeiçoamento de aparelhos de sonar e ultra-som, pois são animais que possuem este  sexto e sétimo sentidos.

Alvo de um estudo alemão, que observou durante cinco anos mais de 20 mil morcegos, descobriu que o grupo social que esse mamífero voador estabelece na juventude é mantido até a velhice, a pesquisa apontou, ainda, que as “amizades” dos morcegos mais velhos são mantidas pelos mais jovens, mesmo após a morte dos anciões.

E mais: eles não são nem um pouco preconceituosos e se relacionam com morcegos de qualquer gênero e tamanho.

Há apenas três outros animais que também estabelecem laços fortes com os demais exemplares de suas espécies e mantêm uma relação social durante toda a vida: os elefantes, golfinhos e alguns primatas, como, por exemplo, os seres humanos.

As fezes, que podem conter, entre outros, os fungos causadores da histoplasmose, os morcegos devem ser retirados das partes habitadas das casas, mesmo porque podem ser transmissores de raiva.

Se acometidos por raiva, os morcegos desenvolvem a doença e morrem.

Os sintomas mais importantes para avaliação de um morcego raivoso são os vôos diurnos e a incapacidade de se desviarem de obstáculos.

Além da raiva, os morcegos estão envolvidos na transmissão de uma ampla gama de doenças, dentre as quais encefalomielites eqüinas, salmoneloses, histoplasmose e criptococose.

Só ficar atento.

Embora não se deva ter um medo desmesurado de morcegos e das aranhas, deve-se evitar manipulá-los ou tê-los no lugar onde se vive, tal como acontece com qualquer animal selvagem.

Encontrando estes animais em casa, o mais indicado é encaminha-lo para o centro local de controle de zoonose para ser observado.

Isto também se aplica se forem encontrados mortos.

Confesso a todos que após esta pesquisa para realização do post, estou achando as aranhas  menos ameaçadoras e os morcegos mais queridos.

Illustration by Ida Rentoul Outhwait (1888-1960)

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Today’s Sound: Dr. Mabuse por Arthur Mendes Rocha

Fritz Lang nos deu várias obras-primas, mas uma delas tem uma importância histórica especial no cinema expressionista alemão dos anos 20: “Dr. Mabuse”.

“Dr. Mabuse” conta a história de um farsante, uma das criaturas mais repugnantes que o cinema já criou, ele é perverso, do mal mesmo, capaz de enganar a tudo e a todos.

Este personagem foi criado por Norbert Jacques, que escreveu o livro “Dr Mabuse, Der spieler” (Dr Mabuse, o jogador) em 1921, mas ficou famoso mesmo nos três filmes de Fritz Lang. Os dois filmes seguintes são “O testamento de Dr.Mabuse’ (1933) e “Os Mil olhos de Dr. Mabuse”.

Mabuse usa as mais incríveis técnicas para cometer seus crimes, como é especializado em telepatia, ele hipnotiza suas vítimas para cometerem os crimes no lugar dele.

Ele também é um mestre nos disfarces, podendo fazer-se passar por qualquer pessoa e sair impune.

O livro foi adaptado, em 1922, pelo grande cineasta alemão Fritz Lang, uma verdadeira lenda do cinema, e sua esposa Thea Von Harbou. Lang é uma referência em cinema, seus filmes são influência direta em muitos cineastas, sejam os mudos, os falados e os feitos quando se mudou para os EUA.

Mas foi com “Dr Mabuse’ que Lang mostrou o seu talento ao mundo e o filme foi um sucesso de público e crítica.

Como o filme tem quatro horas de duração, ele acabou sendo dividido em duas partes: “Dr.Mabuse, the gambler, na image of the times” e “Inferno, people of the times”, cujas cenas podemos ver abaixo:

O personagem é interpretado brilhantemente pelo ator alemão Rudolf Klein-Rogge, que repetiu sua performance também na continuação de 1933. Rudolf também é conhecido por seu papel como o cientista de ‘Metropolis” (outra obra-prima de Lang).

No filme, Mabuse tem uma rede de criminosos viciados em cocaína, com os quais bola planos mirabolantes para enriquecer na bolsa de valores. Para isso, ele manipula o milionário Edgar Hull, fazendo o perder muito dinheiro em jogos.

É aí que entra o comissário de polícia Von Wenk, que fará tudo para descobrir e capturar o nefasto Dr. Mabuse.

Em uma das cenas do filme, Mabuse (disfarçado como Sandor Weltemann) impressiona uma platéia com suas ilusões de ótica:

O filme mostra a predileção de Lang em falar de personagens obscuros, lidar com o submundo, com crimes e as perversões humanas.

“Mabuse’ é um filme mudo, mas tem muita ação, estamos sempre sendo surpreendidos pelas reviravoltas na história, é um jeito muito moderno de filmar, mesmo tendo sido nos anos 20.

O filme tem uma conotação política forte, já que a Alemanha enfrentava uma situação difícil, com muita corrupção e autoritarismo militar. Lang faz esta previsão no filme, prevendo um futuro dark, um governo obcecado por poder, que perde a sua identidade neste processo (como o próprio Mabuse).

Falando em identidade, Mabuse é a própria identidade irreal, ele transita por todos, sempre trocando disfarces, fazendo se passar por quem não é, sempre nos colocando na dúvida de sua real identidade. Ele quer entrar em todos os círculos e na seqüência em que se passa por todos os integrantes de uma roda, mostra-nos que a maldade pode estar em qualquer lugar ou pessoa.

O filme, por ser muito antigo, está em domínio público, logo pode ser visto no youtube, pelo menos a parte 1, conforme link abaixo:

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Today’s Sound: Pandora’s Box por Arthur Mendes Rocha

Um clássico do cinema mudo que revelou ao mundo o talento de Louise Brooks, sob a direção de G.W. Pabst: “Pandora’s Box” ( A caixa de Pandora).

Esta produção de 1929, conta a trágica história de Lulu (Brooks), uma jovem radiante, livre, linda e ao mesmo tempo ingênua, que acaba seduzindo, mesmo sem querer, os que a rodeiam, sejam homens ou mulheres.

O filme é baseado na peças “Erdgeist” e “Die Büchse der Pandora”, ambas bastante conhecidas na Alemanha.

Lulu é uma das personagens mais bacanas de todos os tempos, é incrível como um filme mudo consegue ter uma mulher que segue seus instintos e desejos, sem se preocupar com a sociedade puritana da época.

Julgada imoral por muitos, Lulu não enxerga a maldade que os demais vêem, ela quer se divertir e aproveitar a vida, mas isto acaba tendo conseqüências graves para os que se aproximam dela.

Nesta cena, extremamente climática, com sua bela iluminação com sombras e expressões, seu marido descobre sua traição e lhe obriga a se matar, para que ele não cometa o crime:

Pabst demorou a encontrar a atriz perfeita para encarnar Lulu. Sua primeira opção era Dietrich, mas ele a considerava velha para o papel. Quando ele viu o filme “A Girl in every port” de Howard Hawks, ele descobriu a sua Lulu em Louise Brooks (então contratada da Paramount). Reza a lenda que Dietrich estava pronta para assinar o contrato quando o telefone tocou e a Paramount liberou Brooks para trabalhar no filme.

Talves se Lulu não tivesse encontrado Pabst, tudo seria diferente, ela veio a fazer mais um filme com o diretor na Alemanha, afastando-se do star system de Hollywood e depois virou reclusa; mas sua imagem em “Pandora’s Box” virou ícone da chamada “jazz age”, nos anos 20.

Lulu lançou no filme, um visual que com os cabelos curtos e cortados com franjinha , seu look é referência fashion até hoje, e o corte é conhecido como “Lulu”. Além disto, seu jeito de vestir, com vestidos decotados e brilhosos bem anos 20, além de sua sensualidade, encantou os espectadores da época.

No evento de comemoração dos cem anos do cinema, a Cinematèque Française elegeu Louise a imagem mais icônica do cinema em todos os tempos (mais que Marilyn, Dietrich e as demais estrelas da tela).

Numa das cenas mais famosas, Lulu dança com a Condessa Augusta (Alice Roberts), considerada a primeira personagem lésbica do cinema.

Neste vídeo, Louise Brooks (em uma rara aparição no documentário “Lulu in Berlin”) comenta a cena e afirma que Roberts não sabia que sua personagem era homossexual:

Na época em que foi lançado, o filme não teve o reconhecimento merecido. Isto só veio a acontecer nos anos 50 quando críticos reconheceram seu brilhantismo, considerando-o tão importante quanto os demais clássicos do expressionismo alemão.

Uma das edições definitivas de “Pandora’s Box” foi lançada pela Criterion, que remasteriozu o filme, inserindo quatro trilhas diferentes, além de extras soberbos como documentários que nos contam um pouco deste clássico.

“Pandora’s Box” se diferencia por sua naturalidade, o filme é bem moderno para os padrões da época, Pabst arrasa no clima dark que criou, com sua iluminação, a história lida com imoralidade, com uma sexualidade trágica; é um lindo filme que merece ser apreciado especialmente por Louise Brooks, que é a alma deste grande filme.

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