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CURRENT MOON

Archive for janeiro, 2013

Um Mar de Escassez

Entro no mar e peço licença para ele mesmo.

Grandeza hipnótica.

Infinito líquido de poderes e mistérios.

Fonte de alimento e berço da vida na terra.

Esta força que parece inabalável é só superfície.

A vida marinha corre riscos irreversíveis e as espécies em extinção aumentam todos os dias.

O gênero humano está afogando as águas.

Mercado de atum no Jap√£o

O bacalhau deixou de ser a base da alimentação das classes mais pobres de Portugal e toda Escandinávia pela alta de seus preços.

No Jap√£o sushi feito de carne crua de cervo ou de cavalo pela falta do Atum.

O Camboja, riquíssimo em recursos hídricos, está importando peixe do Vietnã.

O gigante Pirarucu, o maior peixe da Amaz√īnia, est√° a um passo da extin√ß√£o.

Pescadores de Picinguaba, no interior de São Paulo começaram a criar vieiras por que a pesca já não sustenta suas famílias e os peixes nos supermercados do mundo inteiro vão ficando menores e mais caros.

Pirarucu

O estoque pesqueiro marinho mundial tem ca√≠do de forma alarmante nos √ļltimos 20 anos.

Pelos c√°lculos da Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para a Agricultura e Alimenta√ß√£o (FAO), 66% das esp√©cies v√™m sendo capturadas no limite ou acima do limite de sua reposi√ß√£o natural; 10% j√° est√£o esgotadas ou em recupera√ß√£o.

Desde 2004, quando se atingiu o recorde de 84 milh√Ķes de toneladas de peixes extra√≠das dos mares, a produ√ß√£o cai ano a ano.

Em 2009, apesar do aumento na frota pesqueira, o volume pescado ficou em 79,9 milh√Ķes de toneladas.

Enquanto isso, o consumo de peixe só cresce.

Em 2004, a humanidade devorou 104 milh√Ķes de toneladas.

Em 2009, foram 118 toneladas, e a tendência do consumo é continuar crescendo.

Como funciona o mercado negro de atum no Jap√£o

O consumo √© sem d√ļvida o chefe da quadrilha na escassez da biodiversidade marinha.

Os subsídios governamentais para amenizar o problema dos pesqueiros, mascaram o ponto de equilíbrio das pescarias e contribuem para agravar o excesso no uso dos recursos.

Os incentivos são fornecidos para expandir a produção e aumentar os lucros, sem o prévio conhecimento científico dos limites e possibilidades de exploração de cada estoque em cada região.

Melhorar para piorar.

Além da pesca comercial e predatória outros agravantes inflam o problemão:

  • O desmatamento de matas ciliares;
  • o uso inadequado de terras para agropecu√°ria;
  • a constru√ß√£o de usinas hidrel√©tricas,
  • o assoreamento dos corpos d’√°gua,
  • a polui√ß√£o de v√°rias origens,
  • mudan√ßa clim√°tica,
  • a pesca esportiva,
  • o uso de cartilagens em cosm√©ticos,
  • o desequil√≠brio na introdu√ß√£o de esp√©cies ex√≥ticas fora de seu habitat
  • e a devasta√ß√£o das √°reas de mangues s√£o fatos que dificultam a auto-regenera√ß√£o da natureza.


A pescaria recreacional ou amadora é um dos principais contribuintes para o rápido declínio das salinas importantes, porque retira importantes predadores do eco-sistema como o robalo, o caranguejo e o cação

Segundo o relat√≥rio do Programa Ambiental da ONU, feito com base em 18 regi√Ķes do planeta, em outubro do ano passado mostra a baixa de fertilidade dos oceanos, que at√© 2050 dever√° abrigar esp√©cies de peixes cada vez menores.

Com isso, a pesca estará baseada na cadeia alimentar, ou seja, o pescador pegará o pequeno peixe que deveria servir de alimento para outras espécies.

Enquanto isto, na foz do rio Amazonas a Sigel do Brasil Com√©rcio, Importa√ß√£o e Exporta√ß√£o Ltda √© flagrada na captura ilegal de 280 mil tubar√Ķes ¬†para obter 25 toneladas de barbatanas e bexigas natat√≥rias .

Este animal que está no topo da cadeia alimentar e conviveu com dinossauros também corre risco de extinção.

Chama-se de sobre-pesca aquela que é feita fora do período permitido.

De acordo com dados da Funda√ß√£o Instituto da Pesca do Rio de Janeiro (Fiperj) , a sardinha-verdadeira, por exemplo, n√£o pode ser pescada de 1¬ļ de novembro a 15 de fevereiro, e de 15 de junho a 31 de julho.

J√° o camar√£o rosa, de 1¬į de mar√ßo a 31 de maio.

Além disso, foi estipulado pelo governo federal um tamanho mínimo, de acordo com a espécie, para evitar a mortalidade de animais nas fases de reprodução e crescimento.

Cação-Anjo, Raia-Viola, Peixe-Serra, Cioba, Badejo-Tigre e o Mero estão entre as espécies que não devem mais ser pescadas.

1 РEspécies que não podem e não devem ser consumidas:
Cação-anjo, raia-viola, peixe-serra, surubim, cioba, badejo-tigre e mero.

Doze esp√©cies de tubar√Ķes/raias e 145 esp√©cies de peixes constam no Anexo I do Ibama como esp√©cies amea√ßadas de extin√ß√£o, com alto risco de desaparecimento na natureza em um futuro pr√≥ximo.

2 РEspécies que deveriam ser evitadas:
Atum, badejo, camar√Ķes, lagostas, ¬†cherne, corvina, enchova, garoupa, merluza, namorado, pargo, pescadinha-foguete, sardinha-verdadeira, tainha e vermelho.

Espécies que devem ser evitadas: Atum, Camarão, Badejo, Lagosta, Cherne, Corvina, Anchova, Garoupa

Mais peixes que n√£o devem ser pescados: Merluza, Namorado, Pargo, Pescadinha-Foguete, Sardinha-Verdadeira, Tainha

3 РEspécies liberadas para o consumo:
Abr√≥tea, agulha, albacora, batata, ba√ļna, bicuda, bijupir√°, bonito, caranha, carapeba, castanha, cavala, cavalinha, cocoroca, congro, congro-rosa, dourado, galo, linguado, manjuba, michole, olhete, olho-de-c√£o, pampo, peixe-espada, pescada, piranjica, pira√ļna, robalo, sororoca, tira-vira, trilha, x√°reu, xerelete e xixarro.

Foi exatamente o consumo excessivo no passado que colocou algumas espécies em estado de alerta, hoje.

As sardinhas, por exemplo, ainda não estão em extinção.

Mas, se consumirmos esse peixe de forma exagerada, em um ou dois anos a situação já mudará.


Como consumidores temos o poder da escolha, optar por pescados de aquicultura, ou seja, criados em fazendas especializadas e, portanto, pescados de forma controlada é uma boa direção e excelente pergunta na hora da compra.


A recomenda√ß√£o da Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde √© que cada pessoa consuma cerca de 12 quilos de pescado por ano.

No caso do Brasil, consumimos 6,8k por ano.

Nem os invej√°veis 8,5 mil quil√īmetros de costa ajudam.

Nossas √°guas tropicais e subtropicais, com temperatura e salinidade elevadas, s√£o pobres em nutrientes e pouco produtivas.

Não é à toa que ocupamos a modesta 22ª posição no ranking mundial de produção pesqueira.


Já a China é o maior produtor e consumidor de espécies de peixes no mundo.

Sua frota retira um quinto do peixe saído dos mares.

Cada chinês come 60 quilos de peixe por ano.

Um alimento nutritivo, gostoso e saud√°vel que precisamos cuidar para n√£o ficar sem.

Sem d√ļvida a falta de peixe n√£o √© uma onda √© uma crise estrutural, por isto pe√ßo licen√ßa para ir a feira fazer algumas perguntas na peixaria.


Video passado na rio +20

http://www.ebc.com.br/noticias/meio-ambiente/galeria/videos/2012/09/pescadores-lutam-para-sobreviver-a-escassez-de-peixes

O Pesadelo de Darwin (Le Cauchemar de Darwinis,¬†Darwin’s Nightmare) √© um document√°rio¬†de 2004, escrito e dirigido por Hupert Sauper¬†e resultante de uma parceria entre a Fran√ßa, B√©lgica¬†e √Āustria.

O filme aborda os efeitos sociais e ambientais no Lago Vit√≥ria na Tanz√Ęnia provocados pela ind√ļstria da pesca. O filme estreou¬†¬†no Festival Internacional de Cinema de Veneza¬†e foi nomeado/indicado para o Oscar de Melhor Document√°rio em 2006.

Veja a lista das espécies de peixes marinhos que devem ser evitadas e aquelas que estão livres para o consumo, usando como referência a lista nacional do Ibama e da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza): .

http://www.biodiversitas.org.br/f_ameaca/Anexo1.pdf


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TODAY SOUND: DUCHAMP POR ARTHUR MENDES ROCHA

E para finalizar os nossos filmes surrealistas, falaremos do ‚ÄúAn√©mic Cin√©ma‚ÄĚ de Marcel Duchamp, um dos grandes artistas de todos os tempos.

Duchamp era pintor, escultor, poeta e naturalizou-se americano nos anos 50.

Gra√ßas a ele, objetos do cotidiano passaram a ser considerados como obras de arte, s√£o os chamados ready mades, tendo sido ele o inventor deste conceito com o famoso ‚ÄėA Fonte‚Äô (um urinol que causou pol√™mica quando exibido em 1917).

Duchamp era um artista completo, tinha uma criatividade e uma imagina√ß√£o absurda, todas as suas cria√ß√Ķes s√£o dignas de admira√ß√£o.

Nos anos 20, ele concebeu este pequeno filme experimental chamado ‚ÄėAn√©mic Cin√©ma‚ÄĚ (Cinema An√™mico), que teve algumas vers√Ķes em 1920, 1923 at√© sua vers√£o definitiva em 1926.

O filme tem influências dadaístas e surrealistas e nada mais é do que uma sucessão de planos fixos com dezenove discos giratórios em movimento, o qual ele denominou de rotoreliefs (rotorelevos).

Estes discos s√£o hipn√≥ticos, j√° que giram em diversos movimentos e nos oferecendo diferentes percep√ß√Ķes, al√©m de conter um jogo de letras com algumas frases em franc√™s.

Em sua obra é comum este jogo de palavras, estes trocadilhos.

Estas frases foram criadas pelo alter ego feminino de Duchamp, Rrose Sélavy, que nada mais era que ele vestido de mulher.

O objetivo de Duchamp era justamente testar as percep√ß√Ķes humanas atrav√©s destas espirais.

Só que numa falsa percepção, permitindo uma dupla leitura, que é a bidimensionalidade, criando a ilusão de uma terceira dimensão.

Ou seja, já naquela época Duchamp experimentava com o conceito de 3D.

Tecnicamente, estes desenhos foram pintados em círculos de papelão, utilizando para isto um fonógrafo que girava estes discos.

Tudo isto foi feito no est√ļdio de seu grande amigo Man Ray, com a ajuda do cineasta Marc All√©gret e Clavin Tomkins.

Com outras obras de vanguarda da √©poca, ‚ÄėCin√©ma An√©mic‚ÄĚ procura um cinema mais puro, fugindo das narrativas convencionais.

O filme foi apresentado ao p√ļblico franc√™s em agosto de 1926 e nele Duchamp tamb√©m discute a sexualidade, seja atrav√©s dos trocadilhos de Rrose ou das formas que podem nos remeter a seios e genit√°lias.

Duchamp nos instiga, nos faz perceber coisas que não perceberíamos normalmente, seu trabalho estava sempre na vanguarda artística.

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Today’s Sound: Man Ray por Arthur Mendes Rocha

Hoje nosso enfocado é Man Ray: arquiteto, fotógrafo, pintor, anarquista, ele é umas das figuras mais emblemáticas dos movimentos surrealista e dadaísta , um verdadeiro revolucionário na arte da fotografia.

Man Ray (originalmente nascido com o nome Emmanuel Radnitzky) era americano, mas um apaixonado por Paris, onde viveu metade de sua existência.

Sua preferência pelo abstrato se deve principalmente ao tomar contato com o New York Armory Show de N.Y.  em 1913, onde morava na época e onde fundou (junto com Duchamp) o movimento dadaísta.

Foi em Paris que ele teve contato com os artistas mais vanguardistas da época e resolveu se aventurar mais á fundo no movimento dadaísta e um pouco depois no surrealista.

O mote de seu trabalho √© liberdade e prazer, Ray gostava de experimentar, de n√£o ter limites em suas cria√ß√Ķes.

Sua grande paix√£o era a pintura, mas onde ele teve sucesso e reconhecimento foi com a fotografia.

Uma grande influência em sua carreira foi sua amizade com Marcel Duchamp, que durou até o final de suas vidas.

Duchamp lhe apresentou seus ready-mades, ou seja, objetos normais que transformava em arte e os quais ele começou a fotografar.

Ray costumava dizer que pintava o que n√£o podia fotografar e fotografava coisas que j√° existia e as quais n√£o queria pintar.

Suas inova√ß√Ķes e t√©cnicas foram bastante influentes no movimento surrealista a partir de 1921.

Uma de suas primeiras experi√™ncias com o cinema foi como cinegrafista de um filme marcante no cinema experimental: o filme dada√≠sta ‚ÄúBallet Mecanique‚ÄĚ.

Mesmo visto hoje, vemos que o filme estava muito à frente de sua época, ele ainda consegue ser moderno com imagens que remetem a geometria, pós cubismo, concretismo, sendo considerado o primeiro filme sem um roteiro propriamente dito.

Além de esculturas (feitas por Picasso) que se movem e até uma mulher (Kiki) que pisca e em sua pálpebra existe outro olho pintado (ou seja, quando ela pisca, parece que seu olho nunca fecha).

Outra cena marcante é a dos colarinhos que se mexem e um homem que vai rasgando estes colarinhos. Bem como a cena que mistura os movimentos do charleston com a de um homem tocando banjo:

Imagens que se repetem, formas, movimentos à maneira surrealista e a qual tentamos decifrar, assim é o trabalho de Ray neste filme.

Numa de suas exibi√ß√Ķes, um espectador reclamou que o filme lhe dava tontura e dor de cabe√ßa e acabou se criando um tumulto, onde apareceu a pol√≠cia e colocou as pessoas para fora da sala.

Temos que notar que estes efeitos todos eram super modernos na década de 20, ninguém nunca havia feito e Ray inovou ao fazê-lo.

Man Ray nunca teve limites em seu trabalho, ele nunca parava de experimentar, de descobrir novas maneiras de mostrar suas imagens, seja fotografando seus amigos, celebridades e at√© mesmo moda (ele fotografava as cria√ß√Ķes de Poiret e Schiaparelli, por exemplo).

Ele publicou v√°rias de suas fotos na Vogue e na Vanity Fair e costumava declarar: ‚ÄúA oposi√ß√£o entre o preto e o branco √© fundamentalmente linda‚ÄĚ.

Ray foi um dos grandes mestres da fotografia, seu trabalho est√° presente nas cole√ß√Ķes dos melhores museus do mundo e continua sendo admirado por todas as gera√ß√Ķes.

Ambos os filme faziam parte de um novo movimento vanguarda do cinema franc√™s chamado ‚ÄúCin√©ma Pur‚ÄĚ, que tinha como objetivo a volta de um cinema puro, focado em movimento, composi√ß√£o visual e ritmo.

O filme mostra diversas imagens em p&b ao som da trilha de George Antheil, considerada uma obra-prima.

‚ÄúBallet Mecanique‚ÄĚ foi na verdade concebido pelo artista Fernand L√©ger em colabora√ß√£o com Dudley Murphy.

O visual √© como um verdadeiro bal√© mec√Ęnico, com muitas imagens abstratas em movimento, efeitos de exposi√ß√£o de pel√≠cula, olhos maquiados que abrem e fecham, bocas pintadas em tri√Ęngulo, pernas, unindo uma enorme sucess√£o de imagens em sincronia com a m√ļsica.

O filme nos mostra as afinidades entre o movimento e a din√Ęmica das formas, centrando sua a√ß√£o nos objetos do cotidiano e inovando na linguagem cinematogr√°fica.

Em 1926, Man Ray filma ‚ÄúEmak-Bakia‚ÄĚ (me deixe em paz em basco) no qual utiliza diversas t√©cnicas como a solariza√ß√£o (t√©cnica inventada por ele quando acendia as luzes do laborat√≥rio acidentalmente causando uma acentua√ß√£o do branco), a dupla exposi√ß√£o, o stop-motion e as rayographs (suas cria√ß√Ķes baseadas em diferentes tipos de sombras e contrastes).

O filme tem o sub-t√≠tulo de ‚Äúcin√©po√©me‚ÄĚ, j√° que o filme n√£o tem uma est√≥ria, √© uma colagem de v√°rias imagens em movimento, desde m√°quinas, estruturas, partes mec√Ęnicas, questionando suas utilidades.

Emak foi filmado durante as férias de Ray em Biarritz e na costa Basca, com imagens do mar que ficam de cabeça para baixo, além de imagens distorcidas.

O curta tem a duração de dezenove minutos e conta com a participação de Kiki de Montparnasse, modelo em suas fotos e também sua amante, que dirige um carro e Jacques Rigaut, que aparece vestido de mulher.

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