Casa Viva é uma casa que “respira, acolhe, digere, evacua” e generosamente, começa tudo de novo, promovendo o bem estar dos moradores e do meio ambiente que ela está inserida.
Vai desde a escolha do terreno, fundações, aproveitamento de água, tratamento dos resíduos, fontes renováveis de energia, escolha de materiais e outros cuidados e técnicas que crescem a cada dia.
Uma direção incontestável na arquitetura do século 21.
Cada vez mais, mesmo os arquitetos mais tradicionais, percebem a necessidade de usar e reutilizar materiais e recursos naturais com responsabilidade, ética e criatividade.
Nada de demolir uma casa tradicional conservada para construir outra ecológica no mesmo local.
O consumo de recursos nessa operação poderia anular as vantagens da nova casa, porém se for reformar ou construir e optar por soluções ecológicas é olhar para o futuro/presente e entender que se não nos encaixarmos nos movimentos cíclicos, a vida humana estará, profundamente, comprometida.
Há nove passos principais para se chegar a uma Construção Sustentável:
• Planejamento Sustentável da Obra
• Aproveitamento passivo dos recursos naturais
• Eficiência energética
• Gestão e economia da água
• Gestão dos resíduos na edificação
• Qualidade do ar e do ambiente interior
• Conforto termo-acústico
• Uso racional de materiais
• Uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis
Normalmente, as casas verdes tem um gasto inicial cerca de 15% maior, porém, este investimento é retornado em cerca de 2 anos gerando economias de água e energia, além de uma consciência cristalina de estar fazendo a coisa certa.
Para se manifestar na direção da bioarquitetura, não é necessário morar numa ecovila, casa de árvore, numa oca e nem num ambiente com garrafas pet aparentes.
Você adéqua seu projeto a realidade financeira e estética do seu núcleo.
Não há uma forma pré-estabelecida.
Cada projeto tem suas vocações e impedimentos.
Importante ousar de forma segura com auxílio de um bio-arquiteto, permacultor ou a nova e milenar modalidade de “Engenheiro de Águas”.

Em Kyoto no Japão, esta sisterna em forma de tulipa, capta a água da chuva que cai no telhado, por esta canaleta e é usada para regar o jardim. Construído cerca de 1.000 atrás.
Com criatividade, tecnologia e empenho, coisas incríveis são construídas:
Neste projeto do arquiteto Henrique Pinheiro, fotografado por Munir Santaella e publicado pela revista “Construir mais por menos” é um exemplo claro de como pode-se construir uma casa bio-arquitetada investindo 50% a menos de dinheiro.
“Os tijolos de adobe foram construídos com terra, água e palha de arroz, tudo retirado do quintal”, diz o proprietário Antônio Zayek.
Outra característica fundamental das casas vivas é o tratamento das águas negras (banheiro) e águas cinzas (cozinha e torneiras).
As águas negras podem se transformar em energia através de um biodigestor ou em canteiros de evapotranspiração que enfeitarão o jardim com lindas plantas ornamentais, terminando num ciclo de bananeiras com frutas potentes e fortificadas.
Já as águas cinzas podem ser reutilizadas com tranquilidade em vasos sanitários, irrigação e limpeza das áreas eternas.
Simples assim.
A bioarquitetura também dá preferência a mão-de-obra e produtos locais, pois essa é uma forma de incentivar a economia da região e minimizar a necessidade de transporte – o que reduz o custo da construção e a emissão de poluentes.

Neste projeto de Lilian Avivia Lubochinski, todas as portas e janelas restauradas, são de demolição. Foto: Luís Villaça
Se você pretende reformar com mais consciência se atente as dicas :
- “Podemos, por exemplo, transformar nossos telhados em telhados verdes (equilibram a temperatura da casa),
- evitar ao máximo usar produtos que vem da extração do petróleo, como os vinis e as tintas comerciais e os plásticos em geral,
- podemos priorizar usar madeiras certificadas – que vem de florestas com um manejo sustentável,
- fazer hortas – mesmo hortas verticais nos lugares pequenos!
- Podemos trocar a válvula de descarga por uma caixa de descarga com dois modos.
- Podemos utilizar a energia do sol para aquecer a água do banho e existem aquecedores econômicos para quem não pode pagar os preços dos que estão no mercado.”
Diz com toda maestria a veterana bio arquiteta “LILIAN AVIVIA LUBOCHINSKI e complementa as infinitas possibilidades:
- “Janelas que aproveitam o sol do inverno para nos aquecer e que se abrem para os ventos no verão.
- Além de toda uma gama de técnicas de construção que minimizam o uso do cimento para fazer as paredes e as fundações: o bambu, a taipa de pilão, os tijolos de adobe, o pau a pique (revisitado e encantador), a pedra e tantas outras tecnologias sustentáveis!!! “
Não há desculpa. Há intenção e força de vontade para fazer a sua parte dentro de suas possibilidades.
Os materiais de demolição são uma alternativa ecológica que pode variar de preços infinitamente.
O material de segunda mão quanto mais antigo, mais valioso devido a sua durabilidade, qualidade e estética.
“São portas, janelas, grades que duraram, muitas vezes, cem anos e vão durar mais cem”. Diz Celso Fontes, antiquário.
“O melhor deste material está na faixa dos 70 anos em diante. Com esta idade, a madeira não empena, não entorta e já está tão seca que dificilmente será atacada por cupim. São as famosas madeiras de lei, como pinho-de-riga, peroba-rosa, jacarandá, que não se encontram mais.”
Dá mais trabalho, porém os resultados são customizados, ecológicos e com sorte, mais baratos e duráveis que materiais novos.
Veja uma lista da Grande São Paulo:
Antigão Demolições – Avenida Rebouças, 1.449, zona Sul de São Paulo. Telefone: (0xx11) 3086-3552 ou na rodovia Raposo Tavares, 1.780, km 22,6, Granja Viana, Grande São Paulo. Telefone: (0xx11) 4612-4494.
Como Antigamente – Rua Alvarenga, 1.075, Butantã, zona Sul de São Paulo. Telefone: (0xx11) 3814-5755.
Demolidora Tatuapé – Avenida Salim Farah Maluf, 1.795, Tatuapé, zona Leste de São Paulo. Telefone: (0xx11) 296-8094.
Jaf Demolições – Rua Alvarenga, 1.882, Butantã, zona sul de São Paulo. Telefone: (0xx11) 3815-5054.
Oficina de Reciclagem e Restauro Porte du Temps – Rua das Flechas, 53, Jardim Prudência, zona Sul de São Paulo. Telefone (0xx11) 5677-0997 ou 5563-8155.
O Velhão Demolição e Restauração – Estrada de Santa Inês, 3.000, Jd. Samambaia, Mairiporã, Grande São Paulo. Telefone: (0xx11) 4485-1330 ou 4485-1964.
- Para saber mais:
Técnicas : www.idhea.com.br
Oportunidade e doação de materiais de construção: http://blog.pclamin.com.br/construcaocivil/?page_id=289
Bioarquitetura:
Lilian Avivia Lubochinski: lilianlubo@terra.com.br
http://lecycpicorelli-bioarquitetura.blogspot.com.br
Engenharia de águas:
http://fluxusdesignecologico.wordpress.com/
Alguns Números:
Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/casa/conteudo_235401.shtml
1. TIJOLO DE SOLO-CIMENTO
Por que é ecológico: seca ao sol – sem precisar ir ao forno a lenha.
A opção por esse tipo de tijolo poupa a queima de sessenta árvores!
Quanto custa*: 380 reais (1.000 tijolos), o dobro do preço da versão comum
Comentário dos especialistas: vale a pena investir no tijolo ecológico.
Como dispensa acabamento com massa corrida, na ponta do lápis não onera em nada o orçamento da obra
2. MADEIRA COM CERTIFICAÇÃO DE ORIGEM
Por que é ecológica: vem com um selo que atesta que a madeira foi extraída sem degradado solo nem o ambiente de onde foi retirada
Quanto custa: 2 500 reais (o ipê, por metro cúbico) 15% mais cara do que a mesma madeira sem a certificação
Comentário dos especialistas: circula a idéia de que a madeira ecológica tem melhor qualidade, mas não é verdade.
Sua única diferença para as outras está no processo de extração
3. SISTEMA DE ENERGIA SOLAR PARA AQUECER A ÁGUA
Por que é ecológico: com essa “mini-usina” caseira gasta-se 30% menos energia elétrica
Quanto custa: 5 000 reais
Comentário dos especialistas: com a economia na conta de luz, o investimento se paga em dois anos.
Uma ressalva: o sistema não dá conta das baixas temperaturas, quando é necessário recorrer ao aquecimento elétrico
4. SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DA CHUVA
Por que é ecológico: numa região chuvosa a metade da água necessária à família vem desse sistema.
Quanto custa*: 2 500 reais (para uma casa de 100 metros quadrados)
Comentário dos especialistas: compensa investir no sistema.
Além de ajudar a economizar na conta, é garantia de abastecimento de água para o futuro, quando esse pode se tornar um item mais escasso – e caro
5. ESTAÇÃO DOMÉSTICA DE TRATAMENTO DE ESGOTO
Por que é ecológica: permite reaproveitar a água para tarefas do dia-a-dia, como a limpeza da casa (como não fica 100% limpa, deve-se evitar usá-la no banho ou para beber)
Quanto custa*: 6 000 reais
Comentário dos especialistas: na comparação com o sistema de captação de água da chuva, é mais caro e de uso mais restrito – se for escolher entre os dois, fique com o outro.
6. LÂMPADA FLUORESCENTE
Por que é ecológica: consome 80% menos energia do que uma lâmpada incandescente e dura dez vezes mais
Quanto custa: 15 reais (a de 20 watts) – seis vezes mais do que as lâmpadas comuns
Comentário dos especialistas: compensa por ter vida útil infinitamente mais longa do que a das lâmpadas convencionais – e ainda poupar energia





















































