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abril – 2013 – Japa Girl












































































    Happy Halloween from Vampirina ūüĖ§‚ÄúThe Proposal‚ÄĚ ( between 1880 - 1889) by Knut Ekwall (Swedish - 1843 - 1912)Full purple bloom galore!
#flordesaomiguel #violeteira #ravenala #kaizukaPapa Pirate & Mama Mermaid
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Jean Andre Rixens - 1874How sundays should be ‚ú®‚̧ԳŹ‚ú®About the happiest Easter ever!
Special thanx @marciosleme @milplantasūüĖ§The Queen and the Night‚Äôs Lady

                
       
















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Archive for abril, 2013

BLITZ – DJ Japa Girl

POLA JAPA

Fotos: Bete Miguez

DJs Japa Girl, Martin Mendonça (Agridoce/Pitty), Yuri Moraes, Celso Tavares e Leandro Pankk

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TODAY’S SOUND: CLOCKWORK ORANGE POR ARTHUR MENDES ROCHA

Um cl√°ssico do cinema, um filme que continua moderno, pol√™mico, atual e pode ser considerado um dos primeiros filmes punk: estamos falando de ‚ÄúClockwork Orange‚ÄĚ (Laranja Mec√Ęnica) de Kubrick.

‚ÄúClockwork Orange‚ÄĚ foi dirigido em 1971 por Stanley Kubrick, o brilhante cineasta ingl√™s que acabara de vir do sucesso de ‚Äú2001, uma odiss√©ia no espa√ßo‚ÄĚ.

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Ele se baseou no livro de Anthony Burgess, que utilizava uma linguagem espec√≠fica (uma mistura de russo com idish chamada ‚Äėnadsat‚ÄĚ) para a turma de Alex, o personagem principal e adepto da ultra-viol√™ncia, vivendo em um futuro pr√≥ximo na Inglaterra.

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No papel principal, Kubrick escolheu Malcom McDowell, o qual ele vira atuando ‚ÄúIf‚ÄĚ de Lindsay Anderson.
Kubrick declarou que se McDowell n√£o pudesse fazer o filme, ele teria desistido, pois ele era a √ļnica escolha para o papel de Alex.

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 Realmente o filme gira todo em torno de McDowell, ele esta presente em todas as cenas, ele é o sociopata Alex e acabamos simpatizando com o personagem, apesar de sua maldade.

Em entrevistas sobre o filme, Spielberg afirma que ele pode ser considerado o primeiro filme punk rock e Mary Harron (a diretora de ‚ÄúAmerican Psycho‚ÄĚ) diz que ele foi uma influ√™ncia fundamental para o movimento punk.

Vendo o filme, podemos compreender bem isto: Alex narra  o filme e é líder de uma gangue, eles saem em grupo, são jovens, se metem em brigas, não respeitam ninguém e se vestem diferente de todos.

Logo que ele surge em cena, com aquele olho com um c√≠lio posti√ßo e aquela roupa branca, √© uma imagem ic√īnica.

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Seus subordinados s√£o chamados de ‚Äúdroogs‚ÄĚ e se encontram no Korova Milk bar, um bar com decora√ß√£o futurista e onde bebem leite (que saem dos seios de uma manequim) e bolam seus planos.

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Eles saem pela noite em busca de aventuras, mas sempre em atos ultra violentos, j√° nas primeiras cenas eles d√£o uma surra em um mendigo, enfrentam uma gangue rival, roubam um carro, assaltam uma loja, entre outras a√ß√Ķes.

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Logo em seguida, decidem ir para o interior e parar em uma casa, mentindo que tinham sofrido um acidente.

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A casa pertencia a um escritor e sua esposa e estes s√£o humilhados, sofrem todo tipo de viol√™ncia e a gangue estupra a mulher ao som de ‚ÄėSingin‚Äô in the rain‚ÄĚ,que Alex canta enquanto realiza estes atos.

A escolha de ‚ÄėSingin‚Äô in the rain‚ÄĚ (famosa na voz de Gene Kelly) foi escolha do pr√≥prio McDowell, que ao ser questionado por Kubrick se sabia dan√ßar, atacou com esta can√ß√£o e o diretor adorou, coprando os direitos de uitliz√°-la no filme.

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Alex vive com os pais, √© tratado como uma crian√ßa, possui uma cobra de estima√ß√£o e j√° teve passagem pela pol√≠cia, mas nada grave comparado com suas a√ß√Ķes di√°rias. Ele tamb√©m √© viciado em Beethoven (ou Ludwig Van, a como ele se refere) e sua grande paix√£o √© a nona sinfonia, que ouvimos ao longo do filme.

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Outra cena bacana √© a que ele vai a uma loja de discos para comprar mais discos de Beethoven e l√° seduz duas adolescentes, as quais ele leva para sua casa e transa de todas as maneiras poss√≠veis, tudo com a c√Ęmera em FF (fast forward).

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Quando sua gangue resolve se revoltar contra ele e questionar sua lideran√ßa, ele os pune severamente, dando-lhes uma surra. Esta cena √© como se fosse coreografada, em c√Ęmera lenta e influenciou cineastas como Tarantino.

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Mas a gangue ainda aprontaria um novo roubo, desta vez entrando na casa da cat lady, uma mulher rica e cercada de gatos, a qual eles tentam assaltar. Alex vê uma estátua em forma de pênis e utiliza esta para provocar a mulher e acaba matando-a.

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Seus companheiros lhe dão uma garrafada, fogem e ele é capturado pela polícia (a qual a cat lady havia chamado antes).

Aí o filme dá uma reviravolta: Alex é preso e na prisão aprende a se comportar melhor e a fazer as vontades do padre que o faz ler a bíblia em voz alta, além de sofrer ameaças de seus companheiros de cela.

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Quando Alex ouve falar do m√©todo Ludovique, uma esp√©cie de ‚Äėcura‚ÄĚ para pessoas violentas, ele resolve se oferecer ao ministro do interior, que estava visitando a penitenci√°ria. Este enxerga em Alex o exemplo perfeito para provar a efic√°cia do m√©todo.

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Um novo capítulo se inicia com Alex saindo do presídio e indo para a clínica onde será tratado. São estas as cenas impressionantes com Alex amarrado e com os olhos abertos com clipes (para que ele não tentasse fechar os olhos) e tendo que ver as cenas mais violentas e degradantes possíveis.

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Ao fazer esta cena, McDowell machucou sua córnea de verdade e ficou temporariamente cego, mas finalmente, com a ajuda de médicos, ele conseguiu filmar.

Ele pira quando mostram cenas dos atos nazistas ao som da 9¬™ sinfonia, a sua favorita e a qual agora ele passa mal ao escut√°-la, tendo sensa√ß√Ķes horr√≠veis, al√©m de v√īmitos e mal estar.

Ele finalmente √© considerado ‚Äėcurado‚Äô e sai da cl√≠nica de volta ao lar, mas quando l√° chega existe um novo inquilino em sua casa e seus pais o tratam com indiferen√ßa.

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Assim, neste novo capítulo, ele vai encontrando as pessoas que havia prejudicado no passado: membros de sua gangue haviam virado policiais, o escritor que ele havia entrado na casa, o mendigo, enfim todos querem se vingar dos atos horríveis que Alex havia lhes causado.

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Quando o filme foi lançado na Inglaterra, já começou a gerar polêmica: vários atos de violência começaram a ocorrer na época e que jogavam a culpa na influência que o filme causara.

Além disso, o diretor e sua família receberam ameaças e sendo assim, Kubrick tirou o filme de cartaz e o filme foi banido da Inglaterra durante 27 anos. O filme só foi liberado lá pós a morte de Kubrick em 1999.

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O filme passou normalmente em países como os EUA (onde foi um grande sucesso), mas em países como o Brasil, também esteve proibido durante os anos da ditadura.

Quando o filme foi liberado aqui, no início dos anos 80, pós-ditadura, ele foi exibido com bolas pretas tapando a genitália dos atores, a bola ficava dançando na tela, era muito ridículo.

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Al√©m disso, Burgess n√£o perdoara Kubrick de ter omitido o √ļltimo cap√≠tulo da edi√ß√£o original do livro, j√° que o roteiro de Kubrick era baseado na edi√ß√£o americana, que cortara o √ļltimo cap√≠tulo.

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Neste √ļltimo cap√≠tulo, havia a reden√ß√£o de Alex, que se arrependera de seus atos e com a qual Kubrick n√£o concordava.

Burgess havia escrito o livro após sua mulher ter sido violentada e ele utiliza isto no livro e o título se refere às respostas condicionadas do protagonista a sentimentos de maldade que o impede de ter um comportamento normal e livre.

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Kubrick quis fazer uma cr√≠tica aos regimes totalit√°rios que utilizam m√©todos psicol√≥gicos para transformarem seus cidad√£os em rob√īs.

Vale tamb√©m ressaltar o brilhante trabalho do figurino criado por Milena Canonero (a premiada figurinista de ‚ÄúBarry Lyndon‚ÄĚ, tamb√©m de Kubrick, ‚ÄėCarruagens de Fogo‚Äô, ‚ÄėFome de Viver‚ÄĚe mais recentemente ‚ÄėMaria Antonieta‚ÄĚ de Sofia Coppola).

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A dire√ß√£o de arte tamb√©m √© incr√≠vel, com seu d√©cor futurista e as bem escolhidas loca√ß√Ķes de uma Londres de uma √©poca incerta.

A trilha sonora tamb√©m √© fant√°stica, sendo que na verdade existem duas trilhas: a criada por Walter Carlos (que depois se transformaria em Wendy Carlos) com sintetizadores e a que utiliza m√ļsicas cl√°ssicas de Beethoven, Purcell, Rossini e Elgar.

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Sua influ√™ncia na cultura pop √© fundamental, seja na moda ou na m√ļsica, influenciando desde Bowie, Ramones, Rancid, Slipknot, al√©m √© claro dos Adicts, que se vestem como a gangue do filme.

Na edição comemorativa dos 40 anos do filme, foi lançado um dvd com extras de dois documentários imperdíveis para compreender ainda mais toda a mitologia do filme. Abaixo um depoimento de McDowell sobre o filme:

Recentemente, houve no LACMA (o Museu de arte moderna de Los Angeles) uma exposição sobre Kubrick, onde estavam expostos figurinos e objetos de cena do filme, conforme fotos abaixo. Atentem para o detalhe das abotoaduras de Alex:

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Mesmo que a viol√™ncia de ‚ÄúClockwork Orange‚ÄĚ n√£o seja mais t√£o chocante como h√° quarenta anos, o filme √© uma obra-prima, um dos melhores filmes da d√©cada de 70, um marco do cinema moderno, um filme revolucion√°rio e que a cada revis√£o parece crescer ainda mais.

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TODAY’S SOUND: SUBURBIA POR ARTHUR MENDES ROCHA

‚ÄúSuburbia‚ÄĚ foi um dos primeiros filmes genuinamente punk, mostrando a realidade de um grupo de jovens vivendo nos sub√ļrbios de Los Angeles na d√©cada de 80.

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O filme é de 1984, dirigido por Penelope Spheeris e é considerado um dos melhores retratos da juventude desiludida e sem esperanças.

A est√≥ria gira em torno de um grupo de jovens que se denominam the T.R. (The Rejected ‚Äď os Rejeitados) e todos vivem em harmonia numa casa abandonada em um sub√ļrbio de L.A.

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Eles s√£o:
-Evan Johnson (Bill Coyne): adolescente que sai de casa por não suportar a mãe alcoólatra

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-Jack Didley (Chris Pedersen): líder do grupo e abandona o lar quando a mãe se casa novamente com um policial negro
-Sheila (Jeniffer Clay): jovem de classe média alta  que sai de casa, pois o pai a molestava
-Joe Schmo (Wade Walston): sai de casa quando descobre que o pai é homossexual
-Razzle (Flea): só consegue se relacionar com seu rato de estimação

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-Skinner (Timothy O’brien): skinhead, violento, está sempre se envolvendo em brigas

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Eles v√£o a um clube onde se apresentam bandas punks, roubam em supermercados, invadem shoppings, se envolvem em brigas, mas n√£o causam o mal, eles est√£o apenas se divertindo.

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O filme mostra apresenta√ß√Ķes ao vivo de algumas bandas punk como TSOL, que interpreta ‚ÄúWash Away‚ÄĚ:

E tamb√©m The Vandals interpretando ‚ÄúThe Legendo of Pat Brown‚ÄĚ:

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O irmão de Evan, Ethan (Andrew Pece), é resgatado pelo irmão quando este vê no noticiário que sua mãe havia se acidentado e ele acaba fazendo parte do grupo dos punks, adotando um visual moicano.

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Por√©m, em sua comunidade, existe um grupo chamado ‚ÄúCitizens against crime‚ÄĚ (cidad√£os contra o crime) que se re√ļne e coloca toda a culpa dos acontecimentos ruins neste grupo de punks.

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Neste grupo, há duas figuras detestáveis, Jim Tripplett (Lee Frederick) e Bob Skokes (Jeff Prettyman), cuja diversão é atirarem nos cães de rua que circulam nos arredores dos punks e que os detestam.

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Outro acontecimento contra os T.R. é quando numa briga com Skinner, dois jovens resolvem se vingar atacando o segurança do clube e jogando a culpa no grupo punk. 

‚ÄúSuburbia‚ÄĚ foi um filme bem influente na cena punk americana, j√° que a diretora Penelope Spheeris j√° havia dirigido o document√°rio ‚ÄúThe decline of the western civilization‚Äô (sobre o qual j√° falei aqui) sobre a cena hardcore americana.

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Spheeris escreveu o roteiro e dirigiu seu primeiro filme de fic√ß√£o com ‚ÄúSuburbia‚ÄĚ, procurando falar da juventude punk que j√° havia retratado em seu document√°rio, mas desta vez com uma est√≥ria e com di√°logos.

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O filme foi produzido graças a Roger Corman, o famoso produtor de filmes B que lançou a carreira de cineastas como Scorcese e Coppola, entre outros. 

‚ÄėSuburbia‚ÄĚ acabou servindo tamb√©m de inspira√ß√£o para a m√ļsica do mesmo nome dos Pet Shop Boys.

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Apesar de ser uma produção modesta, feita com um elenco de desconhecidos e atores não profissionais, na maioria punks de verdade, o filme foi bem recebido pela crítica da época.

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No elenco, destaque para Flea, baixista da banda Red Hot Chilli Peppers e, mais tarde, tamb√©m ator de filmes como ‚ÄėMy Own Private Idaho‚ÄĚ de Gus Van Sant.¬†

Além dele, o outro nome conhecido é Wade Walston, o baixista do grupo U.S. Bombs e que participa de uma das melhores cenas do filme: a em que os punks enfrentam a família de Sheila na igreja:

‚ÄúSuburbia‚ÄĚ √© um filme aut√™ntico e uma √≥tima vis√£o da cena punk americana do in√≠cio dos anos 80.

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TODAY’S SOUND: THE WARRIORS POR ARTHUR MENDES ROCHA

‚ÄúThe Warriors‚ÄĚ(Os Selvagens da Noite) √© um dos grandes filmes sobre gangues de todos os tempos e acabou sendo uma forte influ√™ncia no movimento punk que se identificava com seus her√≥is.

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O filme foi lan√ßado em 1979, sob a dire√ß√£o de Walter Hill, e com um elenco de desconhecidos, no qual se destaca Michael Beck (que em seguida faria ‚ÄúXanadu‚ÄĚ) e James Remar (que hoje √© conhecido como o pai do serial killer Dexter, do seriado).

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Tudo começa com a comparação a uma história ocorrida na antiga Grécia, na qual o líder Cyrus é morto na guerra contra os persas e os mercenários gregos devem voltar para casa.

No trailer, há uma apresentação de várias das gangues do filme:

Algo parecido acontece no filme: Cyrus (Roger Hill), o líder dos Riffs, a maior gangue da cidade de NY chama todas as gangues para um encontro onde falariam sobre a ação policial e como dominar mais as ruas.  Porém durante o encontro ele é assassinado por Luther, o líder dos Rogues.

O s√°dico Luther (David Patrick Kelly) acaba botando a culpa nos Warriors e matam um de seus membros, Cleon, enquanto os demais fogem.

A gangue passa a ser liderada por Swan (Beck), n√£o est√£o armados, e devem atravessar a cidade para voltarem para a casa,em Coney Island.

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Swan é a todo o momento confrontado por Ajax (Remar), que também deseja ser o líder.

O filme se passa nesta travessia por NY, nos mêtros, nos bairros barra-pesada, onde os Warriors têm de enfrentar várias gangues que os julgam culpados da morte de Cyrus.

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Numa destas andanças, eles se deparam com os Orphans, uma gangue que nem havia sido chamada para o encontro e onde conhecem Mercy (Deborah Van Valkenburg), que se junta a eles.

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O filme é bastante tenso, pois a cada esquina os Warriors se deparam com algum perigo, seja uma briga ou uma perseguição da polícia.

Numa das cenas ic√īnicas do filme, eles devem enfrentar a gangue The Baseball Furies, vestidos de jogadores de baseball e com o rosto pintado. Segundo o diretor, este visual foi feito em homenagem a duas das paix√Ķes dele: baseball e o grupo Kiss, a inspira√ß√£o para a maquiagem.

 

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Em outra cena, eles enfrentam uma gangue somente de mulheres, The Lizzies, que os seduzem levando-os até um bar onde os trancam e depois aparecem armadas para eliminá-los.

Durante o filme, h√° uma interessante narra√ß√£o feita por uma DJ negra (papel de Lynne Thigpen) informando aos Riffs, o paradeiro dos Warriors enquanto vai oferecendo m√ļsicas no ar.

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A trilha foi criada por Barry de Vorzon e Joe Walsh, com destaque para o tema ‚ÄúIn the city‚ÄĚ de Walsh, considerado um dos grandes guitarristas americanos e membro de bandas como Eagles e James Gang.

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Outro embate se dá com uma gangue sugestivamente chamada de Punks, que enfrentam os Warriors no banheiro do mêtro.

Finalmente, eles chegam com o dia claro em Coney Island, onde se dará o desfecho e a prova da inocência dos Warriors e sua redenção final.

Abaixo outra cena cl√°ssica com o vil√£o Luther chamando-os para a briga:

Na versão director’s cut, lançada em 2005, o diretor Hill inclui a abertura e fechamento de várias cenas com quadrinhos, idéia que sempre quis executar e que acabou tendo que abandonar devido ao estouro de orçamento.

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O filme rendeu bastante pol√™mica, pois foi acusado de incitar a viol√™ncia das gangues, j√° que o cartaz original falava que em um futuro pr√≥ximo, as gangues seriam em maior n√ļmero que a for√ßa policial.

Assim sendo, cinemas que mostravam o filme foram atacados, além de indignação de espectadores, fazendo que a bilheteria aumentasse.

Durante as filmagens, a produção também teve problemas com gangues verdadeiras, que ameçaram de destruir equipamentos, bem como de atrapalhar as filmagens.

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O filme √© t√£o emblem√°tico que at√© virou jogo de Playstation e possui at√© um site especial, com v√°rias fotos dos bastidores de filmagens, bem como informa√ß√Ķes, fatos curiosos e mais; vale √† pena conferir no¬† http://warriorsmovie.co.uk/

Mesmo assim, o filme tornou-se um cult, √© admirado por seu tema pol√™mico, pelo retrato realista das gangues, gerou v√°rias discuss√Ķes, mas uma coisa todos concordam: √© um filme √≠cone e um dos melhores filmes da juventude e suas gangues.

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TODAY’S SOUND: DOGS IN SPACE POR ARTHUR MENDES ROCHA

O filme enfocado hoje √© australiano, obscuro e merece ser (re)descoberto: ‚ÄėDogs in Space‚ÄĚ.

‚ÄúDogs is Space‚ÄĚ foi lan√ßado em 1986, dirigido por Richard Lowenstein, que j√° havia dirigido alguns v√≠deos do INSX do √°lbum ‚ÄúThe Swing‚ÄĚ.

Lowenstein alugou a pr√≥pria casa onde morou com seus amigos para fazer dela o principal cen√°rio para ‚ÄúDogs in Space‚ÄĚ, tudo acontece ao redor desta casa em um sub√ļrbio de Melbourne, na Austr√°lia.

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O filme é entremeado de cenas em p&b dos lançamentos espaciais soviéticos, incluindo quando a cadela Laika foi para o espaço.

No papel principal, o ent√£o vocalista do INXS, Michael Hutchence, que faz o papel de Sam, inspirado na figura de Sam Sevajka, vocalista da banda The Ears.

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Sam (Hutchence) é o cantor da fictícia banda Dogs in Space e que namora Anna, papel da atriz australiana Saskia Post e uma das melhores personagens do filme.

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Os dois dividem uma casa com alguns amigos como Tim (Nique Needles), membro da banda, Luchio (Tony Helou), que tenta estudar engenharia no meio da loucura da casa, al√©m das namoradas, agregados, e at√© uma personagem apenas conhecida como ‚ÄúThe girl‚ÄĚ (Deanna Bond).

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O filme retrata bem a cena punk australiana do final dos anos 70 (o filme se passa em 1979), quando algumas pequenas bandas tentavam se sobressair na cena musical da época.

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Para quem viveu neste per√≠odo, ‚ÄúDogs‚ÄĚ faz um retrato bem realista e coerente com o que acontecia: os punks australianos eram geralmente da classe m√©dia e tinham esperan√ßa de que algo iria mudar, que eles poderiam viver √° margem da sociedade, longe do mainstream.

Assim, eles ficam se drogando, indo a festas, saindo à noite; o filme segue o seu dia a dia, não tem um roteiro linear, é como se fosse uma grande improvisação, talvez isto que o torne tão real.

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Outra coisa que chama bastante a atenção é a camaradagem existente entre este grupo, a amizade e o calor humano entre eles.

A trilha √© uma atra√ß√£o a parte: a sele√ß√£o musical √© excelente, com produ√ß√£o de Ollie Olsen (que participou do projeto Max Q com Hutchence), m√ļsicas de Michael Hutchence, Iggy Pop, Gang of Four , Boys next door e muitas das pequenas bandas da √©poca que procuravam um lugar ao sol tais como Marie Hoy (que no filme interpreta uma cover de ‚ÄúShivers‚ÄĚ de Roland S. Howard), Primitive Calculators e Trush and the Cunts.

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Justamente, uma das coisas mais bacanas do filme √© esta naturalidade em mostrar as bandas da cena tocando em pequenos bares e filmando tudo ‚Äúin loco‚ÄĚ, soando tudo muito original.

Abaixo duas cenas que considero das melhores do filme:
A cena em que Anna se pica de hero√≠na com Sam e ao acordar sai andando pela casa, viajando com seus amigos e todos lhe oferecendo alguma coisa, at√© embarcar numa limusine branca, isto tudo ao som de ‚ÄúEndless Sea‚ÄĚ de Iggy Pop:

A cena final com Michael Hutchence interpretando ‚ÄúRooms for the memory‚ÄĚ, um √≥timo mix de pop e p√≥s-punk:

Infelizmente Hutchence faleceu em 1997, sua morte nunca foi totalmente esclarecida, podendo ter sido suicídio (ou ele teria se auto-asfixiado por propósitos sexuais), depois de fazer grande sucesso como o vocalista da banda INXS, lançando alguns ótimos discos e emplacando vários top hits mundo a fora.

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Ele est√° muito a vontade no papel principal, em um de seus √ļnicos pap√©is como ator, um anti-her√≥i que n√£o d√° bola para nada, um hedonista que est√° sempre se drogando e gosta mesmo de cantar em sua banda e namorar.

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Abaixo o making of do filme, com entrevistas bem recentes com os participantes desta produção, além de mostrar como foram filmadas várias das principais cenas, vale a pena conferir:

‚ÄėDogs in Space‚ÄĚ tornou-se um cult na Austr√°lia e em v√°rias partes do mundo, √© uma obra de contra-cultura, mostra a cena punk sem glamour, com uma est√©tica bacana e √© uma experi√™ncia inesquec√≠vel.

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Smoking gueisha

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