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junho – 2015 – Japa Girl



























































                
       
















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Archive for junho, 2015

TODAY’S SOUND: SERGE GAINSBOURG POR ARTHUR MENDES ROCHA

E hoje o cantor francês em destaque é um dos maiores artistas que a França já deu ao mundo: Serge Gainsbourg! Com mais de 500 músicas no currículo, além de participar de mais de 50 filmes no cinema e na TV, ele é um mito francês.

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Gainsbourg foi cantor, compositor, ator, pintor, escritor, diretor, produtor, roteirista e se saiu bem em todas elas, especialmente a sua maior paixão: a música.

Ele causou o que pôde em vida; aprontou de tudo um pouco, gerou muita polêmica, além de se envolver com as mulheres mais incríveis como Brigite Bardot e Jane Birkin, entre outras.

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Gainsbourg nasceu em 1928 e por ter um pai músico, ele começou a praticar o piano desde cedo, educando seus ouvidos para os ritmos e melodias.

Ele era de origem judaica e durante a ocupação nazista na França, ele sofreu muito em ter que carregar a cruz amarela costurada em seu peito, pois era o que os identificava a sofrerem todo tipo de preconceito.

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Sua família conseguiu escapar da perseguição e na França do pós-guerra, Gainsbourg foi tendo uma educação rodeada de literatura, pintura e música.

 Primeiramente ele se dedica à pintura, mas quando percebe que não conseguiria viver disso, ele opta por tocar em bares e cabarés, onde vai se destacando.

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Suas primeiras composições são bem ao estilo chanson e tiveram forte influência de Boris Vian, compondo para a cantora de cabaré, Michèle Arnaud, o que vai lhe proporcionando destaque na cena parisiense.

Em 1958, ele lança seu primeiro álbum, “Du chant à la une”, onde se destacava a canção “Le Poinçonneur de Lilas”, que fala sobre um trabalhador do mêtro:

Depois de lançar mais 03 álbuns, ele se destaca com a crítica através do disco “Gainsbourg Confidentiel”, com uma levada mais minimal e jazzista, porém as vendas não são boas.

Neste meio tempo ele também convive muito com Jacques Brel e Juliette Gréco, para a aqual compõe “La Javanaise”.

Mas Gainsbourg estava atento aos novos ritmos que iam surgindo, entre eles o yé-yé, um ritmo francês mais pop que começa a fazer sucesso nos anos 60.

Ele compõe “Poupée de cire, poupée de son”, que é interpretado por France Gall no Eurovision e que acaba conquistando o primeiro lugar, em 1965.

Gainsbourg gostava de experimentar com uma diversidade de ritmos e isto que o torna uma figura ainda mais interessante, pois durante sua carreira ele vai flertar com jazz, rock, música latina, ritmos africanos, reggae, bem como música eletrônica.

Além disso, suas composições possuíam letras com duplo sentido, geralmente com conotação sexual ou brincando com o sentido das palavras.

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Durante os anos 60, ele vai compondo para artistas como Françoise Hardy, Anna Karina, até conhecer Brigite Bardot.

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B.B. foi um furacão que passou em sua vida- ela já era um símbolo sexual, conhecida no mundo inteiro, enquanto ele era um homem feio, mas cheio de charme – e a atração entre eles foi fulminante.

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Um dos hits que ele compôs para ela foi “Harley Davidson”:

Em 1968, ele grava o álbum “Initials B.B.’, que continha “Bonnie & Clyde”, dueto entre ele e Bardot:

Inclusive foi para ela que ele compôs seu maior hit, “Je t’aime… moi non plus”, porém ela não permitiu que a música fosse lançada, pois era casada com Günther Sachs e este era totalmente contra o lançamento. Anos depois é que a música foi lançada em sua versão original:

Com a renúncia de Bardot em lançar a música, ele resolve gravar a canção com Jane Birkin, atriz inglesa que ele conheceu durante as filmagens de ‘Slogan’, e a música é um sucesso rodeado de polêmica, sendo proibida pelo Vaticano e pela BBC, que se recusava a veiculá-la:

Birkin passava a ser sua musa, foi com ela que ele viveu seu momento de maior glória, colhendo os louros pelo sucesso de Je t’aime, além de lançar discos como “Histoire de Melody Nelson”, álbum conceitual de 1971 e considerado um de seus mais importantes trabalhos, sendo eleito pela Rolling Stone francesa como o 4º melhor álbum de rock francês de todos os tempos.

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Entre as músicas estava “Ballade de Melody Nelson”:

Durante os anos 70, ele e Birkin badalam por toda a noite parisiense, lançando moda, mudando os comportamentos, dançando em boates como o Chez Castel e Regine´s, em noitadas regadas a muito álcool.

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Em 1971, eles têm sua primeira filha, Charlotte, que se tornará atriz e cantora de sucesso, tais como os pais.

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No mesmo ano ele grava mais um ótimo dueto com Birkin, “La decadanse”:

Em 1973, ele sofre seu primeiro ataque do coração, ocasionado por sua vida de excessos, especialmente pelo abuso do cigarro.

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Em 1976, ele lança outro disco bacana, “L’homme à tetê de chou”, disco que só foi ter reconhecimento anos depois e que continha “Marilou sous la neige”:

No mesmo ano ele dirige o filme “Je t’aime moi non plus”, onde Jane Birkin faz um papel andrógino, se envolvendo com Joe Dalessandro (ator cult dos filme de Andy Warhol).

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Os discos de Gainsbourg continuavam inovando, seja pelas temáticas políticas, pelas letras críticas, além de flertar com ritmos como o reggae e o funk.

Em 1979, ele lança a versão reggae do hino francês, “La Marseillaise”, com a participação de Sly & Robbie e Rita Marley:

A música se torna um escândalo, já que a ala direita francesa era contra a apropriação de seu hino e Gainsbourg sofre ameaças de morte; mas não estava nem aí, ele gostava mesmo De uma boa confusão.

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Em 1980, Birkin deixa Gainsbourg pelo ator Jacques Doillon.

Nos anos 80, ele se torna figura fácil na mídia francesa, participando de programas de TV, sob o alter ego de Gainsbarre, figura que ele criou para poder falar o que bem entendesse e depois ele declarava, tirando o corpo fora, ‘Foi Gainsbarre que falou”.

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Em 1986, mais uma polêmica: ele lança a música ‘Lemon Incest”, dueto com sua filha adolescente, Charlotte, que causa a ira dos franceses mais caretas:

Gainsbourg permanecia para artistas como Catherine Deneuve, Isabelle Adjani, Vanessa Paradis, entre outras.

No final de sua vida, ele continuava causando, aparecendo bêbado em algumas apresentações e falando de tudo um pouco.

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Seus últimos trabalhos tem bastante influência da música eletrônica, tais como “Love on the beat’ e “You’re under arrest”, ou seja, até o fim de seus dias ele continuava a inovar.

Gainsbourg teve um ataque do coração fulminante e vem a falecer em 1991. Paris literalmente parou com sua morte e o então presidente, Miterrand, o chamou de “o nosso Baudelaire”.

Serge Gainsbourg

A casa onde morou permanece intacta, assim fez questão sua filha Charlotte, e a ideia é que se transforme em um museu.

Em 2007, sua vida virou um ótimo filme, “Gainsbourg (Vie Héroique)”, que merece ser conferido, especialmente pela incrível semelhança do ator EricElmosnino com o cantor.

Cena do filme "Gainsbourg" com Eric Elmosnino e Lucy Gordon

Cena do filme “Gainsbourg” com Eric Elmosnino e Lucy Gordon

A influência de Gainsbourg para a cultura pop é inegável, seu legado é impressionante e hoje não há (quase) nenhum músico francês que não tenha sido contagiado pelo seu espírito.

 

 

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TODAY’S SOUND: JULIETTE GRÉCO POR ARTHUR MENDES ROCHA

Juliette Gréco foi considerada a musa do existencialismo, frequentadora da boêmia parisiense, ela fez sucesso como cantora e também como atriz, além de viver um romance com Miles Davis.

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Gréco é um símbolo cool da França, ditando moda e comportamento, através de suas atitudes liberais, suas densas canções e seu jeito de ser.

Nascida em Montpellier, cidade do sul da França, ela esteve envolvida desde cedo com a Resistência (movimento dos franceses que eram contra a invasão nazista), já que seu pai era membro ativo deste movimento.

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Inclusive, ela foi presa pelos nazistas aos dezesseis anos, mas logo foi libertada, pois era menor de idade.

Quando retornou da prisão, ela não tinha para onde ir, até que foi para a casa de uma amiga de sua mãe, que vivia em um pequeno hotel.

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Sem roupas, ela se vestia graças a doação de amigos, ao mesmo tempo lançando moda, já que usava roupas maiores que ela e as dobrava.

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Ao se mudar para Saint-German-de-Prés em 1946, ela vai chamando atenção por sua figura e estilo.

 Ela acaba por se tornar uma figura da boêmia francesa, frequentando os bares onde os intelectuais discutiam filosofia e onde Jean- Paul Sartre se destacava com suas obras existencialistas.

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Sartre ficou tão encantado com Gréco que dizia que ela possuía “milhões de poemas em sua voz’ e chegou até a escrever canções para ela.

Com seu jeito meio beatnik, franjas e cabelos compridos, roupas “oversized”, além de usar muito preto, bem como abusando do lápis preto nas sobrancelhas e delineador olhos, ela vai ficando conhecida pelos artistas e chamando atenção por seu look.

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Fotógrafos como Cartier-Bresson e Robert Doisneau (dois dos maiores expoentes da fotografia francesa) não se cansavam de clicá-la.

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Ela podia ser encontrada em cafés como o Le Tabou, onde ficava até altas horas em discussões, bate-papos, ficando amiga de figuras como Jean Cocteau, Boris Vian (que escreveu músicas para ela), Serge Gainsbourg, entre outros.

Além deles, Gréco conheceu os jazzistas Charlie Parker, Dizzy Gillespie, o Modern Jazz Quartet e Miles Davis.

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Gréco e Miles Davis

 

Davis era um jovem de 22 anos, tímido, não falava uma palavra de francês, mas nem precisava, o amor foi mais forte. Os dois tiveram um tempestuoso romance, sempre se vendo quando tinham uma folga e ficando amigos até a morte deste.

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Cocteau foi outro que não resistiu aos seus encantos e a convidou para participar de seu filme, “Orphée”, em 1949, ao lado de Jean Marais.

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Gréco em cena de “Orphée”

Foi nesta época, que ela começa a gravar suas primeiras músicas, entre elas “Si tu t’imagines”, poema de Raymond Queneau, musicada por Joseph Kosma, a qual ela cantou graças ao impulso de Sartre:

A voz aveludada de Gréco embalava a França do pós-guerra, época que ela era uma das personalidades mais badaladas da efervescente Paris.

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Juliette clicada por Man Ray

Outra música que fez sucesso na voz dela foi “Parlez-moi d’ amour”, clássico dos anos 30 que voltou às paradas graças a sua interpretação:

Outro famoso poeta francês, Jacques Prévert, também compôs músicas para Gréco como “Je suis comme je suis”:

Gréco foi gravando discos e conquistando os franceses, bem como sendo convidada a se apresentar em vários lugares mundo a fora.

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Um destes lugares foi o Rio de Janeiro, onde ela cantou em meados dos anos 50, e onde vendeu todos os ingressos de sua apresentação graças a um boato onde diziam que ela cantaria nua, o que não passou mesmo de um boato.

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Outro hit seu do início dos aos 50 foi “Sous le ciel de Paris” (incluído recentemente na trilha do filme “An Education”):

Não demorou muito para ela ser descoberta por Hollywood, já que o produtor David O. Selznick se apaixonou por ela e a chamou para fazer filmes como “The Sun also rises” de Henry King, “Roots of Heaven” de John Huston e “Crack in the Mirror” de Richard Fleischer, entre outros.

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Em dois deles ela contracenou com Orson Welles, a qual se tornou companheira de bebedeiras, comilanças e de muita diversão.

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Além disso, ela foi ficando amiga de escritores como Truman Capote e Françoise Sagan.

Inclusive, ela participou do filme baseado na obra de Sagan, “Bonjour Tristesse”, filme estrelado por Jean Seberg, no qual faz uma pequena aparição cantando a música tema:

Nos anos 60, Gréco chegou a ser casada com o famoso ator Michel Piccoli (de filmes como “Belle Du Jour” de Buñuel e “Le mépris” de Godard, entre muitos outros).

Juliette Gréco e Michel Piccoli

Juliette Gréco e Michel Piccoli

Ela chegou a ter um breve romance com Serge Gainsbourg, do qual gravou “La Javanaise”:

Gréco se apresentou por várias ocasiões no Le Olympia de Paris, onde fez bastante sucesso e interpretou canções como “Déshabillez-moi”:

Depois de vários lançamentos e concertos, este ano Gréco resolveu se aposentar, tendo iniciado sua última turnê em abril de 2015 e se apresentado no Olympia no mês passado.

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Como ela mesmo declarou sobre sua aposentadoria: ‘Para mim, é muito complicado e doloroso. É preciso saber sair com elegância”.

E foi com esta elegância que ela conquistou Hedi Slimane, que a nomeou uma das embaixatrizes da Saint Laurent.

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Em 2013, ela lançou seu último trabalho, uma homenagem a outro mito da canção, Jacques Brel (autor de “Ne me quitte pas”), “Gréco chante Brel”.

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Gréco, aos 88 anos recém-completados, ainda é um símbolo da elegância, da chanson française interpretada com primor e sofisticação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sad to hear…RIP #axelstocks

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TODAY’S SOUND: YVES MONTAND

Yves Montand foi um dos grandes ídolos da França, tendo sucesso tanto nos palcos quanto nas telas, além de ter tido alguns casos com famosas estrelas, como Marilyn Monroe, mesmo sendo casado com Simone Signoret.

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Dono de um charme único, Montand conquistava a todos com seu jeito de interpretar as canções e as mulheres o consideravam irresistível.

Com mais de 50 filmes e 30 álbuns em seu currículo, ele deixou um legado impecável dentro do mundo do show-business internacional.

Na verdade, Montand nasceu na Itália, em 1921, mas logo se mudou para a França, pois seus pais eram contra o regime fascista de Mussolini.

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Seu pai foi do Partido Comunista e Montand sempre teve simpatia pelos ideais do partido, lutando pelo o que considerava justo. Inclusive, ele teve vários problemas com a imprensa e a opinião pública sobre seu posicionamento político mais liberal.

Foi a França que o acolheu e que foi considerada a sua pátria, se naturalizando francês em 1929.

Aos onze anos, ele abandona a escola, devido a razões financeiras, pois precisava ajudar a família. Ele experimenta diversos empregos como no salão da irmã, nas docas com o pai, ou trabalhando em bares.

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Aos dezessete anos, ele faz teatro amador, até se decidir por cantar em pequenos music-halls.

Porém, a Segunda Guerra estava iniciando, ele só pôde voltar a cantar em 1941, sob a ocupação alemã.

Em Nice ele estrela o seu primeiro show e faz ponta no seu primeiro filme,  “La Prière aux Etoiles”, rodado em 1942.

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Em 1944, ele é convidado para abrir uma apresentação de Edith Piaf no Moulin Rouge e os dois engatam um romance.

Com o final da guerra, os dois viajam a França se apresentando em diversos lugares e até estrelando um filme juntos, “Etoile Sans Lumière”, em 1946.

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No final do mesmo ano, ele estrela uma série de concertos no teatro Etoile, em Paris, e termina o seu romance com Piaf.

Além disso, ele tem o seu primeiro papel de destaque no filme “Les Portes de la nuit”, dirigido por Marcel Carné.

Ele assina com a gravadora Odéon que passa a lançar seus discos, como primeiro intitulado “Chante”.

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Entre seus primeiros sucessos estava “Les Feuilles Mortes”, música de Jacques Prévert:

Neste período, ele conhece Simone Signoret, a ótima atriz francesa de filmes como “Room at the top” (pelo qual venceu o Oscar), com a qual se casa.

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Yves Montand e Simone Signoret por Richard Avedon

 

No início dos anos 50, ele fará seu primeiro ‘one-man show”, os concertos no qual ele era o artista único e principal.

Em 1953, é lançado o filme “O Salário do Medo”, o clássico de Henri-Georges Clouzot, que se torna um sucesso mundial e o lança como um ator sério.

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Mas a música continuava sua prioridade e ele realiza uma turnê mundial, além de atingir o número de um milhão de cópias vendidas de seu álbum.

Em 1954, ele monta com Signoret a peça ‘The Crucible” de Arthur Miller, que também ganha uma versão cinematográfica.

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Outro hit seu da época é “C’est si bom”, que se tornará uma de suas marcas registradas e que, recentemente, foi incluída na trilha de “Mad Men”:

Em 1956 e 57, ele volta a viajar em turnê, desta vez na União Soviética e países do Leste Europeu.

Depois de fazer mais filmes, ele se apresenta no teatro Elysée, em Paris, com mais de 160 performances, atraindo em torno de 200 mil espectadores.

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Outra que também não podia faltar em seu repertório era “A Paris”:

Em 1959, o empresário e executivo da indústria fonográfica, Norman Grantz, o convence de se apresentar nos EUA (lugar que já havia lhe negado um visto devido á sua simpatia pelos comunistas), mais precisamente na Broadway, com o show “An Evening with Yves Montand”.

Era o que bastava para que Montand alcançasse a fama e o sucesso nos países de língua inglesa, que passaram a lançar seus discos e serem incluídos em suas turnês.

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Não demorou para que Hollywood se interessasse por ele, convidando-o para atuar ao lado de Marilyn Monroe na comédia, “Let’s make love”, delicioso filme de George Cuckor (diretor de “My fair lady”), onde ele é um milionário que decide aprender a cantar e dançar.

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Durante as filmagens, num dos compromissos profissionais de Signoret, ele fica sozinho com Marilyn (na época casada com Arthur Miller, amigo do casal) e os dois acabam tendo um envolvimento amoroso, mas foi um caso rápido, que acabou tendo mais destaque do que merecia por envolver a estrela Monroe.

Miller, Montand, Signoret e Marilyn

Miller, Montand, Signoret e Marilyn

EXTRAIT DU FILM "LE MILLIARDAIRE"

Montand e Marilyn numa cena de “Let’s make love”

No início dos anos 60, ele recebe vários convites para atuar em filmes americanos, como “My Geisha”, onde se envolve com a estrela Shirley MacLaine.

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Em 1961, ele retorna a Broadway para mais uma série de shows, além de se apresentar no Japão e na Inglaterra.

Mesmo assim, Montand nunca chegou a ser um grande sucesso no cinema americano e nem com este público, pois seus fãs eram muito sofisticados e sua venda de discos lá continuava fraca.

Em 1966, ele participa da superprodução internacional ‘Grand Prix”, no papel de um corredor de Fórmula 1.

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Em 1967, ele estrela em “Vivre pour Vivre”, belo filme de Claude Lelouch, ao lado de Candice Bergen e Annie Girardot.

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Yves Montand, Annie Girardot, Claude Lelouch e Candice Bergen

Em 1968, ele estrela na sua primeira colaboração com o cineasta Costa-Gravas no brilhante filme “Z”, uma dura crítica ao totalitarismo.

Ele estrela em 1970 no filme “On a clear Day you can see forever”, com direção de Vincent Minelli (pai de Liza e diretor de musicais clássicos) ao lado de Barbra Streisand.

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No restante dos anos 70, ele se dedica mais a sua carreira cinematográfica, trabalhando mais na Europa, e atuando em filmes como ‘A Confissão” (ao lado de Signoret) e ‘Estado de Sítio”, ambos filmes políticos de Gravas, que criticavam as ditaduras, o domínio dos países imperialistas e a CIA.

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Em 1974, um pouco antes da intervenção militar, ele canta no Chile em prol de refugiados chilenos.

No início dos anos 80, ele resolve abandonar os palcos e se apresenta no Olympia de Paris, em shows com ingressos esgotados e que resultou no disco “Olympia 81”. Abaixo um segmento do espetáculo onde ele canta “L’Etrangère”:

E também ‘A Bicyclette”:

 Além de levar os shows para as Américas do Sul e do Norte, ele é o primeiro cantor popular a se apresentar no Metropolitan Opera House.

Em 1985, Signoret vem a falecer de câncer, sendo que ele foi seu companheiro até o final (mesmo com os casos extraconjugais).

YVES MONTAND RETROUVE SIMONE SIGNORET, DE RETOUR D'UN TOURNAGE EN ITALIE

Com cada vez menos aparições cinematográficas, ele volta com “Jean de Florette” e “Manon of the spring”, filmes que reacendem o interesse nele.

Montand se despede definitivamente dos palcos em 1990.

Seu último filme foi ‘IP5”, de Jean-Jacques Beinex (de “Betty Blue”)que ele completou um pouco antes de falecer, em 1991, aos 70 anos.

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Considerado um Frank Sinatra francês, Yves levou a canção francesa para os mais diferentes lugares, sua importância para a música da França é inestimável e sua figura é até hoje celebrada.

Há a possibilidade do lançamento de um filme sobre sua figura lendária, aguardemos…

 

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TODAY’S SOUND: EDITH PIAF POR ATHUR MENDES ROCHA

Esta semana falaremos da chanson française, o estilo típico de cantar dos intérpretes franceses, que imprimiam uma forma única de cantar e expressar suas emoções através de canções sentimentais.

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Hoje falarei daquela que foi considerada a maior de todas e já mereceu vários filmes e livros sobre sua vida: Edith Piaf!

Piaf foi uma verdadeira lenda da música francesa, responsável por clássicos que embalaram romances e acontecimentos importantes de seu país.

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Mas a vida de Piaf não foi um mar de rosas- pelo contrário – ela sofreu bastante até conseguir ser reconhecida e se tornar a voz mais poderosa da França.

Ela foi abandonada pela mãe quando pequena e criada pela avó paterna, em um bordel.

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O pai era artista de circo e ela se une a ele para apresentar espetáculos nas ruas e daí canta em público pela primeira vez.

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Ela conhece Mômone (ou Simone Bertaut) que se tornará sua melhor amiga e sua companheira em apresentações pelas ruas de Paris.

Aos 17 anos, ela se apaixona por Louis Dupont e com ele tem uma filha, que vem a falecer de meningite aos dois anos de idade, foi um baque terrível na vida da cantora.

Ela também se envolveu com um cafetão, Ali Babá, e este ficava com o seu lucro das cantorias dela pelos boulevards de Paris.

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Em 1935, ela é descoberta por Louis Leplée cantando as ruas do bairro de Pigalle e este lhe oferece uma oportunidade para que ela cantasse em seu club, o Le Gerny.

Foi Leplée que a convenceu de cantar de preto (que se tornou sua marca registrada), além de lhe dar o apelido de “La Môme Piaf” (The Little sparrow ou o pequeno pardal), com o qual se tornou conhecida.

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Sua estreia no nightclub foi tão badalada que artistas famosos como Maurice Chevalier (outro representante da chanson française) foram prestigiá-la.

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Porém, seu padrinho Leplée foi assassinado em 1936, por gangsteres que também conheciam Piaf e sua carreira estava ameaçada por estas ligações.

Nesta época, um de seus sucessos era “Mon Légionnaire”:

Mas o talento de Piaf falou mais alto e ela estrelou peça de Jean Cocteau (que se tornou seu grande amigo), além de fortalecer amizades com Chevalier e também o poeta Jacques Borgeat, além de compor a maioria de suas canções.

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Mesmo não sendo uma mulher bonita, Piaf tinha um charme todo especial, atraindo homens como Yves Montand, outro cantor e ator que se tornaria famoso com o passar dos anos.

Em 1945, ela compõe a música que a tornaria um sucesso internacional: “La Vie en Rose”:

Reza a lenda que alguns versos da música foram inspirados por sua paixão por Montand (na época um jovem de 23 anos) e que ele teria encerrado o romance com ela através de um telegrama.

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‘La vie en Rose” foi interpretada em todas as apresentações seguintes de Piaf, o público fazia questão e foi  um estouro de vendas nos EUA, Itália e Brasil.

O final dos anos 40 foi seu período de maior sucesso, sendo considerada a cantora mais famosa da França e mesmo durante a ocupação nazista, ela se manteve sempre popular.

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Inclusive, ela teve suspeita de ter contribuído com os alemães, mas nada foi provado, eles apenas tinham admiração pelo talento dela. Além disso, ela participou da resistência francesa e ajudou vários judeus franceses a escaparem da perseguição nazista.

Em 1947, ela canta no Playhouse de NY, para uma plateia que incluía Gene Kelly, Greta Garbo e Marlene Dietrich, da qual se torna grande amiga.

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O grande amor de sua vida, o boxeador Marcel Cerdan, era casado e outro fato que lhe causou crises depressivas foi o acidente de avião que tirou a vida de Cerdan, em 1949, quando este viajava de Paris a NY para encontrá-la.

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A música “Hymne à l’amour” foi feita em homenagem a ele e no vídeo abaixo é interpretado por ela no filme “Paris chante toujours”:

Em 1951, mais um fato trágico marca sua vida: ela sofre um grave acidente de automóvel, ao lado de Charles Aznavour (outro astro da chanson), quebrando o braço e duas costelas, e ficando, a partir disso, viciada em morfina. O vício só veio a piorar, já que ela sofreu mais outro acidente depois deste.

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Além disso, seu vício em álcool vai se tornando cada vez maior, obrigando-a a frequentar centros de reabilitação.

Em 1954, ela estrela em um pequeno papel no filme “French Cancan” de Jean Renoir (o famoso diretor de “A Regra do Jogo”).

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Mesmo com os problemas pessoais, seu carisma continuava conquistando a todos, com aparições no programa de Ed Sullivan, onde ela canta “Milord’ (ou Ombre a la rue) que se torna um de seus hits:

Mas foi em homenagem ao Olympia de Paris (que estava ameaçado de fechar e onde ela muito e apresentou), que ela grava uma das músicas mais emblemáticas, ‘Non, je ne regrette rien’, a canção que a fazia renascer perante seus admiradores:

Piaf detestava dormir, ela considerava o sono semelhante á morte, o que lhe causava instabilidade emocional.

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Com a saúde debilitada, em suas últimas apresentações, seu físico já demonstrava sinais de cansaço: ela parecia ainda menor, suas mãos (as quais ela sempre mexia ao cantar) estavam com artrite, seu fígado estava destruído pelo álcool e seu cabelo estava cada vez mais ralo.

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Piaf faleceu de câncer no fígado em 1963, aos 47 anos. Seu enterro parou a cidade luz, com mais de 40 mil franceses chorando a perda de uma de suas maiores estrelas, que hoje está enterrada no cemitério Père Lachaise.

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Em 2007, a atriz Marion Cottilard interpretou Piaf no filme homônimo e conquistou o Oscar por sua brilhante interpretação. Abaixo algumas cenas do filme tendo ao fundo “La Foule”, um dos sucessos de Piaf:

Piaf já teve mais de vinte peças encenadas sobre sua vida, além de vários discos e coletâneas são lançadas até hoje; ela é um mito francês e através de sua música cantou suas angústias, seus amores, seus sofrimentos, de maneira tocante e que será para sempre lembrada através de suas interpretações antológicas.

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TODAY’S SOUND: O CENTENÁRIO DE ORSON WELLES

Este ano se completa o centenário de uma das figuras mais lendárias do cinema mundial: Orson Welles. Diretor, produtor, ator, roteirista, Welles fez de tudo um pouco dentro e fora das telas, um verdadeiro apaixonado pelo cinema e pelo teatro e que dedicou toda a sua conturbada vida a isto.

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Welles sempre foi um menino prodígio, já que sua mãe sempre o incentivou a ser uma criança participativa, criativa, que estudasse e acreditasse em suas paixões.

Sendo pianista, sua mãe lhe passou este amor pelas artes, sendo que desde cedo ele já tocava piano e violino.

Quando sua mãe faleceu, ele ficou sob a guarda do pai e do Dr. Bernstein, viajando com o pai para lugares como o Extremo Oriente.

Quando volta, ele se estabelece em Woodstock, Illinois, onde frequenta a Todd School e se destaca realizando peças de teatro, escrevendo poesias e tendo a admiração dos professores.

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Com a herança herdada da morte do pai, ele viaja para a Europa e estreia como ator no Gate Theatre, em Dublin, aos dezesseis anos.

Lá ele participa de várias peças, em pequenos papéis, mas resolve tentar mais oportunidades em Londres, porém teve de retornar aos EUA, pois seu visto havia vencido.

Ele volta para a Todd School, onde volta a fazer peças, especialmente de Shakeaspeare.

Welles vai se familiarizando com os grupos de teatro americanos, até conhecer John Houseman, o qual lhe abrirá outras portas. Além disso, ele também fazia trabalhos como ator de rádio.

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Ele e Houseman passam a fazer parte do Federal Theatre Project, que procurava dar chance a atores e técnicos teatrais durante a depressão americana.

Em 1935, ele dirige ‘Macbeth”, mas com uma ideia totalmente original: ele muda a ação para o Haiti, com um elenco todo negro e com bruxas vodus. A peça é um grande sucesso e aos 20 anos, ele é considerado um prodígio.

Em 1937, ele e Houseman montam a sua própria Cia de teatro, o Mercury Theatre. Lá ele conhece muitos dos atores com os quais trabalharia durante vários anos como Joseph Cotten, Agnes Moorehead (que ficou conhecida como a Endora de “A Feiticeira”), entre outros.

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Welles foi aprendendo cada vez mais com direção de atores, scripts, cenários, figurinos, técnicas de como fazer as peças serem melhores elaboradas. Ele já demonstrava sua personalidade forte e sua determinação.

Sua versão teatral de ‘Julius Cesar” de Shakespeare foi um acontecimento, pois ele deslocava a ação para a Itália fascista.

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Acreditando no poder da nova mídia, o rádio, ele traz as peças do Mercury Theatre para a rádio da CBS.

Em 1938, ele transmite a versão de “War of the Worlds” (A Guerra dos Mundos) de H.G. Wells, falando sobre uma invasão de marcianos. O público, que havia começado a escutar quando esta já havia iniciado, acredita em se tratar de uma invasão alienígena real e entra em pânico.

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Foi o que bastou para Welles virar uma figura reconhecida nacionalmente e atrair os olhares de Hollywood.

A RKO, dirigida por George Schaefer, lhe oferece um excelente contrato para um diretor iniciante, lhe dando total controle artístico.

A primeira tentativa de Welles na direção cinematográfica seria uma adaptação de “Heart of Darkness” de Joseph Conrad (obra esta que foi utilizada como base para o filme “Apocalypse Now”), porém o estúdio não concordou com o orçamento e o projeto acabou não se concretizando.

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A primeira tentativa dele em Hollywood já seria um retrato do que ele viria a enfrentar com os grandes estúdios: problemas com orçamentos, com suas edições, enfim, ele se transformaria numa pessoa considerada difícil, mas que na verdade só queria ver nas telas aquilo que havia concebido na sua forma original.

Finalmente, a RKO aceita o seu próximo projeto: “Citizen Kane” (Cidadão Kane), até hoje considerado, sem exageros, como um dos melhores filmes de todos os tempos.

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O filme é uma quebra em tudo o que havia sido feito antes, já que é super inovador em sua estrutura narrativa, todos os elementos que utiliza como flashbacks, planos, edição, música, fotografia são os fundamentos do cinema moderno. Até o trailer já é diferente:

O filme é baseado na vida do magnata William Randolph Hearst, entre outros, talvez isto tenha sido a grande causa de vários dos problemas que Welles teve com o filme, já que ele era o todo poderoso homem da mídia americana da época, proibindo então a menção do filme em qualquer um de seus jornais.

Tudo gira em torno de Charles Foster Kane (Welles) e de suas últimas palavras antes de falecer: “Rosebud”. Um repórter (William Alland) tenta descobrir o significado desta palavra e o filme, todo em flashback, vai contando a história da vida de Kane.

Kane começa como um idealista e aos poucos vai se deixando possuir pelo poder e ver que podia manipular as pessoas, amigos, parentes e quem ele quisesse.

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Uma das grandes inovações técnicas do filme é a utilização do “deep focus”, um foco profundo que deixa as figuras e ações do que está acontecendo ao fundo de uma sequência em foco, ou seja, não perdemos nada do que está acontecendo. Como na cena abaixo onde vemos o remédio e a colher em primeiro plano e atrás Kane chegando:

Outra inovação era o “boom shot”; onde podemos observar como a câmera penetra dentro de cada locação, como um voyeur, se movendo contra os objetos, como nesta em que Susan (a amante) está no El Rancho:

O filme também utiliza o low angle shot, uma tomada realizada de um ângulo baixo. Esta tomada era pouco utilizada, pois mostrava os tetos das locações e como eram todas em estúdio, acabam vazando os equipamentos. Welles e seus técnicos tiveram que optar por novos posicionamentos de câmera. Abaixo vemos a cena original e como foi esta foi feita no filme “RKO 281’ (telefilme da HBO sobre as filmagens):

Outra cena com edição inovadora é a cena do café da manhã, onde o relacionamento de dezesseis anos entre Kane e sua esposa Emily (Ruth Warrick) é condensado em cinco vinhetas num total de quase três minutos.

Apesar de toda a inovação, o filme é recebido friamente na época e conquista apenas o Oscar de melhor roteiro.

Seu trabalho seguinte, “The Magnificent Ambersons” também teve trajetória desastrosa, pois foi considerado longo demais, Welles estava viajando e o filme foi todo remontado por Robert Wise (diretor de “A Noviça Rebelde”), cortando mais de 30 minutos e omitindo cenas essenciais. Até hoje a versão original de Welles continua inédita.

Nesta época, Welles esteve no Brasil para fazer um filme de propaganda para o governo Rockfeller sobre o carnaval brasileiro. Aproveitando sua estada nas terras brasileiras ele também filma “It’s all true”, uma espécie de documentário, que seria o seu próximo trabalho para a RKO.

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O filme até hoje é motivo de mistério, pois nunca foi completado, parte de seus negativos se perderam no oceano, é uma das lendas que rodeiam Welles, que com todos os acontecimentos, considerou o filme “amaldiçoado”. Dois documentários já foram realizados sobre o filme e sua áurea de mistério só aumenta com o tempo.

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Ao retornar do Brasil, Welles é demitido da RKO e tem dificuldades em dirigir novamente, se dedicando a novos programas de rádio.

Após quarós anos, ele dirige “The Stranger’, em 1946, com Edward G. Robinson, seu único sucesso de bilheteria, um filme noir envolvendo um nazista foragido.

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Orson e Edward G. Robinson em ‘The Stranger’

Ele se aventura com o teatro fazendo ‘Around the world”, porém é obrigado a pedir ajuda a Harry Cohn (o todo poderoso da Columbia Pictures) para ajudar no financiamento e em troca ele se oferece para dirigir um filme para ele.

Este filme é “The Lady from Shangai” (A Dama de Xangai), o qual ele dirige e interpreta, tendo sua esposa, Rita Hayworth (a musa de ‘Gilda”), como a personagem título.

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O filme é um noir de primeira que não obtém sucesso nos EUA, mas é reverenciado na Europa.

Em 1948, ele dirige uma versão para o cinema de “Macbeth”, fazendo milagres com o baixo orçamento, mas inovando com cenários estilizados e atores dublando trilhas pré-gravadas.

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Sentindo que a Europa era mais aberta a suas inovações e a suas ideias, ele se muda para lá, onde consegue realizar alguns de seus projetos.

Um dos maiores trunfos como ator foi estrelar no filme “The Third Man” (O Terceiro Homem) de Carol Reed, produção inglesa que ficou célebre pela fotografia climática, com roteiro de Graham Greene, se tornando um clássico do cinema inglês pós-guerra.

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Com seus trabalhos como ator, ele consegue autofinanciar sua versão para “Othello”, porém enfrenta diversos problemas de orçamento, atraso nas filmagens e mais. O filme capturava um pouco da paranoia que dominava os EUA em tempos de macarthismo e Guerra Fria.

Em 1953, Welles estreia na TV, participando da montagem de “King Lear” para o programa Omnibus, com direção de Peter Brook, o conceituado diretor de teatro inglês.

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Ainda na Europa, ele dirige “Mr. Arkadin”, com elenco internacional, onde mais uma vez ele enfrenta problema com os produtores, que acabam por excluí-lo do projeto. Abaixo o diretor Joe Dante (de ‘Gremlins”) apresenta o filme:

Em 1956 ele retorna para Holywood e filma “A Touch of Evil” (A Marca da Maldade), lançado em 1958 e tendo no elenco Charlton Heston, Janet Leigh, Marlene Dietrich, além dele mesmo como um corrupto chefe de polícia.

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O filme se tornou cult com o passar dos anos, mas enfrentou problemas pois apesar de ter acabado no tempo certo e dentro do budget, o estúdio resolveu remontá-lo, além de filmar novas cenas. A versão definitiva de Welles só foi lançada em 1998, respeitando a concepção original do diretor.

Na década de 60, ele volta à Europa e filma a sua versão de “Don Quixote”, que se torna mais um projeto inacabado dele. O diretor Jesús Franco (de “Vampyros Lesbos”) tentou remontá-lo anos depois, mas não teve muito sucesso.

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Cena de “Don Quixote’

Em 1962, ele dirige uma interessante adaptação de Kafka, “The Trial” (O Processo), tendo Anthony Perkins (o Norman Bates de ‘Psicose”), Jeanne Moreau e Romy Schneider e transpondo para as telas as angústias do personagem de maneira brillhante, com cenários opressores e tudo mais.

Cena de "O Processo"

Cena de “O Processo”

No mesmo ano, ele participa como ator do curta “La Ricotta”, um dos episódios do filme “Rogopag”, dirigido por Pasolini (o polêmico diretor de filmes como “Saló”).

Welles e Pasolini

Welles e Pasolini

Logo em seguida, ele dirige “Falstaff – Chimes at Midnight”, considerado por vários críticos um de seus melhores trabalhos e mais uma vez utilizando os textos de Shakespeare e tendo como figura central o personagem Falstaff (interpretado por Welles).

Welles como Falstaff

Welles como Falstaff

O filme teve recentemente uma edição comemorativa dos seus 50 anos, voltando em cartaz nos cinemas do exterior e está prometida o seu lançamento em dvd e blu-ray:

Além disso, Welles continuava fazendo aparições pequenas em diversas produções, afinal ele precisava pagar as contas.

Em 1967, ele filma ‘The Deep” com Jeanne Moreau e Laurence Harvey, porém se torna mais um projeto inacabado, já que falta verba no meio das filmagens e o ator principal, Harvey, acaba falecendo.

Welles con Jeanne Moreau em "The Deep"

Welles con Jeanne Moreau em “The Deep”

Nos anos 70, Welles volta a Los Angeles, cidade a qual ele gostava, mas afirmava que quem não gostava dele eram os chefes dos grandes estúdios.

Ele tinha razão, sua fama de encrenqueiro, daquele que acaba não finalizando seus filmes, se tornou bastante difundida em Hollywood, mas num ponto todos tinham que concordar: Orson era um gênio, um profissional de primeira linha, um talento nato.

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Tanto é que várias homenagens foram feitas a ele, incluindo um tributo do AFI (American Film Institute) como podemos ver abaixo:

A própria Academia lhe concedeu um Oscar honorário em 1971, porém ele se recusou a receber e enviou no seu lugar, seu grande amigo John Huston (diretor de “O Falcão Maltês”, “O Tesouro de Sierra Madre” e muitos outros clássicos do cinema).

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Em 1973, ele finaliza ‘F for Fake”, um ensaio cinematográfico sobre o que é falso e verdadeiro no mundo das artes.

Durante os anos 70, ele continua sempre trabalhando, fazendo especiais de TV, participando de talk-shows, e também filmando aquele que seria um de seus últimos projetos: “The Other Side of the Wind”.

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Este filme voltou aos noticiários este ano, além do centenário de Welles, pois no recente Festival de Cannes estava sendo oferecido a possibilidade de o filme ser refinanciado para que fosse finalizado, além de uma campanha na internet para que isto acontecesse.

O filme é sobre um diretor que procura terminar uma película, vivido por John Huston (já falecido), além de Peter Bogdanovich (diretor de filmes como “A Última sessão de cinema”), Dennis Hopper (também falecido, diretor de “Easy Rider”) e mais Susan Strasberg (a filha de Lee, do Actors Studio).

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Welles com John Huston e Peter Bogdanovich

Welles veio a falecer em 1985, vítima de um fulminante ataque do coração.

Hoje sua obra é administrada pelas filhas e pela última mulher, Oja Kodar, que esteve no Brasil no mês passado para acompanhar a exibição de um ciclo comemorativo dedicado a Welles.

Welles e Oja Kodar

Welles e Oja Kodar

O mundo do cinema pedia uma de suas figuras mais interessantes, cada opinião dele era importante, Welles tinha um senso de humor particular, jamais deixou se abater, continuava lutando pelo que acreditava e foi assim até o fim de seus dias.

Dificilmente existirá pessoa tão genial, de ideias tão brilhantes e que sempre tinha algo a dizer através de seus fascinantes filmes.

 

 

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