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agosto – 2015 – Japa Girl












































































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CURRENT MOON

Archive for agosto, 2015

TODAY’S SOUND: MARSHA HUNT POR ARTHUR MENDES ROCHA

E a diva esquecida de hoje é Marsha Hunt, uma das negras mais lindas que já surgiu na música, no cinema e na literatura – ela foi um dos rostos mais marcantes dos anos 60 além de ter tido romances com Marc Bolan e Mick Jagger - ela merece ser redescoberta.

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Marsha nasceu na Filadélfia, mas mudou-se para a Califórnia, cursando a Universidade de Berkley e participando de marchas pelos direitos civis e também de passeatas hippies ao lado de Jerry Rubin (uma das figuras chaves da contracultura americana).

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Em meados da década de 60, ela se muda para Londres, onde faz backing vocals para Alexis Korner (artista de blues-rock bastante conceituado). Para permanecer na Inglaterra, ela casa com Mike Ratledge, de outro grupo ícone dos anos 60, o Soft Machine. Mas o casamento havia sido somente para conseguir o visto de permanência.

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Marsha começou a ser notada ao fazer a peça “Hair” no West End (a Broadway londrina) e, inclusive, vira a imagem do cartaz.

MARSHA HAIR

Imediatamente ela  passa a ser perseguida pela mídia, sendo convidada a posar para a capa das revistas Queen (na qual foi a primeira negra a sair na capa) e Vogue.

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Sua foto para a Vogue, clicada por Patrick Lichfield, é uma das imagens mais icônicas dos anos 60- nua e com seu cabelo afro- é extremamente sexy e a tornou conhecida no mundo inteiro.

NPG x128488; Marsha Hunt by Thomas Patrick John Anson, 5th Earl of Lichfield

Mas ela queria mesmo era vencer como cantora, assim ela participa de alguns grupos, como o White Trash, ao lado de Nick Simper, o baixista do Deep Purple.

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Apesar de um papel pequeno em Hair, nos anos seguintes ela mostrou que tinha muito talento como cantora, atraindo o olhar de Tony Visconti (produtor de David Bowie, T-Rex, Paul McCartney, entre outros) que produziu seu primeiro álbum, “Woman Child”.

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O álbum continha músicas como “Walk on guilded splinters”, cuja original era de Dr. John, e ela fez uma versão matadora:

Uma curiosidade: este clipe chegou a ser banido pela BBC, pois Marsha usava um top super decotado e seus seus seios quase ficam a mostra ao interpretar a música (isto muito antes de Janet Jackson pagar peitinho na TV americana).

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Outra música que se destacava era “Desdemona”, aqui interpretada de maneira brilhante por ela, como se estivesse possuída, e sintam o que é o modelito e o make, com os olhos pintados  de sombra e lápis brancos, ou seja , muito a frente de seu tempo.

A música é de autoria de Marc Bolan, que estava pegando Marsha na época e além de contribuir com composições para o disco dela, ainda gravou os backing vocals ao seu lado na música “My World is empty without you” (que foi sucesso com as Supremes).

Outra música bacana dela foi a versão que fez de “Keep the customers satisfied” de Simon & Garfunkel, aqui no programa Beat Club da TV alemã:

No final da déada de 60 e início dos 70, Marsha vive o ápice de sua carreira como cantora, atraindo os olhares de Mick Jagger, com quem teve um tórrido romance e também uma filha, Karis Jagger.

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Mick não assumiu a filha de primeira, mas com o tempo, acabou assumindo a paternidade e ajudando a filha financeiramente.

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Inclusive a música “Brown Sugar”, lançada em 1971, foi feita pelos Stones em homenagem a Marsha Hunt (só por isso, ela já teria seu lugar ao sol na cultura pop).

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Ela seguiu gravando durante os 70’s, sendo que uma de suas músicas mais animadas é “(Oh No) Not the Beast Day”, que não faria feio em nenhum set de pista animada hoje em dia.

Em 1972, ela canta no programa italiano, “Teatro 70”, interpretando “Lonesome Holy Roller”, outro soul/funk de respeito:

Neste mesmo ano, ela participa de seu primeiro papel no cinema, numa pequena aparição em “Dracula A.D. 1972” (Drácula no mundo da minissaia), com o recentemente falecido, Christopher Lee.

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A carreira de Marsha era mais apreciada na Europa do que nos EUA e foi lá que ela fez o seu nome.

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Com o final da década de 70, Marsha ainda se lança como cantora disco, em álbum produzido por Pete Bellotte (famoso colaborador de Giorgio Moroder e Donna Summer).

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O hit do álbum era a dançante “On the other side of midnight”:

A partir dos anos 80, Marsha deixa a carreira de cantora de lado e se reinventa como documentarista e escritora.

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Em 2005, ela lançou sua autobiogafia, “Undefeated”, onde recriou para a capa a sua famosa foto dos anos 60, clicada pelo mesmo fotógrafo.

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No livro ela conta sua dura batalha contra um câncer de mama, sendo que ela teve que retirar um de seus seios.

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Marsha, além de corajosa, lutadora, arrasou na música, não se entende por que ela não estourou como cantora, pois além de um talento inegável, seu visual é demais! Ela confirma a premissa de que “Black is beautiful”.

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TODAY’S SOUND: JULIE DRISCOLL POR ARTHUR MENDES ROCHA

Julie Driscoll – talvez você nunca tenha ouvido falar deste nome, mas conhece a música-tema de “Absolutely Fabulous”, mas não sabe que ela foi uma das grandes estrelas da música inglesa nos anos 60 – hoje falaremos um pouco desta esquecida diva.

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Driscoll, além de linda, era de um estilo exemplar, lançando moda do cabelo curto, a maneira andrógina, roupas extravagantes, maquiagens excêntricas, seu visual era o típico de uma jovem inglesa ligada na psicodelia.

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Ela começou no pop rock, no folk,  para mais tarde se dedicar ao jazz avant-garde.

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Fã de Nina Simone, membro do fã clube do Yardbirds (banda que incluiu em sua formação Jimmy Page, Eric Clapton e Jeff Beck), ela foi encorajada pelo produtor e manager da banda a tentar uma carreira musical.

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Isto veio mesmo a acontecer em 1963, quando ela se junta ao Steampacket, banda também formada por Rod Stewart, Long John Baldry, Brian Auger e Vic Briggs, altamente influenciados pelo blues americano. Nesta formação, Julie ainda tinha uma participação tímida e um visual comportado.

Com o fim do Steampacket, ela se junta ao organista Auger e juntos formam o Brian Auger, Julie Driscoll & the Trinity, uma das bandas que definiram o som mod e psicodélico na Inglaterra de meados dos anos 60.

Julie e Brian

Julie e Brian

Inclusive, eles foram uma das primeiras bandas da qual participou Jimi Hendrix, em início de carreira.

Um dos primeiros sucessos deles foi a regravação de “Save Me” (do original de Aretha Franklin):

Com Brian Auger e The Trinity, ela grava o álbum “Jools”, no qual se destacava a regravação do sucesso de Donovan (outro astro do pop inglês da época), “Season of the Witch”:

Entre os programas que os requisitavam estava o francês Bouton Rouge Sessions, cujo set da banda merece ser apreciado:

Mas o grande hit da banda e a música que virou uma espécie de símbolo da psicodelia inglesa, foi “This wheel’s on fire”, regravação de uma música de Bob Dylan, que chegou ao quinto lugar na parada inglesa e levando o grupo ao Top of the Pops:

Sua habilidade vocal já era notada, bem como sua destreza emocional ao interpretar.

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Driscoll virou uma sensação, sua moda, seu jeito de dançar, tudo era motivo para ser chamada a posar para editoriais de revistas e se apresentar em programas de TV; a mídia passa a se referir a ela como “The Face”.

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Ela fotografa para a Vogue sob as lentes de Richard Avedon.

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Na TV, ela é chamada (junto com Augier) para participar do especial “33 1/3 Revolutions per Monkee”, no qual fazem o papel de um casal maquiavélico que pretendem fazer uma lavagem cerebral no grupo The Monkees (um dos rivais dos Beatles nos anos 60 e que tinham um programa de TV de muito sucesso).

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Abaixo, ela canta um dos hits deles, “I’m a Believer”, junto com o Monkee Mick Dolenz, numa versão bem mais soulful que a original:

 

Em 1969, ela lança com Auger & Trinity, o último álbum que ela grava com a banda antes de se dedicar à carreira solo, “Streetnoise”, álbum brilhante, cheio de baladas e tão atual hoje quanto na época em que foi lançado. Entre os destaques estava “Indian Rope”, aqui apresentada no programa This is Tom Jones:

E também “When I was Young”:

Em 1970, ela se casa com o músico de jazz, Keith Tippett (que participou de álbuns do King Crimson), que participa de seu primeiro disco solo, intitulado “1969”, onde Driscoll ousa mais, saindo do pop rock mais influenciado pelo blues para se aventurar por outros ritmos.

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Driscoll agora assina como Julie Tippets, lança mais um disco nos anos 70, mas começa a ter participações cada vez mais esporádicas na música, participando mais de álbuns de jazz, mais experimentais, de artistas como Robert Wyatt (do Soft Machine) e Carla Bley.

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No anos 80, ela volta para participar de uma música do grupo pop/jazz , Working Week, “Storm of Light”:

Nos anos 90, seu nome volta á tona quando ela é chamada por Jennifer Saunders para regravar seu antigo hit, “This Wheel’s on Fire”, para ser a música de abertura de um dos seriados mais engraçados dos últimos tempos, ‘Absolutely Fabulous”.

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Nos anos 00, Julie, agora Tippets, continua a gravar discos, com seu marido, com outros músicos, participando de festivais de jazz, mas com bem menos exposição do que teve nos anos 60.

Mesmo assim, o alcance de voz de Julie continua poderoso, em todos esses anos, ela continuou ensaiando, se dedicando àquilo que mais gosta: a música.

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TODAY’S SOUND: EARTHA KITT POR ARTHUR MENDES ROCHA

Eartha Kitt foi uma diva especial na música – cheia de personalidade, charme, com sua voz única e seus irresistíveis sussurros – ela desfilou também pelo teatro, cinema e TV, onde foi a primeira mulher-gato negra, além de se engajar em causas justas.

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Ela teve uma vida difícil, pois seu pai era branco e mãe negra, sendo que o pai nunca teve sua identidade revelada a ela, trauma que a acompanhou pelo resto da vida.

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Eartha acabou sofrendo desde a infância, abandonada pelos pais, chegou a ser criada pela tia que a levou a frequentar aulas de dança e de piano.

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Mas mesmo assim ela sofria o preconceito de ter a pele mais clara que escura; tentou todo tipo de emprego, dormiu na rua, mas não perdeu a esperança de um dia melhorar de vida.

Eartha acabou vencendo pelo talento, ao ser admitida na Cia de Dança de Katherine Dunham, onde ficou de 1943 a 1948.

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Ela era quase como uma felina; rosnava ao cantar, fazendo gestos sensuais, suas apresentações faziam sucesso no chamado “cabaret circuit” (o circuito dos cabarés) de Paris e entre as canções que interpretava estava “C’est si bon” (sucesso também na voz de Yves Montand) e “I want to be evil”:

Com um ar “camp”, ela foi denominada por Orson Welles como “a mulher mais excitante do mundo” (mas ela negava qualquer envolvimento com o ator/diretor).

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Aliás, foi Welles que a convidou para seu primeiro papel no teatro, na encenação de “Faust”, onde ela fazia Helena de Tróia.

Em NY, ela foi convidada a fazer “New faces of 1952”, onde ela cantava “Monotonous”:

Logo em seguida, ela lança seu primeiro álbum, onde se destacava o hit “Santa Baby” (regravado por Madonna anos depois).

No final dos anos 50, com a ascensão do R&B e do rock n’ roll, o estilo vocal dela já não vendia tantos discos, mas isto não impediu que ela também atuasse no cinema, em filmes como “The Mark of the Hawk” (com Sidney Poitier), “Anna Lucasta” (com Sammy Davis Jr.) e “St. Louis Blues” (com Nat King Cole e Ella Fitzgerald).

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Na TV, ela ficou famosa por sua participação no seriado de TV “Batman”, nos anos 60, ao lado de Adam West, onde ela substituiu Julie Newmar como a Catwoman (Mulher-gato).

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Ela também participou da série “I spy’, pela qual foi indicada ao Emmy.

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Falando quatro línguas, Eartha foi uma das primeiras sex-symbols negra, numa época que isto era algo raro, bem como participou ativamente da luta pelos direitos civis, apoiando causas na qual acreditava.

Abaixo ela interpreta outro de seus sucessos, ‘Let’s do it”, de Cole Porter:

Em 1968, durante um evento na Casa Branca, ela acaba fazendo uma declaração que prejudicaria (e muito) sua carreira: ao ser perguntada sobre a Guerra do Vietnã, ela declarou que as mães americanas (como a mulher do presidente Lyndon Johnson, que a convidara para o evento) criavam seus filhos para os mandarem para a guerra.

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Foi o que bastou para que ela sofresse uma espécie de “expurgo” nos EUA, sendo perseguida pelo FBI, que a chamava de “ninfomaníaca sádica”.

Assim, Eartha se retira para a Europa, onde fixa residência em Londres, fazendo shows por lá e também na Ásia.

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Ela só retornaria aos EUA em 1978, para participar do espetáculo “Timbuktu!”, pelo qual foi indicada ao prêmio Tony.

Em 1984, Eartha volta às paradas de dance music com o hit “Where’s my man”, produção de um dos magos da disco music, Jacques Morali (o criador do Village People e Richie Family).

Logo em seguida ela lança o álbum “I love men”, que a torna conhecida para uma nova geração, especialmente o público gay, que passa a reverenciá-la.

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No mesmo álbum também fez sucesso nas pistas, a música “This is my life”:

Continuando na vibe dance, ela empresta seus vocais para a música “Cha Cha Heels’, do grupo Bronski Beat (substituindo Divine):

Eartha Kitt trabalhou até o final de seus dias, fazendo novas peças, dublando desenhos como “The Emperor’s new clothes”, entre outras atividades.

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Mesmo ao descobrir que tinha câncer de colo, ela continuou trabalhando, participando da reabertura do famoso Café Carlyle em NY, onde fez várias apresentações.

Eartha abriu caminho para uma geração de cantoras que inclui Diana Ross, Janet Jackson e Madonna, e ela se considerava como a “material girl” original.

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Na música, na TV, no teatro e no cinema, o nome de Eartha Kitt será sempre lembrado e respeitado como uma das grandes entertainers que o mundo dos espetáculos já teve.

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TODAY’S SOUND: DUSTY SPRINGFIELD POR ARTHUR MENDES ROCHA

Dusty Springfield abre nossos posts sobre divas da música que andam esquecidas, pouco se fala delas, mas seu legado está aí para provar que elas foram marcantes.

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Muitas delas já nos deixaram, mas no coração dos apreciadores da boa música e de estilo (sim, elas também lançaram moda), estas sempre serão especiais.

Dusty Springfield foi uma verdadeira lenda inglesa, uma das melhores vozes que a Inglaterra já produziu; foi a cantora inglesa de maior sucesso na década de 60, mesmo com a concorrência de Cilla Black (recentemente falecida), Sandie Shaw, Lulu, Petula Clark, entre outras.

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Mas nem tudo foi fácil na vida de Dusty, a cantora sofreu por viver numa sociedade repressora, nunca pode assumir sua sexualidade publicamente (ela gostava de mulheres), sofreu várias decepções em sua carreira, teve várias brigas em público (seu gênio era bem complicado), além de ficar dependente de remédios e bebida.

Como ela mesma se definia, sua voz tinha uma tristeza, uma melancolia natural, ela nasceu com isso; mas era das poucas cantoras brancas que cantava como uma cantora negra.

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Ela frequentou um colégio de freiras, onde era uma espécie de patinho feio; morena, de cabelo curto, de óculos, mas ela resolveu que deveria se reinventar se quisesse ter sucesso.

 A música foi sua salvação, primeiramente integrando o grupo The Lana Sisters e depois, formando com o irmão, o grupo The Springfields, em 1960.

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Com o grupo, ela viajou fazendo shows em lugares como Nashville, nos EUA, onde eles se influenciaram pelo country, folk, pop e também pelo rhythm and blues. Um de seus hits era “Island of dreams”:

Dusty já chamava a atenção com sua voz potente, bem como pelo seu look – loira e com penteado “beehive” (que lembrava uma colmeia de abelhas) e maquiagem “panda eyes” (olhos de panda, pintados com bastante lápis preto). Segundo depoimentos, a maquiagem pesada era para ficar escondida, como se usasse uma “máscara” para se proteger.

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Eles acabam sendo eleitos o melhor grupo vocal britânico pela revista NME (New Musical Express) em 1961 e 1962.

Em 1963, ela lança seu primeiro single como artista solo: “I only want to be with you”, que atinge o quarto lugar da parada inglesa, com seu estilo “wall of sound”, a la Phil Spector (famoso produtor dos anos 60) e com a sonoridade R&B e dos grupos vocais de negras americanas que faziam sucesso nas paradas na época. A música foi das primeiras a participar do Top of the pops na TV inglesa.

 

Seu primeiro álbum foi lançado em 1964, “A Girl called Dusty”.

No mesmo ano, ela grava duas canções de Burt Bacharach, “Wishin’ and Hopin” e “I Just don’t know what to do with myself”:

Foi o início de uma parceria com compositores que ela admirava, já que não compunha.

No ano seguinte, mais um grande hit para ela ao lançar “You don’t have to say you love me”:

Ainda em 1965, ela apresenta algumas edi̵̤es do programa Ready Steady Go!, introduzindo o som da Motown Рcomo Stevie Wonder, The Temptations, The Supremes, entre outros Рpara o p̼blico brit̢nico pela primeira vez.

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Não é à toa que Dusty era denominada uma cantora ‘blue eyed soul”, ou seja, branca, de olhos azuis, mas com muito soul dentro de si.

O estilo de vestir de Dusty, além de penteados incríveis, muitos cílios e delineadores, incluíam modelitos cheios de brilhos, vestidos compridos, babados, jeans, e muito mais; ela tinha classe e senso fashion.

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Seu sucesso na TV foi tanto, que a BBC a convidou para apresentar ‘Dusty”, um programa de música e entrevistas em seis partes, isto em 1966.

Dec. 31, 2011 - DUSTY SPRINGFIELD.(Credit Image: A© Globe Photos/ZUMAPRESS.com)

Durante uma apresentação na África do Sul, ela se recusa a se apresentar para uma plateia composta de brancos, já que era contra o apartheid e achava um absurdo não poder cantar para  a população negra.

Dusty era ferrenha defensora dos direitos humanos, bem como dos animais.

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Em 1968, ela lança o disco “Dusty…Definitely” onde se destaca a música “Spooky”:

Burt Bacharach, cuja cantora fetiche era Dionne Warwick, se deixa levar pelos encantos da voz sensual de Dusty e a escolhe para gravar uma das canções de amor mais lindas de todos os tempos: “The Look of Love”. Incluída na trilha da paródia aos filmes de James Bond, “Cassino Royale”, a música foi feita sob medida para o vocal de Dusty, sintam só:

No mesmo ano, ela assina com o selo Atlantic, lar de grandes nomes do soul como Aretha Franklin, por onde grava o elogiado disco “Dusty in Memphis”, que continha um de seus maiores clássicos, “Son of a preacher man”:

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Anos depois, a canção foi incluída na trilha de “Pulp Fiction”, de Quentin Tarrantino, tornando a música conhecida para uma nova geração.

 No início dos anos 70, Dusty vivia boa fase em sua carreira – lançando discos, fazendo turnês de sucesso – porém ela não emplacava mais hits nas paradas.

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Uma de suas gravações, pouco conhecidas desta época, é o tema que rola nos créditos finais de “Six Million Dollar Man” (O Homem de Seis Milhões de Dólares), série de TV estrelada por Lee Majors.

No final da década ela se muda para Hollywood, tem vários casos com outras mulheres, se envolve em brigas, além de beber, tomar pílulas e cheirar cocaína. Ela acaba por procurar o AA (Alcóolicos Anônimos) para tentar se recuperar.

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Dusty só volta mesmo ao spotlight ao ser convidada por Neil Tennant, dos Pet Shop Boys, em 1987, para gravar “What have I done to deserve this”, delicioso dueto entre os dois que a trás de volta às paradas de sucessos inglesas depois de 20 anos:

Em 1989, ela volta às paradas, novamente produzida pelos Pet Shop Boys, com “Nothing has been proved”, tema do filme “Scandal” (baseado no escândalo Profumo):

Nos anos seguintes, ela volta a gravar e emplaca algumas músicas, mas nada comparado ao seu sucesso no passado.

Em 1994, ela é diagnosticada com câncer no seio e acaba por falecer em 1999, aos 59 anos.

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O mundo perdia uma de suas grandes musas da música, extremamente talentosa, com uma voz contagiante, que se tornou um ícone.

Atualmente está em cartaz em Londres, em Charing Cross, o musical “Dusty”, que mistura atuações com imagens de arquivo – um tributo para um dos maiores expoentes da canção inglesa.

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TODAY’S SOUND: “SALAD DAYS: THE BIRTH OF PUNK IN THE NATION’S CAPITAL” – DOC SOBRE A CENA PUNK HARDCORE DE WASHINGTON

E encerrando nossos posts sobre novos filmes onde a música é o destaque, hoje falo sobre o documentário “Salad Days: The Birth of Punk in the Nation’s Capital” (o Nascimento do Punk na Capital da Nação), que trata da cena hardcore de Washington, D.C., nos anos 80.

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O diretor e jornalista musical, Scott Crawford, conseguiu reunir grana com a ajuda do site Kickstarter e lançou, no final do ano passado, este filme sobre a cena punk nesta região que é esquecida em detrimento de lugares como NY e Londres.

A cena de Washington foi tão forte como nestas outras capitais, formando novas bandas que levaram o gênero a outro patamar, tais como Fugazi, Bad Brains, Shudder to Think, Beefeater, Minor Thread, Scream, Rites of Spring, Government Issue, entre outras.

Entre os entrevistados, há depoimentos de Fred Armisen (ex Saturday Night Live e hoje em “Portlandia”), Dave Grohl (o ex-Nirvana e atual Foo Fighters), Ian MacKaye (líder do Minor Thread e guitarrista do Fugazi), Henry Rollins (do Black Flag e seminal artista punk), Thurston Moore (o líder do Sonic Youth), Dante Ferrando (das bandas Iron Cross, Gray Matter e Ignition), entre outras figuras que viveram a cena da época ou foram influenciados de alguma maneira por esta.

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Dave Grohl em cena do filme

O diretor Crawford viveu esta cena e se apaixonou pela mesma, dedicando todo seu tempo e recursos para tornar o filme uma realidade, tendo sido ele colaborador e tendo publicado fanzines punks como o Metrozine, isto aos 12 anos de idade.

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Henry Rollins, Ian Mackaye, entre outros

Crawford também lançou um disco 07 polegadas com uma das primeiras incursões de Dave Grohl no rock, com o grupo Mission Impossible, além de ter fundado a revista Harp, que durou de 2001 a 2008 e foi importante fonte do que surgia nas cenas indie e punk rock, além de matérias com bandas da antiga.

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A cena de Washington foi bastante forte e importante dentro do movimento punk, já que muitos dos jovens não eram da classe trabalhadora tradicional e sim filhos de integrantes da política, jornalistas e acadêmicos que haviam mudado para lá e acabaram se expressando através do punk hardcore.

John Stabb do Government Issue

John Stabb do Government Issue

 

A cidade vivia uma dos maiores índices de criminalidade na América e a cena punk nasceu desta desolação e decadência, como declara Mackaye: “Você sempre pode fazer algo aqui em Washington, pois ninguém está vendo”.

 

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E assim surgiam bandas como o Minor Thread (cuja música “Salad Days” dá nome ao documentário) e o Bad Brains, que são relembradas em ótimas imagens de arquivos, de shows inesquecíveis e que marcaram a juventude que viveu os anos 80 na capital da América.

O doc relembra também lugares como o estúdio Inner Ear, que serviu de gravação para muitos dos álbuns e músicas da cena.

Outra citação é o livro “Dance of Days: Two decades of Punk in the Nation’s Capital”, de Mark Andersen e Mark Jenkins, que vai a fundo no punk rock feito em Washington.

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Uma das primeiras bandas a surgir na capital americana foi o Overkill, que fazia covers de bandas como Velvet Underground e que começava a fazer algo diferente em 1976.

Rádios como a WGTB (da Universidade de Georgetown) eram das poucas a tocarem os novos grupos punks que surgiam na época.

Cena do filme

Cena do filme

Aos poucos, Washington passava a ser incluídas nas turnês de alguns grupos mais famosos como os Ramones por exemplo.

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Não demorou para que jovens montassem bandas e fossem adquirindo um público que extravasava sua rebeldia e violência em letras de cunho político e dançando o punk hardcore nos pequenos clubes da cidade.

Uma das bandas de destaque do filme é o Fugazi, para o qual foi oferecido um milhão de dólares para que assinassem com uma gravadora grande, mas que não abriram mão de sua independência e acabaram por recusar a oferta.

Segundo declaração do próprio diretor: “Passamos um ano entrevistando pessoas que ajudaram a criar uma cena local nos anos 80 – músicos, DJs, ativistas, fotógrafos e escritores – para contar a história de uma das décadas mais inspiradoras (e incompreendidas) da música independente. Nós reunimos centenas de fotos, vídeos gravados ao vivo, flyers e fanzines para serem incluídos no filme”.

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Por enquanto o filme não tem distribuição garantida no Brasil, mas quem quiser vê-lo é bom ficar de olho nos serviços de streaming, bem como nos canais de TV por assinatura.

 

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TODAY’S SOUND: “HEAVEN ADORES YOU”, DOC SOBRE ELLIOTT SMITH

“Heaven adores you” é um novo documentário que fala de uma das figuras mais interessantes surgidas na música nos anos 90 e que nos deixou cedo, Elliott Smith.

Smith se tornou famoso ao ter algumas de suas músicas incluídas na trilha do filme “Good Will Hunting” (Gênio Indomável), dirigido por Gus Van Sant e roteirizado por Matt Damon (também no papel principal) e Ben Affleck.

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O filme foi financiado com recursos adquiridos em uma campanha iniciada no Kickstarter e foi dirigido por Nickolas Dylan Rossi (que já havia participado de vários longas e curtas como diretor de fotografia).

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Ele iniciou na música tocando piano aos nove anos e logo ganhou um violão de seu pai e foi aprendendo mais e mais a compor.

Seu relacionamento com o pai o marcou pela vida inteira, chegando a declarar que sofreu abusos dele. Ele nunca conseguiu resolver direito esta questão, mesmo em sua vida adulta.

Aos quatorze anos, ele se muda para Portland e no ginásio, ele treina outros instrumentos como clarinete, além de tocar em bandas de sua escola.

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O filme nos mostra depoimentos de antigos colegas, da irmã, de antigos membros de sua banda, o Heatmiser, que nos contam como ele era quando adolescente, tímido, mas dono de um dom para fazer boas canções.

Smith foi se aperfeiçoando nas letras e nos vocais, com influências que iam de Rush, passando por Joe Strummer e Elvis Costello, entre outros.

Toda semana, Smith formava novos projetos e bandas e no início dos anos 90, seu som vai ficando cada vez mais influenciado pelo rock, tanto punk quanto grunge.

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Vários músicos da cena de Portland, e que conheceram Elliott, dão depoimentos e falam de como era o som que ele fazia, suas composições, as letras densas.

Sua banda Heatmiser era influenciada por Pixies e bandas do selo Touch & Go, bem como por bandas punks.

Eles estrearam com o disco “Dead Air”, lançado em 1993, pelo pequeno selo Frontier Records.

A banda lança o álbum “Cop and Speeder “ e o EP ‘Yellow nº 5’ , ambos em 1994.

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Neste meio tempo, Smith acaba tendo vários empregos, desde padeiro a transportar árvores, bem como pintar telhados

Em 1994, ele também lança seu primeiro álbum solo, ‘Roman Candle”, onde ele soava muito com Simon & Garfunkel, a famosa dupla folk que fez muito sucesso nos anos 70, e também Nick Drake.

Seus trabalhos solos mostravam uma direção mais certa do que ele desejava fazer musicalmente, como vemos em “No name 3”:

Ele vai chamando cada vez mais atenção em Portland, se tornando uma estrela local, além de participar de programas de rádio como o “Morning becomes eclectic”, da KCRW, da Califórnia.

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Outros artistas como Lou Barlow (baixista do Dinosaur Jr. e do Sebadoh) e os Beastie Boys vão prestando atenção na sua música.

Sua banda assina com a Virgin e lá gravam seu último disco, “Mic City Sons”, de 1996.

Neste mesmo ano, depois de gravar o disco solo ‘Elliot Smith”, ele é selecionado pelo diretor Gus Van Sant (também de Portland) para contribuir com músicas no seu próximo filme, “Good will hunting”.

Elliott interpretando 'Miss Misery' na festa do Oscar

Elliott interpretando ‘Miss Misery’ na festa do Oscar

Ele grava uma versão instrumental de “Between the bars” com o autor da trilha, Danny Elfman, além de utilizar mais três canções dele já lançadas.

A única canção realmente nova de Smith na trilha é “Miss Misery”, que acaba sendo indicada ao Oscar de Melhor canção (perdendo naquele ano para “My heart will go on” de Titanic).

A experiência de ir ao Oscar e se apresentar para todo o mundo, acaba por ser bastante estranha para ele, que era justamente o contrário de toda esta exposição na mídia.

Com o fim do Heatmiser, Smith se dedica totalmente a sua carreira solo e grava ‘Either/Or” em 1997, com muita instrumentação, incluindo baixo, bateria, teclados, guitarra, tudo tocado por ele mesmo. Uma das canções era ‘Say Yes” (também incluída na trilha do filme de Van Sant):

Em 1998, Smith agora era um nome conhecido, mas ele vivia momentos de depressão, além do vício em álcool e em antidepressivos.

Nesta época, ele troca Portland por New York, se estabelecendo no Brooklyn, assinando com uma grande gravadora, a Dreamworks.

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Pelo selo, ele grava o álbum ‘XO”, considerado seu melhor trabalho, lançado em 1998, e onde um dos singles era “Waltz #2”:

Em 1999, ele sai de NY para Los Angeles, onde grava o cover de ‘Because” dos Beatles, incluída na trilha de “American Beauty” (Beleza Americana):

Em 2000, é lançado o álbum “Figure 8”, com arranjos mais complexos, gravado no Abbey Road Studios, com muita influência dos Beatles e a icônica capa com grafismos em azul e vermelho.

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Durante o período de promoção do álbum e da consequente turnê, Smith se vicia fortemente em heroína.

Elliott ia se afundando cada vez mais e seus amigos falam no doc deste período difícil da vida dele, onde Smith não era mais ele mesmo,.

Ele resolve se dedicar a gravação de seu próximo disco, ‘From a basement on the hill”,que acabou sendo lançado postumamente.

Smith morreu em 2003, aos 34 anos, vítima de duas facadas no peito; até hoje nunca ficou claro o real motivo de seu falecimento, pois nem drogas foram encontradas em seu organismo e nunca foi declarado que o ocorrido fora suicídio.

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A marca que deixou na cultura pop é inegável, vários álbuns em tributo á sua música foram lançados, bem como biografias e a utilização de suas canções em inúmeros filmes e séries.

Smith é daqueles músicos que cantavam com emoção, com muita beleza e melancolia em suas letras e sua perda será sempre sentida por artistas e fãs.

O filme acaba de estrear nos EUA e já é sucesso nos downloads legais, tendo tido uma boa carreira nos festivais de cinema alternativos.

 

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