Warning: include_once(wp-includes/images/pin.png): failed to open stream: No such file or directory in /home/japagirl/public_html/blog/index.php on line 2

Warning: include_once(): Failed opening 'wp-includes/images/pin.png' for inclusion (include_path='.:/usr/lib/php:/usr/local/lib/php') in /home/japagirl/public_html/blog/index.php on line 2

Warning: session_start(): Cannot send session cookie - headers already sent by (output started at /home/japagirl/public_html/blog/index.php:2) in /home/japagirl/public_html/blog/wp-content/plugins/instagrate-to-wordpress/instagrate-to-wordpress.php on line 48
setembro – 2015 – Japa Girl












































































    Landscape in progress 💚Após 3 décadas de cabelo muito longo, finalmente CORTEI!!! Vida nova 2017!!!
Gracias @celsokamuraoficial 💋🌹❤Melhor noite e som absurdo @djfelipevenancio  @djeducorelli @marcelona @melissadepeyre ❤❤❤ @club.jerome #toiletteMrs. JonesWhite Tiger & Black Jaguar 🌹🔫🌹🔫🌹 #gunsnrosesToilette tonight!Come on blood suckers!!!Full bloom #orquideavanda #wandaorchidBoa semana!A lot of work these guys...but I love them!

                
       
















bloglovin



CURRENT MOON

Archive for setembro, 2015

TODAY´S SOUND: INGRID BERGMAN POR ARTHUR MENDES ROCHA

Os próximos posts falarão de importantes comemorações de artistas no mundo da música e da cultura pop.

Hoje falarei de uma das grandes estrelas que Hollywood já teve, mas que na verdade nasceu na Suécia e este ano é comemorado o centenário de seu nascimento: ela é Ingrid Bergman.

Ingrid Style

Ingrid foi uma das atrizes mais lindas e talentosas que o mundo já teve, se fosse viva, ela estaria completando 100 anos e com certeza ainda estaria com aquela sua personalidade especial.

Tendo conquistado todos os mais importantes prêmios de interpretação como O Oscar, Emmy, Globo de Ouro, Tony, David de Donatello (o Oscar italiano), o BAFTA (o Oscar inglês), entre outros, Ingrid Bergman merece todo nosso respeito e admiração.

ingridbergman37

Ela viveu seu momento ápice em Hollywood nos anos 40, quando estreou filmes icônicos como ‘Casablanca’, ‘Notorius” entre muitos outros. Mas ela também filmou na Europa nos anos 50, em filmes de Roberto Rossellini. Abaixo, a TCM produziu uma amostragem de seus filmes, com narração de Patricia Clarkson.

Ingrid nasceu em Estocolmo, Suécia, em 1915 e sempre soube que um dia gostaria de ser atriz. Ela perdeu os pais cedo e foi criada por uma tia, ingressando jovem na Royal Dramatic Theatre School (escola onde também estudou Greta Garbo).

Logo ela é convidada a fazer filmes para um pequeno estúdio sueco, participando em uma dezena de produções, entre elas “Intermezzo”, em 1936.

ingrid-bergman-100-years-ss

Em 1939, David O. Selznick decide fazer a versão americana do filme e convida Ingrid para estrelar a refilmagem.

Foi o que bastou para que ela caísse nas graças dos americanos, estrelando ao lado de um dos galãs da época, Leslie Howard (o Ashley de “E o Vento Levou”).

Ingrid representava um novo tipo de estrela, mais acessível, com um novo frescor, diferente das estrelas superproduzidas e glamourosas; digamos que o glamour de La Bergman era mais natural.

IngridBergman

Apesar do sucesso de “Intermezzo”, o grande hit dela estava por vir – uma produção simples, que o estúdio não tinha muita crença e que acabou sendo um dos filmes mais marcantes da história do cinema em todos os tempos – “Casablanca”.

O grande sucesso do filme se deve principalmente a química entre Ingrid e Humphrey Bogart, nos papéis inesquecíveis de Ilsa e Rick, o casal que se conheceu no passado e que se reencontra no Marrocos.

ingrid-bergman e humphrey

Só que Ilsa é casada com o líder da resistência, Victor Laszlo (Paul Henreid) e precisa da ajuda de Rick para escapar do Marrocos, mas os dois ainda são apaixonados.

O filme virou um cult instantâneo e ainda conquistou Oscar de melhor filme daquele ano.

Logo em seguida, Selznick a chama para ser a Maria de “For whom the Bells tolls” (Por quem os sinos dobram), baseado na obra de Ernest Hemigway e que lhe dá sua primeira indicação ao Oscar. No filme ela exibe os cabelos curtos, que virou moda na época.

ingrid-bergman-for whom1943

Em 1944, ela conquista seu primeiro Oscar ao estrelar “Gaslight” (À Meia-Luz), um lindo drama dirigido por George Cuckor (A Star is Born, My Fair Lady, Philadelphia Story), onde ela está excelente no papel de uma mulher cujo marido (Charles Boyer) faz de tudo para que ela acredite estar ficando louca.

ingrid-bergman

Em 1945, ela faz aquela que seria sua primeira colaboração com o grande mestre do suspense, Alfred Hitchcock, “Spellbound”, ao lado de Gregory Peck e que ficou famoso pelas maravilhosas cenas de sonhos feitas por Salvador Dalí.

No ano seguinte, mais um grande filme sob as ordens de Hitchcock, “Notorious”, ao lado de Cary Grant, misturando espionagem e romance. Considerado um dos grandes filmes de Hichcock, talvez seu primeiro filme mais maduro e sério, com belíssimos planos de câmera e aquele toque especial que só ele sabia dar.

Ingrid-Bergman-Cary-Grant

Depois de estrelar em mais um filme de Hitch (como ela o chamava), “Sob o signo de Capricórnio” e em produções como “Joan of Arc”, entre outras, Ingrid decide que precisava alçar voos mais arriscados e ao mesmo tempo desafiadores.

Assim ela escreve para Roberto Rossellini, o famoso diretor neo-realista italiano de ‘Roma, Cidade Aberta”, e se convida para trabalhar com ele.

Ingrid parte para a Itália onde filma com Rosellini , “Stromboli”, em 1949, e os dois acabam vivendo um tórrido caso de amor.

ingrid

O problema é que tanto Ingrid como Rossellini eram casados e isto foi considerado uma grande traição à tradição do casamento, algo que os americanos prezavam muito, ainda mais naquela época. E para completar, ela ainda engravidou dele.

Ingrid foi escorraçada pelo povo americano, que se recusava a ver seus filmes ou qualquer menção ao nome dela.

Demorou muito para que ela fosse perdoada por este escândalo, algo que marcou muito sua carreira.

Na Itália, ela fez incríveis obras-primas com Rossellini, como um dos filmes mais belos de todos os tempos, “Voyage to Italy” (Viagem a Itália), um influente filme que foi considerado por Truffaut como o primeiro filme moderno e que é admirado por cineastas como Scorcese.

ingrid bergman voyagetoitaly

Com Rossellini, ela também filmou ‘Europa 51″, outro importante filme que os dois colaboraram juntos.

ingrid Bergman europa

Ingrid havia abandonado o primeiro marido e agora assumia sua relação com o diretor italiano, tendo com ele mais três filhos, incluindo Isabella Rossellini, que seguiu a profissão da mãe e se tornou uma ótima atriz. Abaixo ela fala sobre a mãe:

Bergman e Rossellini se separam em 1956 e ela acaba voltando para os EUA, onde estrela em “Anastacia, a Princesa Esquecida” e conquista o seu segundo Oscar; mas ela não vai na cerimônia e quem acaba aceitando o prêmio por ela é seu amigo Cary Grant.

Ingrid continua fazendo aparições no cinema, na TV, no teatro, mas cada vez mais esporádicas.

ingrid-bergman-theredlist

Um de seus filmes esquecidos e que adoro é “Goodbye Again”, de 1961, onde ela faz uma mulher madura, apaixonada por um homem infiel (Yves Montand) e por ela se apaixona um homem bem mais jovem (Anthony Perkins). No filme ela está vestida totalmente por Christian Dior, o filme vale a pena ser redescoberto.

Ingrid sempre foi uma mulher de estilo, com um jeito muito elegante de se vestir, de porte belo, além daquela beleza estonteante que a natureza lhe deu; ela é uma atriz intensa que nos ganha a cada interpretação.

ingrid_bergman1-avedone1440778085505

Ingrid viria ainda a conquistar seu terceiro Oscar por “Assassinato o Expresso Oriente”, de 1974.

Em 1978, ela finalmente trabalharia com seu conterrâneo, o também sueco diretor Ingmar Bergman (até parecidos nos nomes), que a convida a estrelar “Sonata de Outono”, ao lado de Liv Ulmann, num brilhante embate entre as duas atrizes como mãe e filha que não se entendem.

Em 1982, ela ainda conquistaria mais um Globo de Ouro ao se deixar enfeiar para viver a primeira ministra israelense Golda Meir em ‘A Woman called Golda”.

Ingrid2

No mesmo ano, Ingrid não resiste a um câncer de mama e morre no ano que completaria 67 anos.

Em 2015, várias homenagens foram feitas a ela, desde ciclos especiais dedicados a ela como no Moma em NY.

Ela ainda ilustrou o pôster do Festival de Cannes, onde foi apresentado o documentário “Ingrid Bergman: In her own words”, narrado pela nova sensação do cinema, Alicia Vikander (de “Ex-Machina”) e com depoimentos de Isabella, Sigourney Weaver, Liv Ullmann, entre outras.

ingrid bergman cannes

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: 30 ANOS DE MEAT IS MURDER DE THE SMITHS

Em 1985, The Smiths lançava o seu segundo disco, “Meat is Murder”! Trinta anos se passaram e o disco marcou uma época e tornou a banda uma das mais icônicas de todos os tempos.

smiths

O titulo do disco não pode ser mais pertinente, vegano desde aquela época, Morrissey já exaltava as qualidades de uma dieta sem carnes e este era apenas um dos temas polêmicos que ele aborda no disco, além de política, críticas à monarquia, entre outros.

The Smiths

Nem o pop da época fica de fora das críticas de Morrissey, já que o Smiths se recusou a participar do Band Aid, a reunião dos astros da música para combaterem a fome da África, enquanto ele afirmava que na Inglaterra, havia uma tortura diária sendo cometida contra o povo.

smiths in concert

No vídeo abaixo, gravado para o programa da BBC, “Whistle Test”, o grupo dava os retoques finais no disco e declarava que muitos grupos pops não despertavam a consciência de seu público e que os Smiths justamente queriam isto: trazer temas que fossem discutidos, que despertassem a curiosidade de seus ouvintes, como se questionar em comer carne por exemplo. As imagens mostram eles no estúdio, os bastidores das gravações, depoimentos de um jovem (e lindo) Morrissey falando de suas inspirações para compor as letras.

Os Smiths viviam um momento alto em sua carreira: vinham de um ótimo disco de estreia, eram uma das bandas mais disputadas do pós-punk inglês, Morrissey estava em todo lugar como o ídolo assumidamente gay.

smiths - morrissey2

Tanto é que “Meat is Murder” foi o seu único álbum a atingir o primeiro lugar na lista dos mais vendidos naquele ano.

smiths Meat_Is_Murder_tour_programme_SCOTLAND-002

O disco chegava numa época de descobrimento – o despertar da sexualidade, do posicionamento político – era um disco punk feito à maneira Smiths de ser, mas com uma dose de bom humor, como o próprio Morrissey declarou na época de lançamento.

smiths-500x378

Produzido pela própria banda, a capa do disco fez bastante barulho na época, ao mostrar um soldado com um capacete no qual está escrito o nome do disco, questionando a carne humana que é exposta num conflito como uma guerra, onde ela não vale nada. A foto foi tirada do documentário “In the year of the pig”, de 1968, sobre a Guerra do Vietnã.

smiths-meatismurder-608x608

O disco já abria com a maravilhosa “The Headmaster Ritual” – dançante, densa, com a guitarra arrasadora de Johnny Marr – a música era uma um grito de revolta de Morrissey: “I want to go home, I don’ want to stay” (Eu quero ir para casa, eu não quero ficar) que depois emendava com um dos la la las mais lindos da história do rock.

Não é à toa, que esta é uma das músicas favoritas do Radiohead, que fez uma linda cover dela:

“Meat is Murder” é um disco especial, muito influente, não contém hits mas música especiais como “I want the one I can’t have” (eu quero aquele que não posso ter), que como o próprio título diz, é um ode ao amor não correspondido. Morrissey canta as agruras de amar alguém que não o quer. Esta música continua até hoje no seu repertório, mesmo que cantada sem o Smiths. Abaixo, a música cantada pelo grupo num show em Madri:

Outra música, que por sinal é das minhas favoritas (e também de Johnny Marr), é “That Joke isn’t funny anymore”. A única canção do álbum lançada em single, a música é uma balada onde Morrissey responde a ataques de jornalistas que o consideravam fake. Dizem que foi inspirada por um caso que ele teve com um jornalista. Os vocais dele vêm do fundo de sua alma, e o verso ‘I’ve seen this happen in other’s people lives, now it’s happening in mine” (Eu vi isto acontecendo na vida de outras pessoas, agora está acontecendo na minha) foi como um hino naqueles tempos incertos:

Outro destaque é a linda e triste ‘Well I Wonder”, a típica balada dos Smiths, começando com o verso “Do you hear me when I sleep” (Você me ouve enquanto eu durmo), acompanhado pela guitarra de Marr, sua voz vai ficando mais fina, mais cristalina, repetindo o refrão e sofrendo muito; simplesmente divina!

E quase no final do disco, mais uma super música: “Barbarism begins at home”, canção que tem um baixo funk e inspiradíssimo de Andy Rourke , dançante, bateria potente de  Mike Joyce, como mostra esta apresentação deles no programa “The Tube”, em 1984, com Morrissey com suas camisa vaporosa, crucifico, jeans rasgado e flores no bolso de trás (aliás, os fãs sempre lhe atiravam flores para ele as colocar no bolso). 

Nas edições americana e canadense, acabou sendo incluída a música ‘How soon is now”, que fazia sucesso nos clubs americanos e que depois foi lançada em single na Inglaterra. A canção acabou se tornando uma das mais emblemáticas da carreira da banda.

Infelizmente, The Smiths se separaram em 1987, por diferenças irreconciliáveis entre Morrissey e Marr. Todas as expectativas de um dia eles voltarem, nunca foram alimentadas por nenhum dos dois, que partiram para carreiras solo.

Smiths quiz

O título do disco se mostra bem atual e hoje em dia, Morrissey está cada vez mais radical no seu posicionamento como vegetariano, evitando de tocar para público ou em lugares que sirvam carne e recentemente uniu-se ao PETA para pedir a renúncia de David Cameron (o primeiro ministro inglês) que está envolvido no chamado ‘pig-gate”, já que há um forte boato que ele tenha cometido algumas baixarias no passado envolvendo um porco.

smiths - morrissey

Recentemente, os 30 anos do disco mereceu a capa da revista Paste, que fez uma ótima matéria deicada ao disco e as bandas que foram influenciadas pelo mesmo.

Smiths paste magazine

De todo o jeito, “Meat is Murder” é um registro perfeito dos Smiths no auge de sua inspiração, de sua qualidade artística, de um pop rock que hoje me dia é difícil de igualar, seja pela excelência de suas composições, de seu ritmo e de canções inesquecíveis.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: OS 25 ANOS DA TURNÊ BLOND AMBITION DE MADONNA

Agora que Madonna estrela a sua décima turnê, a sua terceira tour, a “Blond Ambition”, completa 25 anos e mudou a maneira com que os shows eram feitos até então, abusando da super produção e sendo eleita a melhor tour de 1990 pela revista Rolling Stone.

madonna blond poster

Em 1990, Madonna vivia o seu auge, al̩m de ser a celebridade mais famosa do mundo (junto com Lady Di), ela ditava moda, sua m̼sica bombava nas pistas e nas paradas de todo o mundo Рela era a rainha absoluta do pop Рṇo tinha para ningu̩m mesmo.

madonna blond5

Eu estava morando em Londres quando seus shows foram anunciados, era Julho de 1990, ela faria dois shows no estádio de Wembley e os ingressos esgotaram super rápido.

Eu consegui garantir o meu (na verdade fui nos dois dias), não conseguia acreditar que veria minha musa ao vivo e ainda interpretando os hits que eu amava desde que a ouvi pela primeira vez, em 1983, com “Everybody”.

madonna mondino

Os detalhes da turnê iam surgindo aos poucos na imprensa europeia, não havia internet, nem Instagram e muito menos Facebook ou Twitter; a maneira de sabermos de qualquer novidade era nas revistas, jornais e TV.

A imprensa em geral perseguia Madonna como abelhas no mel, tudo era motivo para que os paparazzi se avançassem nela, seja um novo romance ou um novo estilo de penteado.

madonna-cover004

Foi anunciado que quem faria o figurino da turnê seria Jean Paul Gaultier, o “enfant terrible” da moda francesa, um dos designers mais vanguardas e disputados daquele momento, era Madonna na música e ele na moda, nada poderia dar errado com esta parceria.

madonna e gaultier

madonna sketches

Sketches de Gaultier para a Blond Ambition Tour

Naquele mesmo período, Madonna também estrelava em ‘Dick Tracy”, sob a direção e atuando ao lado do seu então namorado da época, Warren Beatty.

MADONNA E WARREN

Era impressionante como a mídia amava Madonna, ela era capa de todas as revistas, matérias em todos os jornais, se rosto estampava posters e cartazes espalhados pela cidade e para completar ela tinha uma música no topo das paradas: “Vogue”.

madonna blond2

“Vogue” era a versão de Madonna para ‘Deep in Vogue” de Malcom Maclaren, só que com outro ritmo, mas a dança era a mesma, era o vogue dancing saindo dos guetos e indo direto para o mainstream (tendo sido retratado com maestria no clássico ‘Paris is Burning”, lançado logo no ano seguinte).

madonna blond4

A música era o single principal do disco ‘Im Breathless”, álbum inspirado pelo filme Dick Tracy, contendo canções da trilha, além de outras produzidas especialmente para este trabalho.

madonna dick

Mas voltamos ao show: Madonna iniciara a turnê pelo Japão, os looks de Gaultier estavam arrasadores, seu cabelo era um rabo-de-cavalo no estilo Jeannie é um Gênio’, além de estar acompanhada por todos os dançarinos do vídeo de ‘Vogue” mais suas então inseparáveis backing vocals, Niki Harris e Donna De Lory.

madonna-435

Quando o show chegou em Londres, o penteado já era outro, ela optara por cachos nos cabelos, mas o resto continuava igual, sendo a direção de arte entregue a seu irmão Christopher (hoje os dois estão estremecidos depois que ele resolveu contar os bafos dela em livro).

Madonna-image-madonna-36251344-794-453

O set list era um desfile de hits dos anos 80 e os mais recentes; abaixo descrevo alguns dos melhores momentos:

‘Express yourself” – coreografias e ambientações que remetiam ao vídeo da música, inspirado em ‘Metrópolis” (de Fritz Lang), com Madonna, vestida com o lindo maiô rosinha com o busto em formato de cone, cercada de trabalhadores (dançarinos) de macacões e coreografia luxuosa. Madonna já chegava no palco por uma espécie de elevador, desembocando numa enorme escadaria –  o povo ia a loucura:

‘Like a Virgin” – o momento mais polêmico do show, com ela vestindo o icônico figurino do corpete dourado com os peitos em formato de cone, gerando a revolta da igreja católica (o Papa fez tanta pressão que um dos shows na Itália foi cancelado). Simulando uma masturbação à medida que a música ia aumentando o ritmo, ela ia acompanhando até o êxtase final. Madonna nunca esteve tão sexy, se tocando numa cama de veludo vermelho, tendo ao lado dois dançarinos também com cones no peito:

‘Like a prayer” – na parte religiosa do show, Madonna canta uma de suas canções mais emblemáticas, um verdadeiro hino ás diferentes religiões e ainda interpretada na sua versão longa, com ela vestindo uma espécie de batina com crucifixos, num cenário que parece uma igreja, com muitas velas e grandes colunas – simplesmente emocionante.

“Vogue” – cercada de bailarinos produzidos com lindos acessórios de cabeça, Madonna apresentava Vogue pela primeira vez ao vivo com sua exuberante coreografia. Abaixo o vídeo da cena em que a música é utilizada no filme “Truth or Dare” (Na Cama com Madonna).

Falando neste filme, ele é uma espécie de diário da turnê, um ótimo retrato dos bastidores que envolveram a ‘Blond Ambition”, desde os desabafos de Madonna, os relacionamentos com os dançarinos e equipe, os lugares onde se apresentaram, os momentos de relax; o filme é um registro imperdível.

madonna truth

Voltando aos destaques do show:

‘Holiday’ – Madonna entra rodando no palco, vestindo uma roupa bem divertida, com top de bolas pretas e pantalonas, interpretando um de seus maiores clássicos. O público responde de maneira excitada, dançando e se batendo, quase uma histeria coletiva.

“Keep it together” – A música de encerramento mostra Madonna num modelito preto, com detalhes bondage, chapéu coco a la Laranja Mecânica, e toda sua trupe dança com ela utilizando cadeiras de madeira e fazendo lindas acrobacias. Além da música ser um ode à família, aos amigos, contendo um sample de Sly & The Family Stone.

‘Blond Ambition” literalmente parou Londres por um fim de semana, todos os passos da diva eram seguidos pelos fotógrafos, com ela causando por onde passava, até mesmo na hora de fazer sua corrida matinal no Hyde Park ou indo comprar um Pucci na Brown’s (famosa loja que vendia as grifes mais badaladas).

Madonna vestindo Pucci

Madonna vestindo Pucci

A animação, a gritaria, o empurra-empurra, todos queriam ver a diva de mais perto possível e a pista na frente do palco, mesmo chegando cedo, já estava lotada de fãs e admiradores.

O tour-book também era lindo, eu adquiri o meu e tenho guardado como um verdadeiro collector’s item, com fotos incríveis, como esta da capa.

Madonna-Blond-Ambition-Wo-349405

Infelizmente o show nunca foi lançado oficialmente em VHS ou DVD; havia uma ótima edição do show do Japão e uma edição americana, ambas lançadas no então formato Laserdisc (que ficou defasado, apesar da ótima qualidade técnica), mas tudo já fora de catálogo.

Madonna-Blond-Ambition-Ja-427078

madonna-blond-ambition-tour-nice-download-mp3-rar

Madonna nunca saiu do spotlight, tudo que ela faz ainda é bem divulgado pela mídia, mas naquela época era tudo diferente, ela era uma estrela maior que ela própria, um verdadeiro mito do pop.

madonna blond

Jovem, abusada, polêmica, Madonna era disputada por tudo e por todos, os estilistas se degladiavam para vesti-la, pois tudo que ela usava virava moda instantaneamente e todo o mundo ia atrás dela.

madonna blond3

Hoje em dia, este poder que ela tinha, diminuiu bastante, ela continua diva, mas a geração mudou e quem curte Madonna, na maioria, já tem mais de 40 anos.

Suas turnês continuam dando muito dinheiro, a concorrência no mundo pop aumentou bastante (Katy Perry, Rihanna, Beyoncé, Lady Gaga, para citar algumas), a “Rebel Heart” deve dar muito lucro, mas uma coisa é certa: ela nunca conseguirá igualar o show impecável e perfeito que foi a “Blond Ambition”, seu ápice como super estrela da música.

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: OS 30 ANOS DE “LOW LIFE” DO NEW ORDER

Um importante disco da música pop de qualidade completa 30 anos neste ano: o disco ‘Low life” do New Order, lançado em 1985.

New_order_low_life_1433158215_crop_550x545

O New Order iniciou sua trajetória logo após a morte de Ian Curtis, o lendário vocalista do Joy Division, que se suicidou no ápice da carreira.

Além de Curtis, estavam no Joy Division, Bernard Summer (vocais, guitarra e sintetizadores), Peter Hook (baixo e sintetizadores), Stephen Morris (bateria, sintetizadores e bateria eletrônica).

new order low japan

Eles convidaram mais Gillian Gilbert (sintetizadores e guitarra), e formaram o New Order, em 1980.

Os primeiros discos do New Order, “Movement” e “Power, Cortruption & Lies”, são discos de transição, já que a banda ainda vivia sob o fantasma de Curtis, lhes dando um som soturno, mais dark, lindo e sofrido na mesma medida.

new order 1

Lembro que na época que ‘Low Life” foi lançado, ele sacudiu com todo mundo, pois o New Order entrava numa nova fase, mais feliz, dançante ao extremo, com músicas tão bem-feitas para serem curtidas e dançadas na mesma intensidade.

O disco demorou um pouco para sair no Brasil, mas o irmão de um amigo o trouxe antes da Europa e eu e minha turma (naquela época new wave total) ficamos loucos, só queríamos saber de escutar aquele disco de capa branca e preta.

new order5

O design de Peter Saville (o designer responsável pelas capas da gravadora Factory) já vinha inspirador: o disco tinha na capa uma foto p&b de Stephen Morris de um lado e do outro Gillian Gilbert em looks pós-punk. Na versão importada havia uma cinta de papel manteiga onde estava escrito New Order na frente e atrás servia como informação das faixas.

Na parte de dentro do disco, o vinil vinha em outro encarte, desta vez com as fotos de Summer e Hook. Este é o único disco deles que possui a foto de todos eles.

new order low2

Bom, eu sei que o álbum virou a nossa trilha para dançar durante um bom tempo, já que todo ele é maravilhoso.

Tudo começa com Love Vigilantes, que parece um country eletrônico, ela é um lamento na voz de Summer na qual um homem quer se reunir de volta com a família. ‘I want to see my family…”, assim ele cantava no refrão que abria o álbum.

Segundo Summer, esta é o mais próximo que ele conseguiu de compor uma canção ‘redneck” (caipira).

Logo em seguida, “Perfect Kiss”, a minha música preferida do New Order, mesmo em sua versão reduzida de 04:48 minutos, já que haviam lançado esta canção como single com sua duração original de mais de nove minutos.

new order low

Mas como o New Order nunca nos deixa na mão, a banda compensou com o clipe, com mais de 10 minutos de duração e sob a direção de Jonathan Demme (“O silêncio dos inocentes”, “Stop making sense”). Nele a banda está bem à vontade, fazendo uma jam no estúdio, com direito a um plano com a imagem de Curtis, como se este estivesse assistindo o ensaio, numa imagem meio apagada, sublime:

 “Sunrise” era outra faixa que agradava em cheio esta fase, a new wave vinha deixando espaço para algo mais, um synth-pop cada vez mais eletrônico, com batidas fortes, sintetizadores nervosos, guitarras cortantes. Aqui vemos a música numa rara versão no programa Whistle Test, prestem atenção na empolgação da plateia.

Segundo Hook, ele considera este um de seus melhores baixos, um de seus grandes riffs.

A Inglaterra atravessava fase difícil, muitas greves, trabalhadores sofrendo sob o domínio de Margaret Thatcher e o New Order era um sopro de liberdade, de puder extravasar a pressão do dia a dia numa pista de dança.

new order 2

A faixa ‘Elegia’ é uma grande homenagem a Ian Curtis, lançada primeiramente numa versão de mais de 17 minutos, ele teve de ser diminuída para poder ser incluída no álbum. A música é um primor, uma impactante versão instrumental inspirada em Ennio Morricone (o seminal compositor dos spaghetti-westerns italianos), principalmente em “The Trio”, do filme “The Good, The Bad & the Ugly”:

Outra das minhas favoritas do disco é “Sooner than you think”, música que foi mostrada ao público inglês pela primeira vez num especial para a BBC de 1984, onde a banda está super a vontade, com visual bem praiano, cores alegres, longe do darkismo que imperava na época.

O single escolhido para ser o segundo do álbum foi “Sub-Culture”, animada e com pegada disco, esta música afastava de vez os que buscavam um New Order mais dark. A capa do single foi uma das únicas que Peter Saville se recusou a criar uma capa decente, pois ele detestava este single.

new order sub-culture

O disco encerra com ‘Face-Up”, grande música que não teve o reconhecimento merecido na época e que merecia um single. A track é puro New Order, sintetizadores animados preparam o terreno para guitarras e baterias em perfeita sintonia com o vocal de Summer.

Naquele mesmo ano de 1985, eles sairiam em turnê, cujo nome seria o de uma das faixas de ‘Low Life”, “Pumped full of drugs” (que no disco mudou para “This time of night”).

New-Order

“Low Life” é um disco fundamental para uma discografia brilhante que é a do New Order nos anos 80; passado e presente se misturavam para dar fruto a um futuro diferente para a banda, com sua mistura de pop, disco, rock, o álbum mostrava o destino para onde iria a banda, realizando um dos melhores discos dance da década.

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: 20 ANOS DE “KIDS’

Há 20 anos um filme mudava o comportamento com o qual estávamos acostumados – as crianças cresciam mais cedo, faziam sexo como não houvesse amanhã, fumavam muita maconha, saiam de skate sem rumo e não estavam nem aí se engravidassem ou tivessem que ter alguma responsabilidade – este era o mundo de ‘Kids”, o polêmico e moderno filme de Larry Clark.

kids20th 1

Clark conviveu com skatistas de NY que frequentavam o Washington Square Park, garotos e garotas que queriam apenas se divertir e curtir a vida por que acima de tudo eram jovens.

O filme foi lançado em 1995 e causou o maior rebuliço, todos queriam ser como aqueles jovens despreocupados e soltos na vida, não importava a idade.

kidsn poster

Era uma época em que a internet estava apenas começando, a informação era mais disputada, lembro que só se falava no filme lá fora e aqui sempre demorava a chegar (ainda bem que a censura não atrapalhava mais).

“Kids” era a história destes adolescentes e suas aventuras na NY dos anos 90; os meninos só queriam saber de transar o mais cedo possível, queriam pegar o máximo de garotas, o que importava era o sexo, a maconha, a diversão.

O filme era estrelado por jovens atores desconhecidos na época como Leo Fitzpatrick, que está ótimo no papel de Telly, um garoto de 16 anos que adora transar com virgens.

kids7

Seu amigo era Casper (Justin Pierce, que se suicidou em 2000) e o filme os seguia durante 24 horas, suas andanças por NY, tudo filmado de maneira crua e realista pela câmera de Clark.

Kids_still

Ao mesmo tempo, não sei como seria recebido o filme hoje pois ele é sexista, eles falam das mulheres como objetos, há cena de estupro, eles debocham de gays, não usam camisinha em suas transas (daí quererem transar com virgens), seria um filme politicamente incorreto para os dias de hoje, mas na época era bem divertido.

Os kids de Clark roubam, passam os outros para trás, são malandros, tem atitude, eles são quase adultos sem serem, pois ainda são imaturos e inconsequentes.

Kids1

Mas o legal do filme é justamente esta atitude desencanada deles; eles têm seus códigos de conduta, e para entrar nesta turma tem que entrar no jogo e ser mais esperto que o outro.

Com roteiro de Harmony Korine, que na época era um garoto de 18/19 anos, “Kids” foi produzido por Gus Van Sant (o diretor de ‘Milk”, “My own private Idaho”, “Elephant”, entre outros). Hoje Korine é um reconhecido diretor, tendo realizado cults como ‘Gumbo’ e mais recentemente, ‘Spring Breakers’.

Justin Pierce e Harmony Korine

Justin Pierce e Harmony Korine

Korine conheceu Chloë Sevigny na época das filmagens (os dois foram casados) e esta teve sua estreia como atriz no filme, convencendo o produtor e o diretor a contratá-la. Ela era uma garota, já com bastante estilo, que na época trabalhava como vendedora na loja Liquid Sky (pertencente ao brasileiro Carlos Slinger e que na época era ponto de encontro dos descolados em NY).

Bem, nem precisamos falar do hype que o filme deu à Chloë, tornando-a “the toast of town”, estrelando vídeos do Sonic Youth, desfilando para Marc Jacobs, posando para campanhas da Prada e Miu Miu, frequentando os eventos mais badalados, e abrindo as portas de sua carreira de modelo e atriz, fazendo um sucesso estrondoso e até concorrendo ao Oscar, pouco tempo depois, por “Boys don’t cry”.

kids4

Sevigny faz o papel de Jennnie, que descobre estar com HIV, sendo que ela só havia transado com Telly. Aliás, estas meninas acabavam tendo também que fazer abortos, sem as mães saberem, já que faziam sexo inseguro.

O filme não tem um enredo fixo, já que Clark filma aleatoriamente, a história é o dia a adia destes jovens.

Mas ‘Kids’, ao mesmo tempo em que mostra o lado masculino, também mostra o diálogo das meninas e elas falam dos meninos com o mesmo deboche e indiferença dos homens, tipo como objetos sexuais também, então fica elas por elas.

kids8

Clark era conhecido pelos livros “Tulsa”, lançado em 1971 e que causou muita polêmica na época já que mostrava, sem censura, garotos usando heroína, se prostituindo, enfim, era um retrato nu e cru da juventude da época.

Ele também lançou “Teenage Lust”, em 1983, com o tema do sexo entre os jovens.

Ou seja, Clark estava em casa, assim ele começou a andar com esta turma de skatistas que ele retrata no filme, é quase como um documentário e acabou sendo seu primeiro de uma série de filmes como “Ken Park’, ‘Bully” e outros, tendo como tema central a contracultura jovem.

kids800_2953_642x1284x0

Clark adquirira a confiança dos skatistas e eles o permitiram de filmar suas vidas sem cortes, mostrando sua realidade para o mundo inteiro.

Clark fez muitas fotos, deu muitas festas para a turma e foi sem misturando a eles. Ele os filmou durante um ano, e acabou utilizando tudo o que acontece como durante um longo dia. Outra sacada foi ter escolhido um jovem skatista, Korine, para escrever o roteiro.

kids larry

O filme foi um sucesso, lotando cinemas, gerando a curiosidade do público que ficou atraída, e ao mesmo tempo chocada, de verem aqueles adolescentes transarem como gente grande e aprontarem de tudo um pouco.

Outra atriz que fez sua estreia no filme foi Rosario Dawson, que depois se tornaria uma atriz de sucesso, estrelando filmes como ‘Sin City’, “Death Proof”, entre outros.

kids_rosario_dawson-hwood-reporter

A trilha também é bem legal, com seleção de Lou Barlow (baixista do Dinosaur Jr., Sebadoh, entre outros), incluindo Daniel Johnston, A Tribe called Quest, Beastie Boys, Folk Implosion (outro projeto paralelo de Barlow, mais John Davis, que também colaborou na trilha) e mais.

Outro que se deu bem com o filme foi Eli Morgan Gesner, que fez o lettering do filme, e um dos fundadores da conhecida marca de skatewear, Zoo York.

Larry Clark com Rosario Dawson e Chloë Sevigny

Larry Clark com Rosario Dawson e Chloë Sevigny

Era a época de marcas como esta mais a Supreme, que se beneficiaram mutuamente com o sucesso de “Kids”.

O filme utilizou vários rostos até então desconhecidos em Hollywood, fazendo uso de atores não-profissionais para dar mais realismo e credibilidade ás cenas.

Uma das cenas mais bacanas do filme é a da piscina, onde todos ficam de underwear e se divertem tomando banho, bebendo, se drogando e paquerando.

kids pool

Hoje em dia, atores como Fitzpatrick (que faz participações esporádicas em filmes e séries como ‘The Wire” e “Sons of Anarchy”) falam que o filme era quase 100% real, com exceção do sexo, que não era tão intenso e constante quanto o filme retrata (e que Clark o fez para provocar mais).

Além de Justin, outro importante membro do elenco também já não está mais conosco: Harold Hunter, que no filme faz a famosa cena da piscina, onde fica nu e balançando seu membro, se exibindo para as garotas (onde escutamos apenas o som que ele faz ao realizar tal ação). Hunter era um conhecido skatista da cena e sua morte em 2006 foi causada por uma parada cardíaca (talvez causado por overdose de cocaína), aos 26 anos.

harold

 

Outra cena interessante é a de Chloë tomando ecstasy no club e esta foi filmada na noite NASA no Shelter, que era a noite hype da época, com os club kids dominando a cena e aprontando de tudo lá dentro, era o hedonismo dos anos 90 vindo com tudo.

kids - chloe

Inclusive, esta noite era idealizada por Scotto, o promoter e DJ que trouxe a primeira rave ao Brasil, a LM, na qual tocaram Moby e Altern 8, isto em 1993 (quase na mesma época em que o filme estava sendo concebido).

Talvez a cena que mais tenha chocado na época foi a dos garotos, cujas idades variavam entre 12-13 anos, e onde fumam pencas de maconha e falam de sexo como adultos.

kids controv.

O filme estreou com muito buzz nos festivais de Sundance e em Cannes, abrindo as portas do mercado internacional para o filme, além do boca a boca, que era o que funcionava na época.

kids 20th3

Lembro que os atores foram capas de revistas como Newsweek e The Face e dominaram a mídia da época.

kids the face

Além disso, no quesito fashion, o filme mostra bem a moda dos jovens dos 90’s: muita roupa larga, calças folgadas, skatewear de marcas como a X-Girl (cuja dona é Kim ‘Sonic Youth’ Gordon), camisetas e tops justos para as mulheres, muitos bonés para os homens.

‘Kids” foi distribuído pela Miramax, a então poderosa distribuidora dos irmãos Weinstein e eles sofreram várias represálias da parte conservadora da sociedade que só veio a reafirmar a importância do filme na cultura pop.

Skates com cenas do filme lançados pela Supreme

Skates com cenas do filme lançados pela Supreme

Este aniversário dos 20 anos de ‘Kids’ foi comemorado em grande estilo em NY, reunindo grande parte do elenco, com direito a sessão especial no Brooklyn Academy of Art, bem como uma coleção ‘cápsula’ da Supreme dedicada ao filme.

Korine, Chloë, Rosario e outros com Larry Clark na exibição dos 20 anos de 'Kids'

Korine, Chloë, Rosario e outros com Larry Clark na exibição dos 20 anos de ‘Kids’

‘Kids’ é um filme fundamental para entender os anos 90, num momento em que valores eram questionados e o resultado do filme só veio a beneficiar a cultura em relação a retratar os jovens no cinema de maneira mais realista.

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: THE REFLECTING SKIN POR ARTHUR MENDES ROCHA

Os posts novos falarão de algumas obras da cultura pop que este ano estão completando aniversários e ainda são bastante importantes dentro deste contexto.

Hoje começo por um filme que, infelizmente, poucas pessoas viram, e que este ano completa 25 anos: ‘The Reflecting Skin”.

reflecting poster

O filme foi lançado em 1990, sob a direção de Philip Ridley, sendo que esta foi a sua estreia cinematográfica, e que estreia!

A película levou três prêmios no Festival de Locarno, além dos prêmios de melhor atriz e fotografia (para Dick Pope) no Festival de Sitges.

“The Reflecting Skin’ (lançado aqui com o título “O Reflexo do mal”) é uma obra-prima gótica, ou melhor “prairie gothic”, pois é justamente um filme gótico rodado na pradaria, nos campos, naqueles trigais visto em filmes como “Days of Heaven”.

reflecting_skin

Eu vi o filme pela primeira vez em Londres, no ano de sua estreia, e o filme foi bastante falado e badalado na época (não sei como foi a recepção aqui no Brasil), merecendo extensas matérias que o dissecavam e o elogiavam muito.

 O filme tem um elenco sensacional: Viggo Mortensen (o Aragorn da trilogia ‘O Senhor dos Anéis” num de seus primeiros papéis de destaque), Lindsay Duncan (a ótima atriz inglesa mais conhecida por sua participação na série ‘Roma” e em filmes como ‘Birdman”), mas a grande sensação do filme é, sem dúvida, o menino Jeremy Cooper (que fez poucos filmes depois deste).

The-Reflecting-Skin

A história gira em torno de Seth Dove (Cooper), um garoto bastante esperto e inquieto, que vive aprontando com seus amigos num vilarejo rural nos anos 50.

Uma das diversões de Seth é estourar sapos, entre outras travessuras.

Os pais dele são Ruth e Luke; ela é uma mulher durona e abusiva e o pai é uma figura estranha, perseguido por algo que fez no passado.

reflecting

 

Eles moram num posto de gasolina e ficamos sabendo que seu irmão Cameron (Mortensen) está servindo no exército, estando numa praia do Pacífico.

A vizinha deles é a viúva Dolphin Blue (Anderson) que é bastante solitária e perdeu o marido cedo.

Lindsay Duncan

Luke lê um livro de vampiros e explica para Seth como são estas criaturas e pela descrição, ele acaba achando que a vizinha é uma vampira.

Um belo dia, uma das crianças, amigo se Seth, aparece morta boiando no tanque do posto e a polícia e os vizinhos passam a desconfiar que o pai de Seth seja o culpado.

reflecting2

Aos poucos é revelado que o pai havia tido uma experiência homossexual com um menor de idade no passado e este fantasma o persegue até os dias de hoje.

Seth fica vivendo toda esta função; crianças morrendo, o pai com um passado nebuloso, a vizinha que ele acha ser uma vampira, até que o irmão mais velho retorna.

Cameron é carinhoso com Seth, mas acaba se envolvendo com a vizinha e isto acende a raiva do menino, que quer impedir de todo jeito que o irmão se envolva com uma ‘vampira”.

reflecting skin woman

Estes relacionamentos, desconfianças, o despertar da infância, tudo isto é filmado de maneira sensível e minuciosa por Ridley, com lindos planos e uma fotografia de arrepiar.

‘The Reflecting Skin’ foi filmado em locações em Alberta, Canadá (apesar da história se passar em Idaho) e o diretor explorou ao máximo as pradarias, os lindos trigais, as casas de madeira simples com decoração inusitada (mais um ponto para a direção de arte).

Ah, sem esquecer do feto que Seth encontra em um galpão abandonado e fica pensando em se tratar do anjo do menino que fora assassinado e com ele tem longos desabafos.

Reflecting_Skin_09

Este ano, no festival Fantasia 2015 (Festival de cinema fantástico realizado no Canadá), houve uma sessão especial dos 25 anos do filme com uma nova cópia, totalmente remasterizada, altamente recuperada e tendo as cores, a textura que o diretor sempre desejou que seu filme tivesse.

Além da linda trilha sonora composta por Nick Bicât (também compositor da trilha de “Wetherby” com Vanessa Redgrave), que é outro primor. Abaixo o tema de abertura do filme:

Várias edições que saíram nos anos anteriores, sejam em VHS, Laserdisc ou DVD, nunca fizeram jus à magnitude deste filme, e agora, finalmente, depois de 25 anos, ele volta a nos maravilhar.

Ridley se cercou dos melhores técnicos e revisou, frame a frame, todo o filme, dando-lhe um novo visual 2K (restauração digital de 2048 x 1080 pixels) algo que só poderia ser alcançado com a tecnologia que temos hoje disponível.

reflectSkin_15

Esperemos que esta restauração incrível chegue até nós e que o filme seja apreciado e redescoberto em toda sua glória.

De todo jeito, se não for nas telonas, o filme deve ser lançado em Blu-Ray, onde toda esta restauração pode ser melhor percebida pelo espectador.

   Comentário RSS Pinterest