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setembro – 2016 – Japa Girl












































































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Archive for setembro, 2016

TODAY’S SOUND: MONICA VITTI POR ARTHUR MENDES ROCHA

A diva italiana de hoje é Monica Vitti, dona de uma beleza especial e que ficou famosa por ser a musa (e esposa) de Antonioni, tendo  atuado em diversos filmes em que fez papéis de mulher moderna e liberada.

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Vitti encarnava uma mulher mais cool, um mito do feminismo, já que muitas vezes seus papéis batiam de frente com o protagonista masculino.

Ela  deixou sua marca para sempre como a atriz dos filmes da trilogia da incomunicabilidade de Antonioni; ela é dona de uma beleza especial, diferente dos padrões do cinema italiano, das mulheres peitudas, mas que muitas vezes não sabia decorar suas falas.

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No cinema, ela começou dublando várias destas atrizes, até que teve sua chance na frente das câmeras com uma participação não creditada no filme ‘Ridere Ridere Ridere”, de 1954.

Loira, sardenta, pele bem branca, olhar distante e impenetrável, voz de timbre rouco, Vitti virou um mito do cinema italiano, dona de um estilo único, admirado por todos que amam a sétima arte.

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Ela iniciou sua carreira no teatro, formada pela Academia Nacional de Artes Dramáticas de Roma e excursionando pela Europa com algumas peças.

Em 1957, enquanto dublava uma das atrizes de ‘O Grito”, ela conhece Michelangelo Antonioni, que era o diretor do filme, através de um de seus professores de teatro, Tofano.

Vitti e Antonioni, a dupla que sacudiu o cinema nos anos 60.

Vitti e Antonioni, a dupla que sacudiu o cinema nos anos 60.

No mesmo ano, ela ingressa no Teatro Nuovo di Milano, a companhia teatral dirigida Antonioni e ele a escreve uma peça: ‘Scandali Segreti”.

Vitti sempre quis apenas se dedicar ao teatro, o cinema apareceu meio que por acaso em sua vida, tendo seu primeiro papel importante no filme ‘Le dritte”, de 1958. Ela se considerava feia para o cinema, muito magra, nariguda, vestindo sempre preto.

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Certa vez Antonioni disse que ela tinha uma nuca linda, no que ela respondeu: “isto significa que você só me filmará de costas?”.

Antonioni ajeitando o cabelo de Vitti sob os olhares de Lea Massari.

Antonioni ajeitando o cabelo de Vitti sob os olhares de Lea Massari.

Ela engata um relacionamento sério com Antonioni, e o primeiro fruto desta incrível colaboração é justamente “L’Avventura”, um dos filmes mais perfeitos de todos os tempos, cada frame é altamente estudado, cada locação, cada close de Monica Vitti, no ápice de sua juventude e beleza.

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O filme foi lançado em 1960 e a crítica se apaixonou por esta dupla, Vitti se torna a musa existencialista, uma estrela reconhecida no mundo inteiro.

Ela ainda ajudou a conseguir o financiamento para o filme, bem como ajudar na escolha das locações.

Vitti numa cena de "L'Avventura".

Vitti numa cena de “L’Avventura”.

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Logo em seguida, Antonioni a dirige novamente, desta vez em ‘La Notte’ (A Noite), o segundo filme da sua trilogia, no qual ela tem um papel importante, mas os protagonistas são Jeanne Moreau e Marcello Mastroianni. De qualquer jeito, Vitti está lá, desta vez morena e o filme é mais um clássico absoluto sobre o relacionamento de um casal em crise.

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O filme vence o Urso de Ouro no Festival de Berlim e é um sucesso internacional.

Em 1962, é lançada a terceira parte da trilogia, ‘L’Eclisse’ (O Eclipse), desta vez reunindo La Vitti com Alain Delon, num dos casais mais lindos  a surgir nas telas, numa história que levou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes daquele ano.

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Nos três filmes da trilogia, Vitti domina a tela cada vez que surge, vemos ali uma nova maneira de retratar a mulher no cinema e a direção de Antonioni é precisa.

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Vittie Delon numa cena de “L’Eclisse”.

O dois fazem ainda mais um filme antes de se separarem: “Deserto Rosso’ (Deserto Vermelho), de 1964, outra pedrada de Antonioni na sociedade de consumo, num filme cheio de simbologias e com locações industriais, no belo contraponto que o diretor faz da dramaturgia com os espaços cênicos.

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O filme é altamente estudado em termos de cores (é o primeiro filme colorido de Antonioni), Vitti está castanha escura e contracena com o ator inglês Richard Harris. A partir daí, o casal Antonioi e Vitti resolve se separar.

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Vitti em foto de divulgação de “Deserto Rosso”.

Depois deste filme, Vitti se dedica à sua carreira internacional, participando da superprodução “Modesty Blaise”, baseada numa história em quadrinhos de sucesso, cuja heroína do título ela interpretou ao lado de atores como Terence Stamp e Dirk Bogarde.

Vitti em foto publicitária de 'Modesty Blaise".

Vitti em foto publicitária de ‘Modesty Blaise”.

Vitti com Bogarde numa cena de "Modesty Blaise".

Vitti com Bogarde numa cena de “Modesty Blaise”.

Apesar de toda a publicidade e badalação em torno do filme, este acaba sendo um fracasso de público e crítica, mas o filme tem lá seus méritos, é uma divertida produção, foi dirigida pelo mestre Joseph Losey e Vitti faz uma espécie de James Bond de saias.

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Vitti com Stamp divulgando o filme.

Vitti com Stamp divulgando o filme.

Vitti passa para as comédias, retratando mulheres que brigam pelo o que é seu e enfrentam o poder masculino, como no filme “La ragazza con la pistola” (A garota da pistola), de Mario Monicelli, em 1968. Ela só veste roupas pretas no filme, está de cabelos castanhos e vai para Londres atrás de vingança.

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O filme é um sucesso popular e Vitti vence o seu primeiro David Di Donatello (o Oscar italiano), sendo que, ao mesmo tempo, o filme critica o papel típico da mulher do sul da Itália, já que no filme ela se vinga do machão siciliano.

Vitti encarava um novo feminismo onde questionava o papel da mulher na sociedade do final dos 60 e início dos 70, se tornando um símbolo desta nova feminilidade italiana.

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Abaixo, vídeo com clipes de vários filmes dela:

O mundo da moda também se rende aos seus encantos, ela estampa capas de revistas como da Vogue Paris, o estilo dela é admirado por estilistas e fashion insiders.

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Em 1970, ela é dirigida por Ettore Scola (de ‘Feios, Sujos e Malvados”) na comédia de sucesso, “The Pizza Triangle”, contracenando com duas feras: Marcello Mastroianni e Giancarlo Giannini (de ‘Mimi, o metalúrgico”). Pelo filme, ela vence o Globo de Ouro italiano.

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Durante os anos 70, ela segue fazendo comédias como ‘Polvere di Stelle”, sob a direção do comediante Alberto Sordi e pelo qual ela ganha outro prêmio David Di Donatello como melhor atriz de 1973.

No ano seguinte, ela trabalha com um dos grandes mestres do cinema, Luis Buñuel, no filme ‘The Phanton of Liberty” (O Fantasma da Liberdade).

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Em 1975, mais uma comédia que faz sucesso no mundo inteiro, inclusive aqui no Brasil: “Duck in Orange sauce” (Pato com Laranja), ao lado de Ugo Tognazzi.

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No restante da década, ela segue fazendo comédias e filmes menores, até que em 1981, ela volta a se unir a Antonioni para rodar o filme “The Mistery of Oberwald” (O Mistério de Oberwald). O filme é bem recebido pela crítica, mas não tem o mesmo alcance dos filmes da trilogia que fez com ele nos anos 60.

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Vitti continuará fazendo alguns filmes durante os anos 80, até que resolve dirigir seu próprio filme em 1989, “Scandalo Segreto” (Secret scandal), porém o filme não obtém sucesso e ela se retira de vez do cinema.

La Vitti está viva, porém reclusa; seu sumiço é atribuído ao mal de Alzheimer, que contribuiu ainda mais para seu afastamento.

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Teremos sempre na memória suas incríveis participações nas obras-primas de Antonioni, numa das colaborações mais frutíferas que o cinema italiano e mundial nos proporcionou, bem como sua nova concepção de heroína de comédias italianas entre 1960/70.

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TODAY’S SOUND: SILVANA MANGANO POR ARTHUR MENDES ROCHA

Nos próximos posts falaremos de algumas das deusas do cinema italiano, optando por aquelas menos badaladas e que deixaram para sempre sua marca nas telas.

Começamos por Silvana Mangano, uma das maiores atrizes do cinema italiano, além de linda, talentosa, uma presença marcante no cinema, tendo trabalhado com diretores como Pasolini, Visconti, De Sica e até David Lynch.

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Mangano veio de uma família pobre, que passou fome durante a guerra, mas sempre mostrou interesse pelas artes, aprendendo a dançar desde pequena.

Dona de uma beleza física impressionante, Mangano foi notada pelo estilista Georges Armnov, que a convidou para ser modelo e desfilar na França e onde ela fará sua primeira ponta no cinema.

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De volta à Itália, ela participa do concurso de Miss Roma e ganha, mas perde o Miss Italia para Lucia Bosé, porém conhece amigas como Gina Lollobrigida (que a acompanharão por toda a vida). Mas foi assim que ela começou a ser mais notada pelos diretores que procuravam mulheres bonitas para figuração, fazendo sua estreia no cinema italiano em 1948.

Foi num curso de interpretação que ela conhece Marcello Mastroiani e os dois namoram, sendo que através dele , ela conheça ainda mais profissionais do cinema.

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Um deles foi Giuseppe di Santis, que a testou para um papel no filme “Arroz Amargo” (Riso Amaro), porém ela estava muito maquiada e ele não a havia escolhido. Poucos dias depois, ele a encontra nas ruas de Roma, molhada de chuva e quase sem maquiagem e a convida para fazer um novo teste.

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Assim, ela acaba sendo escolhida para “Arroz Amargo”, filme neo-realista, de 1949,  onde ela fazia o papel de uma mulher que trabalhava nos arrozais. Sua imagem de meias pretas, shorts curtos que revelavam suas coxas causaram furor nos cinemas e ela virou um sex-symbol do cinema italiano do pós guerra, conquistando o mundo, isso com apenas dezoito anos de idade.

A cena de 'Arroz Amargo" que fez Mangano despontar no cinema.

A cena de ‘Arroz Amargo” que fez Mangano despontar no cinema.

Foi no set de filmagens que ela conhece o seu marido Dino De Laurentiiis, produtor que vinha se destacando no cinema e com o qual terá quatro filhos (Veronica, Rafaella, Francesca e Federico).

Mangano com o marido Dino De Laurentiis e os filhos.

Mangano com o marido Dino De Laurentiis e os filhos.

Porém, seu marido não a queria em papéis sexy, guiando sua carreira para papéis mais cerebrais, que exploravam mais seu talento como atriz e não apenas a sua beleza.

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Outro sucesso seu foi o filme “Anna’, de Alberto Lattuada, lançado em 1951, e no qual ela dubla a música “El Negro Zumbon” (a canção foi interpretada por Flo Sandon), que virou hit na época.

Em seguida ela faz “L’oro di Napoli” de Vittorio de Sica, o aclamado diretor de “Ladrão de Bicicletas”.

Mangano em cena de "L'oro di Napoli".

Mangano em cena de “L’oro di Napoli”.

Sua beleza foi descrita por Pasolini (que fez três filmes com ela) como sendo uma beleza amarga, que não fazia disto o seu ponto principal; ela era uma personalidade misteriosa, frágil, de emoção vulnerável. Que não se deixava levar pela fama e sim por um trabalho complexo de uma atriz dramática e profunda.

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O próprio Pasolini a utilizou (numa participação não creditada) no filme “Decameron” como a Madonna, de tão linda e especial que era La Mangano.

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Outro filme que ela se destacou foi “Ulysses”, de 1954, com ir Douglas e onde ela faz dois papéis: o de Penelope e Circe.

Mangano em cena de "Ulysses".

Mangano em cena de “Ulysses”.

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No mesmo ano, ela tem outro sucesso comercial com “Mambo”, dirigido por Robert Rossen (oscarizado por “All the King’s men”), onde mais uma vez ela mostra seus dotes de dançarina e toda a sensualidade de uma mulher dividida entre dois homens (Vittorio Gassman e Michael Rennie).

Seus filmes seguintes também chamam a atenção: “La Grande Guerra” (produzido pelo marido em 1959 e estrelando novamente Gassman e Alberto Sordi) e “Five Branded Woman” (produção internacional com Jeanne Moreau, Vera Miles, entre outras), onde ela teve que raspar o cabelo (e continuou belíssima).

Mangano (1a á direita) numa cena de "Five Branded women"

Mangano (1a á direita) numa cena de “Five Branded women”

Mangano se destaca cada vez mais no showbiz, fazendo capas de várias revistas internacionais  como a da Life.

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Nos anos seguintes, ela estrela novas produções de Dino Di Laurentiis até que estrela “Il processo di Verona”, de 1963, pelo qual vence seu primeiro David di Donatello, o Oscar italiano.

Quanto mais avança a década de 60, mais Silvana Mangano vai sendo mais admirada, ficando cada vez mais bonita, trocando de penteados, figurinos e arrasando cada vez mais.

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Um de seus parceiros (e muito amigo na vida real) era Alberto Sordi.

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Em 1967, ela estrela seu primeiro filme com Pasolini, “Édipo Rei’, no papel de Jocasta e no mesmo ano também com ele um dos episódios do filme “The Witches” (As Bruxas), filme em cinco episódios dirigido por diferentes diretores e todos tendo ela como estrela principal e onde ela vence seu segundo David di Donatello.

Mangano numa cena de "The Witches".

Mangano numa cena de “The Witches”.

Cena de outro episódio de "The Witches".

Cena de outro episódio de “The Witches”.

No ano seguinte, mais um filme com Pasolini, o cultuado “Teorema”, no qual ela faz o papel da mãe, onde todos se envolvem com o forasteiro (interpretado por Terence Stamp) que seduz toda a família.

Pasolini dirige La Mangano em 'Teorema".

Pasolini dirige La Mangano em ‘Teorema”.

Mangano numa cena de "Teorema' e que acabou virando o poster do filme.

Mangano numa cena de “Teorema’ e que acabou virando o poster do filme.

Em 1971, ela faz seu primeiro filme com outra lenda do cinema italiano: Luchino Visconti, o aristocrata diretor de filmes belíssimos e que a convida para ser a mãe de Tadzio, a paixão do personagem de Dirk Bogarde em ‘Death in Venice” (Morte em Veneza), onde ela desfila toda sua elegância sempre com lindos chapéus e véus.

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Visconti (no meio) dirige Mangano em “Morte em Veneza”.

Mangano em foto promocional de "Morte em Veneza".

Mangano em foto promocional de “Morte em Veneza”.

Outra cena de "Morte em Veneza".

Outra cena de “Morte em Veneza”.

Nos anos 70, a família de Mangano se muda para os EUA, onde Di Laurentiis fazia cada vez mais filmes com o capital americano e precisava estar por lá para guiar seus negócios.

Porém, Mangano começa a ter crises de depressão e também sofrer de insônia.

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Em 1973, ela faz um pequeno, mas marcante papel no filme “Ludwig” de Visconti, no qual interpreta Cosima Von Bülow.

Mangano numa cena de 'Ludwig".

Mangano numa cena de ‘Ludwig”.

Em 1974, ela estrela outro filme de Viconti: “Gruppo di famiglia in um interno” (Violência e Paixão), filme que ganhou status de cult com o passar dos anos, e onde ela veste Fendi o filme inteiro, especialmente os casacões de pele pelas quais a marca ficou conhecida.

Mangano chiquérrima de Fendi em "Violência e Paixão".

Mangano chiquérrima de Fendi em “Violência e Paixão”.

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Ela em outra cena de “Violência e Paixão”.

E falando em Fendi, recentemente La Mangano andou inspirando a coleção de acessórios da marca.

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Com a idade se aproximando, os papéis vão ficando menores para Mangano, até que em 1981 ela vai passar por um dos grandes golpes de sua vida: ela perde o filho Federico num acidente aéreo.

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Ela nunca se refaz deste golpe e em 1983, ela se separa de seu marido De Laurentiis (o divórico ocorre em 1988).

Afastada do cinema, ela retornará em 1984 num papel no filme “Duna”, uma superprodução que acaba fracassando nas bilheterias, mesmo tendo na direção o visionário David Lynch.

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Mangano em “Duna” de Lynch.

Ela acaba fazendo o filme em razão de que sua filha Raphaela ser uma das produtoras.

Mangando volta ainda uma vez pra as telas no belo filme ‘Olhos Negros” onde contracena ao lado de seu antigo amor, Mastroianni.

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Ela descobre ser portadora de um câncer no estômago e vem a falecer em 1989, com apenas 59 anos de idade.

O cinema italiano e mundial perdia uma de suas atrizes mais instigantes, uma mulher de beleza rara, de presença estupenda nas telas e vale rever seus filmes e descobrir as nuances de suas interpretações; atrizes como ela fazem falta pela sua aura de refinamento e autenticidade que poucas vezes foram igualados.

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">TODAY’S SOUND: THE FACE POR ARTHUR MENDES ROCHA

Iniciando nossos posts sobre revistas famosas que marcaram época, hoje falamos sobre a bíblia da cultura pop dos anos 80/90, a revista inglesa The Face.

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Antes da internet e das mídias sociais, existiu uma revista que era uma espécie de guia para minha geração, que foi jovem nos anos 80 e buscava o que estava acontecendo de mais moderno no mundo pop.

O logo criado por Brody para a The Face em 1987.

O logo criado por Brody para a The Face em 1987.

Música, cinema, moda, comportamento, cultura club, games, design, arte, quadrinhos, as novas drogas que surgiam: The Face cobria todos estes assuntos e muito mais, quem saía na capa da revista era o que de mais bacana estava acontecendo naquele momento.

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Lembro em correr para a banca de importados e procurar pelo meu exemplar, tendo sido ávido leitor da revista durante os períodos  do final dos anos 80, toda a década de 90 e início dos anos 00.

A revista iniciou suas atividades em 1980, em Londres, graças ao talento de Nick Logan, o editor do NME (New Musical Express) na década de 70, além de publicações como Arena (a ótima revista de moda masculina), Arena Homme Plus (também de moda masculina, porém com dois exemplares por ano), Smash Hits (de música pop), Frank, Deluxe, entre outras.

Primeiro exemplar da The Face com Jerry Dammers (do The Specials) na capa.

Primeiro exemplar da The Face com Jerry Dammers (do The Specials) na capa.

Logan percebia a falta de revistas que cubrissem a cultura jovem de maneira inteligente e que fizesse a conexão perfeita entre música e moda.

Logo que surgiu, a The Face tinha o design gráfico realizado por Neville Brody, o icônico designer inglês que arrasava na tipografia e no visual que a revista teve no período de 1981 a 1986, logo no começo de sua existência.

A famosa capa "Electro" com design de Neville Brody, de 1984.

A famosa capa “Electro” com design de Neville Brody, de 1984.

Brody é que deu a cara para a The Face se sobressair em relação à concorrência, com suas páginas altamente elaboradas que prendiam a atenção de quem folheava a revista. Seus designs eram arrojados, era uma linguagem moderna e inovadora.

Tipo de fonte usada por Nevile Brody para a The Face e o logo que criou para a revista.

Tipo de fonte usada por Nevile Brody para a The Face e o logo que criou para a revista.

Com seu toque, Brody modificou a comunicação visual da época, elaborando capas de discos (de grupos como Cabaret Voltaire), posters, além de contribuir com outras revistas como Per Lui, Lei, Arena (onde foi o diretor de arte de 1987 a 1990), entre outras.

Até a página descrevendo o conteúdo de cada exemplar, era um cuidadoso trabalho de Brody.

Até a página descrevendo o conteúdo de cada exemplar, era um cuidadoso trabalho de Brody.

Matéria da The Face sobre Morrissey com design de Brody.

Matéria da The Face sobre Morrissey com design de Brody.

Mas os primeiros logos não foram criados por Brody e sim por Steve Bush, que trabalhava com Logan na Smash Hits. Mas é dele o logo em duas cores (vermelho e branco) e que durante muito tempo identificou a revista.

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Matéria da revista nos anos 80 sobre o Kraftwerk.

Outra dos momentos de sorte de Logan foi que quando ele lançou a The Face, as revistas NME e Melody Maker estavam em greve e isto ajudou a vender os primeiros exemplares da nova revista.

Outra capa marcante da The Face, com o tema 'Hell's angels", falando sobre moda masculina (quando era um assunto pouco falado na Inglaterra).

Outra capa marcante da The Face, com o tema ‘Hell’s angels”, falando sobre moda masculina (quando era um assunto pouco falado na Inglaterra).

A revista adorava a cultura jovem, os movimentos que surgiam na Inglaterra, que eram definidos por sua influência na moda e na música, como o punk, pós punk, góticos, buffalo, hip hop; enfim, tudo que surgia, a revista estava sempre de olho e antenada para tudo.

Assim foi com os new romantics por exemplo, com a revista dando capa e várias matérias quando o movimento apenas começava.

A club culture sempre foi dos assuntos preferidos da The Face, como mostraesta capa de 1983.

A club culture sempre foi dos assuntos preferidos da The Face, como mostraesta capa de 1983.

Foi na The Face que foram publicados as primeiras fotos do chamada “Buffalo Look”, o estilo criado pelo stylist Ray Petri (que trabalhou na revista como editor de moda free-lancer) e que dominou o mundo pop de meados dos anos 80, com artistas como Neneh Cherry, Nick e Barry Kamen, Soul II Soul, entre outros.

o teen model Felix (que até fez clipe com Madonna) na icônica capa "Killer" fotografada por Jamie Morgan, com styling de Ray Petri, no auge do Buffalo style.

O teen model Felix (que até fez clipe com Madonna) na icônica capa “Killer” fotografada por Jamie Morgan, com styling de Ray Petri, no auge do Buffalo style.

E justamente isso, a The Face fazia com maestria: capturar o que a juventude fazia, quais eram seus gostos, quais seus comportamentos, a música que gostavam de ouvir e a roupa que gostavam de vestir.

Imaginem uma época em que não havia a internet para se informar, dependíamos apenas das revistas nacionais e das importadas, que “salvavam” nossas vidas e as três principais eram a The Face, I-D (que surgiu nove meses depois da Face e existe até hoje) e The Blitz (que também não existe mais).

Outro número icônico, dseta vez falando de Jean Paul Goude e o visual que ele criou para Grace Jones.

Outro número icônico, desta vez falando de Jean Paul Goude e o visual que ele criou para Grace Jones.

E não pensem que era fácil de achar, ela chegava em pequenas quantidades no Brasil, somente em bancas especializadas, era cara e muitas vezes tinha que reservar para não ficar sem seu exemplar.

Durante os anos 80 e 90, a The Face dominou este mercado, claro que existia a concorrência, mas a revista tinha algo especial, os textos, as fotos, tudo era altamente bem elaborado e exclusivo.

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Capas da The Face (no sentido horário): Tim Simenon (do Bomb the Bass), Neneh Cherry, Jazzie B. (do Soul II Soul) e Jean Paul Gaultier.

Os fotógrafos adoravam a qualidade do papel e a produção da The Face, por isto colaboravam direto com a revista, tendo aberto caminhos para nomes como Nick Knight, Jamie Morgan, e outros.

Para se ter uma ideia: no início dos anos 90, a The Face foi a primeira revista a publicar um editorial da fotógrafa Corinne Day (que era colaboradora da revista e faleceu em 2010) com a então iniciante modelo Kate Moss, num editorial de oito páginas que virou icônico.

A primeira capa da vida de Kate Moss foi para a The Face, em 1990, clicada por Corinne Day.

A primeira capa da vida de Kate Moss foi para a The Face, em 1990, clicada por Corinne Day.

Day acabou criando um estética (junto com fotógrafos como David Sims) denominada de heroin chic, que acabou tomando conta da moda e gerando muita polêmica.

A revista entrou nos anos 90 a mil, trabalhando com fotógrafos como Mario Sorrenti, David LaChapelle, Ines van Lamsweerde and Vinoodh Matadin, Jean-Baptiste Mondino, Juergen Teller, Stéphane Sednaoui, Craig McDean, Steven Klein, Mario Testino, Terry Richardson e muitos outros.

Capa com Madonna de 1990, fotografada por Jean-Baptiste Mondino.

Capa dos dez anos da The Face com Madonna, fotografada por Jean-Baptiste Mondino, em 1990.

Os editorias da revista eram sensacionais, sempre lançando tendências e com imagens bem marcantes, que não costumávamos ver nem nas revistas de moda, pois a Face era sempre mais underground, mais a frente das outras.

Além de ter contado com jornalistas como Julie Burchill, Tony Parsons, Jon Savage, Dylan Jones, Fiona Russell Powell, James Truman, Gavin Hills (falecido em 1997), entre outros.

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Depois da saída de Brody, outros criativos diretores de arte assumiram o visual da revista, que sempre manteve sua modernidade e vanguarda, incluindo Lee Swillinghan (que foi o diretor de arte entre 1993-1999), Craig Tilford (de 1999 a 2002) e Graham Rounthwaite (2002-2003).

A icônica capa com Kurt Cobain, do Nirvana, de vestido.

A icônica capa com Kurt Cobain, do Nirvana, de vestido.

Em suas capas, a revista já colocou um verdadeiro who’s who que incluiu Madonna, Kate Moss, Björk, Prince, David Bowie, Leonardo di Caprio, Uma Thurman, Oasis, Beastie Boys, Isabella Rossellini, New Order, Alexander McQueen, Boy George, Kurt Cobain, Annie Lennox, River Phoenix, Siouxsie & the Banshees, Grace Jones, Ewan McGregor, David Beckham, Beyoncé, e muitos outros.

Alexander McQueen ilustrava a capa de uma The Face clicado por Nick Knight.

Alexander McQueen ilustrava a capa de uma The Face de 1998, clicado por seu amigo e colaborador Nick Knight.

A revista sofreu um duro golpe em 1992, quando Jason Donovan (então famoso cantor pop) processou a revista por insinuar que ele era gay e acabou vencendo e recebeu uma indenização polpuda.

Assuntos polêmicos como as drogas mereciam capas e extensas matérias escritas por quem entendia do assunto.

Assuntos polêmicos como as drogas mereciam capas e extensas matérias escritas por quem entendia do assunto.

Este exemplar do ano 2000 sobre sexo, vinha numa capa de plástico cor de rosa.

Este exemplar do ano 2000 sobre sexo, vinha numa capa de plástico cor de rosa.

Em 1999, a revista foi vendida para o conglomerado editorial EMAP.

Outra modelo brasileira que fez uma foto especial, de página central, para a revista foi Shirley Mallmann, nesta imagem abaixo vestindo McQueen e clicada por Nick Knight, em 1998.

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Num de seus últimos números comemorativos (do 20º aniversário), La Chapelle fez esta marcante imagem de Gisele Bündchen enrolada no logo da revista.

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Porém, durante os anos 00, com a internet começando a bombar, as vendas da revista começaram a decair e a EMAP resolveu fechá-la em 2004, para o desgosto de seus fãs.

Capa de 2001 cujo tema era Party Hard, falando dos clubbers que exageravam nas festas.

Capa de 2001 cujo tema era Party Hard, sobre os clubbers que andavam exagerando nas festas. A foto é de Terry Richardson.

Nesta capa de 2000, uma brincadeira com o logo da revista, que virou preto e branco.

Nesta capa de 2000, uma brincadeira com o logo da revista, que virou preto e branco.

No ano que vem, deve ser publicado o livro “Legacy: the story of The Face”, do jornalista Paul Gorman (que também deve lançar uma biografia sobre Malcom McLaren), que vai nos contar toda a história da publicação, bem como destacar seus melhores momentos- capas, editoriais – enfim, será uma maneira de recuperar um pouco da magnitude que a revista teve em sua época de existência.

 

 

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Ready, set, go with the super talented @maxwebertotalbeauty !!!

Ready, set, go with the super talented  @maxwebertotalbeauty !!!

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TODAY’S SOUND: GWEN GUTHRIE POR ARTHUR MENDES ROCHA

E finalizando nossos posts sobre divas pós-disco, hoje falamos de Gwen Guthrie, que também partiu cedo, além de ser compositora, ela fez muita gente dançar com suas músicas cheias de groove, produzida por feras como Sly & Robbie e remixadas pelo mestre Larry Levan,  ao ponto de ser considerada a primeira dama do Paradise Garage.

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Guthrie deu a sorte de ter um pai músico, que começou a lhe ensinar piano quando ela tinha apenas oito anos de idade, além dela estudar música clássica na escola.

No ginásio, ela ingressou num grupo vocal chamado The Ebonettes e depois no The Matchmakers, bem como no East Coast (grupo do qual fazia parte Larry Blackmon, do Cameo, na bateria).

Depois de formada, ela ainda dava aulas na escola elementar para ajudar a pagar as contas.

Sua grande oportunidade ocorreu por acaso: certa vez, uma das backing de Aretha Franklin não pode comparecer na gravação do hit “I’m in love” e ela a substituiu ao lado de Cissy Houston (a mãe de Whitney). Guthrie também cantava em  jingles comerciais ao lado de outro grande talento, Valerie Simpson (do maravilhoso duo Ashford & Simpson).

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Ela também compunha divinamente, tendo como parceiro seu namorado, Patrick Grant, e juntos eles escreveram músicas para Gary Glitter, Sister Sledge, Ben E. King e Roberta Flack, entre outros.

Porém a parceria não durou muito e ela trilhou outros caminhos, continuando a compor com outros parceiros, além de participar de várias sessões como backing vocal de diversos artistas como Peter Tosh.

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Certa vez numa gravação com Tosh, ela conhece os produtores Sly & Robbie, que a convidam para ir a Jamaica participar como backing na gravação de um disco deles. Ela aceita o convite e lá ela conhece o lendário Chris Blackwell (dono da gravadora Island) que se apaixona por sua voz e a convida para gravar seu primeiro álbum solo produzida por Sly & Robbie, que utilizam os vocais dela misturados a muito dub, lançado em 1982.

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Uma das músicas do álbum era ‘Peek-a-Boo” e ela começa a ser notada por DJs como Larry Levan por sua pegada dance-dub:

Outra faixa do disco que vira um hit nos clubs era “It should have been you”, que de quebra, ganha um remix do mestre Levan:

No mesmo ano de 1982, ela ainda contribui com seus vocais para o primeiro álbum de uma cantora iniciante, que atendia pelo nome de Madonna.

A partir daí, ela vira uma das divas mais presentes no Paradise Garage, onde se apresentou diversas vezes e sempre ovacionada pelo público. Levan vira um de seus maiores incentivadores e faz vários remixes para ela.

Guthrie cantando no Paradise Garage.

Guthrie cantando no Paradise Garage.

Entre estes remixes está seu próximo single, “Padlock”, a música com a qual estourou, especialmente pelo incentivo de Levan, sendo uma das mais executadas no ano de 1983 no Garage:

 ‘Padlock” havia sido gravada nas Bahamas, juntamente com o Compass Point All Stars, os músicos de estúdio mais requisitados e agregados por Blackwell para atender os artistas que desejavam aquele determinado som que só eles conseguiam entregar.

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Seu próximo álbum é “Portrait”, lançado em 1983, que, além de “Padlock”, incluía pelo menos mais três hits das pistas, como “Hopscotch” (aqui numa numa apresentação no programa inglês “Switch’):

Mas foi com o toque “mágico” de Levan, aliado aos reggae dubs providos por Sly & Robbie que a coisa realmente fluiu. Assim, as três músicas de Gwen Guthrie tiveram uma nova roupagem e foram lançadas no mini-álbum/EP “Padlock” (lançado pelo selo Garage Records):

‘Peanut Buttler” (cuja introdução foi bastante sampleada):

“Seventh Heaven” (com seu instrumental arrasador):

‘Hopscotch” (na versão de mais de oito minutos por Levan):

Guthrie era uma rainha no underground, mas faltava suas músicas atingirem um público maior. Isso só veio a acontecer com a faixa “Ain’t  nothin’ goin’ on but the rent”, incluída no álbum “Good to go lover”, lançado em 1986:

A música foi escrita pela própria Guthrie e gerou controvérsia por ser considerada materialista, mas, segundo ela, a intenção era que seu parceiro fosse responsável e mantivesse um equilíbrio financeiro.

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Além disso, a canção foi bastante sampleada pelo hip-hop (Foxy Brown) e pela house (Utah Saints).

Outro hit menor do álbum foi “(They long to be) Close to you”, sua versão para a canção de Burt Bacharach e Hal David, numa versão mais R&B/dance/funk. Abaixo ela mostra a canção no programa inglês The Tube:

Apesar do sucesso comercial, faltava aquele toque especial de Sly & Robbie e de Levan, que a fizeram uma cantora moderna, a frente de seu tempo, com músicas que vieram a influenciar a house music que veio a seguir.

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Guthrie lançou mais dois álbuns, “Lifeline” (de 1988, incluindo participação de Sly & Robbie) e “Hot Times” (de 1990), ambos com várias de suas composições.

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“Lifeline” incluía o single “Can’t love you tonight”, uma das primeiras canções a abordarem a Aids, que na época era um tema tabu. Guthrie possuía muitos amigos gays e vítimas da epidemia, assim ela decidiu que o lucro das vendagens do single fosse doadas para pesquisas à doença.

Nos anos seguintes, Guthrie abandonou um pouco a música e teve problemas de saúde, ao descobri ser portadora de um câncer no útero.

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Ela veio a falecer em 1999, aos 48 anos de idade.

Sua perda foi bastante sentida na comunidade R&B/dance/soul e seus vocais poucas vezes foram igualados; sua voz, seu ritmo, suas composições a tornam uma cantora inesquecível.

 

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Viva a Primavera!!!

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