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outubro – 2016 – Japa Girl












































































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Jean Andre Rixens - 1874How sundays should be ‚ú®‚̧ԳŹ‚ú®About the happiest Easter ever!
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TODAY’S SOUND: BORN TO BE BLUE POR ARTHUR MENDES ROCHA

O filme musical de hoje √© baseado na vida de uma das figuras mais interessantes surgidas no mundo do jazz dos anos 50/60, Chet Baker, que √© tema da produ√ß√£o ‚ÄúBorn to be blue‚ÄĚ.

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A película é estrelada por Ethan Hawke no papel de Chet Baker, que tem uma excelente atuação, e pode lhe render (merecidamente) uma indicação ao Oscar de melhor ator para 2017.

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‚ÄėBorn to be blue‚ÄĚ √© o nome de uma famosa can√ß√£o de Baker, ela se refere a uma pessoa que j√° nasceu para ser sofrida, em constantes mudan√ßas de humor e √© bem isto que o artista era: uma pessoa problem√°tica, com dificuldades de se relacionar e viciado em hero√≠na, mas com um talento excepcional. Abaixo a m√ļsica interpretada por Chet Baker:

Baker foi um artista de jazz genial, mas sempre envolvido em problemas com drogas, j√° que o v√≠cio acabou lhe prejudicando muito, al√©m de fisicamente, tamb√©m profissionalmente, pois acabava n√£o cumprindo suas obriga√ß√Ķes contratuais e acabou sendo afastado das gravadoras pelas quais lan√ßava seus discos ou cancelando apresenta√ß√Ķes.

Foto de Chet Baker tocando seu trompete.

Foto de Chet Baker tocando seu trompete.

A dire√ß√£o do filme √© de Robert Budreau, produtor e diretor canadense que possui um extenso curr√≠culo, especialmente como diretor e produtor de curtas para a TV. O diretor conseguiu captar com habilidade esta personalidade dif√≠cil de Baker, uma pessoa em constante luta contra seus dem√īnios, como vemos no trailer abaixo:

E Hawke est√° √≥timo no papel de um Baker mais castigado pela vida, onde sua beleza j√° est√° mais deteriorada pelo constante abuso das drogas, ‚ÄúBorn to be blue‚ÄĚ se desenrola nos anos 60, quando Baker estava saindo da pris√£o, havia se afastado de sua carreira por causa de seu v√≠cio, de ter se envolvido com traficantes que o amea√ßavam enquanto n√£o acertasse suas d√≠vidas e havia sido afastado dos est√ļdios de grava√ß√£o por n√£o aguentarem seu comportamento.

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Um destes est√ļdios era o da gravadora Pacific Jazz, uma das precursoras do estilo West Coast Jazz, do qual Baker era um dos principais representantes. Um dos mais destacados personagens do filme √© justamente Richard (Dick) Bock, o propriet√°rio da Pacific e produtor de importantes discos de jazz, vivido pelo ator Callum Keith Rennie (‚ÄėCalifornication‚ÄĚ, ‚ÄėThe Man in the high castle‚ÄĚ).

Callum Keith Rennie om Carmen Enojo numa cena do filme.

Callum Keith Rennie om Carmen Ejogo numa cena do filme.

Em v√°rias situa√ß√Ķes, Baker pede a ajuda de Dick, seja para voltar a gravar, ou quando precisa de dinheiro emprestado, mas o produtor sempre parece n√£o confiar em Baker, pois a qualquer momento, este poderia ter uma reca√≠da e voltar √†s drogas. Um dos bons momentos do filme √© quando Baker se apresenta nos est√ļdios da Pacific, como um grande retorno do artista mostrando ao pessoal ligado ao jazz que ele ainda podia arrasar se lhe dessem uma nova chance. born-to-be-blue

Baker tamb√©m √© convidado a estrelar um filme baseado em sua vida e contracena com uma atriz que vive sua antiga paix√£o (no filme), ela √© vivida pela atriz Carmen Ejogo (‚ÄėSelma: ¬†uma luta pela igualdade‚ÄĚ, ‚ÄúAnimais Fant√°sticos e onde habitam‚ÄĚ), que faz os pap√©is de Jane (no filme dentro do filme) e Elaine.

Carmen Ejogo numa cena do filme.

Carmen Enojo numa cena do filme.

Elaine e Baker acabam tendo uma atra√ß√£o m√ļtua um pelo outro e resolvem namorar e morar juntos. Ela √© um personagem fict√≠cio, mas atrav√©s dela podemos ver a dificuldade de se relacionar com uma pessoa como Baker.

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Elaine n√£o sabia da confus√£o que estava se metendo, pois lidar com os ataques de ci√ļmes de Baker, das oscila√ß√Ķes de humor e temperamento, da sua tentativa de se afastar das drogas e a eterna atra√ß√£o que estas sempre representam na vida do jazzista.

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Ethan Hawke e Carmen Ejogo numa cena do filme.

Baker foi dos grandes jazzistas que j√° habitaram este planeta, seu jeito √ļnico de cantar (que influenciou diretamente cantores como Jo√£o Gilberto), seu talento em tocar trompete, ele era um dos poucos artistas a cantar e tocar um instrumento com maestria.

O verdadeiro Chet Baker numa foto no auge de sua juventude e beleza.

O verdadeiro Chet Baker numa foto no auge de sua juventude e beleza.

Muitos standards de jazz ficaram famosos em sua voz, como ‚ÄėMy Funny Valentine‚ÄĚ, que tamb√©m √© interpretada no filme por Hawke e que virou uma de suas marcas registradas. Abaixo a interpreta√ß√£o no filme e a original de Chet Baker:

Outro detalhe interessante do filme é mostrar alguns dos artistas de jazz da época, como seu rival Miles Davis (vivido pelo ator Kedar Brown) e Dizzy Gillespie (Kevin Hanchard), especialmente na cena onde Baker retorna ao Birdland (o jazz spot onde ele fez sua estreia justamente com os dois) para uma nova apresentação e tem de enfrentar o julgamento de seus colegas de profissão.

Cena do filme onde Baker (Hawke) encontra com Miles Davis (Kedar Brown).

Cena do filme onde Baker (Hawke) encontra com Miles Davis (Kedar Brown).

Abaixo a cena em que ele volta ao Birdland e interpreta ‚ÄėI‚Äôve never been in love before‚ÄĚ (tamb√©m cantada por Ethan Hawke no filme):

E a vers√£o original por Chet Baker:

Em uma cena do filme, ele vai visitar seus pais no interior dos EUA e percebemos a dificuldade de relacionamento dele com o pai (papel do ator Stephen McHattie), j√° que Baker conseguiu ser um artista de sucesso e seu pai (que tocava guitarra) nunca se destacou como artista de express√£o.

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Mas foi seu pai que o estimulou o gosto pela m√ļsica, por pior que fosse seu relacionamento.

Um dos episódios que só pioraram sua vida foi uma surra que levou em São Francisco (que é mostrada no filme) e que quebrou alguns de seus dentes, prejudicando sua performance, tudo isto relacionado à dívidas contraídas causadas pela heroína.

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Outra presença constante no filme é seu agente de condicional, pois para continuar solto, ele deveria mostrar que estava trabalhando honestamente e tomando sua metadona (para ajudar na falta da heroína). Tendo sido considerado o James Dean do jazz ou o príncipe do cool, Baker começava sua descida ao inferno, até vir a falecer em 1988, ao cair do seu quarto de hotel em Amsterdam (mas isto o filme já não nos mostra).

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Etha Hawke se destaca no filme, tocando e cantando como se fosse Chet Baker.

O filme √© correto no seu retrato de Baker, n√£o faz grandes inova√ß√Ķes na narrativa, mas √© um filme agrad√°vel de assistir, pois o tema √© muito interessante e Baker √© uma personalidade cheia de nuances e que merece ter cada vez mais filmes e relatos sobre sua carreira. Al√©m disso, a trilha est√° muito bem feita, onde os trompetes de Baker s√£o feitos por Kevin Turcotte e a dire√ß√£o dos n√ļmeros musicais ficou por conta de David Braid (pianista e compositor canadense que j√° se apresentou mundo a fora), mas nada melhor que ouvir as verdadeiras grava√ß√Ķes do jazzista para admirar todo seu talento.

Elenco e equipe do filme no Festival de Toronto.

Elenco e equipe do filme no Festival de Toronto.

‚ÄúBorn to be blue‚ÄĚ ainda n√£o tem data de estreia no Brasil, mas j√° pode ser visto em torrent ou em plataformas de streaming.

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Today’s Sound: Pete Burns por Arthur Mendes Rocha.

Pete Burns ficou conhecido como o vocalista do Dead or Alive, suas monta√ß√Ķes e agora tamb√©m suas in√ļmeras cirurgias que acabaram por transform√°-lo em outra pessoa.

Pete nasceu em 1959, de pai inglês e mãe alemã e esta sentiu desde cedo que seu filho era especial chamando-o de Star Baby.

No in√≠cio de sua vida adulta, ele j√° mostrava interesse pela m√ļsica, trabalhando em lojas de discos como a Probe Records em Liverpool, que virou ponto de encontro dos m√ļsicos da √©poca.

Além de chamar muita atenção pelo seu visual com cabelo mega comprido com dreads, muita maquiagem, unhas postiças, tapa-olhos, além de um figurino bem andrógino. Ele afirmava inclusive que Boy George copiou seu estilo.

Em 1977, ele se dá conta que poderia cantar durante ensaios com o grupo Mistery Girls, que na verdade só tocou uma vez, abrindo um show do Sham 69.

Em 1979, ele forma o Nightmares on Wax (n√£o confundir com o grupo de m√ļsica eletr√īnica), grupo p√≥s punk g√≥tico que chegou a lan√ßar alguns singles como ‚ÄúBlack Leather‚ÄĚ:

Depois de muitas trocas entre os membros da banda, em 1980, antes de uma sess√£o para o programa de John Peel, ele troca o nome da banda para Dead or Alive.

O primeiro single da banda foi em 1982, com ‚ÄúThe Stranger‚ÄĚ, que atingiu o s√©timo lugar na parada de independentes e os fez assinar com a gravadora Epic. Um detalhe interessante √© que nesta √©poca fazia parte da banda Wayne Hussey (que foi para o Sisters of Mercy e depois formou o The Mission).

Em 1984 eles lan√ßam o √°lbum ‚ÄúSophisticate Boom Boom‚ÄĚ que continha a m√ļsica ‚ÄúThat‚Äôs the way (I like it)‚ÄĚ cover de K.C. & the Sunshine Band e seu primeiro top 40 hit na Inglaterra:

Foi com seu segundo √°lbum ‚ÄúYouthquake‚ÄĚ, produzido por Stock, Aitken e Waterman (que depois produziriam Kylie Minogue, Jason Donovan, Rick Astley, entre outros) que eles alcan√ßaram o sucesso, especialmente devido ao hit ‚ÄúYou spin me round (like a Record), primeiro lugar nas paradas inglesas e em v√°rios lugares do mundo:

Seu √°lbum seguinte ‚ÄúMad, Bad, Dangerous to know‚ÄĚ n√£o teve o mesmo desempenho do anterior, j√° que n√£o tinha um single forte, assim a m√ļsica ‚ÄúBrand New Lover‚ÄĚ s√≥ atingiu o 15¬ļ lugar na parada da Billboard:

O √°lbum ‚ÄėNude‚ÄĚ s√≥ teve sucesso em mercados como o Jap√£o e Brasil, onde ‚ÄúCome home with me baby‚ÄĚ chegou ao primeiro lugar na parada internacional:

Nos anos 90, a carreira do grupo ficou meio estagnada, alguns √°lbuns e singles de pouco sucesso. Os maiores hits continuavam sendo as colet√Ęneas de sucessos e remixes de m√ļsicas antigas.

Pete Burns participou em 2006 do Celebrity Big Brother, reality show de sucesso na TV inglesa, onde ele voltou aos notici√°rios por suas declara√ß√Ķes e por suas cirurgias, que acabaram modificando bastante seu aspecto, j√° que muitas delas n√£o foram bem sucedidas.

Mesmo assim, ele continua na ativa, fazendo participa√ß√Ķes em programas na TV inglesa, al√©m de shows (sem o Dead or Alive) como o Hit Factory, que acontecer√° em Londres em julho deste ano em homenagem ao produtor Peter Waterman.

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TODAY’S SOUND: THE STORY OF SKINHEAD DE DON LETTS POR ARTHUR MENDES ROCHA

O doc musical de hoje acaba de ser lan√ßado na TV inglesa e nos conta um pouco da hist√≥ria do movimento skinhead e se chama ‚ÄėThe Story of Skinhead‚ÄĚ, tendo sido dirigido por Don Letts.

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Letts √© uma figura lend√°ria da cultura inglesa, pois al√©m de DJ, √© diretor de videoclipes e document√°rios como ‚ÄėThe Punk Rock Movie‚ÄĚ, ‚ÄėThe Clash: Westway to the world‚ÄĚ, entre outros.

Além disso, ele foi dos primeiros DJs a misturar punk com reggae nas suas discotecagens no club Roxy, além de realizar vídeos para o The Clash e até participar da banda Big Audio Dynamite ao lado de Mick Jones (guitarrista do The Clash).

Don Letts (segundo da esq. p a dir.) com o Big Audio Dynamite.

Don Letts (segundo da esq. p a dir.) com o Big Audio Dynamite.

Letts se debruçou na cultura skinhead, considerada dos primeiros movimentos multiculturais, já que reunia os mais diferentes grupos e classes sociais.

O detalhe mais importante do documentário é que ele nos conta as origens do movimento e pasmem: os skinheads não eram violentos, eles curtiam reggae e respeitavam as demais etnias. Com o tempo, esta essência skinhead foi perdendo várias de suas características e ficando cada vez mais associada à violência e ao racismo.

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Mas eles não começaram assim; os skinheads se originaram da junção das culturas da classe trabalhadora inglesa (cockney) e a cultura jamaicana, eles se destacavam pela sua maneira de vestir e pelos cabelos raspados (daí o nome skinhead, ou seja, sem cabelo).

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No doc, isto é muito discutido, já que como pode os skins gostarem de reggae jamaicano e serem racistas? Isto é muita contradição, concordam?

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Mas vamos ao doc: Letts vai nos contando como a primeira leva de imigrantes jamaicanos que desembarcaram em Londres nos anos 60 v√£o deixando sua m√ļsica influenciar toda uma gera√ß√£o.

Foto de um skinhead por Gavin Watson.

Foto de um skinhead por Gavin Watson.

Nesta época existiam os teddy boys, os  rocers, os mods; os skins eram uma outra subcultura, eles usavam cabelo curto, raspado, botas, jeans claros, jaquetas. O jeito de vestir os diferenciavam muito e Letts nos leva a uma loja em Richmond, pertencente a John Simmons.

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Simmons era o propriet√°rio da loja Ivy Shop, onde os skins compravam suas roupas, especialmente a Harrington jacket (nome inspirado pelo personagem de Ryan O‚Äôneal na novela americana ‚ÄėPeyton Place‚ÄĚ), tamb√©m conhecida como Baracuta, uma jaqueta utilizada por jogadores de golfe.

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Além disso, o reagge era o ritmo escolhido, feito por artistas como Desmond Dekker do selo Trojan.

Ah, é importante notar que as garotas skinhead também eram bem estilosas, usando polos (geralmente da marca Fred Perry), com franja bem curta e um pouco mais compridos na parte de trás.

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Al√©m disso, o uniforme skinhead inclu√≠a suspens√≥rio com Doc Martens (os famosos coturnos ingleses), de prefer√™ncia na cor vermelha/bord√ī.

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1969 é um ano marcante para os skinheads, pois é o perído em que começam a ser notados pela mídia, especialmente no meio dos frequentadores dos jogos de futebol que enfrentavam a polícia, já que era onde eles podiam extravasar sua testosterona gritando, brigando e fugindo dos policiais.

Police chase skinhead during rioting in Wood Green, July 1981.

Nesta √©poca, √© lan√ßado o livro ‚ÄúSkinheads‚ÄĚ de Richard Allen, que falava mais a fundo do que era ser um skinhead na √©poca.

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Uma das m√ļsicas que os embalavam era o hit do The Equals, ‚ÄúBlack Skinned Blue-eyed boy‚ÄĚ, que justamente prega uma harmonia racial de brancos e negros na pele de um negro de olhos azuis:

No doc h√° depoimentos de figuras importantes no movimento skinhead, tais como Pauline Black (a vocalista do grupo de ska, The Selecter), Roddy Moreno (da banda skinhead The Opressed), Garry Bushell (o ex-manager do Cockney Rejects e que cunhou o termo Oi!), Gavin Watson (fot√≥grafo do livro ‚ÄúSkins and Punks‚ÄĚ), Symond Lawes (ator, autor e idealizador do festival The Great Skinhead Reunion), entre outros.

Pauline Black, a vocalista do The Selecter est√° no document√°rio.

Pauline Black, a vocalista do The Selecter est√° no document√°rio.

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Symond Lawes, o poster boy dos skins, na capa do Skinhead Times.

Outro entrevistado é Joseph Pearce, ex-integrante do partido National Front, com os quais os skinheads foram associados politicamente, o que foi considerado um erro para o movimento, já que era um partido que pregava ideias retrógradas como ser um partido de supremacia branca.

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Outro estilo que os skinheads curtiam era o Two Tone, o ska de bandas como The Specials, cujo hit ‚ÄėA message to you Rudy‚ÄĚ eles muito dan√ßaram:

Com a chegada do movimento punk na Inglaterra, os skinheads tiveram um revival em meados dos anos 70 e passaram a ser associados com os punks, pois se identificavam com estes, e passam a frequentar os clubs onde tocavam as bandas de punk rock, especialmente as bandas do chamado estilo Oi!

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O estilo Oi! era um subgênero de punk que unia punks, skinheads; era punk rock para a classe trabalhadora, já se encaminhava para um hardcore, mas também misturava punk rock com bandas inglesas dos anos 60, tinha influência de hinos de futebol e mais.

Uma destas bandas de Oi! era o Sham 69, liderada pelo vocalista Jimmy Pursey (que d√° depoimento no doc) e que decretou o final de suas apresenta√ß√Ķes ao vivo na √©poca em raz√£o de um show em Finsbury Park, em 1979, no qual a apresenta√ß√£o foi invadida por skinheads que apoiavam o National Front.

A banda Angelic Upstarts tamb√©m atra√≠a os skinheads com suas letras antifascistas e de cunho socialista e s√£o considerados pioneiros do estilo Oi! com m√ļsicas como ‚ÄėThe murder of Liddle towers‚ÄĚ:

Com os skinheads indo para uma vertente de rock mais pesado das bandas Oi!, isto também acarreta uma atitude mais violenta, mais furiosa e nervosa, eles passam a usar mais tatuagens por exemplo, inclusive no rosto.

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Seu visual vai ficando mais perigoso, mais enfrentativo, com mais elementos militares, até se voltarem para conflitos raciais, enfrentando os negros e as comunidades de asiáticos que viviam em Londres.

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No início dos anos 90, bandas como o Skewdriver tem uma postura nitidamente nazista e fascista, altamente racista.

A m√≠dia tamb√©m contribui para tornar os skinheads figuras temidas e perigosas, sempre envolvidos em brigas e confus√Ķes, tonando-se uma fac√ß√£o temida em pa√≠ses da Europa Oriental.

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Mas o que o doc nos ensina é que esta visão que a mídia criou do skinhead é uma visão distorcida da realidade; o skinhead original é um cara pacífico, que gosta de curtir o seu reggae e espera-se que esta visão seja novamente recuperada e que possamos reconhecer o real valor desta subcultura que contribuiu muito para o multiculturalismo que vivemos nos dias de hoje.

Cenas do document√°rio da BBC4.

Cenas do document√°rio da BBC4.

Corram para ver, pois a BBC4 disponibilizou o doc no youtube, mas costumam retirar do ar em alguns dias:

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TODAY’S SOUND: BOY GEORGE’s 1970s: SAVE ME FROM SUBURBIA POR ARTHUR MENDES ROCHA

Nos pr√≥ximos posts, falaremos de document√°rios e filmes cujo tema principal √© a m√ļsica, sejam biografias de artistas, document√°rios sobre bandas, suas influ√™ncias e mais.

Iniciamos hoje pelo recente document√°rio apresentado pela BBC 2 inglesa sobre Boy George e suas influ√™ncias nos anos 70, intitulado ‚ÄėBoy George‚Äôs 1970s: Save me from Suburbia‚ÄĚ.

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O doc √© simplesmente uma del√≠cia de ver, com Boy George nos conduzindo pela Londres que ele viveu em sua adolesc√™ncia, desde sua vida nos sub√ļrbios at√© come√ßar a se antenar para o que estava acontecendo na metr√≥pole na d√©cada de 70.

Ele começa se rasgando de elogios para David Bowie, o artista da época que mais o influenciou, pelo qual ele queria largar tudo e segui-lo onde quer que fosse.

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Boy George nos mostra discos de Bowie que escutava na sua vitrola, o apartamento onde morou, as influ√™ncias das m√ļsicas que o irm√£o mais velho escutava.

Outra coisa legal é que sua mãe participa do doc e ela nos fala como era ele adolescente, quando estava descobrindo sua sexualidade e Bowie era influência no seu jeito de agir e se vestir; não era mais um crime gostar de outros meninos, sua opção sexual era sua, uma escolha na qual ninguém deveria se intrometer.

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Ele cita a ic√īnica apresenta√ß√£o de Bowie no Top of the Pops interpretando ‚ÄúStarman‚ÄĚ, em 1972, um marco em George e seus amigos, bem como toda uma gera√ß√£o de artistas ingleses.

Bem como a vez que foi até o bairro onde Bowie morava com Angie e a casa que pertencera ao casal.

Al√©m disso, Londres vivia uma √©poca de caos econ√īmico, com muito desemprego e atitudes racistas, repressoras e homof√≥bicas.

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Era o momento certo para que o movimento punk nascesse e trouxesse uma atitude diferente para os jovens, de questionamento, de crítica a esta sociedade hipócrita.

Boy George era um destes jovens, ele começa a frequentar a noite, ele nos relata que um de seus amigos que abriram as portas desta modernidade para ele foi Philip Sallon, que aparece no documentário e nos fala dos primeiros lugares que ele levou o jovem George O’Dowd (nome real de Boy) como o Mud Club,  Bangs, Louise’s, Bromley Contigent e outros clubs e noites da época.

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O jovem Boy George ao lado de Philip Sallon.

Mas o que mais chamava a atenção de Boy George era a maneira como Sallon se vestia, sempre com modelitos arrasadores (Sallon trabalhou no departamento de figurinos da Royal Opera House, bem como na BBC) e sem medo de enfrentar a sociedade com sua moda extravagante e cheia de personalidade.

Boy George (primeiro da dir. p a esq.) com Sallon e uma amiga.

Boy George (primeiro da dir. p a esq.) com Sallon e uma amiga.

Sallon trabalhou como host no Mud Club, al√©m de realizar bailes que ficaram na hist√≥ria da Heaven, os chamados ‚ÄėHeaven Ball‚ÄĚ. Era figura badalada e conhecia todo o underground londrino; para ter uma ideia, ¬†Malcom McLaren pedia sua opini√£o in√ļmeras vezes se por exemplo ele gostava do garoto Johnny Rotten como vocalista do Sex Pistols.

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Sallon foi das grandes influ√™ncias de Boy George, especialmente no quesito de assumir a postura gay e usar a moda a seu favor; ele n√£o tinha medo de ousar, de abusar da extravag√Ęncia, mas sempre com originalidade, ele estava sempre na vanguarda e o que vestia acabava se tornando moda algum tempo depois.

George nos fala de quando ouviu pela primeira vez a can√ß√£o ‚ÄėWalk on the wild side‚ÄĚ e todas as implica√ß√Ķes que a letra fazia √†s pessoas da noite, aos travestis (nas figuras das Warhol superstars Holly Woodlawn e Candy Darling), a ruptura que Reed propunha, um hino de aceita√ß√£o a um lado mais rebelde de ser.

Outro momento legal do doc é quando ele nos leva na loja Sex de Vivienne Westwood e Malcom McLaren, ou na verdade, o que se transformou o local onde a loja era localizada na King’s Road e todas as lembranças de como ele desejava se vestir com as roupas de lá (mas não podia pagar).

Vivienne Westwood (prim. da dir p a esq.) com atendentes e frequentadores de sua loja Sex.

Vivienne Westwood (prim. da dir p a esq.) com atendentes e frequentadores de sua loja Sex.

E falando em MacLaren, ele relembra quando foi convidado pelo empres√°rio a participar do grupo Bow Wow Wow e quando ele cantou junto com a banda sem nunca ter pisado num palco antes. Anos depois, ele chegaria ao segundo lugar da parada brit√Ęnica com ‚ÄėDo you really want to hurt me‚ÄĚ(chocando a todos com seu visual andr√≥gino):

Boy George vai passeando por lugares que foram marcantes em sua vida, como o famoso Blitz, o club onde o host era Steve Strange e que se tornou o lugar mais disputado da noite londrina no final dos anos 70.

George fala de como a cena New Romantic foi virando mais e mais importante em sua vida, quando esta suplantou o punk para ele; pois quando o punk ficou mais mainstream, os new romantics foram além na produção e ainda mais ultrajante visualmente.

Strange e George competiam por quem atraía mais atenção, já que George ainda era um jovem ingênuo e Strange já era bem mais descolado e conhecido, mas as coisas mudaram bem quando George virou uma sensação mundial.

Boy George (à esq.) com Steve Strange no Blitz Club.

Boy George (à esq.) com Steve Strange no Blitz Club.

Um que também aparece no doc é Rusty Egan, que era o DJ do Blitz e nos conta que tocava Bowie, Reed, Velvet Underground, Roxy Music, Kraftwerk e como todos ficavam enlouquecidos na pista.

Inclusive, ele nos guia por onde costumava ser o Blitz, mostrando espaços que ficaram na história da noite londrina.

Rusty Egan (primeiro da dir. p a esq.) com Midge Ure (no centro) e Steve Strange numa noitada no Blitz.

Rusty Egan (primeiro da dir. p a esq.) com Midge Ure (no centro) e Steve Strange numa noitada no Blitz.

Outra participa√ß√£o √© a de Martin Degville (o vocalista do Sigue Sigue Sputnik), amigo de Boy George de longa data, os dois inclusive moraram juntos e eles nos contam como foram estes momentos: a prepara√ß√£o deles para sair, a escolha do figurino, o som que escutavam como o reggae (que foi grande influ√™ncia no Culture Club) e outras m√ļsicas da √©poca.

Boy George (no centro) com Degville (à esq.) e um amigo.

Boy George (no centro) com Degville (à esq.) e um amigo.

Além de dividirem o mesmo teto, eles também trabalhavam juntos já que George vendia as roupas de Degville nas feiras locais.

George (segundo da esq. p a dir.) com Degville (centro) e mais dois amigos.

George (segundo da esq. p a dir.) com Degville (centro) e mais dois amigos.

Degville e Boy George inclusive participaram do programa ‚ÄúSomething Else‚Äô, cujo trecho √© mostrado no doc e foi a primeira entrevista de George para a TV brit√Ęnica, onde ele enfrenta alguns punks que tamb√©m participavam, isto em 1979, como podemos ver abaixo:

Outras apari√ß√Ķes no doc s√£o de Princess Julia, a influente DJ e figura da noite e moda londrina, al√©m de Andy Polaris (do grupo Animal Nightlife), entre outros.

Mas um dos momentos ápices é quando ele encontra seu antigo amigo, Marilyn, que bombou nos anos 80 como cantor, mas mais como uma figura que causava furor por seu visual andrógino e toda montação. Na verdade, Marilyn ficou mais famoso pelos looks que por sua vocação artística, já que nunca atingiu a fama de pop star de Boy George.

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Boy George (de gueixa) com Marilyn na porta do squat que dividiram no final dos anos 70.

√Č interessante vermos os dois conversando e trocando ideias de como era viver naquela √©poca, eles nos mostram o squat (apartamento abandonado que era invadido) que dividiram e que hoje j√° √© um pr√©dio completamente diferente.

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Os dois já foram grudados, já brigaram, viraram inimigos, mas hoje voltaram a ser amigos, afinal eles tem uma história de vida juntos e ambos viveram os altos e baixos da fama. Abaixo os dois numa recente entrevista no programa Breakfast da BBC em função do lançamento do single de Marilyn, produzido por George:

George e Marilyn já questionavam a questão da gênero nos anos 70, muito ates deste assunto entrar em voga, como hoje em dia; eles já se vestiam de mulher, já discutiam os limites do masculino e feminino naquela época, foram perseguidos e não entendidos em função de suas escolhas.

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Marilyn (à esq.) com Boy George em foto recente.

Vale a pena conferir o doc, uma pena que ele estava disponível no youtube (foi lá que o assisti), mas agora a BBC retirou-o do ar, mas existe o torrent para ser baixado.

Como o pr√≥prio Boy George define: ‚ÄėEu penso nos anos 70 como esta gloriosa d√©cada onde eu descobri quem eu era e descobri todas estas coisas incr√≠veis ‚Äď punk rock, electro, m√ļsica, moda, tudo isso. E claro que havia o lado negro dos anos 70, o lixo, as greves, a pobreza e eu fui perseguido e confrontado pelo meu jeito de vestir. Mas eu era um adolescente, n√£o tinha saco de ficar me lamentando; eu s√≥ estava vivendo um momento incr√≠vel com meus amigos‚Äô.

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