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outubro – 2016 – Japa Girl



























































                
       
















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Archive for outubro, 2016

Come on blood suckers!!!

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TODAY’S SOUND: THE PEOPLE’S HISTORY OF POP POR ARTHUR MENDES ROCHA

A BBC 4 está apresentando uma série muito interessante  para os amantes da música pop intitulada “The People’s history of Pop”.

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A série de programas, com duração de uma hora cada, foi dividida por décadas e com diferentes apresentadores para cada segmento.

O mais legal de tudo é a ideia de contar a história da música pop na Inglaterra através de seus fãs, daqueles que viveram momentos especiais em suas vidas em função da adoração ou admiração a determinado ídolo. Assim, temos os mais diferentes tipos de pessoas, de profissões e origens diversas que possuem uma coisa em comum: o amor por um ídolo pop.

Assim, através das lembranças destas pessoas, da memorabilia que eles guardaram, sejam ingressos de shows, posters, coleções de discos, diários e mais, ficamos conhecendo a história da música pop na Inglaterra.

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A BBC dispõe de imagens absurdas, a cada programa que produzem parece que vemos novas imagens que julgávamos que nem existiam, sendo assim eles sempre nos surpreendem.

O primeiro episódio se chama ‘The birth of the fan: 1955-1965” e nos mostra o início da música pop na Inglaterra, no período do surgimento do rock nas terras inglesas, tudo isto contado por um ícone da época: a modelo e atriz Twiggy, um ícone inglês dos anos 60.

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Assim, Twiggy nos guia por este mundo, quando o rock ainda era um ritmo pouco conhecido, quando a música pop inglesa era careta e sem graça, uma música mais para os pais do que para os filhos, que não se identificavam com aquele som.

Um dos primeiros ídolos ingleses do rock foi Lonnie Donegan, que trouxe para o pop uma levada mais rock n’ roll, que fazia os jovens dançarem a uma música que era mais a cara deles, com hits como “Rock Island Line”:

Outro gênero que começa a ficar popular no fim da década de 50 era o “skiffle”, que nada mais era do que uma música folk com influências de jazz e blues e onde os instrumentos eram improvisados em caixas de madeira, cabos de vassoura, tábuas e até garrafas.

Um detalhe interessante é que a primeira banda de John Lennon foi um grupo de skiffle denominado The Quarrymen.

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No doc, um senhor nos mostra fotos dele com Lennon e com Paul McCartney e inclusive ele assistiu a primeira apresentação dos dois juntos, um momento único no mundo pop.

Ficamos conhecendo um funcionário da gravadora EMI que adquiriu esta gravação e tem esta relíquia guardada a sete chaves, pois seu valor é inestimável.

Outro que começou num grupo de skiffle foi Jimmy Page, muito antes de ele vir a se tornar o célebre guitarrista do Led Zeppelin.

Com a chegada do rock americano em terras inglesas, com artistas como Bill Halley, surgem ídolos de rock como Billy Fury, um produto tipicamente inglês, uma espécie de Elvis inglês, que também estrelava em filmes que enlouqueciam as adolescentes inglesas em produções como “Play it cool”.

É claro que Liverpool teve importância fundamental neste início do rock, pois lá se localizava o porto em que chegavam navios de todo mundo e traziam os compactos de rock produzidos na América.

Estes discos inspiravam os adolescentes de lá a montarem suas bandas e frequentassem clubs onde o rock dominava como no Cavern Club, o lugar onde nasceram os Beatles.

Interior do Cavern Club.

Interior do Cavern Club.

Inclusive vemos imagens da época gravadas dentro do Cavern e fãs que viram os show s que os Beatles fizeram por lá.

O programa de TV da juventude dos anos 60 era o Ready Steady Go, onde os grupos como The Shadows ou o The Hollies se apresentavam e levavam os jovens à loucura.

O doc entrevista a coreógrafa do programa, Theresa Kerr , que era a responsável por selecionar os jovens que iriam dançar e que deveriam ser modernos e descolados, sendo que ela fazia pesquisas nos melhores clubs ingleses como o Scene Club.

Uma destas adolescentes foi a própria Twiggy, que adorava o programa.

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O  doc também vai nos mostrando as tribos que iam surgindo como os teddy boys, vestidos em seus ternos,com cabelos com topetes e muita brilhantina e sapatos creeper.

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E também os mods, com suas lambretas, seus parkas, seus cabelos curtos e frequentando clubs como o The Flamingo, no Soho inglês.

Outra tribo interessante surgida em meados de 60 eram os fãs de bluebeat, totalmente influenciados pela cultura negra e tendo artistas como John Lee Hooker:

O ska também surge nesta época, através de artistas jamaicanos, como Millie Small, autora do hit ‘My boy lollipop”:

O episódio seguinte é ‘The Love Affair: 1966-1976”, apresentado por Danny Baker, escritor, jornalista e apresentador britânico que nos guia por este movimentado período do pop onde glam rock, heavy metal, rock progressivo, psicodelia, reggae, conviviam um ao lado do outro.

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Danny Baker com sua coleção de discos.

Baker trabalhava numa loja de discos na época e nos conta como convivia com toda esta riqueza do que era produzido musicalmente nesta época e as tribos de cada gênero.

Como o próprio nome deste episódio diz, ele fala sobre o caso de amor dos fãs com seus ídolos.

O doc nos fala do momento psicodélico dos Beatles com o álbum Sgt. Pepper’s, o primeiro álbum pop a vir com as letras de todas as músicas.

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Don Letts aparece e nos fala de como os Beatles ficaram mais interessantes quando começaram a consumir drogas e abrir sua mente para outras influências e viagens.

Foi nesta década também que a banda acabou e surgiram novos astros.

Era uma época cheia de protestos, de questionamentos políticos e sexuais; além de ser no final da década de 60 o primeiro dos festivais ingleses ao ar livre como o Festival da Ilha de Wight.

Poster do Festival de Wight de 1970.

Poster do Festival de Wight de 1970.

Conhecemos no doc um dos organizadores do festival , da edição de 1970, que nos conta toda a atmosfera, além de mostrar memorabilia que ele guardou da época e de apresentações de artistas como Jimi Hendrix, The Who e principalmente o The Doors, com músicas como “When the music’s over”:

Aos poucos, o pop vai entrando para um lado mais dark, o rock fica mais pesado, com influências de magia negra, ritos satânicos, como na música do Black Sabbath.

Ao mesmo tempo, havia também o glam rock, com figuras como Marc Bolan, do grupo T-Rex e sucessos como ‘Get it on”:

Baker nos conta o episódio em que Bolan esteve em sua loja e acabou lhe dando uma camisa de presente e como ele guardou aquilo como um tesouro.

E falando em glam, como não falar de David Bowie, o camaleão do rock, que surgia no final dos anos 60 para enfeitiçar toda uma geração de jovens que viam ali o nascimento de um ídolo diferente dos demais, especial, que possuía um alter ego, Ziggy Stardust.

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Inclusive vemos uma fã que foi e guardou ingresso e programa do show em que Bowie se despede de Ziggy, no Hammersmith Odeon, em 1973, momento histórico do pop:

Outra fã de Bowie nos conta como acabou adquirindo uma relíquia: a máscara de metal que ele utilizou em um de seus videos (na foto abaixo nas maõs de Danny Baker).

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A escalada do reggae na Inglaterra também é mostrada, principalmente no sucesso de Bob Marley.

Inclusive ficamos sabendo de uma apresentação de Marley na escola londrina Peckman Manor, para alguns alunos, acompanhado de Johnny Nash (autor do hit “I can see clearly now”), antes de se tornar famoso.

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O doc ainda fala do rock progressivo de bandas como o Pink Floyd e também do movimento Northern Soul, de como uma fã da época se vestia para frequentar os bailes do Wigan Cassino e curtir toda aquela atmosfera mágica.

The People´s History of Pop ainda continua com mais episódios que falaremos em breve.

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TODAY’S SOUND: BORN TO BE BLUE POR ARTHUR MENDES ROCHA

O filme musical de hoje é baseado na vida de uma das figuras mais interessantes surgidas no mundo do jazz dos anos 50/60, Chet Baker, que é tema da produção “Born to be blue”.

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A película é estrelada por Ethan Hawke no papel de Chet Baker, que tem uma excelente atuação, e pode lhe render (merecidamente) uma indicação ao Oscar de melhor ator para 2017.

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‘Born to be blue” é o nome de uma famosa canção de Baker, ela se refere a uma pessoa que já nasceu para ser sofrida, em constantes mudanças de humor e é bem isto que o artista era: uma pessoa problemática, com dificuldades de se relacionar e viciado em heroína, mas com um talento excepcional. Abaixo a música interpretada por Chet Baker:

Baker foi um artista de jazz genial, mas sempre envolvido em problemas com drogas, já que o vício acabou lhe prejudicando muito, além de fisicamente, também profissionalmente, pois acabava não cumprindo suas obrigações contratuais e acabou sendo afastado das gravadoras pelas quais lançava seus discos ou cancelando apresentações.

Foto de Chet Baker tocando seu trompete.

Foto de Chet Baker tocando seu trompete.

A direção do filme é de Robert Budreau, produtor e diretor canadense que possui um extenso currículo, especialmente como diretor e produtor de curtas para a TV. O diretor conseguiu captar com habilidade esta personalidade difícil de Baker, uma pessoa em constante luta contra seus demônios, como vemos no trailer abaixo:

E Hawke está ótimo no papel de um Baker mais castigado pela vida, onde sua beleza já está mais deteriorada pelo constante abuso das drogas, “Born to be blue” se desenrola nos anos 60, quando Baker estava saindo da prisão, havia se afastado de sua carreira por causa de seu vício, de ter se envolvido com traficantes que o ameaçavam enquanto não acertasse suas dívidas e havia sido afastado dos estúdios de gravação por não aguentarem seu comportamento.

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Um destes estúdios era o da gravadora Pacific Jazz, uma das precursoras do estilo West Coast Jazz, do qual Baker era um dos principais representantes. Um dos mais destacados personagens do filme é justamente Richard (Dick) Bock, o proprietário da Pacific e produtor de importantes discos de jazz, vivido pelo ator Callum Keith Rennie (‘Californication”, ‘The Man in the high castle”).

Callum Keith Rennie om Carmen Enojo numa cena do filme.

Callum Keith Rennie om Carmen Ejogo numa cena do filme.

Em várias situações, Baker pede a ajuda de Dick, seja para voltar a gravar, ou quando precisa de dinheiro emprestado, mas o produtor sempre parece não confiar em Baker, pois a qualquer momento, este poderia ter uma recaída e voltar às drogas. Um dos bons momentos do filme é quando Baker se apresenta nos estúdios da Pacific, como um grande retorno do artista mostrando ao pessoal ligado ao jazz que ele ainda podia arrasar se lhe dessem uma nova chance. born-to-be-blue

Baker também é convidado a estrelar um filme baseado em sua vida e contracena com uma atriz que vive sua antiga paixão (no filme), ela é vivida pela atriz Carmen Ejogo (‘Selma:  uma luta pela igualdade”, “Animais Fantásticos e onde habitam”), que faz os papéis de Jane (no filme dentro do filme) e Elaine.

Carmen Ejogo numa cena do filme.

Carmen Enojo numa cena do filme.

Elaine e Baker acabam tendo uma atração mútua um pelo outro e resolvem namorar e morar juntos. Ela é um personagem fictício, mas através dela podemos ver a dificuldade de se relacionar com uma pessoa como Baker.

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Elaine não sabia da confusão que estava se metendo, pois lidar com os ataques de ciúmes de Baker, das oscilações de humor e temperamento, da sua tentativa de se afastar das drogas e a eterna atração que estas sempre representam na vida do jazzista.

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Ethan Hawke e Carmen Ejogo numa cena do filme.

Baker foi dos grandes jazzistas que já habitaram este planeta, seu jeito único de cantar (que influenciou diretamente cantores como João Gilberto), seu talento em tocar trompete, ele era um dos poucos artistas a cantar e tocar um instrumento com maestria.

O verdadeiro Chet Baker numa foto no auge de sua juventude e beleza.

O verdadeiro Chet Baker numa foto no auge de sua juventude e beleza.

Muitos standards de jazz ficaram famosos em sua voz, como ‘My Funny Valentine”, que também é interpretada no filme por Hawke e que virou uma de suas marcas registradas. Abaixo a interpretação no filme e a original de Chet Baker:

Outro detalhe interessante do filme é mostrar alguns dos artistas de jazz da época, como seu rival Miles Davis (vivido pelo ator Kedar Brown) e Dizzy Gillespie (Kevin Hanchard), especialmente na cena onde Baker retorna ao Birdland (o jazz spot onde ele fez sua estreia justamente com os dois) para uma nova apresentação e tem de enfrentar o julgamento de seus colegas de profissão.

Cena do filme onde Baker (Hawke) encontra com Miles Davis (Kedar Brown).

Cena do filme onde Baker (Hawke) encontra com Miles Davis (Kedar Brown).

Abaixo a cena em que ele volta ao Birdland e interpreta ‘I’ve never been in love before” (também cantada por Ethan Hawke no filme):

E a versão original por Chet Baker:

Em uma cena do filme, ele vai visitar seus pais no interior dos EUA e percebemos a dificuldade de relacionamento dele com o pai (papel do ator Stephen McHattie), já que Baker conseguiu ser um artista de sucesso e seu pai (que tocava guitarra) nunca se destacou como artista de expressão.

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Mas foi seu pai que o estimulou o gosto pela música, por pior que fosse seu relacionamento.

Um dos episódios que só pioraram sua vida foi uma surra que levou em São Francisco (que é mostrada no filme) e que quebrou alguns de seus dentes, prejudicando sua performance, tudo isto relacionado à dívidas contraídas causadas pela heroína.

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Outra presença constante no filme é seu agente de condicional, pois para continuar solto, ele deveria mostrar que estava trabalhando honestamente e tomando sua metadona (para ajudar na falta da heroína). Tendo sido considerado o James Dean do jazz ou o príncipe do cool, Baker começava sua descida ao inferno, até vir a falecer em 1988, ao cair do seu quarto de hotel em Amsterdam (mas isto o filme já não nos mostra).

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Etha Hawke se destaca no filme, tocando e cantando como se fosse Chet Baker.

O filme é correto no seu retrato de Baker, não faz grandes inovações na narrativa, mas é um filme agradável de assistir, pois o tema é muito interessante e Baker é uma personalidade cheia de nuances e que merece ter cada vez mais filmes e relatos sobre sua carreira. Além disso, a trilha está muito bem feita, onde os trompetes de Baker são feitos por Kevin Turcotte e a direção dos números musicais ficou por conta de David Braid (pianista e compositor canadense que já se apresentou mundo a fora), mas nada melhor que ouvir as verdadeiras gravações do jazzista para admirar todo seu talento.

Elenco e equipe do filme no Festival de Toronto.

Elenco e equipe do filme no Festival de Toronto.

“Born to be blue” ainda não tem data de estreia no Brasil, mas já pode ser visto em torrent ou em plataformas de streaming.

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Today’s Sound: Pete Burns por Arthur Mendes Rocha.

Pete Burns ficou conhecido como o vocalista do Dead or Alive, suas montações e agora também suas inúmeras cirurgias que acabaram por transformá-lo em outra pessoa.

Pete nasceu em 1959, de pai inglês e mãe alemã e esta sentiu desde cedo que seu filho era especial chamando-o de Star Baby.

No início de sua vida adulta, ele já mostrava interesse pela música, trabalhando em lojas de discos como a Probe Records em Liverpool, que virou ponto de encontro dos músicos da época.

Além de chamar muita atenção pelo seu visual com cabelo mega comprido com dreads, muita maquiagem, unhas postiças, tapa-olhos, além de um figurino bem andrógino. Ele afirmava inclusive que Boy George copiou seu estilo.

Em 1977, ele se dá conta que poderia cantar durante ensaios com o grupo Mistery Girls, que na verdade só tocou uma vez, abrindo um show do Sham 69.

Em 1979, ele forma o Nightmares on Wax (não confundir com o grupo de música eletrônica), grupo pós punk gótico que chegou a lançar alguns singles como “Black Leather”:

Depois de muitas trocas entre os membros da banda, em 1980, antes de uma sessão para o programa de John Peel, ele troca o nome da banda para Dead or Alive.

O primeiro single da banda foi em 1982, com “The Stranger”, que atingiu o sétimo lugar na parada de independentes e os fez assinar com a gravadora Epic. Um detalhe interessante é que nesta época fazia parte da banda Wayne Hussey (que foi para o Sisters of Mercy e depois formou o The Mission).

Em 1984 eles lançam o álbum “Sophisticate Boom Boom” que continha a música “That’s the way (I like it)” cover de K.C. & the Sunshine Band e seu primeiro top 40 hit na Inglaterra:

Foi com seu segundo álbum “Youthquake”, produzido por Stock, Aitken e Waterman (que depois produziriam Kylie Minogue, Jason Donovan, Rick Astley, entre outros) que eles alcançaram o sucesso, especialmente devido ao hit “You spin me round (like a Record), primeiro lugar nas paradas inglesas e em vários lugares do mundo:

Seu álbum seguinte “Mad, Bad, Dangerous to know” não teve o mesmo desempenho do anterior, já que não tinha um single forte, assim a música “Brand New Lover” só atingiu o 15º lugar na parada da Billboard:

O álbum ‘Nude” só teve sucesso em mercados como o Japão e Brasil, onde “Come home with me baby” chegou ao primeiro lugar na parada internacional:

Nos anos 90, a carreira do grupo ficou meio estagnada, alguns álbuns e singles de pouco sucesso. Os maiores hits continuavam sendo as coletâneas de sucessos e remixes de músicas antigas.

Pete Burns participou em 2006 do Celebrity Big Brother, reality show de sucesso na TV inglesa, onde ele voltou aos noticiários por suas declarações e por suas cirurgias, que acabaram modificando bastante seu aspecto, já que muitas delas não foram bem sucedidas.

Mesmo assim, ele continua na ativa, fazendo participações em programas na TV inglesa, além de shows (sem o Dead or Alive) como o Hit Factory, que acontecerá em Londres em julho deste ano em homenagem ao produtor Peter Waterman.

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TODAY’S SOUND: THE STORY OF SKINHEAD DE DON LETTS POR ARTHUR MENDES ROCHA

O doc musical de hoje acaba de ser lançado na TV inglesa e nos conta um pouco da história do movimento skinhead e se chama ‘The Story of Skinhead”, tendo sido dirigido por Don Letts.

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Letts é uma figura lendária da cultura inglesa, pois além de DJ, é diretor de videoclipes e documentários como ‘The Punk Rock Movie”, ‘The Clash: Westway to the world”, entre outros.

Além disso, ele foi dos primeiros DJs a misturar punk com reggae nas suas discotecagens no club Roxy, além de realizar vídeos para o The Clash e até participar da banda Big Audio Dynamite ao lado de Mick Jones (guitarrista do The Clash).

Don Letts (segundo da esq. p a dir.) com o Big Audio Dynamite.

Don Letts (segundo da esq. p a dir.) com o Big Audio Dynamite.

Letts se debruçou na cultura skinhead, considerada dos primeiros movimentos multiculturais, já que reunia os mais diferentes grupos e classes sociais.

O detalhe mais importante do documentário é que ele nos conta as origens do movimento e pasmem: os skinheads não eram violentos, eles curtiam reggae e respeitavam as demais etnias. Com o tempo, esta essência skinhead foi perdendo várias de suas características e ficando cada vez mais associada à violência e ao racismo.

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Mas eles não começaram assim; os skinheads se originaram da junção das culturas da classe trabalhadora inglesa (cockney) e a cultura jamaicana, eles se destacavam pela sua maneira de vestir e pelos cabelos raspados (daí o nome skinhead, ou seja, sem cabelo).

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No doc, isto é muito discutido, já que como pode os skins gostarem de reggae jamaicano e serem racistas? Isto é muita contradição, concordam?

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Mas vamos ao doc: Letts vai nos contando como a primeira leva de imigrantes jamaicanos que desembarcaram em Londres nos anos 60 vão deixando sua música influenciar toda uma geração.

Foto de um skinhead por Gavin Watson.

Foto de um skinhead por Gavin Watson.

Nesta época existiam os teddy boys, os  rocers, os mods; os skins eram uma outra subcultura, eles usavam cabelo curto, raspado, botas, jeans claros, jaquetas. O jeito de vestir os diferenciavam muito e Letts nos leva a uma loja em Richmond, pertencente a John Simmons.

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Simmons era o proprietário da loja Ivy Shop, onde os skins compravam suas roupas, especialmente a Harrington jacket (nome inspirado pelo personagem de Ryan O’neal na novela americana ‘Peyton Place”), também conhecida como Baracuta, uma jaqueta utilizada por jogadores de golfe.

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Além disso, o reagge era o ritmo escolhido, feito por artistas como Desmond Dekker do selo Trojan.

Ah, é importante notar que as garotas skinhead também eram bem estilosas, usando polos (geralmente da marca Fred Perry), com franja bem curta e um pouco mais compridos na parte de trás.

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Além disso, o uniforme skinhead incluía suspensório com Doc Martens (os famosos coturnos ingleses), de preferência na cor vermelha/bordô.

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1969 é um ano marcante para os skinheads, pois é o perído em que começam a ser notados pela mídia, especialmente no meio dos frequentadores dos jogos de futebol que enfrentavam a polícia, já que era onde eles podiam extravasar sua testosterona gritando, brigando e fugindo dos policiais.

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Nesta época, é lançado o livro “Skinheads” de Richard Allen, que falava mais a fundo do que era ser um skinhead na época.

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Uma das músicas que os embalavam era o hit do The Equals, “Black Skinned Blue-eyed boy”, que justamente prega uma harmonia racial de brancos e negros na pele de um negro de olhos azuis:

No doc há depoimentos de figuras importantes no movimento skinhead, tais como Pauline Black (a vocalista do grupo de ska, The Selecter), Roddy Moreno (da banda skinhead The Opressed), Garry Bushell (o ex-manager do Cockney Rejects e que cunhou o termo Oi!), Gavin Watson (fotógrafo do livro “Skins and Punks”), Symond Lawes (ator, autor e idealizador do festival The Great Skinhead Reunion), entre outros.

Pauline Black, a vocalista do The Selecter está no documentário.

Pauline Black, a vocalista do The Selecter está no documentário.

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Symond Lawes, o poster boy dos skins, na capa do Skinhead Times.

Outro entrevistado é Joseph Pearce, ex-integrante do partido National Front, com os quais os skinheads foram associados politicamente, o que foi considerado um erro para o movimento, já que era um partido que pregava ideias retrógradas como ser um partido de supremacia branca.

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Outro estilo que os skinheads curtiam era o Two Tone, o ska de bandas como The Specials, cujo hit ‘A message to you Rudy” eles muito dançaram:

Com a chegada do movimento punk na Inglaterra, os skinheads tiveram um revival em meados dos anos 70 e passaram a ser associados com os punks, pois se identificavam com estes, e passam a frequentar os clubs onde tocavam as bandas de punk rock, especialmente as bandas do chamado estilo Oi!

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O estilo Oi! era um subgênero de punk que unia punks, skinheads; era punk rock para a classe trabalhadora, já se encaminhava para um hardcore, mas também misturava punk rock com bandas inglesas dos anos 60, tinha influência de hinos de futebol e mais.

Uma destas bandas de Oi! era o Sham 69, liderada pelo vocalista Jimmy Pursey (que dá depoimento no doc) e que decretou o final de suas apresentações ao vivo na época em razão de um show em Finsbury Park, em 1979, no qual a apresentação foi invadida por skinheads que apoiavam o National Front.

A banda Angelic Upstarts também atraía os skinheads com suas letras antifascistas e de cunho socialista e são considerados pioneiros do estilo Oi! com músicas como ‘The murder of Liddle towers”:

Com os skinheads indo para uma vertente de rock mais pesado das bandas Oi!, isto também acarreta uma atitude mais violenta, mais furiosa e nervosa, eles passam a usar mais tatuagens por exemplo, inclusive no rosto.

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Seu visual vai ficando mais perigoso, mais enfrentativo, com mais elementos militares, até se voltarem para conflitos raciais, enfrentando os negros e as comunidades de asiáticos que viviam em Londres.

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No início dos anos 90, bandas como o Skewdriver tem uma postura nitidamente nazista e fascista, altamente racista.

A mídia também contribui para tornar os skinheads figuras temidas e perigosas, sempre envolvidos em brigas e confusões, tonando-se uma facção temida em países da Europa Oriental.

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Mas o que o doc nos ensina é que esta visão que a mídia criou do skinhead é uma visão distorcida da realidade; o skinhead original é um cara pacífico, que gosta de curtir o seu reggae e espera-se que esta visão seja novamente recuperada e que possamos reconhecer o real valor desta subcultura que contribuiu muito para o multiculturalismo que vivemos nos dias de hoje.

Cenas do documentário da BBC4.

Cenas do documentário da BBC4.

Corram para ver, pois a BBC4 disponibilizou o doc no youtube, mas costumam retirar do ar em alguns dias:

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TODAY’S SOUND: BOY GEORGE’s 1970s: SAVE ME FROM SUBURBIA POR ARTHUR MENDES ROCHA

Nos próximos posts, falaremos de documentários e filmes cujo tema principal é a música, sejam biografias de artistas, documentários sobre bandas, suas influências e mais.

Iniciamos hoje pelo recente documentário apresentado pela BBC 2 inglesa sobre Boy George e suas influências nos anos 70, intitulado ‘Boy George’s 1970s: Save me from Suburbia”.

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O doc é simplesmente uma delícia de ver, com Boy George nos conduzindo pela Londres que ele viveu em sua adolescência, desde sua vida nos subúrbios até começar a se antenar para o que estava acontecendo na metrópole na década de 70.

Ele começa se rasgando de elogios para David Bowie, o artista da época que mais o influenciou, pelo qual ele queria largar tudo e segui-lo onde quer que fosse.

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Boy George nos mostra discos de Bowie que escutava na sua vitrola, o apartamento onde morou, as influências das músicas que o irmão mais velho escutava.

Outra coisa legal é que sua mãe participa do doc e ela nos fala como era ele adolescente, quando estava descobrindo sua sexualidade e Bowie era influência no seu jeito de agir e se vestir; não era mais um crime gostar de outros meninos, sua opção sexual era sua, uma escolha na qual ninguém deveria se intrometer.

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Ele cita a icônica apresentação de Bowie no Top of the Pops interpretando “Starman”, em 1972, um marco em George e seus amigos, bem como toda uma geração de artistas ingleses.

Bem como a vez que foi até o bairro onde Bowie morava com Angie e a casa que pertencera ao casal.

Além disso, Londres vivia uma época de caos econômico, com muito desemprego e atitudes racistas, repressoras e homofóbicas.

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Era o momento certo para que o movimento punk nascesse e trouxesse uma atitude diferente para os jovens, de questionamento, de crítica a esta sociedade hipócrita.

Boy George era um destes jovens, ele começa a frequentar a noite, ele nos relata que um de seus amigos que abriram as portas desta modernidade para ele foi Philip Sallon, que aparece no documentário e nos fala dos primeiros lugares que ele levou o jovem George O’Dowd (nome real de Boy) como o Mud Club,  Bangs, Louise’s, Bromley Contigent e outros clubs e noites da época.

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O jovem Boy George ao lado de Philip Sallon.

Mas o que mais chamava a atenção de Boy George era a maneira como Sallon se vestia, sempre com modelitos arrasadores (Sallon trabalhou no departamento de figurinos da Royal Opera House, bem como na BBC) e sem medo de enfrentar a sociedade com sua moda extravagante e cheia de personalidade.

Boy George (primeiro da dir. p a esq.) com Sallon e uma amiga.

Boy George (primeiro da dir. p a esq.) com Sallon e uma amiga.

Sallon trabalhou como host no Mud Club, além de realizar bailes que ficaram na história da Heaven, os chamados ‘Heaven Ball”. Era figura badalada e conhecia todo o underground londrino; para ter uma ideia,  Malcom McLaren pedia sua opinião inúmeras vezes se por exemplo ele gostava do garoto Johnny Rotten como vocalista do Sex Pistols.

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Sallon foi das grandes influências de Boy George, especialmente no quesito de assumir a postura gay e usar a moda a seu favor; ele não tinha medo de ousar, de abusar da extravagância, mas sempre com originalidade, ele estava sempre na vanguarda e o que vestia acabava se tornando moda algum tempo depois.

George nos fala de quando ouviu pela primeira vez a canção ‘Walk on the wild side” e todas as implicações que a letra fazia às pessoas da noite, aos travestis (nas figuras das Warhol superstars Holly Woodlawn e Candy Darling), a ruptura que Reed propunha, um hino de aceitação a um lado mais rebelde de ser.

Outro momento legal do doc é quando ele nos leva na loja Sex de Vivienne Westwood e Malcom McLaren, ou na verdade, o que se transformou o local onde a loja era localizada na King’s Road e todas as lembranças de como ele desejava se vestir com as roupas de lá (mas não podia pagar).

Vivienne Westwood (prim. da dir p a esq.) com atendentes e frequentadores de sua loja Sex.

Vivienne Westwood (prim. da dir p a esq.) com atendentes e frequentadores de sua loja Sex.

E falando em MacLaren, ele relembra quando foi convidado pelo empresário a participar do grupo Bow Wow Wow e quando ele cantou junto com a banda sem nunca ter pisado num palco antes. Anos depois, ele chegaria ao segundo lugar da parada britânica com ‘Do you really want to hurt me”(chocando a todos com seu visual andrógino):

Boy George vai passeando por lugares que foram marcantes em sua vida, como o famoso Blitz, o club onde o host era Steve Strange e que se tornou o lugar mais disputado da noite londrina no final dos anos 70.

George fala de como a cena New Romantic foi virando mais e mais importante em sua vida, quando esta suplantou o punk para ele; pois quando o punk ficou mais mainstream, os new romantics foram além na produção e ainda mais ultrajante visualmente.

Strange e George competiam por quem atraía mais atenção, já que George ainda era um jovem ingênuo e Strange já era bem mais descolado e conhecido, mas as coisas mudaram bem quando George virou uma sensação mundial.

Boy George (à esq.) com Steve Strange no Blitz Club.

Boy George (à esq.) com Steve Strange no Blitz Club.

Um que também aparece no doc é Rusty Egan, que era o DJ do Blitz e nos conta que tocava Bowie, Reed, Velvet Underground, Roxy Music, Kraftwerk e como todos ficavam enlouquecidos na pista.

Inclusive, ele nos guia por onde costumava ser o Blitz, mostrando espaços que ficaram na história da noite londrina.

Rusty Egan (primeiro da dir. p a esq.) com Midge Ure (no centro) e Steve Strange numa noitada no Blitz.

Rusty Egan (primeiro da dir. p a esq.) com Midge Ure (no centro) e Steve Strange numa noitada no Blitz.

Outra participação é a de Martin Degville (o vocalista do Sigue Sigue Sputnik), amigo de Boy George de longa data, os dois inclusive moraram juntos e eles nos contam como foram estes momentos: a preparação deles para sair, a escolha do figurino, o som que escutavam como o reggae (que foi grande influência no Culture Club) e outras músicas da época.

Boy George (no centro) com Degville (à esq.) e um amigo.

Boy George (no centro) com Degville (à esq.) e um amigo.

Além de dividirem o mesmo teto, eles também trabalhavam juntos já que George vendia as roupas de Degville nas feiras locais.

George (segundo da esq. p a dir.) com Degville (centro) e mais dois amigos.

George (segundo da esq. p a dir.) com Degville (centro) e mais dois amigos.

Degville e Boy George inclusive participaram do programa “Something Else’, cujo trecho é mostrado no doc e foi a primeira entrevista de George para a TV britânica, onde ele enfrenta alguns punks que também participavam, isto em 1979, como podemos ver abaixo:

Outras aparições no doc são de Princess Julia, a influente DJ e figura da noite e moda londrina, além de Andy Polaris (do grupo Animal Nightlife), entre outros.

Mas um dos momentos ápices é quando ele encontra seu antigo amigo, Marilyn, que bombou nos anos 80 como cantor, mas mais como uma figura que causava furor por seu visual andrógino e toda montação. Na verdade, Marilyn ficou mais famoso pelos looks que por sua vocação artística, já que nunca atingiu a fama de pop star de Boy George.

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Boy George (de gueixa) com Marilyn na porta do squat que dividiram no final dos anos 70.

É interessante vermos os dois conversando e trocando ideias de como era viver naquela época, eles nos mostram o squat (apartamento abandonado que era invadido) que dividiram e que hoje já é um prédio completamente diferente.

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Os dois já foram grudados, já brigaram, viraram inimigos, mas hoje voltaram a ser amigos, afinal eles tem uma história de vida juntos e ambos viveram os altos e baixos da fama. Abaixo os dois numa recente entrevista no programa Breakfast da BBC em função do lançamento do single de Marilyn, produzido por George:

George e Marilyn já questionavam a questão da gênero nos anos 70, muito ates deste assunto entrar em voga, como hoje em dia; eles já se vestiam de mulher, já discutiam os limites do masculino e feminino naquela época, foram perseguidos e não entendidos em função de suas escolhas.

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Marilyn (à esq.) com Boy George em foto recente.

Vale a pena conferir o doc, uma pena que ele estava disponível no youtube (foi lá que o assisti), mas agora a BBC retirou-o do ar, mas existe o torrent para ser baixado.

Como o próprio Boy George define: ‘Eu penso nos anos 70 como esta gloriosa década onde eu descobri quem eu era e descobri todas estas coisas incríveis – punk rock, electro, música, moda, tudo isso. E claro que havia o lado negro dos anos 70, o lixo, as greves, a pobreza e eu fui perseguido e confrontado pelo meu jeito de vestir. Mas eu era um adolescente, não tinha saco de ficar me lamentando; eu só estava vivendo um momento incrível com meus amigos’.

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