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    Landscape in progress 💚Após 3 décadas de cabelo muito longo, finalmente CORTEI!!! Vida nova 2017!!!
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Após 3 décadas de cabelo muito longo, finalmente CORTEI!!! Vida nova 2017!!!Gracias @celsokamuraoficial

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TODAY’S SOUND: PER LUI POR ARTHUR MENDES ROCHA

Finalizando os posts de revistas clássicas, hoje falamos de uma revista italiana que era um dos guias de estilo masculino dos anos 80: a Per Lui.

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Assim como existia a Lei, uma revista italiana jovem para a mulher, a sua versão masculina era a Per Lui, só que a versão masculina ainda era mais ousada que a feminina.

Foi na Per Lui que a poderosa Franca Sozzani começou a ensaiar o que faria na Vogue italiana, onde é a editora-chefe desde 1988 até hoje.

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Franca Sozzani foi editora da Per Lui de 1982 a 1988, quando foi para a Vogue Italia.

Tendo trabalhado na Lei (a versão feminina da Per Lui), desde 1980, e na Per Lui, desde 1982, Sozzani foi a responsável por uma virada nestas publicações, dedicando um super cuidado com os editoriais e com os modelos e fotógrafos contratados.

Foi na Per Lui que fotógrafos então iniciantes como Bruce Weber, Mario Testino, Herb Ritts, Max Vadukul, Steven Meisel, Peter Lindbergh, Tony Viramontes, Koto Bolofo, Michel Comte, Patrick Demarchelier, Pamela Hanson, Jean-Baptiste Mondino, Ellen Von Unwerth, Stéphane Sednaoui, entre outros, começaram a chamar a atenção dos profissionais da moda e publicidade da época.

Editorial da Per Lui clicado por Bruce Weber.

Editorial da Per Lui clicado por Bruce Weber.

Editorial de Stéphane Sednaoui para a Per Lui.

Editorial de Stéphane Sednaoui para a Per Lui.

Nunca me esqueço de um número especial “U.S.A. by Bruce Weber” da Per Lui, de 1985, com capa do modelo Andy Minsker (boxeador descoberto por Weber e que fez o Chet Baker no seu filme “Let’s get lost”) e mais de 120 páginas consecutivas clicadas por Weber, com tributos aos heróis do fotógrafo como Anna Magnani, Peter Beard, Chet Baker; os novos rostos de Hollywood que surgiam naquele momento como Melanie Griffith, Molly Ringwald e outros atores do chamado “Brat Pack” (como eram chamados o jovem grupo de atores que incluía Robert Downey Jr., Andrew McCarthy, etc.).

A histórica edição USA, totalmente fotografada por Weber.

A história edição USA, totalmente fotografada por Weber.

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Molly Ringwald no editorial da jovem Hollywood.

Num dos números de 1986, Weber também clicou o “Summer Diary 1986”, com styling do usual colaborador do fotógrafo, Joe McKenna, que foi a inspiração direta para o clipe “Being Boring” do Pet Shop Boys.

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Editoria Summer Diary de Weber.

Editoria Summer Diary de Weber.

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Mais páginas do Summer Diary de Weber.

Outro editorial famoso foi “Il Ragazzi del Body-Shop”, clicado por Herb Ritts (o fotógrafo que era um dos favoritos de Madonna e já falecido) com styling de Michael Roberts (hoje diretor de estilo e moda da Vanity Fair americana). Ritts havia sido contratado para fotografar trench coats, porém não gostara das roupas enviadas. Junto com Roberts, eles acabaram optando por mudar a concepção e realizar as fotos numa oficina mecânica e fazer as fotos escuras e cruas, diferente do que a revista havia solicitado. Assim, eles utilizaram o modelo Fred Harding coberto de graxa com torso à mostra e macacão amarrado, segurando pneus. Logo, esta e outras imagens fortes foram aceitas pela revista, que acabou publicando o editorial. A imagem se tornou uma das imagens mais famosas da época, ilustrando  calendários e postais e intitulada de “Fred with tires” (Fred com pneus).

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“Fred with tires”, a famosa foto de Herb Ritts, foi publicada pela primeira vez num editorial da Per Lui.

Os editoriais idealizados por Sozzani eram extremamente criativos, colocava modelos em posição nunca antes imaginadas, as imagens eram marcantes, com referências bacanas, tanto com inspiração em filmes italianos dos mestres Fellini, Antonioni, Visconti, bem como estilistas como Armani e elementos da cultura pop.

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Editorial com roupas Armani por Weber para a Per Lui.

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Editorial de 1986 da Per Lui.

Para ela, não bastava apenas fotos bonitas mostrando a roupa, por trás de tudo deveria ter uma ideia, um conceito, um significado, e ela conseguiu transpor isto para as páginas da Per Lui.

Editorial de chapéus da Per Lui.

Editorial de chapéus da Per Lui.

Além disso, havia as matérias com textos de jornalistas bem informados, que cobriam arte, cultura, cinema, literatura e muito mais.

A Per Lui era bem vanguarda, geralmente procurava sair na frente das outras, ousando com roupas, maquiagens, cabelos; tudo era uma inspiração constante para quem vivia os anos 80 e não tinha internet para pesquisar.

Publicado pela Condé Nast (a mesma da Vogue e outras revistas de destaque), a Per Lui colocava em suas capas um misto de atores, cantores, bem como novos modelos que surgiam incluindo C. Thomas Howell (de ‘E.T.”, “The outsiders”, “The hitcher”), Miguel Bosé (o popstar espanhol e também ator de filme de Almodóvar), Jenny Howard e Brady Harryman (os modelos descoloridos mais famosos dos 80’s), Rodney Harvey (um dos meninos mais lindos dos anos 80, ator de filmes como “My own private Idaho” e que faleceu de overdose), Billy Idol (que na época estava estourando em sua carreira solo), Matt Dillon (que era o jovem ator mais badalado da época), Sasha Mitchell ( o top model que virou ator de cinema e TV), Anthony Delon (o filho de Alain), John Lurie (do grupo Lounge Lizards e ator de alguns filmes de Jim Jarmusch),Richard Gere, Miles Davis e muito mais.

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Matt Dillon, o então jovem ator de Hollywood mais badalado, foi capa de Per Lui

Rodney Harvey (à direita em pág. inteira) no recheio de uma Per Lui, clicado por Weber.

Rodney Harvey (à direita em pág. inteira) no recheio de uma Per Lui, clicado por Weber.

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Capa do especial de música com Miles Davis na capa.

Além disso, as matérias eram dedicadas a artistas como Michael Clark (o incrível bailarino punk inglês que trabalhou com Leigh Bowery, Bodymap), Chris Isaak (que foi fotografado por Weber e estava surgindo na música e no cinema), Sam Sheppard, Bryan Ferry, Frank Zappa, o filme “Cotton Club” de Coppola, Willem Dafoe, entre outros.

Chris Isaa em editorial da Per Lui, clicado por Weber.

Chris Isaak em editorial da Per Lui, clicado por Weber.

O bailarino punk Michael Clark numa matéria da revista.

O bailarino punk Michael Clark numa matéria da revista.

O então jovem ator Willem Dafoe posando de modelo para a Per Lui.

O então jovem ator Willem Dafoe posando de modelo para a Per Lui.

Na direção de arte há a mão de Neville Brody em alguns números, pois o conceituado designer da The Face e Arena, fez várias contribuições para a revista.

Teve participação brasileira em alguns números como o então top model Fabio Ghirardelli, que chegou a estampar capa e editoriais da revista.

O modelo brasileiro Fabio Ghirardelli (de costas) na capa da Per Lui.

O modelo brasileiro Fabio Ghirardelli (de costas) na capa da Per Lui.

Com a saída de Sozzani em 1988, a Per Lui continuou até 1990, publicando editoriais com Claudia Schiffer fazendo às vezes de Brigitte Bardot por Steven Meisel e editorial inspirado por Russ Meyer (com o top Tony Ward, antes de ser namorado de Madonna), mas acabou não resistindo e fechou as portas em setembro de 1990.

A ntão iniciante modelo Claudia Schiffer fazendo às vezes de BB em editorial da Per Lui clicada por Meisel.

A então iniciante modelo Claudia Schiffer, como BB, em editorial da Per Lui clicada por Meisel.

Tony Ward em editorial da Per Lui, inspirado em "Faster Pussycat" de Russ Meyer.

Tony Ward em editorial da Per Lui, inspirado em “Faster Pussycat” de Russ Meyer.

Até hoje, as fotos e os números antigos da Per Lui são fontes de inspiração para os editores, estilistas e produtores de moda que reconhecem o importante papel que a revista teve no imaginário visual da década de 80.

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TODAY’S SOUND: NOVA POR ARTHUR MENDES ROCHA

Rebelde, inovadora, sensual, quebrando paradigmas, falando em feminismo e assuntos polêmicos quando ninguém o fazia: a revista que marcou época de hoje é a britânica Nova. nova-covers A Nova foi publicada de 1965 a 1975, justamente quando o mundo enfrentava mudanças radicais com um maior engajamento político e a luta pela liberação das mulheres, que buscavam uma posição de maior reconhecimento numa sociedade machista. O feminismo estava começando a ter cada vez mais adeptas, além das manifestações estudantis, luta pelos direitos civis, o mundo estava em ebulição. nova-covers3 A Nova chegava bem neste momento de mudanças, já começando pelas capas e o design gráfico, muito mais vanguarda que as publicações femininas da época. A revista foi lançada bem no auge Swinging London dos anos 60, uma fase que mudou a Inglaterra, optando por tratar de assuntos mais polêmicos, tendo assim revolucionado a maneira com que as revistas femininas eram oferecidas no mercado.

Logo da Nova.

Logo da Nova.

A revista foi fundada por Harry Fieldhouse, sendo que a primeira editora de moda foi Molly Parkin, que havia feito acessórios para a famosa loja Biba (a icônica loja de Barbara Hulanicki), trabalhado com Mary Quant (a inventora da minissaia) e tido sua própria loja em Chelsea. Parkin ficou na revista até 1967, tendo passado a posição para sua então secretária, Caroline Baker.

Foto de Harri Peccinotti para Nova.

Foto de Harri Peccinotti para Nova.

Baker foi das primeiras stylistys, quando o termo ainda nem existia, trabalhando com fotógrafos como Helmut Newton (e suas fotos inusitadas e com elementos fetichistas, colaborador de Vogue, Stern e muitas outras), Hans Feurer (o suíço que arrasava nas cores, colaborou muito com a Vogue), Terence Donovan (um dos fotógrafos da swinging London), Sarah Moon (fotógrafa conhecida por suas imagens etéreas e que trabalhou com a Biba, entre outras marcas famosas), Byron Newman (que também trabalhou para as revistas Cream e Deluxe), Bryan Duffy (outro fotógrafo conhecido da Swinging London e que fez a capa de ‘Alladinsane” de Bowie), Peter Knapp (que fez algumas das famosas capas do Roxy Music), entre outros.

Foto de editorial para a Nova clicado por Helmut Newton.

Foto de editorial para a Nova clicado por Helmut Newton.

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Foto de Helmut Newton para Nova.

Relembrando seus tempos na Nova, Baker declarou que a revista não se guiava pelas coleções de moda de Paris e sim pelo que acontecia nas ruas, com roupas mais condizentes com sua posição social, da classe trabalhadora e que fugisse aos saltos e batons que figuravam nas demais revistas de moda.

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Editorial “Mr Freedom” (inspirado pelo filme de William Klein), clicado por Hans Feurer.

Ela se dizia mais influenciada por Che Guevara, hippies, as namoradas dos pop stars, filmes e vestimentas étnicas do Marrocos, Japão e África.

Editorial da Nova utilizando roupas militares para mulheres (quando ninguém pensava nisto) e cigarrinho suspeito.

Editorial da Nova utilizando roupas militares para mulheres (quando ninguém pensava nisto) e inspiração a Che Guevara.

Segundo ela, seu então editor, Dennis Hackett, lhe disse: ‘Eu quero que você saia lá fora e faça coisas diferentes. Eu não quero parecer como a Vogue, a Queen (a Harper’s & Queen) ou qualquer outra. Suas páginas de moda devem ser diferentes”.

Editorial da Nova clicado por Harri Peccinotti.

Editorial da Nova clicado por Harri Paccinotti.

Entre as inovações na moda que a Nova aderiu em suas páginas estavam: uso de roupas verde-militar, mulheres usando roupas masculinas, usando leggings, roupas do lado contrário e muito mais. E foi nisto que a Nova se sobressaiu, dando uma nova roupagem às revistas femininas, sendo rebelde, feminista, sem medo de ousar. Alguns dos colaboradores da revista incluíam: Susan Sontag (a célebre escritora americana, defensora dos direitos humanos e casada com a fotógrafa Annie Leibowitz), Graham Greene (o escritor de livros como “The Third Man”), Christopher Booker (um dos fundadores da revista Private Eye), Germaine Greer (uma das feministas mais importantes do séc. XX), Lynda Lee-Potter (colunista do jornal inglês Daily Mail) e muitos outros.

Editorial inusitado da Nova clicado por Barry

Editorial inusitado da Nova clicado por Byron Newman.

A Nova procurava os escritores mais interessantes, polêmicos, brilhantes e desbocados para redigirem suas matérias que incluíam assuntos tabus na época como pedofilia, aborto, homossexualismo, lesbianismo, entre outros. A direção de arte ficava a cargo de Harri Peccinotti (que fez os calendários Pirelli de 1968 e 69) no começo e depois por David Birdsal. nova-covers-4 David Hillman assumiu o cargo em 1968 e com seu design minimalista, tipografia arrojada,  muita utilização de espaços em branco, inovaram a diagramação das revistas na época.

A direção de arte de Hillman era um dos destaques da Nova.

A direção de arte de Hillman era um dos destaques da Nova.

Peccinotti também era fotógrafo da revista e responsável por vários das capas e editoriais; ele foi dos primeiros a utilizar modelos negras em suas fotos, de capturar a sexualidade do dia a dia e colocá-la nas páginas da revista.  Ele declarou que a Nova foi feita para uma mulher mais inteligente, que não desejava ser apenas dona de casa, cozinhar ou costurar; a mulher de Nova gostava de política, sexo, saúde, oportunidades de trabalho e mais.

Algumas das capas clicadas por Peccinotti.

Algumas das capas clicadas por Peccinotti.

Porém, com a chegada dos anos 70, a recessão e aumento nos custos do papel, a revista foi perdendo anunciantes (bem como encolhendo de tamanho) e diminuindo a circulação. Além disso, a competição foi ficando acirrada com títulos femininos que surgiam como Elle, Cosmopolitan, Marie Claire, entre outras e os anunciantes migraram para estas.

Foto de Hans Feurer para a Nova.

Foto de Hans Feurer para a Nova.

Outro fator constatado foi de que, apesar de ser dirigida ao público feminino, ela acabava sendo mais consumida pelos homens. Assim, a Nova fechou suas portas em 1975, deixando uma lacuna no mercado editorial para sempre. Em 1994, foi lançado o livro “Nova , 1965 – 1975”com muitas fotos das capas e dos icônicos editoriais da revista e que ainda está disponível na Amazon.

Capa do livro sobre a Nova.

Capa do livro sobre a Nova.

A revista voltou numa nova versão em 2000, com novo logo, tendo durado apenas seis exemplares e sendo que um deles teve capa da então iniciante modelo Gisele Bündchen. Eu cheguei a comprar na época, mas não possuía um mínimo do charme e modernidade dos antigos exemplares. nova-gisele A influência da Nova foi fundamental para tudo o que se fez em termos editoriais desde então, sejam em revistas femininas ou masculinas; nunca haverá uma revista tão a frente de seu tempo quanto a Nova.

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TODAY’S SOUND: ARENA POR ARTHUR MENDES ROCHA

A revista que deixou saudades de hoje é a Arena, a revista britânica masculina que foi publicada de 1986 a 2009 e que abordava moda, atualidade, cultura e mais.

A Arena foi das melhores revistas masculinas já publicadas; com design moderno, fotos incríveis, editoriais inesquecíveis; era daquelas revistas que esperávamos cada exemplar com enorme ansiedade.

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Cada edição era extremamente bem executada, sendo que a escolha do homem que estamparia a capa também era sempre alguém que estava no ápice naquele momento, seja um ator, músico, esportista ou alguma celebridade badalada.

No começo, suas capas eram apenas masculinas; até que em 1990 Tatjana Patitz (uma das supermodelos originais) estampou uma capa e desde então as mulheres também passaram a ilustrar as capas junto com os homens.

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A revista também foi idealizada por Nick Logan, o mesmo que criou a The Face, e que via no mercado inglês uma carência de revista que abordasse o universo masculino de uma maneira mais estilosa.

As revistas inglesas masculinas da época eram mais caretas, mais certinhas e muitas vezes abordavam assuntos que não surpreendiam, apelando para esporte e fotos de mulheres sensuais.

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A Arena era diferente; ela visava atrair um público mais selecionado, um homem mais especial, urbano, mais aberto às novidades, viajado, que se interessava por vários assuntos e gostava de se vestir bem.

Entre os assuntos abordados estavam sexo, fitness, cinema, literatura, fotografia, culinária e muito mais. Seu espectro era amplo, mas dentro disso a revista era ousada e moderna.

Editorial da arena do início dos anos 90.

Editorial da arena do início dos anos 90.

 

Arena era inicialmente publicada pela Wagadon e os primeiros números foram criados pelo genial Neville Brody, o mesmo designer da The Face, que foi o diretor de arte da Arena no período de 1987 a 1990.

Segundo o próprio Brody declarou a Arena era destinada ao público da The Face que havia crescido. E foi isto que levou Logan a lançar a Arena, já que foi constatado que quem mais comprava a Face era o público masculino.

Logo da Arena criado por Neville Brody.

Logo da Arena criado por Neville Brody.

Sua concepção era muito parecida coma Face no início, mas depois de alguns exemplares, Brody optou por uma estética mais minimalista com o uso da fonte tipográfica helvetica por exemplo.

O final dos 80 e durante os 90, foram os períodos áureos da revista, mas a concorrência ia aumentando com a publicação das versões inglesas da GQ e Esquire, bem como a Loaded (considerada a revista do ‘lad”, do garotão inglês).

O primeiro exemplar da Arena foi publicado foi em 1987 e a capa era o ator Mickey Rourke, que na época não possuía as inúmeras operações plásticas que o desfiguraram nos anos posteriores.

Capa do primeiro exemplar da Arena.

Capa do primeiro exemplar da Arena.

Vários profissionais de mídia da Inglaterra trabalharam para a Arena, entre eles Dylan Jones, que foi editor da revista no final dos anos 80, colaborando também com a The Face. Além disso, Jones também trabalhou na I-D e em outras publicações importantes, além de publicar mais de dez livros.

Gary Oldman na capa de um dos números.

Gary Oldman na capa de um dos números.

Entre os colaboradores da Arena estavam também jornalistas como Brian Schofield (que escrevia sobre viagens), Tony Parsons (do NME e autor de livros como “Man and a boy”), Karl Templer (um dos melhores stylists de tdos os tempos), Sophie Hewitt-Jones ; fotógrafos como Albert Watson, Nick Knight, Bruce Weber, Miles Aldridge, Luis Sanchez, Aldo Rossi e muito mais.

Bryan Ferry na capa da Arena.

Bryan Ferry na capa da Arena.

Em suas capas já estiveram: David Lynch, Jean Paul Gaultier, Elijah Wood, Bryan Ferry, Gary Oldman, John Hurt, Sting, Tim Roth, Ray Liotta, David Bowie, Gerard Depardieu, Damon Albarn, Michael Caine, Paul Newman, Rutger Hauer, entre outros.

Uma de suas capas mais badaladas foi a de 1993, com Bono Vox (do U-2) vestido de diabo vestindo paletó dourado.

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No mesmo ano, foi publicado um número especial sobre sexo com contribuições de colaboradores como Camille Paglia.

Em meados dos anos 90, a revista também publicou a ótima Arena Homme Plus, publicação bi-anual focada em moda e estilo, com editoriais magníficos e que continua sendo publicada até hoje.

Uma das sessões que eu mais gostava era a Vanity, uma sessão dentro da revista com dicas de estilo, matérias bacanas com ícones de elegância como Marcello Mastroianni.

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Fora os editoriais de moda, que revelaram modelos, estilistas, produtores, enfim, a Arena era pura sofisticação.

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O então iniciante modelo/ator Vincent Gallo em editorial para a Arena, clicado por Miles Aldridge.

Porém, a versão inglesa da GQ (publicada pela Condé Nast, dona da metade da Arena) e a falta de imagens mais apelativas atingiram as vendas da Arena, que foram diminuindo e a revista acabou sendo vendida para o grupo editorial Bauer Media.

Christopher Lambert foi capa de Arena no final dos anos 80.

Christopher Lambert foi capa de Arena no final dos anos 80.

A revista também acabou sendo publicada em outros mercados como a Ucrânia, Turquia, Coréia, Tailândia e Singapura.

A nova editora manteve a revista, deu uma popularizada e ainda por cima fez algo que nunca se imaginou: colocou mulheres de seios a mostra na revista visando melhorar as vendas.

Editorial da Arena com o supermodelo Alex Lindquist, clicado por Luis Sanchez.

Editorial da Arena com o supermodelo Alex Lindquist, clicado por Luis Sanchez.

Em 2007, a revista passou por uma repaginada, colocando na capa David Beckham e acabou perdendo seus leitores fiéis.

Mesmo assim, a competição com internet e outras causas contribuíram para vendagem em queda e a revista encerrou atividades em 2009.

Arena é mais uma das revistas que deixaram saudades, seu conteúdo de altíssimo nível, matérias de primeira e fotos elaboradas fazem falta de serem folheadas e lidas.

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