Warning: include_once(wp-includes/images/pin.png): failed to open stream: No such file or directory in /home/japagirl/public_html/blog/index.php on line 2

Warning: include_once(): Failed opening 'wp-includes/images/pin.png' for inclusion (include_path='.:/usr/lib/php:/usr/local/lib/php') in /home/japagirl/public_html/blog/index.php on line 2

Warning: session_start(): Cannot send session cookie - headers already sent by (output started at /home/japagirl/public_html/blog/index.php:2) in /home/japagirl/public_html/blog/wp-content/plugins/instagrate-to-wordpress/instagrate-to-wordpress.php on line 48
Arthur Mendes Rocha – Japa Girl












































































    RIP #leeradizwill and #rudolfnureyev 🖤🖤Wake up, Mthrfckrs! 
#10yearchallengeHappy Halloween from Vampirina 🖤“The Proposal” ( between 1880 - 1889) by Knut Ekwall (Swedish - 1843 - 1912)Full purple bloom galore!
#flordesaomiguel #violeteira #ravenala #kaizukaPapa Pirate & Mama Mermaid
#agathalunaJust opened! #cattleyaThe Death of Cleópatra 
Jean Andre Rixens - 1874How sundays should be ✨❤️✨About the happiest Easter ever!
Special thanx @marciosleme @milplantas

                
       
















bloglovin



CURRENT MOON


Arthur Mendes Rocha

TODAY’S SOUND: MILES AHEAD POR ARTHUR MENDES ROCHA

Encerrando os posts de docs e filmes musicais, hoje falaremos de “Miles Ahead”, o filme de e com Don Cheadle, no qual ele nos conta um interessante episódio na vida de Miles Davis, com direito a liberdades no roteiro e concepção das personagens.

miles-ahead

Não podemos denominar o filme como uma cinebiografia, pois ele não é um filme linear, que respeita datas e afins; ele nos mostra um período na vida do jazzista no qual ele ficou afastado das gravações e apresentações, como um período de descanso, de afastamento da música e de sua criação.

timthumb

Há várias cenas de flashbacks, especialmente do envolvimento de Davis com uma de suas mulheres, a dançarina Frances Taylor.

Don Cheadle e Emayatzy Corinealdi.

Don Cheadle (Miles) e Emayatzy Corinealdi (Frances) no Festival de Berlim deste ano.

Miles é vivido brilhantemente por Don Cheadle, numa performance que pode lhe render uma indicação ao Oscar, já que ele incorporou totalmente o jazzista, além de treinar as suas músicas e respirar Miles Davis o tempo inteiro, bem como ficar responsável pela direção do longa.

miles-ahead-4-420x420

Até as ordens que Cheadle dava aos atores e técnicos era na mesma voz que ele fazia Miles.

Cheadle se envolveu em cada processo do filme, deste a concepção do roteiro (ele co-escreveu o filme com Steven Bailgeman), a trilha sonora, o financiamento apara conseguir levar o filme às telas, apelando para o crowdfunding, bem como a ajuda de amigos.

No final dos anos 70, Miles Davis vivia um período de recesso em sua carreira, de 1975 a 1980, os chamados ‘silent years” (anos silenciosos), agravado por uso de drogas e medicamentos e ele simplesmente sentia que não tinha nada a dizer pela música, ele não tinha vontade de tocar.

miles_davis_91

O verdadeiro Miles Davis nos anos 70.

O filme usa esta “parada” na carreira pera nos contar um Miles que vivia um período dark, tendo pesadelos de seu passado com a ex-mulher Taylor (interpretada pela atriz Emayatzy Corinealdi), além de ter realizado uma gravação a qual ele ainda não havia lançado e há pessoas interessadas em se apossar destas gravações.

22

A atriz Emayatzy Corinealdi vive a ex-esposa de Miles, Frances Taylor.

Verdade ou não, o filme mistura várias pequenas histórias, períodos da vida de Miles e é um entretenimento, não uma biografia certinha e documental.

Como o próprio Cheadle declarou, isto não é uma cinebiografia e sim uma peça de música, uma composição, assim ele teve mais liberdade para contar esta história.

Cheadle e seus colegas de elenco Emayatzy Corinealdi e Keith Stansfield.

Cheadle e seus colegas de elenco Emayatzy Corinealdi e Keith Stansfield.

 

Uma figura fictícia tem uma importante participação no filme, o jornalista Dave Braden, da revista Rolling Stone, interpretado por Ewan McGregor (“Trainspotting”, “Moulin Rouge”), que invade o retiro de Miles para escrever uma matéria sobre ele e acaba participando das aventuras com o jazzista para recuperar suas gravações roubadas.

Cheadle e McGregor numa cena do filme.

Cheadle e McGregor numa cena do filme.

A participação de McGregor foi um dos motivos para que o filme conseguisse financiamento, já que o ator é bastante conhecido mundialmente, além de haver a necessidade de um ator branco para dividir os papéis principais (coisas do cinema comercial americano).

miles-ahead-1

Aliás, o filme tem várias cenas de ação como perseguições, brigas em lutas de boxe, prisões, enfim, são fatos que ocorreram na vida de Miles e que se tornaram elementos utilizados por Cheadle para fazer um filme divertido.

9

No filme, Miles vive recluso em seu apartamento em NY e avesso às badalações; ele vive a base de remédios (devido à dores causadas nos seus quadris) e estava viciado em cocaína.

O próprio figurino de Miles foi todo estudado conforme o que ele utilizava na época, na fase em que seus cabelos eram mais compridos e encaracolados, usava muitas roupas coloridas e extravagantes com muitas camisas de seda, brocados, rendas, estampa python (foto), além dos óculos escuros bem chamativos e que viraram sua marca registrada no final dos 70.

19

O estilo extravagante de Miles Davis.

O estilo extravagante de Miles Davis.

Cheadle aprendeu a tocar trompete há quatro anos e todos seus números musicais foram feitos em cima das músicas e com ele interpretando cada uma delas e depois foram sincronizadas com as músicas verdadeiras de Miles, para se ter uma ideia do perfeccionismo do ator/diretor.

milesahead

O romance entre Miles e sua então esposa se passa nos flashbacks e mantém toda a reconstituição daquele período, que cobre final dos anos 50 e início dos 60, sendo que ela foi sua musa inspiradora e modelo na capa de seus discos como “Someday my prince will come”.

A verdadeira Frances Taylor na capa de "Someday my prince will come".

A verdadeira Frances Taylor na capa de “Someday my prince will come”.

Na trilha sonora, os destaques vão para músicas de alguns discos de Miles como “Agharta” (de 1975), o icônico “Kind of Blue” (de 1959), ‘Bitches Brew” (de 1970), ‘We want Miles” (de 1981), “Porgy and Bess” (de 1959), “Nefertiti” (de 1968), entre outros.

Há uma cena bem divertida, na qual Miles e o jornalista vão pegar cocaína de um traficante e ele está escutando o disco “Sketches of Spain” (de 1960) e o trafi não acredita quando descobre que aquele é o próprio Miles e ainda leva um autógrafo do jazzista.

11-sketchesofspain

A trilha sonora foi altamente elaborada com diferentes composições de diferentes períodos Miles, além de músicas compostas especialmente para o filme por Robert Glasper, jazzista e artista de hip-hop/eletrônica, vencedor de dois Grammys e que tem em Miles uma de suas maiores influências.

O filme já começa com o “Prelude (Part 2)” do disco “Agartha”:

E também “Miles Ahead”, do disco homônimo:

Numa cena no final do filme, há a participação de lendas do jazz que trabalharam com Miles como Herbie Hancock (que iria fazer a trilha originalmente, mas teve de desistir por falta de tempo) e Wynton Marsalis, além da participação especial de jazzistas mais novos como Esperanza Spalding, Gary Clark Jr. e Antonio Sanchez.

Cheadle dirigindo uma das cenas do filme.

Cheadle dirigindo uma das cenas do filme.

Além disso, o filme realmente aconteceu graças à contribuição de seu sobrinho, Vince Wilburn Jr. (filho da irmã de Miles, Dorothy), que além de ter tocado com seu tio, é produtor executivo de “Miles Ahead”.

Vince Wilburn Jr. com seu tio Miles Davis.

Vince Wilburn Jr. com seu tio Miles Davis.

Ele fala que a escolha de Cheadle para viver o tio e dirigir foi feita com a benção de toda a família de Miles, incluindo os filhos, e que ele conviveu com o tio neste período do final dos 70 e declara que o que o tio queria era descansar um pouco, curtir seu boxe, assistir aos jogos na TV e passear por NY.

Michael Stuhlbarg, Emayatzy Corinealdi, Don Cheadle, Keith Stanfield, Ewan McGregor

O elenco do filme reunido no lançamento de “Miles Ahead” em New York.

Inclusive foi o próprio Wilburn que ventilou pela primeira vez que se fizessem um filme sobre seu tio, o ator que deveria interpretá-lo deveria ser Don Cheadle, sendo que o ator nem havia se comprometido com o filme ainda.

O filme estreou no final do ano passado no Festival de NY, foi mostrado este ano no Festival de Berlin e tem sido bem recebido nos circuitos comerciais de EUA e Europa. Sua estreia no Brasil ainda não foi confirmada, por enquanto ele pode ser visto em torrent ou neste link do youtube com legendas em espanhol:

 

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

Today’s Sound: Pete Burns por Arthur Mendes Rocha.

Pete Burns ficou conhecido como o vocalista do Dead or Alive, suas montações e agora também suas inúmeras cirurgias que acabaram por transformá-lo em outra pessoa.

Pete nasceu em 1959, de pai inglês e mãe alemã e esta sentiu desde cedo que seu filho era especial chamando-o de Star Baby.

No início de sua vida adulta, ele já mostrava interesse pela música, trabalhando em lojas de discos como a Probe Records em Liverpool, que virou ponto de encontro dos músicos da época.

Além de chamar muita atenção pelo seu visual com cabelo mega comprido com dreads, muita maquiagem, unhas postiças, tapa-olhos, além de um figurino bem andrógino. Ele afirmava inclusive que Boy George copiou seu estilo.

Em 1977, ele se dá conta que poderia cantar durante ensaios com o grupo Mistery Girls, que na verdade só tocou uma vez, abrindo um show do Sham 69.

Em 1979, ele forma o Nightmares on Wax (não confundir com o grupo de música eletrônica), grupo pós punk gótico que chegou a lançar alguns singles como “Black Leather”:

Depois de muitas trocas entre os membros da banda, em 1980, antes de uma sessão para o programa de John Peel, ele troca o nome da banda para Dead or Alive.

O primeiro single da banda foi em 1982, com “The Stranger”, que atingiu o sétimo lugar na parada de independentes e os fez assinar com a gravadora Epic. Um detalhe interessante é que nesta época fazia parte da banda Wayne Hussey (que foi para o Sisters of Mercy e depois formou o The Mission).

Em 1984 eles lançam o álbum “Sophisticate Boom Boom” que continha a música “That’s the way (I like it)” cover de K.C. & the Sunshine Band e seu primeiro top 40 hit na Inglaterra:

Foi com seu segundo álbum “Youthquake”, produzido por Stock, Aitken e Waterman (que depois produziriam Kylie Minogue, Jason Donovan, Rick Astley, entre outros) que eles alcançaram o sucesso, especialmente devido ao hit “You spin me round (like a Record), primeiro lugar nas paradas inglesas e em vários lugares do mundo:

Seu álbum seguinte “Mad, Bad, Dangerous to know” não teve o mesmo desempenho do anterior, já que não tinha um single forte, assim a música “Brand New Lover” só atingiu o 15º lugar na parada da Billboard:

O álbum ‘Nude” só teve sucesso em mercados como o Japão e Brasil, onde “Come home with me baby” chegou ao primeiro lugar na parada internacional:

Nos anos 90, a carreira do grupo ficou meio estagnada, alguns álbuns e singles de pouco sucesso. Os maiores hits continuavam sendo as coletâneas de sucessos e remixes de músicas antigas.

Pete Burns participou em 2006 do Celebrity Big Brother, reality show de sucesso na TV inglesa, onde ele voltou aos noticiários por suas declarações e por suas cirurgias, que acabaram modificando bastante seu aspecto, já que muitas delas não foram bem sucedidas.

Mesmo assim, ele continua na ativa, fazendo participações em programas na TV inglesa, além de shows (sem o Dead or Alive) como o Hit Factory, que acontecerá em Londres em julho deste ano em homenagem ao produtor Peter Waterman.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: THE STORY OF SKINHEAD DE DON LETTS POR ARTHUR MENDES ROCHA

O doc musical de hoje acaba de ser lançado na TV inglesa e nos conta um pouco da história do movimento skinhead e se chama ‘The Story of Skinhead”, tendo sido dirigido por Don Letts.

skin-don

Letts é uma figura lendária da cultura inglesa, pois além de DJ, é diretor de videoclipes e documentários como ‘The Punk Rock Movie”, ‘The Clash: Westway to the world”, entre outros.

Além disso, ele foi dos primeiros DJs a misturar punk com reggae nas suas discotecagens no club Roxy, além de realizar vídeos para o The Clash e até participar da banda Big Audio Dynamite ao lado de Mick Jones (guitarrista do The Clash).

Don Letts (segundo da esq. p a dir.) com o Big Audio Dynamite.

Don Letts (segundo da esq. p a dir.) com o Big Audio Dynamite.

Letts se debruçou na cultura skinhead, considerada dos primeiros movimentos multiculturais, já que reunia os mais diferentes grupos e classes sociais.

O detalhe mais importante do documentário é que ele nos conta as origens do movimento e pasmem: os skinheads não eram violentos, eles curtiam reggae e respeitavam as demais etnias. Com o tempo, esta essência skinhead foi perdendo várias de suas características e ficando cada vez mais associada à violência e ao racismo.

skins4

Mas eles não começaram assim; os skinheads se originaram da junção das culturas da classe trabalhadora inglesa (cockney) e a cultura jamaicana, eles se destacavam pela sua maneira de vestir e pelos cabelos raspados (daí o nome skinhead, ou seja, sem cabelo).

skins2

No doc, isto é muito discutido, já que como pode os skins gostarem de reggae jamaicano e serem racistas? Isto é muita contradição, concordam?

skin2

Mas vamos ao doc: Letts vai nos contando como a primeira leva de imigrantes jamaicanos que desembarcaram em Londres nos anos 60 vão deixando sua música influenciar toda uma geração.

Foto de um skinhead por Gavin Watson.

Foto de um skinhead por Gavin Watson.

Nesta época existiam os teddy boys, os  rocers, os mods; os skins eram uma outra subcultura, eles usavam cabelo curto, raspado, botas, jeans claros, jaquetas. O jeito de vestir os diferenciavam muito e Letts nos leva a uma loja em Richmond, pertencente a John Simmons.

skin1

Simmons era o proprietário da loja Ivy Shop, onde os skins compravam suas roupas, especialmente a Harrington jacket (nome inspirado pelo personagem de Ryan O’neal na novela americana ‘Peyton Place”), também conhecida como Baracuta, uma jaqueta utilizada por jogadores de golfe.

skins-symond

Além disso, o reagge era o ritmo escolhido, feito por artistas como Desmond Dekker do selo Trojan.

Ah, é importante notar que as garotas skinhead também eram bem estilosas, usando polos (geralmente da marca Fred Perry), com franja bem curta e um pouco mais compridos na parte de trás.

skinhead-girls

skins-11

Além disso, o uniforme skinhead incluía suspensório com Doc Martens (os famosos coturnos ingleses), de preferência na cor vermelha/bordô.

skin-trail

1969 é um ano marcante para os skinheads, pois é o perído em que começam a ser notados pela mídia, especialmente no meio dos frequentadores dos jogos de futebol que enfrentavam a polícia, já que era onde eles podiam extravasar sua testosterona gritando, brigando e fugindo dos policiais.

Police chase skinhead during rioting in Wood Green, July 1981.

Nesta época, é lançado o livro “Skinheads” de Richard Allen, que falava mais a fundo do que era ser um skinhead na época.

skinhead-book

Uma das músicas que os embalavam era o hit do The Equals, “Black Skinned Blue-eyed boy”, que justamente prega uma harmonia racial de brancos e negros na pele de um negro de olhos azuis:

No doc há depoimentos de figuras importantes no movimento skinhead, tais como Pauline Black (a vocalista do grupo de ska, The Selecter), Roddy Moreno (da banda skinhead The Opressed), Garry Bushell (o ex-manager do Cockney Rejects e que cunhou o termo Oi!), Gavin Watson (fotógrafo do livro “Skins and Punks”), Symond Lawes (ator, autor e idealizador do festival The Great Skinhead Reunion), entre outros.

Pauline Black, a vocalista do The Selecter está no documentário.

Pauline Black, a vocalista do The Selecter está no documentário.

skinhead

Symond Lawes, o poster boy dos skins, na capa do Skinhead Times.

Outro entrevistado é Joseph Pearce, ex-integrante do partido National Front, com os quais os skinheads foram associados politicamente, o que foi considerado um erro para o movimento, já que era um partido que pregava ideias retrógradas como ser um partido de supremacia branca.

skins5

Outro estilo que os skinheads curtiam era o Two Tone, o ska de bandas como The Specials, cujo hit ‘A message to you Rudy” eles muito dançaram:

Com a chegada do movimento punk na Inglaterra, os skinheads tiveram um revival em meados dos anos 70 e passaram a ser associados com os punks, pois se identificavam com estes, e passam a frequentar os clubs onde tocavam as bandas de punk rock, especialmente as bandas do chamado estilo Oi!

skins3

O estilo Oi! era um subgênero de punk que unia punks, skinheads; era punk rock para a classe trabalhadora, já se encaminhava para um hardcore, mas também misturava punk rock com bandas inglesas dos anos 60, tinha influência de hinos de futebol e mais.

Uma destas bandas de Oi! era o Sham 69, liderada pelo vocalista Jimmy Pursey (que dá depoimento no doc) e que decretou o final de suas apresentações ao vivo na época em razão de um show em Finsbury Park, em 1979, no qual a apresentação foi invadida por skinheads que apoiavam o National Front.

A banda Angelic Upstarts também atraía os skinheads com suas letras antifascistas e de cunho socialista e são considerados pioneiros do estilo Oi! com músicas como ‘The murder of Liddle towers”:

Com os skinheads indo para uma vertente de rock mais pesado das bandas Oi!, isto também acarreta uma atitude mais violenta, mais furiosa e nervosa, eles passam a usar mais tatuagens por exemplo, inclusive no rosto.

skin-tatoos

Seu visual vai ficando mais perigoso, mais enfrentativo, com mais elementos militares, até se voltarem para conflitos raciais, enfrentando os negros e as comunidades de asiáticos que viviam em Londres.

skins

No início dos anos 90, bandas como o Skewdriver tem uma postura nitidamente nazista e fascista, altamente racista.

A mídia também contribui para tornar os skinheads figuras temidas e perigosas, sempre envolvidos em brigas e confusões, tonando-se uma facção temida em países da Europa Oriental.

skins-1980s

Mas o que o doc nos ensina é que esta visão que a mídia criou do skinhead é uma visão distorcida da realidade; o skinhead original é um cara pacífico, que gosta de curtir o seu reggae e espera-se que esta visão seja novamente recuperada e que possamos reconhecer o real valor desta subcultura que contribuiu muito para o multiculturalismo que vivemos nos dias de hoje.

Cenas do documentário da BBC4.

Cenas do documentário da BBC4.

Corram para ver, pois a BBC4 disponibilizou o doc no youtube, mas costumam retirar do ar em alguns dias:

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: BOY GEORGE’s 1970s: SAVE ME FROM SUBURBIA POR ARTHUR MENDES ROCHA

Nos próximos posts, falaremos de documentários e filmes cujo tema principal é a música, sejam biografias de artistas, documentários sobre bandas, suas influências e mais.

Iniciamos hoje pelo recente documentário apresentado pela BBC 2 inglesa sobre Boy George e suas influências nos anos 70, intitulado ‘Boy George’s 1970s: Save me from Suburbia”.

boy-george-bbc

O doc é simplesmente uma delícia de ver, com Boy George nos conduzindo pela Londres que ele viveu em sua adolescência, desde sua vida nos subúrbios até começar a se antenar para o que estava acontecendo na metrópole na década de 70.

Ele começa se rasgando de elogios para David Bowie, o artista da época que mais o influenciou, pelo qual ele queria largar tudo e segui-lo onde quer que fosse.

boy-bowie

Boy George nos mostra discos de Bowie que escutava na sua vitrola, o apartamento onde morou, as influências das músicas que o irmão mais velho escutava.

Outra coisa legal é que sua mãe participa do doc e ela nos fala como era ele adolescente, quando estava descobrindo sua sexualidade e Bowie era influência no seu jeito de agir e se vestir; não era mais um crime gostar de outros meninos, sua opção sexual era sua, uma escolha na qual ninguém deveria se intrometer.

boy-and-his-mom

Ele cita a icônica apresentação de Bowie no Top of the Pops interpretando “Starman”, em 1972, um marco em George e seus amigos, bem como toda uma geração de artistas ingleses.

Bem como a vez que foi até o bairro onde Bowie morava com Angie e a casa que pertencera ao casal.

Além disso, Londres vivia uma época de caos econômico, com muito desemprego e atitudes racistas, repressoras e homofóbicas.

boy2

Era o momento certo para que o movimento punk nascesse e trouxesse uma atitude diferente para os jovens, de questionamento, de crítica a esta sociedade hipócrita.

Boy George era um destes jovens, ele começa a frequentar a noite, ele nos relata que um de seus amigos que abriram as portas desta modernidade para ele foi Philip Sallon, que aparece no documentário e nos fala dos primeiros lugares que ele levou o jovem George O’Dowd (nome real de Boy) como o Mud Club,  Bangs, Louise’s, Bromley Contigent e outros clubs e noites da época.

boy-e-salon2

O jovem Boy George ao lado de Philip Sallon.

Mas o que mais chamava a atenção de Boy George era a maneira como Sallon se vestia, sempre com modelitos arrasadores (Sallon trabalhou no departamento de figurinos da Royal Opera House, bem como na BBC) e sem medo de enfrentar a sociedade com sua moda extravagante e cheia de personalidade.

Boy George (primeiro da dir. p a esq.) com Sallon e uma amiga.

Boy George (primeiro da dir. p a esq.) com Sallon e uma amiga.

Sallon trabalhou como host no Mud Club, além de realizar bailes que ficaram na história da Heaven, os chamados ‘Heaven Ball”. Era figura badalada e conhecia todo o underground londrino; para ter uma ideia,  Malcom McLaren pedia sua opinião inúmeras vezes se por exemplo ele gostava do garoto Johnny Rotten como vocalista do Sex Pistols.

boy-e-salon

Sallon foi das grandes influências de Boy George, especialmente no quesito de assumir a postura gay e usar a moda a seu favor; ele não tinha medo de ousar, de abusar da extravagância, mas sempre com originalidade, ele estava sempre na vanguarda e o que vestia acabava se tornando moda algum tempo depois.

George nos fala de quando ouviu pela primeira vez a canção ‘Walk on the wild side” e todas as implicações que a letra fazia às pessoas da noite, aos travestis (nas figuras das Warhol superstars Holly Woodlawn e Candy Darling), a ruptura que Reed propunha, um hino de aceitação a um lado mais rebelde de ser.

Outro momento legal do doc é quando ele nos leva na loja Sex de Vivienne Westwood e Malcom McLaren, ou na verdade, o que se transformou o local onde a loja era localizada na King’s Road e todas as lembranças de como ele desejava se vestir com as roupas de lá (mas não podia pagar).

Vivienne Westwood (prim. da dir p a esq.) com atendentes e frequentadores de sua loja Sex.

Vivienne Westwood (prim. da dir p a esq.) com atendentes e frequentadores de sua loja Sex.

E falando em MacLaren, ele relembra quando foi convidado pelo empresário a participar do grupo Bow Wow Wow e quando ele cantou junto com a banda sem nunca ter pisado num palco antes. Anos depois, ele chegaria ao segundo lugar da parada britânica com ‘Do you really want to hurt me”(chocando a todos com seu visual andrógino):

Boy George vai passeando por lugares que foram marcantes em sua vida, como o famoso Blitz, o club onde o host era Steve Strange e que se tornou o lugar mais disputado da noite londrina no final dos anos 70.

George fala de como a cena New Romantic foi virando mais e mais importante em sua vida, quando esta suplantou o punk para ele; pois quando o punk ficou mais mainstream, os new romantics foram além na produção e ainda mais ultrajante visualmente.

Strange e George competiam por quem atraía mais atenção, já que George ainda era um jovem ingênuo e Strange já era bem mais descolado e conhecido, mas as coisas mudaram bem quando George virou uma sensação mundial.

Boy George (à esq.) com Steve Strange no Blitz Club.

Boy George (à esq.) com Steve Strange no Blitz Club.

Um que também aparece no doc é Rusty Egan, que era o DJ do Blitz e nos conta que tocava Bowie, Reed, Velvet Underground, Roxy Music, Kraftwerk e como todos ficavam enlouquecidos na pista.

Inclusive, ele nos guia por onde costumava ser o Blitz, mostrando espaços que ficaram na história da noite londrina.

Rusty Egan (primeiro da dir. p a esq.) com Midge Ure (no centro) e Steve Strange numa noitada no Blitz.

Rusty Egan (primeiro da dir. p a esq.) com Midge Ure (no centro) e Steve Strange numa noitada no Blitz.

Outra participação é a de Martin Degville (o vocalista do Sigue Sigue Sputnik), amigo de Boy George de longa data, os dois inclusive moraram juntos e eles nos contam como foram estes momentos: a preparação deles para sair, a escolha do figurino, o som que escutavam como o reggae (que foi grande influência no Culture Club) e outras músicas da época.

Boy George (no centro) com Degville (à esq.) e um amigo.

Boy George (no centro) com Degville (à esq.) e um amigo.

Além de dividirem o mesmo teto, eles também trabalhavam juntos já que George vendia as roupas de Degville nas feiras locais.

George (segundo da esq. p a dir.) com Degville (centro) e mais dois amigos.

George (segundo da esq. p a dir.) com Degville (centro) e mais dois amigos.

Degville e Boy George inclusive participaram do programa “Something Else’, cujo trecho é mostrado no doc e foi a primeira entrevista de George para a TV britânica, onde ele enfrenta alguns punks que também participavam, isto em 1979, como podemos ver abaixo:

Outras aparições no doc são de Princess Julia, a influente DJ e figura da noite e moda londrina, além de Andy Polaris (do grupo Animal Nightlife), entre outros.

Mas um dos momentos ápices é quando ele encontra seu antigo amigo, Marilyn, que bombou nos anos 80 como cantor, mas mais como uma figura que causava furor por seu visual andrógino e toda montação. Na verdade, Marilyn ficou mais famoso pelos looks que por sua vocação artística, já que nunca atingiu a fama de pop star de Boy George.

boy-e-marilyn2

Boy George (de gueixa) com Marilyn na porta do squat que dividiram no final dos anos 70.

É interessante vermos os dois conversando e trocando ideias de como era viver naquela época, eles nos mostram o squat (apartamento abandonado que era invadido) que dividiram e que hoje já é um prédio completamente diferente.

boy-e-marilyn

Os dois já foram grudados, já brigaram, viraram inimigos, mas hoje voltaram a ser amigos, afinal eles tem uma história de vida juntos e ambos viveram os altos e baixos da fama. Abaixo os dois numa recente entrevista no programa Breakfast da BBC em função do lançamento do single de Marilyn, produzido por George:

George e Marilyn já questionavam a questão da gênero nos anos 70, muito ates deste assunto entrar em voga, como hoje em dia; eles já se vestiam de mulher, já discutiam os limites do masculino e feminino naquela época, foram perseguidos e não entendidos em função de suas escolhas.

boy-e-marilyn-hoje

Marilyn (à esq.) com Boy George em foto recente.

Vale a pena conferir o doc, uma pena que ele estava disponível no youtube (foi lá que o assisti), mas agora a BBC retirou-o do ar, mas existe o torrent para ser baixado.

Como o próprio Boy George define: ‘Eu penso nos anos 70 como esta gloriosa década onde eu descobri quem eu era e descobri todas estas coisas incríveis – punk rock, electro, música, moda, tudo isso. E claro que havia o lado negro dos anos 70, o lixo, as greves, a pobreza e eu fui perseguido e confrontado pelo meu jeito de vestir. Mas eu era um adolescente, não tinha saco de ficar me lamentando; eu só estava vivendo um momento incrível com meus amigos’.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: GINA LOLLOBRIGIDA POR ARTHUR MENDES ROCHA

E finalizando os posts de divas italianas, hoje falamos de uma das maiores de todas as estrelas que a Itália nos trouxe: Gina Lollobrigida.

gina4

Atriz, fotógrafa, escultora, são várias as atividades que ela se dedicou (ou se dedica), mas ela ficou mesmo famosa por sua beleza, sensualidade e interpretações que conquistaram o mundo.

Linda, ela estraçalhou corações desde Howard Hughes ao Príncipe Rainier e voltou aos noticiários recentemente por homens que disputam seu amor e fortuna.

gina-lollobrigida7

Gina já contracenou com os maiores astros, desde Sinatra, passando por Yves Montand, Rock Hudson, Burt Lancaster, Marcello Mastroianni, Steve McQueen, Yul Brynner, Sean Connery, Errol Flynn e muitos outros.

Ela já foi dirigida por diretores como John Huston, King Vidor, Carol Reed, Vittorio De Sica, Robert Siodmak, isto só para citar alguns.

gina-lollobrigida

Gina nasceu de uma família simples, enfrentou dificuldades na guerra, mas conseguiu trabalho como modelo e ajudava a sustentar a família.

gina-lollobrigida12

Em 1945, ela estuda pintura e escultura no Instituto de Belas Artes de Roma, até que um descobridor de talentos a convence a participar de filmes rodados na Cinecittà (a Hollywood italiana).

No começo ela recusa, mas já mostra que possuía métodos de persuação, já que os produtores acabam lhe pagando mais do que haviam imaginado.

Em 1947, ela participa de concursos de beleza como o Miss Itália, no qual fica em terceiro lugar (junto com a amiga Silvana Mangano).

gina_lollobrigida

Em 1949, ela se casa com Milko Skofic, que vira seu manager e com o qual ela tem um filho, Andrea.

Em 1950, Howard Hughes a chama (sozinha) para fazer testes em Hollywood, depois de ver fotos suas de maiô e ter ficado enlouquecido com “La Lollo”.

gina-lollobrigida10-twlight-of-the-goddess-vf

Porém, ela não se rende aos avanços de Hughes, mas, por insistência deste, assina um contrato. Mais tarde ela declarou ser muito ingênua e não percebera como Hughes era muito mais interessante que seu marido.

Depois de participar de vários filmes, seu primeiro papel importante acontece em 1953 com o filme “Pane, Amore e Fantasia” (Pão, Amor e Fantasia), no qual ela conquista público e crítica no papel de Maria de Ritis ao lado do veterano De Sica, sob a direção de Luigi Comencini.

Gina em 'Pão, amor e fantasia".

Gina em ‘Pão, amor e fantasia”.

No mesmo ano, ela já faz sua estreia no cinema americano pelas mãos de John Huston e tendo como colega de elenco, Humphrey Bogart no filme “Beat the Devil” (O Diabo riu por último).

Gina com Humphrey Bogart em 'Beat the devil".

Gina com Humphrey Bogart em ‘Beat the devil”.

Gina começava a ser notada pelo mundo, a ponto de estampar a capa da revista Time em 1954.

gina-time

Em 1955, ela vence seu primeiro David di Donatello como melhor atriz por ‘La Donna più bella del mondo”(A mais bela mulher do mundo). Uma curiosidade: Gina canta todas as músicas do filme como “La Spagnola’ abaixo:

E também a ária de “Tosca” (pela qual recebeu elogios da própria Maria Callas):

Em 1956, ela é dirigida por Carol Reed no drama circense, ‘Trapeze” (Trapézio), no qual ela é disputada por Burt Lancaster e Tony Curtis.

gina-lollobrigida-twlight-of-the-goddess-vf

Gina com Burt Lancaster (à esq.) e Tony Curtis numa cena de “Trapeze”.

Foto promocional de "Trapeze".

Foto promocional de “Trapeze”.

No mesmo ano, mais um sucesso: a versão para o cinema do clássico da literatura mundial, ‘O Corcunda de Notre Dame”, onde ela brilha como Esmeralda, a paixão do corcunda Quasimodo vivido por Anthony Quinn.

gina7

Gina como Esmeralda em ‘O Corcunda de Notre Dame”.

Em 1959, ela estrela como a Rainha de Sabá na superprodução de King Vidor, “Solomon and Sheba” (Salomão e a Rainha de Sabá), desfilando figurino criado por Ralph Jester (de “Os dez mandamentos’) que acentuavam suas belas formas.

gina2

A cena inicial, de uma orgia, foi retratada de maneira realista para um filme hollywoodiano de época, como vemos no clipe abaixo, com Gina no ápice de sua sensualidade arrasando numa dança pagã:

Ainda em 1959, ela é dirigida pelo mestre Jules Dassin (de “Rififi”) no filme “The Law’ (A Lei dos Crápulas”), contracenando com Mastroianni e Yves Montand.

E também no mesmo ano, ela ainda contracena com Frank Sinatra e Steve McQueen em ‘Never so few” (Quando explodem as paixões).

Gina com Frank Sinatra em "Quando explodem as paixões".

Gina com Frank Sinatra em “Torrente de paixões”.

O estilo de Gina conquistava cada vez mais as plateias e seu estilo era copiado e admirado por todos: as mulheres queriam ser como ela e os homens a desejavam.

Em 1961, ela faz uma ótima dupla com Rock Hudson no filme ‘Come September’ (Quando setembro vier). Ela chegou a declarar que Hudson não parecia ser gay, já que demonstrava sentir algo quando a beijava e que ele foi a pessoa mais adorável com quem já trabalhou; os dois fazem outro filme juntos em 1965 (‘Amor à italiana”).

Gina e Rock Hudson em 'Come September".

Gina e Rock Hudson em ‘Come September”.

Em 1964, mais um filme interessante, desta vez ao lado de Sean Connery (o mais famoso James Bond) sob a direção do britânico Basil Dearden (diretor de filmes sobre temas polêmicos como racismo e homossexualismo nos anos 60).

gina-and-sean

Porém, o restante de seus filmes desta época ou são muito comerciais ou não fazem o sucesso esperado.

Com o seu divórcio, ela passa a ser disputada por Rainier, o então Príncipe de Mônaco, que era casado com Grace Kelly, mas não podia ver a italiana por perto que ficava flertando com ela.

No final dos anos 70, ela se dedica mais á fotografia, retratando celebridades e políticos como Fidel Castro, com quem consegue uma entrevista exclusiva.

gina-photo2

Gina já fez mais de 60 filmes e durante os anos 80 ela também faz televisão, aparecendo em episódios de ‘The Love Boat” (O Barco do amor) e também em ‘Falcon Crest’ (em papel idealizado para sua ‘rival’ Sophia Loren).

gina-lollobrigida-gina_nrfpt_02

Além disso, ela faz algumas aparições na TV italiana, mostrando outro de seus talentos, o de cantora, como a vemos abaixo interpretando ‘Bésame Mucho’:

Seu último filme foi em 1997, mas ela continua admirando o cinema e participando de festivais, seja no júri ou homenageada.

Como ela mesma afirma, ela acabou sendo atriz por acaso, já que o que estudava era pintura e escultura.

gina-lollobrigida11

Com o passar dos anos, Gina continua arrebatando corações, desta vez de homens mais jovens como Javier Rigau y Rafols que era 27 anos mais moço que ela. Eles marcam casamento em 2006, mas a atriz acaba desmarcando.

Porém, ele se mostra um interesseiro de primeira, ao “forjar” um casamento com a atriz, utilizando uma substituta que se faz passar por Gina.

gina8

O bafo foi tal que até hoje continua a briga entre advogados para provar que o casamento foi uma farsa.

Neste meio tempo, Gina ainda se envolveu com outro jovem, Andrea Piazzola, que agora é seu manager, para desespero do ex-marido e do filho, já que Gina está com 87 anos e eles não a julgam assim tão sã.

Ultimamente Gina se dedica também a esculpir, ela é fã do trabalho de Jeff Koons e já expôs em vários lugares com a ajuda de Piazzola.

Mesmo loira Gina continua linda, ainda mais vestindo Pucci.

Mesmo loira Gina continua linda, ainda mais vestindo Pucci.

A última que a envolve é uma ação movida pelo próprio filho, alegando que sua mãe precisa de um administrador para seus bens, já que ela já não responde pelos próprios atos.

Com todos estes bafos, Gina está aí, continua frequentando eventos sociais, sempre montada em roupas extravagantes, pencas de joias e nem aí para o que vão pensar sobre ela.

Foto mais atual de Gina.

Foto mais atual de Gina.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: ALIDA VALLI POR ARTHUR MENDES ROCHA

A diva italiana de hoje é Alida Valli, atriz que tem no seu currículo trabalhos com Hitchcock, Visconti, Antonioni, Carol Reed, Bertolucci, Pasolini, Dario Argento, Georges Franju, entre outros; tendo participação em mais de 130 filmes dos mais diversos gêneros.

alida-valli-alida_03

Valli além de tudo tinha um título de nobreza, sendo batizada de Baronesa Alida Maria Laura Altenburger Von Marckenstein-Frauenberg;  mas claro que para ser uma atriz ela teve que diminuir este pomposo nome.

Ela decidiu pela carreira artística aos quinze anos, quando ingressou na escola de atores e diretores, o Centro Sperimentale di Cinematografia, em Roma.

alida3-1

Foi graças ao estímulo de professores de lá como Francesco Pasinetti que ela investiu na carreira de atriz de cinema, tendo iniciado por uma pequena participação em “I due sergenti” (The Two Sergeants), em 1936.

Entre 1937 e 1939, ela participa de dez filmes, incluindo ‘Mille lire al mese” (Vida apertada), seu primeiro grande sucesso comercial.

Seu salário ia aumentando a cada filme, principalmente nos gêneros comédia e romance, e ela percebe que poderia ajudar a sustentar a família.

alida5

Em 1941, ela é escolhida como a heroína de “Piccolo Mondo Antico”, dirigida por Mario Soldati, mostrando seu talento em papel dramático que lhe rendeu um prêmio especial de melhor atriz no Festival de Veneza.

Mesmo durante a segunda guerra, ela faz sucesso no filme “Strasera niente de nuovo”, de 1942, onde ela mostra seus dotes de cantora, interpretando a canção “Ma l’amore no”, música que embalou vários romances na época:

No mesmo ano, ela também mostra seu talento dramático em ‘Noi Vivi” (Almas Pecadoras).

Em 1944, ela se casa com o pianista de jazz e pintor, Oscar de Mejo e com ele tem um filho, Carlo.

Encantado com sua beleza e talento, David Selznick (o famoso produtor de “E o vento levou”) achou que havia descoberto uma nova Ingrid Bergman e a contratou para alguns filmes na América.

alida-valli-09

Inclusive quando ela tentou conseguir o visto americano, este lhe foi negado por boatos de que ela era simpatizante do fascismo e havia se envolvido com um nazista, mas isto nunca chegou a ser provado.

Seu primeiro trabalho nos EUA foi em “The Paradine Case” (Agonia de Amor), em 1947, ao lado de Gregory Peck, considerado um dos filmes menos badalados de Alfred Hitchcock, pois o diretor já estava cansado de sua parceria com Selznick.

alida-e-gregory

Alida Valli com Gregory Peck em foto promocional para “The Paradine Case” de Hitchcock.

Na América, os produtores optam por denominá-la apenas como Valli, para que soasse mais ‘exótico” para as plateias americanas.

Em 1948, ela estrela o filme “The Miracle of the Bells” (O Milagre dos Sinos), onde ela contracena com Frank Sinatra e Fred MacMurray (de “Double Idemnity”). Valli ficou completamente apaixonada por Sinatra durante as filmagens e chegou a declarar: “Ele (Sinatra) foi a minha maior paixão (não correspondida)”.

Valli entre Fred MacMurray (à esq.) e Frank Sinatra em foto de "The Miracle of the Bells'.

Valli entre Fred MacMurray (à esq.) e Frank Sinatra em foto de “The Miracle of the Bells’.

Mas o filme de língua inglesa que Valli realmente arrasa é em “The Third Man” (O Terceiro Homem”), filme que se tornou um clássico britânico de espionagem, uma trama cheia de reviravoltas e com elenco excepcional que inclui Orson Welles e Joseph Cotten.

Valli em cena de 'The Third Man", ao lado de Joseph Cotten,

Valli em cena de ‘The Third Man”, ao lado de Joseph Cotten,

A fotografia em p&b é nada menos que exuberante, cheia de climas e jogos de sombras, uma atmosfera bem noir. O filme entrou para a história do cinema como um ds melhores filmes de todos os tempos.

Alida Valli em foto promocional de 'The Third Man".

Alida Valli em foto promocional de ‘The Third Man”.

Seus próximos filmes são produções medianas, com bons atores, mas nada de expressivo.

Até que em 1954, já de volta à Europa e separada do marido, ela é chamada para filmar com o genial Luchino Visconti, no filme ‘Senso’ (Sedução da Carne).

Valli sendo dirigida por Visconti em "Senso".

Valli sendo dirigida por Visconti em “Senso”.

O filme é um melodrama, onde ela está belíssima como uma condessa que se apaixona pelo homem errado, papel vivido por Farley Granger (de “Strangers on a train’), que a faz sofrer por amor.

alida-valli4-theredlist

Valli com Farley Granger numa cena de “Senso”.

‘Senso’ lhe trazia novamente para a Itália, mais perto da plateia que a consagrara e acaba sendo um sucesso de público e crítica.

alida-senso

Depois disso, ela resolve se dedicar mais ao teatro, encenando peças da Broadway na Itália, afastando-se por um período do cinema.

Em 1957, ela é requisitada por outro grande diretor, ainda em início de carreira: Michelangelo Antonioni, que filma com ela, “O Grito”.

alida-valli2-theredlist

Porém o sucesso deste período é eclipsado por um escândalo: ela se envolve com um amigo do ex-marido, Piero Piccioni, filho de um ministro, que se envolve no caso Montesi, que agita a sociedade italiana. O caso envolvia a morte de uma jovem, Wilma Montesi, cujo corpo havia sido encontrado numa em uma praia.

Seu então namorado é um dos suspeitos e Valli é chamada para depor em favor dele, sendo que o caso nunca foi resolvido e isto acaba por lhe trazer má publicidade.

alida-starlet

Ela continua filmando e no início dos anos 60 casa novamente, desta vez com o diretor Giancarlo Zagni (de “A Beleza de Hipólita”), e se muda por um tempo para o México.

Durante a década de 60, ela fará filmes bastante interessantes como o clássico do terror “Les yeux san visage” (Olhos sem rosto) de Georges Franju e “Édipo Rei’ de Pasolini, além de algumas participações em seriados americanos como “Combate’ e ‘Dr. Kildare”.

alida-linda

Com a chegada dos anos 70, ela filma com Bernado Bertolucci em “Strategia del ragno” (A Estratégia da Aranha) e também “1900”, bem como estrela em alguns filmes de terror, com destaque para o incrível “Suspiria” de Dario Argento.

No teatro ela ainda aparece em diversas peças, como uma versão de ‘Lulu’ sob a direção de Patrice Chéreau (de ‘A Rainha Margot”).

alida3

Durante os anos seguintes, Valli filma produções menores, algumas de exploitation, bem como minisséries para a TV.

No teatro ela fez peças de Pirandello, Ibsen, Arthur Miller, entre outros autores de prestígio.

Em 1997, o Festival de Veneza lhe premia com o Leão de Ouro especial pela sua carreira dedicada ao cinema.

alida-mais-velha

Ela filmou até 2002, sendo que seu último filme foi ‘Angel of Death” (O Anjo da Morte) com Mira Sorvino.

A atriz veio a falecer em 2006, aos 84 anos.

Valli foi das grandes atrizes do cinema italiano e internacional, tendo atuado quase sem parar, mesmo nos momentos mais difíceis de sua vida, enfrentando guerras, escândalos, mas nada abalava sua garra e paixão por interpretar.

 

 

   Comentário RSS Pinterest