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Arthur Mendes Rocha

TODAY’S SOUND: BREAKING BAD POR ARTHUR MENDES ROCHA

Este ano, mais precisamente em agosto, será a última temporada de uma das séries mais cultuadas dos últimos tempos: “Breaking Bad”.

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Depois de eletrizantes quatro temporadas e meia, a série terá seus oito últimos episódios exibidos pelo canal AMC, que produz a série.

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Tudo começou em 2008, quando Vince Gilligan (que também era roteirista de “Arquivo X”) teve a idéia de fazer uma série sobre um professor de química que está com câncer e resolve “chutar o balde” e ganhar muito dinheiro produzindo a droga perfeita.

Abaixo o promo da primeira temporada:

A droga em questão é o crystal meth (meta-anfetamina) que ele sabe a fórmula e como fazê-la da melhor maneira possível e para isto conta com a ajuda de seu ex-aluno para a ajudá-lo a vender.

No começo, nosso anti-herói, Walter White, interpretado por Bryan Cranston, está cheio de boas intenções e seu objetivo é deixar sua família bem depois que morrer.

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Porém Walter vai pegando gosto pela coisa, se envolvendo cada vez mais no mundo do tráfico, sua droga vai sendo disputada pelos traficantes mais perigosos do pedaço e ele os enfrenta sem medo.

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Jessie (Aaron Paul), seu ex-aluno, o ajuda da melhor maneira possível, tenta aprender o ofício de produzir a droga, mas ele mesmo é viciado e tem várias recaídas no começo da série.

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Há cenas fantásticas entre os dois fugindo dos outros traficantes e da polícia, que para completar, é chefiada pelo cunhado de White, Hank (Dean Norris), que é agente do DEA (Drug Enforcement Administration, a agência americana de combate ás drogas).

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O seriado é todo filmado em Albuquerque, no Novo México, que foi escolhida primeiramente por razões econômicas e acabou se tornando um trunfo para a série, já que a paisagem local permite cenas incríveis.

Este é outro dos pontos altos de “Breaking Bad”, a direção de fotografia é espetacular, com ângulos inesperados, planos absurdos, enfim, cada episódio é sempre surpreendente.

As cenas em que os dois produzem a meta-anfetamina em um trailer no deserto do Novo Méxicos são inesquecíveis para quem acompanha a série.

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‘Breaking Bad” começou com apenas sete episódios e seu futuro era bem incerto, já que a audiência era pequena.

Lembro aqui no Brasil, que a série passava na Sony, em um horário alternativo e foi ali que vi alguns episódios e me interessei em acompanhá-la.

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O crescimento da audiência é atribuído principalmente ao canal Netflix, que exibe a série com as temporadas completas, assim a série foi conquistando aqueles que se dispuseram a assisti-la em sua integridade.

Gilligan declara que seu intuito era fazer uma série em que o protagonista virasse no final um antagonista e é bem isso que está acontecendo, Walter vai entrando cada vez mais no dark side, não tendo mais escrúpulos e moral para alcançar seus objetivos.

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Um de meus episódios favoritos, e de muitos fãs,  é ‘The Fly”, no qual uma mosca entra no laboratório onde Walter e Jessie fabricam a droga e o episódio inteiro é sobre as tentativas deles em se livrarem da mosca, com diálogos e planos ótimos. Abaixo eles falam deste episódio:

Walter e sua droga ficam tão famosos no meio que ele inventa um alter ego que acaba mitificando-o ainda mais: ele fica conhecido como Heisenberg, com seu indefectível chapéu de couro preto:

Sua esposa Skyler (Ana Gunn) vai acompanhando a transformação do marido e procuram esconder a verdade do filho,Walter White Jr. (RJ Mitte), que sofre de paralisia cerebral.

Além disso, Skyler está grávida do segundo filho de Walter, só pra complicar ainda mais as coisas.

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Outros personagens importantes da série são:

Marie (Besy Brandt), a cunhada de Walter e casada com Hawk, ela também é cleptomaníaca;

Saul Goodman (Bob Odenkirk), o advogado de White, que acabou se tornando um dos personagens mais divertidos e que surge na série através de comerciais que ele fazia para atrair clientes. Há a possibilidade de um spin-off (série derivada de outra série ou com personagens em comum) tendo Saul como personagem principal.

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Gustavo Fring (Giancarlo Esposito), um dos principais traficantes da região, ele se disfarça como dono de Los Polos Locos (uma cadeia de fast-food especializada em frangos), frio e calculista, não mede esforços em eliminar os que o traem;

Mike (Jonathan Banks), capataz de Fring, matador profissional, ele também vai ganhando importância na trama e até vamos torcendo por ele

Além disso, vários personagens transitam em volta de Walter e Jessie, alguns permancem e outros acabam sendo eliminados.

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No começo, Gilligan pensava em manter Jessie somente na primeira temporada, mas a interpretação de Paul o conquistou e ele mudou de idéia, para nossa alegria.

A química da dupla central deu tão certo, que a série cresceu absurdamente, ainda dando aos atores o prêmio Emmy, sendo que Cranston já ganhou o prêmio desde a primeira temporada, o que foi uma surpresa para todos.

62nd Annual Primetime Emmy Awards - Press Room

Ao todo,Cranston já venceu o Emmy por três vezes consecutivas e Paul por duas.

Cranston era um ator desconhecido, fazia a série cômica ‘Malcom in the middle”e havia chamado a atenção de Gilligan em um episódio da série “Arquivo X”.

O elenco é todo muito afinado, ainda não entendi como até hoje eles não venceram o prêmio SAG, que premia o grupo todo de atores em séries ou filmes, será que o reconhecimento será este ano com o final da série?

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Na atual temporada, White está cada vez mais transtornado, se torna por muitas vezes irreconhecível, seus atos são irracionais, ele não está nem aí para as conseqüências.

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Este final de temporada vem cercado de mistérios, nada está sendo divulgado sobre o destino dos personagens, mas Gilligan afirma que podemos esperar um final feliz para Mr. White, dentro do que é considerado feliz para ele, em um jeito bem “breaking bad”de ser.

Resta esperamos para ver o que será, sem dúvida, um dos finais mais esperados do ano.

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TODAY’S SOUND: DOWNTON ABBEY POR ARTHUR MENDES ROCHA

“Downton Abbey” é uma das séries mais amadas e vistas no momento em todo mundo, nunca uma exportação inglesa fez tanto sucesso nos últimos tempos quanto a estória da família Crawley e de sua propriedade luxuosa em Yorkshire.

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A série é uma produção da Carnival Films para o canal inglês ITV e estreou em setembro de 2010 na Inglaterra, cujo trailer vemos abaixo:

Nos EUA, a série é transmitida pelo canal PBS, que aumentou consideravelmente sua audiência por causa de Downton e no Brasil, pelo canal GNT.

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Downton é uma criação de Julian Fellowes, que já havia escrito o roteiro de “Assassinato em Golsford Park” de Robert Altman e inclusive arrebatado um Oscar, e realmente o filme e a série tem algumas semelhanças.

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A começar pela importância dos serviçais em ambos, a ação se passa muito tempo na cozinha da casa, o ponto de encontro dos empregados, que são muitos e variam também.

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Assim, Julian soube muito bem contrabalançar os dramas da aristocrática família dona da propriedade com os empregados, seus dramas, desejos e tudo o que acontece ao seu redor como guerras, mudanças na sociedade e mais.

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A série já arrebatou prêmios como o Emmy, Globo de Ouro, SAG (o prêmio do Sindicato dos Atores) como melhor minissérie (na verdade uma maneira que os americanos encontraram para que ela não compita com as suas séries).

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Dame Maggie Smith é a alma da série, sua personagem tem as melhores falas e sempre um aparte que nos conquista, com aquele típico humor inglês, sábio e ferino. Abaixo uma compilação de algumas delas:

Maggie já arrematou todos os principais prêmios de melhor atriz coadjuvante, derrotando importantes concorrentes de outras séries.

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Abaixo, ela dá uma entrevista para o programa ’60 minutes” falando da série e do seu trabalho e revela que nunca assistiu a série:

http://www.cbsnews.com/video/watch/?id=50141231n

Mas, vamos aos personagens principais:

A família Crawley:

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-Robert Crawley (Hugh Boneville) – o patriarca e dono da propriedade, ele é o Conde de Grantham, filho da Condessa. De alma boa, ele tem o pulso firme para controlar a propriedade e as crises da família e seus empregados.

-Cora Crawley (Elizabeth Mcgovern) – a matriarca que sempre usa mais o coração que a razão em suas decisões, ela na verdade é de uma rica família americana que se muda para a Ingla-terra com o marido.

-Lady Mary (Michelle Dockery) – a primogênita de forte personalidade, ela quer casar com o homem certo, mas passa por algumas dúvidas antes de se apaixonar por Mathew.

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-Mathew Crawley (Dan Stevens) – o suposto herdeiro de Dowton, já que Robert só tem filhas mulheres; Mathew é jovem, cheio de ideais e de mentalidade progressiva e acaba se atraindo por Mary

-Violet Crawley (Maggie Smith) – a tempestuosa Condessa Dowager, a mãe de Robert, sábia, aristocrática até o último fio de cabelo, e a força da família em todas as dificuldades

- Lady Edith (Laura Carmichael) – a filha do meio, não tão bonita quanto ás outras e sempre tendo dificuldades no amor, ela nutre uma grande inveja de Mary

-Lady Sybill (Jessica Brown Findlay) – a filha mais nova, de ideais mais revolucionários, ela quer fazer algo de útil na sociedade, acaba se apaixonando pelo chofer da família

-Isobel Crawley (Penelope Wilton) – mãe de Mathew, como ela é de uma classe social menos abastada, ela briga um pouco com os valores da família dona de Downton

Os empregados:

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-Mr. Carson (Jim Carter) – o chefe dos serviçais, ele conduz com pulso firme todo o serviço da casa, é autoritário, de valores tradicionais, mas de bom coração

-Mrs. Hughes (Phyllis Logan) – a principal governanta, comanda as mulheres, todas lhe pedem conselhos e ela sempre sabe resolver as dificuldades

-Mr. Bates (Brendan Coyle) – o valete de Robert, sujeito de bom coração, sofreu na guerra, teve um casamento ruim e se apaixona por Anna, mas para consumar sua paixão vai passar até por uma prisão

-Anna Smith (Joanne Froggat) – a criada de Lady Mary e sua confidente; generosa, humana e se interessa por Mr. Bates

-O’Brien (Siobhan Finneran) – a criada pessoal de Cora, uma verdadeira naja, do mal mesmo, sempre pronta para prejudicar alguém em nome de seus interesses

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-Mrs. Patmore (Lesley Nicol) – a cozinheira e pessoa do bem, sempre preocupada com o melhor para todos da casa

-Daisy (Sophie McShera) – ajudante de Mrs. Patmore, jovem idealista cheia de sonhos e que vive se apaixonando pelas pessoas erradas

-Thomas Barrow (Rob James-Collier) – o personagem gay da série, ambicioso e sem caráter, mas que aos poucos vai revelando mais humanidade

-Tom Branson (Allen Leech) – chofer da família, é irlandês e nutre certo antagonismo á burguesia, ela vai se apaixonar por Lady Sybill

Estes são os principais personagens que habitam a casa, além deles, vários outros atores já fizeram participações especiais como Shirley Maclaine, que vive a mãe de Cora.

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Atualmente a série está na terceira temporada, ela começou no ano de 1912, mas até agora já atravessou a Primeira Guerra Mundial e hoje está na década de 20.

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Todos os anos, a série apresenta o episódio especial de Natal (Christmas Special) que é parte importante da estória.

No documentário abaixo, vemos como foram feitas algumas das cenas, mostrando os bastidores da produção, o cuidado com a reconstituição de época, além de depoimentos dos atores e equipe técnica, vale a pena conferir:

O figurino é uma atração a parte, a figurinista Susannah Buxton faz extensas pesquisas em brechós e livros da época para mostrar suas criações, baseando-se em estilistas como Charles Worth, Paul Poiret, Chanel, entre outros.

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A quarta temporada promete mais emoções e já foi divulgado que haverá um personagem negro, um músico de jazz interpretado por Gary Carr, já que sempre houve críticas a pouca presença de outras raças no clã dos Crawley.

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Além dele, mais personagens devem aparecer na nova temporada como Tom Cullen e até Dame Kiri te Kanawa, que fará uma cantora de ópera que canta em Downton Abbey.

A nova temporada deve estrear no outono inglês deste ano (com direito a um xmas special) e nos EUA em janeiro de 2014.

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A série faz tanto sucesso na Inglaterra que foi aberto uma visitação ao castelo onde a série tem seus exteriores filmados, em Hampshire, no Highclere Castle.

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O livro “O Mundo de Downton Abbey’ também acaba de ser lançado (já a venda no Brasil) contando vários segredos sobre a série e foi escrito pela sobrinha de Julian, Jessica Felowes.

Além disso, acaba de ser anunciado que haverá uma linha de roupas e objetos para a casa baseado na série.

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TODAY’S SOUND: RAY HARRYHAUSEN POR ARTHUR MENDES ROCHA

Esta semana, apesar de pouco divulgado, o cinema perdeu um de seus grandes mestres; ele não era diretor, nem ator, mas seu papel é de fundamental importância no cinema moderno, seu nome, Ray Harryhausen.

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Ray era o mago dos efeitos especiais, o mestre da animação com bonecos, mais conhecida como stop-motion.

Sem ele, não existiria Spielberg, George Lucas, Peter Jackson, James Cameron, Guilhermo Del Toro e muitos dos cineastas que nos fazem sonhar e penetrar em mundos tão fantásticos e cheios de imaginação. Todos eles falam sobre o mestre no documentário de 2011 ‘Ray Harryhausen, Special Effects Titan.

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Vi uma exposição em Londres, em 1990, que apresentava várias das pequenas maquetes e das criaturas incríveis criadas por Harryhausen e elas nunca mais saíram da minha mente.

Eu havia conhecido Harryhausen, vendo muitos dos seus filmes nas sessões da Tarde nos anos 70 e 80, em filmes como “Jasão e os Argonautas”, “A Viagem de Simbad”, entre outros.

Abaixo ele conversa sobre as criaturas que criou para “Fúria de Titãs”, a versão original:

Todos eles haviam me impressionado especialmente por seus efeitos especiais, algo novo para a época, já que não havia efeitos computadorizados e tudo era feito da maneira antiga, filmando cada bonequinho cena a cena, movimento a movimento, quadro a quadro.

Um trabalho desta perfeição era complicado na época e Harryhausen se sobressaia com seu olhar, suas criaturas tinham uma personalidade própria.

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Harryhausen iniciou sua carreira fazendo pequenos filmes sobre famosas fábulas como “Chapéuzinho Vermelho”, “João e Maria”, “Rapunzel”, “O rei de Midas”, entre outras.

Nesta época, ele ainda não havia feito o que o tornaria famoso, que são os monstros ou criaturas de filmes de fantasia como o ciclope de Sinbad:

Harryhausen decidiu-se pela profissão ao assistir á primeira versão de “King Kong”, cujos efeitos realizados por Willis O’brien o impressionaram bastante.

Ele se oferece para trabalhar com O’brien que o inclui para fazer as animações do filme “Mighty Joe Young”, filme este que deu o Oscar a O’brien de melhores efeitos especiais em 1947.

Seu grande desejo era fazer filmes de ficção científica e isso aconteceu com “The beast of 20.000 Fathoms”, baseado numa estória escrita por seu grande amigo Ray Bradbury, lançado com grande sucesso de bilheteria em 1953.

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Harryhausen foi um dos grandes inovadores da animação na época, seus filmes tinham um toque realista, já que ele conseguia misturar com perfeição os modelos de stop-motion com as ações reais, filmadas com atores de verdade.

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Seu papel era quase como o do diretor do filme, pois tudo ele participava: roteiro, direção de arte, storyboard, design de produção.

Com o produtor Charles H. Schneer, ele fez os filmes “It came from beneath the sea” (1955), “Earth Vs. Flying Saucers” (1956), todos grandes sucessos de público.

Esta cena acima foi recriada por Tim Burton no filme ‘Mars Attack’ e o cineasta declarou que é uma homenagem ao gênio de Harryhausen.

Quando filmou em cores pela primeira vez, com “The 7th Voyage of Sinbad” , em 1958, Schneer cunhou o termo “Dynamation” ou “Dynarama”, que se tornaria sua marca registrada.

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A cena mais impressionante feita por Harryhausen foi a luta dos sete esqueletos em “Jasão e os Argonautas” (1963), cena que mostramos abaixo e que marcou a história do cinema para sempre:

Esta cena jamais foi igualada, mesmo com os efeitos modernos de hoje em dia, e consumiu quatro meses para ser realizada.

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Outra cena de Jasão nos mostra a estátua do deus Talos criando vida:

Ao entregar um Oscar especial para Harryhausen, Tom Hanks declarou que muitas pessoas consideram Cidadão Kane e Casablanca como os melhores filmes já produzidos, mas ele considerava Jasão.

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Em meados dos anos 60, Harryhausen foi contratado pela Hammer e trabalhou em dois filmes com animais pré-históricos: “One million years B.C.” (famoso pela presença de Raquel Welch vestindo um biquíni de pele de animal) e ‘Valley of the Gwangi” (1969).

Nos anos 70, ele faz mais dois filmes de Sinbad: “The Golden Voyage of Sinbad” (1973) e “Sinbad and the eye of the tiger” (1977). Abaixo a famosa dança da deusa Kali (na verdade Siva) no primeiro filme:

Nos anos 80, ele realiza sua última contribuição nos efeitos especiais para o cinema com ‘Clash of the Titans”(Fúria de Titãs), lançado em 1981, com grande elenco que incluía Laurence Olivier e Maggie Smith, entre outros. O filme teve uma refilmagem recentemente, mas os efeitos do primeiro filme, apesar da tecnologia ainda escassa, dá de dez na nova versão.

Em 2010, o BAFTA (o Oscar Inglês) fez uma homenagem a Harryhausen dando-lhe um prêmio especial por ocasião do seu 90º aniversário.

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No seu obituário, George Lucas declarou: “Sem Harryhausen, provavelmente nem haveria existido “Star Wars”.
Terry Gilian disse que enquanto os novos técnicos em efeitos especiais fazem tudo digitalmente, Harryhausen faziam tudo com suas digitais.

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Isto só vem nos mostrar que, em se tratando de efeitos especiais, monstros e criaturas incríveis, ninguém bate o mestre Harryhausen.

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TODAY’S SOUND: PUNK DE VOLTA À MÍDIA POR ARTHUR MENDES ROCHA

Depois de falarmos dos filmes punks, das bandas, de sua influência na cultura moderna, o punk volta à mídia com força total: primeiro com a exposição “PUNK: Chaos to Couture” no MET em NY e com o filme “CBGB”.

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O punk e toda sua estética “suja” invadirá o templo da elegância: o Costume Institute do Metropolitan Museum of Art, que todo ano realiza uma grande exposição de moda sob a curadoria de Andrew Bolton.
Bolton diz que pensou na exposição não como uma linha de tempo linear do movimento e sim uma visão específica e conceitual do punk.

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Este ano, o evento de abertura, o famoso baile de gala da exposição, se realizará na segunda, dia 06 de maio, tendo como membro honorária a cantora Beyoncé, além dos co-membros que são: a atriz Rooney Mara (do filme “The girl with the dragon tatoo”), além da editora da Vogue americana, Anna Wintour, e também do estilista da Givenchy, Ricardo Tisci, e da socialite Lauren Santo Domingo (uma das proprietárias da Modus Operandi, uma das empresas que patrocinam o evento).

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A exposição vai mostrar a influência do movimento punk na moda, seja como inspiração para estilistas criarem seus modelos bem como tudo começou na Inglaterra dos anos 70, com a consultoria criativa do fotógrafo Nick Knight (famoso por capas de The Face, I-D, além de editoriais de moda, capas de discos e do site showstudio.com).

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Estarão presentes as roupas mais marcantes do punk, como a camiseta “Anarchy in U.K.” usada pelos Sex Pistols, tendo ao fundo vídeos e músicas ilustrando o período.

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Serão mais de 100 criações divididas em módulos como:
CBGB – O famoso clube de NY que lançou artistas como Richard Hell (foto abaixo) , Patti Smith, Blondie, Ramones, entre outros, incluindo a recriação de um banheiro do clube (cuja foto da cenografia pode ser vista abaixo)

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Uma galeria inspirada por Malcom Mclaren e Vivienne Westwood e sua famosa loja “Seditionaires” (que depois se tornaria a ‘Sex”) na King’s Road em Londres, responsável por lançar a moda punk para ser consumida pela juventude da época.

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The clothes for heroes – com roupas de designers que levaram a moda punk além do gueto, influenciada por Jordan, personagem do documentário sobre fetiche ‘Dressing for Pleasure” (filme que os punks ingleses cultuavam). A sala será decorada com sacos de lixo, cassetes, cabeças de bonecas e até seringas.

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DIY Hardware – tendo Sid Vicious como ícone e o uso de alfinetes, giletes, rebites, correntes, zíperes na estética punk

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DIY Bricolage – o uso de materiais recicláveis e de consumo de massa pelos punks como fazia a transexual Jayne County (das bandas Backstreet Boys e Wayne County and the Electric Chairs), na foto abaixo com David Johansen (do New York Dolls)

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DIY Grafitti and Agitprop – a provocação punk através de grafites, revistas, fanzines, além de textos de bandas como o The Clash
– DIY Destroy – tendo como figura central Johnny Rotten e seu estilo “rasgado’ influenciando o desconstrutivismo na moda de estilistas como os belgas.

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Entre as roupas presentes na exposição estão o famoso vestido de Versace com os alfinetes dourados (usado por Elizabeth Hurley na foto abaixo), o tailleur Chanel “rasgado” criado por Lagerfeld, além de criações de Galliano, Mcqueen, Hussein Chalayan, Dior, Balenciaga, Prada, Stephen Sprouse, Martin Margiela, Yohji Yamamoto, Commes des Garçons, Viktor & Rolf, Dolce & Gabbana, Katherine Hammet e muitas outras.

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A exposição deverá ser um sucesso, apesar de opiniões contrárias como Legs McNeill, autor da bíblia punk “Please kill me” (Mate-me por favor), que acha que estes estilistas não tem nada a ver com o punk e que é uma fantasia masturbatória de Anna Wintour para se apossar de algo que não lhe pertence.

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A exposição estará aberta ao público a partir do dia 09 de maio, mas no dia 06, a entrada das celebridades no baile pode ser visto em streaming diretamente do tapete vermelho neste link: Punk Chaos To Couture.

Já o filme do CBGB, contando um pouco da história do lendário clube, deverá estrear este ano e será centrado na figura de Hilly Kristal, o empresário e dono do local, interpretado pelo ótimo ator inglês Alan Rickman.

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O filme é baseado na biografia da filha de Kristal, Lisa, que será vivida pela atriz Ashley Greene (da trilogia “Crepúsculo”).

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No elenco também estão Marlin Ackerman como Debbie Harry, Johnny Galecki (do seriado ‘The Big Band Theory”) como Terry Ork, Rupert Grint (dos filmes de Harry Porter) como Cheetah Crome, o guitarrista da banda Dead Boys (na foto abaixo), Taylor Hawkins (da banda Foo Fighters) como Iggy Pop, entre outros.

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A direção é de Randall Miller, diretor ainda sem grande expressão e que dirigiu “Bottle Shock” (O Julgamento de paris), além de episódios de seriados como “Northern Exposure”.

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Resta saber se o filme vai conseguir passar um pouco da energia que rolava no clube, bem como das incríveis performances que teve o lugar como palco principal dos primórdios do punk.

Para maiores informações, vale a pena visitar a página no facebook: CBGB The Movie Page

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TODAY’S SOUND: CLOCKWORK ORANGE POR ARTHUR MENDES ROCHA

Um clássico do cinema, um filme que continua moderno, polêmico, atual e pode ser considerado um dos primeiros filmes punk: estamos falando de “Clockwork Orange” (Laranja Mecânica) de Kubrick.

“Clockwork Orange” foi dirigido em 1971 por Stanley Kubrick, o brilhante cineasta inglês que acabara de vir do sucesso de “2001, uma odisséia no espaço”.

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Ele se baseou no livro de Anthony Burgess, que utilizava uma linguagem específica (uma mistura de russo com idish chamada ‘nadsat”) para a turma de Alex, o personagem principal e adepto da ultra-violência, vivendo em um futuro próximo na Inglaterra.

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No papel principal, Kubrick escolheu Malcom McDowell, o qual ele vira atuando “If” de Lindsay Anderson.
Kubrick declarou que se McDowell não pudesse fazer o filme, ele teria desistido, pois ele era a única escolha para o papel de Alex.

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 Realmente o filme gira todo em torno de McDowell, ele esta presente em todas as cenas, ele é o sociopata Alex e acabamos simpatizando com o personagem, apesar de sua maldade.

Em entrevistas sobre o filme, Spielberg afirma que ele pode ser considerado o primeiro filme punk rock e Mary Harron (a diretora de “American Psycho”) diz que ele foi uma influência fundamental para o movimento punk.

Vendo o filme, podemos compreender bem isto: Alex narra  o filme e é líder de uma gangue, eles saem em grupo, são jovens, se metem em brigas, não respeitam ninguém e se vestem diferente de todos.

Logo que ele surge em cena, com aquele olho com um cílio postiço e aquela roupa branca, é uma imagem icônica.

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Seus subordinados são chamados de “droogs” e se encontram no Korova Milk bar, um bar com decoração futurista e onde bebem leite (que saem dos seios de uma manequim) e bolam seus planos.

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Eles saem pela noite em busca de aventuras, mas sempre em atos ultra violentos, já nas primeiras cenas eles dão uma surra em um mendigo, enfrentam uma gangue rival, roubam um carro, assaltam uma loja, entre outras ações.

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Logo em seguida, decidem ir para o interior e parar em uma casa, mentindo que tinham sofrido um acidente.

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A casa pertencia a um escritor e sua esposa e estes são humilhados, sofrem todo tipo de violência e a gangue estupra a mulher ao som de ‘Singin’ in the rain”,que Alex canta enquanto realiza estes atos.

A escolha de ‘Singin’ in the rain” (famosa na voz de Gene Kelly) foi escolha do próprio McDowell, que ao ser questionado por Kubrick se sabia dançar, atacou com esta canção e o diretor adorou, coprando os direitos de uitlizá-la no filme.

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Alex vive com os pais, é tratado como uma criança, possui uma cobra de estimação e já teve passagem pela polícia, mas nada grave comparado com suas ações diárias. Ele também é viciado em Beethoven (ou Ludwig Van, a como ele se refere) e sua grande paixão é a nona sinfonia, que ouvimos ao longo do filme.

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Outra cena bacana é a que ele vai a uma loja de discos para comprar mais discos de Beethoven e lá seduz duas adolescentes, as quais ele leva para sua casa e transa de todas as maneiras possíveis, tudo com a câmera em FF (fast forward).

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Quando sua gangue resolve se revoltar contra ele e questionar sua liderança, ele os pune severamente, dando-lhes uma surra. Esta cena é como se fosse coreografada, em câmera lenta e influenciou cineastas como Tarantino.

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Mas a gangue ainda aprontaria um novo roubo, desta vez entrando na casa da cat lady, uma mulher rica e cercada de gatos, a qual eles tentam assaltar. Alex vê uma estátua em forma de pênis e utiliza esta para provocar a mulher e acaba matando-a.

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Seus companheiros lhe dão uma garrafada, fogem e ele é capturado pela polícia (a qual a cat lady havia chamado antes).

Aí o filme dá uma reviravolta: Alex é preso e na prisão aprende a se comportar melhor e a fazer as vontades do padre que o faz ler a bíblia em voz alta, além de sofrer ameaças de seus companheiros de cela.

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Quando Alex ouve falar do método Ludovique, uma espécie de ‘cura” para pessoas violentas, ele resolve se oferecer ao ministro do interior, que estava visitando a penitenciária. Este enxerga em Alex o exemplo perfeito para provar a eficácia do método.

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Um novo capítulo se inicia com Alex saindo do presídio e indo para a clínica onde será tratado. São estas as cenas impressionantes com Alex amarrado e com os olhos abertos com clipes (para que ele não tentasse fechar os olhos) e tendo que ver as cenas mais violentas e degradantes possíveis.

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Ao fazer esta cena, McDowell machucou sua córnea de verdade e ficou temporariamente cego, mas finalmente, com a ajuda de médicos, ele conseguiu filmar.

Ele pira quando mostram cenas dos atos nazistas ao som da 9ª sinfonia, a sua favorita e a qual agora ele passa mal ao escutá-la, tendo sensações horríveis, além de vômitos e mal estar.

Ele finalmente é considerado ‘curado’ e sai da clínica de volta ao lar, mas quando lá chega existe um novo inquilino em sua casa e seus pais o tratam com indiferença.

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Assim, neste novo capítulo, ele vai encontrando as pessoas que havia prejudicado no passado: membros de sua gangue haviam virado policiais, o escritor que ele havia entrado na casa, o mendigo, enfim todos querem se vingar dos atos horríveis que Alex havia lhes causado.

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Quando o filme foi lançado na Inglaterra, já começou a gerar polêmica: vários atos de violência começaram a ocorrer na época e que jogavam a culpa na influência que o filme causara.

Além disso, o diretor e sua família receberam ameaças e sendo assim, Kubrick tirou o filme de cartaz e o filme foi banido da Inglaterra durante 27 anos. O filme só foi liberado lá pós a morte de Kubrick em 1999.

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O filme passou normalmente em países como os EUA (onde foi um grande sucesso), mas em países como o Brasil, também esteve proibido durante os anos da ditadura.

Quando o filme foi liberado aqui, no início dos anos 80, pós-ditadura, ele foi exibido com bolas pretas tapando a genitália dos atores, a bola ficava dançando na tela, era muito ridículo.

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Além disso, Burgess não perdoara Kubrick de ter omitido o último capítulo da edição original do livro, já que o roteiro de Kubrick era baseado na edição americana, que cortara o último capítulo.

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Neste último capítulo, havia a redenção de Alex, que se arrependera de seus atos e com a qual Kubrick não concordava.

Burgess havia escrito o livro após sua mulher ter sido violentada e ele utiliza isto no livro e o título se refere às respostas condicionadas do protagonista a sentimentos de maldade que o impede de ter um comportamento normal e livre.

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Kubrick quis fazer uma crítica aos regimes totalitários que utilizam métodos psicológicos para transformarem seus cidadãos em robôs.

Vale também ressaltar o brilhante trabalho do figurino criado por Milena Canonero (a premiada figurinista de “Barry Lyndon”, também de Kubrick, ‘Carruagens de Fogo’, ‘Fome de Viver”e mais recentemente ‘Maria Antonieta” de Sofia Coppola).

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A direção de arte também é incrível, com seu décor futurista e as bem escolhidas locações de uma Londres de uma época incerta.

A trilha sonora também é fantástica, sendo que na verdade existem duas trilhas: a criada por Walter Carlos (que depois se transformaria em Wendy Carlos) com sintetizadores e a que utiliza músicas clássicas de Beethoven, Purcell, Rossini e Elgar.

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Sua influência na cultura pop é fundamental, seja na moda ou na música, influenciando desde Bowie, Ramones, Rancid, Slipknot, além é claro dos Adicts, que se vestem como a gangue do filme.

Na edição comemorativa dos 40 anos do filme, foi lançado um dvd com extras de dois documentários imperdíveis para compreender ainda mais toda a mitologia do filme. Abaixo um depoimento de McDowell sobre o filme:

Recentemente, houve no LACMA (o Museu de arte moderna de Los Angeles) uma exposição sobre Kubrick, onde estavam expostos figurinos e objetos de cena do filme, conforme fotos abaixo. Atentem para o detalhe das abotoaduras de Alex:

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Mesmo que a violência de “Clockwork Orange” não seja mais tão chocante como há quarenta anos, o filme é uma obra-prima, um dos melhores filmes da década de 70, um marco do cinema moderno, um filme revolucionário e que a cada revisão parece crescer ainda mais.

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TODAY’S SOUND: SUBURBIA POR ARTHUR MENDES ROCHA

“Suburbia” foi um dos primeiros filmes genuinamente punk, mostrando a realidade de um grupo de jovens vivendo nos subúrbios de Los Angeles na década de 80.

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O filme é de 1984, dirigido por Penelope Spheeris e é considerado um dos melhores retratos da juventude desiludida e sem esperanças.

A estória gira em torno de um grupo de jovens que se denominam the T.R. (The Rejected – os Rejeitados) e todos vivem em harmonia numa casa abandonada em um subúrbio de L.A.

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Eles são:
-Evan Johnson (Bill Coyne): adolescente que sai de casa por não suportar a mãe alcoólatra

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-Jack Didley (Chris Pedersen): líder do grupo e abandona o lar quando a mãe se casa novamente com um policial negro
-Sheila (Jeniffer Clay): jovem de classe média alta  que sai de casa, pois o pai a molestava
-Joe Schmo (Wade Walston): sai de casa quando descobre que o pai é homossexual
-Razzle (Flea): só consegue se relacionar com seu rato de estimação

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-Skinner (Timothy O’brien): skinhead, violento, está sempre se envolvendo em brigas

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Eles vão a um clube onde se apresentam bandas punks, roubam em supermercados, invadem shoppings, se envolvem em brigas, mas não causam o mal, eles estão apenas se divertindo.

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O filme mostra apresentações ao vivo de algumas bandas punk como TSOL, que interpreta “Wash Away”:

E também The Vandals interpretando “The Legendo of Pat Brown”:

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O irmão de Evan, Ethan (Andrew Pece), é resgatado pelo irmão quando este vê no noticiário que sua mãe havia se acidentado e ele acaba fazendo parte do grupo dos punks, adotando um visual moicano.

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Porém, em sua comunidade, existe um grupo chamado “Citizens against crime” (cidadãos contra o crime) que se reúne e coloca toda a culpa dos acontecimentos ruins neste grupo de punks.

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Neste grupo, há duas figuras detestáveis, Jim Tripplett (Lee Frederick) e Bob Skokes (Jeff Prettyman), cuja diversão é atirarem nos cães de rua que circulam nos arredores dos punks e que os detestam.

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Outro acontecimento contra os T.R. é quando numa briga com Skinner, dois jovens resolvem se vingar atacando o segurança do clube e jogando a culpa no grupo punk. 

“Suburbia” foi um filme bem influente na cena punk americana, já que a diretora Penelope Spheeris já havia dirigido o documentário “The decline of the western civilization’ (sobre o qual já falei aqui) sobre a cena hardcore americana.

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Spheeris escreveu o roteiro e dirigiu seu primeiro filme de ficção com “Suburbia”, procurando falar da juventude punk que já havia retratado em seu documentário, mas desta vez com uma estória e com diálogos.

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O filme foi produzido graças a Roger Corman, o famoso produtor de filmes B que lançou a carreira de cineastas como Scorcese e Coppola, entre outros. 

‘Suburbia” acabou servindo também de inspiração para a música do mesmo nome dos Pet Shop Boys.

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Apesar de ser uma produção modesta, feita com um elenco de desconhecidos e atores não profissionais, na maioria punks de verdade, o filme foi bem recebido pela crítica da época.

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No elenco, destaque para Flea, baixista da banda Red Hot Chilli Peppers e, mais tarde, também ator de filmes como ‘My Own Private Idaho” de Gus Van Sant. 

Além dele, o outro nome conhecido é Wade Walston, o baixista do grupo U.S. Bombs e que participa de uma das melhores cenas do filme: a em que os punks enfrentam a família de Sheila na igreja:

“Suburbia” é um filme autêntico e uma ótima visão da cena punk americana do início dos anos 80.

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