Warning: include_once(wp-includes/images/pin.png): failed to open stream: No such file or directory in /home/japagirl/public_html/blog/index.php on line 2

Warning: include_once(): Failed opening 'wp-includes/images/pin.png' for inclusion (include_path='.:/usr/lib/php:/usr/local/lib/php') in /home/japagirl/public_html/blog/index.php on line 2

Warning: session_start(): Cannot send session cookie - headers already sent by (output started at /home/japagirl/public_html/blog/index.php:2) in /home/japagirl/public_html/blog/wp-content/plugins/instagrate-to-wordpress/instagrate-to-wordpress.php on line 48
Arthur Mendes Rocha – Japa Girl












































































    Wake up, Mthrfckrs! 
#10yearchallengeHappy Halloween from Vampirina 🖤“The Proposal” ( between 1880 - 1889) by Knut Ekwall (Swedish - 1843 - 1912)Full purple bloom galore!
#flordesaomiguel #violeteira #ravenala #kaizukaPapa Pirate & Mama Mermaid
#agathalunaJust opened! #cattleyaThe Death of Cleópatra 
Jean Andre Rixens - 1874How sundays should be ✨❤️✨About the happiest Easter ever!
Special thanx @marciosleme @milplantas🖤

                
       
















bloglovin



CURRENT MOON


Arthur Mendes Rocha

TODAY’S SOUND: SONNY & CHER POR ARTHUR MENDES ROCHA

Nos próximos posts falaremos de duplas famosas do pop, rock, etetrônica e outros.

Hoje começamos por uma das mais famosas de todos os tempos e que bombaram principalmente nos anos 60 e 70; eles são Sonny & Cher.

sonny_cher_ll_131104_33x16_1600

A dupla se conheceu quando Cher era uma garota de dezesseis anos, ainda cursando o ginásio e sem saber direito o que queria da vida, mas uma coisa ela sabia: ela queria ser famosa.

Seus nomes verdadeiros eram Cherilyn Sarkisian e Salvatore Bono e ela via nele um mentor, uma figura paterna (o pai dela abandonara a família), já que a diferença de idade deles era grande, pois Sonny já tinha 27 anos quando se conheceram.

sonny-cher4

Sonny trabalhava no estúdio Gold Star, em Hollywood, cujo proprietário era Phil Spector, o icônico produtor de inúmeros artistas, incluindo Beatles, Ramones, Ike & Tina Turner e mais.

Sonny aprendeu muito no estúdio de Spector, já que era uma espécie de faz-tudo de lá e assim sabia compor, fazer arranjos e produzir suas próprias canções.

sonny-cher3

Cher, ainda uma desconhecida, acompanhava Sonny ao estúdio diversas vezes, até que em certa ocasião, Darlene Love (uma das vozes mais famosas da época) não compareceu em uma sessão e Sonny disse a Spector que Cher sabia cantar e ela substituiu Love como backing vocal.

Os vocais de Cher agradaram a Spector e ela acaba participando dos vocais de hits como “Be my baby” (das Ronettes), “You’ve lost that loving feeling” (dos Righteous Brothers), entre outros.

Recording Session

Mas os dois queriam mais que isso; almejavam ser uma dupla de sucesso e não ficar ‘escondidos” atrás de outros artistas. Assim, eles resolvem formar uma dupla, sendo que o primeiro nome que pensaram foi Caesar and Cleo, tendo lançado singles como “Love is Strange”:

Nesta época, depois de melhores amigos e amantes, eles se tornam marido e mulher.

Porém, a dupla não consegue emplacar nenhum hit, até que finalmente mudam o nome para Sonny & Cher, lançando em 1964 o single “Baby don’t go” pela Reprise Records:

A música foi gravada no peito e na raça pelos dois, já que possuíam poucos recursos para pagar estúdio, tiveram que pedir dinheiro emprestado, conseguiram músicos que tocaram de graça (como Leon Russell e Barney Kessel), enfim, batalharam para ver a música gravada.

Logo que a canção foi lançada, ela não foi um sucesso imediato, apenas em Los Angeles e na costa oeste americana; foi graças ao estouro do hit seguinte, que ela foi relançada e aí sim foi para o topo das paradas.

sonny-cher5

Seu próximo lançamento acaba sendo a canção que os colocou no mapa do pop e que virou um hit mundial, “I got you babe”.Um detalhe interessante foi que a música estourou primeiro na Inglaterra, para onde o casal se dirigiu em 1965, e lá foram logo notados, se apresentando no Top of the Pops:

Na volta aos EUA, eles já estavam sendo esperados por uma multidão de fãs no aeroporto.

Seu primeiro álbum foi lançado no mesmo ano e intitulado ‘Look at us”, alcançando o segundo lugar na parada de álbuns mais vendidos da Billboard, com a marca de mais de oito milhões de discos vendidos no mundo.

Outro destaque do álbum era “Then he kissed me”:

Além de participar dos programas de TV mais badalados da época, eles até apareceram no filme “Wild on the beach”, onde eles interpretam ‘It’s gonna rain’:

No ano de 1965, eles chegaram a ter cinco músicas no top 20, recorde este quebrado apenas por Elvis Presley.

A dupla já chamava a atenção pelo seu visual arrojado, sempre altamente produzidos, vestindo roupas coloridas, coletes de pelo, ternos no estilo mod; Cher arrasando com seus cabelos compridos negros, magra e alta, com maquiagem com muito delineador nos olhos. 

sonny-cher-mosaique

Seu álbum seguinte foi lançado em 1966, ‘The Wondrous world of Sonny & Cher’, cujo primeiro single foi “But you’re mine”:

Outra música que fez sucesso do disco foi ‘What now my love”, aqui num vídeo para o programa Beat Club:

Os dois saem em turnê mundial com o disco e lotam teatros e arenas por onde passam, levando às multidões a loucura.

Esta canção era uma versão de uma música francesa de Gilbert Bécaud e a durante sua carreira, a dupla gravou várias versões de sucessos como “Summertime’ (dos irmãos Gershwin), “Unchained Melody” (hit pelos Righteous Brothers), “You’ve really got a hold on me” (de Smokey Robinson), entre outros.

sonny-cher2

Além disso, Cher também gravava discos solo, tendo sucessos como ‘Alfie” (de Burt Bacharach) e principalmente‘Bang Bang (My baby shot me down), que ficou famosa na voz de Nancy Sinatra (e voltou a ser hit ao ser incluída na trilha de ‘Kill Bill vol. 1” por Tarantino em 2003). Mas a versão original da música é de Cher, escrita e produzida para ela por Sonny Bono e incluída no álbum ‘The Sonny side of Cher’ (o primeiro disco solo dela), de 1966:

Em 1967, a dupla lança um novo álbum, ‘In case you’re in love”, que origina mais dois hits:, ambos compostos por Sonny:

“The Beat goes on”, que alcança o sexto lugar da Billboard:

E “Little man”, que alcança sucesso principalmente na Europa, onde se apresentam na TV francesa:

No ano seguinte, Sony & Cher estrelam um ambicioso projeto: o filme ‘Good Times”, sob a direção de William Friedkin (que esteve recentemente na Mostra de SP e dirigiu “O Exorcista” e ‘Cruising”, entre outros) e co-estrelando George Sanders (premiado por ‘A Malvada”).

Porém o filme acaba sendo um grande fracasso de público e crítica e a dupla demora a se refazer deste baque em sua carreira.

Foto promocional de Sonny & Cher para o filme "Good Times".

Foto promocional de Sonny & Cher para o filme “Good Times”.

Além disso, a dupla se posicionava contra as drogas, o que levou a juventude da época a os considerarem caretas e ultrapassados, bem como sua música, já que o que estava na moda era o rock psicodélico. Assim, sua música vai perdendo força e os jovens acham que esta agradava mais a seus pais do que a eles próprios.

Em 1969, Cher faz uma nova tentativa cinematográfica para reconsquistar o público jovem com o filme ‘Chastity”, porém o filme acaba sendo mais um fracasso. A película foi escrita e produzida por Sonny, mas eles não conseguem se reconectar com os jovens.

sonny-cher9

O título do filme acaba sendo o nome da filha deles, nascida naquele ano e que hoje em dia é transexual e atende pelo nome de Chaz Bono.

A carreira dos dois estava no fundo do poço, assim eles partem para fazer pequenos shows em diversas cidades como Las Vegas, onde misturavam números humorísticos e musicais e aos poucos vão conquistando uma nova audiência, mais velha e adulta.

sonny-cher8

Para a sorte deles, os caçadores de talentos da TV gostam de suas apresentações e os convidam para estrelar o seu próprio programa.

sonny-cher-chastity

Sonny & Cher com sua filha Chastity (hoje Chaz).

Assim, em 1970, Sonny & Cher estrelam o especial “The Nitty Gritty Hour”, que acaba sendo um sucesso de público e crítica e uma mistura certa de humor e música. Abaixo, a abertura do programa onde eles cantam “You’ve only just begun” (sucesso na voz dos Carpenters):

Em 1971, eles são convidados para estrelarem o programa semanal ‘The Sonny & Cher Comedy Hour”, pela rede CBS. Abaixo eles abrem o programa cantando ‘Proud Mary’:

O programa dura quatro temporadas, além de receber diversos convidados que incluem Muhammad Ali (o célebre lutador de boxe que faleceu este ano), Chuck Berry, Paul Anka, Truman Capote, Hugh Hefner, Tony Curtis e muitos outros.

sonny-cher

Além disso, o programa revigorou a carreira dos dois e eles lançaram mais um disco juntos, “All I ever need is you”, cuja canção título, no estilo country, alcançou o top 10:

Um detalhe interessante é que foi nestes programas de TV que Cher passou a ser vestida pelo estilista Bob Mackie, famoso por seus vestidos glamourosos e cheios de brilho, perfeito para o show-business americano. Mackie caprichava e em cada apresentação Cher está sempre impecável e cheia de estilo, explorando bem seu tipo exótico e de traços indígenas.

cher-in-bob-macie-2

Cher com seu look apache por Bob Mackie.

Ela acaba vencendo o Globo de Ouro pelo programa em 1974.

No mesmo ano, os dois lançam mais um álbum, “Mama was a rock and roll singer, Papa used to write all her songs”, com apenas a canção título composta por Sonny e o restante com versões cover de sucessos como “It never rains in southern California”:

Porém uma bomba acontece na terceira temporada do programa: Cher e Sonny se divorciam, para a surpresa geral da nação, que vivia um período complicado em 1975, ano do escândalo de Watergate que causou o afastamento do presidente Nixon do poder.

sonny-cher-1960s-sequin-gown

Assim, o programa termina e os dois acabam tendo cada um o seu próprio show: ele com o “The Sonny Comedy Revue” e ela com o ‘The Cher Show”. O dele acaba sendo cancelado depois de seis semanas e o dela é um hit.

Os dois voltam a se reunir em 1976, para a volta de “The Sonny and Cher Show’, mas o programa não obtém o mesmo sucesso do anterior, e termina em 1977.

sonny-cher-70s

Com isso, a dupla parte cada um para seu lado e para novos projetos: ele se volta para a política e ela para uma carreira musical de sucesso, lançando inúmeros discos, ganhando Grammys e fazendo shows mundo a fora.

Além disso, Cher se torna uma excelente atriz de cinema, vencendo o Oscar (por ‘Moonstruck’) e até a Palma de Ouro em Cannes (pelo filme ‘Mask”).

Sonny & Cher At The Oscars

Sonny vem a falecer em 1998, vítima de um acidente de ski e Cher lhe presta uma linda homenagem em seu velório e fica bastante abalada pela morte dele.

The Sonny & Cher Comedy Hour

No mesmo ano, a dupla recebe a sua estrela na calçada da fama em Hollywood, evento no qual Cher vai acompanhada da esposa de Sonny, Mary Bono.

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: MILES AHEAD POR ARTHUR MENDES ROCHA

Encerrando os posts de docs e filmes musicais, hoje falaremos de “Miles Ahead”, o filme de e com Don Cheadle, no qual ele nos conta um interessante episódio na vida de Miles Davis, com direito a liberdades no roteiro e concepção das personagens.

miles-ahead

Não podemos denominar o filme como uma cinebiografia, pois ele não é um filme linear, que respeita datas e afins; ele nos mostra um período na vida do jazzista no qual ele ficou afastado das gravações e apresentações, como um período de descanso, de afastamento da música e de sua criação.

timthumb

Há várias cenas de flashbacks, especialmente do envolvimento de Davis com uma de suas mulheres, a dançarina Frances Taylor.

Don Cheadle e Emayatzy Corinealdi.

Don Cheadle (Miles) e Emayatzy Corinealdi (Frances) no Festival de Berlim deste ano.

Miles é vivido brilhantemente por Don Cheadle, numa performance que pode lhe render uma indicação ao Oscar, já que ele incorporou totalmente o jazzista, além de treinar as suas músicas e respirar Miles Davis o tempo inteiro, bem como ficar responsável pela direção do longa.

miles-ahead-4-420x420

Até as ordens que Cheadle dava aos atores e técnicos era na mesma voz que ele fazia Miles.

Cheadle se envolveu em cada processo do filme, deste a concepção do roteiro (ele co-escreveu o filme com Steven Bailgeman), a trilha sonora, o financiamento apara conseguir levar o filme às telas, apelando para o crowdfunding, bem como a ajuda de amigos.

No final dos anos 70, Miles Davis vivia um período de recesso em sua carreira, de 1975 a 1980, os chamados ‘silent years” (anos silenciosos), agravado por uso de drogas e medicamentos e ele simplesmente sentia que não tinha nada a dizer pela música, ele não tinha vontade de tocar.

miles_davis_91

O verdadeiro Miles Davis nos anos 70.

O filme usa esta “parada” na carreira pera nos contar um Miles que vivia um período dark, tendo pesadelos de seu passado com a ex-mulher Taylor (interpretada pela atriz Emayatzy Corinealdi), além de ter realizado uma gravação a qual ele ainda não havia lançado e há pessoas interessadas em se apossar destas gravações.

22

A atriz Emayatzy Corinealdi vive a ex-esposa de Miles, Frances Taylor.

Verdade ou não, o filme mistura várias pequenas histórias, períodos da vida de Miles e é um entretenimento, não uma biografia certinha e documental.

Como o próprio Cheadle declarou, isto não é uma cinebiografia e sim uma peça de música, uma composição, assim ele teve mais liberdade para contar esta história.

Cheadle e seus colegas de elenco Emayatzy Corinealdi e Keith Stansfield.

Cheadle e seus colegas de elenco Emayatzy Corinealdi e Keith Stansfield.

 

Uma figura fictícia tem uma importante participação no filme, o jornalista Dave Braden, da revista Rolling Stone, interpretado por Ewan McGregor (“Trainspotting”, “Moulin Rouge”), que invade o retiro de Miles para escrever uma matéria sobre ele e acaba participando das aventuras com o jazzista para recuperar suas gravações roubadas.

Cheadle e McGregor numa cena do filme.

Cheadle e McGregor numa cena do filme.

A participação de McGregor foi um dos motivos para que o filme conseguisse financiamento, já que o ator é bastante conhecido mundialmente, além de haver a necessidade de um ator branco para dividir os papéis principais (coisas do cinema comercial americano).

miles-ahead-1

Aliás, o filme tem várias cenas de ação como perseguições, brigas em lutas de boxe, prisões, enfim, são fatos que ocorreram na vida de Miles e que se tornaram elementos utilizados por Cheadle para fazer um filme divertido.

9

No filme, Miles vive recluso em seu apartamento em NY e avesso às badalações; ele vive a base de remédios (devido à dores causadas nos seus quadris) e estava viciado em cocaína.

O próprio figurino de Miles foi todo estudado conforme o que ele utilizava na época, na fase em que seus cabelos eram mais compridos e encaracolados, usava muitas roupas coloridas e extravagantes com muitas camisas de seda, brocados, rendas, estampa python (foto), além dos óculos escuros bem chamativos e que viraram sua marca registrada no final dos 70.

19

O estilo extravagante de Miles Davis.

O estilo extravagante de Miles Davis.

Cheadle aprendeu a tocar trompete há quatro anos e todos seus números musicais foram feitos em cima das músicas e com ele interpretando cada uma delas e depois foram sincronizadas com as músicas verdadeiras de Miles, para se ter uma ideia do perfeccionismo do ator/diretor.

milesahead

O romance entre Miles e sua então esposa se passa nos flashbacks e mantém toda a reconstituição daquele período, que cobre final dos anos 50 e início dos 60, sendo que ela foi sua musa inspiradora e modelo na capa de seus discos como “Someday my prince will come”.

A verdadeira Frances Taylor na capa de "Someday my prince will come".

A verdadeira Frances Taylor na capa de “Someday my prince will come”.

Na trilha sonora, os destaques vão para músicas de alguns discos de Miles como “Agharta” (de 1975), o icônico “Kind of Blue” (de 1959), ‘Bitches Brew” (de 1970), ‘We want Miles” (de 1981), “Porgy and Bess” (de 1959), “Nefertiti” (de 1968), entre outros.

Há uma cena bem divertida, na qual Miles e o jornalista vão pegar cocaína de um traficante e ele está escutando o disco “Sketches of Spain” (de 1960) e o trafi não acredita quando descobre que aquele é o próprio Miles e ainda leva um autógrafo do jazzista.

11-sketchesofspain

A trilha sonora foi altamente elaborada com diferentes composições de diferentes períodos Miles, além de músicas compostas especialmente para o filme por Robert Glasper, jazzista e artista de hip-hop/eletrônica, vencedor de dois Grammys e que tem em Miles uma de suas maiores influências.

O filme já começa com o “Prelude (Part 2)” do disco “Agartha”:

E também “Miles Ahead”, do disco homônimo:

Numa cena no final do filme, há a participação de lendas do jazz que trabalharam com Miles como Herbie Hancock (que iria fazer a trilha originalmente, mas teve de desistir por falta de tempo) e Wynton Marsalis, além da participação especial de jazzistas mais novos como Esperanza Spalding, Gary Clark Jr. e Antonio Sanchez.

Cheadle dirigindo uma das cenas do filme.

Cheadle dirigindo uma das cenas do filme.

Além disso, o filme realmente aconteceu graças à contribuição de seu sobrinho, Vince Wilburn Jr. (filho da irmã de Miles, Dorothy), que além de ter tocado com seu tio, é produtor executivo de “Miles Ahead”.

Vince Wilburn Jr. com seu tio Miles Davis.

Vince Wilburn Jr. com seu tio Miles Davis.

Ele fala que a escolha de Cheadle para viver o tio e dirigir foi feita com a benção de toda a família de Miles, incluindo os filhos, e que ele conviveu com o tio neste período do final dos 70 e declara que o que o tio queria era descansar um pouco, curtir seu boxe, assistir aos jogos na TV e passear por NY.

Michael Stuhlbarg, Emayatzy Corinealdi, Don Cheadle, Keith Stanfield, Ewan McGregor

O elenco do filme reunido no lançamento de “Miles Ahead” em New York.

Inclusive foi o próprio Wilburn que ventilou pela primeira vez que se fizessem um filme sobre seu tio, o ator que deveria interpretá-lo deveria ser Don Cheadle, sendo que o ator nem havia se comprometido com o filme ainda.

O filme estreou no final do ano passado no Festival de NY, foi mostrado este ano no Festival de Berlin e tem sido bem recebido nos circuitos comerciais de EUA e Europa. Sua estreia no Brasil ainda não foi confirmada, por enquanto ele pode ser visto em torrent ou neste link do youtube com legendas em espanhol:

 

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: THE PEOPLE’S HISTORY OF POP POR ARTHUR MENDES ROCHA

A BBC 4 está apresentando uma série muito interessante  para os amantes da música pop intitulada “The People’s history of Pop”.

peoples-history

A série de programas, com duração de uma hora cada, foi dividida por décadas e com diferentes apresentadores para cada segmento.

O mais legal de tudo é a ideia de contar a história da música pop na Inglaterra através de seus fãs, daqueles que viveram momentos especiais em suas vidas em função da adoração ou admiração a determinado ídolo. Assim, temos os mais diferentes tipos de pessoas, de profissões e origens diversas que possuem uma coisa em comum: o amor por um ídolo pop.

Assim, através das lembranças destas pessoas, da memorabilia que eles guardaram, sejam ingressos de shows, posters, coleções de discos, diários e mais, ficamos conhecendo a história da música pop na Inglaterra.

marc-bolan-singles

A BBC dispõe de imagens absurdas, a cada programa que produzem parece que vemos novas imagens que julgávamos que nem existiam, sendo assim eles sempre nos surpreendem.

O primeiro episódio se chama ‘The birth of the fan: 1955-1965” e nos mostra o início da música pop na Inglaterra, no período do surgimento do rock nas terras inglesas, tudo isto contado por um ícone da época: a modelo e atriz Twiggy, um ícone inglês dos anos 60.

twiggy

Assim, Twiggy nos guia por este mundo, quando o rock ainda era um ritmo pouco conhecido, quando a música pop inglesa era careta e sem graça, uma música mais para os pais do que para os filhos, que não se identificavam com aquele som.

Um dos primeiros ídolos ingleses do rock foi Lonnie Donegan, que trouxe para o pop uma levada mais rock n’ roll, que fazia os jovens dançarem a uma música que era mais a cara deles, com hits como “Rock Island Line”:

Outro gênero que começa a ficar popular no fim da década de 50 era o “skiffle”, que nada mais era do que uma música folk com influências de jazz e blues e onde os instrumentos eram improvisados em caixas de madeira, cabos de vassoura, tábuas e até garrafas.

Um detalhe interessante é que a primeira banda de John Lennon foi um grupo de skiffle denominado The Quarrymen.

the-quarrymen

No doc, um senhor nos mostra fotos dele com Lennon e com Paul McCartney e inclusive ele assistiu a primeira apresentação dos dois juntos, um momento único no mundo pop.

Ficamos conhecendo um funcionário da gravadora EMI que adquiriu esta gravação e tem esta relíquia guardada a sete chaves, pois seu valor é inestimável.

Outro que começou num grupo de skiffle foi Jimmy Page, muito antes de ele vir a se tornar o célebre guitarrista do Led Zeppelin.

Com a chegada do rock americano em terras inglesas, com artistas como Bill Halley, surgem ídolos de rock como Billy Fury, um produto tipicamente inglês, uma espécie de Elvis inglês, que também estrelava em filmes que enlouqueciam as adolescentes inglesas em produções como “Play it cool”.

É claro que Liverpool teve importância fundamental neste início do rock, pois lá se localizava o porto em que chegavam navios de todo mundo e traziam os compactos de rock produzidos na América.

Estes discos inspiravam os adolescentes de lá a montarem suas bandas e frequentassem clubs onde o rock dominava como no Cavern Club, o lugar onde nasceram os Beatles.

Interior do Cavern Club.

Interior do Cavern Club.

Inclusive vemos imagens da época gravadas dentro do Cavern e fãs que viram os show s que os Beatles fizeram por lá.

O programa de TV da juventude dos anos 60 era o Ready Steady Go, onde os grupos como The Shadows ou o The Hollies se apresentavam e levavam os jovens à loucura.

O doc entrevista a coreógrafa do programa, Theresa Kerr , que era a responsável por selecionar os jovens que iriam dançar e que deveriam ser modernos e descolados, sendo que ela fazia pesquisas nos melhores clubs ingleses como o Scene Club.

Uma destas adolescentes foi a própria Twiggy, que adorava o programa.

twiggy

O  doc também vai nos mostrando as tribos que iam surgindo como os teddy boys, vestidos em seus ternos,com cabelos com topetes e muita brilhantina e sapatos creeper.

teddy-boys

E também os mods, com suas lambretas, seus parkas, seus cabelos curtos e frequentando clubs como o The Flamingo, no Soho inglês.

Outra tribo interessante surgida em meados de 60 eram os fãs de bluebeat, totalmente influenciados pela cultura negra e tendo artistas como John Lee Hooker:

O ska também surge nesta época, através de artistas jamaicanos, como Millie Small, autora do hit ‘My boy lollipop”:

O episódio seguinte é ‘The Love Affair: 1966-1976”, apresentado por Danny Baker, escritor, jornalista e apresentador britânico que nos guia por este movimentado período do pop onde glam rock, heavy metal, rock progressivo, psicodelia, reggae, conviviam um ao lado do outro.

danny-bakers-great-album-011

Danny Baker com sua coleção de discos.

Baker trabalhava numa loja de discos na época e nos conta como convivia com toda esta riqueza do que era produzido musicalmente nesta época e as tribos de cada gênero.

Como o próprio nome deste episódio diz, ele fala sobre o caso de amor dos fãs com seus ídolos.

O doc nos fala do momento psicodélico dos Beatles com o álbum Sgt. Pepper’s, o primeiro álbum pop a vir com as letras de todas as músicas.

rexfeatures_20092h-630x330

Don Letts aparece e nos fala de como os Beatles ficaram mais interessantes quando começaram a consumir drogas e abrir sua mente para outras influências e viagens.

Foi nesta década também que a banda acabou e surgiram novos astros.

Era uma época cheia de protestos, de questionamentos políticos e sexuais; além de ser no final da década de 60 o primeiro dos festivais ingleses ao ar livre como o Festival da Ilha de Wight.

Poster do Festival de Wight de 1970.

Poster do Festival de Wight de 1970.

Conhecemos no doc um dos organizadores do festival , da edição de 1970, que nos conta toda a atmosfera, além de mostrar memorabilia que ele guardou da época e de apresentações de artistas como Jimi Hendrix, The Who e principalmente o The Doors, com músicas como “When the music’s over”:

Aos poucos, o pop vai entrando para um lado mais dark, o rock fica mais pesado, com influências de magia negra, ritos satânicos, como na música do Black Sabbath.

Ao mesmo tempo, havia também o glam rock, com figuras como Marc Bolan, do grupo T-Rex e sucessos como ‘Get it on”:

Baker nos conta o episódio em que Bolan esteve em sua loja e acabou lhe dando uma camisa de presente e como ele guardou aquilo como um tesouro.

E falando em glam, como não falar de David Bowie, o camaleão do rock, que surgia no final dos anos 60 para enfeitiçar toda uma geração de jovens que viam ali o nascimento de um ídolo diferente dos demais, especial, que possuía um alter ego, Ziggy Stardust.

david

Inclusive vemos uma fã que foi e guardou ingresso e programa do show em que Bowie se despede de Ziggy, no Hammersmith Odeon, em 1973, momento histórico do pop:

Outra fã de Bowie nos conta como acabou adquirindo uma relíquia: a máscara de metal que ele utilizou em um de seus videos (na foto abaixo nas maõs de Danny Baker).

danny-baker

A escalada do reggae na Inglaterra também é mostrada, principalmente no sucesso de Bob Marley.

Inclusive ficamos sabendo de uma apresentação de Marley na escola londrina Peckman Manor, para alguns alunos, acompanhado de Johnny Nash (autor do hit “I can see clearly now”), antes de se tornar famoso.

bob-marley-and-johnny-nash-performing-568406

O doc ainda fala do rock progressivo de bandas como o Pink Floyd e também do movimento Northern Soul, de como uma fã da época se vestia para frequentar os bailes do Wigan Cassino e curtir toda aquela atmosfera mágica.

The People´s History of Pop ainda continua com mais episódios que falaremos em breve.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: BORN TO BE BLUE POR ARTHUR MENDES ROCHA

O filme musical de hoje é baseado na vida de uma das figuras mais interessantes surgidas no mundo do jazz dos anos 50/60, Chet Baker, que é tema da produção “Born to be blue”.

born-poster

A película é estrelada por Ethan Hawke no papel de Chet Baker, que tem uma excelente atuação, e pode lhe render (merecidamente) uma indicação ao Oscar de melhor ator para 2017.

born-to-be-blue-trailer

‘Born to be blue” é o nome de uma famosa canção de Baker, ela se refere a uma pessoa que já nasceu para ser sofrida, em constantes mudanças de humor e é bem isto que o artista era: uma pessoa problemática, com dificuldades de se relacionar e viciado em heroína, mas com um talento excepcional. Abaixo a música interpretada por Chet Baker:

Baker foi um artista de jazz genial, mas sempre envolvido em problemas com drogas, já que o vício acabou lhe prejudicando muito, além de fisicamente, também profissionalmente, pois acabava não cumprindo suas obrigações contratuais e acabou sendo afastado das gravadoras pelas quais lançava seus discos ou cancelando apresentações.

Foto de Chet Baker tocando seu trompete.

Foto de Chet Baker tocando seu trompete.

A direção do filme é de Robert Budreau, produtor e diretor canadense que possui um extenso currículo, especialmente como diretor e produtor de curtas para a TV. O diretor conseguiu captar com habilidade esta personalidade difícil de Baker, uma pessoa em constante luta contra seus demônios, como vemos no trailer abaixo:

E Hawke está ótimo no papel de um Baker mais castigado pela vida, onde sua beleza já está mais deteriorada pelo constante abuso das drogas, “Born to be blue” se desenrola nos anos 60, quando Baker estava saindo da prisão, havia se afastado de sua carreira por causa de seu vício, de ter se envolvido com traficantes que o ameaçavam enquanto não acertasse suas dívidas e havia sido afastado dos estúdios de gravação por não aguentarem seu comportamento.

btbb_day21-00451

Um destes estúdios era o da gravadora Pacific Jazz, uma das precursoras do estilo West Coast Jazz, do qual Baker era um dos principais representantes. Um dos mais destacados personagens do filme é justamente Richard (Dick) Bock, o proprietário da Pacific e produtor de importantes discos de jazz, vivido pelo ator Callum Keith Rennie (‘Californication”, ‘The Man in the high castle”).

Callum Keith Rennie om Carmen Enojo numa cena do filme.

Callum Keith Rennie om Carmen Ejogo numa cena do filme.

Em várias situações, Baker pede a ajuda de Dick, seja para voltar a gravar, ou quando precisa de dinheiro emprestado, mas o produtor sempre parece não confiar em Baker, pois a qualquer momento, este poderia ter uma recaída e voltar às drogas. Um dos bons momentos do filme é quando Baker se apresenta nos estúdios da Pacific, como um grande retorno do artista mostrando ao pessoal ligado ao jazz que ele ainda podia arrasar se lhe dessem uma nova chance. born-to-be-blue

Baker também é convidado a estrelar um filme baseado em sua vida e contracena com uma atriz que vive sua antiga paixão (no filme), ela é vivida pela atriz Carmen Ejogo (‘Selma:  uma luta pela igualdade”, “Animais Fantásticos e onde habitam”), que faz os papéis de Jane (no filme dentro do filme) e Elaine.

Carmen Ejogo numa cena do filme.

Carmen Enojo numa cena do filme.

Elaine e Baker acabam tendo uma atração mútua um pelo outro e resolvem namorar e morar juntos. Ela é um personagem fictício, mas através dela podemos ver a dificuldade de se relacionar com uma pessoa como Baker.

born4

Elaine não sabia da confusão que estava se metendo, pois lidar com os ataques de ciúmes de Baker, das oscilações de humor e temperamento, da sua tentativa de se afastar das drogas e a eterna atração que estas sempre representam na vida do jazzista.

born-to-be-blue-movie-picture-4-630x341

Ethan Hawke e Carmen Ejogo numa cena do filme.

Baker foi dos grandes jazzistas que já habitaram este planeta, seu jeito único de cantar (que influenciou diretamente cantores como João Gilberto), seu talento em tocar trompete, ele era um dos poucos artistas a cantar e tocar um instrumento com maestria.

O verdadeiro Chet Baker numa foto no auge de sua juventude e beleza.

O verdadeiro Chet Baker numa foto no auge de sua juventude e beleza.

Muitos standards de jazz ficaram famosos em sua voz, como ‘My Funny Valentine”, que também é interpretada no filme por Hawke e que virou uma de suas marcas registradas. Abaixo a interpretação no filme e a original de Chet Baker:

Outro detalhe interessante do filme é mostrar alguns dos artistas de jazz da época, como seu rival Miles Davis (vivido pelo ator Kedar Brown) e Dizzy Gillespie (Kevin Hanchard), especialmente na cena onde Baker retorna ao Birdland (o jazz spot onde ele fez sua estreia justamente com os dois) para uma nova apresentação e tem de enfrentar o julgamento de seus colegas de profissão.

Cena do filme onde Baker (Hawke) encontra com Miles Davis (Kedar Brown).

Cena do filme onde Baker (Hawke) encontra com Miles Davis (Kedar Brown).

Abaixo a cena em que ele volta ao Birdland e interpreta ‘I’ve never been in love before” (também cantada por Ethan Hawke no filme):

E a versão original por Chet Baker:

Em uma cena do filme, ele vai visitar seus pais no interior dos EUA e percebemos a dificuldade de relacionamento dele com o pai (papel do ator Stephen McHattie), já que Baker conseguiu ser um artista de sucesso e seu pai (que tocava guitarra) nunca se destacou como artista de expressão.

born-to-be-blue-2

Mas foi seu pai que o estimulou o gosto pela música, por pior que fosse seu relacionamento.

Um dos episódios que só pioraram sua vida foi uma surra que levou em São Francisco (que é mostrada no filme) e que quebrou alguns de seus dentes, prejudicando sua performance, tudo isto relacionado à dívidas contraídas causadas pela heroína.

born3

Outra presença constante no filme é seu agente de condicional, pois para continuar solto, ele deveria mostrar que estava trabalhando honestamente e tomando sua metadona (para ajudar na falta da heroína). Tendo sido considerado o James Dean do jazz ou o príncipe do cool, Baker começava sua descida ao inferno, até vir a falecer em 1988, ao cair do seu quarto de hotel em Amsterdam (mas isto o filme já não nos mostra).

born2

Etha Hawke se destaca no filme, tocando e cantando como se fosse Chet Baker.

O filme é correto no seu retrato de Baker, não faz grandes inovações na narrativa, mas é um filme agradável de assistir, pois o tema é muito interessante e Baker é uma personalidade cheia de nuances e que merece ter cada vez mais filmes e relatos sobre sua carreira. Além disso, a trilha está muito bem feita, onde os trompetes de Baker são feitos por Kevin Turcotte e a direção dos números musicais ficou por conta de David Braid (pianista e compositor canadense que já se apresentou mundo a fora), mas nada melhor que ouvir as verdadeiras gravações do jazzista para admirar todo seu talento.

Elenco e equipe do filme no Festival de Toronto.

Elenco e equipe do filme no Festival de Toronto.

“Born to be blue” ainda não tem data de estreia no Brasil, mas já pode ser visto em torrent ou em plataformas de streaming.

   Comentário RSS Pinterest   
 

Today’s Sound: Pete Burns por Arthur Mendes Rocha.

Pete Burns ficou conhecido como o vocalista do Dead or Alive, suas montações e agora também suas inúmeras cirurgias que acabaram por transformá-lo em outra pessoa.

Pete nasceu em 1959, de pai inglês e mãe alemã e esta sentiu desde cedo que seu filho era especial chamando-o de Star Baby.

No início de sua vida adulta, ele já mostrava interesse pela música, trabalhando em lojas de discos como a Probe Records em Liverpool, que virou ponto de encontro dos músicos da época.

Além de chamar muita atenção pelo seu visual com cabelo mega comprido com dreads, muita maquiagem, unhas postiças, tapa-olhos, além de um figurino bem andrógino. Ele afirmava inclusive que Boy George copiou seu estilo.

Em 1977, ele se dá conta que poderia cantar durante ensaios com o grupo Mistery Girls, que na verdade só tocou uma vez, abrindo um show do Sham 69.

Em 1979, ele forma o Nightmares on Wax (não confundir com o grupo de música eletrônica), grupo pós punk gótico que chegou a lançar alguns singles como “Black Leather”:

Depois de muitas trocas entre os membros da banda, em 1980, antes de uma sessão para o programa de John Peel, ele troca o nome da banda para Dead or Alive.

O primeiro single da banda foi em 1982, com “The Stranger”, que atingiu o sétimo lugar na parada de independentes e os fez assinar com a gravadora Epic. Um detalhe interessante é que nesta época fazia parte da banda Wayne Hussey (que foi para o Sisters of Mercy e depois formou o The Mission).

Em 1984 eles lançam o álbum “Sophisticate Boom Boom” que continha a música “That’s the way (I like it)” cover de K.C. & the Sunshine Band e seu primeiro top 40 hit na Inglaterra:

Foi com seu segundo álbum “Youthquake”, produzido por Stock, Aitken e Waterman (que depois produziriam Kylie Minogue, Jason Donovan, Rick Astley, entre outros) que eles alcançaram o sucesso, especialmente devido ao hit “You spin me round (like a Record), primeiro lugar nas paradas inglesas e em vários lugares do mundo:

Seu álbum seguinte “Mad, Bad, Dangerous to know” não teve o mesmo desempenho do anterior, já que não tinha um single forte, assim a música “Brand New Lover” só atingiu o 15º lugar na parada da Billboard:

O álbum ‘Nude” só teve sucesso em mercados como o Japão e Brasil, onde “Come home with me baby” chegou ao primeiro lugar na parada internacional:

Nos anos 90, a carreira do grupo ficou meio estagnada, alguns álbuns e singles de pouco sucesso. Os maiores hits continuavam sendo as coletâneas de sucessos e remixes de músicas antigas.

Pete Burns participou em 2006 do Celebrity Big Brother, reality show de sucesso na TV inglesa, onde ele voltou aos noticiários por suas declarações e por suas cirurgias, que acabaram modificando bastante seu aspecto, já que muitas delas não foram bem sucedidas.

Mesmo assim, ele continua na ativa, fazendo participações em programas na TV inglesa, além de shows (sem o Dead or Alive) como o Hit Factory, que acontecerá em Londres em julho deste ano em homenagem ao produtor Peter Waterman.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: THE STORY OF SKINHEAD DE DON LETTS POR ARTHUR MENDES ROCHA

O doc musical de hoje acaba de ser lançado na TV inglesa e nos conta um pouco da história do movimento skinhead e se chama ‘The Story of Skinhead”, tendo sido dirigido por Don Letts.

skin-don

Letts é uma figura lendária da cultura inglesa, pois além de DJ, é diretor de videoclipes e documentários como ‘The Punk Rock Movie”, ‘The Clash: Westway to the world”, entre outros.

Além disso, ele foi dos primeiros DJs a misturar punk com reggae nas suas discotecagens no club Roxy, além de realizar vídeos para o The Clash e até participar da banda Big Audio Dynamite ao lado de Mick Jones (guitarrista do The Clash).

Don Letts (segundo da esq. p a dir.) com o Big Audio Dynamite.

Don Letts (segundo da esq. p a dir.) com o Big Audio Dynamite.

Letts se debruçou na cultura skinhead, considerada dos primeiros movimentos multiculturais, já que reunia os mais diferentes grupos e classes sociais.

O detalhe mais importante do documentário é que ele nos conta as origens do movimento e pasmem: os skinheads não eram violentos, eles curtiam reggae e respeitavam as demais etnias. Com o tempo, esta essência skinhead foi perdendo várias de suas características e ficando cada vez mais associada à violência e ao racismo.

skins4

Mas eles não começaram assim; os skinheads se originaram da junção das culturas da classe trabalhadora inglesa (cockney) e a cultura jamaicana, eles se destacavam pela sua maneira de vestir e pelos cabelos raspados (daí o nome skinhead, ou seja, sem cabelo).

skins2

No doc, isto é muito discutido, já que como pode os skins gostarem de reggae jamaicano e serem racistas? Isto é muita contradição, concordam?

skin2

Mas vamos ao doc: Letts vai nos contando como a primeira leva de imigrantes jamaicanos que desembarcaram em Londres nos anos 60 vão deixando sua música influenciar toda uma geração.

Foto de um skinhead por Gavin Watson.

Foto de um skinhead por Gavin Watson.

Nesta época existiam os teddy boys, os  rocers, os mods; os skins eram uma outra subcultura, eles usavam cabelo curto, raspado, botas, jeans claros, jaquetas. O jeito de vestir os diferenciavam muito e Letts nos leva a uma loja em Richmond, pertencente a John Simmons.

skin1

Simmons era o proprietário da loja Ivy Shop, onde os skins compravam suas roupas, especialmente a Harrington jacket (nome inspirado pelo personagem de Ryan O’neal na novela americana ‘Peyton Place”), também conhecida como Baracuta, uma jaqueta utilizada por jogadores de golfe.

skins-symond

Além disso, o reagge era o ritmo escolhido, feito por artistas como Desmond Dekker do selo Trojan.

Ah, é importante notar que as garotas skinhead também eram bem estilosas, usando polos (geralmente da marca Fred Perry), com franja bem curta e um pouco mais compridos na parte de trás.

skinhead-girls

skins-11

Além disso, o uniforme skinhead incluía suspensório com Doc Martens (os famosos coturnos ingleses), de preferência na cor vermelha/bordô.

skin-trail

1969 é um ano marcante para os skinheads, pois é o perído em que começam a ser notados pela mídia, especialmente no meio dos frequentadores dos jogos de futebol que enfrentavam a polícia, já que era onde eles podiam extravasar sua testosterona gritando, brigando e fugindo dos policiais.

Police chase skinhead during rioting in Wood Green, July 1981.

Nesta época, é lançado o livro “Skinheads” de Richard Allen, que falava mais a fundo do que era ser um skinhead na época.

skinhead-book

Uma das músicas que os embalavam era o hit do The Equals, “Black Skinned Blue-eyed boy”, que justamente prega uma harmonia racial de brancos e negros na pele de um negro de olhos azuis:

No doc há depoimentos de figuras importantes no movimento skinhead, tais como Pauline Black (a vocalista do grupo de ska, The Selecter), Roddy Moreno (da banda skinhead The Opressed), Garry Bushell (o ex-manager do Cockney Rejects e que cunhou o termo Oi!), Gavin Watson (fotógrafo do livro “Skins and Punks”), Symond Lawes (ator, autor e idealizador do festival The Great Skinhead Reunion), entre outros.

Pauline Black, a vocalista do The Selecter está no documentário.

Pauline Black, a vocalista do The Selecter está no documentário.

skinhead

Symond Lawes, o poster boy dos skins, na capa do Skinhead Times.

Outro entrevistado é Joseph Pearce, ex-integrante do partido National Front, com os quais os skinheads foram associados politicamente, o que foi considerado um erro para o movimento, já que era um partido que pregava ideias retrógradas como ser um partido de supremacia branca.

skins5

Outro estilo que os skinheads curtiam era o Two Tone, o ska de bandas como The Specials, cujo hit ‘A message to you Rudy” eles muito dançaram:

Com a chegada do movimento punk na Inglaterra, os skinheads tiveram um revival em meados dos anos 70 e passaram a ser associados com os punks, pois se identificavam com estes, e passam a frequentar os clubs onde tocavam as bandas de punk rock, especialmente as bandas do chamado estilo Oi!

skins3

O estilo Oi! era um subgênero de punk que unia punks, skinheads; era punk rock para a classe trabalhadora, já se encaminhava para um hardcore, mas também misturava punk rock com bandas inglesas dos anos 60, tinha influência de hinos de futebol e mais.

Uma destas bandas de Oi! era o Sham 69, liderada pelo vocalista Jimmy Pursey (que dá depoimento no doc) e que decretou o final de suas apresentações ao vivo na época em razão de um show em Finsbury Park, em 1979, no qual a apresentação foi invadida por skinheads que apoiavam o National Front.

A banda Angelic Upstarts também atraía os skinheads com suas letras antifascistas e de cunho socialista e são considerados pioneiros do estilo Oi! com músicas como ‘The murder of Liddle towers”:

Com os skinheads indo para uma vertente de rock mais pesado das bandas Oi!, isto também acarreta uma atitude mais violenta, mais furiosa e nervosa, eles passam a usar mais tatuagens por exemplo, inclusive no rosto.

skin-tatoos

Seu visual vai ficando mais perigoso, mais enfrentativo, com mais elementos militares, até se voltarem para conflitos raciais, enfrentando os negros e as comunidades de asiáticos que viviam em Londres.

skins

No início dos anos 90, bandas como o Skewdriver tem uma postura nitidamente nazista e fascista, altamente racista.

A mídia também contribui para tornar os skinheads figuras temidas e perigosas, sempre envolvidos em brigas e confusões, tonando-se uma facção temida em países da Europa Oriental.

skins-1980s

Mas o que o doc nos ensina é que esta visão que a mídia criou do skinhead é uma visão distorcida da realidade; o skinhead original é um cara pacífico, que gosta de curtir o seu reggae e espera-se que esta visão seja novamente recuperada e que possamos reconhecer o real valor desta subcultura que contribuiu muito para o multiculturalismo que vivemos nos dias de hoje.

Cenas do documentário da BBC4.

Cenas do documentário da BBC4.

Corram para ver, pois a BBC4 disponibilizou o doc no youtube, mas costumam retirar do ar em alguns dias:

   Comentário RSS Pinterest