bloglovin


Arthur Mendes Rocha

Today’s Sound: Einstürzende Neubauten por Arthur Mendes Rocha

Continuando o tópico rock industrial, hoje o destaque é o grupo alemão Einstürzende Neubauten.

O Neubauten personifica uma banda industrial por excelência, eles foram uma das primeiras bandas experimentais de industrial e surgiram em Berlim, no ano de 1980.

A tradução para o seu nome é ‘novos prédios desabando” e o som da banda reflete bem isso, pois é barulhento (principalmente em seus primeiros discos), utilizando instrumentos não-convencionais como ferramentas de construção, metais, além de instrumentos tradicionais.

Um detalhe interessante foi que dois meses depois da formação da banda, o teto do hall do Congresso de Berlin realmente desabou, atraindo uma atenção inesperada para eles.

O grupo é formado por Blixa Bargeld, que também já foi membro da banda Bad Seeds, que acompanha Nick Cave; Alexander Hacke, N.U. Uhrun (ou Andrew Chudy), Jochen Arbeit e Rudolf Moser.

O Neubaten lançou seu primeiro álbum em 1981, ‘Kollaps” (“Collapse”), com sua mistura de punk rock e industrial. Sua apresentações ao vivo tornaram-se lendárias, pois também incluem destruições no palco.


Depois dos primeiros trabalhos, a banda lança em 1985 o álbum “Halber Mensch”, que demonstra maior maturidade com uma estrutura musical mais bem delineada, além de letras e vocais mais organizados. Em 1986, o cineasta Sogo Ishii lança um documentário sobre a apresentação deste álbum no Japão, conforme cenas abaixo:

Em 1987 e 1989, a banda lança dois novos álbuns muito bem recebidos nos EUA e Japão: ‘Fünf auf der nach oben offenen Richterskala” e “Haus der Lüge”.


Com a chegada dos anos 90, eles tentam uma nova experiência: musicar a peça “Die Hamletmaschine” de Henri Muller.


O álbum de 1993, “Tabula Rasa”, também mostra a música da banda ficando mais suave e mais eletrônica.

Em 1996, Blixa e a esposa de Hacke, Meret Becker, gravam um dueto de grande sucesso “Stella Maris” e logo em seguida a banda parte em turnê mundial.

Em 2000, eles comemoram os vinte anos do Neubaten com a turnê “20th anniversary”, além de lançar o álbum “Silence is Sexy”, que incluía a música “Sabrina”:

Nos anos seguintes, a banda continua a lançar novos álbuns, DVDs e inclusive lançando CDRs de apresentações de seus shows ao vivo, bem como disponibilizando aos fãs conteúdos para download, mostrando preocupação em manterem-se atualizados.

Em 2007, mesmo sem apoio de gravadora, eles lançam “Alles wieder offen” , além de excursionarem com a turnê do disco.

Em 2010, o Neubaten completou 30 anos com uma turnê européia e não dão sinais de parar tão cedo.

 RSS  
 

Today’s Sound: Nitzer Ebb por Arthur Mendes Rocha

Hoje o enfocado é outro grande representante da EBM (Electronic Body Music): o Nitzer Ebb.

O Nitzer Ebb foi formado em meados dos anos 80, em Chelmsford, Essex, Inglaterra, por três amigos de escola: Douglas McCarthy (guitarra e vocais), Vaughn ‘Bom” Harris (vocais, percussão e guitarra) e David Gooday (percussão).

As primeiras influências da banda foram do electro-pop da época e também de outros gêneros que foram moldando o som característico do Nitzer Ebb, com batidas pesadas e linha de baixo seqüencial, além dos vocais gritados que viraram sua marca registrada.

Seu primeiro single foi lançado em 1985, “Isn’t funny how your body works” lançado pelo seu próprio selo, Power of Voice Communications.

Logo em seguida vieram mais três singles “Warsaw Ghetto”, “Warsaw Ghetto remixes’ e “Let your body learn”, consolidando seu nome na recém surgida cena EBM.

No final de 1986, eles assinam com a gravadora Mute e depois de singles de sucesso, lançam seu primeiro álbum “That total age” em 1987, com sua mistura irresistível de energia e raiva, que acabaram por influenciar o techno dos anos seguintes como em “Join in the chant”:

Eles acabaram atraindo a atenção de seus companheiros de selo, o Depeche Mode, que os convidou a abrir seus shows da parte européia de sua turnê mundial.

Logo após a turnê, eles lançam um novo álbum desta vez como um duo, já que Gooday havia saído da banda, intitulado ‘Belief’, com uma produção mais refinada e assinada por Mark ‘Flood” Ellis.

Nos seus álbuns seguintes, “Showtime” (1990) e “Ebbhead” (19910, seu som torna-se um pouco mais acessível, mais orquestrado, mas sem abandonar as batidas pesadas do industrial e as guitarras cruas.


Na sua turnê mundial, eles vão conquistando mais popularidade e chegam até a fazer shows na Sibéria.

Mas com seu álbum seguinte, “Big Hit”, o Nitzer Ebb tenta se afastar do som mais eletrônico para um som mais orgânico, dominado por guitarras e bateria, mas acaba causando estranhamento em parte de seus fãs que desejavam o som antigo, mais EBM mesmo.

Após este trabalho, que parecia ser o final da banda, eles partem para projetos solos e colaborações com outros artistas.

Mas com a chegada dos anos 2000, a banda tem um revival de produtores de música eletrônica como Richie Hawtin e Derrick May remixando algumas de suas faixas e trazendo seu som para uma nova geração.

Assim, o Nitzer Ebb volta a se apresentar em festivais e gravando novas músicas.

Em 2010, eles lançaram um novo álbum inédito, “Industrial Complex”, onde mantiveram sua identidade, adicionando elementos novos como em “Once you say”, com backing vocals de Martin Gore (Depeche Mode):

O Nitzer Ebb continua a fazer shows e turnês mundiais, tendo vindo ao Brasil em 2010, e a levar seu energético som para seus fãs de carteirinha, bem como uma nova geração que passou a admirá-los.

 RSS  
 

Today’s Sound: EBM por Arthur Mendes Rocha

Hoje e amanhã falaremos de Electronic Body Music (EBM), um gênero musical que mistura música industrial com música eletrônica de forma bem dançante.

O gênero surgiu no início dos anos 80 e caracteriza-se pelo uso de batidas eletrônicas pesadas e dançantes, vocais sem distorção, mas com efeitos de reverberação e ecos sonoros, além de linhas repetitivas de seqüenciadores e letras de protestos.

Entre suas principais influências estão a música industrial do Throbbing Gristle e Cabaret Voltaire, o synthpunk europeu de DAF e Liasons Dangereuses, o synthpop de Depeche Mode e Human League, além, é claro, da música eletrônica do Kraftwerk.

Hoje o grupo enfocado é o principal representante do gênero: o Front 242.

O Front 242 surgiu na Bélgica, formado por Daniel B. e Dirk Bergen, que lançaram, em 1981, o single ‘Body to Body”.

Logo eles já definiram o som da banda e a eles se juntaram Patrick Codenys nos teclados e Jean Luc De Meyer nos vocais e lançam o álbum “Geography”, com sua dance music fria e sintética como em “Operating tracks”:

Em 1983, Bergen sai da banda e em seu lugar entra Richard 23, na percussão e vocais; a banda cria seu próprio selo e vai conquistando seu público.

Com o lançamento de “No Comment” em 1984, o termo EBM é utilizado por Richard 23 para definir o som que faziam.

Em 1985, com o lançamento de ‘Politics of Pleasure”, eles tocam em grandes festivais na Europa e vão para os EUA para algumas apresentações. Estas acabam mostrando que a banda possuía um forte sonoridade ao vivo.

Mas o grande estouro internacional veio mesmo em 1987, quando eles assinam com a gravadora Wax Trax (nos EUA) e Red Rhino (na Europa) e lançam músicas como “Masterhit”:

Em 1988 eles lançam “Front by Front”, álbum que os coloca de vez como importante nome da cena eletrônica e que origina o premiado vídeo de “Headhunter”, dirigido por Anton Corbjin (que viria a ser o diretor favorito do Depeche Mode e U-2):

Nos anos 90, eles continuam a lançar novos trabalhos e se apresentando em diferentes lugares do mundo, além de influenciar toda uma nova geração da música eletrônica, especialmente os artistas de techno.

Em 2003, eles lançaram seu último álbum inédito e atualmente cada membro tem se dedicado a projetos solos.

Em 2008 eles lançaram o DVD “Moments in Budapest”, onde desfilam novos e antigos sucessos, levando seus fãs ao delírio em show gravado na turnê “Vintage Tour”.

 RSS  
 

Today’s Sound: Stevie Wonder por Arthur Mendes Rocha

Stevie Wonder não deixou que sua cegueira atrapalhasse sua brilhante carreira musical, nos emocionando com sua música que tem acima de tudo muito soul.

Stevie nasceu de parto prematuro e isto foi uma das principais causas de sua cegueira.

Desde cedo, ele demonstrou interesse na música, cantando em corais de igrejas e aprendendo a tocar instrumentos como piano, gaita, bateria e baixo.


Ele foi apresentado ao presidente da Motown, Berry Gordy, como Little Stevie Wonder, já que tinha apenas 11 anos de idade e Gordy logo se impressionou com o talento do menino.

Ele assina com a Motown e grava dois discos de pequeno sucesso.

Mas foi aos 13 anos, ao lançar o single “Fingertips  (Part 2)” que ele estoura nas paradas de sucesso, bem como com “Uptight (Everything’s alright”):

Nos anos seguintes, já assinando somente como Stevie Wonder, ele compõe sucessos para outros artistas da Motown, além de lançar canções como “For Once in my life”

No início dos anos 70, ao renovar o contrato com a Motown, Stevie consegue o sonho de todo artista: o controle artístico sobre seu trabalho e os direitos sob todas as canções, além de royalties mais altos.

Ele vivia seu ápice criativo, lançando discos que se tornariam ícones como “Talking Book” que originou o hit “Superstition”, música que fez o crossover com as rádios de rock, que passaram a tocar suas músicas. No vídeo abaixo ele interpreta a canção no programa Soul Train:

Os hits vão chegando com tudo como “My cherie amour”, ‘You are the sunshine of my life”, “Signed, sealed, delivered (I’m yours)” (na versão abaixo ele canta com Beyoncé):

Sua canções ficam mais politizadas, como mostrava seu álbum “Innervisions”, um de seus melhores trabalhos, no qual se destacava “Living for the city”, lhe dando três Grammys incluindo álbum do ano:

Para coroar este momento incrível de sua carreira, Stevie lança mais um grande álbum “Songs in the key of life”, álbum que já foi direto para o primeiro lugar e que continha os hits “I wish”, “Sir Duke”, ‘As” e “Isn’t she lovely”, entre outros.

Nos anos 80, Stevie vive um dos seus melhores momentos comerciais, já que colhe os louros dos álbuns que lançou, participando de shows beneficentes, ações de caridade, colaborações com artistas de sucessos e aumento nas vendas de seus discos.

Ele lança novos trabalhos como “Happy Birthday”, “Master Blaster (Jammin’)”, “Do I do”, “That girl”, “Ribbon in the Sky”, “Ebony and Ivory” (no vídeo abaixo com Paul McCartney na Casa Branca em 2010):

Em 1983, ele faz a trilha de “A dama de vermelho” que origina o hit que lhe renderia o Oscar de melhor canção: “I Just called to say I love you”.

Nos anos 90, ele lança bem menos coisas, mas um de seus bons trabalhos foi a trilha do filme “Jungle fever” de Spike Lee.


Nos anos 2000, Stevie continua fazendo shows e turnês mundo a fora, tendo se apresentado no ano passado no Rock in Rio para um público de mais de onze mil pessoas, que cantaram junto com ele em alguns momentos como quando ele homenageou a música brasileira (que tanto adora) interpretando “Garota de Ipanema” e “Você abusou”:

Stevie é influência para muitos músicos, desde o pop, passando pelo rap, rock, R&B, jazz, música eletrônica e muitos outros.

Ele detém o recorde de artista masculino que mais venceu Grammys, tendo conquistado 25 Grammys no total em sua carreira.

Stevie está aí há mais de quatro décadas, sempre na ativa, é um artista completo, cantando, tocando e compondo divinamente, dono de um ritmo e uma musicalidade jamais igualada. Ele é um retrato vivo do que a música negra é capaz, seja no soul, R&B, funk, disco ou hip-hop.

 RSS  
 

Today’s Sound: Isaac Hayes por Arthur Mendes Rocha

Ele foi uma das grandes vozes do soul, flertando com o funk e a disco, Isaac Hayes foi o primeiro músico negro a ganhar um Oscar e chegou a ser um rei honorário na África.

Isaac Hayes era órfão de pai e mãe e foi criado pelos avôs, ele cantava na igreja desde pequeno e viu que através da música, as garotas se interessavam por ele.

Entre os muitos empregos que teve para se manter, um deles foi cozinhando em restaurantes, o que o levou a ter paixão pela culinária.

Ele se juntou ao grupo musical de sua escola, aprendeu a tocar saxofone e piano, bem como  participou de grupos de gospel, do-wop,  jazz e blues.

Foi em 1964 que ele conseguiu um emprego como músico na gravadora Staxx, trabalhando com Ottis Redding e logo viria a trabalhar como compositor de Carla Thomas, Sam & Dave, entre outros.

Hayes acabou por moldar na Staxx o que ficou conhecido como o “Memphis sound”, o típico som feito pelos artistas negros daquela região e que acabou influenciando de Ray Charles a Elvis Presley.

Em 1969, ele lança o disco que mudaria para sempre sua carreira: “Hot buttered soul”, composto de apenas quatro músicas enormes como “Walk on by”

O disco foi um sucesso, chegou a primeiro lugar na parada R&B da Billboard e mostrava uma nova direção do soul, com arranjos mais elaborados e uma nova concepção do álbum de soul, até mesmo a capa com a cabeça de Isaac raspada era revolucionária.

Mas foi em 1971 que Hayes lançaria o disco que virou sua marca registrada: a trilha sonora do filme “Shaft”. O filme foi um hit inesperado, era blaxploitation, mas teve um sucesso comercial retumbante, sendo que era a primeira vez que um artista soul tinha um disco em primeiro lugar nas paradas de R&B e Pop ao mesmo tempo:

Além disso, a trilha ganhou o Oscar, o Globo de Ouro e três Grammys.

Seu disco seguinte, “Black Moses” também foi um hit, incluindo o sucesso “Never can say goodbye” e fazendo-o excursionar pela Europa pela primeira vez:

Entre 1969 e 1980, Hayes chegou a ter vinte álbuns nas paradas de sucessos, inclusive tendo dois álbuns ao mesmo tempo nos charts no início dos anos 70.

Nos anos seguintes, Hayes lançou muitos álbuns, participou como ator em vários filmes e séries, sua música foi sampleada por artistas que vão de Portishead a Destiny’s Child, passando por Dr Dre e Snoop Dogg.

Seu trabalho humanitário também começou com força total, depois de uma viagem a África, onde ele até chegou a ser coroado rei honorário em Gana. Ele fundou a Isaac Hayes Foundation para oferecer estudo e condições aos necessitados.

Nos últimos anos de sua vida, Hayes ficou conhecido pelas novas gerações como a voz do Chef em “South Park”, do qual se afastou pelo programa por fazer críticas à Cientologia.

Ele faleceu em 2006 e será sempre lembrado por sua incrível contribuição artística, seja na música, cinema e TV além de suas causas humanitárias.

 RSS  
 

Today’s Sound: Curtis Mayfield por Arthur Mendes Rocha

Ele foi um dos artistas que mais lutou pelos direitos de sua raça, sua música tem soul, funk, disco e acima de tudo muito groove, estamos falando de Curtis Mayfield.

Mayfield é um soulman de primeira, desde pequeno ele foi acostumado a ouvir os corais de gospel e foi introduzido à poesia por sua mãe.

Ele nasceu em Chicago, em 1942, foi lá que foi tomando contato com música, seja na igreja, seja pelos blues que rolavam na cidade.

Mayfield foi um autodidata, ele aprendeu a tocar guitarra desde cedo e também piano, sua maneira de tocar era diferente do resto, além de sua voz de tenor cantando em falseto com um estilo próprio.

Aos 16 anos, ele abandona a escola e forma um grupo, primeiramente chamado de Roosters, e mais tarde de Impressions. Ele acaba por acumular as funções de músico e produtor do grupo, além de compor. Em 1964, em plena invasão britânica na música pop, eles tinham cinco músicas no top 20.

Uma de suas composições mais conhecidas foi “People get ready”, que acabou virando um hino na luta pelos direitos civis dos negros americanos:

Em 1972, já como artista solo, ele lança aquele que seria seu trabalho mais conhecido: a trilha do filme de blaxploitation (filmes com elenco todo negro e visando este público) ‘Superfly”.

O filme acabou virando cult e a trilha vendeu mais de um milhão de cópias puxada pela canção título:

e também “Freddie’s Dead”, que inclusive foi sampleada pelos Racionais MC’s:

Agora Mayfield tinha tudo: sua gravadora própria, Curtom Records, produzia artistas do porte de Aretha Franklin e Gladys Knight e lançava músicas de sucesso como “Move on up”:

Nos anos 90, Mayfield acaba tendo um sério acidente em um ensaio e fica quadraplégico, não podendo mais tocar instrumentos.

Mesmo assim, ele consegue ter forças para cantar e lança em 1998, aquele que seria seu último trabalho: “New World Order”. Reza a lenda que Mayfield gravou o disco suspenso por arreios para que sua voz ficasse mais clara e que ele pudesse fazer a respiração certa.

Ele veio a falecer em 1999, tendo ampla repercussão na imprensa internacional que exaltou suas qualidades de artista, compositor, produtor e multi-instrumentista.

Seu legado estará conosco para sempre, suas músicas com letras de cunho social, sua voz especial, seu ritmo.

Agora no verão americano, o Lincoln Center Festival vai fazer um tributo a Curtis, no ano em que ele completaria 70 anos, com um show em que já confirmaram participação: Mavis Staple, Lonnie Smith, membros do TV on the Radio, entre outros.

 RSS