Bom domingo!!! #inhotim #caleidoscópio #OlafurEliasson#inhotim #nofilter #feriado#Inhotim #YayoiKusamaÉpoca de Helicônias Rostratas! Viva o feriado! #heliconia #heliconiarostrata #nofilter #feriadoRetrato de Richard Avedon mostra o maior bailarino de todos os tempos, o maior mito, o maior... 😉
O restante da imagem do grande Nureyev, está no link: www.japagirl.com.br/blog/sports-i-love/todays-sound-rudolf-nureyev-por-arthur-mendes-rocha/Orquídea #brassia primeira florada comigo! #orquídea #brassiaverrucosaImagem de Brassaï (1899-1984) Margot Fonteyn vestida em seu tutu, se olha no espelho de seu camarim, 1949
Mais no site: www.japagirl.com.br/blog/sports-i-love/todays-sound-margot-fonteyn-por-arthur-mendes-rocha/Época de #orquídea #Zygopetalum

                
       





















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CURRENT MOON


Arthur Mendes Rocha

TODAY’S SOUND: TURA SATANA

Tura Satana foi muito mais que uma groupie que ficou com o rei do rock, ela foi uma musa do cinema underground, além de stripper, dançarina exótica e sua vida daria um filme dirigido por Tarantino ou John Waters.

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Tura nasceu Tura Luna Pascual Yamaguchi no Japão, de descendência filipina, índigena e até escocesa. Seu pai era ator de cinema mudo e sua mãe contorcionista de um circo.

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Com esta mistura de raças, ela já chamava atenção por seu visual exótico nas ruas de Chicago (para onde se mudou com a família). Até que, aos dez anos, sofreu um estupro por uma gangue.

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Foi o que bastou para Tura virar durona e procurando vingança, treinando aikido e karatê.

Ela chegou a casar aos treze anos para ter uma ID falsa e poder trabalhar como stripper.

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Tura aprendeu dança exótica e logo se transformou numa das dançarinas de burlesco mais conhecidas na América.

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Seus números eram cheios de acrobacias, além de figurinos orientais, denominando seu ato de Miss Japan Beauty e agradando em cheio o público.

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Porém, fora dos palcos, ela arranjava várias brigas, se desentendendo com os donos das casas noturnas.

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Com sua beleza diferente, Tura conseguiu trabalhos como modelo e conheceu Harold Lloyd, ator de comédias do cinema mudo, que lhe encorajou a tentar o cinema.

 

Através de suas apresentações, ela começou a chamar a atenção de alguns astros da música e de Hollywood, entre eles Billy Wilder, que a convidou para fazer um teste para um pequeno papel no filme “Irma La Doulce” com Shirley MacLaine e Jack Lemmon.

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Tura acabou por ganhar o papel de Suzette Wong, uma das amigas da prostituta vivida por MacLaine.

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Ela também conheceu Frank Sinatra, ou como ela mesmo chama, the stud ( o garanhão) com o qual transou e teve um rápido romance.

Mas seu grande affair foi mesmo com o rei do rock, Elvis Presley, nos anos 50. Eles se conheceram em uma praia, enquanto Tura caminhava até se deparar com os olhos azuis irresistíveis de Elvis. Os dois passaram muito tempo juntos, Elvis confiava nela e se apaixonou por Tura.

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Inclusive, ele teria dito a ela: “You are the only female I will ever love” (Voce é a única mulher que eu amarei), nada mal ouvir isto de Elvis, não é?

Mas Tura acabou por recusar a proposta de casamento dele e guardou ,até o fim de seus dias, o anel de noivado que ele lhe deu.

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Depois de terminar o romance, os dois continuaram amigos e se falando ao telefone.

Reza a lenda que Tura acabou por se vingar de cada um seus agressores do passado, no melhor estilo ‘I spit in your grave” (Doce Vingança); o filme onde a heroína se vinga de forma sádica de cada um que abusou dela.

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Mas a vida de Tura mudaria ao ser chamada para o papel que a tornou um ícone da cultura pop: a personagem Varla em “Faster Pussycat, Kill Kill” de Russ Meyer, lançado em 1965.

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Ela conquistou Meyer ao imprimir sua personalidade no papel, criando suas próprias lutas e muito dos diálogos de sua personagem, como vemos na cena abaixo:

O lindo figurino leather de Varla , bem como o make e o penteado, foram invenções dela.

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Ela passava a ser a rainha dos exploitation films (filmes B cheios de sexo e violência) e cultuada por toda uma geração que pirou com sua interpretação como a violenta Varla.

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Inclusive, o papel de Varla era feminista, já que mostrava que a mulher podia enfrentar o homem de igual para igual, sem medos, sem frescuras e com muita atitude (e força também, pois com Varla era tudo na base da porrada).

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Tura fez também outro filme cult, “The Astro-Zombies” de 1968, que teve mais duas  sequências. Abaixo, um vídeo em homenagem à sua personagem no filme, Christine, com várias cenas dela;

Ela foi requisitada para séries de TV, tendo aparecido em ‘Man from U.N.C.L.E.” (O Agente da UNCLE, que foi refilmado recentemente).

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Outro trabalho cult dela foi em “The Doll Squad”, lançado em 1973 e no qual faz uma dançarina de burlesco.

Logo após o filme ser lançado, ela enfrenta outro bafo: um ex-namorado lhe dá um tiro e ela vai para no hospital. Lá ela fica por um tempo e arranja trabalho como enfermeira, ao se recuperar, já que havia aprendido enfermagem.

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Mas desde este ocorrido, a carreira dela nunca foi a mesma, foi envelhecendo, vivendo de aparições em convenções, além de sofrer mais um baque: sofreu um acidente de carro e quebrou a coluna.

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Além disso, ela também trabalhou na polícia de Los Angeles como despachante, afinal ela precisava ganhar a vida.

Tura passou um bom tempo fazendo operações para tentar melhorar da coluna, até que veio a falecer de um ataque de coração fulminante, já bem gorda e detonada.

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Sua influência na cultura pop inclui nome de uma banda de rock e também referência para várias personagens duronas no cinema como a noiva de ‘Kill Bill”.

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Ela será para sempre lembrada como uma lenda dos filmes underground, uma legítima ‘badass girl’, pronta para enfrentar tudo e a todos; mostrando seus talentos seja como atriz ou dançarina.

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TODAY’S SOUND: PAMELA DES BARRES POR ARTHUR MENDES ROCHA

Esta semana falaremos das groupies, que como o próprio nome já diz, são aquelas que passam seu tempo com um “group” (grupo), ou seja, as tietes, fãs dos artistas de rock e pop que faziam de tudo para chegar perto de seu ídolo e inclusive transar com eles. A nossa primeira escolhida é a mais famosa de todas: Pamela Des Barres!

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Quando garota, ela sonhava com Paul McCartney, até conhecer os Rolling Stones e passar a fantasiar com Mick Jagger (o qual conheceria mais tarde).

Pamela tem uma trajetória interessante, já que estava na hora e no lugar certo: era linda, jovem e se encontrava na Califórnia de meados dos anos 60, quando bandas como Led Zeppelin, Rolling Stones, The Doors, The Byrds e outros, dominavam a cena.

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Pamela é puro rock n’ roll, pois ela estava no palco, junto dos artistas em shows dos Stones, do The Who, de Jimi Hendrix, do Led Zeppelin…

Inclusive ela teve um personagem de cinema baseado na vida dela: a groupie Penny Lane, vivida por Kate Hudson no filme “Almost Famous” (Quase Famosos).

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Ela iniciou sua vida de groupie ao se formar no ginásio, em 1966, quando passou a morar perto da Sunset Strip, em Los Angeles, o local das melhores casas noturnas da época (como o Whisky à Go Go) e onde os roqueiros freqüentavam.

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Tudo começou quando um colega de colégio a apresentou para o seu primo, que nada mais era do que o Captain Beefheart, amigo íntimo de Frank Zappa e de vários músicos da época.

Ao conhecer Zappa, este não quis trair sua esposa e a convidou para ser babysitter de seus filhos (Dweezil e Moon), além de a convidar a participar de seu filme, “200 Motels”.

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No set de filmagem, ela conheceu Keith Moon, o louquíssimo baterista do The Who, figura lendária do rock, que aprontava de tudo, adorando se vestir de mulher, jogar carros na piscina, entre outras coisas.

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Moon e Pamela ficaram bem próximos, ele a levava para comprar discos, convenceu-a de se inscrever no SAG (Screen Actor’s Guild), mas a vida de excessos tirou cedo a figura dele de cena.

Uma de suas maiores conquistas foi Jimmy Page, com os qual teve uma forte relação tanto sexualmente quanto de amizade. Os dois se conheceram numa boate, Jimmy pediu seu número de telefone e os dois namoraram durante o ano de 1969.

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Nas festas que o Led fazia em L.A. , Pamela era sempre requisitada, reunindo um grupo de amigas groupies,  além de ter livre acesso ao tão disputado backstage, bem como os camarins dos astros, ficando amiga de toda a banda.

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Com o Jimi Hendrix Experience, ela se envolveu com o baixista Noel Redding, freqüentando o show da banda que iniciava e arrependeu-se de não ter transado com o próprio Hendrix, já que oportunidades não faltaram.

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Ela também ficou íntima de seu maior ídolo: Mick Jagger e segundo ela, acabou ficando com ele justo na noite mais difícil para ele, quando um Hell Angel matou um fã num concerto dos Stones em Altamont, em 1969, que entrou para a história. Mick teria feito um ménage a trois com ela e mais uma integrante do Mammas & Pappas (que só poderia ser Michelle Phillips).

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Além disso, em 1971, quando estava em Londres, Mick deu uma carona para ela em seu Bentley e lhe mostrou lugares que gostava na cidade, sempre a chamando de “Miss Pamela”.

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Outro detalhe legal da vida de Pamela é que Zappa a encorajou a montar uma banda, The GTOs (Girls together outrageously), o primeiro grupo composto por groupies e que misturavam música, performances, poesia e mais.

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Porém o GTO só durou um disco, “Permanent  Damage”, de 1969, que teve participação de Rod Stewart, Jeff Beck, Aynsley Dunbar, entre outros, além da produção de Zappa, mas que não rendeu nenhum hit. Abaixo podemos conferir a música “I’m in Love with the ooo-ooo man”:

O grupo acabou se dissolvendo logo após o lançamento do álbum, ocasionado pelas prisões de suas integrantes, que foram pegas com drogas.

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Sua vida de groupie acabou quando ela se casou, em 1977, com Michael Des Barres, que apesar de não ser famoso, era roqueiro, teve uma banda, Detective e chegou a substituir Robert Palmer na turnê do Power Station. Eles se divorciaram em 1991.

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Em 1987, Pamela lançou o seu primeiro livro de memórias, “I’m with the band” e tomou gosto pela escrita, tendo lançado mais três livros: “Take another piece of my heart: a groupie grows up” (1993), “Rock Bottom: dark moments in music babylon” e “Let’s spend the night together: backstage secrets of rock muses & supergroupies” (2007).

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Porém, o próprio Jimi Page, quando soube que ela iria lançar um livro contando os bafos, ameaçou de processá-la, isto que eram amigos até então. Page tinha medo que ela contasse coisas como seu envolvimento com magia negra e a mania que tinha de pedir ás garotas que o deixassem chicoteá-las.

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Para saber mais da vida de Pamela e de algumas groupies famosas, sugiro conferir o documentário da VH-1, “Let’s spend the night together: confessions of rock’s greatest groupies”, lançado no ano passado. No doc, a própria Pamela nos guia em busca das groupies, contando histórias curiosas e divertidas, como podemos ver abaixo:

Ela também participou do programa “Richard E. Grant’s Hotel Secrets”, apresentado pelo ator inglês Richard E. Grant (de “Whitnall and I”), onde conta alguns segredos dos quartos de hotéis onde atendeu alguns rock-stars:

Como bem ela define no documentário: “nós éramos o sexo, do “sexo, drogas e rock n’ roll”.

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TODAY’S SOUND: MIKHAIL BARYSHNIKOV POR ARTHUR MENDES ROCHA

Encerrando nossos posts de alguns dos bailarinos mais incríveis do mundo da dança, hoje falaremos de um que ainda é vivo e bem famoso, pois também é ator: Mikhail Baryshnikov!

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Baryshnikov também desertou da União Soviética para ter mais liberdade e dançar com os mais diferentes e inovadores coreógrafos e buscar o seu sonho de dançar para as plateias de todo o mundo.

Até Hollywood se rendeu aos seus talentos, tendo ele até concorrido a um Oscar, bem como ao Globo de Ouro e ao Emmy.

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Baryshnikov (ou também conhecido pelo seu apelido, Misha) nasceu em Riga, Latvnia, em 1948, tendo começado a estudar balé aos nove anos, ingressando na Vaganova Academy, em Leningrado (hoje São Petersburgo).

A Vaganova Academy era a escola de treinamento do Kirov Ballet (hoje o Mariinsky) tendo como mestre Alexander Pushkin (que já havia treinado Nureyev).

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Ao vencer a Competição Internacional de Balé do Varna, em 1966, ele ingressa no Kirov como solista, sem a necessidade do aprendizado no corpo de baile. Um de seus primeiro balés foi dançar o pas de deux em “Giselle”.

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Mesmo baixinho e não conseguindo ficar da altura de algumas bailarinas, Misha não desistiu, treinando exaustivamente até adquirir a técnica necessária e se tornar um dos melhores do mundo.

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Ele era agora o “premier danseur noble” da Cia, dançando balés, cujas coreografias haviam sido feitas especialmente para ele, como ‘Gorianka” (1968) e “Vestris” (1969), este último coreografado por Leonid Jakobson.

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Em 1974, quando estava em turnê com o Kirov no Canadá, Baryshnikov pediu asilo político em Toronto e juntou-se ao Royal Winnipeg Ballet, repetindo o eu seu colega Nureyev havia feito alguns anos antes.

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Em ambos os casos, os bailarinos não estavam virando as costas para suas origens e sim buscando a liberdade artística que na Rússia não existia. Como Baryshnikov mesmo afirmou: “Eu sou um individualista e isto lá é um crime”.

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Além disso, ele começava a considerar o repertório do Kirov limitado e antiquado, ele queria poder dançar novas e modernas coreografias.

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Assim, o grande sonho dele era ir para os EUA, especialmente em NY, onde haviam muitos ótimos coreógrafos e várias companhias de dança, e foi o que fez; indo trabalhar com o American Ballet Theatre (ABT), onde ficou de 1974 a 1978.

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No ABT ele foi o bailarino principal, dançando vários balés com a bailarina Gelsey Kirkland.

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Ele também dançou com um de seus grandes ídolos, George Balanchine, no New York City Ballet, bem como em várias cias importantes como o Royal Ballet. Um dos destaques era o balé “Don Quixote”:

Apesar de Balanchine (ou também conhecido por Mr. B) não aceitar artistas convidados e ter se recusado a trabalhar com Nureyev, ele acabou por treinar Baryshnikov com seu estilo próprio. Com ele, Misha se destacou com papéis em ‘Apollo” (no vídeo abaixo), “The Prodigal Son” e “Rubies”.

Entre os balés criados especialmente para ele estavam “Opus 19: The Dreamer” (1979) de Jerome Robbins, ‘Rhapsody” (1980) de Frederick Ashton e “Other Dances” também de Robbins, ao lado de Natalia Makarova.

Ele acabou por estrear no cinema no filme “The Turning Poin” (Momento de Decisão), lançado em 1977, contracenando com Shirley MacLaine e Anne Bancroft, sendo indicado para o Oscar de melhor ator coadjuvante.

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A própria MacLaine apresentou um documentário em homenagem a Misha intitulado “The Dancer and the Dance”, onde o vemos ensaiar, dar depoimentos, falar de sua vida de bailarino:

Em 1977, ele também teve um balé seu, “The Nutcracker”, transmitido pelo CBS americana e que acabou se tornando um dos balés mais reprisados do Natal americano, bem como tendo sido lançado em DVD, vendendo muitas unidades:

Em 1980, ele volta a trabalhar com o ABT, onde havia sido convidado para ser o diretor artístico e fica nesta função por dez anos, treinando e descobrindo novos talentos da dança.

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No mesmo ano, ele aparece em mais um especial de TV, “Baryshnikov on Broadway”, onde contracena com Liza Minelli em um medley de várias danças:

E também dançando “One”, o famoso número final do musical “A Chorus Line”:

Em sua vida pessoal, Misha se envolveu com a atriz Jessica Lange, com a qual teve uma filha, Aleksandra Baryshnikova, e hoje vive com a bailarina Lisa Rinehart.

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Ele também se apresentou em vários especiais do American Ballet como “Live from Lincoln Center” e “Great Performances”, dançando músicas como as de Sinatra com coreografia de Twyla Tharp:

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Em 1985, Hollywood o chama novamente, desta vez para estrear no filme “White Nights” ( O Sol da Meia-Noite), ao lado de Isabella Rosselini e Gregory Hines, ótimo dançarino americano com o qual ele dança em uma das sequências mais famosas do filme:

Após se tornar cidadão americano, Bayshnikov trabalhou de 1990 a 2002 como diretor artístico do White Oak Dance Project, instituição co-fundada com o dançarino Mark Morris e destinada a criar trabalhos para dançarinos mais velhos.

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Na TV, ele também teve muita popularidade estreando na série “Sex & the City”, no papel de um dos namorados de Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker).

Em 2005, ele cria o Baryshnikov Arts Center, fundação e um complexo de artes para abrigar aulas, ensaios, peças e atividades de dança, música, teatro e mais.

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Em 2012, ele estrelou a peça “Paris”, apresentada no Lincoln Center Festival.

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Este ano, Misha se apresentou em São Paulo com uma peça de Robert Wilson, “The Old woman” (A velha), contracenando com Willem Dafoe, com todos os ingressos esgotados.

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Agora em Londres, Misha irá mostrar outra faceta de seu talento: a de fotógrafo. Ele realizará a exposição “Dancing Away”, dentro da semana de arte russa, onde mostra trabalhos como este abaixo, dando sua visão do mundo da dança de alguém que está dentro disso, que vive isto diariamente.

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TODAY’S SOUND: RUDOLF NUREYEV POR ARTHUR MENDES ROCHA

Rudolf Nureyev foi um bailarino-superstar, sua fama e notoriedade o fizeram uma das figuras de maior destaque que a dança já produziu.

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Além dele, somente Nijinsky havia tido tal reconhecimento, já que o balé costuma produzir muitas bailarinas, mas poucos homens que realmente se destacam nesta arte.

Dono de uma beleza física invejável, ele dançou os balés mais importantes e nos teatros de maior prestígio do mundo; teve uma vida cercada de escândalos, glórias, solidão, casos amorosos e muito mais.

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Nureyev teve origem simples, nasceu na Rússia Soviética, em 1938; sua mãe deu a luz a ele em um trem, talvez daí se explique sua atração por viajar.

A paixão pela dança foi despertada nele aos sete anos, quando viu com seus familiares, uma apresentação de “The Song of the cranes” estrelando a bailarina Zaituna Nazretdinova.

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Nureyev ficara impressionado com tudo o que a dança significava, incluindo o teatro, o luxo dos lustres, das cortinas, tudo fascinava a criança que tinha feito a sua opção na vida: dançar!

Ele começou a treinar danças folclóricas na escola, além de dançar em grupos amadores.

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Seus professores o aconselhavam a se dedicar cada vez mais e que ele deveria estudar em Leningrado, na melhor escola de dança do mundo.

A adolescência dele era povoada de sonhos, ele adorava frequentar o cinema, além de ficar observando os trens partirem e chegarem a sua cidade.

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Apesar da oposição do pai, ele vai atrás de seus sonhos e consegue ser aceito na Escola de Balé de Leningrado, para onde se muda aos 17 anos.

Mesmo com uma idade considerada avançada para um bailarino iniciante, ele treina sem parar, nas horas vagas, dançando nas ruas, em seu quarto, por todos os lugares.

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Isto acaba sendo um desafio para ele adquirir conhecimento e controle, sem perder a espontaneidade e individualidade de seu talento natural.

A ânsia dele por aprender era tanto que devorava livros, exposições, ele desejava cada vez mais conhecimento no mundo da cultura e das artes.

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Um dos professores que mais o estimularam foi Alexander Pushkin, que o treinou para ser um solista, acabando por atrair o interesse dos Balés de Kirov e Bolshoi.

Nureyev acaba optando pelo Kirov, onde se destaca em balés como ‘Le Corsaire”:

Além deste, ele já participava dos principais balés do Kirov como “Giselle”, “The Sleeping Beauty”, “Swan Lake”, entre outros.

Nureyev começava a adquirir notoriedade, inclusive com fãs que passam a frequentar os balés que ele dançava.

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Em uma determinada performance de “Don Quixote”, ele resolve implicar com as calças largas utilizadas no balé e decide que, dali por diante, só dançaria com meias, o que na época não era bem visto na Rússia conservadora.

Aliás, durante sua carreira, ele terá esta fama de exigente, de discutir com professores e coreógrafos e ter um comportamento que muitos não aceitavam.

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Ele era convidado para os grandes eventos na Rússia, bem como dançar no Kremlin ou para o Partido Comunista.

Mas seu grande sonho era mesmo dançar no Ocidente, o que o fez em 1959, quando dançou em Viena pela primeira vez.

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Algumas de suas performances neste início foram filmadas por Teja Kremke, seu amigo e o seu primeiro romance homossexual, e que lhe daria conselhos para que abandonasse a União Soviética e seguisse para o Ocidente. Abaixo, podemos ver algumas das performances captadas por Teja:

Em 1960, Janine Ninguet, uma caça-talentos da dança, veio de Paris e ao ver Nureyev dançar, o considera o melhor bailarino do mundo.

O mundo vivia a Guerra Fria, as autoridades russas consideravam que ele tinha um mau comportamento, e acabam não o liberando para sair do país.

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Finalmente ele o faz, quando o Kirov faz sua apresentação em Paris e, ao dançar “La Bayadère” para os franceses, Nureyev conquista a todos com sua técnica, com a perfeição de seus movimentos, se tornando a grande estrela da Cia.

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Isto acaba por gerar tensões e brigas com os colegas e na ida para Londres, no aeroporto de Le Bourget, Nureyev decide abandonar o Kirov e pedir asilo político em Paris.

Ele não aguentava mais as pressões soviéticas, ele queria ser e se sentir livre e foi isto que fez, chocando o mundo e estampando as capas dos principais jornais.

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Nureyev agora era uma celebridade, porém enfrentava a ira de seu povo, sendo proibido de voltar a União Soviética, além de ter que lidar com a revolta de seu pai e escutas em seus telefones.

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Mesmo assim, ele aceita o convite do Grand Ballet du Marquis de Cuevas, se apresentando com ‘Sleeping Beauty” e é ovacionado pela plateia parisiense.

Mas, ele continuava tendo problemas com as autoridades russas, que seriam capazes de tudo para que ele voltasse á Rússia.

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No âmbito amoroso, Nureyev conhece Erik Bruhn, que acaba sendo sua grande paixão e por quem nutria forte admiração ao vê-lo dançando no Royal Danish Ballet.

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Os dois ensaiam juntos, trocam conhecimentos, com Nureyev aprendendo as técnicas ocidentais que só vem a acrescentar à sua habitual maneira de dançar.

Nureyev transformava a dança masculina em algo tão expressivo como a feminina, criando movimentos diferenciados e que acabaram sendo absorvidos pelos coreógrafos mais famosos.

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Em 1962, ele faz sua primeira apresentação com Margot Fonteyn em “Giselle”, naquele que seria a primeira parceria de uma série que faria com Margot e com a qual forma a dupla de dançarinos mais famosos do mundo.

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Entre os diversos balés que ele dançou com ela no Royal Ballet estava “Swan Lake”:

Nureyev se tornava cada vez mais famoso e requisitado em todas as capitais do mundo, além de coreografar seus próprios balés e remontar coreografias de Marius Petipa, um dos que mais admirava.

Aqui ele faz uma homenagem a outro de seus ídolos, Nijinsky, dançando ‘L’apres-midi d’um faune”:

Durante sua exitosa carreira nas próximas décadas, ele trabalha com os maiores nomes da dança como Frederick Ashton (com ele na foto), Rudi Van Dantzig, Roland Petit, Maurice Béjart, George Balanchine, Glen Tetley, Martha Graham e Murray Louis.

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Até como ator, Nureyev passa a ser requisitado, participando de filmes como “Valentino” (1977) de Ken Russell, e participando do Muppet Show, numa divertida aparição onde dança com uma bailarina ‘porca”:

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Nureyev também aproveitava bem a vida: adorava sair a noite, tinha casos com homens e mulheres, frequentando saunas e dando festas em sua casa. Além disso, ele vivia no Jet-set internacional, badalando com Jackie Kennedy, Andy Warhol, Lee Radziwill, Princesa Margaret, entre outros.

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Em 1983, ele é convidado para ser o diretor de dança do Paris Opera Ballet, onde permanece até 1989, injetando muita criatividade em novos balés, bem como treinando outra geração de dançarinos e descobrindo novos talentos.

Nureyev acaba sendo diagnosticado com Aids, mas procura esconder a doença do grande público.

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Em 1989, ele finalmente consegue a aprovação das autoridades soviéticas para retornar ao seu país de origem, onde ele consegue visitar sua mãe (já doente) e rever seus antigos amigos. Lá ele dança ‘La Sylphide” no Kirov Theatre, em Leningrado.

No início dos anos 90, ele se apresenta no musical “The King and I”, mas se dá conta que seu lugar é mesmo no balé clássico.

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No final de seus dias, ele continua na ativa, dançando bem menos, devido a suas condições físicas debilitadas, mas mesmo assim ele conduz orquestras e continua coreografando.

Uma de suas últimas aparições públicas foi no Opera de Paris, onde recebe uma linda homenagem e é condecorado com a Legião de Honra.

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Ele faleceu em Paris, aos 54 anos, vítima de complicações relacionadas com a Aids.

Em 2007, a BBC lançou o documentário, ‘Nureyev – From Russia with love”, onde conta um pouco da trajetória deste grande dançarino.

Nureyev fez da dança a sua grande paixão; ele se considerava um dançarino romântico e fez da sua arte o seu motivo de viver levando o balé a outro patamar, impondo técnica, apuro, beleza e uma dedicação como nenhum outro bailarino jamais conseguiu.

Para encerrar o post, uma foto clássica de Nureyev, como veio ao mundo, feita pelo grande fotógrafo Richard Avedon.

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TODAY’S SOUND: MARGOT FONTEYN POR ARTHUR MENDES ROCHA

Margot Fonteyn foi uma “prima ballerina assoluta”, considerada das melhores bailarinas clássicas, condecorada pela Rainha e dançando os balés mais famosos do mundo.

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Margot era pura habilidade e consistência, se jogava em um papel com tudo, exigindo o máximo de si e extremamente disciplinada.

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Dona do estilo britânico de dançar, de uma simetria perfeita, ela era elegante, de uma sensibilidade e musicalidade ímpares.

Ela teve uma carreira de mais de quarenta e cinco anos, dançando nos principais teatros do planeta, bem como parcerias com os grandes do balé da metade do século XX.

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Margot nasceu na Inglaterra, em 1919, tinha parte de sua ascendência brasileira, já que seu avô materno era Antonio Fontes, um conhecido industrial. Ela acabou mudando o sobrenome de Fontes para Fonteyn.

Cedo, seu pai foi trabalhar na China e depois Xangai, onde ela estudou balé com o professor russo, George Goncharov, retornando para Londres aos 14 anos.

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Foi aí que ela fez uma audição para a escola de balé Vic-Wells Ballet (que viria a ser a escola do Royal Ballet) e foi aceita, iniciando sua celebrada carreira no papel de um floco de neve no balé “The Nutcracker” (O Quebra-nozes).

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Na escola ela era treinada por mestres como Ninette de Valois, a fundadora do Royal Ballet e sua grande incentivadora. Nas cenas abaixo, de Valois fala da jovem Margot e vemos alguns de seus primeiros balés:

Com a saída da prima ballerina, Markova, Margot sente que poderia chegar a este posto através de muito treino e inspirada por sua dançarina favorita, Anna Pavlova, ela acabou subindo nas principais posições dentro da Cia.

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Em 1939, no início da Segunda Guerra, ela já havia participado em espetáculos como “Giselle”, “Swan Lake” e assim chegava a tão sonhada posição de prima ballerina.

Apesar do começo difícil, um dos coreógrafos com quem mais trabalhou foi Frederick Ashton, parceria esta que rendeu papéis em balés como “Ondine” (criado especialmente para ela), ‘Daphnis and Chloe” e “Sylvia”.

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O Royal Ballet acaba tendo sua residência fixa em Convent Garden, Londres, mais precisamente na Royal Opera House, que ela nos mostra no vídeo abaixo.

Um dos seus papéis mais célebres foi como Aurora no balé “Sleeping Beauty” (A Bela Adormecida). No vídeo abaixo podemos ver um pouco de sua dedicação ao papel, dançando ao lado de Michael Somes (outro de seus grandes parceiros):

Aos 26 anos, ela era reconhecida no seu país natal, dançando balés como “Symphonic Variations” e “Cinderella”, mas faltava o estouro internacional.

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Isto aconteceu com sua estreia em NY, na histórica noite de 1949, no Metropolitan Opera House, dançando o seu melhor em “Sleeping Beauty”, fazendo com que público e crítica a reverenciassem, além de merecer a capa da revista Time.

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Uma das grandes qualidades dela era sua naturalidade em cena, com cada movimento fluindo livremente de seu corpo, além de sua graça e sua presença carismática.

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 Nos anos 50, Margot realiza novas apresentações como ‘Firebird” e se casa, em 1955, com Robert (Tito) De Arias, representante do Panamá nas Nações Unidas.

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Nos anos 60, apesar dos boatos de que estava para se retirar do balé, ela conhece aquele que seria um de seus grandes parceiros, Rudolph Nureyev.

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Graças ao ótimo instinto de Valois, ela convida Nureyev para dançar ao lado de Margot em “Giselle”, que acaba sendo um estrondoso sucesso (com mais de 30 agradecimentos da plateia) e que irá sedimentar a mais famosa parceria do balé clássico de todos os tempos.

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Margot, mesmo aos 40 anos, ainda era uma grande bailarina e apesar o medo inicial de ser eclipsada pela juventude de Nureyev (a diferença de idade entre os dois era de 20 anos), ela acabou sendo rejuvenescida pela presença dele, inclusive aperfeiçoando sua técnica.

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Um dos pontos altos de sua parceria foi o balé ‘Marguerite e Armand”, que Ashton coreografou especialmente para eles em 1963, baseado em “A Dama das Camélias”. Abaixo vemos depoimentos deles bem como cenas do balé, onde eles mostram a sintonia perfeita entre dois bailarinos:

Além deste, eles também dançaram em ‘Romeo and Juliet”, “Swan Lake”, “Les Sylphides”, entre outros. Muitos deles foram filmados e são constantemente exibidos na TV e foram lançados em DVD.

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Apesar de ser considerada uma grande dama do balé, ela foi presa duas vezes: uma ao lado de Nureyev e outra ao lado de seu marido, em uma manifestação política.

Em 1976, ela lança a autobiografia de sua vida, falando de sua disciplina, seus métodos, além de suas experiências dançanDo pelos palcos mundiais e confraternizando com as mais diferentes personalidades do século XX.

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A parceria Fonteyn-Nureyev durou até sua aposentadoria, em 1979, aos 61 anos, permanecendo amigos íntimos até o fim. A história entre os dois já rendeu livros e até um telefilme da BBC, de 2009, onde é sugerido que foram amantes.

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Aposentada, Margot se retira para uma fazenda no Panamá, para cuidar do marido, que havia ficado tetraplégico após levar um tiro devido a um conflito político em seu país de origem.

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 Sua última aparição nos palcos foi em 1986, no papel da Rainha de ‘Sleeping Beauty”, para o Birminghan Royal Ballet de Miami.

Ela viveu até o fim de seus dias lá, em companhia de sua família e cachorros, quando faleceu de câncer, aos 71 anos.

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Além de ser condecorada dama pela Ordem do Império Britânico, Margot teve escola de dança criada com seu nome, possui uma estátua em sua homenagem em sua cidade natal e é reconhecida como das maiores bailarinas que já existiram.

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TODAY’S SOUND: MARTHA GRAHAM POR ARTHUR MENDES ROCHA

Martha Graham redefiniu a dança moderna; através de movimentos e temáticas inovadoras, ela foi considerada a maior dançarina do século XX.

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Martha trouxe para a dança uma nova visão do que vinha sendo feito, ela acreditava que o corpo era o reflexo dos nossos movimentos, logo tudo influenciava na maneira de dançar, especialmente a relação entre movimento e respiração.

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Ela desejava mostrar a expressão e capacidade do corpo humano, por isto sua dança é feita de gestos amplos, de contato com o chão.

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Martha nasceu na Pensilvânia em 1894, mas só foi demonstrar interesse pela dança na sua adolescência.

Seu pai era especializado em desordens nervosas e analisava as reações do corpo. Ele dizia ‘movement never lies” (o movimento nunca mente), frase esta que terá grande influência em sua vida.

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Em 1911, quando estava com a família morando em Santa Barbara, Califórnia, um cartaz lhe chamou atenção: era uma dançarina vestida de deusa num espetáculo da Cia de dança Denishawn em Los Angeles.

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Ela insistiu para que seu pai a levasse até L.A. e ficou maravilhada com o que viu e com a dança da deusa, que era a bailarina Ruth Saint-Dennis.

Saint-Denis e seu marido, Ted Shawn, possuíam uma escola de dança, a Denishawn, e foi para lá que Martha foi ao terminar os estudos em artes.

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Na Denishawn, ela se tornou uma das principais dançarinas, aperfeiçoando sua técnica e tomando conhecimento do que se fazia no mundo da dança.

O primeiro espetáculo que teve um papel de mais destaque foi em “Xochitl”, no papel de uma asteca, tendo assim o seu primeiro reconhecimento da crítica especializada.

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Depois de oito anos na Denishawn, Martha sentiu que era hora de alçar voos maiores e foi para o Greenwich Village Follies, onde concebia e coreografava suas próprias danças.

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Mas Martha precisava de um local para poder ousar mais, fazer novas experimentações e isto ela foi encontrar na Eastman School of Music, onde poderia ensinar para seus alunos suas novas criações, tendo controle artístico absoluto.

Ela considerava o balé clássico uma forma superficial de dança, seu trabalho tinha como objetivo expressar o interior, revelar as emoções.

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Ela acreditava que, através de espasmos, tremedeiras ou até mesmo quedas, ela poderia expressar temas emocionais e espirituais ignorados por outras danças.

Com repertório e técnica distinta, Martha mudou o vocabulário da dança, plantando as sementes do que viria a ser a dança contemporânea.

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Ela identificou o método de respiração e controle dos impulsos como extensão e relaxamento. Este método deu a seus dançarinos movimentos angulares muito diferentes do que as plateias da época estavam acostumadas e muitas vezes sua dança era chamada de “feia”.

Em 1926, reunindo alguns de seus alunos do Eastman, ela cria o Martha Graham Studio, que esteve comandado por ela durante o resto de sua vida.

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Até nos temas ela inovava, abordando temáticas como: a sensibilidade feminina, mitologia grega, antigos rituais, questões sociais, políticas, psicológicas e sexuais, bem como o folclore americano.

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Entre suas danças estava ‘Revolt” (1927), no qual ela trabalha com Louis Horst, seu antigo companheiro na Denishawn. Foi ele que a introduziu no trabalho de Mary Wigman, celebrada dançarina moderna alemã, bem como das inovações das modernas escolas de pintura como os cubistas.

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No início dos anos 30, já adotando as novas técnicas, ela realiza seu famoso solo  ‘Lamentation”, onde sentada em um banco e vestindo uma roupa que estica conforme seus movimentos, que tanto podem significar a emoção da tristeza, como uma homenagem aos arranha-céus que passavam a dominar a NY da época.

Depois de uma viagem pelo sudoeste dos EUA, Martha se interessa pela História Americana e apresenta “Primitive Mysteries”, com temática baseada em rituais indígenas, bem como das religiões pagã e cristã, arrebatando a crítica.

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Mas o grande marco de suas apresentações seria com “Frontiers” (1935), sobre o pionerismo americano e principalmente seu trabalho mais conhecido: “Appalachian Spring” (1944), com música de Aaron Copland.

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‘Appalachian Spring” evoca os limites do povo americano, numa coreografia que inclui explosões alegres, paradas repentinas, movimentos bruscos e intermitentes para denunciar o puritanismo e a escravidão industrial.

Em ambos, ela utiliza cenários concebidos pelo escultor Isamu Noguchi, que seria seu parceiro em vários espetáculos e que substitui os tradicionais cenários de paisagens por objetos tridimensionais.

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Em ambos, ela também trabalha com o dançarino Eric Hawkins, que viria a ser seu marido, mas do qual se separa em curto espaço de tempo. Porém ele continua na Cia por mais alguns anos.

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Também podemos citar a participação de Martha e Eric em ‘American Document” (1938), sobre o conceito do que era ser americano e que foi um de seus trabalhos de maior inovação tanto visual como coreográfica.

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Em 1947, ela faz ‘Night Journey”, a partir da tragédia grega de Édipo e Jocasta, exprimindo a essência de sua feminilidade e o confronto com o destino.

Durante a década de 50, ela realiza novas danças como ‘Seraphic Dialogue”, sobre o mito de Joana D’Arc, retomando várias vezes o tema das dificuldades e triunfos de mulheres normais e das célebres.

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De 1959 a 1969, este foi o período que ela atuou pela última vez dançando, se aposentando dos palcos aos 75 anos. Mas mesmo assim, ela continuou ensinando até a sua morte em 1991.

Martha também teve forte influência em diversos atores e atrizes, que buscaram seus ensinamentos de como se moverem na frente das câmeras, tais como: Bette Davis, Woody Allen, Madonna, Kathleen Turner, Ingrid Bergman, Joanne Woodward, Kirk Douglas, entre outros.

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Um de seus maiores admiradores era Gregory Peck, que narra o mini-documentário abaixo, uma linda homenagem ao talento de Martha Graham.

Ela também colaborou com designers como Halston, Donna Karan e Calvin Klein e foi retratada por Andy Warhol, outro de seus admiradores.

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Até com a famosa dupla de bailarinos, Margot Fonteyn e Rudolph Nureyev, ela colaborou no espetáculo “Lúcifer”.

Martha era um ícone americano; tendo realizado mais de 180 danças, tendo recebido a medalha da liberdade americana, bem como a da Legião de Honra francesa e sendo eleita pela revista Time como a maior dançarina do século XX.

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A contribuição de Martha para dança é fundamental, sem as suas inovações e questionamentos, nada teria evoluído para o que hoje é conhecemos como dança moderna.

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Em suas palavras: “Não quero que minhas danças sejam entendidas, quero que sejam sentidas”.

 

 

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