Warning: include_once(wp-includes/images/pin.png): failed to open stream: No such file or directory in /home/japagirl/public_html/blog/index.php on line 2

Warning: include_once(): Failed opening 'wp-includes/images/pin.png' for inclusion (include_path='.:/usr/lib/php:/usr/local/lib/php') in /home/japagirl/public_html/blog/index.php on line 2

Warning: session_start(): Cannot send session cookie - headers already sent by (output started at /home/japagirl/public_html/blog/index.php:2) in /home/japagirl/public_html/blog/wp-content/plugins/instagrate-to-wordpress/instagrate-to-wordpress.php on line 48
DJ Sets – Japa Girl



























































                
       
















bloglovin



CURRENT MOON


DJ Sets

TODAY’S SOUND: NOVA POR ARTHUR MENDES ROCHA

Rebelde, inovadora, sensual, quebrando paradigmas, falando em feminismo e assuntos polêmicos quando ninguém o fazia: a revista que marcou época de hoje é a britânica Nova. nova-covers A Nova foi publicada de 1965 a 1975, justamente quando o mundo enfrentava mudanças radicais com um maior engajamento político e a luta pela liberação das mulheres, que buscavam uma posição de maior reconhecimento numa sociedade machista. O feminismo estava começando a ter cada vez mais adeptas, além das manifestações estudantis, luta pelos direitos civis, o mundo estava em ebulição. nova-covers3 A Nova chegava bem neste momento de mudanças, já começando pelas capas e o design gráfico, muito mais vanguarda que as publicações femininas da época. A revista foi lançada bem no auge Swinging London dos anos 60, uma fase que mudou a Inglaterra, optando por tratar de assuntos mais polêmicos, tendo assim revolucionado a maneira com que as revistas femininas eram oferecidas no mercado.

Logo da Nova.

Logo da Nova.

A revista foi fundada por Harry Fieldhouse, sendo que a primeira editora de moda foi Molly Parkin, que havia feito acessórios para a famosa loja Biba (a icônica loja de Barbara Hulanicki), trabalhado com Mary Quant (a inventora da minissaia) e tido sua própria loja em Chelsea. Parkin ficou na revista até 1967, tendo passado a posição para sua então secretária, Caroline Baker.

Foto de Harri Peccinotti para Nova.

Foto de Harri Peccinotti para Nova.

Baker foi das primeiras stylistys, quando o termo ainda nem existia, trabalhando com fotógrafos como Helmut Newton (e suas fotos inusitadas e com elementos fetichistas, colaborador de Vogue, Stern e muitas outras), Hans Feurer (o suíço que arrasava nas cores, colaborou muito com a Vogue), Terence Donovan (um dos fotógrafos da swinging London), Sarah Moon (fotógrafa conhecida por suas imagens etéreas e que trabalhou com a Biba, entre outras marcas famosas), Byron Newman (que também trabalhou para as revistas Cream e Deluxe), Bryan Duffy (outro fotógrafo conhecido da Swinging London e que fez a capa de ‘Alladinsane” de Bowie), Peter Knapp (que fez algumas das famosas capas do Roxy Music), entre outros.

Foto de editorial para a Nova clicado por Helmut Newton.

Foto de editorial para a Nova clicado por Helmut Newton.

nova-by-helmu-2

Foto de Helmut Newton para Nova.

Relembrando seus tempos na Nova, Baker declarou que a revista não se guiava pelas coleções de moda de Paris e sim pelo que acontecia nas ruas, com roupas mais condizentes com sua posição social, da classe trabalhadora e que fugisse aos saltos e batons que figuravam nas demais revistas de moda.

nova_mag3-jpg-mr-freedom-by-hans

Editorial “Mr Freedom” (inspirado pelo filme de William Klein), clicado por Hans Feurer.

Ela se dizia mais influenciada por Che Guevara, hippies, as namoradas dos pop stars, filmes e vestimentas étnicas do Marrocos, Japão e África.

Editorial da Nova utilizando roupas militares para mulheres (quando ninguém pensava nisto) e cigarrinho suspeito.

Editorial da Nova utilizando roupas militares para mulheres (quando ninguém pensava nisto) e inspiração a Che Guevara.

Segundo ela, seu então editor, Dennis Hackett, lhe disse: ‘Eu quero que você saia lá fora e faça coisas diferentes. Eu não quero parecer como a Vogue, a Queen (a Harper’s & Queen) ou qualquer outra. Suas páginas de moda devem ser diferentes”.

Editorial da Nova clicado por Harri Peccinotti.

Editorial da Nova clicado por Harri Paccinotti.

Entre as inovações na moda que a Nova aderiu em suas páginas estavam: uso de roupas verde-militar, mulheres usando roupas masculinas, usando leggings, roupas do lado contrário e muito mais. E foi nisto que a Nova se sobressaiu, dando uma nova roupagem às revistas femininas, sendo rebelde, feminista, sem medo de ousar. Alguns dos colaboradores da revista incluíam: Susan Sontag (a célebre escritora americana, defensora dos direitos humanos e casada com a fotógrafa Annie Leibowitz), Graham Greene (o escritor de livros como “The Third Man”), Christopher Booker (um dos fundadores da revista Private Eye), Germaine Greer (uma das feministas mais importantes do séc. XX), Lynda Lee-Potter (colunista do jornal inglês Daily Mail) e muitos outros.

Editorial inusitado da Nova clicado por Barry

Editorial inusitado da Nova clicado por Byron Newman.

A Nova procurava os escritores mais interessantes, polêmicos, brilhantes e desbocados para redigirem suas matérias que incluíam assuntos tabus na época como pedofilia, aborto, homossexualismo, lesbianismo, entre outros. A direção de arte ficava a cargo de Harri Peccinotti (que fez os calendários Pirelli de 1968 e 69) no começo e depois por David Birdsal. nova-covers-4 David Hillman assumiu o cargo em 1968 e com seu design minimalista, tipografia arrojada,  muita utilização de espaços em branco, inovaram a diagramação das revistas na época.

A direção de arte de Hillman era um dos destaques da Nova.

A direção de arte de Hillman era um dos destaques da Nova.

Peccinotti também era fotógrafo da revista e responsável por vários das capas e editoriais; ele foi dos primeiros a utilizar modelos negras em suas fotos, de capturar a sexualidade do dia a dia e colocá-la nas páginas da revista.  Ele declarou que a Nova foi feita para uma mulher mais inteligente, que não desejava ser apenas dona de casa, cozinhar ou costurar; a mulher de Nova gostava de política, sexo, saúde, oportunidades de trabalho e mais.

Algumas das capas clicadas por Peccinotti.

Algumas das capas clicadas por Peccinotti.

Porém, com a chegada dos anos 70, a recessão e aumento nos custos do papel, a revista foi perdendo anunciantes (bem como encolhendo de tamanho) e diminuindo a circulação. Além disso, a competição foi ficando acirrada com títulos femininos que surgiam como Elle, Cosmopolitan, Marie Claire, entre outras e os anunciantes migraram para estas.

Foto de Hans Feurer para a Nova.

Foto de Hans Feurer para a Nova.

Outro fator constatado foi de que, apesar de ser dirigida ao público feminino, ela acabava sendo mais consumida pelos homens. Assim, a Nova fechou suas portas em 1975, deixando uma lacuna no mercado editorial para sempre. Em 1994, foi lançado o livro “Nova , 1965 – 1975”com muitas fotos das capas e dos icônicos editoriais da revista e que ainda está disponível na Amazon.

Capa do livro sobre a Nova.

Capa do livro sobre a Nova.

A revista voltou numa nova versão em 2000, com novo logo, tendo durado apenas seis exemplares e sendo que um deles teve capa da então iniciante modelo Gisele Bündchen. Eu cheguei a comprar na época, mas não possuía um mínimo do charme e modernidade dos antigos exemplares. nova-gisele A influência da Nova foi fundamental para tudo o que se fez em termos editoriais desde então, sejam em revistas femininas ou masculinas; nunca haverá uma revista tão a frente de seu tempo quanto a Nova.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: BLITZ POR ARTHUR MENDES ROCHA

Não tem como falar da The Face sem falar de outra revista de estilo que era publicada nos anos 80, a revista Blitz.

A Blitz foi uma revista inglesa mensal que cobria moda, cultura, música, teatro, design, fotografia e mais, tendo sido publicada entre 1980 e 1991.

blitz-p6

De mesmo nome do famoso club que deu início ao movimento new romantic, a revista era jovem, contemporânea, falava diretamente a este público.

Ela era uma opção entre a The Face e a I-D e conquistou toda uma geração que viveu esta época e que buscava inspiração e ficar por dentro do que estava acontecendo na capital do estilo naquela época: Londres.

blitz-surrealism

Uma das matérias da revista sobre surrealismo.

A ideia da revista surgiu dos estudantes universitários de Oxford, Carey Labovitch e Simon Tesler, que perceberam a falta de opção no mercado de uma revista que abordasse os assuntos que lhe interessavam.

Labovitch era apenas uma garota de dezenove anos que procurava assuntos interessantes nas revistas da época, mas só encontrava bobagens adolescentes ou publicações como o jornal New Musical Express, focado apenas na música.

blitz-p99

Apesar das similaridades com a The Face (que também surgia naquele momento), a Blitz tinha personalidade própria, também inovando nos assuntos e na maneira de falar de cada um deles.

Um dos colaboradores da Blitz era Iain R. Webb, que era o editor de moda , responsável pelos criativos editoriais que a revista exibia, sendo que suas inspirações viam de toda a parte, incluindo filmes e programas de TV ou assuntos daquele momento.

Iain R. Webb nas páginas da revista ao lado da estilista Jean Muir.

Iain R. Webb nas páginas da revista ao lado da estilista Jean Muir.

A Blitz já teve capas que incluíam:  Matt Dillon, Madonna, Grace Jones, Malcom McLaren, Jack Nicholson, Rupert Everett, John Malkovich, Wham!,  Siouxsie Sioux, Peter Murphy, Robert de Niro, Martin Scorcese, Willem Dafoe, Christopher Walken, Steve Martin, Pet Shop Boys, Billy Idol, entre outros.

blitz-july-aug-1985-billy-idol-jpg-opt438x556o00s438x556

 

Entre os fotógrafos que colaboravam com a Blitz estavam Herb Ritts, Mathew Rolston, Nick Knight, Russell Young, Mark Lewis, David Levine, Eric Watson, David LaChapelle e mais.

Madonna na capa da Blitz, clicada por Herb Ritts.

Madonna na capa da Blitz, clicada por Herb Ritts.

 

Um dos números mais icônicos da revista foi o de Julho de 1986, em que Iain convidou 21 estilistas britânicos e internacionais para criarem modelos em cima de uma jaqueta jeans clássica.

Assim nomes como Vivienne Westwood, Katherine Hamnett (estlista famosa por suas camisetas com mensagens políticas), Bodymap, Leigh Bowery (o lendário performer/estilista que arrasava com seus modelos), Hermés, Jasper Conran, Enrico Coveri, John Galliano, Joseph, Stephen Jones (mais conhecido por seus chapéus), Rifat Ozbek, Zandra Rhodes, Paul Smith, Richmond/Cornejo, Stephen Linard, entre outros.

Sketch da jaqueta de Stephen Linard.

Sketch da jaqueta de Stephen Linard.

Uma das jaquetas jeans na revista.

Uma das jaquetas jeans na revista.

Além disso, a revista produziu um super evento no Albery Theatre, em Londres, com desfile das jaquetas, apresentado por Daniel Day Lewis (o ator que foi capa daquele exemplar, anos antes de ser o ator vencedor de dois Oscars), desfilado por nomes como Boy George, Bowery e mais.

Daniel Day Lewis, então um jovem ator estreante, na capa da revista em Julho de 1986.

Daniel Day Lewis, então um jovem ator estreante, na capa da revista em Julho de 1986.

 

Abaixo alguns highlights do evento:

Após o evento as jaquetas chegaram a ser exibidas no Victoria & Albert Museum.

O desigh gráfico da Blitz foi feito por Jeremy Leslie, que também foi diretor de arte da Time Out londrina e diretor criativo da John Leslie Publishing (editora de várias revistas inglesas) e hoje ele tem o seu blog e estúdio magCulture.

blitz-1

Detalhe de um editorial da Blitz.

A revista contava com vários colaboradores que incluíam jornalistas e escritores como Paul Morley (jornalista de música do NME, que também trabalhou com o Frankie Goes to Hollywood, bem como ajudou Grace Jones a escrever sua recente biografia), Susannah Frankel (hoje editora da Another Magazine), Simon Garfield (hoje renomado autor de mais de quinze livros), Paul Mathur (que já escreveu para Melody Maker, Spin), Jon Wilde (hoje no The Guardian), Kim Bowen (que escrevia sobre moda para a Blitz), Anna Piaggi (a influente fashion stylist da Vogue Italia), Princess Julia (a DJ que também atacava de produtora), entre outros.

blitz-book

A Blitz era uma revista de vanguarda, muito antes das outras pensarem em fazer alguma coisa, ela já havia feito, como por exemplo colocar bebês em editoriais; visuais exóticos, utilização de modelos inesperados como mendigos, ou utilizar modelos trans ou outros gêneros que ninguém ousava na época.

Teve até um editorial que era somente com sombras ao invés de roupas.

Outro exemplar importante foi o que colocou Boy George na capa, em entrevista exclusiva, logo após o escândalo em que se envolveu com drogas, isto em 1986, e foi lá que ele falou abertamente sobre isto pela primeira vez.

blitz_45_sep_1986-001

A Blitz era moderna, inovadora, era um prazer folhear as cuidadas páginas da revista, sempre recheada de assuntos bacanas e que não eram fáceis de achar em outras publicações.

Era um pouco mais intelectualizada que a The Face, que era mais pop, com mais matérias sobre livros, sobre política, atualidade.

blitz-pete-moss

Jean Paul Gaultier declarou que ia correndo nas bancas atrás de um exemplar da revista, atrás de imagens irreverentes, glamourosas, chique e icônicas.

Em 2013, foi lançado o livro ‘As seen in Blitz”, editado por Iain R. Webb (hoje também professor na Saint Martins), tendo trabalhado na revista no período de 1982 a 1987, e era profundo conhecedor do look da Blitz, escolhendo cem dos melhores editoriais publicados naqueles anos.

blitz-book-cover

Capa do livro sobre a revista Blitz.

O livro mostra várias imagens de editoriais marcantes, históricos, que lançaram moda, careiras, que inspiraram pessoas interessadas na moda dos anos 80.

Foto de um editorial da Blitz, sendo que um dos modelos era Mark Moore (do S' Express).

Foto de um editorial da Blitz, sendo que um dos modelos era Mark Moore (do S’ Express).

A capa não poderia ser outra que não a então modelo Scarlett Cannon, um dos rostos mais marcantes dos anos 80, ela era hostess do club Cha Cha e uma das figuras mais emblemáticas da noite e da moda inglesa.

Scarlett (com um amigo) segurando o livro do qual é capa, no lançamento do mesmo.

Scarlett (na foto com outro ícone dos 80′s, o modelo/promoter/ músico Christos Tolera) segurando o livro do qual é capa, no lançamento do mesmo.

No lançamento do livro houve um pop-show no ICA Theatre, em Londres, com painéis, exibição de filmes e muito mais.

Além disso, o livro traz fotos não publicadas, entrevistas com modelos, fotógrafos e pessoas envolvidas com estes editoriais.

blitz-file

 

Com a chegada dos anos 90, de uma grande recessão na Inglaterra, a Blitz acabou perdendo vários de seus anunciantes e mesmo tendo ofertas para sua compra, acabou não cedendo e assim encerrou suas atividades em 1991.

A Blitz era um lugar criado por jovens que não possuiam emprego, que desejavam que sua voz fosse ouvida e não tinham onde se expressar; antes dos empreendedores de hoje em dia, eles fizeram da revista a sua plataforma, mostrando à Inglaterra e ao mundo o que aquela juventude gostaria de ver e de ser retratada numa revista.

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: SIMON & GARFUNKEL POR ARTHUR MENDES ROCHA

A dupla de hoje foi das mais famosas nos anos 60, no início da predominância do folk nas paradas de música pop americanas; eles são Simon & Garfunkel.

simon-and-garfunkel

Paul Simon e Art Garfunkel se conheceram na escola, aos onze anos, onde Simon (por sua baixa estatura) sofria bullying dos colegas e Garfunkel saía em sua defesa.

Unidos pela mesma paixão pela música, e sob a influência de grupos pop da época como o Everly Brothers, os dois resolvem formar a dupla Tom & Jerry, quando eram adolescentes e gravam a canção “Hey Schoolgirl”, que chega ao top 50 da parada americana em 1957:

Porém, as tentativas seguintes da dupla não dão muito certo e os dois desistem da dupla Tom & Jerry.

simongarfunkel-ps_-5948-1

Alguns anos mais tarde, Simon continuava envolvido com a música, trabalhando para a E.B. Marks, uma editora musical.

Ele volta a se reunir com o amigo Grafunkel e formam a dupla Simon & Garfunkel, conseguindo uma audição com a Columbia Records e chamando a atenção de Tom Wilson, produtor e especialista de jazz, já tendo trabalhado com Miles Davis e Bob Dylan, entre outros.

simon-garfunkel

O que se destacava na dupla era a poesia das canções de Simon e a voz de tenor de Garfunkel e assim eles lançam seu primeiro álbum, em 1964, “Wednesday Morning 3 A.M.”.

A moda na época era o folk de artistas como Bob Dylan e o álbum seguia este caminho, mas faltava algo mais para cair nas graças do grande público.

simon-garfunkel-wednesday-morning-499004

Um das canções presentes neste primeiro disco era “The Sound of Silence”, um lindo folk, suave, apenas com as harmonias vocais dos dois e pouca instrumentalização além de um violão acústico:

Graças à sagacidade do produtor Wilson, que viu mais futuro na canção; ele, sem a permissão da dupla, acrescenta mais instrumentos como baixo, guitarra elétrica e bateria, dando à canção uma nova vida e relançando-a em single.

simongarfunkel-6047-c2-1

O sucesso da nova roupagem da música foi instantâneo, transformando-a num clássico do folk-rock e lançando a dupla para o estrelato, atingindo o primeiro lugar em 1966. Abaixo a versão mais encorpada:

Os dois estavam prontos para lançar um novo álbum, com letras mais consistentes de Simon e para um público mais abrangente e não somente jovem, utilizando o mesmo nome da canção que os fez ressurgir, o disco “Sounds of Silence”.

O álbum também incluía novos hits como ‘I am a rock” e ‘Richard Cory”:

Aproveitando o destaque que a dupla vinha alcançando, a gravadora resolve lançar outro álbum em outubro de 1966, “Parsley, Sage, Rosemary and Thyme”, num momento bastante conturbado, com movimento hippie, manifestações de direitos civis e outros acontecimentos sócio-políticos que sacudiram a América.

parsley-sage-rosemary-and-thyme-cover-1

Era o primeiro álbum onde eles tiveram controle total, desde a engenharia do som até a mixagem, já abrindo com a tocante “Scarborough Fair”, uma de suas canções mais inspiradas e baseada numa canção medieval (aqui no Concerto do Central Park):

Outra canção de destaque do disco era ‘Homeward Bound”,  aqui numa versão no Festival de Monterey, apresentados por John Phillips (do The Mamas & Papas):

O ano de 1967 foi fundamental para a dupla, já que várias de suas canções são incluídas no filme “The Graduate” (A primeira noite de um homem), o clássico de Mike Nichols que fez de Dustin Hoffman um astro e de Anne Bancroft, a eterna Mrs. Robinson; ganhando uma música especialmente para ela (aqui num vídeo com cenas do filme):

A trilha também incluía outras canções da dupla como“The Sound of Silence”, ‘Scarborough Fair”, ‘April come she will”, entre outras e foi um sucesso arrebatador, vencendo o Grammy de melhor trilha.

Mesmo com a música pop tendendo para um lado mais lisérgico, as canções de Simon & Garfunkel não sofreram alteração radical e sim uma evolução de consistência e maturidade que culminou com o álbum “Bookends”, com a icônica capa em P&B (que inspirou o primeiro disco da dupla Kruder & Dorfmeister).

bookends-1

O álbum alcança o primeiro lugar na parada americana e inglesa com canções como ‘America”, a canção que fala de um casal que viaja pela América e que acaba sendo uma metáfora de uma país que enfrentava o assassinato de Martin Luther King, Robert Kennedy e a Guerra do Vietnã:

Outra canção de destaque do álbum era “A Hazy shade of winter”:

Porém, com o final da década de 60 se aproximando, a dupla vai enfraquecendo sua parceria, com Simon se sentindo limitado numa parceria que se estendia por mais de uma década , além de Garfunkel estar tentando uma carreira no cinema (ele estreia em ‘Catch 22” em 1970).

sg1

Seu próximo disco, e último oficial de estúdio como dupla, em 1970, é um de seus maiores êxitos: “Bridge over troubled water”, capitaneado pela música título, um hit mundial absoluto.

Além dessa, o disco ainda gerou mais três músicas de sucesso:

- ‘The Boxer”:

- ‘Cecilia”:

E ‘The Condor Pasa/If I could”:

Além disso, o álbum conquista quatro Grammys, incluindo melhor álbum do ano.

Porém, as desavenças entre os dois tornam-se insustentáveis, inclusive algumas canções de ‘Bridge over troubled water” foram gravadas separadamente e alguns dias após o lançamento do disco, os dois se separam.

Foi um choque para os fãs de todo mundo, com Simon se lançando em carreira solo e Garfunkel indo para Connecticut lecionar matemática, no auge da fama.

New York Simon Garfunkel Concert

Garfunkel continuaria sua carreira de ator no filme “Carnal Knowledge” em 1971 (ao lado de Jack Nicholson e Ann Margret), enquanto Paul Simon lançaria seu primeiro disco solo em 1972, já flertando com a world music.

Os dois voltam a se reunir em 1975, com a canção “My little town”, que atinge o top 10 da parada americana.

Turminha boa reunida no Grammy (da esq. p dir.): Bowie, Garfunkel, Simon, Yoko e John Lennon.

Turminha boa reunida no Grammy (da esq. p dir.): Bowie, Garfunkel, Simon, Yoko e John Lennon.

Depois, eles só voltariam a se reunir em 1981, com um mega concerto no Central Park que atraiu mais de 500 mil fãs e que originou o álbum duplo ao vivo “The Concert in Central Park”.

A

Depois de várias tentativas de reunião dos dois, eles voltam a se reunir quando recebem o Grammy Lifetime Achievement Award, em 2003.

No ano seguinte, eles fazem uma lucrativa turnê e mais um disco ao vivo, o “Old friends live on stage”, que culminou com um show no Coliseu, em Roma.

Em 2009, Simon faz uma apresentação no Beacon Theatre, em NY, e Garfunkel faz aparição surpresa, interpretando algumas antigas canções deles. Mais apresentações se repetiram no mesmo ano, incluindo um show no 25º aniversário do Rock & Roll hall of fame.

Simon and Garfunkel Tour

Porém, em 2010, Garfunkel  sofreu de uma paresia (perda de movimento) nas cordas vocais e acabou cancelando uma provável nova turnê com o antigo colega.

Reclamando da falta de apoio de Simon, que segue em sua carreira solo, uma provável reunião dos dois é algo improvável, ainda mais depois das declarações de Garfunkel de que ele havia criado um monstro (Simon).

Ficam as memórias de músicas inspiradas que os dois fizeram enquanto dupla e que até hoje continuam sendo admiradas e escutadas por quem aprecia música pop de qualidade.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: AIR POR ARTHUR MENDES ROCHA

O duo de hoje é o Air, a dupla de música eletrônica que se apresentou esta semana em São Paulo e que acaba de completar vinte anos de estrada.

air-smoke-new-logo

O Air é composto por Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, que se revezam na composição e no uso de instrumentos como os sintetizadores Moog e Korg MS-20, piano elétrico Wurlitzer, Vocoder, entre outros.

O nome deles é um acrônimo de Amour (Amor), Imagination (Imaginação) e Rêve (Sonho).

A música deles pode ser definida como downtempo/moody/ambient e possui diversas influências que vão de trilhas sonoras obscuras a rock progressivo e psicodélico de bandas como Pink Floyd, passando pelo pop de Burt Bacharach, Brian Wilson, o toque francês de Serge Gainsbourg, os sintetizadores de Jean-Jacques Perrey (falecido este ano e que já colaborou com eles), Vangelis, Jean Michel Jarre, Tomita, e passando pela disco music instrumental de Cerrone e Moroder.

air-1

Meu primeiro contato com o Air foi através de músicas deles incluída em compilações da Mo’Wax e Source (como na compilação Sourcelab).

Eles começaram a chamar a atenção quando a música eletrônica produzida na França teve um resurgimento por volta de 1996, o chamado French touch ou French house que tomou conta das pistas neste período.

air_pic

Apesar da música do Air não ser dançante, por serem franceses, eles eram parte daquela revolução sonora que os franceses vinham fazendo na música eletrônica.

O Air era um sopro de novidade num período de música mais pesada, era a trilha perfeita para ouvir numa atmosfera mais calma, relaxando em casa ou num chill out com amigos.

airpr140111

Como um crítico musical bem definiu, o Air faz música elegante e climática para a trilha de um filme imaginário.

Os dois se conheceram na faculdade de Versailles, onde Godin estudava arquitetura e Dunckel matemática.

Nos primórdios do Air, os dois participaram de um projeto chamado Orange, do qual também fazia parte Alex Gopher (DJ e produtor da cena francesa), que foi quem os apresentou e que acabou saindo da banda.

air-1

Com a saída de Gopher, o Orange acaba se tornando o Air, isto em 1995.

Durante o período de 1995 a 1997, eles lançaram alguns singles incluídos no EP ‘Premiers Symptêmes” (que foi relançado com o sucesso da banda).

air-records

O primeiro single que ouvi deles foi “Casanova 70”, um downtempo cheio de texturas e que nos dava a sensação de estar dentro de um filme cool:

Outro single que me apaixonei mais ainda foi a atmosférica “Le soleil est prés de moi” (abaixo com imagens do DVD deles, “Eating, Sleeping, Waiting & Playing”):

Mas isto tudo era apenas um ensaio do que estava por vir na carreira deles com o lançamento de “Moon Safari”, o primeiro álbum da banda propriamente dito, um disco que mudou vidas e que se tornou a trilha do início de 1998, quando foi lançado pela Virgin (com quem o duo havia assinado).

O disco foi um hit absoluto entre os admiradores de eletrônica e de novas sonoridades.

air-moon

Os dois se dividem nos diversos instrumentos presentes no álbum que, além de sintetizadores incluem baixo, guitarra, percussão, piano, pandeiro e até flauta pan.

Entre os destaques do disco estavam:

- ‘La Femme D’Argent’- música instrumental cujo vídeo conta um pouco da história de Moon Safari, prestem atenção nos textos dos monitores:

- “Sexy Boy” – música chave da banda, com sua batida sensual, um dos grandes hits deles. Abaixo o vídeo dirigido por Mike Mills (habitual colaborador da banda, designer gráfico e diretor do filme “Beginners”) que mistura animação, um macaco e live action, tendo ao fundo NY:

Capa do single de "Sexy Boy", com o macaquinho do video.

Capa do single de “Sexy Boy”, com o macaquinho do video.

- “All I need” – com os lindos vocais de Beth Hirsch, que eles conheceram na casa de um produtor do mesmo bairro deles (Montmartre), escutaram suas demos e ela virou colaboradora da banda, inclusive ajudando a co-escrever as letras e a melodia. O video também foi dirigido por Mills:

- “Kelly watch the stars”- música feita em homenagem a Kelly, personagem de Jaclyn Smith no seriado ‘Charlie’s Angels” (As Panteras) e das músicas mais emblemáticas deles:

O duo era a sensação daquele momento, ganhando a capa de várias publicações como a The Face, além de ser disco de ouro na França e de platina na Inglaterra.

air-face

Depois de vários shows esgotados pelo mundo a fora, seu próximo trabalho era aguardado com curiosidade.

Sofia Coppola, que estava então estreando como diretora, os convida para fazer a trilha de “The Virgin Suicides’, em 2000; nada melhor para um duo que tinha em trilhas sonoras uma de suas grandes inspirações. O destaque vai para a música tema, ‘Playground Love’, onde os vocais são de Gordon Parks (que na verdade é o pseudônimo de Thomas Mars, vocalista do Phoenix e marido de Sofia), com seu clipe onde um chiclete ‘canta”e vai passeando por cenas do filme:

Eles também remixaram artistas como Neneh Cherry, Depeche Mode, David Bowie, entre outros.

Além de colaborarem com sua musa Françoise Hardy nas músicas “Jeane’ e ‘Au fond du revê doré”.

Seu próximo disco com novas canções é lançado em 2001, “10 000 Hz Legend’ e mostra que eles desejavam mudar um pouco a sua sonoridade, com influências mais roqueiras, mas do rock mais atmosférico e espacial. Um dos singles era ‘How does it make you feel’:

Um dos convidados do álbum era Beck, que participa de duas faixas, entre elas “Don’t be light”, com animação da dupla Myrkz & Moriceau (que também já fez clipes de Sébastien Tellier, The Avalanches, entre outros):

Em 2003, eles fazem uma interessante colaboração com o escritor italiano, Alessandro Baricco, na qual o autor narra cenas de seu livro ‘City” tendo ao fundo a música do Air, e lançam a experiência no disco ‘City Reading (Ter Storie Western).

air-4dd69d958f42c

Seu próximo trabalho, ‘Talkie Walkie”, é lançado em 2004, com todas as canções interpretadas por eles e que incluía o single, ‘Cherry Blossom Girl”, cujo vídeo chegou a ser censurado e teve a direção de Kris Kramski (diretor de cinema pornô):

Outra música incluída no disco era “Alone in Kyoto’, composto especialmente para o filme de Sofia Coppola, “Lost in Translation”:

Também merecem destaques as faixas “Surfing on a Rocket’ e ‘Alpha Beta Gaga”:

Fora que todas as faixas do Air, desde o começo, já ganharam versões dos artistas de maior destaque da música eletrônica como Joakim, Juan McLean, Cassius, Étienne de Crécy, Simian Mobile Disco, Danny Krivit,entre outros.

Eles também produzem, em 2006, o álbum de Charlotte Gainsbourg, “5:55’.

O Air gravando com Charlotte Gainsbourg.

O Air gravando com Charlotte Gainsbourg.

No mesmo ano, Dunckel lança o seu projeto solo, ‘Darkel”, masterizado pelo antigo amigo Alex Gopher.

O próximo disco do Air só é lançado em 2007, ‘Pocket Symphony”, que utiliza instrumentos japoneses como o koto (uma harpa de chão) e o shamisen (um banjo de três cordas), e tem a colaboração de Jarvis Cocker (do Pulp) e Neil Hannon (do Divine Comedy).

Uma das faixas era “Mer Du Japon’, com influências da banda Taxi Girl, de Mirwais (produtor de Madonna em discos como ‘Music’):

A capa do disco, com duas estátuas deles transparentes, é do artista francês Xavier Veilhan.

air-pocket_symphony-air_480

Outra música do disco é a linda ‘Once upon a time”, que como o próprio título diz, é uma espécie de fábula:

Em 2009, eles lançam um novo disco, ‘Love 2”, com músicas como “Sing Sang Sung’, um delicioso pop com vídeo animado novamente por Myrkz & Moriceau:

Em 2010, tive a chance de vê-los ao vivo no Rio, quando vieram se apresentar pela primeira vez no país, tocando seus maiores hits num show inesquecível.

air-1-1

Vestidos sempre impecavelmente, seja com conjuntos safári ou usando muito branco, eles são elegantes, assim como seu som.

O Air ainda lança mais dois discos: um em 2012, ‘Le Voyage dans la lune” (inspirado pelo homônimo filme de Georges Méliès) e outro em 2014, ‘Music for Museum” (encomendado pelo Palais dês Beaux-Arts de Lille).

Este ano eles estão totalmente dedicados a “Twentyyears”, a nova coletânea de sucessos deles, editada em edição especial em vinil, contendo dois discos coloridos, além de cd triplo, sendo que um somente de raridades e remixes.

air-special-edition

Além disso, eles estão fazendo turnê mundial para divulgar o disco e fazer um apanhado de sua carreira.

Segundo declarações, os dois não imaginam gravando um novo disco tão cedo, mas esperemos que isto não signifique o fim de uma das bandas mais cool surgidas nos anos 90/00.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: CARPENTERS POR ARTHUR MENDES ROCHA

A dupla de hoje é um duo pop que vendeu nada menos que cem milhões de cópias de seus discos, eles são os irmãos ‘Carpenters’.

carpenters-featured

O Carpenters (os carpinteiros em tradução livre) era formado por Richard e Karen Carpenter e desde pequenos eles já tinham contato com a música, pois seu pai era admirador de vários grupos pops e Richard já começa a tocar piano com oito anos de idade, enquanto Karen só manifesta desejo de seguir a carreira musical na sua adolescência.

Aos quinze anos, Richard estudava piano em Yale e participava de um trio que se apresentava na cidade de New Haven, em Connecticut (sua cidade natal).

Por volta de 1963, a família se muda para a Califórnia e na universidade, Richard é convidado a participar de uma banda colegial.

073f1a2f5c262eecc2190ba93dc92f7a

Enquanto isso, Karen treinava a tocar bateria e ensaiava em casa, já pensando na ideia de formar sua própria banda.

Aos quinze anos, ela e o irmão formam o Carpenter Trio, com mais um colega de Richard, Wes Jacobs, e seu repertório era basicamente de jazz.

A voz de Karen, um de seus maiores talentos, começava a se desenvolver e mesmo a banda sendo mais instrumental, ela experimenta cantar em algumas canções.

the-carpenters

Eles acabam participando de uma audição para o selo Magic Lamp, que procurava novos talentos, e assinam com eles, lançando dois singles como Karen Carpenter. Um deles era ‘Looking for Love”:

Porém o selo não tinha uma boa distribuição e acaba não dando certo.

O Richard Carpenter Trio consegue uma boa posição no concurso “The Battle of Bands”, no Hollywood Bowl, em 1966, com musicas como a versão jazzística de “The Girl from Ipanema”, com a qual eles vencem o concurso:

Agora o trio começa a ser procurado por outras gravadoras que se interessam em lançar discos deles, como a RCA, com quem eles assinam e gravam onze faixas, incluindo “Flat Baroque”:

Porém a gravadora não vê muito futuro numa banda de jazz, já que o que estava pegando na época era o rock psicodélico e os dispensa.

Os dois irmãos se unem a outros colaboradores e lançam um novo grupo, o Spectrum. Mesmo abrindo alguns shows em lugares como o Whisky A-Go-Go, o grupo tem pouca duração e os Carpenters voltam a ficar sozinhos.

carpenters-1344937467-hero-wide-0

Neste período, Karen já enfrentava problemas de peso, se considerando acima do peso normal e se submetendo a dietas rigorosas.

Seu amigo Joe Osborn os convida novamente para gravar no estúdio e eles gravam três novas músicas, em 1968, entre elas “Don’t be afraid”:

O som básico deles estava ali, mas faltava mais destaque para o vocal de Karen, que ainda se considerava uma baterista que sabia cantar.

07_carpenters_07

Assim, os dois resolvem pelo nome Carpenters (sem o The), para soarem como os grupos da época.

Mas ainda faltava o interesse de uma grande gravadora, o que veio acontecer em 1969, quando eles assinam com a A&M, pertencente ao músico Herb Alpert, que fica impressionado principalmente pelos vocais de Karen (na época com apenas dezenove anos).

Os Carpenters com Herb alpert (primeiro da dir. p a esq.).

Os Carpenters com Herb alpert (primeiro da dir. p a esq.).

Em novembro daquele ano, eles lançam seu primeiro álbum, ‘Offering”, que tem presença tímida nas paradas e continha uma cover de ‘Ticket to Ride”, dos Beatles:

 

Burt Bacharach, também contratado da A&M, se interessa que eles o acompanhem numa turnê, bem como gravem uma de suas composições, ‘(They long to be) Close to you”, alcançando o primeiro lugar da parada americana em 1970:

A canção foi incluída no álbum “Close to you”, que além de lhes dar dois Grammys, ainda origina outro hit, “We’ve only just begun”:

A música foi composta por Paul Williams (de ‘O Fantasma do Paraíso”) e Roger Nichols e acabou se tornando a música mais tocada nos casamentos da época.

Em 1971, eles lançam outro single de sucesso: “Rainy days and Mondays”, também de Nichols e Williams:

Seu próximo single  é “Superstar”, uma de suas canções mais emblemáticas. Aqui eles interpretam a canção no programa da então popular comediante Carol Burnett:

As canções estavam incluídas no seu álbum “Carpenters”, lançado em 1971, e que ainda continha ‘For all we know”:

O disco lhes dá mais um Grammy de melhor duo pop daquele ano.

Os Carpenters com seus Grammys.

Os Carpenters com seus Grammys.

Os Carpenters eram curtidos por uma geração mais adulta, seu pop era jovem, mas não era rock n’ roll; eles atraíam a chamada geração “baby boomer” (que estavam sendo pais na época), mas queriam fazer um pop contemporâneo.

carpenters

Em 1972, eles lançam mais um hit com ‘Hurting each other”, que alcança o segundo lugar da parada americana:

E no mesmo ano, outro hit com ‘Goodbye to love”, que também atinge o top 10 inglês:

Ambas as canções faziam parte do quarto disco da dupla, ‘A Song for you”, lançado em 1972.

O estilo de Karen começa a ser copiado pelas meninas mais certinhas da época, com muito vestido longo, mangas bufantes, detalhes em lastex ou crochê, cabelos compridos com franja e enchimento (dando impressão de coque).

karen-style

Em 1973, eles já iniciam o ano com outro mega hit, “Sing”, que vende mais de um milhão de cópias:

E logo em seguida, mais um hit com “Yesterday once more”, que além de fazer sucesso nos EUA, lhes dá a melhor colocação na parada inglesa, atingindo o segundo lugar. Abaixo, eles interpretam a música e mais ‘Top of the world” (outro sucesso do mesmo ano):

Depois de lançarem coletânea de sucessos, fazer apresentações na Casa Branca e no Japão, o duo volta em 1975 com uma releitura de um antigo hit das Marvelettes de 1961, “Please Mr. Postman”, outro mega sucesso que chega ao topo das paradas. O single foi o mais vendido deles e o clipe foi gravado na Disneyland:

No mesmo ano, eles lançam outra música que virou símbolo dos Carpenters: “Only Yesterday”:

Ambas estavam incluídas no álbum “Horizon”, mais um álbum que conquista o público de todo o mundo.

Porém, foi nesta época que Karen começa a sofrer de anorexia nervosa, algo que seu irmão não havia percebido no começo, mas que ela já ficava paranoica com sua aparência em especiais de TV e como resultado de exercícios, em que ela parecia mais cheinha que o normal.

The Carpenters

Além disso, a dupla estava sobrecarregada com turnês gigantescas que acabaram por esgotá-los.

Em 1976, eles emplacam mais um hit com “There’s a Kind of Hush”, uma regravação de um antigo sucesso dos Herman’s Hermits, que deu nome a um novo álbum da banda:

Neste período, eles também gravam vários especiais para a Rede ABC, bem como viajam em turnê pela Europa.

the-carpenters-1

Em 1977, eles lançam uma faixa que remete a uma sonoridade mais moderna com ‘Calling ocuppants of interplanetary craft”:

Nesta época, Richard começa a abusar do Quaalude (a pílula usada para se jogar nas discos da época) que ele utiliza como sonífero, mas não sabia dos efeitos colaterais e acaba ficando dependente.

No final dos anos 70, os hits começam a diminuir, eles lançam novos álbuns e disco de Natal, até que Richard entra para um rehab em 1979.

maxresdefault

Enquanto isso, Karen partia para um projeto solo, com produção de Phil Ramone (produtor de Bob Dylan, Ray Charles, Aretha Franklin, entre outros), mas suas condições físicas estavam precárias com sua constante perda de peso e idas ao hospital.

Karen engaveta o projeto quando decide voltar a gravar novamente com Richard no disco “Made in America”, de 1981.

O álbum vende bem, mas não alcança o sucesso dos anteriores.

ebc42ed6-b5b5-40bf-8409-c0d6c9fd2373

Logo em seguida, Karen continua sua luta contra a anorexia nervosa, frequentando terapias, médicos e não conseguindo engordar o necessário.

Até que em 1983, ela é encontrada inconsciente na casa de seus pais e levada ao hospital, sendo proclamada morta após um ataque do coração, resultado de sua dura batalha contra a anorexia.

A aparência de Karen   a se notar nas fotos onde ela aparecia bem mais magra.

A aparência de Karen a se notar nas fotos onde ela aparecia bem mais magra.

Foi um verdadeiro choque para todos os fãs e admiradores de sua carreira, pois ela tinha apenas 32 anos.

Em 1987, o então iniciante cineasta, Todd Haynes (de “Carol”, “Velvet Goldmine”) fez um curta baseado na vida de Karen e intitulado “Superstar: The Karen Carpenter Story”, onde ele conta a vida dela e de seu irmão, utilizando apenas bonecas Barbie. O filme acabou sendo proibido por Richard, por utilizar canções não autorizadas dos Carpenters e pela temática polêmica em retratar a doença da irmã. Mas ele está disponível no youtube:

O álbum solo de Karen só foi lançado em 1996.

Até hoje, eles são admirados pelo seu pop sofisticado, tendo sido homenageados com novas versões de suas canções, como na coletânea “If I were a Carpenter”, lançada em 1998, com a participação de artistas como Sonic Youth, Shonen Knife, Cranberries, Babes in Toyland, e mais.

gray26371

 

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: SONNY & CHER POR ARTHUR MENDES ROCHA

Nos próximos posts falaremos de duplas famosas do pop, rock, etetrônica e outros.

Hoje começamos por uma das mais famosas de todos os tempos e que bombaram principalmente nos anos 60 e 70; eles são Sonny & Cher.

sonny_cher_ll_131104_33x16_1600

A dupla se conheceu quando Cher era uma garota de dezesseis anos, ainda cursando o ginásio e sem saber direito o que queria da vida, mas uma coisa ela sabia: ela queria ser famosa.

Seus nomes verdadeiros eram Cherilyn Sarkisian e Salvatore Bono e ela via nele um mentor, uma figura paterna (o pai dela abandonara a família), já que a diferença de idade deles era grande, pois Sonny já tinha 27 anos quando se conheceram.

sonny-cher4

Sonny trabalhava no estúdio Gold Star, em Hollywood, cujo proprietário era Phil Spector, o icônico produtor de inúmeros artistas, incluindo Beatles, Ramones, Ike & Tina Turner e mais.

Sonny aprendeu muito no estúdio de Spector, já que era uma espécie de faz-tudo de lá e assim sabia compor, fazer arranjos e produzir suas próprias canções.

sonny-cher3

Cher, ainda uma desconhecida, acompanhava Sonny ao estúdio diversas vezes, até que em certa ocasião, Darlene Love (uma das vozes mais famosas da época) não compareceu em uma sessão e Sonny disse a Spector que Cher sabia cantar e ela substituiu Love como backing vocal.

Os vocais de Cher agradaram a Spector e ela acaba participando dos vocais de hits como “Be my baby” (das Ronettes), “You’ve lost that loving feeling” (dos Righteous Brothers), entre outros.

Recording Session

Mas os dois queriam mais que isso; almejavam ser uma dupla de sucesso e não ficar ‘escondidos” atrás de outros artistas. Assim, eles resolvem formar uma dupla, sendo que o primeiro nome que pensaram foi Caesar and Cleo, tendo lançado singles como “Love is Strange”:

Nesta época, depois de melhores amigos e amantes, eles se tornam marido e mulher.

Porém, a dupla não consegue emplacar nenhum hit, até que finalmente mudam o nome para Sonny & Cher, lançando em 1964 o single “Baby don’t go” pela Reprise Records:

A música foi gravada no peito e na raça pelos dois, já que possuíam poucos recursos para pagar estúdio, tiveram que pedir dinheiro emprestado, conseguiram músicos que tocaram de graça (como Leon Russell e Barney Kessel), enfim, batalharam para ver a música gravada.

Logo que a canção foi lançada, ela não foi um sucesso imediato, apenas em Los Angeles e na costa oeste americana; foi graças ao estouro do hit seguinte, que ela foi relançada e aí sim foi para o topo das paradas.

sonny-cher5

Seu próximo lançamento acaba sendo a canção que os colocou no mapa do pop e que virou um hit mundial, “I got you babe”.Um detalhe interessante foi que a música estourou primeiro na Inglaterra, para onde o casal se dirigiu em 1965, e lá foram logo notados, se apresentando no Top of the Pops:

Na volta aos EUA, eles já estavam sendo esperados por uma multidão de fãs no aeroporto.

Seu primeiro álbum foi lançado no mesmo ano e intitulado ‘Look at us”, alcançando o segundo lugar na parada de álbuns mais vendidos da Billboard, com a marca de mais de oito milhões de discos vendidos no mundo.

Outro destaque do álbum era “Then he kissed me”:

Além de participar dos programas de TV mais badalados da época, eles até apareceram no filme “Wild on the beach”, onde eles interpretam ‘It’s gonna rain’:

No ano de 1965, eles chegaram a ter cinco músicas no top 20, recorde este quebrado apenas por Elvis Presley.

A dupla já chamava a atenção pelo seu visual arrojado, sempre altamente produzidos, vestindo roupas coloridas, coletes de pelo, ternos no estilo mod; Cher arrasando com seus cabelos compridos negros, magra e alta, com maquiagem com muito delineador nos olhos. 

sonny-cher-mosaique

Seu álbum seguinte foi lançado em 1966, ‘The Wondrous world of Sonny & Cher’, cujo primeiro single foi “But you’re mine”:

Outra música que fez sucesso do disco foi ‘What now my love”, aqui num vídeo para o programa Beat Club:

Os dois saem em turnê mundial com o disco e lotam teatros e arenas por onde passam, levando às multidões a loucura.

Esta canção era uma versão de uma música francesa de Gilbert Bécaud e a durante sua carreira, a dupla gravou várias versões de sucessos como “Summertime’ (dos irmãos Gershwin), “Unchained Melody” (hit pelos Righteous Brothers), “You’ve really got a hold on me” (de Smokey Robinson), entre outros.

sonny-cher2

Além disso, Cher também gravava discos solo, tendo sucessos como ‘Alfie” (de Burt Bacharach) e principalmente‘Bang Bang (My baby shot me down), que ficou famosa na voz de Nancy Sinatra (e voltou a ser hit ao ser incluída na trilha de ‘Kill Bill vol. 1” por Tarantino em 2003). Mas a versão original da música é de Cher, escrita e produzida para ela por Sonny Bono e incluída no álbum ‘The Sonny side of Cher’ (o primeiro disco solo dela), de 1966:

Em 1967, a dupla lança um novo álbum, ‘In case you’re in love”, que origina mais dois hits:, ambos compostos por Sonny:

“The Beat goes on”, que alcança o sexto lugar da Billboard:

E “Little man”, que alcança sucesso principalmente na Europa, onde se apresentam na TV francesa:

No ano seguinte, Sony & Cher estrelam um ambicioso projeto: o filme ‘Good Times”, sob a direção de William Friedkin (que esteve recentemente na Mostra de SP e dirigiu “O Exorcista” e ‘Cruising”, entre outros) e co-estrelando George Sanders (premiado por ‘A Malvada”).

Porém o filme acaba sendo um grande fracasso de público e crítica e a dupla demora a se refazer deste baque em sua carreira.

Foto promocional de Sonny & Cher para o filme "Good Times".

Foto promocional de Sonny & Cher para o filme “Good Times”.

Além disso, a dupla se posicionava contra as drogas, o que levou a juventude da época a os considerarem caretas e ultrapassados, bem como sua música, já que o que estava na moda era o rock psicodélico. Assim, sua música vai perdendo força e os jovens acham que esta agradava mais a seus pais do que a eles próprios.

Em 1969, Cher faz uma nova tentativa cinematográfica para reconsquistar o público jovem com o filme ‘Chastity”, porém o filme acaba sendo mais um fracasso. A película foi escrita e produzida por Sonny, mas eles não conseguem se reconectar com os jovens.

sonny-cher9

O título do filme acaba sendo o nome da filha deles, nascida naquele ano e que hoje em dia é transexual e atende pelo nome de Chaz Bono.

A carreira dos dois estava no fundo do poço, assim eles partem para fazer pequenos shows em diversas cidades como Las Vegas, onde misturavam números humorísticos e musicais e aos poucos vão conquistando uma nova audiência, mais velha e adulta.

sonny-cher8

Para a sorte deles, os caçadores de talentos da TV gostam de suas apresentações e os convidam para estrelar o seu próprio programa.

sonny-cher-chastity

Sonny & Cher com sua filha Chastity (hoje Chaz).

Assim, em 1970, Sonny & Cher estrelam o especial “The Nitty Gritty Hour”, que acaba sendo um sucesso de público e crítica e uma mistura certa de humor e música. Abaixo, a abertura do programa onde eles cantam “You’ve only just begun” (sucesso na voz dos Carpenters):

Em 1971, eles são convidados para estrelarem o programa semanal ‘The Sonny & Cher Comedy Hour”, pela rede CBS. Abaixo eles abrem o programa cantando ‘Proud Mary’:

O programa dura quatro temporadas, além de receber diversos convidados que incluem Muhammad Ali (o célebre lutador de boxe que faleceu este ano), Chuck Berry, Paul Anka, Truman Capote, Hugh Hefner, Tony Curtis e muitos outros.

sonny-cher

Além disso, o programa revigorou a carreira dos dois e eles lançaram mais um disco juntos, “All I ever need is you”, cuja canção título, no estilo country, alcançou o top 10:

Um detalhe interessante é que foi nestes programas de TV que Cher passou a ser vestida pelo estilista Bob Mackie, famoso por seus vestidos glamourosos e cheios de brilho, perfeito para o show-business americano. Mackie caprichava e em cada apresentação Cher está sempre impecável e cheia de estilo, explorando bem seu tipo exótico e de traços indígenas.

cher-in-bob-macie-2

Cher com seu look apache por Bob Mackie.

Ela acaba vencendo o Globo de Ouro pelo programa em 1974.

No mesmo ano, os dois lançam mais um álbum, “Mama was a rock and roll singer, Papa used to write all her songs”, com apenas a canção título composta por Sonny e o restante com versões cover de sucessos como “It never rains in southern California”:

Porém uma bomba acontece na terceira temporada do programa: Cher e Sonny se divorciam, para a surpresa geral da nação, que vivia um período complicado em 1975, ano do escândalo de Watergate que causou o afastamento do presidente Nixon do poder.

sonny-cher-1960s-sequin-gown

Assim, o programa termina e os dois acabam tendo cada um o seu próprio show: ele com o “The Sonny Comedy Revue” e ela com o ‘The Cher Show”. O dele acaba sendo cancelado depois de seis semanas e o dela é um hit.

Os dois voltam a se reunir em 1976, para a volta de “The Sonny and Cher Show’, mas o programa não obtém o mesmo sucesso do anterior, e termina em 1977.

sonny-cher-70s

Com isso, a dupla parte cada um para seu lado e para novos projetos: ele se volta para a política e ela para uma carreira musical de sucesso, lançando inúmeros discos, ganhando Grammys e fazendo shows mundo a fora.

Além disso, Cher se torna uma excelente atriz de cinema, vencendo o Oscar (por ‘Moonstruck’) e até a Palma de Ouro em Cannes (pelo filme ‘Mask”).

Sonny & Cher At The Oscars

Sonny vem a falecer em 1998, vítima de um acidente de ski e Cher lhe presta uma linda homenagem em seu velório e fica bastante abalada pela morte dele.

The Sonny & Cher Comedy Hour

No mesmo ano, a dupla recebe a sua estrela na calçada da fama em Hollywood, evento no qual Cher vai acompanhada da esposa de Sonny, Mary Bono.

 

   Comentário RSS Pinterest