Warning: include_once(wp-includes/images/pin.png): failed to open stream: No such file or directory in /home/japagirl/public_html/blog/index.php on line 2

Warning: include_once(): Failed opening 'wp-includes/images/pin.png' for inclusion (include_path='.:/usr/lib/php:/usr/local/lib/php') in /home/japagirl/public_html/blog/index.php on line 2

Warning: session_start(): Cannot send session cookie - headers already sent by (output started at /home/japagirl/public_html/blog/index.php:2) in /home/japagirl/public_html/blog/wp-content/plugins/instagrate-to-wordpress/instagrate-to-wordpress.php on line 48
DJ Sets – Japa Girl



























































                
       
















bloglovin



CURRENT MOON


DJ Sets

TODAY’S SOUND: PER LUI POR ARTHUR MENDES ROCHA

Finalizando os posts de revistas clássicas, hoje falamos de uma revista italiana que era um dos guias de estilo masculino dos anos 80: a Per Lui.

per-lui-brad-e-jenny-howort

Assim como existia a Lei, uma revista italiana jovem para a mulher, a sua versão masculina era a Per Lui, só que a versão masculina ainda era mais ousada que a feminina.

Foi na Per Lui que a poderosa Franca Sozzani começou a ensaiar o que faria na Vogue italiana, onde é a editora-chefe desde 1988 até hoje.

per-lui-franca

Franca Sozzani foi editora da Per Lui de 1982 a 1988, quando foi para a Vogue Italia.

Tendo trabalhado na Lei (a versão feminina da Per Lui), desde 1980, e na Per Lui, desde 1982, Sozzani foi a responsável por uma virada nestas publicações, dedicando um super cuidado com os editoriais e com os modelos e fotógrafos contratados.

Foi na Per Lui que fotógrafos então iniciantes como Bruce Weber, Mario Testino, Herb Ritts, Max Vadukul, Steven Meisel, Peter Lindbergh, Tony Viramontes, Koto Bolofo, Michel Comte, Patrick Demarchelier, Pamela Hanson, Jean-Baptiste Mondino, Ellen Von Unwerth, Stéphane Sednaoui, entre outros, começaram a chamar a atenção dos profissionais da moda e publicidade da época.

Editorial da Per Lui clicado por Bruce Weber.

Editorial da Per Lui clicado por Bruce Weber.

Editorial de Stéphane Sednaoui para a Per Lui.

Editorial de Stéphane Sednaoui para a Per Lui.

Nunca me esqueço de um número especial “U.S.A. by Bruce Weber” da Per Lui, de 1985, com capa do modelo Andy Minsker (boxeador descoberto por Weber e que fez o Chet Baker no seu filme “Let’s get lost”) e mais de 120 páginas consecutivas clicadas por Weber, com tributos aos heróis do fotógrafo como Anna Magnani, Peter Beard, Chet Baker; os novos rostos de Hollywood que surgiam naquele momento como Melanie Griffith, Molly Ringwald e outros atores do chamado “Brat Pack” (como eram chamados o jovem grupo de atores que incluía Robert Downey Jr., Andrew McCarthy, etc.).

A histórica edição USA, totalmente fotografada por Weber.

A história edição USA, totalmente fotografada por Weber.

per-lui-molly

Molly Ringwald no editorial da jovem Hollywood.

Num dos números de 1986, Weber também clicou o “Summer Diary 1986”, com styling do usual colaborador do fotógrafo, Joe McKenna, que foi a inspiração direta para o clipe “Being Boring” do Pet Shop Boys.

per-lui-summer2

Editoria Summer Diary de Weber.

Editoria Summer Diary de Weber.

per-lui-summer

Mais páginas do Summer Diary de Weber.

Outro editorial famoso foi “Il Ragazzi del Body-Shop”, clicado por Herb Ritts (o fotógrafo que era um dos favoritos de Madonna e já falecido) com styling de Michael Roberts (hoje diretor de estilo e moda da Vanity Fair americana). Ritts havia sido contratado para fotografar trench coats, porém não gostara das roupas enviadas. Junto com Roberts, eles acabaram optando por mudar a concepção e realizar as fotos numa oficina mecânica e fazer as fotos escuras e cruas, diferente do que a revista havia solicitado. Assim, eles utilizaram o modelo Fred Harding coberto de graxa com torso à mostra e macacão amarrado, segurando pneus. Logo, esta e outras imagens fortes foram aceitas pela revista, que acabou publicando o editorial. A imagem se tornou uma das imagens mais famosas da época, ilustrando  calendários e postais e intitulada de “Fred with tires” (Fred com pneus).

per-lui-herb

“Fred with tires”, a famosa foto de Herb Ritts, foi publicada pela primeira vez num editorial da Per Lui.

Os editoriais idealizados por Sozzani eram extremamente criativos, colocava modelos em posição nunca antes imaginadas, as imagens eram marcantes, com referências bacanas, tanto com inspiração em filmes italianos dos mestres Fellini, Antonioni, Visconti, bem como estilistas como Armani e elementos da cultura pop.

per-lui-armani

Editorial com roupas Armani por Weber para a Per Lui.

per-lui-86

Editorial de 1986 da Per Lui.

Para ela, não bastava apenas fotos bonitas mostrando a roupa, por trás de tudo deveria ter uma ideia, um conceito, um significado, e ela conseguiu transpor isto para as páginas da Per Lui.

Editorial de chapéus da Per Lui.

Editorial de chapéus da Per Lui.

Além disso, havia as matérias com textos de jornalistas bem informados, que cobriam arte, cultura, cinema, literatura e muito mais.

A Per Lui era bem vanguarda, geralmente procurava sair na frente das outras, ousando com roupas, maquiagens, cabelos; tudo era uma inspiração constante para quem vivia os anos 80 e não tinha internet para pesquisar.

Publicado pela Condé Nast (a mesma da Vogue e outras revistas de destaque), a Per Lui colocava em suas capas um misto de atores, cantores, bem como novos modelos que surgiam incluindo C. Thomas Howell (de ‘E.T.”, “The outsiders”, “The hitcher”), Miguel Bosé (o popstar espanhol e também ator de filme de Almodóvar), Jenny Howard e Brady Harryman (os modelos descoloridos mais famosos dos 80’s), Rodney Harvey (um dos meninos mais lindos dos anos 80, ator de filmes como “My own private Idaho” e que faleceu de overdose), Billy Idol (que na época estava estourando em sua carreira solo), Matt Dillon (que era o jovem ator mais badalado da época), Sasha Mitchell ( o top model que virou ator de cinema e TV), Anthony Delon (o filho de Alain), John Lurie (do grupo Lounge Lizards e ator de alguns filmes de Jim Jarmusch),Richard Gere, Miles Davis e muito mais.

per-lui-matt

Matt Dillon, o então jovem ator de Hollywood mais badalado, foi capa de Per Lui

Rodney Harvey (à direita em pág. inteira) no recheio de uma Per Lui, clicado por Weber.

Rodney Harvey (à direita em pág. inteira) no recheio de uma Per Lui, clicado por Weber.

per-lui-miles

Capa do especial de música com Miles Davis na capa.

Além disso, as matérias eram dedicadas a artistas como Michael Clark (o incrível bailarino punk inglês que trabalhou com Leigh Bowery, Bodymap), Chris Isaak (que foi fotografado por Weber e estava surgindo na música e no cinema), Sam Sheppard, Bryan Ferry, Frank Zappa, o filme “Cotton Club” de Coppola, Willem Dafoe, entre outros.

Chris Isaa em editorial da Per Lui, clicado por Weber.

Chris Isaak em editorial da Per Lui, clicado por Weber.

O bailarino punk Michael Clark numa matéria da revista.

O bailarino punk Michael Clark numa matéria da revista.

O então jovem ator Willem Dafoe posando de modelo para a Per Lui.

O então jovem ator Willem Dafoe posando de modelo para a Per Lui.

Na direção de arte há a mão de Neville Brody em alguns números, pois o conceituado designer da The Face e Arena, fez várias contribuições para a revista.

Teve participação brasileira em alguns números como o então top model Fabio Ghirardelli, que chegou a estampar capa e editoriais da revista.

O modelo brasileiro Fabio Ghirardelli (de costas) na capa da Per Lui.

O modelo brasileiro Fabio Ghirardelli (de costas) na capa da Per Lui.

Com a saída de Sozzani em 1988, a Per Lui continuou até 1990, publicando editoriais com Claudia Schiffer fazendo às vezes de Brigitte Bardot por Steven Meisel e editorial inspirado por Russ Meyer (com o top Tony Ward, antes de ser namorado de Madonna), mas acabou não resistindo e fechou as portas em setembro de 1990.

A ntão iniciante modelo Claudia Schiffer fazendo às vezes de BB em editorial da Per Lui clicada por Meisel.

A então iniciante modelo Claudia Schiffer, como BB, em editorial da Per Lui clicada por Meisel.

Tony Ward em editorial da Per Lui, inspirado em "Faster Pussycat" de Russ Meyer.

Tony Ward em editorial da Per Lui, inspirado em “Faster Pussycat” de Russ Meyer.

Até hoje, as fotos e os números antigos da Per Lui são fontes de inspiração para os editores, estilistas e produtores de moda que reconhecem o importante papel que a revista teve no imaginário visual da década de 80.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: NOVA POR ARTHUR MENDES ROCHA

Rebelde, inovadora, sensual, quebrando paradigmas, falando em feminismo e assuntos polêmicos quando ninguém o fazia: a revista que marcou época de hoje é a britânica Nova. nova-covers A Nova foi publicada de 1965 a 1975, justamente quando o mundo enfrentava mudanças radicais com um maior engajamento político e a luta pela liberação das mulheres, que buscavam uma posição de maior reconhecimento numa sociedade machista. O feminismo estava começando a ter cada vez mais adeptas, além das manifestações estudantis, luta pelos direitos civis, o mundo estava em ebulição. nova-covers3 A Nova chegava bem neste momento de mudanças, já começando pelas capas e o design gráfico, muito mais vanguarda que as publicações femininas da época. A revista foi lançada bem no auge Swinging London dos anos 60, uma fase que mudou a Inglaterra, optando por tratar de assuntos mais polêmicos, tendo assim revolucionado a maneira com que as revistas femininas eram oferecidas no mercado.

Logo da Nova.

Logo da Nova.

A revista foi fundada por Harry Fieldhouse, sendo que a primeira editora de moda foi Molly Parkin, que havia feito acessórios para a famosa loja Biba (a icônica loja de Barbara Hulanicki), trabalhado com Mary Quant (a inventora da minissaia) e tido sua própria loja em Chelsea. Parkin ficou na revista até 1967, tendo passado a posição para sua então secretária, Caroline Baker.

Foto de Harri Peccinotti para Nova.

Foto de Harri Peccinotti para Nova.

Baker foi das primeiras stylistys, quando o termo ainda nem existia, trabalhando com fotógrafos como Helmut Newton (e suas fotos inusitadas e com elementos fetichistas, colaborador de Vogue, Stern e muitas outras), Hans Feurer (o suíço que arrasava nas cores, colaborou muito com a Vogue), Terence Donovan (um dos fotógrafos da swinging London), Sarah Moon (fotógrafa conhecida por suas imagens etéreas e que trabalhou com a Biba, entre outras marcas famosas), Byron Newman (que também trabalhou para as revistas Cream e Deluxe), Bryan Duffy (outro fotógrafo conhecido da Swinging London e que fez a capa de ‘Alladinsane” de Bowie), Peter Knapp (que fez algumas das famosas capas do Roxy Music), entre outros.

Foto de editorial para a Nova clicado por Helmut Newton.

Foto de editorial para a Nova clicado por Helmut Newton.

nova-by-helmu-2

Foto de Helmut Newton para Nova.

Relembrando seus tempos na Nova, Baker declarou que a revista não se guiava pelas coleções de moda de Paris e sim pelo que acontecia nas ruas, com roupas mais condizentes com sua posição social, da classe trabalhadora e que fugisse aos saltos e batons que figuravam nas demais revistas de moda.

nova_mag3-jpg-mr-freedom-by-hans

Editorial “Mr Freedom” (inspirado pelo filme de William Klein), clicado por Hans Feurer.

Ela se dizia mais influenciada por Che Guevara, hippies, as namoradas dos pop stars, filmes e vestimentas étnicas do Marrocos, Japão e África.

Editorial da Nova utilizando roupas militares para mulheres (quando ninguém pensava nisto) e cigarrinho suspeito.

Editorial da Nova utilizando roupas militares para mulheres (quando ninguém pensava nisto) e inspiração a Che Guevara.

Segundo ela, seu então editor, Dennis Hackett, lhe disse: ‘Eu quero que você saia lá fora e faça coisas diferentes. Eu não quero parecer como a Vogue, a Queen (a Harper’s & Queen) ou qualquer outra. Suas páginas de moda devem ser diferentes”.

Editorial da Nova clicado por Harri Peccinotti.

Editorial da Nova clicado por Harri Paccinotti.

Entre as inovações na moda que a Nova aderiu em suas páginas estavam: uso de roupas verde-militar, mulheres usando roupas masculinas, usando leggings, roupas do lado contrário e muito mais. E foi nisto que a Nova se sobressaiu, dando uma nova roupagem às revistas femininas, sendo rebelde, feminista, sem medo de ousar. Alguns dos colaboradores da revista incluíam: Susan Sontag (a célebre escritora americana, defensora dos direitos humanos e casada com a fotógrafa Annie Leibowitz), Graham Greene (o escritor de livros como “The Third Man”), Christopher Booker (um dos fundadores da revista Private Eye), Germaine Greer (uma das feministas mais importantes do séc. XX), Lynda Lee-Potter (colunista do jornal inglês Daily Mail) e muitos outros.

Editorial inusitado da Nova clicado por Barry

Editorial inusitado da Nova clicado por Byron Newman.

A Nova procurava os escritores mais interessantes, polêmicos, brilhantes e desbocados para redigirem suas matérias que incluíam assuntos tabus na época como pedofilia, aborto, homossexualismo, lesbianismo, entre outros. A direção de arte ficava a cargo de Harri Peccinotti (que fez os calendários Pirelli de 1968 e 69) no começo e depois por David Birdsal. nova-covers-4 David Hillman assumiu o cargo em 1968 e com seu design minimalista, tipografia arrojada,  muita utilização de espaços em branco, inovaram a diagramação das revistas na época.

A direção de arte de Hillman era um dos destaques da Nova.

A direção de arte de Hillman era um dos destaques da Nova.

Peccinotti também era fotógrafo da revista e responsável por vários das capas e editoriais; ele foi dos primeiros a utilizar modelos negras em suas fotos, de capturar a sexualidade do dia a dia e colocá-la nas páginas da revista.  Ele declarou que a Nova foi feita para uma mulher mais inteligente, que não desejava ser apenas dona de casa, cozinhar ou costurar; a mulher de Nova gostava de política, sexo, saúde, oportunidades de trabalho e mais.

Algumas das capas clicadas por Peccinotti.

Algumas das capas clicadas por Peccinotti.

Porém, com a chegada dos anos 70, a recessão e aumento nos custos do papel, a revista foi perdendo anunciantes (bem como encolhendo de tamanho) e diminuindo a circulação. Além disso, a competição foi ficando acirrada com títulos femininos que surgiam como Elle, Cosmopolitan, Marie Claire, entre outras e os anunciantes migraram para estas.

Foto de Hans Feurer para a Nova.

Foto de Hans Feurer para a Nova.

Outro fator constatado foi de que, apesar de ser dirigida ao público feminino, ela acabava sendo mais consumida pelos homens. Assim, a Nova fechou suas portas em 1975, deixando uma lacuna no mercado editorial para sempre. Em 1994, foi lançado o livro “Nova , 1965 – 1975”com muitas fotos das capas e dos icônicos editoriais da revista e que ainda está disponível na Amazon.

Capa do livro sobre a Nova.

Capa do livro sobre a Nova.

A revista voltou numa nova versão em 2000, com novo logo, tendo durado apenas seis exemplares e sendo que um deles teve capa da então iniciante modelo Gisele Bündchen. Eu cheguei a comprar na época, mas não possuía um mínimo do charme e modernidade dos antigos exemplares. nova-gisele A influência da Nova foi fundamental para tudo o que se fez em termos editoriais desde então, sejam em revistas femininas ou masculinas; nunca haverá uma revista tão a frente de seu tempo quanto a Nova.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: ARENA POR ARTHUR MENDES ROCHA

A revista que deixou saudades de hoje é a Arena, a revista britânica masculina que foi publicada de 1986 a 2009 e que abordava moda, atualidade, cultura e mais.

A Arena foi das melhores revistas masculinas já publicadas; com design moderno, fotos incríveis, editoriais inesquecíveis; era daquelas revistas que esperávamos cada exemplar com enorme ansiedade.

arena-michael

Cada edição era extremamente bem executada, sendo que a escolha do homem que estamparia a capa também era sempre alguém que estava no ápice naquele momento, seja um ator, músico, esportista ou alguma celebridade badalada.

No começo, suas capas eram apenas masculinas; até que em 1990 Tatjana Patitz (uma das supermodelos originais) estampou uma capa e desde então as mulheres também passaram a ilustrar as capas junto com os homens.

arena-tatjana

A revista também foi idealizada por Nick Logan, o mesmo que criou a The Face, e que via no mercado inglês uma carência de revista que abordasse o universo masculino de uma maneira mais estilosa.

As revistas inglesas masculinas da época eram mais caretas, mais certinhas e muitas vezes abordavam assuntos que não surpreendiam, apelando para esporte e fotos de mulheres sensuais.

arena-john

A Arena era diferente; ela visava atrair um público mais selecionado, um homem mais especial, urbano, mais aberto às novidades, viajado, que se interessava por vários assuntos e gostava de se vestir bem.

Entre os assuntos abordados estavam sexo, fitness, cinema, literatura, fotografia, culinária e muito mais. Seu espectro era amplo, mas dentro disso a revista era ousada e moderna.

Editorial da arena do início dos anos 90.

Editorial da arena do início dos anos 90.

 

Arena era inicialmente publicada pela Wagadon e os primeiros números foram criados pelo genial Neville Brody, o mesmo designer da The Face, que foi o diretor de arte da Arena no período de 1987 a 1990.

Segundo o próprio Brody declarou a Arena era destinada ao público da The Face que havia crescido. E foi isto que levou Logan a lançar a Arena, já que foi constatado que quem mais comprava a Face era o público masculino.

Logo da Arena criado por Neville Brody.

Logo da Arena criado por Neville Brody.

Sua concepção era muito parecida coma Face no início, mas depois de alguns exemplares, Brody optou por uma estética mais minimalista com o uso da fonte tipográfica helvetica por exemplo.

O final dos 80 e durante os 90, foram os períodos áureos da revista, mas a concorrência ia aumentando com a publicação das versões inglesas da GQ e Esquire, bem como a Loaded (considerada a revista do ‘lad”, do garotão inglês).

O primeiro exemplar da Arena foi publicado foi em 1987 e a capa era o ator Mickey Rourke, que na época não possuía as inúmeras operações plásticas que o desfiguraram nos anos posteriores.

Capa do primeiro exemplar da Arena.

Capa do primeiro exemplar da Arena.

Vários profissionais de mídia da Inglaterra trabalharam para a Arena, entre eles Dylan Jones, que foi editor da revista no final dos anos 80, colaborando também com a The Face. Além disso, Jones também trabalhou na I-D e em outras publicações importantes, além de publicar mais de dez livros.

Gary Oldman na capa de um dos números.

Gary Oldman na capa de um dos números.

Entre os colaboradores da Arena estavam também jornalistas como Brian Schofield (que escrevia sobre viagens), Tony Parsons (do NME e autor de livros como “Man and a boy”), Karl Templer (um dos melhores stylists de tdos os tempos), Sophie Hewitt-Jones ; fotógrafos como Albert Watson, Nick Knight, Bruce Weber, Miles Aldridge, Luis Sanchez, Aldo Rossi e muito mais.

Bryan Ferry na capa da Arena.

Bryan Ferry na capa da Arena.

Em suas capas já estiveram: David Lynch, Jean Paul Gaultier, Elijah Wood, Bryan Ferry, Gary Oldman, John Hurt, Sting, Tim Roth, Ray Liotta, David Bowie, Gerard Depardieu, Damon Albarn, Michael Caine, Paul Newman, Rutger Hauer, entre outros.

Uma de suas capas mais badaladas foi a de 1993, com Bono Vox (do U-2) vestido de diabo vestindo paletó dourado.

arena-540192

No mesmo ano, foi publicado um número especial sobre sexo com contribuições de colaboradores como Camille Paglia.

Em meados dos anos 90, a revista também publicou a ótima Arena Homme Plus, publicação bi-anual focada em moda e estilo, com editoriais magníficos e que continua sendo publicada até hoje.

Uma das sessões que eu mais gostava era a Vanity, uma sessão dentro da revista com dicas de estilo, matérias bacanas com ícones de elegância como Marcello Mastroianni.

arena-marcelo

Fora os editoriais de moda, que revelaram modelos, estilistas, produtores, enfim, a Arena era pura sofisticação.

vincent

O então iniciante modelo/ator Vincent Gallo em editorial para a Arena, clicado por Miles Aldridge.

Porém, a versão inglesa da GQ (publicada pela Condé Nast, dona da metade da Arena) e a falta de imagens mais apelativas atingiram as vendas da Arena, que foram diminuindo e a revista acabou sendo vendida para o grupo editorial Bauer Media.

Christopher Lambert foi capa de Arena no final dos anos 80.

Christopher Lambert foi capa de Arena no final dos anos 80.

A revista também acabou sendo publicada em outros mercados como a Ucrânia, Turquia, Coréia, Tailândia e Singapura.

A nova editora manteve a revista, deu uma popularizada e ainda por cima fez algo que nunca se imaginou: colocou mulheres de seios a mostra na revista visando melhorar as vendas.

Editorial da Arena com o supermodelo Alex Lindquist, clicado por Luis Sanchez.

Editorial da Arena com o supermodelo Alex Lindquist, clicado por Luis Sanchez.

Em 2007, a revista passou por uma repaginada, colocando na capa David Beckham e acabou perdendo seus leitores fiéis.

Mesmo assim, a competição com internet e outras causas contribuíram para vendagem em queda e a revista encerrou atividades em 2009.

Arena é mais uma das revistas que deixaram saudades, seu conteúdo de altíssimo nível, matérias de primeira e fotos elaboradas fazem falta de serem folheadas e lidas.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: BLITZ POR ARTHUR MENDES ROCHA

Não tem como falar da The Face sem falar de outra revista de estilo que era publicada nos anos 80, a revista Blitz.

A Blitz foi uma revista inglesa mensal que cobria moda, cultura, música, teatro, design, fotografia e mais, tendo sido publicada entre 1980 e 1991.

blitz-p6

De mesmo nome do famoso club que deu início ao movimento new romantic, a revista era jovem, contemporânea, falava diretamente a este público.

Ela era uma opção entre a The Face e a I-D e conquistou toda uma geração que viveu esta época e que buscava inspiração e ficar por dentro do que estava acontecendo na capital do estilo naquela época: Londres.

blitz-surrealism

Uma das matérias da revista sobre surrealismo.

A ideia da revista surgiu dos estudantes universitários de Oxford, Carey Labovitch e Simon Tesler, que perceberam a falta de opção no mercado de uma revista que abordasse os assuntos que lhe interessavam.

Labovitch era apenas uma garota de dezenove anos que procurava assuntos interessantes nas revistas da época, mas só encontrava bobagens adolescentes ou publicações como o jornal New Musical Express, focado apenas na música.

blitz-p99

Apesar das similaridades com a The Face (que também surgia naquele momento), a Blitz tinha personalidade própria, também inovando nos assuntos e na maneira de falar de cada um deles.

Um dos colaboradores da Blitz era Iain R. Webb, que era o editor de moda , responsável pelos criativos editoriais que a revista exibia, sendo que suas inspirações viam de toda a parte, incluindo filmes e programas de TV ou assuntos daquele momento.

Iain R. Webb nas páginas da revista ao lado da estilista Jean Muir.

Iain R. Webb nas páginas da revista ao lado da estilista Jean Muir.

A Blitz já teve capas que incluíam:  Matt Dillon, Madonna, Grace Jones, Malcom McLaren, Jack Nicholson, Rupert Everett, John Malkovich, Wham!,  Siouxsie Sioux, Peter Murphy, Robert de Niro, Martin Scorcese, Willem Dafoe, Christopher Walken, Steve Martin, Pet Shop Boys, Billy Idol, entre outros.

blitz-july-aug-1985-billy-idol-jpg-opt438x556o00s438x556

 

Entre os fotógrafos que colaboravam com a Blitz estavam Herb Ritts, Mathew Rolston, Nick Knight, Russell Young, Mark Lewis, David Levine, Eric Watson, David LaChapelle e mais.

Madonna na capa da Blitz, clicada por Herb Ritts.

Madonna na capa da Blitz, clicada por Herb Ritts.

 

Um dos números mais icônicos da revista foi o de Julho de 1986, em que Iain convidou 21 estilistas britânicos e internacionais para criarem modelos em cima de uma jaqueta jeans clássica.

Assim nomes como Vivienne Westwood, Katherine Hamnett (estlista famosa por suas camisetas com mensagens políticas), Bodymap, Leigh Bowery (o lendário performer/estilista que arrasava com seus modelos), Hermés, Jasper Conran, Enrico Coveri, John Galliano, Joseph, Stephen Jones (mais conhecido por seus chapéus), Rifat Ozbek, Zandra Rhodes, Paul Smith, Richmond/Cornejo, Stephen Linard, entre outros.

Sketch da jaqueta de Stephen Linard.

Sketch da jaqueta de Stephen Linard.

Uma das jaquetas jeans na revista.

Uma das jaquetas jeans na revista.

Além disso, a revista produziu um super evento no Albery Theatre, em Londres, com desfile das jaquetas, apresentado por Daniel Day Lewis (o ator que foi capa daquele exemplar, anos antes de ser o ator vencedor de dois Oscars), desfilado por nomes como Boy George, Bowery e mais.

Daniel Day Lewis, então um jovem ator estreante, na capa da revista em Julho de 1986.

Daniel Day Lewis, então um jovem ator estreante, na capa da revista em Julho de 1986.

 

Abaixo alguns highlights do evento:

Após o evento as jaquetas chegaram a ser exibidas no Victoria & Albert Museum.

O desigh gráfico da Blitz foi feito por Jeremy Leslie, que também foi diretor de arte da Time Out londrina e diretor criativo da John Leslie Publishing (editora de várias revistas inglesas) e hoje ele tem o seu blog e estúdio magCulture.

blitz-1

Detalhe de um editorial da Blitz.

A revista contava com vários colaboradores que incluíam jornalistas e escritores como Paul Morley (jornalista de música do NME, que também trabalhou com o Frankie Goes to Hollywood, bem como ajudou Grace Jones a escrever sua recente biografia), Susannah Frankel (hoje editora da Another Magazine), Simon Garfield (hoje renomado autor de mais de quinze livros), Paul Mathur (que já escreveu para Melody Maker, Spin), Jon Wilde (hoje no The Guardian), Kim Bowen (que escrevia sobre moda para a Blitz), Anna Piaggi (a influente fashion stylist da Vogue Italia), Princess Julia (a DJ que também atacava de produtora), entre outros.

blitz-book

A Blitz era uma revista de vanguarda, muito antes das outras pensarem em fazer alguma coisa, ela já havia feito, como por exemplo colocar bebês em editoriais; visuais exóticos, utilização de modelos inesperados como mendigos, ou utilizar modelos trans ou outros gêneros que ninguém ousava na época.

Teve até um editorial que era somente com sombras ao invés de roupas.

Outro exemplar importante foi o que colocou Boy George na capa, em entrevista exclusiva, logo após o escândalo em que se envolveu com drogas, isto em 1986, e foi lá que ele falou abertamente sobre isto pela primeira vez.

blitz_45_sep_1986-001

A Blitz era moderna, inovadora, era um prazer folhear as cuidadas páginas da revista, sempre recheada de assuntos bacanas e que não eram fáceis de achar em outras publicações.

Era um pouco mais intelectualizada que a The Face, que era mais pop, com mais matérias sobre livros, sobre política, atualidade.

blitz-pete-moss

Jean Paul Gaultier declarou que ia correndo nas bancas atrás de um exemplar da revista, atrás de imagens irreverentes, glamourosas, chique e icônicas.

Em 2013, foi lançado o livro ‘As seen in Blitz”, editado por Iain R. Webb (hoje também professor na Saint Martins), tendo trabalhado na revista no período de 1982 a 1987, e era profundo conhecedor do look da Blitz, escolhendo cem dos melhores editoriais publicados naqueles anos.

blitz-book-cover

Capa do livro sobre a revista Blitz.

O livro mostra várias imagens de editoriais marcantes, históricos, que lançaram moda, careiras, que inspiraram pessoas interessadas na moda dos anos 80.

Foto de um editorial da Blitz, sendo que um dos modelos era Mark Moore (do S' Express).

Foto de um editorial da Blitz, sendo que um dos modelos era Mark Moore (do S’ Express).

A capa não poderia ser outra que não a então modelo Scarlett Cannon, um dos rostos mais marcantes dos anos 80, ela era hostess do club Cha Cha e uma das figuras mais emblemáticas da noite e da moda inglesa.

Scarlett (com um amigo) segurando o livro do qual é capa, no lançamento do mesmo.

Scarlett (na foto com outro ícone dos 80′s, o modelo/promoter/ músico Christos Tolera) segurando o livro do qual é capa, no lançamento do mesmo.

No lançamento do livro houve um pop-show no ICA Theatre, em Londres, com painéis, exibição de filmes e muito mais.

Além disso, o livro traz fotos não publicadas, entrevistas com modelos, fotógrafos e pessoas envolvidas com estes editoriais.

blitz-file

 

Com a chegada dos anos 90, de uma grande recessão na Inglaterra, a Blitz acabou perdendo vários de seus anunciantes e mesmo tendo ofertas para sua compra, acabou não cedendo e assim encerrou suas atividades em 1991.

A Blitz era um lugar criado por jovens que não possuiam emprego, que desejavam que sua voz fosse ouvida e não tinham onde se expressar; antes dos empreendedores de hoje em dia, eles fizeram da revista a sua plataforma, mostrando à Inglaterra e ao mundo o que aquela juventude gostaria de ver e de ser retratada numa revista.

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: THE FACE POR ARTHUR MENDES ROCHA

Iniciando nossos posts sobre revistas famosas que marcaram época, hoje falamos sobre a bíblia da cultura pop dos anos 80/90, a revista inglesa The Face.

the-face

Antes da internet e das mídias sociais, existiu uma revista que era uma espécie de guia para minha geração, que foi jovem nos anos 80 e buscava o que estava acontecendo de mais moderno no mundo pop.

O logo criado por Brody para a The Face em 1987.

O logo criado por Brody para a The Face em 1987.

Música, cinema, moda, comportamento, cultura club, games, design, arte, quadrinhos, as novas drogas que surgiam: The Face cobria todos estes assuntos e muito mais, quem saía na capa da revista era o que de mais bacana estava acontecendo naquele momento.

the-face-covers

Lembro em correr para a banca de importados e procurar pelo meu exemplar, tendo sido ávido leitor da revista durante os períodos  do final dos anos 80, toda a década de 90 e início dos anos 00.

A revista iniciou suas atividades em 1980, em Londres, graças ao talento de Nick Logan, o editor do NME (New Musical Express) na década de 70, além de publicações como Arena (a ótima revista de moda masculina), Arena Homme Plus (também de moda masculina, porém com dois exemplares por ano), Smash Hits (de música pop), Frank, Deluxe, entre outras.

Primeiro exemplar da The Face com Jerry Dammers (do The Specials) na capa.

Primeiro exemplar da The Face com Jerry Dammers (do The Specials) na capa.

Logan percebia a falta de revistas que cubrissem a cultura jovem de maneira inteligente e que fizesse a conexão perfeita entre música e moda.

Logo que surgiu, a The Face tinha o design gráfico realizado por Neville Brody, o icônico designer inglês que arrasava na tipografia e no visual que a revista teve no período de 1981 a 1986, logo no começo de sua existência.

A famosa capa "Electro" com design de Neville Brody, de 1984.

A famosa capa “Electro” com design de Neville Brody, de 1984.

Brody é que deu a cara para a The Face se sobressair em relação à concorrência, com suas páginas altamente elaboradas que prendiam a atenção de quem folheava a revista. Seus designs eram arrojados, era uma linguagem moderna e inovadora.

Tipo de fonte usada por Nevile Brody para a The Face e o logo que criou para a revista.

Tipo de fonte usada por Nevile Brody para a The Face e o logo que criou para a revista.

Com seu toque, Brody modificou a comunicação visual da época, elaborando capas de discos (de grupos como Cabaret Voltaire), posters, além de contribuir com outras revistas como Per Lui, Lei, Arena (onde foi o diretor de arte de 1987 a 1990), entre outras.

Até a página descrevendo o conteúdo de cada exemplar, era um cuidadoso trabalho de Brody.

Até a página descrevendo o conteúdo de cada exemplar, era um cuidadoso trabalho de Brody.

Matéria da The Face sobre Morrissey com design de Brody.

Matéria da The Face sobre Morrissey com design de Brody.

Mas os primeiros logos não foram criados por Brody e sim por Steve Bush, que trabalhava com Logan na Smash Hits. Mas é dele o logo em duas cores (vermelho e branco) e que durante muito tempo identificou a revista.

the-face-article

Matéria da revista nos anos 80 sobre o Kraftwerk.

Outra dos momentos de sorte de Logan foi que quando ele lançou a The Face, as revistas NME e Melody Maker estavam em greve e isto ajudou a vender os primeiros exemplares da nova revista.

Outra capa marcante da The Face, com o tema 'Hell's angels", falando sobre moda masculina (quando era um assunto pouco falado na Inglaterra).

Outra capa marcante da The Face, com o tema ‘Hell’s angels”, falando sobre moda masculina (quando era um assunto pouco falado na Inglaterra).

A revista adorava a cultura jovem, os movimentos que surgiam na Inglaterra, que eram definidos por sua influência na moda e na música, como o punk, pós punk, góticos, buffalo, hip hop; enfim, tudo que surgia, a revista estava sempre de olho e antenada para tudo.

Assim foi com os new romantics por exemplo, com a revista dando capa e várias matérias quando o movimento apenas começava.

A club culture sempre foi dos assuntos preferidos da The Face, como mostraesta capa de 1983.

A club culture sempre foi dos assuntos preferidos da The Face, como mostraesta capa de 1983.

Foi na The Face que foram publicados as primeiras fotos do chamada “Buffalo Look”, o estilo criado pelo stylist Ray Petri (que trabalhou na revista como editor de moda free-lancer) e que dominou o mundo pop de meados dos anos 80, com artistas como Neneh Cherry, Nick e Barry Kamen, Soul II Soul, entre outros.

o teen model Felix (que até fez clipe com Madonna) na icônica capa "Killer" fotografada por Jamie Morgan, com styling de Ray Petri, no auge do Buffalo style.

O teen model Felix (que até fez clipe com Madonna) na icônica capa “Killer” fotografada por Jamie Morgan, com styling de Ray Petri, no auge do Buffalo style.

E justamente isso, a The Face fazia com maestria: capturar o que a juventude fazia, quais eram seus gostos, quais seus comportamentos, a música que gostavam de ouvir e a roupa que gostavam de vestir.

Imaginem uma época em que não havia a internet para se informar, dependíamos apenas das revistas nacionais e das importadas, que “salvavam” nossas vidas e as três principais eram a The Face, I-D (que surgiu nove meses depois da Face e existe até hoje) e The Blitz (que também não existe mais).

Outro número icônico, dseta vez falando de Jean Paul Goude e o visual que ele criou para Grace Jones.

Outro número icônico, desta vez falando de Jean Paul Goude e o visual que ele criou para Grace Jones.

E não pensem que era fácil de achar, ela chegava em pequenas quantidades no Brasil, somente em bancas especializadas, era cara e muitas vezes tinha que reservar para não ficar sem seu exemplar.

Durante os anos 80 e 90, a The Face dominou este mercado, claro que existia a concorrência, mas a revista tinha algo especial, os textos, as fotos, tudo era altamente bem elaborado e exclusivo.

face

Capas da The Face (no sentido horário): Tim Simenon (do Bomb the Bass), Neneh Cherry, Jazzie B. (do Soul II Soul) e Jean Paul Gaultier.

Os fotógrafos adoravam a qualidade do papel e a produção da The Face, por isto colaboravam direto com a revista, tendo aberto caminhos para nomes como Nick Knight, Jamie Morgan, e outros.

Para se ter uma ideia: no início dos anos 90, a The Face foi a primeira revista a publicar um editorial da fotógrafa Corinne Day (que era colaboradora da revista e faleceu em 2010) com a então iniciante modelo Kate Moss, num editorial de oito páginas que virou icônico.

A primeira capa da vida de Kate Moss foi para a The Face, em 1990, clicada por Corinne Day.

A primeira capa da vida de Kate Moss foi para a The Face, em 1990, clicada por Corinne Day.

Day acabou criando um estética (junto com fotógrafos como David Sims) denominada de heroin chic, que acabou tomando conta da moda e gerando muita polêmica.

A revista entrou nos anos 90 a mil, trabalhando com fotógrafos como Mario Sorrenti, David LaChapelle, Ines van Lamsweerde and Vinoodh Matadin, Jean-Baptiste Mondino, Juergen Teller, Stéphane Sednaoui, Craig McDean, Steven Klein, Mario Testino, Terry Richardson e muitos outros.

Capa com Madonna de 1990, fotografada por Jean-Baptiste Mondino.

Capa dos dez anos da The Face com Madonna, fotografada por Jean-Baptiste Mondino, em 1990.

Os editorias da revista eram sensacionais, sempre lançando tendências e com imagens bem marcantes, que não costumávamos ver nem nas revistas de moda, pois a Face era sempre mais underground, mais a frente das outras.

Além de ter contado com jornalistas como Julie Burchill, Tony Parsons, Jon Savage, Dylan Jones, Fiona Russell Powell, James Truman, Gavin Hills (falecido em 1997), entre outros.

the-face-ziper

Depois da saída de Brody, outros criativos diretores de arte assumiram o visual da revista, que sempre manteve sua modernidade e vanguarda, incluindo Lee Swillinghan (que foi o diretor de arte entre 1993-1999), Craig Tilford (de 1999 a 2002) e Graham Rounthwaite (2002-2003).

A icônica capa com Kurt Cobain, do Nirvana, de vestido.

A icônica capa com Kurt Cobain, do Nirvana, de vestido.

Em suas capas, a revista já colocou um verdadeiro who’s who que incluiu Madonna, Kate Moss, Björk, Prince, David Bowie, Leonardo di Caprio, Uma Thurman, Oasis, Beastie Boys, Isabella Rossellini, New Order, Alexander McQueen, Boy George, Kurt Cobain, Annie Lennox, River Phoenix, Siouxsie & the Banshees, Grace Jones, Ewan McGregor, David Beckham, Beyoncé, e muitos outros.

Alexander McQueen ilustrava a capa de uma The Face clicado por Nick Knight.

Alexander McQueen ilustrava a capa de uma The Face de 1998, clicado por seu amigo e colaborador Nick Knight.

A revista sofreu um duro golpe em 1992, quando Jason Donovan (então famoso cantor pop) processou a revista por insinuar que ele era gay e acabou vencendo e recebeu uma indenização polpuda.

Assuntos polêmicos como as drogas mereciam capas e extensas matérias escritas por quem entendia do assunto.

Assuntos polêmicos como as drogas mereciam capas e extensas matérias escritas por quem entendia do assunto.

Este exemplar do ano 2000 sobre sexo, vinha numa capa de plástico cor de rosa.

Este exemplar do ano 2000 sobre sexo, vinha numa capa de plástico cor de rosa.

Em 1999, a revista foi vendida para o conglomerado editorial EMAP.

Outra modelo brasileira que fez uma foto especial, de página central, para a revista foi Shirley Mallmann, nesta imagem abaixo vestindo McQueen e clicada por Nick Knight, em 1998.

the-face-shirley

Num de seus últimos números comemorativos (do 20º aniversário), La Chapelle fez esta marcante imagem de Gisele Bündchen enrolada no logo da revista.

the-face-giselebundchenbylachapelle

Porém, durante os anos 00, com a internet começando a bombar, as vendas da revista começaram a decair e a EMAP resolveu fechá-la em 2004, para o desgosto de seus fãs.

Capa de 2001 cujo tema era Party Hard, falando dos clubbers que exageravam nas festas.

Capa de 2001 cujo tema era Party Hard, sobre os clubbers que andavam exagerando nas festas. A foto é de Terry Richardson.

Nesta capa de 2000, uma brincadeira com o logo da revista, que virou preto e branco.

Nesta capa de 2000, uma brincadeira com o logo da revista, que virou preto e branco.

No ano que vem, deve ser publicado o livro “Legacy: the story of The Face”, do jornalista Paul Gorman (que também deve lançar uma biografia sobre Malcom McLaren), que vai nos contar toda a história da publicação, bem como destacar seus melhores momentos- capas, editoriais – enfim, será uma maneira de recuperar um pouco da magnitude que a revista teve em sua época de existência.

 

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: THE WHITE STRIPES POR ARTHUR MENDES ROCHA

E finalizando os posts de duplas musicais, hoje falamos do White Stripes, o duo de blues-rock formado por Jack e Megan White que dominou o rock alternativo no início dos anos 00.

white-stripes

Os dois se conheceram em Detroit, no restaurante Memphis Smoke, onde ela trabalhava e ele lia poesias. Eles passam a frequentar a cena musical da época – nos coffee shops, bares, pequenos teatros – enquanto Jack aprendia a tocar bateria.

A primeira banda da qual ele participou foi a Goober & the Peas, um coletivo cowboy/punk, isto em 1994.

Jack White (seg. da esq. p a dir.) com o Gooble and the peas.

Jack White (seg. da esq. p a dir.) com o Goober and the peas.

Os dois se casam em 1996 e Jack (cujo nome de solteiro era Gills) adota o sobrenome da mulher, se denominando Jack White.

Com o fim da Goober & the Peas, ele participa de algumas outras bandas como The Go, uma banda de garage/punk que grava o disco “Watcha Doin’”, no qual ele toca guitarra e participa dos backing vocals.

c

Além do The Go, ele também toca com The Hentchmen e Two-star Tabernacle.

Mas o que ele queria mesmo era formar uma banda com sua mulher, que estava aprendendo a tocar bateria, assim eles criam o White Stripes em 1997.

Desde o começo o White Stripes tinha um

Bonnaroo Music & Arts Festival - Day 4a predileção pelo número três: sua marca registrada passa a serem as cores vermelho, preto e branco; além de optar por vocais, guitarra e bateria (ou piano) e sem o uso do baixo.

O duo opta pela estética lo-fi, utilizando instrumentos antigos, além de um estilo garage/blues/rock que conquista a nova geração.

whitestripes-1800-1400849376

Assim, eles lançam seu primeiro single, ‘Let’s shake hands”, em 1998 (aqui numa apresentação no Gold Dollar, em Detroit):

No começo, Jack e Megan se diziam irmãos, até que se descobriu que eram na verdade marido e mulher.

Eles assinam com o selo Sympathy for the Record Industry e lançam seu primeiro disco, The White Stripes, em 1999, cujo primeiro single era “The big three killed my baby”:

O disco conquista a crítica, pela mistura que o duo faz de punk/metal/blues/country. O primeiro álbum é dedicado a Son House, o blueseiro que é uma das principais influências de Jack White e do qual ele fez uma cover da canção gospel/blues, ‘John, the revelator”:

O próximo álbum deles, “De Stijl”, é lançado em 2000. O título é inspirado pelo movimento artístico alemão (do qual Modrian era adepto), cujo design minimalista já começa pela capa e influencia também a música.

white-de

Neste mesmo ano, Jack e Megan se divorciam, continuando sua parceria apenas musicalmente.

O primeiro single lançado foi ‘Hello operator’:

O álbum conquista o 38º lugar da parada de discos independentes e começam a serem notados pelo mundo pop.

Outro destaque do disco era “Death Letter”, cover de uma música de Son House:

Mas foi com o terceiro disco, ‘White bood cells”, que eles realmente estouraram: na verdade o álbum havia sido lançado em 2001, mas foi relançado pela V2 (gravadora de Richard Branson, da Virgin) em 2002 e os colocou de vez no mapa musical e mundial.

whitestripes_cut

O álbum previlegiava um som mais do rock garage clássico, menos blues e mais roqueiro mesmo e que teve um revival no início dos anos 00 com bandas como o The Strokes e The Hives.

O vídeo de ‘Fell in love with a girl” conquista público e crítica, vencendo três prêmios no MTV Music Awards, com sua animação feita de Lego e direção do conceituado Michel Gondry (diretor de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”):

O álbum é considerado dos melhores surgidos nos anos 00, incensado por publicações como Rolling Stone, Q, além do Pitchfork, New York Times, entre outros.

white2

Outras músicas que também se destacavam no disco eram ‘Hotel Yorba”, ‘Dead leaves and the dirty ground” (com outro vídeo dirigido por Gondry) e ‘We’re going to be friends”:

Uma curiosidade: o disco foi dedicado a Loretta Lynn, a cantora country admiradíssima nos EUA e que Jack produziu o seu retorno com o álbum “Van Lear Rose” (de 2004).

Jack White beijado por Megan e Loretta Lynn (à direita).

Jack White beijado por Megan e Loretta Lynn (à direita).

Em 2003, a dupla lança seu quarto disco, “Elephant”, agora por uma grande gravadora e atingindo o top 10 americano e inglês e conquistando o disco de platina.

ws_55454

O álbum era puxado pela canção ‘Seven Nation Army”, a música mais conhecida deles  e que venceu o Grammy de melhor canção de rock. Abaixo o brilhante vídeo da dupla Alex & Martin:

Recentemente a música foi utilizada, sem a autorização deles, na campanha de Donald Trump e foi repudiado pelos dois.

white_stripes_mlh01701_website_image_sgjv_standard

O disco era o momento ápice da carreira da dupla, conquistando o Grammy de melhor álbum de música alternativa e o mais legal foi que naquele ano de 2003, eles se apresentaram num inesquecível show no Tim Festival, que pude conferir e que levou a plateia ao delírio.

Além disso, o disco ainda originou os hits ‘I just don’t know what to do with myself” (cover de Burt Bacharach em vídeo estrelado por Kate Moss) e ‘The hardest button to button” ( com outro vídeo brilhante de Gondry):

Seu próximo trabalho é lançado em 2005, foi todo gravado em Nashville e é intitulado ‘Get behind me satan”.

white-stripes-get-behind-me-satan-album-cover-art-630x420

Neste álbum ele substitui sua guitarra elétrica por uma acústica e melodias mais rítmicas, com pianos e marimba (tipo de xilofone).

O disco origina mais três singles:

- ‘Blue Orchid”:

- ‘My Doorbell”:

- “The denial twist”:

Neste mesmo ano, eles voltam a se apresentar no Brasil, inclusive numa concorrida apresentação no Teatro Amazonas, registro este lançado no ano passado como “Under amazonian lights”.

v23_lp

Aqui no Brasil, ele ainda casa com a linda modelo ruiva e inglesa, Karen Elson (com a qual teve dois filhos, mas já está divorciado).

Em 2006, numa pausa do White Stripes, Jack se dedica ao projeto The Raconteurs.

Em 2007, o contrato deles com a V2 vence e eles assinam com a gigante Warner, lançando no mesmo ano o novo disco, “Icky Thump’.

icky-thump-vinyl

O álbum alcançou o primeiro lugar na Inglaterra e no segundo lugar da parada da Billboard, mostrando um retorno do duo às suas origens de garage e blues.

Entre os singles do álbum estavam:

‘Icky Thump”:

‘You don’t know what love is (you just do as you’re told)”:

“Rag & bone”:

‘Conquest”:

Apesar de toda a badalação e ótima receptividade, este acaba sendo o último disco de estúdio do duo, que resolve fazer um hiato depois deste: Meg apresentava sinais de ansiedade e Jack se dedica a um novo projeto, o The Dead Weather.

Os dois voltam a se reunir em 2009, no episódio final de Late Night with Conan O’Brien, onde interpretam um de seus antigos sucessos.

white-stripes-the-513ed47374340

No mesmo ano de 2009 é lançado o filme-concerto “Under great White Northern Light” que registra a última turnê que os dois fizeram por várias cidades do Canadá, originando álbum duplo e DVD.

Vários boatos de uma possível volta do duo já foram ventilados, mas um novo trabalho é pouco provável que aconteça.

whitestripes1

A última novidade em relação a eles foi o lançamento da canção inédita, ‘City Lights”, que acabou ficando de fora do disco “Get behind me satan”e que acbou ganhando um novo vídeo de Gondry e está incluso no disco ‘Jack White Acoustic Recordings 1998-2016″:

O White Stripes foi o responsável pelo resgate do velho e bom rock n’ roll, feito com prazer, com paixão, conquistando novas gerações para este gênero imortal de música.

 

   Comentário RSS Pinterest