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DJ Sets – Japa Girl












































































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TODAY’S SOUND: NOVA POR ARTHUR MENDES ROCHA

Rebelde, inovadora, sensual, quebrando paradigmas, falando em feminismo e assuntos polêmicos quando ninguém o fazia: a revista que marcou época de hoje é a britânica Nova. nova-covers A Nova foi publicada de 1965 a 1975, justamente quando o mundo enfrentava mudanças radicais com um maior engajamento político e a luta pela liberação das mulheres, que buscavam uma posição de maior reconhecimento numa sociedade machista. O feminismo estava começando a ter cada vez mais adeptas, além das manifestações estudantis, luta pelos direitos civis, o mundo estava em ebulição. nova-covers3 A Nova chegava bem neste momento de mudanças, já começando pelas capas e o design gráfico, muito mais vanguarda que as publicações femininas da época. A revista foi lançada bem no auge Swinging London dos anos 60, uma fase que mudou a Inglaterra, optando por tratar de assuntos mais polêmicos, tendo assim revolucionado a maneira com que as revistas femininas eram oferecidas no mercado.

Logo da Nova.

Logo da Nova.

A revista foi fundada por Harry Fieldhouse, sendo que a primeira editora de moda foi Molly Parkin, que havia feito acessórios para a famosa loja Biba (a icônica loja de Barbara Hulanicki), trabalhado com Mary Quant (a inventora da minissaia) e tido sua própria loja em Chelsea. Parkin ficou na revista até 1967, tendo passado a posição para sua então secretária, Caroline Baker.

Foto de Harri Peccinotti para Nova.

Foto de Harri Peccinotti para Nova.

Baker foi das primeiras stylistys, quando o termo ainda nem existia, trabalhando com fotógrafos como Helmut Newton (e suas fotos inusitadas e com elementos fetichistas, colaborador de Vogue, Stern e muitas outras), Hans Feurer (o suíço que arrasava nas cores, colaborou muito com a Vogue), Terence Donovan (um dos fotógrafos da swinging London), Sarah Moon (fotógrafa conhecida por suas imagens etéreas e que trabalhou com a Biba, entre outras marcas famosas), Byron Newman (que também trabalhou para as revistas Cream e Deluxe), Bryan Duffy (outro fotógrafo conhecido da Swinging London e que fez a capa de ‘Alladinsane” de Bowie), Peter Knapp (que fez algumas das famosas capas do Roxy Music), entre outros.

Foto de editorial para a Nova clicado por Helmut Newton.

Foto de editorial para a Nova clicado por Helmut Newton.

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Foto de Helmut Newton para Nova.

Relembrando seus tempos na Nova, Baker declarou que a revista não se guiava pelas coleções de moda de Paris e sim pelo que acontecia nas ruas, com roupas mais condizentes com sua posição social, da classe trabalhadora e que fugisse aos saltos e batons que figuravam nas demais revistas de moda.

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Editorial “Mr Freedom” (inspirado pelo filme de William Klein), clicado por Hans Feurer.

Ela se dizia mais influenciada por Che Guevara, hippies, as namoradas dos pop stars, filmes e vestimentas étnicas do Marrocos, Japão e África.

Editorial da Nova utilizando roupas militares para mulheres (quando ninguém pensava nisto) e cigarrinho suspeito.

Editorial da Nova utilizando roupas militares para mulheres (quando ninguém pensava nisto) e inspiração a Che Guevara.

Segundo ela, seu então editor, Dennis Hackett, lhe disse: ‘Eu quero que você saia lá fora e faça coisas diferentes. Eu não quero parecer como a Vogue, a Queen (a Harper’s & Queen) ou qualquer outra. Suas páginas de moda devem ser diferentes”.

Editorial da Nova clicado por Harri Peccinotti.

Editorial da Nova clicado por Harri Paccinotti.

Entre as inovações na moda que a Nova aderiu em suas páginas estavam: uso de roupas verde-militar, mulheres usando roupas masculinas, usando leggings, roupas do lado contrário e muito mais. E foi nisto que a Nova se sobressaiu, dando uma nova roupagem às revistas femininas, sendo rebelde, feminista, sem medo de ousar. Alguns dos colaboradores da revista incluíam: Susan Sontag (a célebre escritora americana, defensora dos direitos humanos e casada com a fotógrafa Annie Leibowitz), Graham Greene (o escritor de livros como “The Third Man”), Christopher Booker (um dos fundadores da revista Private Eye), Germaine Greer (uma das feministas mais importantes do séc. XX), Lynda Lee-Potter (colunista do jornal inglês Daily Mail) e muitos outros.

Editorial inusitado da Nova clicado por Barry

Editorial inusitado da Nova clicado por Byron Newman.

A Nova procurava os escritores mais interessantes, polêmicos, brilhantes e desbocados para redigirem suas matérias que incluíam assuntos tabus na época como pedofilia, aborto, homossexualismo, lesbianismo, entre outros. A direção de arte ficava a cargo de Harri Peccinotti (que fez os calendários Pirelli de 1968 e 69) no começo e depois por David Birdsal. nova-covers-4 David Hillman assumiu o cargo em 1968 e com seu design minimalista, tipografia arrojada,  muita utilização de espaços em branco, inovaram a diagramação das revistas na época.

A direção de arte de Hillman era um dos destaques da Nova.

A direção de arte de Hillman era um dos destaques da Nova.

Peccinotti também era fotógrafo da revista e responsável por vários das capas e editoriais; ele foi dos primeiros a utilizar modelos negras em suas fotos, de capturar a sexualidade do dia a dia e colocá-la nas páginas da revista.  Ele declarou que a Nova foi feita para uma mulher mais inteligente, que não desejava ser apenas dona de casa, cozinhar ou costurar; a mulher de Nova gostava de política, sexo, saúde, oportunidades de trabalho e mais.

Algumas das capas clicadas por Peccinotti.

Algumas das capas clicadas por Peccinotti.

Porém, com a chegada dos anos 70, a recessão e aumento nos custos do papel, a revista foi perdendo anunciantes (bem como encolhendo de tamanho) e diminuindo a circulação. Além disso, a competição foi ficando acirrada com títulos femininos que surgiam como Elle, Cosmopolitan, Marie Claire, entre outras e os anunciantes migraram para estas.

Foto de Hans Feurer para a Nova.

Foto de Hans Feurer para a Nova.

Outro fator constatado foi de que, apesar de ser dirigida ao público feminino, ela acabava sendo mais consumida pelos homens. Assim, a Nova fechou suas portas em 1975, deixando uma lacuna no mercado editorial para sempre. Em 1994, foi lançado o livro “Nova , 1965 – 1975”com muitas fotos das capas e dos icônicos editoriais da revista e que ainda está disponível na Amazon.

Capa do livro sobre a Nova.

Capa do livro sobre a Nova.

A revista voltou numa nova versão em 2000, com novo logo, tendo durado apenas seis exemplares e sendo que um deles teve capa da então iniciante modelo Gisele Bündchen. Eu cheguei a comprar na época, mas não possuía um mínimo do charme e modernidade dos antigos exemplares. nova-gisele A influência da Nova foi fundamental para tudo o que se fez em termos editoriais desde então, sejam em revistas femininas ou masculinas; nunca haverá uma revista tão a frente de seu tempo quanto a Nova.

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TODAY’S SOUND: SIMON & GARFUNKEL POR ARTHUR MENDES ROCHA

A dupla de hoje foi das mais famosas nos anos 60, no início da predominância do folk nas paradas de música pop americanas; eles são Simon & Garfunkel.

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Paul Simon e Art Garfunkel se conheceram na escola, aos onze anos, onde Simon (por sua baixa estatura) sofria bullying dos colegas e Garfunkel saía em sua defesa.

Unidos pela mesma paixão pela música, e sob a influência de grupos pop da época como o Everly Brothers, os dois resolvem formar a dupla Tom & Jerry, quando eram adolescentes e gravam a canção “Hey Schoolgirl”, que chega ao top 50 da parada americana em 1957:

Porém, as tentativas seguintes da dupla não dão muito certo e os dois desistem da dupla Tom & Jerry.

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Alguns anos mais tarde, Simon continuava envolvido com a música, trabalhando para a E.B. Marks, uma editora musical.

Ele volta a se reunir com o amigo Grafunkel e formam a dupla Simon & Garfunkel, conseguindo uma audição com a Columbia Records e chamando a atenção de Tom Wilson, produtor e especialista de jazz, já tendo trabalhado com Miles Davis e Bob Dylan, entre outros.

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O que se destacava na dupla era a poesia das canções de Simon e a voz de tenor de Garfunkel e assim eles lançam seu primeiro álbum, em 1964, “Wednesday Morning 3 A.M.”.

A moda na época era o folk de artistas como Bob Dylan e o álbum seguia este caminho, mas faltava algo mais para cair nas graças do grande público.

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Um das canções presentes neste primeiro disco era “The Sound of Silence”, um lindo folk, suave, apenas com as harmonias vocais dos dois e pouca instrumentalização além de um violão acústico:

Graças à sagacidade do produtor Wilson, que viu mais futuro na canção; ele, sem a permissão da dupla, acrescenta mais instrumentos como baixo, guitarra elétrica e bateria, dando à canção uma nova vida e relançando-a em single.

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O sucesso da nova roupagem da música foi instantâneo, transformando-a num clássico do folk-rock e lançando a dupla para o estrelato, atingindo o primeiro lugar em 1966. Abaixo a versão mais encorpada:

Os dois estavam prontos para lançar um novo álbum, com letras mais consistentes de Simon e para um público mais abrangente e não somente jovem, utilizando o mesmo nome da canção que os fez ressurgir, o disco “Sounds of Silence”.

O álbum também incluía novos hits como ‘I am a rock” e ‘Richard Cory”:

Aproveitando o destaque que a dupla vinha alcançando, a gravadora resolve lançar outro álbum em outubro de 1966, “Parsley, Sage, Rosemary and Thyme”, num momento bastante conturbado, com movimento hippie, manifestações de direitos civis e outros acontecimentos sócio-políticos que sacudiram a América.

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Era o primeiro álbum onde eles tiveram controle total, desde a engenharia do som até a mixagem, já abrindo com a tocante “Scarborough Fair”, uma de suas canções mais inspiradas e baseada numa canção medieval (aqui no Concerto do Central Park):

Outra canção de destaque do disco era ‘Homeward Bound”,  aqui numa versão no Festival de Monterey, apresentados por John Phillips (do The Mamas & Papas):

O ano de 1967 foi fundamental para a dupla, já que várias de suas canções são incluídas no filme “The Graduate” (A primeira noite de um homem), o clássico de Mike Nichols que fez de Dustin Hoffman um astro e de Anne Bancroft, a eterna Mrs. Robinson; ganhando uma música especialmente para ela (aqui num vídeo com cenas do filme):

A trilha também incluía outras canções da dupla como“The Sound of Silence”, ‘Scarborough Fair”, ‘April come she will”, entre outras e foi um sucesso arrebatador, vencendo o Grammy de melhor trilha.

Mesmo com a música pop tendendo para um lado mais lisérgico, as canções de Simon & Garfunkel não sofreram alteração radical e sim uma evolução de consistência e maturidade que culminou com o álbum “Bookends”, com a icônica capa em P&B (que inspirou o primeiro disco da dupla Kruder & Dorfmeister).

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O álbum alcança o primeiro lugar na parada americana e inglesa com canções como ‘America”, a canção que fala de um casal que viaja pela América e que acaba sendo uma metáfora de uma país que enfrentava o assassinato de Martin Luther King, Robert Kennedy e a Guerra do Vietnã:

Outra canção de destaque do álbum era “A Hazy shade of winter”:

Porém, com o final da década de 60 se aproximando, a dupla vai enfraquecendo sua parceria, com Simon se sentindo limitado numa parceria que se estendia por mais de uma década , além de Garfunkel estar tentando uma carreira no cinema (ele estreia em ‘Catch 22” em 1970).

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Seu próximo disco, e último oficial de estúdio como dupla, em 1970, é um de seus maiores êxitos: “Bridge over troubled water”, capitaneado pela música título, um hit mundial absoluto.

Além dessa, o disco ainda gerou mais três músicas de sucesso:

- ‘The Boxer”:

- ‘Cecilia”:

E ‘The Condor Pasa/If I could”:

Além disso, o álbum conquista quatro Grammys, incluindo melhor álbum do ano.

Porém, as desavenças entre os dois tornam-se insustentáveis, inclusive algumas canções de ‘Bridge over troubled water” foram gravadas separadamente e alguns dias após o lançamento do disco, os dois se separam.

Foi um choque para os fãs de todo mundo, com Simon se lançando em carreira solo e Garfunkel indo para Connecticut lecionar matemática, no auge da fama.

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Garfunkel continuaria sua carreira de ator no filme “Carnal Knowledge” em 1971 (ao lado de Jack Nicholson e Ann Margret), enquanto Paul Simon lançaria seu primeiro disco solo em 1972, já flertando com a world music.

Os dois voltam a se reunir em 1975, com a canção “My little town”, que atinge o top 10 da parada americana.

Turminha boa reunida no Grammy (da esq. p dir.): Bowie, Garfunkel, Simon, Yoko e John Lennon.

Turminha boa reunida no Grammy (da esq. p dir.): Bowie, Garfunkel, Simon, Yoko e John Lennon.

Depois, eles só voltariam a se reunir em 1981, com um mega concerto no Central Park que atraiu mais de 500 mil fãs e que originou o álbum duplo ao vivo “The Concert in Central Park”.

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Depois de várias tentativas de reunião dos dois, eles voltam a se reunir quando recebem o Grammy Lifetime Achievement Award, em 2003.

No ano seguinte, eles fazem uma lucrativa turnê e mais um disco ao vivo, o “Old friends live on stage”, que culminou com um show no Coliseu, em Roma.

Em 2009, Simon faz uma apresentação no Beacon Theatre, em NY, e Garfunkel faz aparição surpresa, interpretando algumas antigas canções deles. Mais apresentações se repetiram no mesmo ano, incluindo um show no 25º aniversário do Rock & Roll hall of fame.

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Porém, em 2010, Garfunkel  sofreu de uma paresia (perda de movimento) nas cordas vocais e acabou cancelando uma provável nova turnê com o antigo colega.

Reclamando da falta de apoio de Simon, que segue em sua carreira solo, uma provável reunião dos dois é algo improvável, ainda mais depois das declarações de Garfunkel de que ele havia criado um monstro (Simon).

Ficam as memórias de músicas inspiradas que os dois fizeram enquanto dupla e que até hoje continuam sendo admiradas e escutadas por quem aprecia música pop de qualidade.

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TODAY’S SOUND: CARPENTERS POR ARTHUR MENDES ROCHA

A dupla de hoje é um duo pop que vendeu nada menos que cem milhões de cópias de seus discos, eles são os irmãos ‘Carpenters’.

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O Carpenters (os carpinteiros em tradução livre) era formado por Richard e Karen Carpenter e desde pequenos eles já tinham contato com a música, pois seu pai era admirador de vários grupos pops e Richard já começa a tocar piano com oito anos de idade, enquanto Karen só manifesta desejo de seguir a carreira musical na sua adolescência.

Aos quinze anos, Richard estudava piano em Yale e participava de um trio que se apresentava na cidade de New Haven, em Connecticut (sua cidade natal).

Por volta de 1963, a família se muda para a Califórnia e na universidade, Richard é convidado a participar de uma banda colegial.

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Enquanto isso, Karen treinava a tocar bateria e ensaiava em casa, já pensando na ideia de formar sua própria banda.

Aos quinze anos, ela e o irmão formam o Carpenter Trio, com mais um colega de Richard, Wes Jacobs, e seu repertório era basicamente de jazz.

A voz de Karen, um de seus maiores talentos, começava a se desenvolver e mesmo a banda sendo mais instrumental, ela experimenta cantar em algumas canções.

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Eles acabam participando de uma audição para o selo Magic Lamp, que procurava novos talentos, e assinam com eles, lançando dois singles como Karen Carpenter. Um deles era ‘Looking for Love”:

Porém o selo não tinha uma boa distribuição e acaba não dando certo.

O Richard Carpenter Trio consegue uma boa posição no concurso “The Battle of Bands”, no Hollywood Bowl, em 1966, com musicas como a versão jazzística de “The Girl from Ipanema”, com a qual eles vencem o concurso:

Agora o trio começa a ser procurado por outras gravadoras que se interessam em lançar discos deles, como a RCA, com quem eles assinam e gravam onze faixas, incluindo “Flat Baroque”:

Porém a gravadora não vê muito futuro numa banda de jazz, já que o que estava pegando na época era o rock psicodélico e os dispensa.

Os dois irmãos se unem a outros colaboradores e lançam um novo grupo, o Spectrum. Mesmo abrindo alguns shows em lugares como o Whisky A-Go-Go, o grupo tem pouca duração e os Carpenters voltam a ficar sozinhos.

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Neste período, Karen já enfrentava problemas de peso, se considerando acima do peso normal e se submetendo a dietas rigorosas.

Seu amigo Joe Osborn os convida novamente para gravar no estúdio e eles gravam três novas músicas, em 1968, entre elas “Don’t be afraid”:

O som básico deles estava ali, mas faltava mais destaque para o vocal de Karen, que ainda se considerava uma baterista que sabia cantar.

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Assim, os dois resolvem pelo nome Carpenters (sem o The), para soarem como os grupos da época.

Mas ainda faltava o interesse de uma grande gravadora, o que veio acontecer em 1969, quando eles assinam com a A&M, pertencente ao músico Herb Alpert, que fica impressionado principalmente pelos vocais de Karen (na época com apenas dezenove anos).

Os Carpenters com Herb alpert (primeiro da dir. p a esq.).

Os Carpenters com Herb alpert (primeiro da dir. p a esq.).

Em novembro daquele ano, eles lançam seu primeiro álbum, ‘Offering”, que tem presença tímida nas paradas e continha uma cover de ‘Ticket to Ride”, dos Beatles:

 

Burt Bacharach, também contratado da A&M, se interessa que eles o acompanhem numa turnê, bem como gravem uma de suas composições, ‘(They long to be) Close to you”, alcançando o primeiro lugar da parada americana em 1970:

A canção foi incluída no álbum “Close to you”, que além de lhes dar dois Grammys, ainda origina outro hit, “We’ve only just begun”:

A música foi composta por Paul Williams (de ‘O Fantasma do Paraíso”) e Roger Nichols e acabou se tornando a música mais tocada nos casamentos da época.

Em 1971, eles lançam outro single de sucesso: “Rainy days and Mondays”, também de Nichols e Williams:

Seu próximo single  é “Superstar”, uma de suas canções mais emblemáticas. Aqui eles interpretam a canção no programa da então popular comediante Carol Burnett:

As canções estavam incluídas no seu álbum “Carpenters”, lançado em 1971, e que ainda continha ‘For all we know”:

O disco lhes dá mais um Grammy de melhor duo pop daquele ano.

Os Carpenters com seus Grammys.

Os Carpenters com seus Grammys.

Os Carpenters eram curtidos por uma geração mais adulta, seu pop era jovem, mas não era rock n’ roll; eles atraíam a chamada geração “baby boomer” (que estavam sendo pais na época), mas queriam fazer um pop contemporâneo.

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Em 1972, eles lançam mais um hit com ‘Hurting each other”, que alcança o segundo lugar da parada americana:

E no mesmo ano, outro hit com ‘Goodbye to love”, que também atinge o top 10 inglês:

Ambas as canções faziam parte do quarto disco da dupla, ‘A Song for you”, lançado em 1972.

O estilo de Karen começa a ser copiado pelas meninas mais certinhas da época, com muito vestido longo, mangas bufantes, detalhes em lastex ou crochê, cabelos compridos com franja e enchimento (dando impressão de coque).

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Em 1973, eles já iniciam o ano com outro mega hit, “Sing”, que vende mais de um milhão de cópias:

E logo em seguida, mais um hit com “Yesterday once more”, que além de fazer sucesso nos EUA, lhes dá a melhor colocação na parada inglesa, atingindo o segundo lugar. Abaixo, eles interpretam a música e mais ‘Top of the world” (outro sucesso do mesmo ano):

Depois de lançarem coletânea de sucessos, fazer apresentações na Casa Branca e no Japão, o duo volta em 1975 com uma releitura de um antigo hit das Marvelettes de 1961, “Please Mr. Postman”, outro mega sucesso que chega ao topo das paradas. O single foi o mais vendido deles e o clipe foi gravado na Disneyland:

No mesmo ano, eles lançam outra música que virou símbolo dos Carpenters: “Only Yesterday”:

Ambas estavam incluídas no álbum “Horizon”, mais um álbum que conquista o público de todo o mundo.

Porém, foi nesta época que Karen começa a sofrer de anorexia nervosa, algo que seu irmão não havia percebido no começo, mas que ela já ficava paranoica com sua aparência em especiais de TV e como resultado de exercícios, em que ela parecia mais cheinha que o normal.

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Além disso, a dupla estava sobrecarregada com turnês gigantescas que acabaram por esgotá-los.

Em 1976, eles emplacam mais um hit com “There’s a Kind of Hush”, uma regravação de um antigo sucesso dos Herman’s Hermits, que deu nome a um novo álbum da banda:

Neste período, eles também gravam vários especiais para a Rede ABC, bem como viajam em turnê pela Europa.

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Em 1977, eles lançam uma faixa que remete a uma sonoridade mais moderna com ‘Calling ocuppants of interplanetary craft”:

Nesta época, Richard começa a abusar do Quaalude (a pílula usada para se jogar nas discos da época) que ele utiliza como sonífero, mas não sabia dos efeitos colaterais e acaba ficando dependente.

No final dos anos 70, os hits começam a diminuir, eles lançam novos álbuns e disco de Natal, até que Richard entra para um rehab em 1979.

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Enquanto isso, Karen partia para um projeto solo, com produção de Phil Ramone (produtor de Bob Dylan, Ray Charles, Aretha Franklin, entre outros), mas suas condições físicas estavam precárias com sua constante perda de peso e idas ao hospital.

Karen engaveta o projeto quando decide voltar a gravar novamente com Richard no disco “Made in America”, de 1981.

O álbum vende bem, mas não alcança o sucesso dos anteriores.

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Logo em seguida, Karen continua sua luta contra a anorexia nervosa, frequentando terapias, médicos e não conseguindo engordar o necessário.

Até que em 1983, ela é encontrada inconsciente na casa de seus pais e levada ao hospital, sendo proclamada morta após um ataque do coração, resultado de sua dura batalha contra a anorexia.

A aparência de Karen   a se notar nas fotos onde ela aparecia bem mais magra.

A aparência de Karen a se notar nas fotos onde ela aparecia bem mais magra.

Foi um verdadeiro choque para todos os fãs e admiradores de sua carreira, pois ela tinha apenas 32 anos.

Em 1987, o então iniciante cineasta, Todd Haynes (de “Carol”, “Velvet Goldmine”) fez um curta baseado na vida de Karen e intitulado “Superstar: The Karen Carpenter Story”, onde ele conta a vida dela e de seu irmão, utilizando apenas bonecas Barbie. O filme acabou sendo proibido por Richard, por utilizar canções não autorizadas dos Carpenters e pela temática polêmica em retratar a doença da irmã. Mas ele está disponível no youtube:

O álbum solo de Karen só foi lançado em 1996.

Até hoje, eles são admirados pelo seu pop sofisticado, tendo sido homenageados com novas versões de suas canções, como na coletânea “If I were a Carpenter”, lançada em 1998, com a participação de artistas como Sonic Youth, Shonen Knife, Cranberries, Babes in Toyland, e mais.

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TODAY’S SOUND: SONNY & CHER POR ARTHUR MENDES ROCHA

Nos próximos posts falaremos de duplas famosas do pop, rock, etetrônica e outros.

Hoje começamos por uma das mais famosas de todos os tempos e que bombaram principalmente nos anos 60 e 70; eles são Sonny & Cher.

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A dupla se conheceu quando Cher era uma garota de dezesseis anos, ainda cursando o ginásio e sem saber direito o que queria da vida, mas uma coisa ela sabia: ela queria ser famosa.

Seus nomes verdadeiros eram Cherilyn Sarkisian e Salvatore Bono e ela via nele um mentor, uma figura paterna (o pai dela abandonara a família), já que a diferença de idade deles era grande, pois Sonny já tinha 27 anos quando se conheceram.

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Sonny trabalhava no estúdio Gold Star, em Hollywood, cujo proprietário era Phil Spector, o icônico produtor de inúmeros artistas, incluindo Beatles, Ramones, Ike & Tina Turner e mais.

Sonny aprendeu muito no estúdio de Spector, já que era uma espécie de faz-tudo de lá e assim sabia compor, fazer arranjos e produzir suas próprias canções.

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Cher, ainda uma desconhecida, acompanhava Sonny ao estúdio diversas vezes, até que em certa ocasião, Darlene Love (uma das vozes mais famosas da época) não compareceu em uma sessão e Sonny disse a Spector que Cher sabia cantar e ela substituiu Love como backing vocal.

Os vocais de Cher agradaram a Spector e ela acaba participando dos vocais de hits como “Be my baby” (das Ronettes), “You’ve lost that loving feeling” (dos Righteous Brothers), entre outros.

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Mas os dois queriam mais que isso; almejavam ser uma dupla de sucesso e não ficar ‘escondidos” atrás de outros artistas. Assim, eles resolvem formar uma dupla, sendo que o primeiro nome que pensaram foi Caesar and Cleo, tendo lançado singles como “Love is Strange”:

Nesta época, depois de melhores amigos e amantes, eles se tornam marido e mulher.

Porém, a dupla não consegue emplacar nenhum hit, até que finalmente mudam o nome para Sonny & Cher, lançando em 1964 o single “Baby don’t go” pela Reprise Records:

A música foi gravada no peito e na raça pelos dois, já que possuíam poucos recursos para pagar estúdio, tiveram que pedir dinheiro emprestado, conseguiram músicos que tocaram de graça (como Leon Russell e Barney Kessel), enfim, batalharam para ver a música gravada.

Logo que a canção foi lançada, ela não foi um sucesso imediato, apenas em Los Angeles e na costa oeste americana; foi graças ao estouro do hit seguinte, que ela foi relançada e aí sim foi para o topo das paradas.

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Seu próximo lançamento acaba sendo a canção que os colocou no mapa do pop e que virou um hit mundial, “I got you babe”.Um detalhe interessante foi que a música estourou primeiro na Inglaterra, para onde o casal se dirigiu em 1965, e lá foram logo notados, se apresentando no Top of the Pops:

Na volta aos EUA, eles já estavam sendo esperados por uma multidão de fãs no aeroporto.

Seu primeiro álbum foi lançado no mesmo ano e intitulado ‘Look at us”, alcançando o segundo lugar na parada de álbuns mais vendidos da Billboard, com a marca de mais de oito milhões de discos vendidos no mundo.

Outro destaque do álbum era “Then he kissed me”:

Além de participar dos programas de TV mais badalados da época, eles até apareceram no filme “Wild on the beach”, onde eles interpretam ‘It’s gonna rain’:

No ano de 1965, eles chegaram a ter cinco músicas no top 20, recorde este quebrado apenas por Elvis Presley.

A dupla já chamava a atenção pelo seu visual arrojado, sempre altamente produzidos, vestindo roupas coloridas, coletes de pelo, ternos no estilo mod; Cher arrasando com seus cabelos compridos negros, magra e alta, com maquiagem com muito delineador nos olhos. 

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Seu álbum seguinte foi lançado em 1966, ‘The Wondrous world of Sonny & Cher’, cujo primeiro single foi “But you’re mine”:

Outra música que fez sucesso do disco foi ‘What now my love”, aqui num vídeo para o programa Beat Club:

Os dois saem em turnê mundial com o disco e lotam teatros e arenas por onde passam, levando às multidões a loucura.

Esta canção era uma versão de uma música francesa de Gilbert Bécaud e a durante sua carreira, a dupla gravou várias versões de sucessos como “Summertime’ (dos irmãos Gershwin), “Unchained Melody” (hit pelos Righteous Brothers), “You’ve really got a hold on me” (de Smokey Robinson), entre outros.

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Além disso, Cher também gravava discos solo, tendo sucessos como ‘Alfie” (de Burt Bacharach) e principalmente‘Bang Bang (My baby shot me down), que ficou famosa na voz de Nancy Sinatra (e voltou a ser hit ao ser incluída na trilha de ‘Kill Bill vol. 1” por Tarantino em 2003). Mas a versão original da música é de Cher, escrita e produzida para ela por Sonny Bono e incluída no álbum ‘The Sonny side of Cher’ (o primeiro disco solo dela), de 1966:

Em 1967, a dupla lança um novo álbum, ‘In case you’re in love”, que origina mais dois hits:, ambos compostos por Sonny:

“The Beat goes on”, que alcança o sexto lugar da Billboard:

E “Little man”, que alcança sucesso principalmente na Europa, onde se apresentam na TV francesa:

No ano seguinte, Sony & Cher estrelam um ambicioso projeto: o filme ‘Good Times”, sob a direção de William Friedkin (que esteve recentemente na Mostra de SP e dirigiu “O Exorcista” e ‘Cruising”, entre outros) e co-estrelando George Sanders (premiado por ‘A Malvada”).

Porém o filme acaba sendo um grande fracasso de público e crítica e a dupla demora a se refazer deste baque em sua carreira.

Foto promocional de Sonny & Cher para o filme "Good Times".

Foto promocional de Sonny & Cher para o filme “Good Times”.

Além disso, a dupla se posicionava contra as drogas, o que levou a juventude da época a os considerarem caretas e ultrapassados, bem como sua música, já que o que estava na moda era o rock psicodélico. Assim, sua música vai perdendo força e os jovens acham que esta agradava mais a seus pais do que a eles próprios.

Em 1969, Cher faz uma nova tentativa cinematográfica para reconsquistar o público jovem com o filme ‘Chastity”, porém o filme acaba sendo mais um fracasso. A película foi escrita e produzida por Sonny, mas eles não conseguem se reconectar com os jovens.

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O título do filme acaba sendo o nome da filha deles, nascida naquele ano e que hoje em dia é transexual e atende pelo nome de Chaz Bono.

A carreira dos dois estava no fundo do poço, assim eles partem para fazer pequenos shows em diversas cidades como Las Vegas, onde misturavam números humorísticos e musicais e aos poucos vão conquistando uma nova audiência, mais velha e adulta.

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Para a sorte deles, os caçadores de talentos da TV gostam de suas apresentações e os convidam para estrelar o seu próprio programa.

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Sonny & Cher com sua filha Chastity (hoje Chaz).

Assim, em 1970, Sonny & Cher estrelam o especial “The Nitty Gritty Hour”, que acaba sendo um sucesso de público e crítica e uma mistura certa de humor e música. Abaixo, a abertura do programa onde eles cantam “You’ve only just begun” (sucesso na voz dos Carpenters):

Em 1971, eles são convidados para estrelarem o programa semanal ‘The Sonny & Cher Comedy Hour”, pela rede CBS. Abaixo eles abrem o programa cantando ‘Proud Mary’:

O programa dura quatro temporadas, além de receber diversos convidados que incluem Muhammad Ali (o célebre lutador de boxe que faleceu este ano), Chuck Berry, Paul Anka, Truman Capote, Hugh Hefner, Tony Curtis e muitos outros.

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Além disso, o programa revigorou a carreira dos dois e eles lançaram mais um disco juntos, “All I ever need is you”, cuja canção título, no estilo country, alcançou o top 10:

Um detalhe interessante é que foi nestes programas de TV que Cher passou a ser vestida pelo estilista Bob Mackie, famoso por seus vestidos glamourosos e cheios de brilho, perfeito para o show-business americano. Mackie caprichava e em cada apresentação Cher está sempre impecável e cheia de estilo, explorando bem seu tipo exótico e de traços indígenas.

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Cher com seu look apache por Bob Mackie.

Ela acaba vencendo o Globo de Ouro pelo programa em 1974.

No mesmo ano, os dois lançam mais um álbum, “Mama was a rock and roll singer, Papa used to write all her songs”, com apenas a canção título composta por Sonny e o restante com versões cover de sucessos como “It never rains in southern California”:

Porém uma bomba acontece na terceira temporada do programa: Cher e Sonny se divorciam, para a surpresa geral da nação, que vivia um período complicado em 1975, ano do escândalo de Watergate que causou o afastamento do presidente Nixon do poder.

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Assim, o programa termina e os dois acabam tendo cada um o seu próprio show: ele com o “The Sonny Comedy Revue” e ela com o ‘The Cher Show”. O dele acaba sendo cancelado depois de seis semanas e o dela é um hit.

Os dois voltam a se reunir em 1976, para a volta de “The Sonny and Cher Show’, mas o programa não obtém o mesmo sucesso do anterior, e termina em 1977.

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Com isso, a dupla parte cada um para seu lado e para novos projetos: ele se volta para a política e ela para uma carreira musical de sucesso, lançando inúmeros discos, ganhando Grammys e fazendo shows mundo a fora.

Além disso, Cher se torna uma excelente atriz de cinema, vencendo o Oscar (por ‘Moonstruck’) e até a Palma de Ouro em Cannes (pelo filme ‘Mask”).

Sonny & Cher At The Oscars

Sonny vem a falecer em 1998, vítima de um acidente de ski e Cher lhe presta uma linda homenagem em seu velório e fica bastante abalada pela morte dele.

The Sonny & Cher Comedy Hour

No mesmo ano, a dupla recebe a sua estrela na calçada da fama em Hollywood, evento no qual Cher vai acompanhada da esposa de Sonny, Mary Bono.

 

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TODAY’S SOUND: MILES AHEAD POR ARTHUR MENDES ROCHA

Encerrando os posts de docs e filmes musicais, hoje falaremos de “Miles Ahead”, o filme de e com Don Cheadle, no qual ele nos conta um interessante episódio na vida de Miles Davis, com direito a liberdades no roteiro e concepção das personagens.

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Não podemos denominar o filme como uma cinebiografia, pois ele não é um filme linear, que respeita datas e afins; ele nos mostra um período na vida do jazzista no qual ele ficou afastado das gravações e apresentações, como um período de descanso, de afastamento da música e de sua criação.

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Há várias cenas de flashbacks, especialmente do envolvimento de Davis com uma de suas mulheres, a dançarina Frances Taylor.

Don Cheadle e Emayatzy Corinealdi.

Don Cheadle (Miles) e Emayatzy Corinealdi (Frances) no Festival de Berlim deste ano.

Miles é vivido brilhantemente por Don Cheadle, numa performance que pode lhe render uma indicação ao Oscar, já que ele incorporou totalmente o jazzista, além de treinar as suas músicas e respirar Miles Davis o tempo inteiro, bem como ficar responsável pela direção do longa.

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Até as ordens que Cheadle dava aos atores e técnicos era na mesma voz que ele fazia Miles.

Cheadle se envolveu em cada processo do filme, deste a concepção do roteiro (ele co-escreveu o filme com Steven Bailgeman), a trilha sonora, o financiamento apara conseguir levar o filme às telas, apelando para o crowdfunding, bem como a ajuda de amigos.

No final dos anos 70, Miles Davis vivia um período de recesso em sua carreira, de 1975 a 1980, os chamados ‘silent years” (anos silenciosos), agravado por uso de drogas e medicamentos e ele simplesmente sentia que não tinha nada a dizer pela música, ele não tinha vontade de tocar.

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O verdadeiro Miles Davis nos anos 70.

O filme usa esta “parada” na carreira pera nos contar um Miles que vivia um período dark, tendo pesadelos de seu passado com a ex-mulher Taylor (interpretada pela atriz Emayatzy Corinealdi), além de ter realizado uma gravação a qual ele ainda não havia lançado e há pessoas interessadas em se apossar destas gravações.

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A atriz Emayatzy Corinealdi vive a ex-esposa de Miles, Frances Taylor.

Verdade ou não, o filme mistura várias pequenas histórias, períodos da vida de Miles e é um entretenimento, não uma biografia certinha e documental.

Como o próprio Cheadle declarou, isto não é uma cinebiografia e sim uma peça de música, uma composição, assim ele teve mais liberdade para contar esta história.

Cheadle e seus colegas de elenco Emayatzy Corinealdi e Keith Stansfield.

Cheadle e seus colegas de elenco Emayatzy Corinealdi e Keith Stansfield.

 

Uma figura fictícia tem uma importante participação no filme, o jornalista Dave Braden, da revista Rolling Stone, interpretado por Ewan McGregor (“Trainspotting”, “Moulin Rouge”), que invade o retiro de Miles para escrever uma matéria sobre ele e acaba participando das aventuras com o jazzista para recuperar suas gravações roubadas.

Cheadle e McGregor numa cena do filme.

Cheadle e McGregor numa cena do filme.

A participação de McGregor foi um dos motivos para que o filme conseguisse financiamento, já que o ator é bastante conhecido mundialmente, além de haver a necessidade de um ator branco para dividir os papéis principais (coisas do cinema comercial americano).

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Aliás, o filme tem várias cenas de ação como perseguições, brigas em lutas de boxe, prisões, enfim, são fatos que ocorreram na vida de Miles e que se tornaram elementos utilizados por Cheadle para fazer um filme divertido.

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No filme, Miles vive recluso em seu apartamento em NY e avesso às badalações; ele vive a base de remédios (devido à dores causadas nos seus quadris) e estava viciado em cocaína.

O próprio figurino de Miles foi todo estudado conforme o que ele utilizava na época, na fase em que seus cabelos eram mais compridos e encaracolados, usava muitas roupas coloridas e extravagantes com muitas camisas de seda, brocados, rendas, estampa python (foto), além dos óculos escuros bem chamativos e que viraram sua marca registrada no final dos 70.

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O estilo extravagante de Miles Davis.

O estilo extravagante de Miles Davis.

Cheadle aprendeu a tocar trompete há quatro anos e todos seus números musicais foram feitos em cima das músicas e com ele interpretando cada uma delas e depois foram sincronizadas com as músicas verdadeiras de Miles, para se ter uma ideia do perfeccionismo do ator/diretor.

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O romance entre Miles e sua então esposa se passa nos flashbacks e mantém toda a reconstituição daquele período, que cobre final dos anos 50 e início dos 60, sendo que ela foi sua musa inspiradora e modelo na capa de seus discos como “Someday my prince will come”.

A verdadeira Frances Taylor na capa de "Someday my prince will come".

A verdadeira Frances Taylor na capa de “Someday my prince will come”.

Na trilha sonora, os destaques vão para músicas de alguns discos de Miles como “Agharta” (de 1975), o icônico “Kind of Blue” (de 1959), ‘Bitches Brew” (de 1970), ‘We want Miles” (de 1981), “Porgy and Bess” (de 1959), “Nefertiti” (de 1968), entre outros.

Há uma cena bem divertida, na qual Miles e o jornalista vão pegar cocaína de um traficante e ele está escutando o disco “Sketches of Spain” (de 1960) e o trafi não acredita quando descobre que aquele é o próprio Miles e ainda leva um autógrafo do jazzista.

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A trilha sonora foi altamente elaborada com diferentes composições de diferentes períodos Miles, além de músicas compostas especialmente para o filme por Robert Glasper, jazzista e artista de hip-hop/eletrônica, vencedor de dois Grammys e que tem em Miles uma de suas maiores influências.

O filme já começa com o “Prelude (Part 2)” do disco “Agartha”:

E também “Miles Ahead”, do disco homônimo:

Numa cena no final do filme, há a participação de lendas do jazz que trabalharam com Miles como Herbie Hancock (que iria fazer a trilha originalmente, mas teve de desistir por falta de tempo) e Wynton Marsalis, além da participação especial de jazzistas mais novos como Esperanza Spalding, Gary Clark Jr. e Antonio Sanchez.

Cheadle dirigindo uma das cenas do filme.

Cheadle dirigindo uma das cenas do filme.

Além disso, o filme realmente aconteceu graças à contribuição de seu sobrinho, Vince Wilburn Jr. (filho da irmã de Miles, Dorothy), que além de ter tocado com seu tio, é produtor executivo de “Miles Ahead”.

Vince Wilburn Jr. com seu tio Miles Davis.

Vince Wilburn Jr. com seu tio Miles Davis.

Ele fala que a escolha de Cheadle para viver o tio e dirigir foi feita com a benção de toda a família de Miles, incluindo os filhos, e que ele conviveu com o tio neste período do final dos 70 e declara que o que o tio queria era descansar um pouco, curtir seu boxe, assistir aos jogos na TV e passear por NY.

Michael Stuhlbarg, Emayatzy Corinealdi, Don Cheadle, Keith Stanfield, Ewan McGregor

O elenco do filme reunido no lançamento de “Miles Ahead” em New York.

Inclusive foi o próprio Wilburn que ventilou pela primeira vez que se fizessem um filme sobre seu tio, o ator que deveria interpretá-lo deveria ser Don Cheadle, sendo que o ator nem havia se comprometido com o filme ainda.

O filme estreou no final do ano passado no Festival de NY, foi mostrado este ano no Festival de Berlin e tem sido bem recebido nos circuitos comerciais de EUA e Europa. Sua estreia no Brasil ainda não foi confirmada, por enquanto ele pode ser visto em torrent ou neste link do youtube com legendas em espanhol:

 

 

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TODAY’S SOUND: THE PEOPLE’S HISTORY OF POP POR ARTHUR MENDES ROCHA

A BBC 4 está apresentando uma série muito interessante  para os amantes da música pop intitulada “The People’s history of Pop”.

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A série de programas, com duração de uma hora cada, foi dividida por décadas e com diferentes apresentadores para cada segmento.

O mais legal de tudo é a ideia de contar a história da música pop na Inglaterra através de seus fãs, daqueles que viveram momentos especiais em suas vidas em função da adoração ou admiração a determinado ídolo. Assim, temos os mais diferentes tipos de pessoas, de profissões e origens diversas que possuem uma coisa em comum: o amor por um ídolo pop.

Assim, através das lembranças destas pessoas, da memorabilia que eles guardaram, sejam ingressos de shows, posters, coleções de discos, diários e mais, ficamos conhecendo a história da música pop na Inglaterra.

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A BBC dispõe de imagens absurdas, a cada programa que produzem parece que vemos novas imagens que julgávamos que nem existiam, sendo assim eles sempre nos surpreendem.

O primeiro episódio se chama ‘The birth of the fan: 1955-1965” e nos mostra o início da música pop na Inglaterra, no período do surgimento do rock nas terras inglesas, tudo isto contado por um ícone da época: a modelo e atriz Twiggy, um ícone inglês dos anos 60.

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Assim, Twiggy nos guia por este mundo, quando o rock ainda era um ritmo pouco conhecido, quando a música pop inglesa era careta e sem graça, uma música mais para os pais do que para os filhos, que não se identificavam com aquele som.

Um dos primeiros ídolos ingleses do rock foi Lonnie Donegan, que trouxe para o pop uma levada mais rock n’ roll, que fazia os jovens dançarem a uma música que era mais a cara deles, com hits como “Rock Island Line”:

Outro gênero que começa a ficar popular no fim da década de 50 era o “skiffle”, que nada mais era do que uma música folk com influências de jazz e blues e onde os instrumentos eram improvisados em caixas de madeira, cabos de vassoura, tábuas e até garrafas.

Um detalhe interessante é que a primeira banda de John Lennon foi um grupo de skiffle denominado The Quarrymen.

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No doc, um senhor nos mostra fotos dele com Lennon e com Paul McCartney e inclusive ele assistiu a primeira apresentação dos dois juntos, um momento único no mundo pop.

Ficamos conhecendo um funcionário da gravadora EMI que adquiriu esta gravação e tem esta relíquia guardada a sete chaves, pois seu valor é inestimável.

Outro que começou num grupo de skiffle foi Jimmy Page, muito antes de ele vir a se tornar o célebre guitarrista do Led Zeppelin.

Com a chegada do rock americano em terras inglesas, com artistas como Bill Halley, surgem ídolos de rock como Billy Fury, um produto tipicamente inglês, uma espécie de Elvis inglês, que também estrelava em filmes que enlouqueciam as adolescentes inglesas em produções como “Play it cool”.

É claro que Liverpool teve importância fundamental neste início do rock, pois lá se localizava o porto em que chegavam navios de todo mundo e traziam os compactos de rock produzidos na América.

Estes discos inspiravam os adolescentes de lá a montarem suas bandas e frequentassem clubs onde o rock dominava como no Cavern Club, o lugar onde nasceram os Beatles.

Interior do Cavern Club.

Interior do Cavern Club.

Inclusive vemos imagens da época gravadas dentro do Cavern e fãs que viram os show s que os Beatles fizeram por lá.

O programa de TV da juventude dos anos 60 era o Ready Steady Go, onde os grupos como The Shadows ou o The Hollies se apresentavam e levavam os jovens à loucura.

O doc entrevista a coreógrafa do programa, Theresa Kerr , que era a responsável por selecionar os jovens que iriam dançar e que deveriam ser modernos e descolados, sendo que ela fazia pesquisas nos melhores clubs ingleses como o Scene Club.

Uma destas adolescentes foi a própria Twiggy, que adorava o programa.

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O  doc também vai nos mostrando as tribos que iam surgindo como os teddy boys, vestidos em seus ternos,com cabelos com topetes e muita brilhantina e sapatos creeper.

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E também os mods, com suas lambretas, seus parkas, seus cabelos curtos e frequentando clubs como o The Flamingo, no Soho inglês.

Outra tribo interessante surgida em meados de 60 eram os fãs de bluebeat, totalmente influenciados pela cultura negra e tendo artistas como John Lee Hooker:

O ska também surge nesta época, através de artistas jamaicanos, como Millie Small, autora do hit ‘My boy lollipop”:

O episódio seguinte é ‘The Love Affair: 1966-1976”, apresentado por Danny Baker, escritor, jornalista e apresentador britânico que nos guia por este movimentado período do pop onde glam rock, heavy metal, rock progressivo, psicodelia, reggae, conviviam um ao lado do outro.

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Danny Baker com sua coleção de discos.

Baker trabalhava numa loja de discos na época e nos conta como convivia com toda esta riqueza do que era produzido musicalmente nesta época e as tribos de cada gênero.

Como o próprio nome deste episódio diz, ele fala sobre o caso de amor dos fãs com seus ídolos.

O doc nos fala do momento psicodélico dos Beatles com o álbum Sgt. Pepper’s, o primeiro álbum pop a vir com as letras de todas as músicas.

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Don Letts aparece e nos fala de como os Beatles ficaram mais interessantes quando começaram a consumir drogas e abrir sua mente para outras influências e viagens.

Foi nesta década também que a banda acabou e surgiram novos astros.

Era uma época cheia de protestos, de questionamentos políticos e sexuais; além de ser no final da década de 60 o primeiro dos festivais ingleses ao ar livre como o Festival da Ilha de Wight.

Poster do Festival de Wight de 1970.

Poster do Festival de Wight de 1970.

Conhecemos no doc um dos organizadores do festival , da edição de 1970, que nos conta toda a atmosfera, além de mostrar memorabilia que ele guardou da época e de apresentações de artistas como Jimi Hendrix, The Who e principalmente o The Doors, com músicas como “When the music’s over”:

Aos poucos, o pop vai entrando para um lado mais dark, o rock fica mais pesado, com influências de magia negra, ritos satânicos, como na música do Black Sabbath.

Ao mesmo tempo, havia também o glam rock, com figuras como Marc Bolan, do grupo T-Rex e sucessos como ‘Get it on”:

Baker nos conta o episódio em que Bolan esteve em sua loja e acabou lhe dando uma camisa de presente e como ele guardou aquilo como um tesouro.

E falando em glam, como não falar de David Bowie, o camaleão do rock, que surgia no final dos anos 60 para enfeitiçar toda uma geração de jovens que viam ali o nascimento de um ídolo diferente dos demais, especial, que possuía um alter ego, Ziggy Stardust.

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Inclusive vemos uma fã que foi e guardou ingresso e programa do show em que Bowie se despede de Ziggy, no Hammersmith Odeon, em 1973, momento histórico do pop:

Outra fã de Bowie nos conta como acabou adquirindo uma relíquia: a máscara de metal que ele utilizou em um de seus videos (na foto abaixo nas maõs de Danny Baker).

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A escalada do reggae na Inglaterra também é mostrada, principalmente no sucesso de Bob Marley.

Inclusive ficamos sabendo de uma apresentação de Marley na escola londrina Peckman Manor, para alguns alunos, acompanhado de Johnny Nash (autor do hit “I can see clearly now”), antes de se tornar famoso.

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O doc ainda fala do rock progressivo de bandas como o Pink Floyd e também do movimento Northern Soul, de como uma fã da época se vestia para frequentar os bailes do Wigan Cassino e curtir toda aquela atmosfera mágica.

The People´s History of Pop ainda continua com mais episódios que falaremos em breve.

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