De longe, melhor burrito veggie de São Paulo @veggiesnapraca !!!Orquídea Catleya escândalo #9, abrindo pela primeira vez na Cerejeira. Bom dia! #orquídea #catleya #orchidsDiana Vreeland's portrait by Cecil Beaton.
"You gotta have style. It helps you get down the stairs. It helps you get up in the morning. It's a way of life...I'm not talking about lots of clothes."
Hoje no www.japagirl.com.br/blog/dj-setsAnna Pavlova and her pet swan Jack, 1905Mini-orquídeas abrindo em homenagem a Minha Avó.Minha Tucki era amiga da gatinha Pantufa e adorava quando ela vinha visitar.Cherry blossoms blessings! Boa segunda, boa semana!Hoje faz uma semana que a minha princesa Tucki se foi e só agora consigo falar sobre a minha perda. A perda da minha Filha, da cachorra perfeita, a perda de um pedaço do meu coração, da minha companheira, da minha amiga sempre tão carinhosa. Obrigada Tutu, por ter sido parte da minha vida nesses anos. Vc está fazendo muita falta, pro Papai, pra Mamãe e pro Tigre, que está doente sem vc e nem sabe mais quem ele é, sem a sua presença. Descanse em paz, minha filha, meu amorzinho.Orquídeas Cymbidium abrindo! #orchids #cymbidiumIcy mermaids talking

                
       





















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CURRENT MOON


Today’s Sound

TODAY’S SOUND: IRVING PENN POR ARTHUR MENDES ROCHA

Irving Penn foi uma lenda americana: fotógrafo dos mais inspirados, tudo que passava por suas lentes virava arte, seu jeito de fotografar, seu método de revelação, tudo isto o transformou num mestre.

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Para Penn, um bom fotógrafo era aquele que comunicava um fato, tocava o coração, e modificava àquele que havia visto uma fotografia sua, ou seja, esta era efetiva.

Penn começou estudando desenho, pintura, artes gráficas e industriais na Philadelphia Museum School of Industrial Art (hoje a University of Arts) nos anos 30.

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Seu irmão, Arthur, também se dedica às artes e se torna cineasta, dirigindo filmes como ‘Bonnie & Clyde”.

Seu professor era Alexey Brodovitch, que reconheceu o talento do jovem Penn e o convidou a trabalhar no seu lugar como diretor de arte da Saks Fifth Avenue em 1940.

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Mas Penn viaja para o México por um ano, para pintar, e oferece seu posto na Saks para Alexander Lieberman.

Liberman vem a se tornar o poderoso diretor de arte da Vogue e quando Penn retorna de viagem, ele o convida para trabalhar na revista, sendo seu assistente.

Um dos primeiros trabalhos de Penn foi clicar uma capa de Vogue com apenas acessórios, sem a presença de uma modelo.

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Liberman deu várias dicas para Penn como o de ‘suavizar’ suas fotos de moda, já que no começo suas fotos pareciam queimar as páginas da revista, foram importantes toques para um fotógrafo que viria a ser um dos grandes que a moda já teve.

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Era uma época que a fotografia de moda coexistia em harmonia com as ambições artísticas dos fotógrafos.

Em meados dos anos 40, ele vai servir a American Field Service (após ser recusado pelo exército americano) e depois o exército britânico em diferentes lugares, onde aproveita para treinar a fotografia, aprendendo a iluminar com luz natural e formar suas composições perfeitas.

Em 1946 ele volta para a Vogue, por onde vai permanecer por cinco décadas, fotografando desde capas, editoriais, fotos de celebridades, artistas, pessoas de fundamental importância na cultura do século XX.

Entre seus fotografados estavam Picasso, Colette e muitos outros.

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 Em 1947, Penn conhece Lisa Fonssagrives, ao clicar algumas das modelos mais famosas da época.

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Lisa se tornaria sua musa e a inspiração para fotos de moda que se tornaram ícones de elegância e sofisticação.

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Além disso, qualquer imagem de natureza morta (as denominadas still-life) se tornam verdadeiras obras-primas pelas lentes de Penn; seu olhar particular, seu enquadramento, a forma com que os objetos são dispostos, acabam tornando um simples ovo em uma pintura.

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E assim, a cada exemplar de Vogue, as fotos de Penn que ilustram as mais diferentes matérias se tornam um das marcas da revista: imagens simples, mas de grande força visual.

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Em 1950, a Vogue publica uma de suas melhores capas (das muitas que irá fazer) com a famosa imagem da modelo Jean Patchett em preto e branco, com um véus cobrindo seu rosto, imagem cheia de contraste e que será copiadíssima até os dias de hoje.

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No interior da revista, estava esta imagem de sua esposa Lisa vestindo um modelo arlequim de Balenciaga.

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Nesta época, ele já tem o seu próprio estúdio e lá vai fazendo suas experimentações.

Uma das inovações dele foi fotografar seus enfocados tendo ao fundo uma espécie de “canto’ no estúdio, criando uma certa claustofobia, como vemos nesta foto que ele fez da artista Georgia O’Keefe.

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Outros que ele fotografou desta maneira foram Marcel Duchamp e Igor Stravinsky.

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Além disso, Penn tinha todo um cuidado na hora de revelar suas fotos, revelando-as numa impressão de platina e sempre visualizando os detalhes de cada foto.

Também são famosas suas fotografias de diferentes etnias, como esta de uma tribo de Nova Guiné, que foram publicadas no livro ‘Worlds in a small room”.

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Ele também transformava em arte dos mais diferentes objetos como crânios de animais, ossos, metais; até mesmo lixos e bitucas de cigarros encontradas na rua viravam arte nas mãos de Penn.

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Em 1975, suas impressões em platina são expostas no Moma em NY, com Penn misturando técnicas modernas e as do século XIX.

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Suas fotografias de flores são tão brilhantes e diferentes do que se fazia na época que inspiraram a publicação de um livro, ‘Flowers’ by Irving Penn, de 1980, hoje fora de catálogo.

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Editoras de moda célebres como Diana Vreeland, e hoje Anna Wintour, viam a magnitude das imagens de Penn para a revista, eram um dos grandes diferenciais da publicação.

Nos anos 80 é muito reconhecida a sua colaboração com o estilista japonês  Issey Myiake, com o qual faz incríveis publicidades veiculadas nas melhores revistas e em outdoors e que também originaram um livro publicado em 1999.

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Outra característica de Penn era ser avesso a badalações, tanto é que restaram poucas fotos dele em ocasiões sócias, como as que publicamos nesta matérias (que são auto-retratos) e esta abaixo com outros dois grandes nomes da fotografia de moda: Richard Avedon e Helmut Newton.

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Um de seus trabalhos marcantes foi a capa do disco de Miles Davis, ‘Tutu”, e também o detalhe da mão de Miles que ele fez questão de registrar para a posteridade.

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No início da década de 90, Penn vai realizar uma grande exposição de suas obras em Washington.

Porém, em 1992, ele perde o grande amor de sua vida, Lisa Fonssagrives-Penn, que veio a falecer.

Durante os anos 90 e 00, Penn vai continuar a fotografar moda para a Vogue, utilizando as supermodelos como Linda Evangelista e Gisele Bundchen, bem como realizando novas exposições de seus trabalhos.

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Uma destas exposições é que reúne os nus que fez nos anos 1949-50 e que nunca haviam sido exibidos para o grande público, por justamente fazer uma contraposição de corpos magros e gordos (como vemos na foto abaixo).

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Suas fotos de beleza também são um atrativo a parte como esta que fez em homenagem a Archimbald.

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E esta com uma cobra no rosto da modelo e outra para mostrar os brincos Gaultier.

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Penn faleceu em 2009, aos 92 anos, depois de muita dedicação à fotografia e que mereceram as seguintes palavras de Anna Wintour: “Quando as fotografias de Penn foram publicadas na revista, elas pareciam estranhas e inesperadas. Ao vê-las novamente, elas são instantaneamente definitivas. Você nunca mais vai conseguir olhar uma banana, um mosquito ou um nu sem pensar em Irving Penn. Ele mudou a maneira que vemos o mundo e principalmente a nossa percepção do que é bonito”.

E seu trabalho será sempre moderno, atual; tendo sido recentemente servido de inspiração para a capa da Interview com Lana Del Rey com a abelha pousada em sua boca.

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TODAY’S SOUND: DAVID BAILEY POR ARTHUR MENDES ROCHA

David Bailey é um dos maiores fotógrafos britânicos vivos; já inspirou filmes, teve romances com algumas das mulheres mais estilosas do planeta, além de ser um dos responsáveis pela swinging London e toda uma inovação na fotografia de moda e das celebridades.

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Bailey nasceu em uma família simples, no East End londrino, era disléxico e nunca foi muito chegado nos estudos. Ele gostava de observar a atmosfera ao seu redor até optar pela fotografia.

Ele viveu sua infância e adolescência durante um período conturbado: a Segunda Guerra Mundial, onde presenciou sua cidade (incluindo sua casa) ser bombardeada pelos alemães.

Sua família o levava muito para se esconder nos cinemas, pois era mais barato que ligar o gás em sua casa, até o cinema que frequentava ser bombardeado. Ele declara que os alemães mataram Mickey e os personagens Disney, pois acabaram com o cinema onde ele via seus desenhos favoritos.

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Aos quinze anos, ele abandona de vez a escola e procura se empregar; seu primeiro emprego foi em um pequeno jornal, até ser chamado para servir pela Força aérea britânica em Singapura.

Ao retornar, ele adquire sua primeira câmera, uma Rolleiflex, inspirado pelo trabalho de fotógrafos como Henri Cartier-Bresson, especialmente pela foto ‘Kashmir” (foto baixo).

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Logo ele consegue trabalho como assistente do fotógrafo de moda John French, um dos mais respeitados na Londres do final da década de 50.

No estúdio de French, ele aprende vários macetes de como deixar uma modelo ainda mais atraente e começa a fazer algumas experimentações próprias. Uma de suas primeiras inovações foi a maneira como fotografou um editorial de inverno, com a modelo agachada e dando de comer para um esquilo.

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Em 1960, ele casa com Rosemary Bramble, que o apresenta para John Parsons, diretor de arte da Vogue britânica e aonde vai realizando seus primeiros trabalhos.

Neste período ele conhece aquela que será a sua primeira grande musa: Jean Shrimpton, mais conhecida como “the face of the 60’s”, uma das mulheres mais lindas que a moda já produziu.

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Em 1962, ele é chamado para um trabalho pela Vogue: fotografar um editorial intitulado ‘Young Ideas Goes West”, com locações em Manhattan. Bailey só aceita o trabalho se Shrimpton fosse a modelo. A revista resiste, mas acaba aceitando suas condições.

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Estas fotos se tornariam históricas, pois foi um dos primeiros editoriais que explorou a locação de maneira original, com Shrimpton vagando pelas ruas com um ursinho de pelúcia e tendo ao fundo anúncios, cabines de telefone, grades de quadras de basquete, numa atmosfera de pop-art.

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As fotos surpreendem a todos ao serem publicadas e chama a atenção do mundo inteiro, especialmente de Diana Vreeland, que convida Bailey e Shripton para fotografarem para a Vogue América. É célebre a frase que Vreeland fala aos dois chegarem lá: ‘Parem tudo, lá vem os britânicos”.

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Este episódio foi tão importante na moda que gerou um telefilme da BBC “We’ll take Manhattan”, de 2012, com o atores Aneurin Barnard e Karen Gillan fazendo os papéis de Bailey e Shrimpton respectivamente e que podemos ver o trailer abaixo.

Eles eram o casal do momento, tanto profissional quanto romanticamente, tendo ele fotografado capas e vários editoriais com ela para as Vogues.

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Bailey era muito atraente, ele conquistava facilmente as mulheres que se entregavam para ele tanto na frente quanto atrás das câmeras, atraídos pelo seu jeito rebelde, bad boy, com ares rock n’ roll.

Bailey, junto com os fotógrafos Terence Donovan e Brian Duffy (que formavam a Black Trinity), fazia parte de um movimento da cultura britânica que reunia moda, música, comportamento, era uma juventude efervescente que tomava conta das artes, da noite, circulava pelos clubs da moda e pela King’s Road e que ficou conhecida no mundo inteiro como a Swinging London.

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O movimento foi tão forte que inspirou o filme ‘Blow-Up” de Michelangelo Antonioni e que se baseou em Bailey para compor o fotógrafo que é o personagem central do filme.

Uma das primeiras fotos de Mick Jagger que circularam nas revistas de moda foi feita por Bailey, já que os dois eram amigos, pois Jagger era namorada da irmã de Shrimpton na época.

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O primeiro livro de fotografias de Bailey foi lançado em 1964, “Box of Pin-ups” e causou alvoroço, já que reunia as celebridades da época (como os Beatles), mais gangsters (como os irmãos Krays), mais astros do cinema (como Terence Stamp e Michael Caine)) e a realeza (Lord Snowdon). Este foi um dos motivos pelo qual não foram feitos muitos exemplares e nem uma edição americana. Hoje esta caixa está fora de catálogo e vale pelo menos umas 20 mil libras.

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Outra foto famosa de Bailey nos anos 60 foi a de Marianne Faithful (que ele conheceu através dos Stones), que ele declara ter sido inspirada nos filmes de Bergman como ‘O Sétimo Selo”.

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Aliás, a primeira capa de um disco dos Stones (incluindo Brian Jones) também foi fotografada por ele.

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Em 1965, ele conhece, através de seu amigo Polanski, Catherine Deneuve e se apaixona por ela, vindo a casar no mesmo ano.

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Um pouco desta história é contada no documentário “The Real Blow-Up”, produção da BBC2 e que merece ser assistido:

Enquanto isto, ele continuava fotografando para a Vogue como freelancer, sendo considerado a energia, a eletricidade e o talento que fazia a revista acontecer nesta época.

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No final dos anos 60 e início dos 70, ele também dirige comerciais (para clientes como a Cadbury) e documentários tendo como assunto Cecil Beaton, Andy Warhol e Luchino Visconti.

Nesta época, ele também conhece a socialite e modelo Penelope Tree, outro dos rostos marcantes dos 60’s, e fica fascinado por ela. Não demorou muito para que ele deixasse Deneuve, se divorciando dela em 1972.

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Em 1975, ele casa com outra modelo, Marie Helvin, uma das mais badaladas modelos inglesas dos anos 70.

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Bailey irá lançar vários livros durante sua carreira entre eles “Trouble and Strife”, ‘Nudes 1980-84”, “Rock and Roll heroes”, entre outros.

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Nos anos 80, ele será o fotógrafo oficial do Live Aid, fotografando os músicos envolvidos como Freddie Mercury, Paul Weller, Bob Geldorf, Duran Duran e mais.

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Em 1987, ele ganha um prêmio no Festival de Cannes por um filme produzido para o Greenpeace.

Além disso, também irá lançar um filme em 1995 com sua nova mulher (com a qual é casado até hoje), a também modelo Catherine, e intitulado “The Lady is a Tramp”.

Em 1998, ele dirige outro documentário sobre modelos: “Models Close-up” para o Channel 4.

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Durante os anos 00, Bailey continua produzindo, lançando novos livros, fotografando novas personalidades do momento, contribuindo para revistas de moda, além de ser nomeado Comandante da Ordem do Império Britânico pela rainha.

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Recentemente ele teve uma grande retrospectiva (a maior de sua carreira) na National Portrait Gallery em Londres, intitulada “Stardust” e com mais de 250 retratos de algumas das personalidades mais marcantes do século XX e XXI como Nelson Mandella, David Bowie, Rudolph Nureyev, Karl Lagerfeld, Andy Warhol, Jane Birkin, Jack Nicholson, Kate Moss, Francis Bacon, Bob Dylan, Alexander Mcqueen, Grace Jones, Roman Polanski, e muitos outros.

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TODAY’S SOUND: CECIL BEATON POR ARTHUR MENDES ROCHA

Sir Cecil Beaton, sinônimo de bom gosto e sofisticação, foi fotógrafo de moda, da sociedade e da realeza britânicas, trabalhou para Vogue e Vanity Fair, além de fazer cenários e figurinos para o cinema e teatro, que lhe renderam os prêmios Oscar e Tony.

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Cecil nasceu de uma família de classe média alta, no início do séc. XX, e, aos três anos de idade, já sente que a fotografia seria importante em sua vida ao ficar extasiado com a beleza de uma fotografia de uma atriz inglesa, Lily Elsie.

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Aos onze anos, ele ganha sua primeira câmera, uma Kodak 3A, e começa a utilizar suas irmãs como manequins para suas criações, além de revelar suas fotos com a ajuda da empregada no banheiro de sua casa. 

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Na escola, Cecil vai demonstrando cada vez mais interesse nas artes, incluindo pintura, desenhos, fotografia e artes cênicas. Quando ele cursou Cambridge, ele se dedicava muito mais às peças teatrais da escola do que aos estudos.

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Aos poucos, Cecil vai travando relações na sociedade, entre eles Stephen Tennant (tio-avô da modelo Stella Tennant), que lhe abre as portas da boêmia e da jovem sociedade britânica, a qual ele passa a registrar em retratos e que é chamada de “Bright Young people”(cujo tema virou filme de Stephen Fry em 2003).

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Em 1927, Cecil conhece a editora-chefe da Vogue inglesa, Edna Woolman Chase, que o convida para colaborar na revista, fotografando e desenhando a sociedade da época, já que seu estilo é considerado audacioso para a época, unindo criatividade e bom gosto, perfeito para a revista.

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No final da década de 20, Cecil vai para NY, e lá faz contatos também com a revista Vanity Fair, além de mostrar seus trabalhos em uma galeria de Elsie De Wolfe, uma famosa decoradora da sociedade americana.

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Assim, Cecil assina um contrato com a Condé Nast, a poderosa companhia editorial responsável pelas revistas Vogue e Vanity Fair, das quais se torna colaborador habitual, bem como da Vogue francesa.

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Um de seus primeiros trabalhos é fotografar alguns astros de Hollywood como Marlene Dietrich, Katherine Hepburn, Gary Cooper, entre outros.

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Em 1930, ele publica o livro, “The Book of Beauty”, o primeiro de uma série de livros que ele lançará em sua carreira.

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Nesta época ele irá conhecer outra figura fundamental em sua jornada: Greta Garbo. Os dois travam uma amizade (e consequentemente uma paixão) que perdurará por anos, tendo Cecil compartilhado muito da companhia de Garbo, mesmo em seus anos de total reclusão.

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Anos mais tarde, ele publicará fotos da atriz, já sumida da mídia, em poses de pierrot, o que fará a amizade deles ficar estremecida por um certo tempo.

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Uma das primeiras capas dele para a Vogue já foi marcante: uma modelo em tons pastéis com acessórios que incluíam flores e borboletas em seus cabelos. Ele gostava destes detalhes teatrais, de usar acessórios e elementos que tornassem seus enfocados ainda mais especiais.

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Foi ele também o autor da foto clássica das modelos vestindo as criações de Charles James (o homenageado deste ano no Met Gala).

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Ele fotografou algumas das personalidades mais marcantes do século XX incluindo Chanel, Dali, Maria Callas, o Duque e a Duquesa de Windsor, Mishima, Warhol e Candy Darling, Marilyn, Mick Jagger e muito mais.

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Cecil era extremamente bem relacionado, tinha livre acesso nos mais diferentes meios, foi nomeado o fotógrafo favorito da família real britânica, inclusive foi ele que fotografou toda a coroação de Elizabeth II, no início dos anos 50.

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Porém, no final dos 30’s, Cecil sofre um duro golpe: uma de suas ilustrações para a Vogue continha um minúsculo comentário anti-semita e ao ser descoberto, ele perde seu emprego na editora e tem sua carreira profissional fortemente abalada pelo episódio (mesmo tendo pedi-do desculpas publicamente pelo ocorrido).

A partir dos anos 40, Cecil tem outra reviravolta e sua carreira e passa a trabalhar para o Ministro das Comunicações, durante a guerra e em diversas funções no exército britânico, em países como Ásia e Oriente Médio.

Nesta época, uma foto dele ficará famosa ao ilustrar a capa da revista Life: a foto de uma criança em plena guerra, com a cabeça coberta de um curativo e com um brinquedo na mão, foto esta que foi considerada fundamental para a intervenção dos aliados na guerra.

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Na sua volta para Londres, Cecil passa a se dedicar cada vez mais às peças teatrais, filmes, estreando no West End Londrino com os figurinos para a versão teatral de “My Fair Lady”.

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Na versão da peça para o cinema, Cecil faz a direção de arte e os magníficos figurinos que Audrey Hepburn tornou icônicos, o que o fez conquistar duas estatuetas do Oscar (prêmio este que ele também havia conquistado pelos figurinos do musical “Gigi”).

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Um dado curioso é que Diana Vreeland foi quem o trouxe de volta às páginas de Vogue, desta vez para uma nova geração dos anos 60.

Cecil continuará criando figurinos para peças como ‘Coco’ com Katherine Hepburn, além de figurinos para óperas do Met.

Nos anos 70, Cecil sofrerá um derrame que o deixará parcialmente paralisado do lado direito, mas mesmo assim ele continua a trabalhar e vira o tema de um documentário de seu amigo David Bailey, tendo depoimentos de Twiggy, Penelope Tree, entre outros e que pode ser visto abaixo:

Além disso, Cecil foi o primeiro fotógrafo a merecer uma exibição em sua homenagem na National Portrait Gallery, em Londres.

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Outro detalhe da carreira de Cecil era fazer “scrapbooks” com imagens que ele gostava, sejam fotos de revistas, recortes de jornais, postais, tudo era colado nestes álbuns e que foi lançado em livro em 2010.

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Ele faleceu em 1980, aos 76 anos, vítima de um ataque de coração fulminante.

Cecil era muito mais que um fotógrafo, ele escrevia textos sobre a sociedade, suas observa-ções sempre cheias de sagacidade, amigo de figuras como Truman Capote e Noel Coward, ele foi um esteta de primeira, suas criações sempre extremamente elegantes, sendo um dos responsáveis pelo estilo e sofisticação que a década de 30 possuiu.

Sua influência na moda e nas artes visuais será para sempre lembrada, homenageada e servirá de inspiração para fotógrafos e diretores de arte. 

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TODAY’S SOUND: BERT STERN POR ARTHUR MENDES ROCHA

Bert Stern foi um dos grandes fotógrafos americanos de estilo, moda, publicidade; não é a toa que ele é chamado de o “original madman” e cuja fama se tornou mundial ao realizar a última sessão de fotos de Marilyn Monroe algumas semanas antes de sua misteriosa morte.

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Bert começou sua carreira como office-boy da revista Look, local onde trabalhou Stanley Kubrick (com o qual travou amizade) e onde conheceu o seu mentor, Hershel Bramson, que lhe deu a oportunidade de ser seu assistente no departamento de design gráfico. Sua dica principal: explore ao máximo o MOMA (o museu de arte moderna de NY).

Ao sair da Look, ele se torna diretor de arte da pequena revista de moda Mayfair, onde, inspirado por Irving Penn, compra sua primeira máquina fotográfica e começa a fazer seus primeiros trabalhos comerciais como free-lancer.

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Depois de servir na guerra da Coréia e treinar direção de fotografia no Japão, Bert retorna á América e é convidado por Bramson a trabalhar em um anúncio para a vodka Smirnoff. O anúncio lhe abre as portas do mercado e agora ele se torna conhecido no meio.

Mas é em 1955, com um anúncio também para a Smirnoff que ele se torna um grande sucesso: sua ideia foi colocar uma taça com a bebida tendo ao fundo a grande pirâmide do Egito, que aparece refletida dentro da taça de cabeça para baixo.

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Foi o que bastou para que as vendas da Smirnoff naquele ano atingissem cifras inacreditáveis e lhe desse a primeira de várias medalhas com as quais ele foi premiado por seus anúncios.

Depois de se separar da modelo Teddy Ayer, ele se casa com Allegra Kent, bailarina da companhia de dança de George Balanchine e com a qual tem três filhos.

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Em 1958, Bert realiza um dos melhores registros de um Festival de Jazz em película: “Jazz on a Summer’s Day”, no qual ele filmou o Festival de Jazz de Newport de uma maneira diferente: dando ênfase não só a artistas como Thelonius Monk, Anita O’Day, Louis Armstrong (na foto acima), Chuck Berry, mas também ao estiloso público presente e aos barcos que navegavam numa compe-tição que ocorria simultaneamente.

No ano seguinte, o filme ganha o prêmio de melhor documentário no Festival de Veneza.

Finalmente em 1960, ele realiza um de seus grandes sonhos: ter suas fotos publicadas pela revista Vogue, na qual trabalhava seu ídolo Penn, bem como Erwin Blumenfeld.

Em 1962, já contratado da revista, ele fotografa atrizes como Elizabeth Taylor (a qual fotografou enquanto esta filmava “Cleópatra’ em Roma) e também Sue Lyon, sessão de fotos esta que acabou sendo utilizada no pôster do filme ‘Lolita”, de seu amigo Kubrick.

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Bert era o fotógrafo mais badalado do momento, os principais artistas do cinema como Mastroianni, Delon, Audrey Hepburn (com a qual fez capa de Vogue), Bardot, além de modelos como Twiggy, Benedetta Barzini, Jean Schrimpton, todos queriam ser clicados por ele.

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Bert tinha um olho especial, conseguia deixar seus fotografados ainda mais glamourosos, sua luz é de primeira, ele soube muito bem registrar os mitos dos anos 60: Serge e Jane Gainsbourg, Anouk Aimée, o casal Taylor e Burton (que ele clicou para a capa da Life), Sophia Loren, também foram clicados por ele.

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Nesta época Stern tinha tudo: esposa e filhos lindos, apartamento luxuoso, um complexo que incluía estúdio e loja, trabalhava para clientes como Coca-Cola, estava cercado de modelos e atrizes lindas.

Reza a lenda que o fotógrafo do filme “Blow-up” de Antonioni é baseado numa mistura de David Bailey com Bert Stern, sendo o próprio Stern o autor da foto baixo que retrata Bailey fotografando Veruschka e que depois seria registrado no filme.

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Assim, Bert acaba sendo tragado por isto, se vicia em anfetaminas, tem vários casos extra-conjugais e põe seu casamento na corda bamba.

O próprio Penn, quando visita o estúdio de Bert fica apavorado de como ele conseguiria manter todo aquele aparato. É claro que a decadência acaba chegando, sua mulher pede o divórcio e ele fecha seu estúdio no início dos anos 70.

Mas ainda nos anos 60, Bert tem uma ideia para oferecer para a Vogue: em seu contrato ele tinha direito a liberdade artística para criar o que quisesse em dez páginas da revista e assim ele convida Marilyn Monroe para uma sessão de fotos em um bangalô do hotel Beverly Hills.

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Esta sessão de fotos se torna histórica, pois acaba sendo a última que Marilyn realizaria em vida, já que algumas semanas depois das fotos ela é encontrada morta.

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Bert declara abaixo como foi fotografar Marilyn naquela atmosfera de intimidade, pois a atriz nunca se soltou tanto na frente das câmeras, ela está totalmente à vontade entre os lençóis da cama do hotel, utilizando os acessórios que Bert havia levado como lenços transparentes, joias e mais; tudo ficou tão natural que até a cicatriz da operação do apêndice que ela havia escon-dido durante todo este tempo, é mostrada sem medos.

Bert até enviou para Marilyn os contatos para que ela escolhesse as fotos que havia gostado mais e alguns deles estão marcados com um X pela própria atriz.

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As fotos acabaram não sendo todas aprovadas pela Vogue, que solicitou a Stern que refizesse algumas com roupas e acessórios fashion, que também ficaram lindas e mostra uma Marilyn bem sofisticada, no estilo bonequinha de luxo.

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Muitas destas fotos ficam inéditas até 1982, quando Bert lança o livro “The Last Sitting” e a Vogue acaba publicando fotos de nus que haviam ficado de fora 20 anos antes.

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Nos anos 90 e 00, Bert voltou à ativa fotografando anúncios, realizando mostras de seus trabalhos em museus e galerias, além de clicar as musas modernas como Madonna, Kate Moss e Lindsay Lohan (com a qual fez uma homenagem às fotos que realizou com Marilyn).

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Em 2011 foi lançado o documentário “Original Mad Man”, no qual Bert fala abertamente de sua carreira, incluindo seus altos e baixos e de como foi viver toda a loucura dos anos 60 e cujo trailer vemos abaixo:

O doc foi dirigido por sua então esposa, Shannah Laumeister, e uma retrospectiva de seus trabalhos aconteceu em NY.

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No ano passado, Bert veio a falecer, depois de uma vida atribulada, mas que estará para sempre registrada em suas brilhantes fotos.

 

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TODAY’S SOUND: JUNGLE FEVER POR ARTHUR MENDES ROCHA

E finalizando os documentários do Music Nation, um projeto da revista Dazed & Confused em parceria com o Channel 4 inglês, hoje falaremos de “Jungle Fever”.

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Jungle é a denominação para o ritmo que aumenta a velocidade dos breaks (batidas quebradas) e cujo bass é bem pronunciado.

 É uma subcultura bem inglesa, influenciada pelo caldeirão de sonoridades que é a Inglaterra, com ritmos como ragga, música caribenha e som da comunidade negra, um R&B bem mais sujo, mais gueto e bem urbano; uma espécie de resposta dos ingleses ao hip hop americano.

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O jungle seria o princípio do que veio a se tornar o drum & bass, que acabou dando uma suavidade para o jungle, privilegiando a sonoridade mais Black, mais melódica.

Quando eu vivia na Inglaterra, em 1989, as primeiras experimentações de jungle foram realizadas pelo Shut Up and Dance, presentes no doc com músicas como “Derek Went Mad” e “Dance Before the Police Come”:

Os Ragga Twins também foram precursores do gênero e tinham produções como “Splifhead”, que eles lançaram pelo selo Shut up and dance, e que apostava na sonoridade jungle, utilizando samples e vocais ragga e uma das primeiras músicas com breaks, quando ninguém estava fazendo isso, já que a Inglaterra estava dominada pela cultura clubber e principalmente pelo house e techno.

Assim, o jungle ia conquistando pouco a pouco o seu espaço, convivendo com os outros ritmos nos clubs ou em festas menores até começar a se tornar mais e mais difundido.

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É claro que isso não aconteceria sem a ajuda das rádios piratas, especialmente as localizadas em Hackney, um dos lugares de onde saiam os sons do jungle.

Outra peça fundamental no jogo eram lojas de discos como a Blackmarket, cujo proprietário, Nicky (foto abaixo), e a Music Power, lançavam os vinis de forma independente, sem a ajuda das grandes gravadoras, que ainda não tinham acordado para este novo movimento.

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No início dos aos 90, DJs e produtores vão aparecendo e fazendo com que aquele som soturno, muitas vezes dark, com uma atitude mais séria, extremamente rápido, fosse tomando conta da juventude inglesa e dos antenados ao redor do mundo.

Djs e frequentadores da cena como Fabio, Grooverider, DJ Hype (nas fotos abaixo), Daddy Earl, Slipmatt, Brockie, Ray Keith, Kenny Ken, DJ Outrage, Skibadee, todos eles falam no doc de como tudo começou como um movimento ao estilo dos punks, onde eles tinham os seus clubs, o seu jeito de dançar, os seus códigos, a sua linguagem.

jungle - groverider e fabio

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O DJ Hype tem uma track no doc que é “Roll the beats”:

Clubs como o Labyrynth, Sanctuary, as noites de jungle aos domingos no Blue Note, a Metalheadz (fotos abaixo), tudo isto aparece em ótimas imagens de arquivo, mostrando algo que na época era o que de mais moderno a música estava produzindo.

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Não demorou muito para que o jungle tivesse o seu superstar, Goldie, que produziu um dos álbuns mais importantes do movimento, ‘Timeless”, cujo hit era “Inner City Life”:

Goldie também funda o selo Metalheadz em 1994 e com sua fama aumentando, acaba ficando amigo de outros artistas como Bjork (com quem teve um romance), Oasis e até mesmo David Bowie, que acabou fazendo um álbum influenciado pelo jungle.

jungle - bowie e goldie

Mas como toda a subcultura, esta acabou se tornando cool demais, ela teria que mudar para continuar existindo e isto acabou acontecendo quando o drum & bass se tornou uma sensação mundial, com várias noites dedicadas ao gênero.

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Quando o gênero chegou ao Brasil , ele teve aqui uma cena que foi reconhecida mundialmente e formando Djs como Mark Marky, Patife, entre outros, que passaram a tocar nos melhores clubs.

Abaixo o link para ver o documentário completo:

 

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TODAY’S SOUND: SOAP THE STAMPS POR ARTHUR MENDES ROCHA

Hoje, na quarta parte dos docs Music Nation, o tema é “Soap the stamps”, falando sobre a cena de punk hardcore na Inglaterra do início dos anos 80.

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Os jovens ingleses enfrentavam o governo Thatcher, uma forte crise econômica atingia o país e com isso, menos chance de emprego, isto os tornava ainda mais desiludidos e a saída para isso foi expressar sua revolta através da música.

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O termo Soap the Stamps (que pode ser traduzido como “ensaboando selos”) se refere ao modo como os punks e fãs do gênero na época trocavam correspondências, nas quais enviavam pelo correio, fanzines, mixtapes, demos, enfim, tudo o que pudessem fazer para ter acesso aos mais diferentes tipos de bandas de punk hardcore de outras partes do mundo, especialmente dos EUA.

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Os fãs eram obsessivos mesmo, iam fundo na sua procura pelo que gostavam e curtiam e, como a grana era curta, eles reaproveitavam os selos mergulhando-os no sabão para poderem ser reutilizados e trocar o maior número de informações possíveis.

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Temos que lembrar que esta era uma época sem internet, a informação era duramente batalhada, e foi graças a isso que isso se espalhou e se tornou conhecido nas diferentes partes da Inglaterra e não apenas em Londres.

Na cena punk hardcore inglesa haviam bandas como Discharge, Chaos UK, Napalm Death, Crass, mas as mais faladas no doc são Heresy (na foto abaixo), The Stupids, Cowboy Killers, Ripcord, bandas surgidas no início dos 80 e cuja principal influência eram os sons das bandas americanas de hardcore.

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 Como estas bandas já eram da terceira geração do punk hardcore, suas preocupações  não eram apenas política, eles queriam um som mais agressivo, mais rápido, mais pesado.

Eles não queriam o som mainstream do punk dos Sex Pistols, por exemplo, e sim um som mais underground, para quem realmente curtia aquele tipo de música.

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 As demos destas bandas eram ainda mais sujas e barulhentas do que quando lançavam a mesma música em disco por uma gravadora por exemplo.

 Todos falam muito da importante influência de John Peel (foto abaixo) e seus programas de rádio, no qual apresentava o som das bandas mais diferentes; ele gostava de extremos e dava chance para bandas novas, sempre antenado nas subculturas.

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 Assim, são entrevistados integrantes destas bandas como Tommy Stupid, baterista e vocalista dos Stupids; John & Baz, do Ripcord, Beddis, do Cowboy Killers (foto abaixo), todos contando fatos e histórias interessantes acontecidos na época.

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The Stupids está na trilha com três músicas; abaixo eles interpretam duas músicas “The memory Burns/Slumber party massacre”, ambas de uma Peel Session (as sessões de John Peel):

Já do Ripcord temos “Wicked”:

E do Cowboy Killers, “The kkk wives on Holiday”:

Uma das entrevistas mais legais é a do engenheiro Mark Harwood, que possuía um estúdio em Ipswich (celeiro de muitas destas bandas) e no qual ele explica como obtinha aquele tipo de som bem sujo, bem barulhento, utilizando equipamentos antigos, como alguns da guerra, e que faziam aqueles ruídos característicos das produções punks hardcore dos 80’s.

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Harwood fala que se não fosse assim, este som não teria aquela atmosfera de bandas como o Extreme noise terror, banda surgida em 1985 em Ipswich e fundamental na cena hardcore hardcore inglesa (e ainda na ativa).

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 Com o crescimento da cena hardcore inglesa, selos como Dischord e Touch & Go chegavam na Inglaterra através dos mixtapes trocados pelo correio, bem como subculturas como o skate punk.

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Outros depoimentos no doc são do historiador de punk, Ian Glasper; o promotor Paul Thorpe; James Sherry, do Crossfire Sound System, todos eles intensos fã e pesquisadores que admiravam esta cena e faziam parte para que o UK Hardcore viesse com tudo.

Abaixo, o documentário em versão completa:


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