My sweet Agatha Luna... Almost one year of happiness, joy and love #11months 
Dress by her Godmother @_luca_and_jack_Abriram hoje! #orquidea #catleyaMinha cerejeira em flor, 2016Boa semana!!!Corte 80's @ckamura cor e volume @evandroangelo ❤️❤️Meu Kinguio Calico Oranda do amor fofinho!Ferveção! Lukita's first birthday ❤️! Wish you love forever 🎈 and ever...1903Motherhood ❤️So broken hearted... 💔

                
       


















bloglovin



CURRENT MOON


Today’s Sound

TODAY’S SOUND: STASH KLOSSOWSKI DE ROLA POR ARTHUR MENDES ROCHA

O excêntrico-fashion-estiloso de hoje está muito associado aos Rolling Stones, Beatles e a Swinging London dos anos 60; era um aristocrata e mais conhecido como o príncipe pop: o Princípe Stash Klossowski de Rola.

stash12

Stash, que também tem o título de Barão de Watteville, é filho do pintor e aristocrata Balthus, um dos mais respeitados do séc. XX, e sua mãe também era uma aristocrata suíça.

Ele já nasceu em berço esplêndido, além de ter passado sua infância na Villa Diodati, famosa por ter sido a residência de Lord Byron, e onde Mary Shelley escreveu ‘Frankstein”.

stash1

Criado em escolas russas e inglesas, desde cedo ele foi demonstrando interesse pelas artes e pela música, colecionando discos de Elvis Presley na adolescência.

Logo em seguida, ele foi descoberto por Luchino Visconti, com quem assinou um contrato para estrelar em alguns filmes, tendo participado do Festival de Cannes, em 1960, ao lado de Fellini.

stash11

Stash fazia amizades rapidamente, ele também ficou amigo de Tony Williams (do The Platters), se dividindo entre Roma, Paris e Londres.

Por volta de 1962, ele vai para NY, para tentar seguir a carreira de ator, mas a música falou mais alto e ele retorna à Paris e se junta ao The Playboys, onde assume a função de percussionista, ao lado de seu amigo Vince Taylor.

Foi através de Vince que ele conhece Brian Jones, o então líder dos Rolling Stones, e também fica amigo de Mick e Keith, bem como dos Beatles.

stash6

Stash (à esquerda) com seu amigo Brian Jones.

Em 1965, depois da crise nervosa de Taylor, ele monta uma nova banda com o baterista Robbie Clark e o guitarrista Ralph Danks.

Depois de algumas tentativas na França, eles se mudam para Los Angeles, através de sua amizade com os Everly Brothers.

Stash participa de vários acontecimentos como shows do Yardbirds, James Brown, participação no programa de Sonny & Cher, mas declara que os anos 60 nos EUA tiveram seus altos e baixos, já que a maneira hippie deles vestirem e os cabelos compridos geraram várias represálias da sociedade da época.

stash13

Neste período americano, ele também foi convidado pelo cineasta Bob Rafaelson para integrar o grupo The Monkees, mas ele se decepcionou com o piloto, achando ruim, sem charme e nem um pouco avant-garde e acabou perdendo a chance de se tornar um pop star. Abaixo, ele fala deste período:

No final de 1965, enfrentando problemas com o visto americano e sem convites para gravar, Stash abandona sua banda e se muda para Copenhagen, onde grava um single como artista solo, assinando como Stach de Rola, com a música “Peace’.

stash23

Capa do single de “Peach”, onde ele assinava como Stach de Rola.

Em 1966, ele vai para Londres, onde grava outro single, uma cover de “A message to pretty’ de Arthur Lee (do grupo Love). Graças às suas amizades, ele teria contribuição dos Beatles e dos Rolling Stones na pós-produção, mas antes disto acontecer o resultado final acabou sumindo do mapa.

stash with paul e keith

Stash com seus amigos Paul McCartney e Keith Richards.

Stash frequentava as sessões dos Beatles, ele chegou a participar dos ensaios de algumas músicas famosas deles, mas nunca apareceu como artista convidado, era algo entre amigos, feitos na intimidade.

Aos poucos, ele ia sendo parte integrante da swinging London, frequentando os lugares mais badalados como o AdLib e o Speakeasy, dois clubs onde ele era habitué na companhia do The Animals, do The Who, Jimi Hendrix, entre outros. Mas seus grandes amigos e companheiros inseparáveis eram mesmo Brian Jones e Anita Pallenberg, com quem ele mais se identificava.

Stash (último da esq. para a dir.) na companhia de Anita Pallemberg e Brian Jones.

Stash (último da esq. para a dir.) na companhia de Anita Pallenberg e Brian Jones.

Além disso, Stash sempre primava pelo visual, usando roupas no estilo dandy, que pesquisava nos brechós, onde sempre privilegiava peças únicas e exclusivas em tecidos como veludo, renda, seda, brocado e mais. Seu estilo rendeu matérias e fotos em várias revistas badaladas da época.

stash19

De jaquetas nehru (de influência indiana) a túnicas, ele adorava garimpar lojas ao lado do amigo Jones, como a pertencente à Ola Hudson (a mãe de Slash, do Guns N’Roses) em King’s Road. Além disso, ele também gostava de trocar roupas com os amigos Hendrix, Stones e mais.

stash18

Claro que ele também badalou ao lado do pessoal da Factory de Andy Warhol, junto com sua amiga Pallenberg.

stash de-rola_andy-warhol_edie-sedgwick

Stash e Anita Pallemberg (na fileira de trás à esq.) com Anita Pallenberg e a turminha da Factory, incluindo Andy Warhol, Eddie Sedgwick e Gerard Malanga.

Stash sempre foi antenado no estilo de vestir, depois de viagens ao Oriente, ele incluía peças árabes ou sírias em seu guarda roupa, misturando-as e sempre aparecendo com algum modelo que todos queriam ter.

Porém em 1967, ele e Brian Jones foram presos por porte de drogas e até hoje este fato nunca ficou muito esclarecido sobre quem teria plantado esta evidência para vê-los atrás das grades. Mesmo tendo sido liberados, esta foi uma experiência traumática para ele, já que saiu na imprensa de todo o mundo e ele teve seu passaporte confiscado, não podendo viajar e isto atrapalhou bastante seus compromissos profissionais, afetando tanto sua carreira como sua reputação. Paul McCartney se mostrou um ótimo amigo, convidando Stash para ficar na casa dele enquanto enfrentava esta desagradável situação.

stash7

Além disso, isto acabou afetando sua amizade com Jones, já que os advogados dele acharam por bem que ele deveria se afastar de Stash, levando-o a utilizar cada vez mais pílulas e aumentando sua paranoia. Jones veio a falecer em 1969.

Ele também teve aventuras ao lado de Syd Barrett, o misterioso integrante do início do Pink Floyd, com o qual participou de algumas viagens psicodélicas.

Em 1968, ele estrela a produção italiana, “Le Dolci Signori” (As Doces Senhoras), sob a direção de Luigi Zampa e estrelado por Virna Lisi.

No filme "Le dolci signori" ao lado de Virna Lisi.

No filme “Le dolci signori” ao lado de Virna Lisi.

Stash também teve romances com várias atrizes, modelos e starlets que incluem Marianne Faithful, Romina Power (de quem foi noivo), Anita Pallemberg, Tuesday Weld (atriz de Hollywood), Nico, entre outras.

Nos anos 70, ele continuou atuando em pequenos papéis, escrevendo um roteiro com Roger Vadim (do filme ‘A Jovem assassinada”), saindo com Marlon Brando, tocando na banda de Joe Cocker e até enfrentando novo caso envolvendo drogas, desta vez com Keith Richards.

Foo atual de Stash.

Foo atual de Stash.

Bon vivant, bem relacionado, fashionable, Stash não estourou na música ou no cinema, mas soube viver como poucos.

Hoje em dia, Stash continua um senhor charmoso, sempre estiloso e cheio de histórias para contar; ele planeja um dia lançar sua autobiografia e contar mais de tudo que viveu nestes anos todos ao lado das companhias mais incríveis possíveis.

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: EDWIGE BELMORE POR ARTHUR MENDES ROCHA

Nos próximos posts falaremos de pessoas que tem um quê especial, vivas ou mortas elas fizeram seu estilo, seu jeito de ser, se sobressair das multidões e se tornaram figuras icônicas seja na moda, na música, no comportamento.

edwige8

Hoje começaremos com Edwige Belmore, a chamada Rainha do Punk na França, ela foi modelo, it-girl, lançadora de tendências, enfim, era destas pessoas que conquistavam a todos apenas pelo seu jeito de vestir, de se portar em público.

Edwige era uma figura fascinante e determinada, ela foi abandonada pelos pais e foi criada num convento, em Paris.

edwige7

Sua vida deu uma reviravolta quando teve contato com o movimento punk, através de um show dos Sex Pistols, aos dezenove anos; ali sua vida mudou e como ela mesma declarou, surgia uma nova Edwige, vestindo gravata preta fina, camisa branca, calça de montaria e uma jaqueta preta de couro surrada, mais cabelo descolorido e raspado. O look era denominado por ela como de uma amazona, com toques alienígenas e de dominatrix.

edwige2

Edwige encarnava a figura perfeita para fazer parte de uma grupo de rock e isto veio a acontecer com um convite para integrar a banda L.U.V. (Ladies United Violently ou Lipsticks Used Viciously), mesmo não sabendo cantar ou tocar nenhum instrumento.

A partir daí, várias revistas de moda a convidaram para entrevistas, sessões de foto e ela passou a ser chamada de ‘queen of punk’ (a rainha punk) na França.

edwige4

Inclusive ela foi convidada pelo jornal underground francês, Façade, para pousar para a capa da publicação beijando Andy Warhol, e o encontro entre os dois foi chamado de “Pope of Pop meets Queen of Punk” (o papa do pop encontra a rainha dos punks).

Capa do Façade com Edwige beijando Warhol.

Capa do Façade com Edwige beijando Warhol.

edwige_belmore_slider_7841.jpeg_north_1160x630_white

edwige fa-ade

Bem, não demorou muito para ela ser notada pelo beautiful people de Paris, como Loulou de la Falaise (uma das musas de Saint Laurent) e estilistas que incluiam Jean Paul Gaultier e Thierry Mugler, tendo ambos a chamado para desfilar para eles.

Edwige abraçada por Loulou de la Falaise.

Edwige abraçada por Loulou de la Falaise.

Edwige desfilando para Mugler.

Edwige desfilando para Mugler.

Até nas festas do high society, como na de Paloma Picasso, Edwige era perseguida por fotógrafos como Helmut Newton, que a seguiu durante todo o tempo para clicá-la, completamente enlouquecido pelo seu look.

edwige3

O visual de Edwige era dos mais badalados de Paris, mas ela resolve passar uma temporada em NY, a convite de Warhol, até para mudar de ares e conhecer um pouco das pessoas e da noite de lá.

Ela chega para causar e logo vira figura conhecida nos melhores lugares de NY, como o Studio 54, onde a vemos ao lado de sua amiga Maripol ( a estilista e fotógrafa que foi grande influência sob o visual de Madonna) e mais Bianca Jagger.

Edwige com Maripol (no centro) e Bianca Jagger.

Edwige com Maripol (no centro) e Bianca Jagger.

Edwige conquista seu espaço em NY e logo passa a cantar músicas francesas em lugares como o Café Loup, conquistando a todos com seu charme e seu estilo cool de ser.

Ela fica amiga de várias figuras importantes do underground nova-iorquino e tem livre acesso nas melhores festas e se torna uma das presenças constantes nos clubs underground.

edwige belmore

Edwige é chamada novamente de volta para Paris, desta vez para ser a hostess do Le Palace, a discothéque equivalente ao Studio 54, escolhendo quem entra e quem não nas melhores noites da capital francesa.

Bolacha assumida, dizem até que ela andou tanto na cama de Grace Jones como na de Sade, mas ela casou com um homem, Jean Louis Jorge, um cineasta dominicano. O casamento dos dois foi um bafo só, com ela vestindo um Chanel falsificado, utilizando toalhas do atelier (já que um amigo trabalhava por lá).

edwige5

Todos os modelos e ideias que ela tinha, acabavam mais cedo ou mais tarde nas passarelas de moda de Paris.

Além disso, Edwige também atuou em alguns filmes (como ‘Sale rêveur”), além de ter participado de outra banda, a Mathémathiques Modernes, banda de new wave ao lado de Claude Arto.

De volta a NY, Edwige passa a andar com o que de mais cool havia na NY do início da década de 80, se tornando amiga de Jean-Michel Basquiat, Kenny Scharf, Keith Harring, Debbie Harry, entre outros.

Mas como nem só de hype vive o ser humano, ela passa a trabalhar de bartender em lugares como o Chameleon Bar, no East Village.

EDWIGE6

Ela também foi das primeiras a usar tatuagens de frases ou de palavras no corpo, numa época que poucos ousavam a fazer isso, bem como fazia cicatrizes no seu corpo.

Edwige era pura vanguarda além de ser uma pessoa meiga, mas enfrentava crises de depressão e se viciou em drogas como a heroína.

Ela também mudou seus cabelos platinados para preto, mas sem nunca abandonar o batom vermelho, ela foi pioneira em misturar a low e a high fashion.

edwige9

Edwige também foi co-hostess da noite gay Beige, no Bowery Bar, bem como trabalhou na primeira butique/galeria de Agnès B em NY, onde havia uma fotografia dela clicada pela dupla Pierre et Gilles.

edwige y pierre & gilles

Depois de uma tentativa de suicídio, quando perdeu o emprego e foi encontrada quase se afogando em Coney Island, seus amigos a ajudaram e ela passou a viver em Miami, onde trabalhava no hotel Vagabond, onde organizava eventos de arte e cuidava dos jardins.

Ela veio a falecer no ano passado, aos 58 anos de idade, já bem magra, em decorrência de uma hepatite mal curada e que acabou a levando, pois ela não era de se cuidar.

Foto recente de Edwige.

Foto recente de Edwige.

No início deste ano, seu amigo Gaultier fez uma linda homenagem a ela, abrindo seu desfile de primavera-verão, tendo uma loira, bem aos moldes de Edwige, e no cenário a porta do Le Palace, onde ela causou frisson.

Look de Gaultier em homenagem a Edwige.

Look de Gaultier em homenagem a Edwige.

Edwige deixa um legado bacana, não como artista ou modelo e sim como uma figura que influenciou vários artistas e que fez com que todos admirassem seu visual e seu estilo, sempre à frente e que era algo natural para ela.

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: OS 20 ANOS DE “ENDTRODUCING…” DO DJ SHADOW POR ARTHUR MENDES ROCHA

E encerrando nossos posts de alguns aniversários do mundo pop, hoje falamos dos 20 anos de um dos discos que mudou a história do hip-hop e que ficou famoso por ser o primeiro álbum todo construído a base de samples: “Endtroducing…” do DJ Shadow.

dj shadow3

Só mesmo um nerd obcecado por discos de vinil como o DJ Shadow para criar uma obra-prima como esta utilizando uma boa parte de sua coleção de discos, garimpada em diversos locais, mas principalmente na loja Records, de sua cidade natal, Davis, na Califórnia. Abaixo vemos uma cena do documentário “Scratch’, onde ele mostra a loja e o porão da mesma, um verdadeiro oásis para um colecionador de vinis, com pilhas e pilhas de discos e ao qual ele só teve acesso, depois de se tornar conhecido frequentador:

DJ Shadow, nome artístico de Josh Davis, iniciou sua carreira em 1989, como DJ da rádio universitária KDVS, tocando faixas que considerava mais experimentais, colando, misturando, enfim já mostrando seu talento como conhecedor de música e realizando suas primeiras experiências com um hip-hop mais instrumental.

dj shadow5

DJ Shadow em ação.

Aos poucos, ele vai produzindo suas próprias faixas pelo selo Hollywood BASIC, entre elas ‘Entropy”, com 17 minutos de duração, e que chama a atenção de James Lavelle, o dono do selo Mo’ Wax, justamente o selo que investiu e acreditou neste tipo de música. Como o próprio Lavelle declara foi ele que levou Shadow para os clubs na Inglaterra, que apresentou os sons novos e que se ele tivesse feito “Endtroducing…” na América, por uma gravadora americana,o disco nunca sairia do jeito que saiu.

Lavelle e Shadow participariam junos do projeto U.N.K.L.E, mas isto já é outra história.

DJ Shadow (ao fundo) com James Lavelle.

DJ Shadow (ao fundo) com James Lavelle.

Foi com o single “In/Flux”, lançado pelo selo em 1994, que o termo trip-hop foi criado (pelo jornalista Andy Pemberton, da revista Mixmag), para denominar este tipo de música que misturava samples variados e obscuros, que incluíam os mais diferentes gêneros como soul, funk, jazz, rock, hip-hop, ambient, trilhas sonoras, diálogos de filmes, enfim, todo este caldeirão misturado com batidas eletrônicas.

Sua influência engloba desde Kurtis Mantronik (do Mantronix), DJ Premier (do Gang Starr), Prince Paul (produtor do De La Soul) até artistas como Public Enemy, possuindo uma coleção de mais de 60 mil discos.

Claro que para criar suas músicas, o DJ Shadow utiliza equipamentos como o sampler Akai MPC60 (Music Production Controller), o toca-discos Technics SL-1200 e o gravador Alessis ADAT (que grava formatos digitais e analógicos).

dj shadow2

Ainda em 1994, ele lança o single ‘What does your soul look like”. No álbum “Endtroducing…”, a música tem cinco minutos, aqui coloquei a versão completa, em quatro partes:

Com o sucesso do single, DJ Shadow estava pronto para se debruçar em seus discos e trabalhar no álbum “Endtroducing…”, que foi lançado em 1996. A própria capa já mostra a paixão pelo vinil, com uma foto de dois jovens garimpando nas prateleiras da loja Records.

Utilizando seu apartamento e o estúdio Glue Factory (de seu amigo Dan, The Automator), ele reuniu os vários samples acumulados, utilizando seus equipamentos, e toda a inspiração necessária para conceber um álbum todo feito com samples. Aliás, o álbum figura no livro Guiness como o primeiro álbum todo concebido por samples (mesmo que com algumas intervenções gravadas por rappers amigos de Shadow).

dj shadow home

As escolhas de samples do DJ Shadow não são simples, ele opta sempre por faixas mais obscuras e utiliza de todas as fontes possíveis, incluindo muita psicodelia, heavy metal, narrações, enfim, sua gama de opções é das mais variadas e nenhuma faixa soa como a outra, elas são bem distintas e trabalhadas.

Entre os samples do álbum estão Tangerine Dream, Metallica, Björk, Giorgio Moroder, Nirvana, Meredith Monk, Marlena Shaw, The Allan Parsons Project, além de muitos outros mais obscuros.

dj_shadow_1335367455_crop_550x367

Nunca me esqueço da primeira vez que ouvi o disco, trazido pelo irmão de um amigo que morava em Londres e onde o disco era o auge da badalação, ele era um sopro de novidade, de músicas mais relaxantes e viajantes numa época de bombação nas pistas de dança. Era para ser curtida num ambiente pós-festa, para baixar um pouco a adrenalina e curtir numa boa.

O outro single do álbum foi “Midnight in a perfect world”, uma das faixas mais conhecidas do álbum, que utiliza o sample do piano de “The Human Abstract’ de David Axelrod, tendo ao fundo uma base downtempo, um lindo vocal, toques de violino, baterias, enfim, a música é linda. Abaixo o clipe mostrando o DJ Shadow em sua casa-estúdio, indo a lojas de discos, fazendo scratches e mais:

A música “Building steam with a grain of salt” é um dos destaques, com um desfile de samples construídos sobre um loop de piano de Jeremy Storch, narrações zodiacais de Mort Garson, um coro de vozes femininas, batidas quebradas, overdubs, partes de uma entrevista com o baterista George Marsh, guitarra funky, criando uma atmosfera única:

Vale a pena comparar com o sample original, com o loop de piano e vocal da canção “I feel a new shadow” de Jeremy Storch, de onde saiu o sample principal da música:

Outra faixa que é das minhas favoritas é “Stem/Long Term/Transmission 2” uma espécie de suíte idealizada por ele com samples variados de instrumentos de cordas, trilha de filme de terror (as falas são do filme “Prince of Darkness’ de John Carpenter), blues, mais um pouco de Run DMC, tudo reunido de maneira sublime e utilizando a técnica do ‘chopping”, na qual os samples são cortados e reordenados em ordens diferentes da original:

“Endtroducing” foi muito bem recebida pela crítica, sendo incluída na maioria das listas de melhores do ano de 1996, bem como na lista dos melhores álbuns de todos os tempos, incluindo publicações como Muzik, Rolling Stone, New Musical Express, The Face, Mojo, Melody Maker, Vox, entre outras.

Em 2005, foi lançado uma nova edição do álbum na série ‘De Luxe Edition”, incluindo um disco extra de remixes, versões alternativas e mais.

dj-shadow-chief-xcel-1995-678x394

DJ Shadow (com um amigo) no porão da sua loja preferida, a Records (que já não existe mais).

Até hoje, o álbum é reconhecido pela sua importância fundamental no chamado hip hop instrumental, que hoje é encabeçado por nomes como Four Tet e Flying Lotus.

Em 2012, ele esteve no Brasil, se apresentando no Cine Joia, onde tocou algumas (poucas) músicas de “Endtroducing…”.

Ele fez vários álbuns bons depois deste e acaba de lançar um novo trabalho, “The Mountain will fall”, mas com o passar dos anos ele tem utilizado bem menos samples que no passado.

dj shadow_bplus_detail_em

“Endtroducing” é um álbum que deixou saudades, é dos grandes discos da década de 90 e merece ser ouvido e reouvido a exaustão, já que é um ótimo exemplo de como ele foi um divisor de águas, um mosaico de sons antigos que passaram a ser novos; o hip-hop e a música eletrônica nunca mais foram a mesma.

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: OS 25 ANOS DE BLUE LINES DO MASSIVE ATTACK

Hoje falamos de mais um aniversário importante da cultura pop: os 25 anos de “Blue Lines”, o primeiro álbum do Massive Attack.

mablart

Capa do disco “Blue Lines” do Massive Attack.

Em abril de 1991, era lançado o disco que até hoje é considerado o melhor álbum inglês de hip-hop; na verdade era uma mistura de ritmos e gêneros que englobava soul, reggae, dub, jazz, R&B, bass, tendo ao fundo uma batida viajante e eletrônica que passou a ser denominado de trip-hop. massive 4 Porém em 1991, o termo ainda nem existia e o Massive Attack mostrava que tinha chegado para ficar. O grupo nasceu de um coletivo da cidade de Bristol, denominado de Wild Bunch, que organizava festas, era um sound system respeitado na cidade, do qual faziam parte Robert “3D” Del Naja, Grant “Daddy G” Marshall e Andrew “Mushroom” Vowles. Além deles, haviam também Nellee Hooper (que viria a se tornar o famoso produtor musical de Soul II Soul, Bjork, Madonna, U-2, entre outros), Miles ‘DJ Milo” Johnson e mais Adrian “Tricky” Thaws (que veio a se tornar outro nome importante do trip-hop, Tricky). Massive+Attack-500-x-500 No soundsystem do Wild Bunch rolava desde dub, reggae até um eletrônico mais ambiental, com texturas e também punk rock, eles tocavam coisas que ninguém se atrevia em tocar. A única incursão musical do Wild Bunch fora então o single “Tearin down the avenue” (que incluía uma cover de “The Look of Love” de Burt Bacharach), lançada em 1987, mas sem muita divulgação.

massive wild

O Wild Bunch em ação.

O Wild Bunch era ativo para algumas coisas, mas preguiçoso para entrar num estúdio; isto só veio a acontecer graças a insistência de Neneh Cherry, que vinha do sucesso de ‘Buffalo Stance”, e deu a maior força para os meninos realmente “acontecerem’. O primeiro single lançado com o nome de Massice Attack foi o de “Any Love”, lançado em 1988 e produzido por Smith & Might (produtores e responsáveis pelo som que ficou característico de Bristol). massive5 Foi na casa de Cherry que eles ensaiaram, escreveram muitas das canções e contaram também com a ajuda de Cameron “Booga Bear’ McVey, marido de Cherry e seu colaborador musical, que fez a produção executiva, além de se tornar seu manager. O grupo ajudou a co-produzir o álbum junto com Johnny Dollar (já falecido e produtor de ‘Raw like a sushi”, álbum de Cherry com o qual ela estourou). massive begin Assim, por indicação de McVey, eles assinam com a Circa Records (distribuída pela Virgin) e lançam em outubro de 1990, o primeiro single do álbum, “Daydreaming” com vocais de Shara Nelson e rap de Tricky. O vídeo era todo em PB, como vemos abaixo: Nelson era a diva do grupo, a voz maravilhosa, cristalina que conquistou a todos pela afinação, pela musicalidade própria. massive6 Em ‘Daydreaming” ela se inspira na canção homônima de Aretha Franklin (sua influência absoluta) e ao fundo samples que incluem “Mambo” de Willy Badarou. Aliás, os samples são parte fundamental em “Blue Lines”, variando de artistas diversos que vão de Billy Cobham a Isaac Hayes e até incluindo um cover de “Be thankful for what you got” de William DeVaughan na voz de Tony Bryan. A participação de Shara Nelson foi fundamental principalmente no grande hit do álbum, a chapante “Unfinished Sympathy”, que em todas as listas das melhores tracks de dance music de todos os tempos está sempre no primeiro lugar: E o mais legal de tudo é que “Unfinished Sympathy” é uma música lenta, triste, que fala de uma desilusão amorosa, e ainda por cima com uma orquestra ao fundo (conduzida por Will Malone) que dá uma emoção ainda maior para a música. Quando lançado, o single incluía remixes de Nellee Hooper e de Paul Oakenfold. Massive-Attack-Unfinished-Sympat-471439 Os integrantes do Massive Attack lembram que só para incluir a orquestra, como eles não tinham orçamento para tal, tiveram que vender um carro para conseguir pagar os músicos. Mas valeu a pena, a música é divina, foi lançada em fevereiro de 1991 e chegou ao 13º lugar da parada inglesa, colocando o nome deles no mapa de vez. massive blue-lines-77395 “Blue Lines” não é um álbum pra cima, apesar de todo sucesso que fez como trilha de bares e lojas na época, ele é dark, fala de temas pesados, é sinistro, mas consegue justamente ser belo por causa disto.

Cena da gravação do video de "Unfinished Sympathy".

Cena da gravação do video de “Unfinished Sympathy”.

O triste é que Shara Nelson só permaneceu com o Massive Attack neste primeiro álbum, acabando por ser descartada logo em seguida, já que o grupo tinha receio que ela tomasse conta de vez e eles tivessem que obedecê-la. Assim a solução foi dispensá-la e Shara nunca mais obteve o mesmo sucesso (apesar de lançar em 1993 um ótimo álbum solo).

Shara Nelson

Shara Nelson

Mas Shara também canta numa terceira faixa do disco, a climática “Safe from Harm’ que foi o terceiro single do álbum, com ela cantando versos como ‘if you hurt what’s mine/I’ll sure as hell retaliate (se você machucar o que é meu, eu me certifico “tão certo como o inferno” de retaliar). O sample utilizado de maneira brilhante é de “Stratus” do jazzista Billy Cobham: A quarta contribuição dela no disco é com “Lately”, outra canção inspirada e sensual: E o sample é o de ‘Mellow Mellow Right On’ , um ótimo soul 70’s de Lowrell: Mas “Blue Lines” também tem outras colaborações além das de Shara; outra participação bem importante é de Horace Andy, uma lenda do reggae que dá sua contribuição em três faixas, incluindo a que fecha o disco “Hym of the Big Wheel” (que também inclui letra e vocal de Neneh Cherry), no qual a ‘wheel” (roda) significa a vida e o sacrifício humano de preservar sua inocência no meio de forças destruidoras. massive8 Aqui Andy se apresenta com a banda que acompanha o Massive Attack no programa Later de Jools Holland em 1996: Outro detalhe interessante é que quando “Blue Lines” foi lançado, a Inglaterra estava em pé de guerra no Golfo e por isso, as primeiras prensagens tanto do álbum quanto do single de “Unfinished Symnpathy”, estão apenas assinadas como Massive (sem o Attack).

Foto da contracapa de "Blue Lines" (sem Shara Nelson)

Foto da contracapa de “Blue Lines” (sem Shara Nelson), clicada por Jean-Baptiste Mondino.

Em 2012, o álbum teve uma nova versão lançada remasterizada e remixada, incluindo uma edição especial com CD, DVD, vinil e até o pôster de lançamento do álbum. massive blue Para tentar substituir Shara, nos álbuns seguintes eles recorreram a vocalistas que incluem Tracey Thorn (do Everything but the girl), Liz Fraser (do Cocteau Twins), Nicolette (musa pioneira do drum & bass junto com o Shut up and dance), entre outras. massive_attack Hoje o grupo é formado apenas por 3D e Daddy G, já que Mushroom também se desligou. Tive oportunidade de ver o Massive Attack duas vezes ao vivo (incluindo sua estreia no país no Free Jazz de 1998), eles arrasam, e agora eles acabaram de se apresentar no British Summer Time no Hyde Park, em Londres e devem se apresentar em vários locais. Esta apresentação teve até a participação de Tricky. massive-attack-760x Eles também lançaram recentemente o ótimo EP “Ritual Spirit”, além de excelentes vídeos que acompanham algumas das faixas (incluindo um estrelado por Kate Moss). São 25 anos de um clássico que só melhora com o tempo e que abriu o caminho para incursões do trip-hop (como Portishead, cujo integrante, Geoff Barrow, também participou como operador de estúdio na gravação de “Blue Lines”), além de pavimentar a estrada para artistas como The Streets, Burial, The XX ou The Weeknd brilharem nos anos seguintes.  

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: 0S 30 ANOS DO FILME LABYRINTH POR ARTHUR MENDES ROCHA

Outro aniversário que acaba de ser comemorado é o dos 30 anos de “Labirynth” (Labirinto – A Magia do Tempo), filme de fantasia estrelado por David Bowie e dirigido por Jim Henson.

LABYRINTH-PCKSHT-3D-DIGI-BOOK-9-

Jim Henson, o criador dos Muppets, sempre teve a ideia de fazer um filme sobre gnomos.

Depois de dirigir a fantasia somente com bonecos, “Dark Crystal’ (o Cristal Encantado), Henson começou a discutir a ideia com Brian Froud, ilustrador conhecido por seus desenhos de figuras fantasiosas, que então colaborava com ele, e que foi o responsável pelos designs de ‘Labyrinth”, incluindo também o figurino.

lab jim

Froud mostrou seus desenhos para Terry Jones (um dos integrantes do Monthy Python) e este começou a escrever um roteiro a pedido de Henson.

Na verdade foram mais de 25 tentativas de roteiro até se chegar à versão final e que também teve a colaboração de Laura Phillips (de ‘Fraggle Rock”, também com bonecos de Henson), George Lucas (de Star Wars e também um dos produtores de “Labyrinth”), Dennis Lee (poeta e escritor de livros infantis como “Alligator Pie”) e Elaine May (atriz e roteirista, colaboradora de Mike Nichols), porém no filme só foi creditado Jones como único roteirista.

Labyrinth David Bowie the Goblin King, Sarah, Sir Didymus copy

Todas as versões de roteiros foram mostradas a David Bowie, já que Henson fazia questão da participação dele no filme, pois o papel de Jareth, o rei dos gnomos, pedia um popstar a sua altura. Até a bengala que ele carrega lembra um microfone na ponta (o que foi proposital).

lab5

Além de Bowie, Henson chegou a cogitar as participações de Michael Jackson, Prince, Mick Jagger e Sting.

Assim, depois de aprovada a versão final do roteiro, Bowie acertou sua participação no filme, onde ele está com uma peruca a lá Tina Turner (bem arrepiada), maquiagem com lápis preto e olhos bem marcados (com influência kabuki), calças apertadas e bem justas, jaquetas de couro, casacos brilhantes, enfim, ele ficou o perfeito rei dos gnomos, o temido Jareth.

labyrinth_8col

Bowie dá o charme e sensualidade certa para o papel, já que é ele que leva Sarah (Jennifer Connely) a sair de sua zona de conforto e ir atrás de seu irmão no Labirinto.

Para o papel de Sarah, a menina de 16 anos que não suporta ter que tomar conta do irmão, foi escolhida a atriz Jennifer Connelly, que hoje já é uma atriz bastante conhecida, tendo feito filmes como ‘Requiem for a Dream’ e ganhou o Oscar por “A Beautiful Mind” (Uma mente brilhante).

lab4

Para o papel de Sarah também fizeram testes atrizes como Helena Bonham Carter (que esteve casada recentemente com Tim Burton e já fez vários filmes como “Fight Club” (Clube da Luta), Jane Krakowski (de “30 Rock”), Sarah Jessica Parker (de “Sex & the City”), entre outras.

A estória começa quando Sarah está ensaiando uma peça fantasiosa e seus pais a pedem para que cuide de seu irmão mais novo, Toby, enquanto eles estão fora.

lab8

Sarah se revolta em ter que tomar conta do irmão e profere as palavras que fazem com que os Jareth e seus gnomos o raptem e o levem para o castelo, onde Toby será transformado num gnomo se Sarah não o salvar antes.

Assim, Sarah terá treze horas para chegar até o castelo para salvar seu irmão, mas antes terá que atravessar o labirinto para chegar lá.

Labyrinth2

O labirinto é cheio de surpresas: musgos com olhos, portas com figuras falantes, e durante sua trajetória, Sarah vai encontrando criaturas estranhas e deliciosas, todas concebidas pela imaginação absurda de Henson.

Os cenários construídos para o filme são lindos, muito bem executados, além dos bonecos, também incríveis e tudo foi feito pra ao filme sem efeitos especiais, já que era uma época que o CGI ainda não dominava as produções que envolviam fantasia e aventura.

lab7

Aliás, vale citar que o filme foi dos primeiros a utilizar um CGI de animais, já que a coruja que abre o filme foi feita com esta tecnologia.

Os únicos atores humanos são Bowie, Connelly, mais o irmão e os pais dela e os figurantes do baile.

Entre os amigos de Sarah estavam: Hoggle (um boneco anão que exigiu muitos movimentos faciais e que foi conduzido pelo filho de Henson, Brian e também Shari Weiser), Ludo (monstro grande conduzido pelo hoje famoso escultor Ron Mueck e por Rob Mills), Sir Didymus (um gambá conduzido por Dave Goezl e David Barclay), Wiseman (conduzido por Frank Oz, que além de ter feito vários trabalhos com Henson, virou diretor e também manipulou o Yoda da saga ‘Star Wars”), Ambrosius (o cachorrinho que serve de cavalo para Sir Didymus e conduzido por Steve Whitmire e Kevin Clash), entre outros.

Labyrinth-2-1

Outro boneco bem interessante é a Junk Lady, com sua cara assustadora e cheia de lixos em suas costas.

lab Junk

Bowie declarou que teve algumas dificuldades como contracenar com os gnomos, já que as vozes deles saiam de vários lugares, pois os marionetistas tinham que ficar “escondidos” em outras partes. Ele também teve dificuldade de lidar com a bola de cristal que Jareth carrega e fica fazendo malabarismos com esta, tendo sido necessária a presença de um mágico para substituir as mãos de Bowie.

Labyrinth-2

Bowie canta quatro canções no filme, sendo que uma das mais conhecidas é o tema do filme, “Underground”, que foi lançada como single para divulgar o filme e virou hit nas pistas da época, especialmente pelos remixes lançados. Abaixo o vídeo dirigido por Steve Barron (diretor de “Take on Me” do A-ha e “Billie Jean’ de Michael Jackson), onde ele mistura um pouco de animação e onde participam alguns dos bonecos de “Labyrinth”:

Abaixo uma cena do documentário ‘Inside the Labyrinth”, com cenas dos bastidores da gravação de algumas das músicas do filme, como “Underground”, que teve participação nos backing vocals de Chaka Khan, Cissy Houston (a mãe de Whitney), Luther Vandross, bem como da guitarra do blueseiro Albert Collins:

Outra música famosa do filme é ‘Magic Dance”, na qual Bowie contracena com os gnomos, todos dançando, pulando, e para isso foi necessário a participação de quase 50 marionetistas, incluindo anões que vestiam as fantasias. Abaixo a cena no filme e também o vídeo com os bastidores da filmagem com depoimento de Bowie, que parecia estar se divertindo:

Outra linda música no filme é “When the world falls down’, uma cena de sonho no filme onde Bowie (Jareth) dança com Connely (Sarah), numa espécie de sedução, com dançarinos vestindo máscaras que remetem ao Carnaval de Veneza, com uma atmosfera a lá séc. XXVIII (o filme “Eyes wide shut” também tem uma cena similar):

Abaixo os bastidores da filmagem da cena, do doc “Inside the Labyrinth”:

Outra música de Bowie na trilha é “Within you”, na brilhante cena toda feita em escadarias que lembram os desenhos de escadarias de M.C. Esher:

A trilha foi composta por Bowie juntamente com Trevor Jackson, autor de diversas trilhas para o cinema como “Excalibur”, ‘The Last of Mohicans” (O último dos moicanos”), entre outros.

“Labyrinth” é diversão para família, tanto adultos quanto crianças se fascinam com a estória da garota e suas aventuras neste mundo mágico, habitado por criaturas fantásticas.

lab1

Um rito de passagem da adolescência para a vida adulta, das brincadeiras para um mundo de responsabilidades, “Labyrinth” tem um design de produção impecável, como na cena em que Sarah cai num túnel cheio de mãos, na qual foram necessários cem pessoas para vestirem mãos de látex que formam olhos, rostos, bocas – como vemos na cena abaixo com os bastidores da filmagem:

Quando o filme estreou em 1986, infelizmente este não teve o sucesso e reconhecimento merecido, tendo custado mais de 25 milhões de dólares e tendo arrecadado menos da metade, 12 milhões de dólares, nas bilheterias.

Isto acabou por deprimir bastante o seu diretor, Henson, e este foi o último filme dirigido por ele, que faleceu em 1990.

LabyrinthReboot-970x544

Porém, com o passar dos anos, o filme virou cult, sendo apreciado por diversas plateias que até hoje vêm e reveem o filme, seja em DVD, em reprises ou em plataformas de streaming como o Netflix.

Para comemorar o 30º aniversário do filme, recentemente foi exibida uma cópia nova do filme no Shea Stadium, no Brooklyn, em NY, com participação de novas bandas interpretando músicas do filme.

Em setembro, está prevista novas datas em alguns cinemas americanos que irão exibir o filme em comemoração aos seus trinta anos.

labyrinth-3

Além disso, terá outro evento com um baile que recria o famoso baile do filme, com participação de Brian Henson e exibição de fotos inéditas do filme, bem como premiação para o melhor figurino.

Também será lançada uma nova edição em Blu-ray do filme, incluindo o documentário, livreto, fotos e extras especiais com depoimentos da família de Henson, Connelly, Froud, entre outros.

E a Amazon lançará a edição exclusiva do DVD incluindo uma réplica da cena da escadaria, como na foto abaixo.

labyrinth special edition

Também estão previstos lançamentos de games, bonecos, livros e muito mais.

Houve boatos de um reboot do filme, mas nada foi confirmado e parece que não vai mais acontecer (ainda bem).

Uma pena que tanto Henson como Bowie não estão mais vivos para ver como “Labyrinth” marcou tanto a cultura pop que o aniversário de 30 anos não passará em branco e ainda deve conquistar mais público que não teve oportunidade de ver este filme tão especial nos cinemas.

 

   Comentário RSS Pinterest   
 

TODAY’S SOUND: OS 15 ANOS DE SIX FEET UNDER POR ARTHUR MENDES ROCHA

Este ano se completa o aniversário de quinze anos de uma das séries mais bacanas de todos os tempos: “Six Feet Under’ (A Sete Palmos), produção da HBO que marcou época por lidar com temas como a mortalidade de maneira sensível e emocionante.

Six_feet_under

Não é exagero dizer que “Six Feet Under” foi das melhores séries de todos os tempos, no mesmo nível de séries como “Sopranos”, ‘The Wire”, entre outras.

A série estreou em junho de 2001 e teve um total de cinco temporadas, terminando em agosto de 2005 e desde o começo, já foi aclamada pela critica.

Six_Feet_Under_a_l

Criada por Allan Ball (oscarizado pelo roteiro de ‘American Beauty” e criador de séries como “True Blood” e “Banshee”), a série inovou por misturar elementos surrealistas, humor negro, cadáveres que conversam, situações absurdas, tudo para nos contar os dramas desta família disfuncional.

‘Six feet under” é de um tempo que ainda não havia Netflix, HBO Go, Apple TV, enfim, para podermos acompanhá-la, dependíamos da HBO exibir todos os episódios em ordem ou importar os DVDs, já que algumas temporadas demoravam para estrear em relação aos EUA.

sixfeetunder (1)

Eu confesso que desde o episódio piloto, já fiquei viciado na estória da família Fisher, donos da funerária “Fisher & Sons”, onde se desenrola grande parte da série, já que a funerária é a casa deles.

No primeiro episódio o pai deles, Nathaniel (Richard Jenkins) já sofre um acidente fatal, bem no momento em que seu filho primogênito, Nate (Peter Krause), estava vindo visitar a família por ocasião das festas de final de ano.

Richard Jenkins, o pai da família, na frente da funerária Fisher & Sons.

Richard Jenkins, o pai da família, na frente da funerária Fisher & Sons.

Com a morte do pai, Nate acaba sendo convencido pela família de permanecer em L.A. (ele morava em Seattle) e assumir a funerária da família ao lado de David (Michael C. Hall), seu irmão.

six feet cast

Além dos Fisher, a série é centrada nas personagens que fazem parte de suas vidas, incluindo namorados, lances, amigos, colegas, familiares, enfim, vamos a um pouco de cada personagem:

- Nate Fisher (Peter Krause, da série “Parenthood”) – o irmão mais velho que muda sua vida para voltar para sua cidade natal e gerenciar a funerária. Nate é sensível, inteligente, mas cheio de dúvidas, principalmente no amor e em sua relação com a família. Irá sofrer de problemas de saúde no momento que a série avança.

Nate (Peter Krause) à esq. com seu irmão David (Michael C. Hall).

Nate (Peter Krause) à esq. com seu irmão David (Michael C. Hall).

- David Fisher (Michael C. Hall, mais conhecido como o “Dexter” da série homônima) – o irmão gay que no começo da série ainda não é assumido para a família e que se envolve com um policial, Keith, que irá se tornar seu namorado. David tem uma relação de amor-ódio com Nate, já que ficou muito tempo sem conviver e nem sempre concorda com suas decisões para a funerária.

O elenco principal da série.

O elenco principal da série.

- Ruth Fisher (Francis Conroy, de “American Horror Story” e que vem aí em “The Mist”) – a matriarca, dona de personalidade forte, mas confusa, exige demais dos filhos, teve relação conturbada com o marido falecido, se envolve com vários pretendentes (até mais jovens que ela), é das personagens mais fascinantes da série.

A matriaraca Ruth (Francis Conroy) com seus filhos Nate e Claire.

A matriaraca Ruth (Francis Conroy) com seus filhos Nate e David.

- Claire Fisher (Laura Ambrose, que esteve recentemente no reboot de “X-Files”) – a irmã mais nova e que eles sempre querem proteger. Rebelde, dona de si, talentosa, Claire não se deixa abater e está sempre pronta a novas experiências, seja no amor, na faculdade, enfm, ela é daqueles espíritos livres e não se interessa pelos negócios da família.

Claire (Laura Ambrose), seg. da esq. para a dir., com a família.

Claire (Laura Ambrose), seg. da esq. para a dir., com a família.

- Nathaniel Sr. (Richard Jenkins, ótimo ator de filmes como “O Visitante” e minisséries como “Olive Kitteridge”) – o patriarca que morre no primeiro episódio e que continua aparecendo até o final, seja para dar conselho aos filhos, aparecendo para consolá-los, suas aparições são sempre bem boladas e inesperadas.

- Brenda (Rachel Griffiths de “O casamento de Muriel’ e séries como ‘Brothers & Sisters”) – ela conhece Nate na viagem dele para LA e se apaixonam. Porém Brenda tem uma personalidade complicada, teve problemas na infância e adolescência, seus pais são ex-hippies, ela é viciada em sexo, enfim, sua relação com Nate será bem conturbada.

Brenda (Rachel Griffiths) á dir. com Nate numa foto promocional da série.

Brenda (Rachel Griffiths) á dir. com Nate numa foto promocional da série.

- Federico“Rico’ Diaz (Freddy Rodriguez de “Ugly Betty”) – ajudante da funerária, ele é dos melhores talentos da cidade se tratando de “maquiar” os defuntos, especialmente os que foram vítimas de algum acidente que os deixou detonados. Ele irá querer maior participação na funerária com o avançar da série.

six-feet-under-peter-krause

Federico “Rico” Diaz (Freddy Rodriguez), primeiro à esq., com Nate e David.

- Billy (Jeremy Sisto, de série como “Law & Order”, “Suburgatory’, “The Returned”) – irmão de Brenda e bipolar, ele é talentoso artista, porém sua doença acaba o prejudicando. Ele irá se envolver com Claire.

- Keith (Mathew St. Patrick, de “Sons of Anarchy”) – policial assumido que irá se envolver com David, se tornando seu namorado e convivendo com a família Fisher.

Keith (Mathew St. Patrick) com David, o casal gay da série.

Keith (Mathew St. Patrick) com David, o casal gay da série.

Além destes personagens mais fixos, vários outros atores possuíam personagens recorrentes  como Kathy Bates (que também dirigiu alguns episódios), Patricia Clarkson (no papel da irmã artista de Ruth), Joanna Cassidy (de ‘Blade Runner’ e a mãe de Brenda), Lili Taylor (atriz de inúmeros indies), James Cromwell, que esteve recentemente em “American Horror Story”), Robert Foxworth (o pai de Brenda), Rainn Wilson (de “The Office’ americano), Ben Foster ( de “X-Men”, o Confronto final”), Mena Suvari (de “American Beauty”), entre outros.

Francis Conroy com Kathy Bates numa cena da série.

Francis Conroy com Kathy Bates numa cena da série.

“Six Feet Under’ é inteligente, é sempre um toma na cara, focando em temas que envolvem vida/mortalidade de maneira contundente, para se ter uma ideia em todo o episódio da série, sempre escorria uma lágrima no final, pois os roteiros eram soberbos, fora as atuações, a direção, tudo era digno de nota.

Há episódios espetaculares, que lidam com questionamentos de sexualidade (foi das primeiras a ter um personagem gay fixo e de extrema importância), lealdade, loucura, vícios, relacionamentos nas suas mais diferentes formas; tudo isto tratado de maneira adulta e moderna.

Foto promocional com o elenco da série.

Foto promocional com o elenco da série.

Outro detalhe interessante é que cada episódio iniciava com a morte de alguém, geralmente desconhecido da família, e alguém ligado ao falecido (a) procurava a funerária para o velório/enterro. A partir desta morte, cada episódio se desenvolvia, muitas vezes questionando os motivos de cada morte ou desencadeando outras situações.

Abaixo um vídeo com algumas das melhores mortes da série:

Outro fator importante para o sucesso da série foi a afinação entre o elenco, os atores comentam que desde a primeira leitura do roteiro do primeiro episódio já houve uma identificação imediata entre eles, uma ligação que não tinha como explicar e que funcionou de maneira perfeita; a família Fisher parece que eram mesmo uma família de verdade.

six feet1

A trilha original foi composta por Thomas Newman (como o lindo tema de abertura abaixo, premiado com o Emmy), que já havia trabalhado com Ball na trilha de “American Beauty”, além de trazer bandas como  Stereo MC’s, The Beta Band, P.J. Harvey, Sia, Zero 7, Peggy Lee, The Dandy Warhols, Phoenix, Radiohead, Arcade Fire, Imogen Heap, Bebel Gilberto, entre outros.

Além disso, a série foi nominada para inúmeros prêmios, tendo conquistado três Globos de Ouro (incluindo melhor série drama), nove Emmys, mais o Screen Guild Awards (SAG) para o melhor elenco de série dramática.

O elenco com o s seus SAG awards.

O elenco com o s seus SAG awards.

Houveram episódios históricos como o que a mãe toma ecstasy sem saber e tem várias viagens, o que David sofre nas mãos de um criminoso, mas nenhum supera o final, que (sem spoilers) é o desfecho perfeito para esta série tão especial.

six-feet-under-theredlist

Quinze anos se passaram e “Six Feet Under” continua sendo uma unanimidade para quem acompanhou (ou acompanha), sendo que a HBO Go transmitiu durante todo o mês uma maratona do seriado em comemoração ao seu aniversário.

   Comentário RSS Pinterest   
 
professional essay writers canada purchase an essay i need help with writing an essay help on essay writing write my literature essay