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Today’s Sound

TODAY’S SOUND: THE PUNK SINGER POR ARTHUR MENDES ROCHA

Esta semana falaremos de filmes que foram destaque nos festivais e nos circuitos de cinema alternativo mundo a fora, mas que ainda não estrearam por aqui.

Iniciaremos pelo documentário ‘The Punk Singer” que conta a história de Kathleen Hanna, a icônica vocalista das bandas Bikini Kill e Le Tigre e que foi a idealizadora do movimento Riot grrrl.

O filme foi dirigido por Sini Anderson e teve sua estreia mundial no Festival SXSW (South by Southwest) do ano passado, mas este ano é que está sendo mostrado no hemisfério norte.

punk singer - cartaz

Anderson, além de diretora e performer, é a co-fundadora do Sister Spit, uma série de eventos de spoken-word (termo que inclui palestras, leituras).

O filme utiliza ótimas e raras cenas de arquivos, além de fotos e depoimentos de pessoas próximas a Hanna, artistas que trabalharam com ela ou que foram influenciadas por suas ideias.

punk singer - kathleen hanna

A diretora reuniu um grupo de artistas, principalmente mulheres, para dar seus depoimentos sobre Hanna, incluindo seu marido Adam Horovitz (dos Beastie Boys), Kim Gordon (Sonic Youth), Carrie Brownstein (da banda Sleater-Kinney e do seriado ‘Porlandia’), Tamra Davis (diretora de videos, filmes e séries), Joan Jett (ícone do rock feminino), Corin Tucker (Sleater-Kinney) e muitos outros.

punk-singer - poster 3

O filme nos conta toda a história de Hanna, como quando esta começou seus estudos e iniciou seus interesses por se manifestar artisticamente, sejam em eventos culturais em sua escola, bem como em montar uma banda com suas colegas.

Hanna estudou fotografia em Olympia (Washington), mas logo cedo começou a produzir fanzines onde já pregava os ideais feministas e logo chegou à conclusão que, a melhor maneira de suas ideias atingirem o máximo de pessoas, era através da música.

Assim, ela se juntou a sua amiga e colega Kathi Wilcox e Tobi Vail (que não está no doc), além de Billy Karen (único membro masculino), e montaram a banda punk Bikini Kill.

bikini kill

O Bikini Kill foi uma das primeiras bandas do movimento riot grrrl, movimento dos anos 90 que reunia bandas formadas por mulheres (em sua maioria) e que cantavam em suas letras a luta pelos direitos das mulheres e os ideais feministas.

Um dos grandes fãs da banda era Kurt Cobain, que era amigo de Hanna, admirador da banda e do movimento. Foi Hanna que escreveu em uma parede:  ‘Kurt smells like teen spirit” (frase esta que inspirou a canção mais famosa do Nirvana).

kurt e bikini

Uma das inovações nos shows do Bikini Kill é que a banda enfrentava os punks mais radicais, chamando à frente do palco as mulheres, distribuindo panfletos para elas, uma atitude nova para a época.

Daí vinha seu grito de guerra: ‘Women to the front’ (mulheres à frente), que ela gritava a altos brados em seus shows.

A banda chegou a fazer sucesso no circuito alternativo americano, em festivais como o Lollapalooza, além de clipes rodando na MTV como “Rebel Girl”:

À medida que o movimento foi se tornando maior e mais conhecido, a imprensa começou a distorcer os reais objetivos do riot grrrl e isto acabou irritando Hanna e suas seguidoras, que optaram por um “media blackout”, evitando declarações à imprensa.

Depois de excursionar com a banda, lançar discos, a banda decidiu terminar em 1997.

Assim, ela se dedica a vários projetos pós Bikini Kill, incluindo o The Fakes, até focar em seu projeto solo Julie Ruin, que havia lançado apenas um disco ao estilo new wave e mantendo as letras de temática feminista. O Julie Ruin acaba sendo um disco bem influente na época, apesar da pouca vendagem.

punk singer - hanna singing

Hanna forma em 1998, com sua amiga Johanna Fateman, o Le Tigre, banda de electro que teve sucesso no início dos anos 00, mesclando letras politizadas com batidas eletrônicas.

Ao Le Tigre se juntou mais Samson, e eles lançaram discos, singles e viajaram por vários lugares até que em 2005, Hanna resolveu parar com tudo ao passar mal em um dos shows, tendo que interrompê-lo pela metade.

Le-Tigre

Neste momento, o filme nos mostra que Hanna havia abandonado sua carreira musical por um forte motivo, sua saúde estava debilitada por uma rara doença: “a lhyme disease”.

Já era notório que Hanna havia parado de se apresentar, mas o documentário mostra ela explicando todo o porquê de sua decisão, tendo sempre o apoio do marido Horovitz.

punk singer - adam e hanna

Assim, The Punk Singer acaba sendo um retrato fiel, honesto sobre uma artista que sempre lutou pelo que acreditou, enfrentou todo o tipo de crítica, demorou a ser aceita e, no auge de sua carreira, é obrigada a parar com tudo e repensar o que fazer, mas nunca deixando de acreditar em sua arte.

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O documentário é ágil, excitante, nos mostra os vários períodos da vida de Hanna com os registros de algumas das melhores apresentações, como se formou o riot grrrl, as suas fãs, amigas, feministas que acreditam no seu legado; enfim, tudo isto é mostrado em “The Punk Singer”.

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Hanna também reviveu o Julie Ruin, com um novo disco e cujo clipe, “Oh come on”, podemos ver abaixo:

Recentemente, Hanna voltou à mídia quando Miley Cirus publicou fotos dela em seu Instagram e declarou que é sua fã.

 Hanna agradeceu o elogio e se mostrou aberta para algum tipo de colaboração entre elas.

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Já que Miley se denomina um novo tipo de feminista, quem sabe com os conselhos de Hanna, ela tenha mais embasamento e referência para transformar esta atitude em músicas com letras que ajudem à causa e ensinem novas gerações a terem um posicionamento definido. Assim esperamos…

 

 

 

 

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TODAY’S SOUND: MALCOM MCLAREN E LET IT ROCK NA ART IN POP

Podem chamá-lo de tudo – marqueteiro, aproveitador, ambicioso- mas uma coisa ninguém pode negar: Malcom McLaren era um visionário, tinha um senso fashion absurdo, era um pioneiro em vislumbrar o que a juventude procurava, em estar atento às tendências e comportamentos das novas gerações.

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Agora, finalmente, ele é o motivo de uma nova exposição intitulada “Let it rock: The look of music the sound of fashion”, que foi mostrada na Copenhagen International Fashion Fair e que agora será mostrada, em partes, no Le Magasin, em Grenoble, França, na mega exposição ‘Art in Pop”.

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A expo “Art in Pop” pretende mostrar a relação da música e das artes plásticas e nisto McLaren já havia pensado ao abrir sua primeira butique com Vivienne Westwood (então sua esposa) e que atendia pelo nome de Let it Rock.

malcom e vivienne at the shop

Já em 1971, McLaren e Westwood apostavam no que se transformou o conceito de pop-up store, pois ao abrir a Let it rock, eles acabaram por a transformarem com o passar dos anos e ir trocando seus nomes e propostas.

Assim, a Let it Rock começou apostando num look anos 50, da chamada tribo dos “Teddy boys” e foi evoluindo, foi modificando suas ‘instalações” para a abrigar a Too fast to live, too young to die, a SEX, a Seditionaires até chegar na Worlds End, lojas que inventaram o visual punk.

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Isto tudo ocorreu no mesmo endereço da King’s Road, 430, lugar mítico e que reunia as tribos mais esquisitas e atraentes da Londres dos anos 70 e 80.

Os curadores da expo são Paul Gorman (da revista Dazed & Confused) e Young Kim, a companheira de Malcom McLaren até o final e a responsável pelo seu ‘Estate”, ou seja, os direitos pelo seu legado.

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McLaren foi um ícone pop, ele merecia o mesmo patamar de um Andy Warhol, pois, além de ser o empresários dos Sex Pistols, ele fez e aconteceu na Inglaterra, tanto na música como na moda.

Ele lançou bandas como o Bow Wow Wow,  além de discos próprio cheios de contribuições de vários artistas; ele foi dos primeiros a misturar ópera com música pop (‘Madame Butterfly”no seu disco ‘Fans”), a tornar a dança Vogue um hit (com ‘Deep in Vogue”, muito antes de Madonna).

Além disso, ele fez um revival da chanson française, misturando-a com música eletrônica, no disco “Paris” onde canta com Catherine Deneuve:

A moda já estava no seu DNA desde cedo: sua mãe e seu padrasto possuíam uma marca feminina, a Eve Edwards, e seu avô era um alfaiate e tinha um ateliê na famosa meca da alfaiataria inglesa, a Saville Row.

Aos 16 anos, McLaren já frequentava diversas escolas de artes e seu senso já o dizia que misturar arte, música e moda daria algo bacana e inusitado.

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Na exposição podem sem vistos os designs que ele criou com Vivienne Westwood, além de posters, fotos, revistas e vídeos raros, bem como seus cadernos de anotações, muito material que permanecia inédito.

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Sua última companheira, Young Kim, fez um extenso trabalho de pesquisa para mostrar pela primeira vez um pouco mais da personalidade de McLarem, suas obsessões, suas ideias, seus interesses em movimentos como o punk, new-romantic, entre outros.

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A famosa butique Sex foi dos primeiros lugares a tornar o fetiche algo fashion, tirando-o dos guetos dos clubes pornôs e onde era proibido a entrada de menores de idade.

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Mclaren tabém foi dos primeiros a sacar o talento de uma nova geração de artistas de grafite como Keith Harring, Richard Hambleton e Dondi White, que criaram o visual do álbum “Duck Rock” de 1983.

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Um dos destaques era  “Buffalo Girls” (onde ele foi influenciado por Afrika Bambaata e a emergente cena hip-hop americana). Prestem atenção que no vídeo ele veste um chapéu como o que Pharrell Williams usou na entrega do Grammy deste ano:

 Malcon era um apaixonado pelo novo, assim ele experimentava com isto, se cercava de pessoas que o estimulavam, queria sempre estar criando algo inovador e isto o perseguiu até o fim de seus dias.

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Como ele declarou: “Eu sempre disse que o punk era uma atitude. Nunca apenas ter um corte moicano ou usar uma camiseta rasgada. É sobre destruição e o potencial criativo decorrente disto.”

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Suas lojas eram ponto de encontro das mentes mais criativas, suas criações tanto em t-shirts (como a icônica God save the Queen) como em filmes, clipes, álbuns, estarão para sempre marcadas no imaginário pop, que McLarem tenha seu reconhecimento em exposições como esta, que começa em 11 de outubro e vai até 04 de janeiro de 2015.

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TODAY’S SOUND: TRILHA DE GOOD MORNING VIETNAM POR ARTHUR MENDES ROCHA

Já que estamos falando de trilhas sonoras, hoje faremos um tributo a Robin Williams (falecido nesta semana) com a trilha de um de seus melhores filmes, “Good Morning Vietnam” (Bom dia Vietnã).

good trilha original

O filme foi dirigido por Barry Levinson em 1987 e foi a estreia cinematográfica de um comediante vindo da TV, Robin Williams.

Este foi o filme que o revelou em Hollywood, lhe dando sua primeira indicação ao Oscar.

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“Good Morning Vietnam” é baseado nas experiências do DJ Adrian Cronauer, que já havia tentado levar seu filme para a TV sem sucesso e que conseguiu a atenção de Wiliams e consequentemente de Levinson.

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O filme conta a história deste DJ, vivido por Wiliams, que desembarca na Saigon de 1965, em plena guerra do Vietnã, e que adota um comportamento completamente inesperado como disc-jockey da rádio das Forças armadas.

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Ele irrita seus superiores, que o forçam a tocar músicas mais caretas, mas ele enfrenta a todos para levar aos soldados músicas que ele gosta e acredita que levantarão a moral das tropas americanas no Vietnã.

Aí que está o legal do filme e da trilha: Williams brinca antes de introduzir cada canção, fazendo improvisações e piadas divertidas para quebrar o clima pesado e trágico de uma guerra e procura animar as tropas com observações engraçadas.

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A seleção da trilha é um primor de canções pop, rock, soul, jazz dos anos 60, fugindo do óbvio e optando por canções marcantes, mas não tão badaladas (pelo menos na época que a trilha foi lançada).

Uma das grandes sacadas foi a inclusão de ‘What a wonderful world” de Louis Armstrong, que na época estava esquecida e que é revivida no filme de forma brilhante, voltando às paradas de sucesso por ocasião do lançamento do filme:

Mas a trilha é muito mais do que isso e também inclui a ótima ‘Nowhere to run” de Martha & the Vandellas, canção deliciosa e que não deixa de ser irônica, já que fala de “nenhum lugar para fugir”. Na introdução da música, Williams faz uma piada que no Vietnã era tão quente que você poderia cozinhar coisas nos seus shorts:

Não poderia faltar um James Brown para animar as tropas e no vídeo abaixo Williams faz uma de suas improvisações para tocar “I got you (I feel good)”:

As piadas de Williams foram incluídas na trilha e lhe renderam seu primeiro Grammy (o primeiro de cinco que ele conquistou durante sua carreira).

O grupo Them (do qual participava Van Morrison) também está na trilha com ‘Baby please don’t go’:

A escolha das canções foi feita por David Anderle, produtor de artistas pop como Rita Coolidge, Judy Collins, Lee Hazlewood, entre outros, que se mostrou bastante inspirado.

Também estão na trilha Beach Boys, The Searchers, The Vogues, The Castaways, The Rivieras, Marvellettes e outras bandas bacanas dos anos 60.

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O próprio título do filme se refere à maneira que Wiliams abria seus programas, gritando: “Goooooood Morning Vietnaaaaam”! Abaixo vemos várias cenas com as introduções e piadas de Williams:

No filme são executadas várias outras músicas que acabaram ficando de fora da trilha, já que se fossem lançadas ia acabar sendo um disco duplo ou triplo.

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Assim, ainda ficaram de fora artistas como Wilson Pickett, Herp Albert, Frankie Avalon, Perry Como, The Supremes, Lawrence Welk e muitos outros.

A trilha fez tanto sucesso que entrou para o top 10 e recebeu o certificado de platina pela excelente vendagem e isso que só incluía hits antigos ou esquecidos do público de então.

 

 

 

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TODAY’S SOUND: TRILHA DE “BREAKFAST AT TIFFANY’S” POR ARTHUR MENDES ROCHA

No início da década 60, um filme com Audrey Hepburn vai mexer com as mulheres que ficam deslumbradas com o estilo dela e com a deliciosa música de Henry Mancini em “Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de Luxo)”, que arrebata dois Oscars.

breakfast - trilha original

O filme teve direção de Blake Edwards (que viria a fazer os filmes da Pantera Cor de Rosa com Peter Sellers, entre outros) e era baseado em um livro de Truman Capote.

Capote escrevera um livro onde o personagem principal era uma prostituta de nome Holly Golightly e este foi transformado em filme e amenizado para as plateias da época.

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A ideia inicial era ter Marilyn Monroe no papel de Holly, mas o papel acabou ficando com Audrey, que arrasou em sua caracterização, vestida de Givenchy e visitando a joalheria Tiffany (daí o título original).

O livro é bem diferente do filme, pois o livro é mais dark, retratando a vida de Holly como difícil, complicada.  No filme, seu pai (Buddy Ebsen) não entende seu estilo de vida, o irmão nem é mostrado; Edwards optou por uma abordagem mais ‘leve”, que acaba sendo uma comédia romântica.

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O grande interesse amoroso de Holly (mesmo que ela não queira admiir) é um escritor, Paul (vivido por George Peppard), que se muda para o apartamento vizinho.

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A trilha, composta por Henry Mancini, é um dos grandes destaques do filme, com um misto de ‘cocktail music”, easy listening com toques de swing e cha-cha-cha; um tipo de sofisticação que é difícil de encontrar no cinema de hoje.

O compositor conquistou dois Oscars pela trilha: um para o melhor score e outro pela canção “Moon River”, assinada por ele e mais Johnny Mercer (um dos grandes letristas americanos).

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A canção foi pensada para o alcance de voz de Audrey, que nunca foi uma cantora profissional, portanto seu alcance de voz é limitado. Mesmo assim, Audrey não faz feio e sua interpretação da canção, sentada na escada de incêndio, é um dos momentos mais emocionantes do filme:

Na verdade, “Moon River” quase fica de fora do filme, pois os produtores a consideravam um peso-morto e pediram para cortá-la da edição final. Audrey teve que se intrometer e pedir para mantê-la, ainda mais por sua grande amizade com Mancini. Ela teria declarado que a canção seria retirada ‘over my dead body’ (por sobre o meu cadáver).

Ela chegou a ter aulas de violão para dar mais realismo à cena.

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No final das filmagens, Audrey enviou uma carinhosa carta à Mancini (abaixo), lhe agradecendo por sua música e o chamando de ‘o mais sensível dos compositores”.

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Para a felicidade de todos, os produtores voltaram atrás e a música virou um hit e hoje é considerada um dos grandes standards da música americana, sendo gravada pelos mais diferentes astros da música como Frank Sinatra, Morrissey e muitos outros.

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Mancini foi um dos maiores e melhores compositores de trilhas para o cinema, suas inconfundíveis composições foram temas de filmes como os da série da Pantera Cor de Rosa, além de “Touch of Evil”, “Hatari’ (e a famosa “Baby Elephant Walk”), “Charade”, “The Party”, “Victor Victoria”, “Frenzy” e muitos outros.

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Blake Edwards conhecia Mancini através de sua esposa e sua primeira colaboração foi na trilha da série de TV “Peter Gunn”, a qual ele criou o tema principal.

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Inclusive, na trilha, Mancini fez um ótimo balanço do estilo crime-jazz de Peter Gunn com sua trilha de ‘Touch of Evil”, mantendo todo seu talento como jazzista e arranjador. O filme começa com a versão instrumental de ‘Moon River”:

A trilha é um primor, pois dá a atmosfera para o filme, pontua os momentos mais importantes de maneira excepcional.

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Uma das cenas mais divertidas é a da festa que Holly (Audrey) promove em seu pequeno apartamento e que vira uma festança, cheia das figuras mais diferentes que exageram na bebida; é o tipo da festa que dá vontade de participar e sem dúvida, das melhores que o cinema já mostrou, tendo ao fundo a música “The Big Blow-out”:

O personagem de Mickey Rooney (recentemente falecido) é o vizinho chato, caracterizado como um oriental que se irrita com tudo e que mereceu sua própria música na trilha,“Mr. Yunioshi”:

Outra cena deliciosa do filme é a que Holly e Paul entram em uma loja e ameaçam roubar bobagens, apenas pela emoção de “roubar”. Eles acabam roubando duas máscaras de Halloween e saem pelas ruas de NY se divertindo com a cara de quem passa por eles.

Também merece destaque a música “Hub caps and tall lights”, que lembra muito o tema de “Adams family”:

Outros personagens importantes são a amante de Paul, vivido pela atriz Patricia Neal (como uma chique dama da sociedade nova-iorquina) e o gato, o bichinho de estimação de Audrey que mereceu também a sua própria canção no filme, “Something for Cat”:

Quando foi editada, a trilha não continha a versão de “Moon River” com Audrey cantando e sim apenas a versão instrumental.

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Aliás, isto era um procedimento normal de Mancini: regravar e rearranjar as músicas do filme para que fossem lançadas em uma trilha mais easy listening, de mais fácil digestão para os ouvintes da época.

Só que isto acaba perdendo a profundidade e o elemento cru que a trilha executada no filme possuía.

breakfast-tiffanys-audrey c tapa olho

 

Em 2007, a gravadora especializada em trilhas, Intrada, editou uma versão muito mais completa da trilha incluindo a versão de Hepburn, com 26 faixas a mais que a original.

Breakfast-at-Tiffanys - reedição 2007

Esta versão é tão completa que inclui temas não editados na trilha de 1961, bem como quatro versões demo e não utilizadas de “Moon River, a cena do roubo, versões originais completas e muito mais.

Breakfast At Tiffany's (14) - verso

‘Moon River’ virou um clássico, sendo interpretada inúmeras vezes pelos mais diferentes artistas, mas a versão de Audrey ainda é considerada a definitiva.

Como Audrey fala na carta que escreveu a Mancini: “Um filme sem música é como um avião sem combustível”.

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“Breakfast at Tiffany’s” é Mancini em seu ápice de criatividade, bom gosto, elegância e merece ser apreciada como um dos melhores registros de uma trilha sonora concebida especialmente para um filme.

 

 

 

 

 

 

 

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TODAY’S SOUND: TRILHA DE BLOW-UP POR ARTHUR MENDES ROCHA

“Blow Up”, além de ser um dos filmes mais influentes e enigmáticos da cultura pop, tem também um trilha sensacional, composta por Herbie Hancock.

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O filme estreou em 1966, deixando toda uma geração atônita, que procurava desvendar o filme misterioso de Michelangelo Antonioni, que sob um fundo pop, tendo como cenário a Swinging London, levantava questões socioculturais e existencialistas.

blowup poster duplo

Este mod-noir foi baseado em um conto de Julio Cortázar, foi o primeiro filme americano do diretor e tinha nos papéis centrais David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles, além de aparições de it-girs da época como Jane Birkin e Veruschka, entre outros.

Blowup_1966_david e veruschka

A trilha do filme também é cheia de contradições, já que coloca um score jazz numa época dominada pelo som dos jovens que era o rock, e mesmo bandas como Yardbirds, Tomorrow e Lovin’ Spoonful tem pequena participação.

blow up - ed. francesa

A trilha original foi editada em 1966 pela MGM Records e o filme conquistou a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1967.

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Na verdade, Antonioni havia convidado o grupo Tomorrow (o qual era integrado por Steve Howe, do Yes) para compor a trilha e a cena no club, mas acabou optando pelo Yardbirds na última hora, mas somente na cena do club.

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Segundo Antonioni, ele queria “recriar a realidade de forma abstrata” e um dos temas principais do filme é justamente “ver de maneira apropriada, ou não, a verdadeira natureza das coisas”.

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Herbie Hancock tinha apenas vinte e poucos anos quando foi chamado por Antonioni para encontrá-lo em Londres, enquanto dava os toques finais no filme,muito antes de ser o reconhecido jazzista remiado com Grammy e até um Oscar (pela trilha de “Round Midnight”).

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Hancock disse que Antonioni o chamou por que gostava de jazz e era isto que queria colocar no filme, uma música que fosse natural.

E foi isso que fez, ele acabou utilizando a ‘source music”, a música que fica tocando ao fundo, que pode ser de ligar um rádio ou colocar um disco para tocar.

blow up - contra capa

A trilha é quase toda instrumental e Hancock queria gravá-la em Londres mesmo, aproveitando os músicos de jazz ingleses.

Mas faltava a eles a agressividade dos nova-iorquinos e assim Hancok teve de regravar toda a trilha com músicos americanos que acabaram sendo um who’s Who do jazz da época: Jimmy Smith, Joe Henderson, Phil Woods, Fred Hubbard, Jack DeJohnette além de seus companheiros no Miles Davis Quintet, Ron Carter e Tony Williams (ou Paul Griffin como alguns afirmam).

37th Annual New Orleans Jazz & Heritage Festival Presented by Shell - Herbie Hancock Quartet - April 29, 2006

Hancock deixou bem claro para Antonioni que não sabia compor especialmente para cinema, mas Antonioni queria apenas jazz tunes.

O tema do  abertura do filme tem uma levada blues, com uma linha de baixo mais lenta, mas a bateria rápida:

Nas cenas em que Hemmings fotografa Veruschka (uma das mais famosas do filme), Hancock criou Veruschka (Part 1) com uma harmonica, dando a sensualidade que a cena requeria:

O ‘Jane’s theme”, a cena onde o fotógrafo encontra Jane (Redgrave) em seu estúdio e tenta a seduzir lhe oferecendo um cigarro de maconha, é suave, mas ao mesmo tempo tem que ter uma pegada diferente, já que o fotógrafo fala para ela: “against the beat”. O jazzy mood é feito pelo próprio Antonioni, quando o fotógrafo coloca na vitrola um disco da Verve (o famoso selo de jazz americano).

Uma música que acabou ficando fora da trilha foi “Bring down the birds”, que Hancock compôs para que esta fosse utilizada na cena em que Hemmings fotografa várias modelos. Antonioni preferiu utilizar pedaços de músicas do Lovin’ Spoonful.

 Anos mais tarde, estes acordes de Hancock foram sampleados pelo Dee-Lite no seu mega hit “Groove is in the heart”.

Outra música que merece destaque é “Curiosity”, tema com toda a intensidade jazzy de Hancock, um dos melhores momentos da trilha, misturando mistério, sensualidade, feel-good moments:

A escolha dos grupos pop que participariam da trilha também foi cheia de problemas. Primeiro Antonioni contactou o Velvet Underground, mas este teria problemas de visto para trabalhar em Londres e desistiram.

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Depois ele contactou o The Who, que também acabou não se concretizando, mas sua influência pode ser sentida na atmosfera da banda no filme.

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Outra banda que colaborou com Antonioni foi o Tomorrow, banda sugerida pelo ator David Hemmings que era fã do cantor Keith West. A banda acabou cedendo duas músicas para a trilha, ‘Am I glad to see you” e ‘Blow-Up”, que acabaram ficando de fora do filme e somente editadas como out-takes na reedição da trilha pela Rhino em 1996.

A cena que a banda quebra a guitarra no club acabou sendo feita pelo Yardbirds, composto por nada mais nada menos que Jimmy Page (pré-Led Zeppelin) e Jeff Beck (que é o que quebra a guitarra) antes de seus outros projetos e que ficaram imortalizados em celuloide pelas mãos de Antonioni.

Depois de mostrar várias músicas para o diretor, ele recusou várias opções do Yardbirds e acabou optando por “Stroll on” que teve de ser refeita com novas letras para agradar Antonioni.

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Por ocasião da premiere do filme em NY, Hancock estava presente viu o filme e ficou decepcionado , pois no filme sua trilha acabou desaparecendo, não ficou do jeito que ele queria.

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Assim, ele ligou para Antonioni e reclamou com o diretor que afirmou: ‘eu fiz do jeito que estava sentindo, desculpe”, mesmo assim ele bateu o telefone na cara do diretor.

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Alguns dias depois, ele repensou e chegou à conclusão que ele, Hancock, havia ido ver o filme por causa de sua trilha e na verdade, o filme é a visão do diretor e não do músico, assim ele se desculpou com Antonioni e entendeu a opção do diretor.

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Alguns anos mais tarde, andou rolando um LP com versões de Hancock que não foram utilizadas no filme, “Blow Up Extra Sessions”, mas é uma raridade, só encontrada a preços exorbitantes.

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TODAY’S SOUND: TRILHA DE BLADE RUNNER POR ARTHUR MENDES ROCHA

“Blade Runner’ foi um dos maiores filmes cult de todos os tempos e já teve várias trilhas editadas, desde partes do original, reinterpretações, piratas, edições mais completas; mas, na verdade, a trilha original mesmo nunca foi lançada.

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O filme chegou aos cinemas em 1982, sob a direção de Ridley Scott, baseado numa história de Phillip K. Dick, e a trilha foi composta pelo grego Vangelis (que logo em seguida foi premiado com o Oscar pela trilha de “Carruagens de fogo”).

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Os dois já haviam trabalhado juntos em um comercial para a Chanel, portanto eles já se conheciam e sabiam da metodologia de trabalho de cada um.

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O filme até hoje gera muitas discussões e diferentes interpretações, mas é, sem dúvida, dos melhores filmes de ficção-científica já produzidos, um misto de science-fiction e film noir que agradou em cheio, seus visuais foram muito copiados pela publicidade da época e vários diretores se inspiraram no filme para fazer suas obras.

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Os créditos iniciais já nos preparam com o que está por vir, com uma música futurística, de texturas eletrônicas, os teclados de Vangelis, a atmosfera soturna, e que nos mostra a Los Angeles de 2019 (lembrando que o filme foi feito há 32 anos atrás).

Além disso, o elenco era outro atrativo, trazendo Harrison Ford como o detetive que deve capturar androides fugitivos interpretados por Rutger Hauer, Darryl Hannah e Joanna Cassidy, além da bela Sean Young, Edward James Olmos, entre outros.

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Vangelis compôs a trilha assistindo aos vídeos do que Scott filmara, espalhando vários monitores em seu estúdio e de onde poderia avistá-los de qualquer posição. Assim, ele acabou compondo a trilha diretamente, sem escrever a música.

Suas trilhas são compostas de maneira espontânea, ele vai improvisando em cima e os resultados são magníficos, com a música fazendo parte natural das cenas, ela é totalmente entrosada com as imagens.

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A escolha de compor uma trilha eletrônica, utilizando muitos sintetizadores, foi algo normal, já que Vangelis já trabalhava desta maneira, pois lhe permitiam criar obras sinfônicas sem o uso de músicos de orquestras.

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Quando o filme foi lançado, a trilha que o acompanhava não era a trilha original e sim uma reinterpretação da New American Orchestra, que usou os temas de Vangelis e criou versões orquestradas e com climas de jazz.

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As primeiras aparições da trilha original foi no disco “Themes”, que Vangelis lançou em 1989 e no qual haviam várias músicas compostas por ele para o cinema e incluía as três versões originais de temas de Blade Runner como “Love Theme”, ‘End title” e ‘Memories of Green”.

“Love theme”, o tema de amor de Deckard (Ford) e da replicante Rachel (Young) foi o grande hit da trilha, com suas nuances retro-futuristas, conforme as emoções dos personagens e finalizando com um saxofone, sendo utilizado desde comerciais até em casamentos.

Somente em 1994, Vangelis lançou a trilha original do filme, mas ainda incompleta, pois faltavam alguns temas originais. No encarte, Vangelis se desculpa com os fãs afirmando que na época em que o filme foi lançado, ele estava impossibilitado de lançar a trilha original por motivos de licenciamento, direitos autorais que não lhe pertenciam, enfim.

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O lançamento incluía novas gravações de Vangelis, inspiradas pelo filme, mas que não faziam parte da trilha original.

A trilha também continha “One More Kiss Dear” de Don Percival, que remete a uma época muito diferente da que se passa no filme. Na versão que acabou não sendo lançada, esta múscia era, na verdade, ‘If I didn’t care’ do Ink Spots.

Também merece destaque, o “Blade Runner Blues” e sua melancolia futirista:

Outra cena marcante no filme é a cena final do confronto entre Deckard e Roy (Hauer), que brigam em cima de um prédio, abaixo de chuva, cena de uma plástica absurda, que é pontuada com a música de Vangelis, “Tears in the rain”, confrontado vida e morte, liberdade e confinamento, se transformando de um tema calmo, suave para um tema heroico.

Outra grande sacada de Vangelis foi utilizar instrumentos familiares, porém sob a ótica eletrônica, já que sons de pianos, sinos e outros, foram modificados em estúdio para dar a dimensão futurista necessária.

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Em 2007, por ocasião do 25º aniversário do filme, foi lançada uma edição com cinco dvds, uma maleta ao estilo que Deckard utiliza no filme e também uma edição especial com três CDs das diferentes trilhas que inclui a trilha lançada em 1994, mais dois discos com material inédito.

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Este material inédito contém músicas que não haviam sido lançadas oficialmente bem como novas composições de Vangelis ou músicas inspiradas pelo filme.

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Outras versões piratas andaram rolando na época de lançamento do filme ou durante os anos seguintes por aqueles que buscavam o material original.

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Assim havia uma fita cassete de 1982 que era vendida em convenções de ficção científica, um disco de 1993 da OFF World Music (que era mais completa que a versão lançada pelo próprio Vangelis e 94), além de mais umas três edições que misturavam músicas do filme, incluindo a trilha incidental e até de um videogame baseado no filme.

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A fita cassete desconfiava-se se tratar de que era de um engenheiro de som que participou da mixagem da trilha, mas cuja qualidade sonora era bem ruinzinha.

Recentemente, a trilha original ( a de 1994) foi finalmente editada em vinil (inclusive em um vinil vermelho), o que não havia ocorrido até agora.

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E em 2012, por ocasião do 30º aniversário do filme, foi editado mais uma versão em blu-ray, bem como uma nova edição da trilha, desta vez Edgar Rotermich, que refez toda a trilha de Vangelis da maneira original, como havia sido concebida para o primeiro filme.

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Até hoje, Blade Runner continua sendo admirado pelas mais diferentes gerações; sua trilha ainda é objeto de desejo dos fãs que tem a esperança que Vangelis, edite-a ela tal e qual no filme original (que também teve duas versões no cinema: a primeira e a Director’s cut).

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Vangelis segue a influenciar os mais diferentes artistas como Dillinja, Future Sound of London, Outkast, Leviathan, entre outros.

 

 

 

 

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