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Today’s Sound

TODAY’S SOUND: ISADORA DUNCAN POR ARTHUR MENDES ROCHA

Revolucionária, amante das artes, um espírito livre, independente, feminista, ela é uma pioneira da dança moderna, ela é Isadora Duncan.

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Isadora era inspirada pelos gregos, pelos movimentos da natureza, como o vento, plantas e animais; ela fazia da dança sua forma de expressão e foi das primeiras a romper com o padrão clássico do balé.

Isadora nasceu em São Francisco, na Califórnia, em 1877, mas seus pais se separaram cedo e ela muda com os irmãos para Oakland, enquanto a mãe os sustentava dando aulas de piano.

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Sua mãe também a fez ter contato cedo com autores como Keats, Shakespeare, Shelley, Dickens, Whitman, lhe dando inspiração artística na mais tenra idade.

Aos quatro anos, ela já aprende a dançar balé clássico e aos nove, já está dando aulas com a irmã para ganhar um dinheiro extra.

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Porém, com seu espírito rebelde, ela questiona os ensinamentos do balé clássico e resolve romper com tudo e declara que o balé clássico era como ser um fantoche articulado e sem alma. Além disso, no balé as mulheres eram sempre guiadas pelos homens e na dança de Isadora, isto não acontece, as mulheres são livres para se expressarem.

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Em 1895, procurando abrir os horizontes, ela vai primeiramente para Chicago, logo em seguida, N.Y. e em 1899, se muda para a Europa. O velho continente tem tudo a ver com as aspirações artísticas de Isadora e ela se considerava europeia de alma.

Na Europa, Isadora visita museus como o Louvre e o British Museum, onde se inspira nos objetos e nos afrescos da Grécia antiga e nas pinturas da Renascença, decidindo que o que gostaria de fazer na vida era dançar como se dançava nesta época, livremente.

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Ela é convidada para dançar para os patronos das artes, usando túnicas de seda, dançando com os pés descalços, longe dos corseletes e das sapatilhas. Ela fazia suas próprias coreografias, com técnicas inovadoras, além de utilizar músicas subversivas de Wagner ou Chopin (que até então eram somente escutadas e não dançadas).

Em sua opinião: “Tive três grandes mestres, os três grandes precursores da dança no nosso século: Beethoven, Nietzsche e Wagner”.

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Até mesmo os cenários de suas apresentações eram apenas um fundo com cortina azul, não era necessário nenhum adorno já que o que pretendia passar para a plateia era apenas a sua dança, pura e simplesmente.

Aos poucos, Isadora vai atraindo a atenção dos europeus, também em virtude dos escânda-los, e em 1902 é convidada para dançar na Hungria, com uma orquestra interpretando o Danúbio Azul de Johan Strauss e obtendo grande sucesso.

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Em Viena, ela tem contato com artistas expressionistas como Egon Schiele, que admiravam seu trabalho.

Até que em 1905, ela consegue finalmente realizar um de seus sonhos: abrir uma escola de dança na Alemanha, juntamente com sua irmã, somente com o lucro de suas apresentações.

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Nesta época, sua fama vai aumentando entre a elite cultural da época, incluindo Rodin, Fokine, Nijinsky, Gertude Stein, entre outros.

Em sua vida pessoal, ela teve uma filha com o cenógrafo Edward Gordon Graig, bem como um filho com Paris Singer, o rico herdeiro das máquinas de costura Singer.

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Inclusive foi o milionário Singer que custeou a sua segunda escola, aberta nos arredores de Paris, um pouco antes da Primeira Guerra Mundial.

Em um espetáculo no Metropolitan de NY, ela dança ao som da Marselhesa, realizando danças militares e chamando os americanos para lutarem na guerra.

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Porém, no final de 1913, uma grande tragédia acontece em sua vida: ela perde seus dois filhos em um acidente de carro, que estavam acompanhados de sua governanta e afundam no Rio Sena.

Este fato será marcante para Isadora, que após a morte deles, enfrenta um período de depressão, se afastando dos palcos durante um tempo.

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Entre 1916 e 1920, Isadora se apresenta em diversos lugares, dançando e coreografando peças de Tchaikovsky, Schubert, Chopin e Scriabin, entre outros.

Ela expressa sua sexualidade e beleza através da dança, colocando para fora os seus sentimentos e personalidade, a dança de Isadora é sensual, pagã, seus movimentos são leves, lembram danças dionisíacas.

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Como ela mesma declarava: “A beleza da arte não é feita de ornamentos, mas daquilo que flui da alma humana inspirada e do corpo que é seu símbolo…”.

Em uma delas, ela dança com uma echarpe vermelha, que significa a virgindade, e atira para a plateia. Em outra dança, ela demonstra a perda de seus filhos, já em outra é como se estivesse grávida.

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Visando aperfeiçoar sua dança, ela mergulha em estudos aprofundados sobre a origem da dança e suas diversas expressões em diferentes culturas.

Isadora viaja o mundo, levando sua dança para os mais diferentes lugares, inclusive no Rio de Janeiro.

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No Rio, ela se apresentou no Municipal em 1916 e rola um boato de que ela teria se envolvido com Oswald de Andrade e para o qual ela teria dançado quase nua.

Isadora era reverenciada por artistas, poetas e pintores como Abraham Walkowitz, que a pintou em diversas ocasiões.

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Em 1921, ela vai para Moscou, atrás dos ideais revolucionários e para pedir ajuda ao novo governo para abrir uma escola de dança e ensinar milhares de crianças necessitadas.

Ela não se importava de viver de pão preto e vodka, o que ela queria era passar adiante seus ensinamentos de forma libertadora.

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Ela realiza a coreografia de ‘Revolutionary”, com músicas de Scriabrin, realizando danças russas que demonstram seu repúdio à injustiça social e sua empatia pelo sofrimento humano.

Em Moscou, ela conhece e se apaixona pelo poeta Sergei Esenin, com o qual se casa, apesar de ter prometido a si mesma que jamais o faria, para que este pudesse acompanhá-la em uma turnê pela América.

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Nos EUA, suas ideais revolucionárias são mal recebidas e durante este período, Isadora incluía pequenos discursos antes ou no final de suas apresentações.

Ela chega a declarar para a imprensa: “Sim, eu sou uma revolucionária, todos os verdadeiros artistas são revolucionários”.

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Isadora enfrentará um duro período em sua vida por estes ideais e por tentar manter sua escola, já que precisava alimentar seus alunos. Ela aceita se apresentar em lugares como a Sibéria, onde sua turnê é um fracasso.

Além disso, seu casamento com Sergei chegava ao fim e ela enfrentava mais esta perda.

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Mas Isadora sempre foi corajosa, nunca teve medo de desafios ou dificuldades e continua a lutar pela sua arte e pra poder dançar para os admiradores desta.

A morte de Isadora foi estúpida: ela andava de carro e sua longa echarpe enrolou em uma das rodas e ela morreu asfixiada, em 1927.

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Um pouco antes de sua morte, Isadora havia publicado um livro de memórias intitulado “My life” (Minha vida).

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Uma de suas frases célebres era: “Eu não faço mais que dançar a minha vida”.

O mundo perdia uma de suas maiores artistas, a dança perdia uma de suas figuras mais memoráveis.

Em 1966, Ken Russell fez um filme especial para a BBC sobre a vida de Isadora e que merece ser visto, o link está abaixo:

Em 1968, ela foi vivida nas telas por Vanessa Redgrave no filme “Isadora” (na foto abaixo).

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Em 1979 foi criada a Isadora Duncan Dance Foundation para manter viva a sua memória. No vídeo abaixo eles apresentam algumas danças de Isadora:

Isadora foi única, seu legado é enorme, seu nome é reconhecidamente um dos mais importantes da dança de todos os tempos; nunca haverá outra Isadora Duncan.

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TODAY’S SOUND: NIJINSKY POR ARTHUR MENDES ROCHA

Ele foi o maior dançarino de todos os tempos, impressionando a todos com seus movimentos que o faziam quase que voar; hoje falaremos do mito NIJINSKY!

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Nijinsky é considerado o maior dançarino que já existiu, sua fama atravessa séculos como o que de melhor a dança já produziu, seu talento e seus movimentos são considerados únicos.

Quase ninguém na época fazia o que ele fazia, seu “em pointe”, o movimento de dançar na ponta dos pés, é nada menos que lendário.

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Nijinsky é mais que uma lenda, já foi tema de balés, filmes, inúmeros livros, mas sua figura ainda é cercada de mistérios, já que não existe nenhum registro dele em filme, somente fotografias, um diário e muitas histórias fantásticas.

Vaslav Nijinsky nasceu em Kiev, Ucrânia, em 1890,  já com a dança em seu sangue, já que seus pais eram ambos dançarinos de origem polonesa e muito bem conceituados Seu pai era conhecido por seu virtuosismo e os grandes saltos e eles tinham uma Cia de dança que se apresentava no Império Russo.

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Desde criança, ele mostrava aptidão para a dança, treinando com seus irmãos, especialmente com sua irmã Nijinska, até que seu pai resolve lhe dar as primeiras lições entre uma turnê e outra.

Com nove anos, ele já ingressa na Escola Imperial de Dança de São Petersburgo, impres-sionando seus professores com seu raro talento, além de estudar música e aprender a tocar instrumentos como o piano, flauta, balalaika e acordeão.

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Apesar de o pressionarem para ele ingressar no Mariinsky Theatre, ele prefere terminar seus estudos primeiro.

Mesmo assim, ele participa como membro do corpo de baile e em pequenas danças para o Mariinsky Theatre, como em “Don Giovanni”, coreografado por Michel Fokine.

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Em 1907, Nijinsky fazia parte do Mariinsky como ‘corypheé”, título acima do bailarino e de integrante do corpo de baile, se apresentando para os czares e os nobres da época.

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Ele dançou com bailarinas como Sofia Fedorova, Lydia Kyasht e Karsavina Kchessinska (com ele na foto abaixo), participando de coreografias juntamente com Fokine e o designer Alexandre Benois (parceria que se repetiria por muitas vezes).

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Entre os espetáculos que participou estavam “La Fille Mal Gardée”, “Le Pavillion d’Armide”, “A Bela Adormecida” e “Le Talisman”, onde arrasou como Wind God Vayou (na foto abaixo).

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Sua carreira terá uma guinada ao conhecer Sergei Diaghilev, produtor de balés russos e criador da Cia. “Ballet Russes”, que viajava para promover a dança russa em lugares como Paris.

Neste período, Nijinsky se torna amante de Diaghilev e esta parceria será muito importante para sua carreira, além de trabalhar com Fokine e também o designer Léon Bakst (que o desenhou na pintura abaixo)>

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A primeira performance dele em Paris foi em 1909 e simplesmente Nijinsky conquistou a capital francesa, todos ficaram impressionados com a sua leveza, suas piruetas incríveis, seu virtuosismo, seu corpo perfeito, tudo fazia dele um gênio do balé.

Nijinsky dançava ao lado de estrelas como Anna Pavlova em balés como “Cleopatra” e “La Fête”, fazendo desta temporada em Paris algo fenomenal, influenciando a arte, a dança, a música e até a moda do que viria a seguir.

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Em 1910, de volta à Rússsia, ele dançou “Giselle” ao lado de Tamara Karsavina, naquela que foi considerada uma das melhores duplas de balé de todos os tempos.

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Porém esta sua aparição acabou acontecendo com ele apenas utilizando meias, o que causou a indignação da Imperatriz, que achou a performance obscena e sendo Nijinsky afastado do Mariinsky.

De volta às plateias ocidentais, ele também causou sensação como o fantoche “Petrushka”, do balé de mesmo nome  e no qual ele viveu o papel título, mostrando intensidade dramática absurda em sua performance 9na foto abaixo com Stravinsky).

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Um dos boatos sobre ele era que Nijinsky não tinha traquejo social, que não embarcava em conversas ou discussões, ele não gostava de falar em público, talvez pela timidez. Mesmo sendo uma pessoa culta, Nijinsky tinha dificuldades de se expressar e de se fazer entender.

Sabendo dançar como ninguém, era normal que Nijinsky resolvesse coreografar seus próprios balés, sendo que alguns deles causaram controvérsia. Seus ensaios com os dançarinos acabam sendo difíceis, justamente por ele não conseguir comunicar exatamente o que pretendia.

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Entre os balés coreografados por ele estavam “L-aprés midi d’um faune” apresentado em 1912 e considerado um de seus balés mais lindos, dançado de maneira extremamente sensível, sensual, com uma expressão entre corpo e personagem poucas vezes igualada. Em uma das cenas do balé, ele simulava uma masturbação, o que causou indignação para muitos.

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Mas o grande escândalo estava por vir: ao encenar “Le sacre du Printemps” de Igor Stravinsky, Nijinsky opta por uma maneira moderna de encenar este balé, excedendo os limites do balé tradicional, eram os primeiros passos da dança moderna, um momento histórico onde o balé nunca mais seria o mesmo. Porém, na época, estas novidades impostas por Nijinsky não foram bem compreendidas pela plateia que lotava o Theatre Champs-Élysées em Paris, gerando uma violenta reação do público.

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Dizem que Diaghilev, ao ver tudo isto acontecer, sentiu satisfação, já que o que ele queria é que esta polêmica tornasse o balé ainda mais famoso e que falassem deste acontecimento por muitos anos (o que acabou acontecendo).

A relação entre Nijinsky e Diaghilev estava cada vez mais desgastada, já que o produtor nunca havia aceitado que Nijinsky fosse o coreógrafo da Cia e a única razão de seu sucesso financeiro.

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Em 1913, pouco antes de embarcar em uma turnê pela América do Sul, sua irmã Nijinska (na foto abaixo com ele e Ravel) desiste de acompanhá-lo devido ao recém-nascido filho e Diaghilev, alega uma superstição de que algo trágico aconteceria a ele e também desiste de ir.

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Era a primeira vez que Nijinsky não tinha o apoio de duas das principais figuras de sua vida, entre elas o seu mentor.

Entre os integrantes da turnê estava Romola de Pulszy, uma proeminente figura da sociedade húngara por quem Nijinsky iria se apaixonar.

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O interessante é que os dois compraram suas alianças no Rio e se casaram em Buenos Aires. Mas este casamento será apenas o começo da descida de Nijinsky para a loucura.

Na volta de Nijinsky a Paris, ele descobre que havia sido demitido do Ballet Russes e que Diaghilev havia recontratado Fokine como o principal coreógrafo e bailarino da Cia.

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Nijinsky estava numa situação difícil, havia sido desligado do Balé Imperial Russo, bem como não havia sido liberado do serviço militar. Ele só possuía ofertas do Paris Opera e um espetáculo que misturava dança clássica e popular em Londres, algo contra seus princípios.

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Nijinky forma uma nova Cia que incluía sua irmã, mas houve atritos entre ela e Romola.

Porém nestes novos espetáculos, ele enfrenta uma plateia não acostumada com atrasos entre as trocas de cena, além de afirmarem que Nijinsky já não dançava tão bem quanto antes.

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Ele acaba perdendo algumas apresentações por problemas de saúde e um ataque de nervos, cancelando os shows e tendo grande prejuízo financeiro.

Com a chegada de sua filha, Kyra, e o começo da Primeira Guerra Mundial em 1914, Nijinsky enfrenta outra situação: era considerado inimigo russo e não poderia abandonar a Hungria, onde se encontrava.

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A guerra também causa problemas para o Ballet Russes como a falta de dançarinos e Diaghilev desejava Nijinsky de volta a Cia para apresentações em NY.

Várias autoridades intervêm a seu favor e assim ele desembarca em NY em 1916, enfrentando novos problemas nos balés a serem apresentados na América, no MET Opera House.

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Mesmo com os problemas, Nijinsky consegue realizar as apresentações e obtém sucesso, mas a turnê acaba tendo prejuízo.

Logo em seguida, em 1917, se deu a sua última apresentação: num espetáculo beneficiente para a Cruz Vermelha, em Montevidéo, tendo ao piano Arthur Rubinstein interpretando Chopin e Nijinsky dançando tristemente e levando o pianista ás lágrimas.

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Porém, ele teria que enfrentar um problema ainda maior e sem volta: foi constatado que ele apresentava sinais de esquizofrenia.

Assim, logo após o final da turnê, ele acaba indo para a Suíça, para ser tratado.

O tratamento não teve sucesso e durante o resto de sua vida, Nijinsky permanece entrando e saindo de asilos e hospitais psiquiátricos.

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A última aparição de Nijinsky dançando foi durante a Segunda Guerra, quando se apresentou para um grupo de soldados em Viena.

O grande bailarino faleceu em uma clínica londrina em 1950 e hoje está enterrado no cemitério de Montmartre, onde está uma estátua de um dos seus personagens mais famosos, o fantoche Petrushka.

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A fama de Nijinsky é enorme, mesmo com nenhum material dele filmado (o que existe são montagens feitas com fotos), ele estará para sempre na memória dos que o viram dançar, sendo dos primeiros homens que se destacaram na dança, especialmente no balé.

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Seu nome será sempre lembrado quando se fala de dança e do que ele fez por esta arte, sendo muito mais que um mito, uma lenda, um ícone; ele é tudo isto e muito mais.

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TODAYS SOUND: ZIEGFELD POR ARTHUR MENDES ROCHA

Ziegfeld – o próprio nome já nos remete a um mundo de entretenimento, glamour, lindas mulheres, superprodução, ele foi o idealizador das famosas “Ziegfeld Follies” e também tema de um premiado filme em Hollywood.

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Ele não chegava a ser um coreógrafo, mas sim o produtor de grandes espetáculos teatrais e que depois viraram filmes.

Nascido Florenz Ziegfeld Jr., ele teve contato com o meio artístico desde pequeno, já que seu pai fundou o Chicago Musical College.

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Aos 17 anos, Ziegfeld Jr. foge de casa para participar dos shows de Buffalo Bill Wild West, se dando conta que sua vida era o entretenimento.

Para aproveitar as realizações das Feiras mundiais (World’s Fairs), em Chicago, seu pai acabou abrindo o nightclub Trocadero, em 1893.

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Porém, as atrações do club não atraem muito o público, até que Ziegfeld Jr. tem uma brilhante ideia: contratar o fortão Eugene Sandow, que ficava mostrando seus músculos para as mulheres e acabou atraindo multidões ao Trocadero.

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Era a primeira de uma série de atrações que Ziegfeld Jr. iria comandar em sua vida.

Ele sai com Sandow em turnê pelos EUA, atraindo um ótimo público, porém sua mania de apostar em jogos acaba por fazê-lo perder todo o lucro das apresentações.

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Na virada do século 19 para o século 20, a Broadway sentia falta de alguém ousado, que trouxesse a sexualidade das ruas e dos salões, mais o burlesco e a sofisticação da alta sociedade para os palcos, e foi isso que Ziegfeld fez.

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Seu primeiro trabalho na Broadway foi um musical, “A Parlor Match”, baseado em uma popular comédia, mas ele precisava de uma estrela.

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Foi aí que viajou para a França e lá conheceu a atriz Anna Held, no Folies Bergère, se  apaixonando pelo seu jeito ‘coquette” e convencendo-a a ir com ele para os EUA.

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Ziegfeld fez toda uma operação de marketing para tornar o nome de Anna conhecido na imprensa e ela acabou se tornando uma estrela e seu espetáculo, um grande sucesso.

Durante os próximos doze anos, Ziegfeld produz vários espetáculos na Broadway tendo Anna como estrela, incluindo “Papa’s wife”, de 1899. Num de seus números ela é acompanhada pelas “Anna Held girls”, em uma das primeiras “chorus lines” criadas por Ziegfeld.

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Durante o período que foram casados, Anna sugeriu a Ziegfeld que fizesse uma revue (revista) na Broadway, ao estilo das Folies Bergère.

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Ziegfeld arranja financiamento e estreia, em 1907, no jardim do terraço do New York Theatre (renomeado de The Jardin de Paris), a sua primeira Ziegfeld Follies.

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Mesmo não sabendo escrever e dirigir para o teatro, ele tinha um excelente feeling para o que agradava às plateias, não medindo custos para dar a sua audiência um belo espetáculo, cheio de garotas bonitas, comédia e boa música.

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Juntando os melhores talentos e recursos materiais, ele redefiniu o glamour e o profissionalismo teatral.

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As “Ziegfeld girls” eram a nova sensação: mulheres deslumbrantes com figurinos que incluíam adereços de cabeça monumentais, muitas plumas, peles, capas, brilhos; elas eram as sexy-symbols da época.

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O sucesso foi tanto que agora as Ziegfeld Follies eram anuais e todo ano, ele vinha com ideias ainda mais espetaculares.

Ziegfeld Sheet Music - Ziegfeld Follies of 1917 (I'll Be Somewhere in France)

Em cada Follies, ele lançava alguma nova estrela tais como Nora Baye, Sophie Tucker, Eve Tanguay e principalmente Fanny Brice. Fanny estreou o maior número de Follies, já que, além de cantar, também era comediante. O filme “Funny Girl”, com Barbra Streisand, é baseado na vida dela.

Fanny Brice - c. 1915-1925 - Ziegfeld by Alfred Cheney Johnston

 

Porém, o hábito de jogar e a personalidade autoritária dele, tornam seu casamento com Anna algo difícil de manter.

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Até que Anna descobre que, no mesmo prédio onde vivem, estava uma amante de Ziegfeld, Lillian Lorraine, que abusava de bebidas e armava escândalos nas Follies.

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Anna tenta a reconciliação, mas Ziegfeld estava apaixonado por Lorraine e assim, em 1912, eles se divorciam.

 

Na Follies de 1913, o espetáculo estava de casa nova, no The New Amsterdam Theatre, onde foi apresentado durante alguns anos.

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No mesmo ano, ele conhece Billie Burke (que ficou conhecida como Glinda, a feiticeira boa de “O Mágico de Oz”), uma nova atriz que vinha se destacando na Broadway, e se apaixona perdidamente por ela e casam no ano seguinte.

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As Follies continuam a prosperar e a ter novos astros como Ann Pennington, Eddie Cantor, W.C. Fields (antes de se tornar um dos reis da comédia em Hollywood), Ed Wynn e Will Rogers, entre outros.

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Mas foi com a contratação de Joseph Urban, como o set designer das Follies, que Ziegfeld fez uma de suas melhores escolhas, já que foi Urban que criou o visual art-déco pelo qual as Ziegfeld Follies ficaram conhecidas mundialmente.

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É claro que sem o olhar atento de Ziegfeld ao detalhe de cada parte do espetáculo, suas Follies nunca teriam o êxito que tiveram.

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Sua escolha dos temas, da concepção, tudo era exaustivamente preparado, ensaiado para que ficasse o mais perto da perfeição possível.

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Não é a toa que em seu cartão de apresentação, Ziegfeld se nomeava um “impressario extraordinaire”, sempre sabendo o limite perfeito entre o vulgar e o sofisticado, o famoso “Ziegfeld touch”.

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Com a chegada dos anos 20, ele decide por construir o seu próprio teatro, o Ziegfeld Theatre , cujo original já foi demolido e o que existe hoje foi construído em parte do mesmo terreno.

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O novo teatro abre em 1927 e era um monumento da art-déco, com sua linda fachada e auditório em formato oval.

Ao decorrer desta década, as Follies vão sofrendo, segundo os críticos, uma queda na qualidade artística, mas mesmo assim continuam sendo os espetáculos musicais mais importantes da época.

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Entre os novos espetáculos que ele produz estão: “Rio Rita” (1927), “The Three Musketeers” (1928), “Rosalie” (estrelando a nova musa de Ziegfeld, Marilyn Miller) e ‘Whoopee” (de 1929, com Eddie Cantor, depois transformado em filme).

This image is from Historical Ziegfeld: http://ziegfeldgrrl.multiply.com/

Abaixo, vemos um espetáculo de Ziegfeld de 1929, em raras imagens que parece um desfile de modas, com figurinos luxuosos, mulheres lindas e cenários majestosos:

Mas o seu maior sucesso na época foi, sem dúvida, a primeira versão de “Show Boat”, de 1927, com música de Jerome Kern e Oscar Hammerstein II. Era a primeira vez que um espetáculo tinha enredo, música, personagens reais e temas como racismo, alcoolismo, e isto surpreendeu o público da época.

 Desde então, o espetáculo já teve inúmeras versões para o cinema e para a Broadway.

Em 1929, com a queda da bolsa e o início da grande depressão, Ziegfeld perde quase toda sua fortuna, além de amargar alguns fracassos.

Ziegfeld Sheet Music - Ziegfeld Follies of 1920 (Hold Me) copy

A última Ziegfeld Follies é apresentada em 1931 e, apesar da superprodução, já não tem os mesmos atrativos das edições antigas em termos de novidade.

Além disso, ele se envolve com financiamentos escusos para trazer seu espetáculo aos palcos.

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Até que em 1932, Ziegfeld é vítima de uma pneumonia fatal, deixando sua família cheia de dívidas.

Mas Hollywood não desiste de Ziegfeld e, em 1936, é lançado ‘The Great Ziegfeld”, com William Powell, Mirna Loy e Luise Rainer nos papéis centrais e que conquista o Oscar de melhor filme.

O nome Ziegfeld era quente novamente em Hollywood e novas produções são feitas em sua homenagem, incluindo um filme das Ziegfeld Follies lançado em 1946 pela MGM, com um grande elenco que incluía Fred Astaire, Lucille Ball e Cyd Charisse, entre outros.

Ziegfeld estará para sempre associado ao glamour, aos musicais da Broadway e Hollywood, a beleza, aos sets magníficos; seu nome é sinônimo de produções esplendorosas e eternas.

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TODAY’S SOUND: BUSBY BERKELEY POR ARTHUR MENDES ROCHA

Busby Berkley não é nada menos que uma lenda hollywoodiana, um esteta no melhor sentido da palavra; suas coreografias são geniais e altamente elaboradas, criando verdadeiros caleidoscópios humanos, cheio de geometria e precisão.

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Busby foi praticamente criado no teatro, já que seus pais eram atores.

Quando ele serviu no exército, durante a primeira grande guerra, isto teve grande influência sobre ele, já que os desfiles militares e esta rigidez na forma e organização serão utilizados em suas coreografias.

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Busby nunca aprendeu a dançar, tudo que ele aprendeu foi na prática, treinando grandes grupos e sabendo os cinco passos básicos, observando suas dançarinas, através dos ensaios.

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Mas sua maior influência, sem dúvida, foram as Ziegfeld Follies, as revistas formadas por inúmeras dançarinas, geralmente em cenários grandiosos, com muitas escadarias e plataformas móveis, além de figurinos extravagantes.

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O que Busby fez foi transportar para a tela as folias de Ziegfeld, indo muito além dos limites do palco.

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Assim, a câmera de Busby extrapola o estúdio, ele liberta a câmera de suas limitações, realizando movimentos e coreografias geométricas e de uma criatividade ímpar. Muitas vezes, tendo que “atravessar” o teto do estúdio.

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Com o falecimento do pai, sua mãe toma conta dele e lhe introduz no mundo do espetáculo.

No final dos anos 20, ele conquista a todos com suas ideias mirabolantes, trazendo modernidade para a Broadway e revolucionando a forma como eram concebidos os musicais de então.

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Com a moda de levar os musicais do teatro para o cinema, Busby faz sua estreia em  “Whoopee”, de 1930, estrelado pelo ídolo da época, Eddie Cantor. O estilo Busby já pode ser notado, com tomadas de grupos de dançarinos vistos de cima, em movimentos sincronizados em plena harmonia:

Nos filmes coreografados por Busby, vemos que a câmera participa da coreografia, ele escolhia ângulos inusitados. A tomada feita de cima não era uma novidade em Hollywood, mas o modo que Busby executava os movimentos de câmera se tornaram sua marca registrada. Nesta cena de “Wonder Bar” vemos seu magnífico balé em um salão de espelhos, dando a ideia de dançarinos ao infinito.

Busby era um voyeur, fragmentava as danças, dando close-ups especiais em suas lindas ‘chorus girls”.

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Em 1932, ele é chamado pela Warner para coreografar o musical “42nd street”, estrelado por Ruby Keeler (uma de suas dançarinas favoritas), Dick Powell e Ginger Rogers, que acaba sendo um grande sucesso e revitalizando os musicais, chegando a concorrer ao Oscar de melhor filme daquele ano.

Abaixo vemos duas cenas do filme, com magníficas coreografias de Busby:

Não foi a toa que ele foi um dos responsáveis pela diversão em tempos de depressão, ele trazia todo um glamour, um sonho para esta época tão difícil da história americana.

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Em 1933, na pior fase da depressão, ele lança “Gold Diggers of 1933”, filme no qual se destacam os números:

“Pettin’ in the park” com direito a silhuetas de mulheres trocando de roupa e caleidoscópio de bolas de neve:

Joan Blondell cantando “Remember my forgotten man”, num dos momentos mais sócio-políticos de um musical de Berkeley, pois vemos homens vítimas da depressão, além de uma coreografia feita por soldados:

E também a cena com a canção “The Shadow Waltz” e seus violinos de neon, escadarias e vestidos rodados:

No mesmo ano ele também realiza “Footlight Parade”, em plena época de Código Hays, que proibia referências sexuais e mesmo assim ele coloca ninfas em cascatas em lindos balés aquáticos:

Ele não media esforços para realizar suas complicadas sequências de dança, tendo problemas com orçamentos e utilizando os atores e bailarinos madrugadas à dentro.

Um detalhe interessante é que Busby tinha a maioria de suas ideias ao tomar banho de banheira.

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Em “Dames “(1934), o número de abertura já nos mostra ousados planos da câmera virando de cabeça para baixo, passando por entre as pernas das dançarinas e elas voando em direção à câmera:

Outro dos números de destaque era “I only have eyes for you”, estrelado por Ruby Keeler e com o balé de máscaras de seu rosto e as dançarinas todas parecendo com ela:

Em 1935, ele lança “Gold Diggers of 1935”, concorrendo ao Oscar pela maravilhosa sequência de um mini-filme dentro do filme intitulado “The Lullaby of Broadway” onde conta a história de uma dançarina que tem um destino trágico:

No final da década de 30, Busby sofre um grave acidente ao sair de uma festa, causando a morte de três pessoas. Ele consegue escapar à condenação depois que sua mãe faz um apelo desesperado ao juiz.

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Logo em seguida, ele vai para a MGM, onde tem um esquema de produção maior, além do technicolor e as estrelas da casa como Judy Garland e Mickey Rooney. Mas ele sempre acabava estourando os orçamentos.

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Na Fox, ele coreografa Carmem Miranda no número “The lady in the Tutti Frutti hat” do filme “The gang’s all here” (1943) com seu fantástico turbante de bananas infinitas:

Porém, apesar de ser requisitado por diversos estúdios que faziam questão de seu toque, Busby era muito indisciplinado fora do set, bebia muito e não controlava suas finanças.

Após a morte de sua mãe, ele estava completamente endividado e tenta o suicídio.

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Ele acaba passando um tempo internado em uma clínica psiquiátrica e ao sair, ele é chamado por Esther Williams, a musa dos balés aquáticos, para a concepção dos números musicais de seu filme “Million Dollar Mermaid” com o este cheio de malabarismos aquáticos e fumaças coloridas:

Em meados dos anos 50, os musicais estão mais escassos e Busby se retira com sua sexta mulher para viver em Palm Springs.

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Em meados dos anos 60, houve um revival do estilo de Busby e ele é chamado para coreografar o espetáculo da Broadway, “No No Nanette”, estrelado por sua amiga de longa data, Ruby Keeler.

Busby vem a falecer aos 80 anos, de causas naturais.

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Recentemente, o ator Ryan Gosling demonstrou interesse em levar às telas a conturbada vida de Busby, mas nada foi confirmado.

Seu legado para os musicais é grandioso, ele criou um estilo próprio com suas coreografias elaboradas, as fantasias que criava para o cinema, utilizando padrões extravagantes para visualizar a música às grandes massas; nunca haverá ninguém como o genial Busby Berkeley.

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TODAY’S SOUND: JACK COLE POR ARTHUR MENDES ROCHA

Ele é conhecido como o pai do jazz-dance americano, o homem que ensinou estrelas como Marilyn Monroe e Rita Hayworth a dançarem; além de trazer para a dança, influências étnicas: ele é Jack Cole.

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Sem Jack Cole, a dança moderna jamais seria a mesma, sua contribuição para a esta arte foi fundamental, sejam nos musicais que ele coreografou na Broadway ou em Hollywood, influências estas que podem ser sentidas até hoje.

 Cole foi fundamental para que coreógrafos como Bob Fosse, Jerome Robbins, Alvin Alley e muitos outros pudessem exercer seus movimentos e coreografias.

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Ele nasceu em 1911 e desde adolescente, ele já se interessava pela dança, mas vinha de uma família extremamente pobre e dançava para sobreviver.

Ele acaba conseguindo estudar na Denishawn Dance Company e tendo como professores Ruth St. Dennis e Ted Shawn.

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Na Denishawn, onde também estudou Martha Graham, ele aprende a utilizar elementos étnicos em suas danças.

Mas para criar seu próprio estilo, ele também estuda com Doris Humphrey e Charles Weidman, ambos ex-estudantes da Denishawn.

Cole foi o dançarino que trouxe as influências indianas para a dança americana, estudando a técnica da Bharatanatyam, um estilo que enfatiza a precisa localização da cabeça, braços e pescoço, além de um isolamento nos movimentos, o que exige uma concentração absurda.

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Segundo seus colegas, Cole fazia estes isolamentos de maneira que movimentasse cada dedo separadamente, como um Buda.

Esta técnica indiana, ele juntou ao som do jazz americano, criando assim um hindu-swing, criando movimentos e coreografias únicas e tendo a admiração de vários dançarinos.

Mas não foi apenas da Índia que Cole se inspirou, ele incluía em suas danças, elementos orientais, africanos e sul-americanos.

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Seu estilo único será a base para o estilo theatrical-jazz, um estilo totalmente americano.

Além de estrear na Broadway em 1933, com “The dream of Snagarelle”, Cole também foi um dançarino dos nightclubs, onde tornava sua dança mais popular e treinava com Alice Dudley, Anna Austin e Florence Lessig.

Nos clubs, ele tirava sua inspiração para continuar criando danças e coreografias inovadoras.

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Nos anos 40, ele começa a coreografar musicais na Broadway, tais como “Magdalena’ (1953) e também “Kismet” (1953), incluindo a sua versão para o cinema de 1955, onde ele coreografou os principais números como “Not since Nineveh dance”:

Entre os outros musicais da Broadway que tem o seu toque estão “Foxy”, “Jamaica” e também “Man of La Mancha”, que trará sua primeira indicação ao Tony em 1966.

Seu primeiro trabalho no cinema foi no filme “Moon over Miami” (de 1941), onde ele foi responsável pelo número que incluía uma dança nativa, meio primitiva e que acabou conquistando Hollywood.

Logo, Cole formou um workshop de dança na Columbia Pictures, coreografando estrelas como Rita Hayworth no filme “Cover Girl” (de 1944), como no lindo número de abertura:

Mas foi com “Gilda”, que Hayworth estourou no cinema, com a ajuda de Cole, que coreografou seu número musical cantando “Put the blame on Mame”, onde ela faz o strip-tease mais sensacional do cinema, apenas tirando as luvas:

Suas coreografias deixavam as atrizes ainda mais sexies, numa época de códigos de conduta, fazendo de não-dançarinas, verdadeiras estrelas da dança tais como Betty Grable, Ann Miller, Jane Russell, entre outras.

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Cole trabalhava também com dançarinas como Gwen Verdon, que também foi uma de suas musas (e mais tarde esposa de Bob Fosse).

Jack Cole Gwen Verdon in Alive and Kicking_1950

Entre os filmes que fizeram juntos estava “On the Riviera” (1951), ao lado de Danny Kaye, com o número “Can Can”:

E também em “Merry Widow” (1952) com Lana Turner:

Verdon foi também sua assistente de dança, ajudando-o a treinar várias estrelas de Hollywood e também participando do corpo de dança de vários filmes.

Mas, sua mais famosa ‘pupila” foi Marilyn Monroe, a qual ele treinou para que ela realizasse o número “Diamonds are a girl’s best friend”, talvez um dos mais famosos do cinema, no filme “Gentlemen prefer blondes” (1953):

Com Monroe, ele ainda faria mais cinco filmes incluindo “Some like it hot” (1959) e “Let’s make love” (1960). Ela fazia questão da presença dele, exigindo-o em seus contratos.

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Outro musical que ele coreografou foi “Les Girls’ com Gene Kelly e Mitzi Gaynor, como neste chiquérrimo número de dança:

Como todo bom coreógrafo, Cole era um perfeccionista e muitas vezes, uma pessoa difícil de trabalhar, mas isto fazia parte de sua personalidade. Suas coreografias exigiam dedicação total de seus dançarinos e ensaios exaustivos e ele era genioso, de temperamento explosivo.

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Além disso, ele opinava em tudo: nos cenários, figurinos, direção de arte, pois tudo era parte fundamental da cena que estava coreografando, coisa que nem sempre agradava seus colegas.

Muitas vezes, ele era o responsável pela concepção toda de um número de dança, tendo ideias consideradas brilhantes pelos diretores com os quais trabalhava.

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Depois da morte de Marilyn e com a decadência dos musicais, ele acaba fazendo especiais de TV até que é convidado para lecionar dança na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles).

Porém, isto acontece um pouco antes de seu falecimento, em 1974, vítima de câncer.

Em 1968, ele declarou à revista “Dance magazine”: ‘Às vezes você tem que bater neles. Às vezes você tem que beijá-los…O problema com a coreografia é que você tem que tirar a pessoa da frente antes de trazer o dançarino à tona”.

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E é isto que ele fazia, trazer o dançarino que estava escondido dentro de cada um, treinando-o da melhor maneira, ensaiando cada movimento, utilizando toda sua técnica.

Em 2012, foi produzido pela Timeline Films um documentário em sua homenagem, que podemos ver o trailer abaixo:

Seu nome estará para sempre na história da coreografia universal, como o inventor de um estilo de dança que permanece até hoje nos musicais, nos filmes, nos clipes e que sedimentou o que chamamos de dança moderna.

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TODAY’S SOUND: JEROME ROBBINS POR ARTHUR MENDES ROCHA

Jerome Robbins foi um dos mais inovadores coreógrafos americanos, tendo participado da Cia de dança de George Balanchine, do American Ballet, bem como dirigido inúmeros musicais e balés para a Broadway e também co-dirigido e coreografado “West Side Story”.

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Robbins é filho de imigrantes poloneses e desde cedo mostrou aptidão para a música, dança e teatro. Sua irmã era bailarina, adepta de Isadora Duncan.

Depois de tentar cursar a universidade, que não pode continuar devido à grande depressão, ele consegue entrar para a Cia de Gluck-Sandor, veterano coreógrafo e dançarino da Broadway que também entendia de balé clássico.

Com Sandor, ele aprendeu alguns macetes e estreou no musical “The Brothers Ashkenazy”.

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 No verão de 1937, ele começou a dançar e coreografar no resort Taminent, que realizava shows e pequena sketches durante a temporada.

Algumas das danças que lá realizava, começaram a ser notadas e encenadas em teatros de NY e na Broadway.

Depois de três verões em Taminent, Robbins arranjou trabalho no coro de musicais da Broadway e numa destas ocasiões, conheceu George Balanchine, que recém havia formado sua companhia de dança.

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Em 1940, Robbins foi aceito na Cia e, mesmo sem o treino de um dançarino clássico, ele foi conseguindo realizar solos como o papel de Hermes em “Helena de Tróia”.

Ele acabou atraindo as atenções do coreógrafo russo Mikail Fokine, que lhe deu um papel que ele havia criado para Nijinsky, no balé “Petroushka”, no qual Robbins fazia o trágico papel título.

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Mas seu grande sonho era coreografar um balé, com um tema bem americano, mas suas ideias eram sempre muito grandiosas para a cia. bancar.

Até que ele teve a ideia de um balé sobre três marinheiros em NY, juntando-se a um jovem compositor desconhecido, Leonard Bernstein, e assim estreou em 1944, “Fancy Free”. Abaixo, ele fala sobre a criação deste musical no documentário da PBS ‘Jerome Robbins – Something to dance about”:

No final do mesmo ano, “Fancy Free” se tornou o musical “On the town”, estreando na Broadway com sucesso e tornando o nome de Robbins uma sensação.

Robbins trazia para a Broadway um novo aproach, fazendo balés e musicais que tivessem uma história, que não fossem apenas adaptações ou shows baseados em musicais clássicos.

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Entre os musicais que ele foi o responsável estavam “Billion Dollar Baby” (de 1946, que lhe deu seu primeiro Tony), “High Button shoes” ( de 1947 e que lhe deu seu primeiro Tony pela coreografia), entre outros.

No mesmo ano, ele passa a ser um dos primeiros alunos do recém fundado “Actor’s Studio”, onde ele se envolverá com Montgomery Clift.

Durante sua vida, Robbins se envolverá tanto com homens como mulheres, mas nunca casou ou teve filhos.

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No Ballet Theater ele realizava trabalhos que mesclavam dança clássica com temas modernos como “Interplay” e ‘Facsimile” (com score de Bernstein).

Em 1949, Balanchine forma o New York City Ballet e Robbins escreve para ele se convidando para fazer qualquer coisa e ele acaba assumindo o cargo de diretor artístico associado.

Robbins trazia para a Cia. um lado mais popular, comparando com o lado mais elitizado do balé clássico e este equilíbrio entre ele e Balanchine acabou dando certo. Abaixo um pouco do trabalho de Robbins no NYC Ballet:

Além de dançar, ele também coreografava balés como “The guests” (1949) e “Age of Anxiety” (de 1950, mais uma colaboração com Bernstein).

Ao mesmo tempo, ele continuava a trabalhar em musicais da Broadway como no hit ‘The King and I” (de 1951), no qual ele criou as incríveis sequencias de dança e que repetiu na versão para o cinema com Deborah Kerr e Yul Brynner (de 1956). Na cena abaixo, os dois dançam ao som de “Shall we dance’:

Em 1952, ele desiste de dançar para se dedicar exclusivamente a coreografar.

Porém, em 1953, ele choca a todos quando testemunha no comitê de atividades anti-americanas, que caçava os comunistas, declarando que havia participado do partido comunista, além de delatar oito membros. Robbins havia postergado seu depoimento por três anos, mas o fez pressionado pelo apresentador Ed Sullivan, para esconder o seu homossexualismo.

Depois do ocorrido, ele dedica-se a novos trabalhos na Broadway como “The Pajama Game“ (de 1954 e o primeiro musical de Shirley MacLaine), “Peter Pan” (com Mary Martin), bem como novos balés para o NY City Ballet.

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Um destes balés era “Afternoon of a Faun”, uma de suas obra-primas, estrelado por sua musa, a bailarina Tanaquil Le Clercq (pela qual ele se apaixonou, mas ela se casou com Balanchine). Abaixo uma foto dos dois no balé “Bouree Fantastique”.

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Em 1957, ele se une novamente a Leonard Bernstein para conceber “West Side Story”, o musical que traz para a NY da época, a história de Romeu e Julieta, situada nos guetos e nas brigas de gangues de ruas.

O musical é o primeiro musical-conceito, renovando o musical da Broadway e sedimentando a fama dele como um diretor exigente e perfeccionista, além de ser o primeiro musical de Stephen Sondhein (que compôs as letras das músicas de Bernstein).

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O sucesso já se deu na estreia, com Bernstein regendo e, ao final, o elenco voltando dezesseis vezes para os agradecimentos.

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Durante as filmagens do musical para o cinema, ele assina a direção juntamente com Robert Wise, ficando responsável pelas sequências de dança, mas como leva muito tempo para realizar os ensaios e as filmagens, acaba sendo demitido antes de o filme ficar pronto.

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Abaixo a clássica abertura do filme com o balé dos Jets e Sharks, as duas gangues rivais do filme, cujas lutas são lindamente coreografadas por Robbins:

E Rita Moreno e George Chakiris (ambos oscarizados pelos seus papéis) cantando e dançando, com os Sharks, a canção “America”:

Na cerimônia do Oscar, o filme leva dez prêmios, incluindo o de diretor para Robbins (junto com Wise) e também um especial para a coreografia dele.

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Enquanto isso na Broadway ele tinha mais um hit com “Gipsy” (estrelando Ethel Merman).

Depois de “West Side Story”, ele deixa o NY City Ballet para criar sua própria Cia, a Ballets USA. Eles fazem uma grande turnê pela Europa, mas a Cia. Não se mantém e termina em 1961.

Robbins começa a se dedicar a não-musicais incluindo “Oh Daddy, Poor daddy” e a versão de “Mãe Coragem” (de 1963, com Anne Bancroft), entre outras.

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Neste período, Robbins também é chamado para “salvar” espetáculos que, do contrário, teriam carreira desastrosa. Assim ele consegue transformar “A funny thing happened on the way to the Forum” (de 1962, com Zero Mostel) e “Funny Girl’ (de 1963 e que trouxe o estrelato para Barbra Streisand) em dois grandes êxitos de público e crítica.

Em 1964, ele ganha mais dois Tonys, desta vez pela direção e coreografia de “A Fiddler on the roof” (Um Violinista no telhado), um dos shows mais apresentados na Broadway na época.

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Em 1969, ele volta para o City Ballet e dirige espetáculos como “Dances at a Gathering” e depois em 1970, “In the Night’ e “Goldberg Variations” (1971).

Em mais colaborações com Balanchine, com o qual ele compartilha o título de ‘Ballet Master” ele realiza “Firebird” (1970) e ‘Pulcinella’ (1972), entre outros, dentro do Stravinsky Festival.

Ele irá ainda fazer vários trabalhos nas décadas de 70 e 80 como o seu show de antologia, “Jerome Robbins’ Broadway”, que lhe rendeu seu quinto Tony.

Nos anos 90, com a saúde debilitada após uma queda de bicicleta e uma cirurgia de coração, ele ainda dirige em 1994, ‘A suíte of dances” com Baryshnikov.

Em 1996, ele começa a demonstrar sinais de ter o mal de Parkinson, e mesmo com a audição comprometida, ele dirige “Les Noches” com o City Ballet, em 1998.

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Este seria o seu último trabalho, pois dois meses e depois, ele vêm a falecer de um ataque cardíaco fulminante.

A arte da dança deve muito ao gênio de Jerome Robbins, um artista que dedicou sua vida a levar esta arte para as grandes plateias, com profissionalismo, técnica e muita dedicação.

Sua declaração de amor á dança foi a frase: “I shall live to dance” (Eu devo viver para dançar).

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