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Eco

Abrace o Muriqui

 

Imagem de Bart Van Dorp

Imagem de Bart Van Dorp

Jogos Olímpicos de 2016.

A tocha olímpica acenderá e se as autoridades permitirem e a opinião pública defender,  pela primeira vez uma causa ambiental se tornará símbolo mascote dos Jogos, na defesa da exuberante Mata Atlântica brasileira, onde vive o Macaco Muriqui, espécie endêmica, ameaçada severamente de extinção.

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 Conhecido também por macaco aranha é o maior primata não humano do continente americano e o maior mamífero endêmico do Brasil, podendo atingir até 1,5m de altura, 20 quilos e vive entre 10 e 15 anos.

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 Muriqui em tupi-guarani significa gente que bamboleia, que vai e vem.

De natureza dócil, foi apelidado pelos indígenas como “povo manso da floresta”.

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Foto: cortesia de Carla B. Possamai/Universidade Federal do Espírito Santo

Uma característica encantadora é que em vez de brigarem, os Muriquis têm o hábito de abraçar uns aos outros.

Abraçam para tudo.

Quando se sentem ameaçados, atraídos, felizes, satisfeitos, famintos…assim vai.

São observados neste ato solidário quando encontram outros Muriquis ou animais de outras espécies.

Abraçam-se durante o encontro de tropas ou num ritual entre indivíduos que, aparentemente, se reconhecem.

Pendurados em suas caudas fazem um grande círculo e promovem um abraço coletivo.

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Imagem de Bart Van Dorp

Na busca de alimento, procuram coletivamente e usando sua cauda comprida que funciona como um braço flexível, coloca seu corpo entre uma árvore e outra, servindo de ponte para outros integrantes do grupo passarem com facilidade.  

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Foto de Luciano Candisani

 O mundo fala de paz e os animais a promovem.

Muito temos que aprender com o comportamento desta espécie.

Foto de Paula Breves

Foto de Paula Breves

 Os Muriquis são animais herbívoros  ou seja, se alimentam de uma grande diversidade de itens vegetais: frutos, folhas, flores de árvores…

Durante a alimentação, o Muriqui demonstra seletividade e sofisticação na manipulação do alimento, sabendo muito bem separar “o joio do trigo”.

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 Precisando de grandes áreas preservadas para sobreviver, ele é um dispersor natural de sementes.

Sua conservação é estratégica, pois é considerada uma espécie “guarda-chuva”, isto é, sua preservação ajuda também à sobrevivência de outras espécies da fauna e da flora e, por tabela, de toda a Mata Atlântica.

“São reflorestadores naturais, sendo assim, muitas espécies nativas estão sobrevivendo principalmente por causa dessa dispersão natural de sementes”, explica vigorosamente Paula Breves, veterinária a frente da ONG Eco Atlântica e percussora do movimento pró-Muriqui 2016.

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São duas espécies, o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) que ocorre nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia, e o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) que ocorre nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e parte do Paraná.

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 São Paulo e Minas Gerais já conseguiram um plano de manejo para ampliar a mata e os corredores verdes de alguns parques nacionais dando condições para que os Muriquis se reproduzam.

Imagem de Fernanda Tabacow

Imagem de Fernanda Tabacow

 No Rio de Janeiro a ação está iniciando e estima-se que existam cerca de 300 Muriquis no estado e uns 3.000 no Brasil.

Infelizmente não se reproduzem em cativeiro e só existem exemplares desta espécie num único jardim zoológico do mundo.

O mistério que ronda o “O Povo Manso da Floresta” é que, atualmente, todos os filhotes que nascem, são machos.

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Foto de Andrew Young

O projeto, chamado oficialmente de “Conservação do Muriqui no Rio de Janeiro” quer estudar melhor este afetivo primata e farão um levantamento da situação da espécie para a elaboração de um plano de ação estadual, mobilizando especialistas da ONG Ecoatlântica, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), entre outras instituições.

Eles pretendem estudar os hábitos deste peculiar mamífero, o que não será tarefa fácil.

Sensível, ele foge com o mínimo ruído, sua agilidade é tão grande que é praticamente impossível persegui-lo.

A desenvoltura do animal na mata, que faz lembrar a agilidade de um atleta olímpico, é um dos argumentos para fazer do muriqui a mascote dos Jogos Olímpicos do Rio.

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Foto de Luciano Candisani

 

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Foto de Fernanda Tabacow

Este macaco só muito raramente desce ao chão e nunca abandonam os bosques altos entre 600 e 1800m de altitude ao longo da costa onde a Mata Atlântica ainda existe.

Há um século atrás cerca de 100.000 muriquis viviam tranquilamente nesses bosques, porém,  a caça e as árvores abatidas para criar pastagens e núcleos urbanos, o seu território ficou reduzido e fragmentado a uns dez por cento da extensão original e o muriqui tornou-se uma das espécies mais ameaçadas de extinção

 

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 Enquanto a Floresta Atlântica vai sumindo, o Muriqui também.

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 A devastação profunda que se deu na Floresta Atlântica, desde que os portugueses pisaram o solo de Pindorama, em 1500, não acabou.

Não se fala FLORESTA ATLÂNTICA, mas MATA (que tem um significado mais restrito e urbano do que o de floresta).

Mesmo cobrindo apenas 13% do território nacional, cerca de 70% da população brasileira encontra-se na Mata Atlântica.

Inclusive, 10 das 20 cidades com maior população no Brasil estão dentro da Mata Atlântica.

Hoje apenas 10% da floresta ainda se encontram de forma nativa.

Apesar de reduzida a poucos fragmentos, na sua maioria descontínuos, a biodiversidade seu ecosistema é uma dos maiores do planeta.

 

Remanescentes da Mata Atlântica no Brasil em 2010[61]

Estado

Remanescente (Km²)

% remanescente

Alagoas

1.498,72

10,02%

Bahia

16.927,34

8,97%

Ceará

1.502,83

16,50%

Espírito Santo

5.107,53

11,07%

Goiás

493,81

4,7%

Mato Grosso do Sul

3.601,21

5,65%

Minas Gerais

27.339,26

10,04%

Paraíba

756,41

11,34%

Paraná

20.944,01

10,65%

Pernambuco

2.292,72

12,68%

Rio de Janeiro

8.617,66

19,61%

Rio Grande do Norte

485,48

14,12%

Rio Grande do Sul

10.289,90

7,48%

Santa Catarina

22.100,61

23,04%

São Paulo

26.703,24

15,78%

Sergipe

1.098.87

9,17%

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 Um  aliado incrível na campanha Muriqui 2016 é a Conservation International (CI), uma das mais respeitadas entidades de programas ambientais do mundo.

O seu presidente da CI, Russell Mittermeier, biólogo primatologista renomado, já vem difundido a candidatura em suas conferências e defende “O Muriqui tem importância tão grande quanto o panda gigante da China.

É um animal realmente simbólico para o Brasil, pois só existe no país e só vive na Mata Atlântica, ou seja, só há registros neste tipo de bioma.

Em reuniões internacionais tenho falado do esforço que estamos fazendo para protegê-lo” — disse Mittermeier

Russell Mittermeier, biólogo primatologista

Paula Breves defende : “A escolha está nas mãos do COB, que pode deixar um legado que para ajudar a salvar o Muriqui e a Mata Atlântica.

Esta é uma grande possibilidade pois o Rio tem uma carência histórica de conhecimento sobre o seu maior primata”.

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A campanha da ONG Ecoatlântica para transformar o primata em mascote ganhou uma visibilidade inédita, levando o Muriqui pela primeira vez, de um modo consistente, ao imaginário da opinião pública.

O trabalho está no caminho de tornar o maior primata das Américas uma das mais importantes espécies-bandeira da Mata Atlântica e um símbolo da defesa global da biodiversidade.

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Falando-se de diversidade, na sociedade dos Muriquis não existe predominância de machos sobre fêmeas.

Eles se conservam em seu bando toda uma vida, ela procura outro bando na sua adolescência.

Enquanto outras espécies se agridem na disputa da cópula, os muriquis compartilham a mesma fêmea e abraçados aguardam sua vez na fila da procriação.

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Sem ciúmes ou agressividade.

Com generosidade e solidariedade salta o Muriqui de galho em galho, rumo ao estrelato, divulgando a causa ambiental para todos os cantos do nosso amado planetinha.

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http://www.ecoatlantica.org.br

http://oglobo.globo.com/ciencia/os-ultimos-300-muriquis-macaco-um-dos-animais-com-maior-risco-de-extincao-no-mundo-6489325#ixzz2JBIR4TiJ 

 

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A Casa Viva

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Casa Viva é uma casa que “respira, acolhe, digere, evacua” e generosamente, começa tudo de novo, promovendo o bem estar dos moradores e do meio ambiente que ela está inserida.

Vai desde a escolha do terreno, fundações, aproveitamento de água, tratamento dos resíduos, fontes renováveis de energia, escolha de materiais e outros cuidados e técnicas que crescem a cada dia.

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Uma direção incontestável na arquitetura do século 21.

Cada vez mais, mesmo os arquitetos mais tradicionais, percebem a necessidade de usar e reutilizar materiais e recursos naturais com responsabilidade, ética e criatividade.

Reutilização de janelas de demolição

Reutilização de janelas de demolição

Nada de demolir uma casa tradicional conservada para construir outra ecológica no mesmo local.

O consumo de recursos nessa operação poderia anular as vantagens da nova casa, porém se for reformar ou construir e optar por soluções ecológicas é olhar para o futuro/presente e entender que se não nos encaixarmos nos movimentos cíclicos, a vida humana estará, profundamente, comprometida.

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Há nove passos principais para se chegar a uma Construção Sustentável:
• Planejamento Sustentável da Obra
• Aproveitamento passivo dos recursos naturais
• Eficiência energética
• Gestão e economia da água
• Gestão dos resíduos na edificação
• Qualidade do ar e do ambiente interior
• Conforto termo-acústico
• Uso racional de materiais
• Uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis

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Normalmente, as casas verdes tem um gasto inicial cerca de 15% maior, porém, este investimento é retornado em cerca de 2 anos gerando economias de água e energia, além de uma consciência cristalina de estar fazendo a coisa certa.

Telhado Verde

Telhado Verde

Para se manifestar na direção da bioarquitetura, não é necessário morar numa ecovila, casa de árvore, numa oca e nem num ambiente com garrafas pet aparentes.

Você adéqua seu projeto a realidade financeira e estética do seu núcleo.

Não há uma forma pré-estabelecida.

Cada projeto tem suas vocações e impedimentos.

Importante ousar de forma segura com auxílio de um bio-arquiteto, permacultor ou a nova e milenar modalidade de “Engenheiro de Águas”.

Em Kyoto no Japão, esta sisterna em forma de tulipa, capta a água da chuva que cai no telhado, por esta canaleta e é usada para regar o jardim. Construído cerca de 1.000 atrás.

Com criatividade, tecnologia e empenho, coisas incríveis são construídas:

Neste projeto do arquiteto Henrique Pinheiro,  fotografado por Munir Santaella e publicado pela revista “Construir mais por menos” é um exemplo claro de como pode-se construir uma casa bio-arquitetada investindo 50% a menos de dinheiro.

 

Foto de Munir Santaella

“Os tijolos de adobe foram construídos com terra, água e palha de arroz, tudo retirado do quintal”, diz o proprietário Antônio Zayek.

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Outra característica fundamental das casas vivas é o tratamento das águas negras (banheiro) e águas cinzas (cozinha e torneiras).

As águas negras podem se transformar em energia através de um biodigestor ou em canteiros de evapotranspiração que enfeitarão o jardim com lindas plantas ornamentais, terminando num ciclo de bananeiras com frutas potentes e fortificadas.

Já as águas cinzas podem ser reutilizadas com tranquilidade em vasos sanitários, irrigação e limpeza das áreas eternas.

Simples assim.

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Tratamento de águas cinzas

A bioarquitetura também dá preferência a mão-de-obra e produtos locais, pois essa é uma forma de incentivar a economia da região e minimizar a necessidade de transporte – o que reduz o custo da construção e a emissão de poluentes.

 

Neste projeto de Lilian Avivia Lubochinski, todas as portas e janelas restauradas, são de demolição. Foto: Luís Villaça

Se você pretende reformar com mais consciência se atente as dicas :

  • “Podemos, por exemplo, transformar nossos telhados em telhados verdes (equilibram a temperatura da casa),
  • evitar ao máximo usar produtos que vem da extração do petróleo, como os vinis e as tintas comerciais e os plásticos em geral,
  • podemos priorizar usar madeiras certificadas – que vem de florestas com um manejo sustentável,
  • fazer hortas – mesmo hortas verticais nos lugares pequenos!
  • Podemos trocar a válvula de descarga por uma caixa de descarga com dois modos.
  • Podemos utilizar a energia do sol para aquecer a água do banho e existem aquecedores econômicos para quem não pode pagar os preços dos que estão no mercado.”

LILIAN AVIVIA LUBOCHINSKI, bio-arquiteta

Diz com toda maestria a veterana bio arquiteta “LILIAN AVIVIA LUBOCHINSKI e complementa as infinitas possibilidades:

  • “Janelas que aproveitam o sol do inverno para nos aquecer e que se abrem para os ventos no verão.
  • Além de toda uma gama de  técnicas de construção que minimizam o uso do cimento para fazer as paredes e as fundações: o bambu, a taipa de pilão, os tijolos de adobe, o pau a pique (revisitado e encantador), a pedra e tantas outras tecnologias sustentáveis!!! “

Tijolos de adobe, pintados com tinta sem solvente para o chão

Não há desculpa. Há intenção e força de vontade para fazer a sua parte dentro de suas possibilidades.

Os materiais de demolição são uma alternativa ecológica que pode variar de preços infinitamente.

O material de segunda mão quanto mais antigo, mais valioso devido a sua durabilidade, qualidade e estética.

“São portas, janelas, grades que duraram, muitas vezes, cem anos e vão durar mais cem”. Diz Celso Fontes, antiquário.

“O melhor deste material está na faixa dos 70 anos em diante. Com esta idade, a madeira não empena, não entorta e já está tão seca que dificilmente será atacada por cupim. São as famosas madeiras de lei, como pinho-de-riga, peroba-rosa,  jacarandá, que não se encontram mais.”

Dá mais trabalho, porém os resultados são customizados, ecológicos e com sorte, mais baratos e duráveis que materiais novos.

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Veja uma lista da Grande São Paulo:

Antigão Demolições – Avenida Rebouças, 1.449, zona Sul de São Paulo. Telefone: (0xx11) 3086-3552 ou na rodovia Raposo Tavares, 1.780, km 22,6, Granja Viana, Grande São Paulo. Telefone: (0xx11) 4612-4494.

Como Antigamente – Rua Alvarenga, 1.075, Butantã, zona Sul de São Paulo. Telefone: (0xx11) 3814-5755.

Demolidora Tatuapé – Avenida Salim Farah Maluf, 1.795, Tatuapé, zona Leste de São Paulo. Telefone: (0xx11) 296-8094.

Jaf Demolições – Rua Alvarenga, 1.882, Butantã, zona sul de São Paulo. Telefone: (0xx11) 3815-5054.

Oficina de Reciclagem e Restauro Porte du Temps – Rua das Flechas, 53, Jardim Prudência, zona Sul de São Paulo. Telefone (0xx11) 5677-0997 ou 5563-8155.

O Velhão Demolição e Restauração – Estrada de Santa Inês, 3.000, Jd. Samambaia, Mairiporã, Grande São Paulo. Telefone: (0xx11) 4485-1330 ou 4485-1964.

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  • Para saber mais:

Técnicas : www.idhea.com.br

Oportunidade e doação de materiais de construção: http://blog.pclamin.com.br/construcaocivil/?page_id=289

Bioarquitetura:

Lilian Avivia Lubochinski: lilianlubo@terra.com.br

http://lecycpicorelli-bioarquitetura.blogspot.com.br

http://earthship.com/

http://www.archidomus.com.br/

Engenharia de águas:

http://fluxusdesignecologico.wordpress.com/

Tratamento de águas negras, sempre usando a bananeira como filtro.

Tratamento de águas negras, sempre usando a bananeira como filtro.

Alguns Números:

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/casa/conteudo_235401.shtml

1. TIJOLO DE SOLO-CIMENTO
Por que é ecológico: seca ao sol – sem precisar ir ao forno a lenha.

A opção por esse tipo de tijolo poupa a queima de sessenta árvores!

Quanto custa*: 380 reais (1.000 tijolos), o dobro do preço da versão comum

Comentário dos especialistas: vale a pena investir no tijolo ecológico.

Como dispensa acabamento com massa corrida, na ponta do lápis não onera em nada o orçamento da obra

 

Tijolos de Adobe secando ao sol

2. MADEIRA COM CERTIFICAÇÃO DE ORIGEM

Por que é ecológica: vem com um selo que atesta que a madeira foi extraída sem degradado solo nem o ambiente de onde foi retirada

Quanto custa: 2 500 reais (o ipê, por metro cúbico) 15% mais cara do que a mesma madeira sem a certificação

Comentário dos especialistas: circula a idéia de que a madeira ecológica tem melhor qualidade, mas não é verdade.

Sua única diferença para as outras está no processo de extração

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3. SISTEMA DE ENERGIA SOLAR PARA AQUECER A ÁGUA

Por que é ecológico: com essa “mini-usina” caseira gasta-se 30% menos energia elétrica

Quanto custa: 5 000 reais

Comentário dos especialistas: com a economia na conta de luz, o investimento se paga em dois anos.

Uma ressalva: o sistema não dá conta das baixas temperaturas, quando é necessário recorrer ao aquecimento elétrico

 

Projeto que usa painéis solares e energia eólica

4. SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DA CHUVA

Por que é ecológico: numa região chuvosa a metade da água necessária à família vem desse sistema.

Quanto custa*: 2 500 reais (para uma casa de 100 metros quadrados)

Comentário dos especialistas: compensa investir no sistema.

Além de ajudar a economizar na conta, é garantia de abastecimento de água para o futuro, quando esse pode se tornar um item mais escasso – e caro

Cisterna fazendo a captação das águas das chuvas

Cisterna fazendo a captação das águas das chuvas

5. ESTAÇÃO DOMÉSTICA DE TRATAMENTO DE ESGOTO

Por que é ecológica: permite reaproveitar a água para tarefas do dia-a-dia, como a limpeza da casa (como não fica 100% limpa, deve-se evitar usá-la no banho ou para beber)

Quanto custa*: 6 000 reais

Comentário dos especialistas: na comparação com o sistema de captação de água da chuva, é mais caro e de uso mais restrito – se for escolher entre os dois, fique com o outro.

6. LÂMPADA FLUORESCENTE
Por que é ecológica: consome 80% menos energia do que uma lâmpada incandescente e dura dez vezes mais

Quanto custa: 15 reais (a de 20 watts) – seis vezes mais do que as lâmpadas comuns

Comentário dos especialistas: compensa por ter vida útil infinitamente mais longa do que a das lâmpadas convencionais – e ainda poupar energia

Abajour de folhas de acrílico com lâmpada fluorescente no centro

Abajour de folhas de acrílico com lâmpada fluorescente no centro

 

 

 

 

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Um Mar de Escassez

Entro no mar e peço licença para ele mesmo.

Grandeza hipnótica.

Infinito líquido de poderes e mistérios.

Fonte de alimento e berço da vida na terra.

Esta força que parece inabalável é só superfície.

A vida marinha corre riscos irreversíveis e as espécies em extinção aumentam todos os dias.

O gênero humano está afogando as águas.

Mercado de atum no Japão

O bacalhau deixou de ser a base da alimentação das classes mais pobres de Portugal e toda Escandinávia pela alta de seus preços.

No Japão sushi feito de carne crua de cervo ou de cavalo pela falta do Atum.

O Camboja, riquíssimo em recursos hídricos, está importando peixe do Vietnã.

O gigante Pirarucu, o maior peixe da Amazônia, está a um passo da extinção.

Pescadores de Picinguaba, no interior de São Paulo começaram a criar vieiras por que a pesca já não sustenta suas famílias e os peixes nos supermercados do mundo inteiro vão ficando menores e mais caros.

Pirarucu

O estoque pesqueiro marinho mundial tem caído de forma alarmante nos últimos 20 anos.

Pelos cálculos da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), 66% das espécies vêm sendo capturadas no limite ou acima do limite de sua reposição natural; 10% já estão esgotadas ou em recuperação.

Desde 2004, quando se atingiu o recorde de 84 milhões de toneladas de peixes extraídas dos mares, a produção cai ano a ano.

Em 2009, apesar do aumento na frota pesqueira, o volume pescado ficou em 79,9 milhões de toneladas.

Enquanto isso, o consumo de peixe só cresce.

Em 2004, a humanidade devorou 104 milhões de toneladas.

Em 2009, foram 118 toneladas, e a tendência do consumo é continuar crescendo.

Como funciona o mercado negro de atum no Japão

O consumo é sem dúvida o chefe da quadrilha na escassez da biodiversidade marinha.

Os subsídios governamentais para amenizar o problema dos pesqueiros, mascaram o ponto de equilíbrio das pescarias e contribuem para agravar o excesso no uso dos recursos.

Os incentivos são fornecidos para expandir a produção e aumentar os lucros, sem o prévio conhecimento científico dos limites e possibilidades de exploração de cada estoque em cada região.

Melhorar para piorar.

Além da pesca comercial e predatória outros agravantes inflam o problemão:

  • O desmatamento de matas ciliares;
  • o uso inadequado de terras para agropecuária;
  • a construção de usinas hidrelétricas,
  • o assoreamento dos corpos d’água,
  • a poluição de várias origens,
  • mudança climática,
  • a pesca esportiva,
  • o uso de cartilagens em cosméticos,
  • o desequilíbrio na introdução de espécies exóticas fora de seu habitat
  • e a devastação das áreas de mangues são fatos que dificultam a auto-regeneração da natureza.


A pescaria recreacional ou amadora é um dos principais contribuintes para o rápido declínio das salinas importantes, porque retira importantes predadores do eco-sistema como o robalo, o caranguejo e o cação

Segundo o relatório do Programa Ambiental da ONU, feito com base em 18 regiões do planeta, em outubro do ano passado mostra a baixa de fertilidade dos oceanos, que até 2050 deverá abrigar espécies de peixes cada vez menores.

Com isso, a pesca estará baseada na cadeia alimentar, ou seja, o pescador pegará o pequeno peixe que deveria servir de alimento para outras espécies.

Enquanto isto, na foz do rio Amazonas a Sigel do Brasil Comércio, Importação e Exportação Ltda é flagrada na captura ilegal de 280 mil tubarões  para obter 25 toneladas de barbatanas e bexigas natatórias .

Este animal que está no topo da cadeia alimentar e conviveu com dinossauros também corre risco de extinção.

Chama-se de sobre-pesca aquela que é feita fora do período permitido.

De acordo com dados da Fundação Instituto da Pesca do Rio de Janeiro (Fiperj) , a sardinha-verdadeira, por exemplo, não pode ser pescada de 1º de novembro a 15 de fevereiro, e de 15 de junho a 31 de julho.

Já o camarão rosa, de 1° de março a 31 de maio.

Além disso, foi estipulado pelo governo federal um tamanho mínimo, de acordo com a espécie, para evitar a mortalidade de animais nas fases de reprodução e crescimento.

Cação-Anjo, Raia-Viola, Peixe-Serra, Cioba, Badejo-Tigre e o Mero estão entre as espécies que não devem mais ser pescadas.

1 – Espécies que não podem e não devem ser consumidas:
Cação-anjo, raia-viola, peixe-serra, surubim, cioba, badejo-tigre e mero.

Doze espécies de tubarões/raias e 145 espécies de peixes constam no Anexo I do Ibama como espécies ameaçadas de extinção, com alto risco de desaparecimento na natureza em um futuro próximo.

2 – Espécies que deveriam ser evitadas:
Atum, badejo, camarões, lagostas,  cherne, corvina, enchova, garoupa, merluza, namorado, pargo, pescadinha-foguete, sardinha-verdadeira, tainha e vermelho.

Espécies que devem ser evitadas: Atum, Camarão, Badejo, Lagosta, Cherne, Corvina, Anchova, Garoupa

Mais peixes que não devem ser pescados: Merluza, Namorado, Pargo, Pescadinha-Foguete, Sardinha-Verdadeira, Tainha

3 – Espécies liberadas para o consumo:
Abrótea, agulha, albacora, batata, baúna, bicuda, bijupirá, bonito, caranha, carapeba, castanha, cavala, cavalinha, cocoroca, congro, congro-rosa, dourado, galo, linguado, manjuba, michole, olhete, olho-de-cão, pampo, peixe-espada, pescada, piranjica, piraúna, robalo, sororoca, tira-vira, trilha, xáreu, xerelete e xixarro.

Foi exatamente o consumo excessivo no passado que colocou algumas espécies em estado de alerta, hoje.

As sardinhas, por exemplo, ainda não estão em extinção.

Mas, se consumirmos esse peixe de forma exagerada, em um ou dois anos a situação já mudará.


Como consumidores temos o poder da escolha, optar por pescados de aquicultura, ou seja, criados em fazendas especializadas e, portanto, pescados de forma controlada é uma boa direção e excelente pergunta na hora da compra.


A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que cada pessoa consuma cerca de 12 quilos de pescado por ano.

No caso do Brasil, consumimos 6,8k por ano.

Nem os invejáveis 8,5 mil quilômetros de costa ajudam.

Nossas águas tropicais e subtropicais, com temperatura e salinidade elevadas, são pobres em nutrientes e pouco produtivas.

Não é à toa que ocupamos a modesta 22ª posição no ranking mundial de produção pesqueira.


Já a China é o maior produtor e consumidor de espécies de peixes no mundo.

Sua frota retira um quinto do peixe saído dos mares.

Cada chinês come 60 quilos de peixe por ano.

Um alimento nutritivo, gostoso e saudável que precisamos cuidar para não ficar sem.

Sem dúvida a falta de peixe não é uma onda é uma crise estrutural, por isto peço licença para ir a feira fazer algumas perguntas na peixaria.


Video passado na rio +20

http://www.ebc.com.br/noticias/meio-ambiente/galeria/videos/2012/09/pescadores-lutam-para-sobreviver-a-escassez-de-peixes

O Pesadelo de Darwin (Le Cauchemar de DarwinisDarwin’s Nightmare) é um documentário de 2004, escrito e dirigido por Hupert Sauper e resultante de uma parceria entre a França, Bélgica e Áustria.

O filme aborda os efeitos sociais e ambientais no Lago Vitória na Tanzânia provocados pela indústria da pesca. O filme estreou  no Festival Internacional de Cinema de Veneza e foi nomeado/indicado para o Oscar de Melhor Documentário em 2006.

Veja a lista das espécies de peixes marinhos que devem ser evitadas e aquelas que estão livres para o consumo, usando como referência a lista nacional do Ibama e da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza): .

http://www.biodiversitas.org.br/f_ameaca/Anexo1.pdf


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Nhenhenhe

Imagem de Daniel Natalici

Perguntaram para o pajé Guarani o que ele ensina para seu povo.

Ele parou, pitou e soltou sem nhenhenhe, (em Guarani quer dizer papagaio tagarela), três ensinamentos: Tudo está ligado a tudo.

Tudo é processo e a Terra não é nossa.

Pajé Tupinambá

Parece que o agronegócio, que as mineradoras, madereiras, companhias hidrelétricas, empresas transacionais e poder público corrompido, levaram esta afirmação da terra não ser Nossa, em benefício próprio, infringindo a própria constituição brasileira e fomentando um NHENHENHE sem fim nas decisões dos direitos indígenas.

Imagem de Claudia Andujar

A questão indígena ganhou maior notoriedade em 8 outubro de 2012 através das redes sociais, onde milhares de pessoas no Facebook, mesclaram seus nomes com Guarani Kaiowá, em solidariedade a este povo, que escreveu uma carta ao governo e à Justiça Federal, anunciando “morte coletiva” de 170 homens, mulheres e crianças  Guarani-Kaiowá, em resposta a uma ordem de despejo decretada pela Justiça de Naviraí (MS), onde estão acampados às margens do Rio Hovy, aguardando a demarcação das suas terras tradicionais, ocupadas por fazendeiros, vigiadas por pistoleiros e financiadas por um poder que extrapola em milhares de kilômetros as fronteiras nacionais.

Em situação mais que precária o acesso a saúde, educação e outros serviços públicos, são dificultados ao extremo para os indígenas.

Um complô para expulsão deste povo comandado por uma elite local nada generosa.

Guarani-Kaiowá

Os Kaiowá são um dos povos da nação Guarani.

Divididos em Kaiowás, Mbya, Ñandeva.

Eles são nômades e procuram a terra sem mau, em algum lugar em cima do aqüífero Guarani, a maior reserva de água doce do planeta, batizada com o nome desta importante nação que já conhecia, intuitivamente, a abundância deste recurso natural vital.

Imagem de Claudia Andujar

Os Guaranis transitam, originalmente, nos Estados do Mato-Grosso-do-Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, abranjendo também uma pequena parte da Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia.

O Mato Grosso do Sul é uma região de terra super fértil e durante a ditadura militar, atraiu muitos sulistas, para ocupar a terra dos índios.

Desde de 1988, num movimento de redemocratização,  eles aguardam e lutam a demarcação de seu legítimo território.

A situação dos Guarani-Kaiowá, segundo grupo mais numeroso do país (73.300), é considerada a mais grave.

Confinados em reservas como a de Dourados, encontram-se em situação de catástrofe humanitária: além da desnutrição infantil e do alcoolismo, os índices de homicídio são maiores que em zonas de guerra, como o Iraque.

Imagem de Pedro Martinelli

Comparado à média brasileira, o índice de homicídios da reserva de Dourados é 495% maior.

Os índices de suicídio estão entre os mais altos do mundo: enquanto a média do Brasil é de 5,7 por 100 mil habitantes, nessa comunidade indígena supera os 100 por 100 mil habitantes.

O suicídio infantil é outro dado assustador, sendo entre os três maiores do mundo.

Isto mesmo, crianças que olham para frente e sem água, sem terra e vistos com olhos preconceituosos, enxergam um futuro indesejável e atentam sobre a própria vida de diversas formas.

Eles assistem as mulheres sendo estupradas, os jovens mortos, corrompidos ou mutilados, os tios embriagados, doenças e escassez de tudo, evangélicos queimando sua casa de reza…o que poderiam desejar?

Imagem de Pisco del Gaiso

No dia 30 de outubro de 2012, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos informou que o governo federal conseguiu suspender a liminar que expulsava os índios de sua terra natal.

Esta é apenas uma batalha vencida por toda a população brasileira solidária.

Imagem de Claudia Andujar

No Brasil tem quase 900 mil índigenas de 340 etnias e 274 idiomas.

Representantes dos povos tradicionais que participaram de audiência na Comissão de Direitos Humanos em setembro de 2012, para discutir os problemas de suas comunidades e suplicaram pela revogação da portaria 303/12 da Advocacia-Geral da União (AGU), que atualmente está suspensa pela Justiça.

Pela portaria, os critérios utilizados na demarcação da reserva Raposa Serra do Sol valerão para todos os demais processos de reconhecimento de terras indígenas.

Guarani-Kaiowá

Com esta medida arbitrária, permite-se, por exemplo, que o governo instale em aldeias, estradas, hidrelétricas, linhas de transmissão de energia, e bases militares, sem autorização das comunidades.

“Se retirar as terras dos índios, é melhor matar logo e enterrar, porque sem terra, sem peixe, sem água, o índio não consegue viver”, afirma cheio de desgosto Raimundo da etnia Krenye.

Outro desrespeito pleno que os indígenas brasileiros estão sofrendo foi o pedido  da bancada ruralista para que se crie uma comissão especial para analisar a Proposta de Emenda à Constituição 215/00.

A medida transfere para o Congresso a prerrogativa de reconhecer terras indígenas e de outros povos tradicionais.

Sendo aprovado, a demarcação das terras indígenas, quilombolas e de proteção ambiental, ficarão nas mãos dos interesses nacionais e transacionais focados, unicamente, no enriquecimento insustentável de suas empresas, fazendas e madereiras.

Imagem de Pedro Martinelli

Esta decisão flagrantemente inconstitucional, além de violar uma cláusula pétrea da separação dos poderes, usurpa o poder executivo tranferindo a demarcação ao Legislativo e à Comissão de Constituição e Justiça, composta em sua macro esmagadora maioria por membros da bancada ruralista.

“Isso é tudo o que os ruralistas querem: que o Congresso tenha total controle sobre esses processos [de demarcação] para que as tramitações se arrastem infinitamente, aqui”, protestou o segundo vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Padre Ton (PT-RO).

Este é o Nhenhenhe…

Imagem de Claudia Andujar - Mulher Yanomami

Enquanto isto o único grupo rapper indígena a gravar um cd no país o Bro MC’s, cantam um refrão:

Na cosmologia Guarani-Kaiowá, as áreas que já foram deles, são chamadas de tekoha (de teko – modo de ser – + ha – lugar, uma palavra que poderia ser traduzida como “lugar onde se pode viver do nosso próprio jeito”).

Imagem de Claudia Andujar - Pororoca

A alusão a esse “outro jeito de ser” demonstra que o movimento Guarani-Kaiowá é, sobretudo, uma reação cultural à imposição do estilo de vida dos Karaí (como os indígenas designam os brancos).

A sociedade mobilizada e ampliando a consciência de forma humanitária, acolhe os ensinamentos dos pajés que são figuras importantes na luta pela terra, eles fundamentam o sentido dessa ação política e social com profecias sobre o retorno dos tempos de fartura e alegria, a partir da recuperação do antigo território indígena.

Retomar um tekoha é voltar ao contato com os espíritos da terra e dos ancestrais, entendendo todo o desrespeito como parte de um longo processo, onde tudo está ligado a tudo na terra de todos nós.

Programa conexões:

Vídeo da Tv Folha que explica sobre o suicídio coletivo:


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Luto das Borboletas

A mortal Psyche, tornou-se uma semideusa após ser arrematada pelo cupido (Eros) e percorrer um caminho repleto de altos e baixos.

Representada, geralmente, por uma linda mulher com asas de borboleta.

Os significados do seu nome são dois:

O primeiro deles é alma, o segundo é  borboleta, que simbolizava o espírito imortal.

As crenças gregas populares concebiam que quando o espírito se desgarrava do corpo, ele tomava a forma de uma resplandecente borboleta.

Psyche

Psyche & the Cupid by William Bouguereau

Eram adoradas religiosamente pelos Astecas e Incas, onde criavam esses seres nas antecâmaras mortuárias.

Na mitologia asteca, Itzpapalotl ("Borboleta com garras" ou "Obsidian Butterfly") era uma deusa guerreira temível com cabeça esquelética e corpo de borboleta, que governou o mundo paraíso de Tamoanchan, o paraíso das vítimas de mortalidade infantil e local identificado onde os seres humanos foram criados.

Mitologia Asteca, a deusa guerreira associada as borboletas: Itzpapalotl

Já a idéia da reencarnação védica foi criada quando o Deus hindu, Brahma, assistiu larvas se transformarem em borboletas.

Em túmulos do Antigo Egito, há imagens de Borboletas que cobrem as paredes.

Borboletas-Tigre na Tumba-Capela de Nebamun. Late 18th Dinasty, por volta de 1350 AC

Por volta de 1680, na Irlanda, as pessoas foram proibidas de matar Borboletas brancas, porque os irlandeses acreditavam que as Borboletas carregavam as almas das crianças.

Na década de 1990, Borboletas brancas foram encontradas nas celas da prisão de condenados chineses que se converteram ao budismo antes de serem condenados à morte.

O fascínio e encantamento com este mágico inseto que representa, universalmente, a imortalidade é cultuado morto nas asas dos desejos de humanos que compram quadros, relógios, brincos, biombos, tampos de mesa e até mesmo tampo de vaso sanitário, decorados com uma infinidade de espécies tropicais de borboletas verdadeiras, em corpo e asa.

Além da decoração de gosto duvidoso, são dadas como brindes corporativos e presentes de casamento.

Na China e Japão elas são dadas em duplas representando a felicidade do Matrimônio.

Para se ter uma idéia, para a fabricação de um único tampo de mesa de 2mx2m, são utilizadas aproximadamente duas mil asas.

As borboletas muito procuradas e cada vez menos encontradas são coletadas e preservadas em recipientes hermeticamente fechados em cristal ou acrílico transparente.

Eles são montados sobre cavilhas e depois moldado.

Isto é conhecido como a “arte das borboletas exóticas”.

Garantir a “beleza” deste hediondo artesanato requer uma técnica especial para matar estas flores voadoras: Ainda vivos, os machos são mergulhados em um tipo de solvente de tinta, que elimina os parasitas garantindo a perfeição das formas.

Depois, eles são conservados com naftalina para uso posterior.

Lembranças do mau-gosto brasileiro

Lembranças do mau-gosto brasileiro 2

No Brasil, a prática é permitida pelo IBAMA desde que sejam borboletas de criatório e que tenham completado o seu ciclo de vida. Sabemos que não acontece bem assim.

A criadora de borboletas E.V.  58, produz até 3.000 borboletas por mês para artesanato, dependendo da época do ano. “Miami, São Paulo e Rio de Janeiro são nossos mercados”, conta.

“Muitos criticam nosso trabalho, mas, se as borboletas ficassem na natureza, os predadores comeriam. Além disso, doamos casulos para escolas.” Declara E.V. sem culpa alguma.

O Canadá também compra anualmente, centenas de milhares de Borboletas.

O polêmico artista plástico britânico Damien Hirst  usou nove mil borboletas para compor o  quadro “In and Out of Love”, colocada à mostra na Tate Modern, famosa galeria de arte londrina.

A obra consistiu em paredes com nove mil borboletas ainda vivas prendendo-se uma a uma até morrerem na tinta que cobria tais paredes.

O tema recorrente da obra de Hirst é a morte, mas será que matar animais para servir este propósito é realmente válido?

Damien Hirst - In and Out of Love

Dener Giovanini, 32, coordenador-geral da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres afirma: “A criação comercial não funciona. A legalização criou um mercado negro, porque os borboletários não suprem a demanda. Os comerciantes continuam comprando borboletas ilegais, especialmente as ameaçadas de extinção.”

Dener diz que, no Rio Grande do Sul e no Paraná, as crianças recebem até R$ 2 por exemplar capturado, dependendo da espécie.

No Amazonas, algumas custam até US$ 400.

Em 2000, Itápolis (SC) estavam aliciando crianças desfavorecidas economicamente,  para capturar borboletas em áreas preservadas na área rural.

Pela manhã, bem cedinho, colocavam os pequenos em Kombis velhas e as conduziam até os matagais.

Suscetíveis a outras maldades humanas, as crianças apresentaram uma evasão escolar de até 30% em algumas turmas, faltando às aulas para passar o dia inteiro no mato caçando borboletas e, assim, gerar renda para a família.

Isto mesmo, comprar este artesanato feito de coloridos cadáveres, também promove o trabalho infantil, tráfico de animais, além do desequilíbrio ecológico, logicamente, que afeta todo sistema.

Quer borboletas? Por amor, plante flores.

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Caça aos caçadores

Em pleno século 21, há humanos que continuam na pré-história. Quando se fala de caça para subsistência como ocorre com indígenas e povos ribeirinhos é uma questão.

Quando a caça serve para fomentar vaidade, alimentar crueldade, vestir egos e caprichos sem medida é outra coisa.

Que prazer hediondo é este em ter como troféu um ser vivo?

Caçar por esporte é matar por futilidade.

Mesmo proibida em todo o Brasil e em outros vários países, a caça esportiva e predatória, continua colocando animais em extinção e promovendo a supremacia equivocada do gênero humano.

A caça esportiva não visa a obtenção de alimentos, mas a conservação de tradições engessadas, a emoção doente da perseguição, a adoração à indústria bélica, o prazer pela morte entre outras razões nada gentis.

Na África do Sul perdeu 227 rinocerontes desde o início do ano devido à caça ilegal, apenas para utilização dos chifres como decoração ou poção afrodisíaca.

Todos os anos são mortas mais de 30 mil focas na costa russa do Mar Branco e cerca de 275 mil no Canadá .

Utilizam-se as peles e também o óleo, a partir do qual são produzidas cápsulas para combater a artrite.

Os asiáticos compram também os órgãos sexuais dos animais, novamente acreditando ter poderes afrodisíacos. Brochante.

Já a cervejaria escosesa, Brew Dog lançou a  “The End of History”, a cerveja mais forte e cara do mundo.

Com 55% de álcool e vendida dentro de arminhos e esquilos empalhados, custam respectivamento 700 e 500 euros por garrafa.

A brutalidade e o mau-gosto

Embora seja regulamentada em países da Europa, África e América do Sul, no Canadá e nos Estados Unidos, a caça vem sendo perseguida com extremo rigor pelos grupos ambientalistas.

No Brasil, ela é proibida na maior parte do território.

Aqui, apenas dois Estados a autorizam: o Paraná e o Rio Grande do Sul.

Até o final do ano, algumas fazendas em Mato Grosso do Sul vão promover o safári com dardos.

No Uruguai tem até caçadas verdes, onde o animal não é abatido mortalmente e sim anestesiado. Menos mau ?

No Rio Grande do Sul tem até revista especializada nesta modalidade de gosto duvidoso, chamando animais de peças e afirmando ser “Fantástico as 48 perdizes abatidas”.

Veja só este trecho de uma matéria publicada:

Alucinante !!! Cabeça de Caça a dor.

Vai atrás da dor e pode sair machucado como o próprio rei da Espanha Juan Carlos, que fraturou o quadril em uma viagem à África, enquanto caçava Elefantes e sua popularidade despencou pelo mundo.

Rei Juan Carlos da Espanha decepciona o mundo

Onde está sua nobreza ? O também caçador Marcos Matsunaga, executivo da Yoki, colecionava armas, praticava a caça e foi vítima fatal de sua própria escolha, acabando como uma presa desprezada.

O caçador Marcos Matsunaga que banalizou a Vida e sua vida foi igualmente banalizada

A caça esportiva não visa a obtenção de alimentos, mas a conservação de tradições engessadas, da emoção doente da perseguição, entre outras razões nada gentis.


Documentos datados de 1535 comprovam a existência, em um navio Francês apreendido pela Coroa Portuguesa, de 6.000 (seis mil) peles de “Leopardo”, muito provavelmente exemplares abatidos de onça-pintada (Panthera onca), além de muitos outros representantes da Fauna Brasileira, como papagaios, por exemplo.

A carnificina é antiga.

As espécies que mais sofreram com este tipo de comércio foram, sem dúvida alguma, aquelas que apresentavam pintas ou manchas na pele, como a Onça-pintada (Panthera onca), a Jaguatirica (Leopardus pardalis), o Maracajá (Leopardus wiedii) e o Gato do Mato Pequeno (Leopardus tigrinus).

Onça Pintada, a Jaguatirica, o Maracajá e o Gato do Mato-Pequeno

A caça esportiva, apesar de amplamente proibida,  continua a acontecer no interior do país, com a justificativa  exercida sobre a morte dos animais domésticos comidos por onças.

Os bovinos, caprinos e eqüinos são prato farto para os felinos, já que com a escassez dos animais silvestres por conta de caça, queimadas e pastos abundantes que acabam com os corredores naturais da cadeia alimentar da floresta, então eles precisam procurar em fazendas seu alimento.

Diminuindo a oferta, os felinos recorrem as criações.

Um círculo vicioso e macabro vai se agravando com a caça predatória e esportiva.

O Brasil é considerado o país de maior diversidade biológica do planeta.

Segundo o Ibama, órgão responsável pelas listas oficiais de espécies da fauna e da flora brasileiras ameaçadas de extinção, 219 espécies animais.

Entre elas, algumas estão praticamente extintas, como a ararinha-azul.

Enquanto isto um americano ex-caçador escreve esta carta abaixo:

Para se ter uma idéia de quanto a caça esportiva é uma atividade bastante cara e alimenta um mercado grande.

Além da espingarda e da munição, o praticante precisa pagar pelos animais que mata.

Na África, o caçador é obrigado a despender de 35.000 a 40.000 dólares por um elefante e de 30.000 a 35.000 dólares por um felino de grande porte.

Entre as justificativas dos defensores da liberação da caça está a de que ela atrairia turistas.

Se fosse uma atividade que trouxesse ativos financeiros para o país a África não viveria a situação de fome que vivem em grande parte do seu território.

Os dois filhos de Donald Trump que praticaram uma verdadeira matança no Zimbabwe

Depois que documentários ambientalistas revelaram ao mundo as cenas chocantes do abate de elefantes, leões e tigres para virar troféus de caçadores, vários parques de caça deram lugar ao safári de observação.

Essa modalidade de turismo atrai um número muito superior de visitantes.

Nada mais “natural”.

Contribuir para a preservação da vida é, certamente, uma experiência mais estimulante do que a promoção da crueldade e da violência.


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