Jogos Olímpicos de 2016.
A tocha olímpica acenderá e se as autoridades permitirem e a opinião pública defender, pela primeira vez uma causa ambiental se tornará símbolo mascote dos Jogos, na defesa da exuberante Mata Atlântica brasileira, onde vive o Macaco Muriqui, espécie endêmica, ameaçada severamente de extinção.
Conhecido também por macaco aranha é o maior primata não humano do continente americano e o maior mamífero endêmico do Brasil, podendo atingir até 1,5m de altura, 20 quilos e vive entre 10 e 15 anos.
Muriqui em tupi-guarani significa gente que bamboleia, que vai e vem.
De natureza dócil, foi apelidado pelos indígenas como “povo manso da floresta”.
Uma característica encantadora é que em vez de brigarem, os Muriquis têm o hábito de abraçar uns aos outros.
Abraçam para tudo.
Quando se sentem ameaçados, atraídos, felizes, satisfeitos, famintos…assim vai.
São observados neste ato solidário quando encontram outros Muriquis ou animais de outras espécies.
Abraçam-se durante o encontro de tropas ou num ritual entre indivíduos que, aparentemente, se reconhecem.
Pendurados em suas caudas fazem um grande círculo e promovem um abraço coletivo.
Na busca de alimento, procuram coletivamente e usando sua cauda comprida que funciona como um braço flexível, coloca seu corpo entre uma árvore e outra, servindo de ponte para outros integrantes do grupo passarem com facilidade.
O mundo fala de paz e os animais a promovem.
Muito temos que aprender com o comportamento desta espécie.
Os Muriquis são animais herbívoros ou seja, se alimentam de uma grande diversidade de itens vegetais: frutos, folhas, flores de árvores…
Durante a alimentação, o Muriqui demonstra seletividade e sofisticação na manipulação do alimento, sabendo muito bem separar “o joio do trigo”.
Precisando de grandes áreas preservadas para sobreviver, ele é um dispersor natural de sementes.
Sua conservação é estratégica, pois é considerada uma espécie “guarda-chuva”, isto é, sua preservação ajuda também à sobrevivência de outras espécies da fauna e da flora e, por tabela, de toda a Mata Atlântica.
“São reflorestadores naturais, sendo assim, muitas espécies nativas estão sobrevivendo principalmente por causa dessa dispersão natural de sementes”, explica vigorosamente Paula Breves, veterinária a frente da ONG Eco Atlântica e percussora do movimento pró-Muriqui 2016.
São duas espécies, o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) que ocorre nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia, e o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) que ocorre nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e parte do Paraná.
São Paulo e Minas Gerais já conseguiram um plano de manejo para ampliar a mata e os corredores verdes de alguns parques nacionais dando condições para que os Muriquis se reproduzam.
No Rio de Janeiro a ação está iniciando e estima-se que existam cerca de 300 Muriquis no estado e uns 3.000 no Brasil.
Infelizmente não se reproduzem em cativeiro e só existem exemplares desta espécie num único jardim zoológico do mundo.
O mistério que ronda o “O Povo Manso da Floresta” é que, atualmente, todos os filhotes que nascem, são machos.
O projeto, chamado oficialmente de “Conservação do Muriqui no Rio de Janeiro” quer estudar melhor este afetivo primata e farão um levantamento da situação da espécie para a elaboração de um plano de ação estadual, mobilizando especialistas da ONG Ecoatlântica, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), entre outras instituições.
Eles pretendem estudar os hábitos deste peculiar mamífero, o que não será tarefa fácil.
Sensível, ele foge com o mínimo ruído, sua agilidade é tão grande que é praticamente impossível persegui-lo.
A desenvoltura do animal na mata, que faz lembrar a agilidade de um atleta olímpico, é um dos argumentos para fazer do muriqui a mascote dos Jogos Olímpicos do Rio.
Este macaco só muito raramente desce ao chão e nunca abandonam os bosques altos entre 600 e 1800m de altitude ao longo da costa onde a Mata Atlântica ainda existe.
Há um século atrás cerca de 100.000 muriquis viviam tranquilamente nesses bosques, porém, a caça e as árvores abatidas para criar pastagens e núcleos urbanos, o seu território ficou reduzido e fragmentado a uns dez por cento da extensão original e o muriqui tornou-se uma das espécies mais ameaçadas de extinção.
Enquanto a Floresta Atlântica vai sumindo, o Muriqui também.
A devastação profunda que se deu na Floresta Atlântica, desde que os portugueses pisaram o solo de Pindorama, em 1500, não acabou.
Não se fala FLORESTA ATLÂNTICA, mas MATA (que tem um significado mais restrito e urbano do que o de floresta).
Mesmo cobrindo apenas 13% do território nacional, cerca de 70% da população brasileira encontra-se na Mata Atlântica.
Inclusive, 10 das 20 cidades com maior população no Brasil estão dentro da Mata Atlântica.
Hoje apenas 10% da floresta ainda se encontram de forma nativa.
Apesar de reduzida a poucos fragmentos, na sua maioria descontínuos, a biodiversidade seu ecosistema é uma dos maiores do planeta.
|
Estado |
Remanescente (Km²) |
% remanescente |
| Alagoas |
1.498,72 |
10,02% |
| Bahia |
16.927,34 |
8,97% |
| Ceará |
1.502,83 |
16,50% |
| Espírito Santo |
5.107,53 |
11,07% |
| Goiás |
493,81 |
4,7% |
| Mato Grosso do Sul |
3.601,21 |
5,65% |
| Minas Gerais |
27.339,26 |
10,04% |
| Paraíba |
756,41 |
11,34% |
| Paraná |
20.944,01 |
10,65% |
| Pernambuco |
2.292,72 |
12,68% |
| Rio de Janeiro |
8.617,66 |
19,61% |
| Rio Grande do Norte |
485,48 |
14,12% |
| Rio Grande do Sul |
10.289,90 |
7,48% |
| Santa Catarina |
22.100,61 |
23,04% |
| São Paulo |
26.703,24 |
15,78% |
| Sergipe |
1.098.87 |
9,17% |
Um aliado incrível na campanha Muriqui 2016 é a Conservation International (CI), uma das mais respeitadas entidades de programas ambientais do mundo.
O seu presidente da CI, Russell Mittermeier, biólogo primatologista renomado, já vem difundido a candidatura em suas conferências e defende “O Muriqui tem importância tão grande quanto o panda gigante da China.
É um animal realmente simbólico para o Brasil, pois só existe no país e só vive na Mata Atlântica, ou seja, só há registros neste tipo de bioma.
Em reuniões internacionais tenho falado do esforço que estamos fazendo para protegê-lo” — disse Mittermeier
Paula Breves defende : “A escolha está nas mãos do COB, que pode deixar um legado que para ajudar a salvar o Muriqui e a Mata Atlântica.
Esta é uma grande possibilidade pois o Rio tem uma carência histórica de conhecimento sobre o seu maior primata”.
A campanha da ONG Ecoatlântica para transformar o primata em mascote ganhou uma visibilidade inédita, levando o Muriqui pela primeira vez, de um modo consistente, ao imaginário da opinião pública.
O trabalho está no caminho de tornar o maior primata das Américas uma das mais importantes espécies-bandeira da Mata Atlântica e um símbolo da defesa global da biodiversidade.
Falando-se de diversidade, na sociedade dos Muriquis não existe predominância de machos sobre fêmeas.
Eles se conservam em seu bando toda uma vida, ela procura outro bando na sua adolescência.
Enquanto outras espécies se agridem na disputa da cópula, os muriquis compartilham a mesma fêmea e abraçados aguardam sua vez na fila da procriação.
Sem ciúmes ou agressividade.
Com generosidade e solidariedade salta o Muriqui de galho em galho, rumo ao estrelato, divulgando a causa ambiental para todos os cantos do nosso amado planetinha.
http://www.ecoatlantica.org.br







































































































































































