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Films

O Imperador e o Rouxinol

O Imperador e o Rouxinol (The Emperor’s Nightingale)

Animação 1948

de Jiri Trnka

música por Václav Trojan

narrado por Boris Karloff

fábula de Hans Christian Andersen

Quando tomamos a decisão de mergulhar num determinado universo, uma pessoa de sensibilidade mínima, SENTE forças a empurrando em determinada direção.

Digo isso, por que em mera visita a locadora de vídeos do meu bairro, batí os olhos na capa desse dvd e não tive a menor dúvida em levar na mesma hora.

Acontece que esse vídeo escolhido, completamente sem querer, trazia nele a continuação da minha pesquisa sobre esse meu fundamento Casati/Diaguilev/Veneza.


The Emperor’s Nightingale, foi também desenvolvido por Stravinsky, que era assíduo frequentador do Caffe Florian e  foi produzido para um espetáculo de ballet por Diaghilev que eram todos amigos da Marquesa Casati.

Coincidências NãO existem, dizem… e acredito!

O que me chamou a atenção imediatamente foi a estética macabra e infantil que sou fascinada, além da delicada e sutil animação em stop motion.

E confesso que quando lí que a narração era de Boris Karloff (Frankenstein), aguarrei o dvdzinho como se pudesse ser levado das minhas mãos.

A profunda voz de Karloff dá o tom de perfeito de encantamento macabro.



A obra, adaptada em vários formatos, entre elas, ópera (Stravinsky), ballet (Diaghilev), peça musical, televisão (adaptado por Shelley Duvallem com Mick Jagger no papel do Imperador em 1983) e esta animação.


A versão ópera criada por Stravinsky, para um espetáculo de ballet de Diaghilev no Théâtre National de L’Opera em Paris aconteceu em maio de 1914.

Com este sucesso, em 1917 Igor Stravinsky criou um poema sinfônico chamado “Le Chant du Rossignol” (A Canção do Rouxinol).



Edmund Dulac - The Nightingale


Os marionetes, manuseados pelo próprio diretor Trnka, são ricamente vestidos em tecidos brocados num carnaval oriental de cores com sabor vintage.

Leques e parasóis orientais dançam com a delicadeza de asas de borboleta dão um efeito de monotonia hipnótica.

Ouçam os assobios sublimes e os sons sombrios do pássaro feito de  sombras.

Além do meu fascínio por pássaros (em liberdade, sempre), percebo que cresce em mim uma espécie de estigma por pássaros mecânicos também.

Existe uma mística, uma mecânica perfeita, como caixinhas de música mágicas, como caixas de Pandora.

Hans Christian Andersen


Hans Christian Andersen (que foi amplamente pesquisado pelo avô da minha grande amiga Carolina Glidden D’Arouche, Sr. Leonardo Arroyo), escreveu essa história espelhando a voz mágica do Rouxinol, na voz da cantora lírica suéca Jenny Lind, por quem ele sofria um amor platônico.

Sendo assim, Hans Christian se projeta no papel do Imperador chinês, penso eu.

Imperador este que prefere o som dos tais pássaros mecânicos ao som de um rouxinol de verdade.

Quando o imperador adoece e chega perto da morte, o canto do rouxinol verdadeiro recupera a sua saúde.

Imaginem a voz de Karloff narrando as seguintes frases:

Perfumed bubbles rise and burst

Glass swans drifted away in their pond of mirrors

Eu recomendo.

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