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O fascinante ritual do Hammam

Acabei de voltar de viagem de Marrakesch e 茅 com grande prazer que inicio hoje uma s茅rie de posts sobre a cultura desse pa铆s ex贸tico.

Assim come莽o pelo ritual dos banhos 谩rabes.

Jean-L茅on G茅r么me, The Bath, ca. 1880-85


O certo 茅 que o Hammam combina a funcionalidade e os elementos estruturais de seus antecessores na Anatolia, nas termas do Imp茅rio Romano com a tradi莽茫o oriental turca de banhos a vapor com seus rituais de limpeza e respeito a 谩gua.

Ocorre que os 脕rabes construiram vers玫es de banhos greco-romanos que encontraram ap贸s a conquista de Alexandria no Egito.

Sem d煤vida, 茅 uma cerim么nia de limpeza n茫o apenas corporal, mas tamb茅m espiritual.

Em Marrakesch, existe uma variedade de hammams, de p煤blicos a privados, do mais simples ao mais suntuoso e decadente.


Nestes estabelecimentos, 茅 importante que tenha em considera莽茫o que as mulheres n茫o tem o mesmo hor谩rio de entrada que os homens.


Os locais de banho se assemelham muito a igrejas, onde no lugar da nave central fica a 鈥減iscina鈥(onde vc s贸 pode entrar quando j谩 estiver limpo) com pequenas salas de banho ao redor, como se fossem capelas e/ou salas de batismo.

Logo, a primeira fase desta experi锚ncia, come莽a com um ch谩 de hortel茫 quente, para o corpo come莽ar a liberar as toxinas.

Sou encaminhada para uma pequena 鈥渃apela鈥 de banho, onde portas ancestrais se abrem para um interior聽 聽 de m谩rmore cor-de-rosa, iluminado por lanternas de ferro forjado verde- 谩gua, com um teto abobadado, suspenso por pilares, com duas camas na lateral e uma pia dram谩tica que jorra 谩gua em abund芒ncia todo o tempo.

Num segundo passo, n茫o 茅 hora para timidez, uma atendente vai me banhar por completo, ent茫o obviamente, 茅 preciso tirar a roupa.

Agora com a ajuda de uma concha de lat茫o dourado, ela me molha numa maestria de movimentos que me fazem lembrar um ballet.

Me entrego e me deixo levar neste momento de arte que deve ser saboreado por completo.

Em fran莽锚s, a massagista indica que devo me deitar na pedra morna que tem pequenos furos por onde sai o vapor.

Come莽a a segunda fase do ritual, a esfoli莽茫o.

Elemento essencial do hammam 茅 o sab茫o usado, que 茅 uma pasta feita de azeite de oliva e eucalipto,聽 chamado Savon Noir (sab茫o preto). 聽Eu tive que trazer um potinho!

Conforme 茅 passado, com o vapor da sala, parece que minha pele chupou uma bala.

E麓usada uma luva especial, a kessa, que tem a textura de uma lixa e com esta sou esfregada com vigor.


The Massage by Debat-Ponsan 1839

Simbolicamente, come莽o a trocar de pele, como se fosse uma cobra Naja.

L贸gico, j谩 fiz esfolia莽玫es em diversos spas desse mundo, mas nunca e eu reafirmo Nunca, v铆 c茅lulas mortas daquela maneira!

Chu谩 pra c谩, chu谩 pra l谩, depois de mais um enxague, eu tentando manter minhas poses l芒nguidas neste universo de harems, quando a聽 atendente come莽a a lavar o meu cabelo com uma esp茅cie de argila chamada Ghassoul.

Verdadeira aula para qualquer cabeleleiro, esta veterana do banho fez uma tran莽a no meu cabelo usando apenas uma m茫o e a 谩gua para mover as minhas negras madeixas.

Completamente derretida pelo processo, a mo莽a apaga a luz e sugere que eu durma por 5 minutinhos.

Al么 Cle贸patra, eu sei que vossa alteza est谩 comigo nesse momento!

Com certeza, estou muito emociada para dormir, mesmo que completamente relaxada no meio daquele vapor mentolado….

Quando me 鈥渁corda鈥, ganho uma 谩gua incrivelmente gelada e um roup茫o.

Perfeitamente purificada, saio da pequena capela e caminho聽 para descansar na chaise lounge,聽 verdadeiro deleite da higiene, eu diria.

Diferente dos banhos romanos da antiguidade, o hammam 茅 um lugar de retiro, secreto e po茅tico na sua natureza.

Moorish Bath by Jean-L茅on G茅r么me 1870


Na sala principal, o sol n茫o brilha ofuscante, ao contr谩rio, alguns raios fracos atravessam o vidro colorido dos vitrais.

Al茅m dos raios de luz que seguram-se no vapor flutuante e d谩 a sensa莽茫o de encantamento para a escurid茫o de sombras.

Inclusive os sons aqu谩ticos ecoam entre as colunas de m谩rmore nesta atmosfera de serenidade, purifica莽茫o e luxo.

Spa do Hotel La Sultana - Marrakech

E neste clima, me jogo na piscina da foto, completamente passada…

Enfim, voc锚 茅 convidado a escolher qual perfume deseja usar: escolha entre 谩gua de rosas, 谩gua de flor de laranjeira ou musk.

Jean Lecomte du Nouy L鈥橢sclave blanche 1888

Sobretudo os hammans da cidade, s茫o um lugar de socializa莽茫o e fofoca entre as mulheres mu莽ulmanas, que aproveitam para escolher al铆 as futuras esposas de seus filhos.

Sir Lawrence Alma Tadema, Um costume favorito de 1909

Aqui alguns links dos principais spas de Marrakesch:

http://www.lasultanamarrakech.com/#

http://www.mamounia.com/uk/index.php

www.lesbainsdemarrakech.com

The Turkish Bath by Jean Auguste Dominique Ingr茅s, 1862

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Blek the rat, por Iko Ouro Preto

For most of modern age, street intervention has not been considered a valid art form. Denigrated by establishment, despised and frequently loathed, it wasn鈥檛 until recently that insiders re-evaluated their positions on what was formally considered dirty art, or maybe not art at all.

Some years ago when an art dealer in London auctioned a piece, Brad Pitt was amongst the first lining up paying thousands of Dollars for a slab of public wall. How Brad Pitt would take this chunk of concrete away with him was left to the buyer.

The intelligentsia, baffled, began re-assessing their position, and ever so reluctantly, their perception swung.

Unwittingly, the age of democratisation of art had begun.

One of the pioneers was Blek le rat. Born in 1952 in a 聽鈥渂ourgeois” suburb of Paris from a culturally mixed background, his father an architect of Jewish decent, his mother Chinese, from the offset, Blek was a most unlikely candidate.

In the early 70鈥檚, Blek went to New York to study architecture, for the first time stepping out of his cocooned world of privilege.

“At the university,” he explains, “my teachers were revolutionary Trotskyites; they taught me much more than art. I was learning about another world.”

Fascinated by the vast array of graffiti and tagging on the NY subway network, Blek felt 鈥榠lluminated鈥, a feeling of social awareness hitting him like a freight train.

Soon afterwards on a family trip to Italy, he saw a stencilled portrait of Mussolini amongst WWII ruins. That inspired him to create a life size silhouette of a rat running along the street.

鈥楻ats are the only free animals in the city鈥, says Blek, 鈥榓nd one that spreads the plague everywhere, just like street art鈥.

Blek le rat wasn鈥檛 the first to develop stencil graffiti art, that honour would fall on John Falker who, in 1978, feeling cramped in his Long Island studio space, began pervasively creating his imagery on nearby underpasses, but Blek is credited with inventing life-size stencils and basic lettering in pictorial art.

In 1981 he began painting in Paris. French Police revealed his identity when he was arrested while working on a replica of Caravaggio鈥檚 Madonna and child.

Blec le rat was exposed, his name, Xavier Prou, despite his efforts, became publicly known.

Blec soon realised the only way to evade future capture was to adopt extensive stencilling as a means to speed up his graffiti. Inadvertently, a new era of 鈥榞uerrilla art鈥 was throttled onto us.

鈥淯rban art is there to be inclusive.鈥 He says, 鈥淏y bringing our work to the masses within the urban landscape, on the streets, we are including everyone.”

British graffiti legend Bansky has openly acknowledged Blek’s influence stating, “every time I think I’ve painted something slightly original, I find out that Blek Le Rat has done it as well, only twenty years earlier.”

The Godfather of stencil art, Blek le Rat, an immensely creative artist, is a giant amongst his peers, even if the current generation of graffiti fans will, for the most part, neglect to mention him.

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Storm by Iko Ouro Preto from Paris

It was a windy, storm-prone night, quite unusual for this time of year – a full moon, intensely and holy magnificent, just visible through the clouds. The streets are an empty, desolate landscape; the approaching tempest violently scattering what is left of autumn leaves.

Peter didn鈥檛 like people very much, human contact, small talk, birthdays, as far back as he could remember, he was always like this. As a child his parents would take him to the movies. He always hated the movies, even the love stories. As an adult, he preferred the company of the dead. When he got his new job and the opportunity came, he gladly accepted the night shift.

Peter had now been working at the morgue for years. The job suited him, the hours too. It was punctual, precise and the pay above average. Besides his job, nothing of interest ever happened, ever. Every day he would see the same people, that is, if one doesn鈥檛 count the corpses. Of those he saw quite a few, and some, he felt, became his companions, even if only for a moment before they would decompose or be burnt to ashes.

Initially there was nothing unusual with the new body they had just received. It was, as they all do, inexorably disintegrating, Peter would repeat to himself. They didn鈥檛 know the identity, but then that鈥檚 more common than one might expect and they were certainly in no hurry for an extra autopsy that night.

But suddenly.. the most unexpected thing. Peter had a sudden rush of euphoria. In his well-planned, premeditated life, he had all but forgotten he had any feelings, much less anything of this magnitude. Confused, Peter stood in the metallic chamber staring intently at the one leg sticking out from under the hospital sheet dressed as it was in well-worn jeans.

Momentarily dazed, he shifts back against the wall, his heart thumping. Peter is stunned, bewildered and surprised at his sudden flush of emotions.

Peter鈥檚 two colleagues are called on a matter next door, leaving him alone with the body. As he stares at the corpse a most bizarre thought crosses his mind. He desperately wanted the jeans for himself.

First hesitantly then enthusiastically he undresses the corpse and tries it on, right there, on the cold concrete floor of the morgue, tucking the half naked body carefully back under the blankets. It was a perfect fit, even though the body seemed considerably smaller than his.

As he stood gazing down at his new acquisition, slightly ashamed of his deed, he wonders what to do next. He feels an urge to leave, immediately. Not that he had anything or anywhere in particular to go. He just wanted to leave, immediately. He grabs his keys and does so without bothering to say good night to the staff.

Even though Peter had taken this same route to his car everyday for the past 6 years, suddenly, he鈥檚 lost. He can鈥檛 take his eyes of his legs. He touches them; feels them, caressing himself in the empty parking lot.

Then, most unexpectedly, he hears a faint voice from behind. It is Marie. The most beautiful Marie. She worked for the pharmaceutical company on the second floor. She had never looked at him, much less spoken to him, except in his fantasy. And yet here she was, asking for a ride home, with a smile.

It wasn鈥檛 very clear how Peter had found his car, nevertheless, he was now on the highway going north.

They didn鈥檛 realize they鈥檇 missed the exit until they reached a small town neither had ever been. Perplexed, Peter excused himself and promised her this wasn鈥檛 鈥榮ome kind of trick鈥. He did, however, urgently need a gas station for his car. After driving aimlessly around the ghost town, one is found open.

The moon, shinning in all its glory. How beautiful, look, how beautiful. Peter had never contemplated it before, not really, but that night it seemed so exquisitely balanced that if touched ever so lightly, it would rock back and forth forever till the end of time.

They make their way to a small caf茅 adjacent to the station for a break before the ride home. Surprised that Marie would indulge in such a late nightcap with him, Peter, unlike himself, walks in proudly.

The caf茅 falls silent, all eyes on them. Small town folks, but, slightly to the right, a man elegantly dresses in a three-piece suit, stares agog, transfixed.

They order, wine. Peter, who never liked alcohol, drank with enthusiasm. Then, most unexpectedly, the well-dressed man approaches them with an unusual offer. Unsure why and equally embarrassed, he offers Peter to buy the jeans he is wearing, right there, on the spot. Peter, taken aback and surprised, declines. The man excuses and goes back to his table.

But then the man comes back, and again in the most polite and convincing terms, offers Peter an outrageous exchange. His jeans for his top-of-the-line Mercedes parked outside. Peter is impressed, but says no. Marie feels frightened and asks to leave.

Outside they make their way towards Peter鈥檚 car. As they enter, the well-dressed man comes running after them. Peter turns the ignition and darts away with Marie safely by his side.

That night she was lovelier than ever and at that moment, with her face sparkling in a faint silhouette, she was divine. Peter would have given his life for hers without a thought. She was wonderful, Marie was sublime.

As they drive back, Peter has a dream. In his dream the most beautiful things happen. For the first time in his life he began to ask himself questions. He began considering the possibility of never going back to the morgue and that everything would change. From this moment on, he would rather deal with life and the living.

He would take Marie safely back home and never let harm approach her. He would send her flowers the next morning with a letter telling her in prose he loved her more than anything he could imagine. They would have a family and celebrate Christmas with their children and when they where old, together they would view death as being united forever.

A deafening clap of thunder interrupts his thoughts. The storm was close, it was nearly on them. Outside, he remembers, was still night as they approached the city again. He collected his thoughts. He sighs as he looks at Marie as she, most gently smiles back.

Of all memories he had in life, he had never anything this glorious.

Yet absentmindedly Peter had driven back to the morgue. As Peter shivers with memories of a place he would leave behind forever, Marie suddenly remembers she鈥檇 forgotten a bag upstairs.. and if Peter could just bear a moment while she quickly retrieved it.

And so he did.

As Peter sits in his car, feeding his mind with images of things to come, he feels a tickle inside the pocket of his jeans. He looks down and scratches but the itching is still there. He straightens himself and slips his hand inside the pocket. Immediately he retracts it, feeling a sting.

The pang was soon colossal. Peter contorts himself frantically. As he briefly controls the pain, holding his right hand with his left, he felt a coldness overcome his body. Initially from his finger, but quickly overcoming everything.

He crawls out of his car, stunned, dizzy, yet still strong enough to cover the distance across the street to the morgue. Then suddenly he collapses.

His body had been there for only a while when a hospital van arrives, the drivers notice Peter stretched on the sidewalk.

They rush towards him but Peter is now cold dead. They pick up the body, put it on a stretcher, cover it with a blanket and take it upstairs to the morgue. As they enter the doorway they cross Marie coming out.

She finds the car, empty.

Late at night a body is delivered to the local morgue. They didn鈥檛 know the identity, but then that is more common than expected, they were certainly in no hurry for an extra autopsy.

The morgue manager stood there, gazing at one leg sticking out from under the blanket, dressed, as it was in well-worn jeans, confused at his own feelings of sudden euphoria.

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O Imperador e o Rouxinol

O Imperador e o Rouxinol (The Emperor鈥檚 Nightingale)

Anima莽茫o 1948

de Jiri Trnka

m煤sica por V谩clav Trojan

narrado por Boris Karloff

f谩bula de Hans Christian Andersen

Quando tomamos a decis茫o de mergulhar num determinado universo, uma pessoa de sensibilidade m铆nima, SENTE for莽as a empurrando em determinada dire莽茫o.

Digo isso, por que em mera visita a locadora de v铆deos do meu bairro, bat铆 os olhos na capa desse dvd e n茫o tive a menor d煤vida em levar na mesma hora.

Acontece que esse v铆deo escolhido, completamente sem querer, trazia nele a continua莽茫o da minha pesquisa sobre esse meu fundamento Casati/Diaguilev/Veneza.


The Emperor鈥檚 Nightingale, foi tamb茅m desenvolvido por Stravinsky, que era ass铆duo frequentador do Caffe Florian e聽 foi produzido para um espet谩culo de ballet por Diaghilev que eram todos amigos da Marquesa Casati.

Coincid锚ncias聽N茫O聽existem, dizem鈥 e acredito!

O que me chamou a aten莽茫o imediatamente foi a est茅tica macabra e infantil que sou fascinada, al茅m da delicada e sutil anima莽茫o em stop motion.

E confesso que quando l铆 que a narra莽茫o era de Boris Karloff (Frankenstein), aguarrei o dvdzinho como se pudesse ser levado das minhas m茫os.

A profunda voz de Karloff d谩 o tom de perfeito de encantamento macabro.



A obra, adaptada em v谩rios formatos, entre elas, 贸pera (Stravinsky), ballet (Diaghilev), pe莽a musical, televis茫o (adaptado por Shelley Duvallem com Mick Jagger no papel do Imperador em 1983) e esta anima莽茫o.


A vers茫o 贸pera criada por Stravinsky, para um espet谩culo de ballet de Diaghilev no Th茅芒tre National de L鈥橭pera em Paris aconteceu em maio de 1914.

Com este sucesso, em 1917 Igor Stravinsky criou um poema sinf么nico chamado 鈥淟e Chant du Rossignol鈥 (A Can莽茫o do Rouxinol).



Edmund Dulac - The Nightingale


Os marionetes, manuseados pelo pr贸prio diretor Trnka, s茫o ricamente vestidos em tecidos brocados num carnaval oriental de cores com sabor vintage.

Leques e paras贸is orientais dan莽am com a delicadeza de asas de borboleta d茫o um efeito de monotonia hipn贸tica.

Ou莽am os assobios sublimes e os sons sombrios do p谩ssaro feito de聽 sombras.

Al茅m do meu fasc铆nio por p谩ssaros (em liberdade, sempre), percebo que cresce em mim uma esp茅cie de estigma por p谩ssaros mec芒nicos tamb茅m.

Existe uma m铆stica, uma mec芒nica perfeita, como caixinhas de m煤sica m谩gicas, como caixas de Pandora.

Hans Christian Andersen


Hans Christian Andersen (que foi amplamente pesquisado pelo av么 da minha grande amiga Carolina Glidden D鈥橝rouche, Sr. Leonardo Arroyo), escreveu essa hist贸ria espelhando a voz m谩gica do Rouxinol, na voz da cantora l铆rica su茅ca Jenny Lind, por quem ele sofria um amor plat么nico.

Sendo assim, Hans Christian se projeta no papel do Imperador chin锚s, penso eu.

Imperador este que prefere o som dos tais p谩ssaros mec芒nicos ao som de um rouxinol de verdade.

Quando o imperador adoece e chega perto da morte, o canto do rouxinol verdadeiro recupera a sua sa煤de.

Imaginem a voz de Karloff narrando as seguintes frases:

Perfumed bubbles rise and burst

Glass swans drifted away in their pond of mirrors

Eu recomendo.

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The great five…books about Venice

1) Out of this Century

Confessions of an art addict

The autobiography of Peggy Guggenheim

First published in 1979

Inspiradora a autobiografia de Peggy Guggenheim, que me chamou a aten莽茫o inicialmente por ter comprado em 1947 o Palazzo da minha musa m贸r a Marchesa Casati.

Pertencente da fam铆lia de milion谩rios das artes os Guggenheim, Peggy (1898-1979), judia, nascida em Nova York, 聽passou os primeiros 30 anos de sua vida viajando de pa铆s em pa铆s, trocando de maridos diversas vezes, montando lares e cuidando de seus dois filhos Sinbad e Pegeen, mas foi em Veneza que encontrou a felicidade da sua persona.

Foi uma crian莽a doente, n茫o pode frequentar a escola normalmente e quando tinha 14 anos seu pai morreu no Titanic.

Ele 茅 perfeitamente retratado no 茅pico filme de James Cameron, 茅 o senhor que se recusa a pegar os botes de salvamento e se veste em roupas de gala para se preparar para a morte.

O pai dela, Benjamim Guggenhein, era dos meus.

Ent茫o em 1919 herdou uma fortuna de $2.5 milh玫es de d贸lares que equivale a $20 milh玫es mais ou menos, nos par芒metros de hoje.



Japa veste casaco Maria Bonita vintage e gola eduardiana Gl贸ria Coelho


Se redescobriu聽 como patrona das artes, o que ao meu ver ela estava completamente inspirada na Marquesa, apesar de nesse livro n茫o admitir esse fato. (ver post anterior)

Uma vez em Veneza, uma pessoa de sensibilidade b谩sica sente que existe um incentivo ao vestir que est谩 impl铆cito no ar.

Eu sent铆 isso completamente.

Uma pessoa vestida com pe莽as casuais do dia-a-dia, definitivamente n茫o se encaixa naquele cen谩rio, n茫o combina, 茅 engra莽ado mas 茅 a mais pura verdade.

Ent茫o quando houver a oportunidade de ir at茅 l谩, n茫o se esque莽a destas palavras que te aconselham e leve na sua mala, pelo menos algumas pe莽as ex贸ticas.

N茫o ir谩 se arrepender.

Peggy Guggenheim que n茫o me deixaria mentir.

Ela que super usou os seus 贸culos que viraram sua marca registrada e roupas modern茅rrimas de vanguarda.

Dona de uma das mais importantes cole莽玫es de arte moderna do s茅culo XX, entre os artistas que patrocinou est茫o Ives Tanguy, Paul Delvaux, Kandinsky, Jean Cocteau, Mondrian, 聽foi super respons谩vel por Jackson Pollock, teve um t贸rrido affair com Max Ernst, foi grande amiga de Marcel Duchamp, Alexander Calder entre outros modernistas, cubistas, expressionistas abstratos e 聽surrealistas.

Durante a segunda guerra mundial adquiriu obras de simplesmente Picasso, Mir贸, Magritte, Dali, Klee e Chagall.

Sua cole莽茫o 聽pode ser vista na 铆ntegra, no que hoje 茅 o Museu Guggenheim de Veneza, no palazzo Venier dei Leoni, lar de antigos le玫es e da minha diva particular, La Casati.

Peggy escolheu ser enterrada l谩 ao lado dos seus c茫ezinhos Lhasa Apsos.


Sem d煤vida, Peggy Guggenheim descansa em paz e bem protegida por anjinhos.


2) Diaghilev

A Life

Sjeng Scheijen

2010

N茫o consigo largar essa biografia de 500 p谩ginas que encantam.

Sergei Pavlovich Diaghilev foi al茅m de cr铆tico de arte, empres谩rio do Ballet e fundador do ic么nico Ballet Russes que mudou a hist贸ria dos espet谩culos.

De personalidade fort铆ssima, Sergei Diaghilev transformou聽 o mundo do ballet, do teatro, da m煤sica, das artes visuais, como ningu茅m antes dele havia feito.

No in铆cio de sua carreira Diaghilev, montou um jornal de arte e o seu grupo de artistas e intelectuais consistia simplesmente de L茅on Bakst (vide post anterior), Alexandre Benois, Walter Nouvel, Konstantin Somov e Dimitri Filosofov.

Diaghilev que tamb茅m era profundamente apaixonado por Veneza disse em uma das suas c茅lebres frases: O golpe de g锚nio de Wagner foi ter morrido em Veneza, pois assim transformou a pr贸pria vida em arte, negando assim o caos final da morte.

S贸 posso concordar!

At茅 mesmo, 鈥淒eath in Venice鈥 foi o t铆tulo usado em um de seus grandes espet谩culos.

Em cima da sua tumba, os bailarinos que costumam visitar, deixam suas sapatilhas sobre a pedra, que diz 鈥漋eneza, o apaziguamento da nossa eterna inspira莽茫o鈥.


Retrato de Diaguilev por Aleksandrovich Serov



Todos os grandes talentos da 茅poca trabalharam para Diaghilev como seus compositores Igor Stravinski, Claude Debussy, Maurice Ravel e Richard Strauss.

Teve como figuristas desde Bakst seu grande amigo a Nathalia Gontcharova, a Matisse e at茅 Pablo Picasso!

Era do c铆rculo de Gertudre Stein que foi recentemente retratada por Woody Allen em Paris a Meia-Noite por Kathy Bates.

E como n茫o poderia deixar de ser , os grandes bailarinos tamb茅m eram da sua companhia como Anna Pavlova e um dos maiores de todos os tempos Vaslav Nijinsky 聽que foi talvez, o maior amor de sua vida.

Amor este que o traiu, casando-se com uma mulher.

Apesar de ser discreto em rela莽茫o aos seus mais profundos sentimentos, Diaghilev sofria pela dificuldade de viver uma vida abertamente homossexual numa 茅poca em que 鈥渄esvios sexuais鈥 era considerado uma doen莽a.


Nijinsky



Bakst 1921, The Blue Bird



Costume for mandarin by Henri Matisse, 1920



Costume for sea princess by Adolph Bolm for the Ballet Russes



Costume design for a chinese conjurer by Pablo Picasso, 1917



Costume by Pablo Picasso for the Ballet Russes, 1917



Sketch by Bakst for Nijinsky



Vaslav Nijinski in the Bakst costume above


脡 um prazer enorme mergulhar nessa 茅poca m谩gica e acompanhar cada momento ilustrado com artistas que delinearam a beleza do s茅culo XX.

Meu her贸i e muso.


Sergei Diaguilev



Diaguilev's resting palce in San Michele, Venice


3) Giardini Secreti a Venezia

Cristiana Moldi-Ravenna .聽 Tudy Sammartini

Fotografie di Gianni Berengo Gardin

1988

Como sou loucamente fascinada por jardins e plantas, precisei incluir na minha lista um livro que mostrasse os jardins secretos de Veneza.

Existe um clima presente naquele livro/filme The Secret Garden (Frances Hodgson Burnett, 1911) que nos permite entrada a um presente exclusivo da natureza, um peda莽o de terra f茅rtil exuberante como m谩gica.

De tempos em tempos dou mais uma folheada e 茅 sempre um mergulho nessa neblina de sonho de morar l谩.

Meu amor aos p谩ssaros e a qualquer bicho necessita de um espa莽o para viver.

Os jardins s茫o raros, escondidos e pertencem as pessoas de sorte.


Me peeking through a secret gate, in search for the Trachycarpus of Venice


Sempre que viajo analizo a flora e notei a presen莽a do mediterr芒neo nas plantas destes jardins

Somos de um pa铆s tropical e nem damos conta de que palmeiras n茫o existem em qualquer lugar.

Fiquei contente em notar que o Trachycarpus 茅 na minha vis茫o uma palmeira do mediterr芒neo e foi vista diversas vezes em Veneza, j谩 na La Seren铆ssima tudo cabe, tudo vai, o oriente e o ocidente.


4)Venise `A Fleur D鈥橢au e 5)Essere Venezia

Fulvio Roiter

1953

Fulvio Roiter 茅 O fot贸grafo de Veneza, que melhor retratou essa aura fantasmag贸rica que eu tanto aprecio.

Italiano, autodidata, come莽ou a fotografar como amador em 1947.

A partir de 1948 come莽ou a fazer parte de um clube de fotografia de Veneza chamado a Gondola Fotogr谩fica, fundado em Veneza por Paolo Monti com o objetivo de promover uma investiga莽茫o mais penetrante.

Foi com Venise la fleur d鈥檈au que se estabeleceu como fot贸grafo de renome internacional.

5)Essere Venezia

1977



Em 1977, com Essere Venezia, se tornou um dos maiores best-sellers da sua categoria.

Na minha opini茫o a melhor vis茫o de Veneza 茅 dele.


Fulvio Roiter, 1970



Fulvio Roiter

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Minha musa favorita, a Marquesa Luisa Casati


Marquesa Casati with greyhounds. Portrait by Giovanni Boldini, 1908


Preciso contar a hist贸ria de uma das minhas grandes inspira莽玫es na vida, 铆cone lend谩rio de Veneza, motivo do meu fasc铆nio pela La Seren铆ssima, a exc锚ntrica Marquesa Luisa Casati.

Quando l铆 a sua biografia em 2007, confesso que n茫o conseguia mais sair de casa, s贸 lia sobre as suas aventuras chiqu茅rrimas pelo universo das artes e delirava鈥

Nascida em Mil茫o em 1881, herdeira de uma fortuna vindo da produ莽茫o de algod茫o, Luisa e sua irm茫 mais velha, ficaram 贸rf茫s aos 13 anos apenas, se tornando as meninas mais ricas da It谩lia em sua 茅poca.

No ano de 1900 se casou com o falido Marqu锚s Camillo Casati que lhe deu o t铆tulo de Marquesa, uma filha chamada Christina (no point intented鈥) e uma vida um tanto infeliz.

Mas a minha musa n茫o se conformaria a uma mera vida de esposa da Belle 脡poque n茫o.

Logo, devidamente morando em resid锚ncias separadas de seu marido, La Casati tratou de criar o seu c茅lebre personagem 聽femme fatale fabulosa e patrona das artes.


Palazzo Venier dei Leoni


Dando in铆cio ao seu projeto comprou pal谩cios de sonho e os decorou com absoluta extravag芒ncia; a Villa San Michelle em Capri, o Palais Rose em Paris e o palazzo Venier dei Leoni em Veneza.

O mais emblem谩tico de todos, o Palazzo Venier dei Leoni no Grand Canal, onde fica hoje o museu Guggenhein, foi o palco de suas lend谩rias festas e como 茅 de se esperar, ponto alt铆ssimo da minha viagem.

Este palazzo inacabado em semi-ru铆na (foi constru铆do apenas o primeiro andar) foi a sede da tamb茅m milion谩ria/exc锚ntrica Peggy Guggenhein anos mais tarde, que na minha opini茫o seguiu os passos da Casati, 茅 uma das poucas propriedades que possu铆 um jardim daquela dimens茫o.

Foi um momento na minha vida!


Sentada no trono de m谩rmore de Casati visto maxi skirt Superonic, casaco de veludo Maria Bonita e jaqueta de couro D'Arouche



Realizada no banco do quintal de Luisa Casati


Luisa Casati se definiu como obra de arte viva e se vestia absurdamente.

Paul Poiret era sempre contratado para vesti-la em suas sensacionais festas, assim como o grande mestre Ert茅 (que inspirado nela desenhou e esculpiu grandes cole莽玫es), L茅on Bakst (figurinista do Ballet Russes e parceiro de Diaghilev) e Mariano Fortuny.

Vivo estudando o comportamento das grandes divas e um ponto em comum que todas tem 茅 o amor aos animais, mas a Marquesa al莽ou isso h谩 outros patamares.

Em sua companhia haviam sempre duas cheetahs que ela guiava em coleiras cravejadas de brilhantes Cartier.

Inclusive, a cole莽茫o Panther de Cartier, foi completamente inspirada nela, t谩?

Em volta do seu pesco莽o se enrolava a sua jib贸ia de estima莽茫o e p谩ssaros ex贸ticos, como corvos albinos, voavam livremente pelas suas salas e seus greyhounds (sempre um preto e um branco) eram retratados em suas pinturas ao seu lado.

Era famosa pelos seus passeios noturnos em sua g么ndola chiqu茅rrima particular, onde desfilava nua, com apenas um casaco de pele por cima.

Em sua companhia estavam seu gondolier, um negro N煤bio bel铆ssimo, que era devidamente vestido como um mouro de turbante do s茅c. XIX e seus macacos iam vestidos como dandys da corte.


Casati by Man Ray, 1922


Marquesa Casati by Man Ray, 1922

Alta e magra, Luisa real莽ava o olhar com gotas de Belladona que faz a pupila dilatar e dava um efeito monstruoso aos seus enormes olhos verdes sempre maquiados com muito kohl e c铆lios posti莽os.

Seus cabelos cor de fogo a base de henna, coroavam a sua cadav茅rica pele branqu铆ssima e l谩bios cor de sangue.

Seu grande talento era se vestir e suas p茅rolas costumavam chegar ao ch茫o.

V谩rias cole莽玫es de Haute Couture foram inspiradas nela, a primeira delas Spring/Summer 1998 de John Galliano para Dior e novamente Autumn/Winter 2007/2008.

Karl Lagerfeld que possui um portfolio de sketches sobre a Marquesa, inspirou a sua cole莽茫o Cruise 2009/2010 ready-to-wear para Chanel.

Bem antes de tudo isso, inspirou Elsa Schiaparelli e Coco Chanel (que ap贸s a fal锚ncia de Casati, comprou um lote inteiro de suas pe莽as de decora莽茫o como aquela dupla de veados de bronze).

Era motivo de intriga entre Marcel Proust e o conde Robert de Montesquiou.


Pastel by Alberto Martini



John Galliano for Christian Dior Haute Couture SS98



John Galliano for Christian Dior Haute Couture, SS98


Em busca pela imortalidade seu retrato foi pintado pelos maiores artistas da sua 茅poca como seu amisiss铆mo Giovanni Boldini, Augustus John, Kees Van Dongen, Romaine Brooks, Ign谩cio Zuloaga entre outros.

Foi esbo莽ada por Drian, Alberto Martini e Alastair, esculpida por Gi谩como Balla, Barjansky Catherine, Jacob Epstein e retratada por ningu茅m menos do que o surrealista Man Ray, Cecil Beaton e o Baron Adolph de Meyer.


Marquesa Luisa com Giovanni Boldini e Paul Cesar Helleu em seu jardim em Veneza



Marquesa Casati by Giovanni Boldini


Reza a lenda que, em seu pal谩cio em Roma, Picasso participou de um sarau enquanto em outra ocasi茫o, 聽fantasiou-se como obra de arte inspirando o pr贸prio Salvador Dali.

Seu grande affair foi com o escritor Gabrielle D鈥橝nnunzio que por consequ锚ncia, escreveu diversos de seus livros usando a persona de Casati.

Ou seja, a Marquesa Casati conseguiu ser a musa de diversos movimentos de arte, os surrealistas, os futuristas, os fauvistas e dadaistas.

Musa profissional, conquistou o fasc铆nio de poetas a pintores de m煤sicos a couturiers, escritores e escultores.


La Casati by Man Ray, 1935


Suas festas eram objeto de lenda.

Certa vez em Veneza, organizou uma festa a fantasia para (meu her贸i tamb茅m) Diaghilev e sua companhia de dan莽a, o Ballet Russes.

Nesta festa, os maiores bailarinos daquela data, Nijinski convidou Isadora Duncan para uma dan莽a para deleite dos convidados.

Em outra ocasi茫o, num jantar em seu pal谩cio, a Marquesa Casati recebia com bonecos de cera muit铆ssimo bem vestidos, em tamanho natural sentados a mesa exatamente como se fossem convidados.

Seus pratos eram servidos e retirados de acordo com o desenrolar do servi莽o. Corria um boato que na regi茫o do cora莽茫o destes manequins haviam cinzas de seus amantes passados.

Seus servos estavam quase nus, cobertos com folha de ouro.

Debaixo de toda essa teatricalidade macabra, suas orgias celebravam o oculto, regadas a absyntho e 贸pio.

Outra caracter铆stica forte das divas que estudo 茅 a habilidade de fazer uma entrada em qualquer ambiente que seja e Luisa Casati era mestre nessa arte.

Durante um ver茫o em Veneza, conseguiu autoriza莽茫o com o prefeito para fechar a Piazza de San Marco para realizar um baile de m谩scaras e foi o verdadeiro frenesi.

Sua chegada, atrav茅s da lagoa, era precedida por uma sucess茫o bandeiras com o seu bras茫o em mastros, lanternas chinesas acesas sobre a 谩gua e descendo da sua gondola, abriu os bra莽os e lan莽ou 2.000 borboletas em liberdade.

O ch茫o da pra莽a chegou a tremer com tantos aplausos recebidos.

E assim, a estrela mais brilhante da sociedade europ茅ia torrava a sua fortuna.


Ert茅



A Marquesa inspirou a cole莽茫o Panther de Cartier, que at茅 usou esmeraldas para combinar com o verde dos seus olhos


Em 1930, Luisa havia acumulado uma d铆vida de 25 milh玫es de d贸lares e incapaz de pagar os seus credores, seus pertences foram 聽leiloados e confiscados no Palais Rose em 1932.

Vendeu todas as suas obras de arte, que por tantos anos apadrinhou e foi morar em Londres.

Obcecada pela pr贸pria imagem, sua apar锚ncia ainda era lenda e era vista em seus nobres trajes s贸 que estes j谩 pu铆dos e rasgados, vasculhando o lixo.

Faleceu em 1957 aos 76 anos em Beaufort Gardens, sua 煤ltima resid锚ncia.


Portrait by Augustus John


A Marquesa foi enterrada no cemit茅rio de Brompton vestida de negro com barrado de on莽a e seu cachorrinho pequin锚s empalhado descansa com ela.

Em sua l谩pide escolheu uma frase de Skakespeare na pe莽a de Antonio e Cleopatra:

Age cannot wither her, nor custom stale her infinite variety.


Quer mais um pouquinho?


John Galliano para Christian Dior couture, SS08



John Galliano para Christian Dior couture, SS08



John Galliano para Christian Dior couture, SS08



Karl Lagerfeld para Chanel Resort 2010


Meus livros pesquisados sobre a vida da Marchesa:

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