Quando estávamos a caminho do Lar Temporário para levar a Rott Sasha, passamos numa comunidade que está sendo desapropriada por uma construtora, para pegar uma cachorrinha que estava sendo resgatada por protetoras através do Facebook...
Quando ví a situação trágica dos animais da comunidade, não aguentei, falei: "Pega mais um, pega, pega!"
Porque se as pessoas que moravam lá não tem pra onde ir, imaginem os bichinhos...!
E foi assim que resgatei este branquinho, que agora chama-se Jaguaré, meu afilhado #10!
Tem por volta de 8 meses, ainda filhote!
Quem estiver interessado em adota-lo de forma responsável, é só entrar em contato!Melhor manicure do Brasil, está é a Con! E @evandroangelo melhor colorista, maquiador, autor dos penteados mais baphos do planeta, são também grandes amigos! Vc pode encontra-los no @ckamura 😉 Babado...Resgatada esta semana, minha afilhada #9, a Rottweiler Sasha. 54 kg de puro amor e carinho. 
Seu antigo dono fazia uso capião de sua casa e após 10 anos, perdeu a posse na justiça.
Quando foi morar numa comunidade, não pode levar a Sasha com ele e ela foi deixada pra trás.
Sasha uiva e chora a noite inteira, com saudade de seu dono, sentindo o abandono, sei que está com o coração partido, afinal já é uma senhora de 10 anos.
Depois de muito empenho, encontrei um Lar Temporário pra ela (maioria está lotada!) num lugar lindo, sem baias, com um lago pra ela nadar.
Espero que a fase de adaptação passe rápido e Sasha possa ser feliz no outono de sua vida.
Está para adoção, porém só deixo para uma situação e lugares melhores do que consegui pra ela. ❤️Brother @djfelipevenancio e eu entrando no clima para preparar o set do lançamento de coleção de verão da #RennerDe longe, melhor burrito veggie de São Paulo @veggiesnapraca !!!Orquídea Catleya escândalo #9, abrindo pela primeira vez na Cerejeira. Bom dia! #orquídea #catleya #orchidsDiana Vreeland's portrait by Cecil Beaton.
"You gotta have style. It helps you get down the stairs. It helps you get up in the morning. It's a way of life...I'm not talking about lots of clothes."
Hoje no www.japagirl.com.br/blog/dj-setsAnna Pavlova and her pet swan Jack, 1905Mini-orquídeas abrindo em homenagem a Minha Avó.Minha Tucki era amiga da gatinha Pantufa e adorava quando ela vinha visitar.

                
       





















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O fascinante ritual do Hammam

Acabei de voltar de viagem de Marrakesch e é com grande prazer que inicio hoje uma série de posts sobre a cultura desse país exótico.

Assim começo pelo ritual dos banhos árabes.

Jean-Léon Gérôme, The Bath, ca. 1880-85


O certo é que o Hammam combina a funcionalidade e os elementos estruturais de seus antecessores na Anatolia, nas termas do Império Romano com a tradição oriental turca de banhos a vapor com seus rituais de limpeza e respeito a água.

Ocorre que os Árabes construiram versões de banhos greco-romanos que encontraram após a conquista de Alexandria no Egito.

Sem dúvida, é uma cerimônia de limpeza não apenas corporal, mas também espiritual.

Em Marrakesch, existe uma variedade de hammams, de públicos a privados, do mais simples ao mais suntuoso e decadente.


Nestes estabelecimentos, é importante que tenha em consideração que as mulheres não tem o mesmo horário de entrada que os homens.


Os locais de banho se assemelham muito a igrejas, onde no lugar da nave central fica a “piscina”(onde vc só pode entrar quando já estiver limpo) com pequenas salas de banho ao redor, como se fossem capelas e/ou salas de batismo.

Logo, a primeira fase desta experiência, começa com um chá de hortelã quente, para o corpo começar a liberar as toxinas.

Sou encaminhada para uma pequena “capela” de banho, onde portas ancestrais se abrem para um interior    de mármore cor-de-rosa, iluminado por lanternas de ferro forjado verde- água, com um teto abobadado, suspenso por pilares, com duas camas na lateral e uma pia dramática que jorra água em abundância todo o tempo.

Num segundo passo, não é hora para timidez, uma atendente vai me banhar por completo, então obviamente, é preciso tirar a roupa.

Agora com a ajuda de uma concha de latão dourado, ela me molha numa maestria de movimentos que me fazem lembrar um ballet.

Me entrego e me deixo levar neste momento de arte que deve ser saboreado por completo.

Em françês, a massagista indica que devo me deitar na pedra morna que tem pequenos furos por onde sai o vapor.

Começa a segunda fase do ritual, a esfolição.

Elemento essencial do hammam é o sabão usado, que é uma pasta feita de azeite de oliva e eucalipto,  chamado Savon Noir (sabão preto).  Eu tive que trazer um potinho!

Conforme é passado, com o vapor da sala, parece que minha pele chupou uma bala.

E´usada uma luva especial, a kessa, que tem a textura de uma lixa e com esta sou esfregada com vigor.


The Massage by Debat-Ponsan 1839

Simbolicamente, começo a trocar de pele, como se fosse uma cobra Naja.

Lógico, já fiz esfoliações em diversos spas desse mundo, mas nunca e eu reafirmo Nunca, ví células mortas daquela maneira!

Chuá pra cá, chuá pra lá, depois de mais um enxague, eu tentando manter minhas poses lânguidas neste universo de harems, quando a  atendente começa a lavar o meu cabelo com uma espécie de argila chamada Ghassoul.

Verdadeira aula para qualquer cabeleleiro, esta veterana do banho fez uma trança no meu cabelo usando apenas uma mão e a água para mover as minhas negras madeixas.

Completamente derretida pelo processo, a moça apaga a luz e sugere que eu durma por 5 minutinhos.

Alô Cleópatra, eu sei que vossa alteza está comigo nesse momento!

Com certeza, estou muito emociada para dormir, mesmo que completamente relaxada no meio daquele vapor mentolado….

Quando me “acorda”, ganho uma água incrivelmente gelada e um roupão.

Perfeitamente purificada, saio da pequena capela e caminho  para descansar na chaise lounge,  verdadeiro deleite da higiene, eu diria.

Diferente dos banhos romanos da antiguidade, o hammam é um lugar de retiro, secreto e poético na sua natureza.

Moorish Bath by Jean-Léon Gérôme 1870


Na sala principal, o sol não brilha ofuscante, ao contrário, alguns raios fracos atravessam o vidro colorido dos vitrais.

Além dos raios de luz que seguram-se no vapor flutuante e dá a sensação de encantamento para a escuridão de sombras.

Inclusive os sons aquáticos ecoam entre as colunas de mármore nesta atmosfera de serenidade, purificação e luxo.

Spa do Hotel La Sultana - Marrakech

E neste clima, me jogo na piscina da foto, completamente passada…

Enfim, você é convidado a escolher qual perfume deseja usar: escolha entre água de rosas, água de flor de laranjeira ou musk.

Jean Lecomte du Nouy L’Esclave blanche 1888

Sobretudo os hammans da cidade, são um lugar de socialização e fofoca entre as mulheres muçulmanas, que aproveitam para escolher alí as futuras esposas de seus filhos.

Sir Lawrence Alma Tadema, Um costume favorito de 1909

Aqui alguns links dos principais spas de Marrakesch:

http://www.lasultanamarrakech.com/#

http://www.mamounia.com/uk/index.php

www.lesbainsdemarrakech.com

The Turkish Bath by Jean Auguste Dominique Ingrés, 1862

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Blek the rat, por Iko Ouro Preto

For most of modern age, street intervention has not been considered a valid art form. Denigrated by establishment, despised and frequently loathed, it wasn’t until recently that insiders re-evaluated their positions on what was formally considered dirty art, or maybe not art at all.

Some years ago when an art dealer in London auctioned a piece, Brad Pitt was amongst the first lining up paying thousands of Dollars for a slab of public wall. How Brad Pitt would take this chunk of concrete away with him was left to the buyer.

The intelligentsia, baffled, began re-assessing their position, and ever so reluctantly, their perception swung.

Unwittingly, the age of democratisation of art had begun.

One of the pioneers was Blek le rat. Born in 1952 in a  “bourgeois” suburb of Paris from a culturally mixed background, his father an architect of Jewish decent, his mother Chinese, from the offset, Blek was a most unlikely candidate.

In the early 70’s, Blek went to New York to study architecture, for the first time stepping out of his cocooned world of privilege.

“At the university,” he explains, “my teachers were revolutionary Trotskyites; they taught me much more than art. I was learning about another world.”

Fascinated by the vast array of graffiti and tagging on the NY subway network, Blek felt ‘illuminated’, a feeling of social awareness hitting him like a freight train.

Soon afterwards on a family trip to Italy, he saw a stencilled portrait of Mussolini amongst WWII ruins. That inspired him to create a life size silhouette of a rat running along the street.

‘Rats are the only free animals in the city’, says Blek, ‘and one that spreads the plague everywhere, just like street art’.

Blek le rat wasn’t the first to develop stencil graffiti art, that honour would fall on John Falker who, in 1978, feeling cramped in his Long Island studio space, began pervasively creating his imagery on nearby underpasses, but Blek is credited with inventing life-size stencils and basic lettering in pictorial art.

In 1981 he began painting in Paris. French Police revealed his identity when he was arrested while working on a replica of Caravaggio’s Madonna and child.

Blec le rat was exposed, his name, Xavier Prou, despite his efforts, became publicly known.

Blec soon realised the only way to evade future capture was to adopt extensive stencilling as a means to speed up his graffiti. Inadvertently, a new era of ‘guerrilla art’ was throttled onto us.

“Urban art is there to be inclusive.” He says, “By bringing our work to the masses within the urban landscape, on the streets, we are including everyone.”

British graffiti legend Bansky has openly acknowledged Blek’s influence stating, “every time I think I’ve painted something slightly original, I find out that Blek Le Rat has done it as well, only twenty years earlier.”

The Godfather of stencil art, Blek le Rat, an immensely creative artist, is a giant amongst his peers, even if the current generation of graffiti fans will, for the most part, neglect to mention him.

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Storm by Iko Ouro Preto from Paris

It was a windy, storm-prone night, quite unusual for this time of year – a full moon, intensely and holy magnificent, just visible through the clouds. The streets are an empty, desolate landscape; the approaching tempest violently scattering what is left of autumn leaves.

Peter didn’t like people very much, human contact, small talk, birthdays, as far back as he could remember, he was always like this. As a child his parents would take him to the movies. He always hated the movies, even the love stories. As an adult, he preferred the company of the dead. When he got his new job and the opportunity came, he gladly accepted the night shift.

Peter had now been working at the morgue for years. The job suited him, the hours too. It was punctual, precise and the pay above average. Besides his job, nothing of interest ever happened, ever. Every day he would see the same people, that is, if one doesn’t count the corpses. Of those he saw quite a few, and some, he felt, became his companions, even if only for a moment before they would decompose or be burnt to ashes.

Initially there was nothing unusual with the new body they had just received. It was, as they all do, inexorably disintegrating, Peter would repeat to himself. They didn’t know the identity, but then that’s more common than one might expect and they were certainly in no hurry for an extra autopsy that night.

But suddenly.. the most unexpected thing. Peter had a sudden rush of euphoria. In his well-planned, premeditated life, he had all but forgotten he had any feelings, much less anything of this magnitude. Confused, Peter stood in the metallic chamber staring intently at the one leg sticking out from under the hospital sheet dressed as it was in well-worn jeans.

Momentarily dazed, he shifts back against the wall, his heart thumping. Peter is stunned, bewildered and surprised at his sudden flush of emotions.

Peter’s two colleagues are called on a matter next door, leaving him alone with the body. As he stares at the corpse a most bizarre thought crosses his mind. He desperately wanted the jeans for himself.

First hesitantly then enthusiastically he undresses the corpse and tries it on, right there, on the cold concrete floor of the morgue, tucking the half naked body carefully back under the blankets. It was a perfect fit, even though the body seemed considerably smaller than his.

As he stood gazing down at his new acquisition, slightly ashamed of his deed, he wonders what to do next. He feels an urge to leave, immediately. Not that he had anything or anywhere in particular to go. He just wanted to leave, immediately. He grabs his keys and does so without bothering to say good night to the staff.

Even though Peter had taken this same route to his car everyday for the past 6 years, suddenly, he’s lost. He can’t take his eyes of his legs. He touches them; feels them, caressing himself in the empty parking lot.

Then, most unexpectedly, he hears a faint voice from behind. It is Marie. The most beautiful Marie. She worked for the pharmaceutical company on the second floor. She had never looked at him, much less spoken to him, except in his fantasy. And yet here she was, asking for a ride home, with a smile.

It wasn’t very clear how Peter had found his car, nevertheless, he was now on the highway going north.

They didn’t realize they’d missed the exit until they reached a small town neither had ever been. Perplexed, Peter excused himself and promised her this wasn’t ‘some kind of trick’. He did, however, urgently need a gas station for his car. After driving aimlessly around the ghost town, one is found open.

The moon, shinning in all its glory. How beautiful, look, how beautiful. Peter had never contemplated it before, not really, but that night it seemed so exquisitely balanced that if touched ever so lightly, it would rock back and forth forever till the end of time.

They make their way to a small café adjacent to the station for a break before the ride home. Surprised that Marie would indulge in such a late nightcap with him, Peter, unlike himself, walks in proudly.

The café falls silent, all eyes on them. Small town folks, but, slightly to the right, a man elegantly dresses in a three-piece suit, stares agog, transfixed.

They order, wine. Peter, who never liked alcohol, drank with enthusiasm. Then, most unexpectedly, the well-dressed man approaches them with an unusual offer. Unsure why and equally embarrassed, he offers Peter to buy the jeans he is wearing, right there, on the spot. Peter, taken aback and surprised, declines. The man excuses and goes back to his table.

But then the man comes back, and again in the most polite and convincing terms, offers Peter an outrageous exchange. His jeans for his top-of-the-line Mercedes parked outside. Peter is impressed, but says no. Marie feels frightened and asks to leave.

Outside they make their way towards Peter’s car. As they enter, the well-dressed man comes running after them. Peter turns the ignition and darts away with Marie safely by his side.

That night she was lovelier than ever and at that moment, with her face sparkling in a faint silhouette, she was divine. Peter would have given his life for hers without a thought. She was wonderful, Marie was sublime.

As they drive back, Peter has a dream. In his dream the most beautiful things happen. For the first time in his life he began to ask himself questions. He began considering the possibility of never going back to the morgue and that everything would change. From this moment on, he would rather deal with life and the living.

He would take Marie safely back home and never let harm approach her. He would send her flowers the next morning with a letter telling her in prose he loved her more than anything he could imagine. They would have a family and celebrate Christmas with their children and when they where old, together they would view death as being united forever.

A deafening clap of thunder interrupts his thoughts. The storm was close, it was nearly on them. Outside, he remembers, was still night as they approached the city again. He collected his thoughts. He sighs as he looks at Marie as she, most gently smiles back.

Of all memories he had in life, he had never anything this glorious.

Yet absentmindedly Peter had driven back to the morgue. As Peter shivers with memories of a place he would leave behind forever, Marie suddenly remembers she’d forgotten a bag upstairs.. and if Peter could just bear a moment while she quickly retrieved it.

And so he did.

As Peter sits in his car, feeding his mind with images of things to come, he feels a tickle inside the pocket of his jeans. He looks down and scratches but the itching is still there. He straightens himself and slips his hand inside the pocket. Immediately he retracts it, feeling a sting.

The pang was soon colossal. Peter contorts himself frantically. As he briefly controls the pain, holding his right hand with his left, he felt a coldness overcome his body. Initially from his finger, but quickly overcoming everything.

He crawls out of his car, stunned, dizzy, yet still strong enough to cover the distance across the street to the morgue. Then suddenly he collapses.

His body had been there for only a while when a hospital van arrives, the drivers notice Peter stretched on the sidewalk.

They rush towards him but Peter is now cold dead. They pick up the body, put it on a stretcher, cover it with a blanket and take it upstairs to the morgue. As they enter the doorway they cross Marie coming out.

She finds the car, empty.

Late at night a body is delivered to the local morgue. They didn’t know the identity, but then that is more common than expected, they were certainly in no hurry for an extra autopsy.

The morgue manager stood there, gazing at one leg sticking out from under the blanket, dressed, as it was in well-worn jeans, confused at his own feelings of sudden euphoria.

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O Imperador e o Rouxinol

O Imperador e o Rouxinol (The Emperor’s Nightingale)

Animação 1948

de Jiri Trnka

música por Václav Trojan

narrado por Boris Karloff

fábula de Hans Christian Andersen

Quando tomamos a decisão de mergulhar num determinado universo, uma pessoa de sensibilidade mínima, SENTE forças a empurrando em determinada direção.

Digo isso, por que em mera visita a locadora de vídeos do meu bairro, batí os olhos na capa desse dvd e não tive a menor dúvida em levar na mesma hora.

Acontece que esse vídeo escolhido, completamente sem querer, trazia nele a continuação da minha pesquisa sobre esse meu fundamento Casati/Diaguilev/Veneza.


The Emperor’s Nightingale, foi também desenvolvido por Stravinsky, que era assíduo frequentador do Caffe Florian e  foi produzido para um espetáculo de ballet por Diaghilev que eram todos amigos da Marquesa Casati.

Coincidências NãO existem, dizem… e acredito!

O que me chamou a atenção imediatamente foi a estética macabra e infantil que sou fascinada, além da delicada e sutil animação em stop motion.

E confesso que quando lí que a narração era de Boris Karloff (Frankenstein), aguarrei o dvdzinho como se pudesse ser levado das minhas mãos.

A profunda voz de Karloff dá o tom de perfeito de encantamento macabro.



A obra, adaptada em vários formatos, entre elas, ópera (Stravinsky), ballet (Diaghilev), peça musical, televisão (adaptado por Shelley Duvallem com Mick Jagger no papel do Imperador em 1983) e esta animação.


A versão ópera criada por Stravinsky, para um espetáculo de ballet de Diaghilev no Théâtre National de L’Opera em Paris aconteceu em maio de 1914.

Com este sucesso, em 1917 Igor Stravinsky criou um poema sinfônico chamado “Le Chant du Rossignol” (A Canção do Rouxinol).



Edmund Dulac - The Nightingale


Os marionetes, manuseados pelo próprio diretor Trnka, são ricamente vestidos em tecidos brocados num carnaval oriental de cores com sabor vintage.

Leques e parasóis orientais dançam com a delicadeza de asas de borboleta dão um efeito de monotonia hipnótica.

Ouçam os assobios sublimes e os sons sombrios do pássaro feito de  sombras.

Além do meu fascínio por pássaros (em liberdade, sempre), percebo que cresce em mim uma espécie de estigma por pássaros mecânicos também.

Existe uma mística, uma mecânica perfeita, como caixinhas de música mágicas, como caixas de Pandora.

Hans Christian Andersen


Hans Christian Andersen (que foi amplamente pesquisado pelo avô da minha grande amiga Carolina Glidden D’Arouche, Sr. Leonardo Arroyo), escreveu essa história espelhando a voz mágica do Rouxinol, na voz da cantora lírica suéca Jenny Lind, por quem ele sofria um amor platônico.

Sendo assim, Hans Christian se projeta no papel do Imperador chinês, penso eu.

Imperador este que prefere o som dos tais pássaros mecânicos ao som de um rouxinol de verdade.

Quando o imperador adoece e chega perto da morte, o canto do rouxinol verdadeiro recupera a sua saúde.

Imaginem a voz de Karloff narrando as seguintes frases:

Perfumed bubbles rise and burst

Glass swans drifted away in their pond of mirrors

Eu recomendo.

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The great five…books about Venice

1) Out of this Century

Confessions of an art addict

The autobiography of Peggy Guggenheim

First published in 1979

Inspiradora a autobiografia de Peggy Guggenheim, que me chamou a atenção inicialmente por ter comprado em 1947 o Palazzo da minha musa mór a Marchesa Casati.

Pertencente da família de milionários das artes os Guggenheim, Peggy (1898-1979), judia, nascida em Nova York,  passou os primeiros 30 anos de sua vida viajando de país em país, trocando de maridos diversas vezes, montando lares e cuidando de seus dois filhos Sinbad e Pegeen, mas foi em Veneza que encontrou a felicidade da sua persona.

Foi uma criança doente, não pode frequentar a escola normalmente e quando tinha 14 anos seu pai morreu no Titanic.

Ele é perfeitamente retratado no épico filme de James Cameron, é o senhor que se recusa a pegar os botes de salvamento e se veste em roupas de gala para se preparar para a morte.

O pai dela, Benjamim Guggenhein, era dos meus.

Então em 1919 herdou uma fortuna de $2.5 milhões de dólares que equivale a $20 milhões mais ou menos, nos parâmetros de hoje.



Japa veste casaco Maria Bonita vintage e gola eduardiana Glória Coelho


Se redescobriu  como patrona das artes, o que ao meu ver ela estava completamente inspirada na Marquesa, apesar de nesse livro não admitir esse fato. (ver post anterior)

Uma vez em Veneza, uma pessoa de sensibilidade básica sente que existe um incentivo ao vestir que está implícito no ar.

Eu sentí isso completamente.

Uma pessoa vestida com peças casuais do dia-a-dia, definitivamente não se encaixa naquele cenário, não combina, é engraçado mas é a mais pura verdade.

Então quando houver a oportunidade de ir até lá, não se esqueça destas palavras que te aconselham e leve na sua mala, pelo menos algumas peças exóticas.

Não irá se arrepender.

Peggy Guggenheim que não me deixaria mentir.

Ela que super usou os seus óculos que viraram sua marca registrada e roupas modernérrimas de vanguarda.

Dona de uma das mais importantes coleções de arte moderna do século XX, entre os artistas que patrocinou estão Ives Tanguy, Paul Delvaux, Kandinsky, Jean Cocteau, Mondrian,  foi super responsável por Jackson Pollock, teve um tórrido affair com Max Ernst, foi grande amiga de Marcel Duchamp, Alexander Calder entre outros modernistas, cubistas, expressionistas abstratos e  surrealistas.

Durante a segunda guerra mundial adquiriu obras de simplesmente Picasso, Miró, Magritte, Dali, Klee e Chagall.

Sua coleção  pode ser vista na íntegra, no que hoje é o Museu Guggenheim de Veneza, no palazzo Venier dei Leoni, lar de antigos leões e da minha diva particular, La Casati.

Peggy escolheu ser enterrada lá ao lado dos seus cãezinhos Lhasa Apsos.


Sem dúvida, Peggy Guggenheim descansa em paz e bem protegida por anjinhos.


2) Diaghilev

A Life

Sjeng Scheijen

2010

Não consigo largar essa biografia de 500 páginas que encantam.

Sergei Pavlovich Diaghilev foi além de crítico de arte, empresário do Ballet e fundador do icônico Ballet Russes que mudou a história dos espetáculos.

De personalidade fortíssima, Sergei Diaghilev transformou  o mundo do ballet, do teatro, da música, das artes visuais, como ninguém antes dele havia feito.

No início de sua carreira Diaghilev, montou um jornal de arte e o seu grupo de artistas e intelectuais consistia simplesmente de Léon Bakst (vide post anterior), Alexandre Benois, Walter Nouvel, Konstantin Somov e Dimitri Filosofov.

Diaghilev que também era profundamente apaixonado por Veneza disse em uma das suas célebres frases: O golpe de gênio de Wagner foi ter morrido em Veneza, pois assim transformou a própria vida em arte, negando assim o caos final da morte.

Só posso concordar!

Até mesmo, “Death in Venice” foi o título usado em um de seus grandes espetáculos.

Em cima da sua tumba, os bailarinos que costumam visitar, deixam suas sapatilhas sobre a pedra, que diz ”Veneza, o apaziguamento da nossa eterna inspiração”.


Retrato de Diaguilev por Aleksandrovich Serov



Todos os grandes talentos da época trabalharam para Diaghilev como seus compositores Igor Stravinski, Claude Debussy, Maurice Ravel e Richard Strauss.

Teve como figuristas desde Bakst seu grande amigo a Nathalia Gontcharova, a Matisse e até Pablo Picasso!

Era do círculo de Gertudre Stein que foi recentemente retratada por Woody Allen em Paris a Meia-Noite por Kathy Bates.

E como não poderia deixar de ser , os grandes bailarinos também eram da sua companhia como Anna Pavlova e um dos maiores de todos os tempos Vaslav Nijinsky  que foi talvez, o maior amor de sua vida.

Amor este que o traiu, casando-se com uma mulher.

Apesar de ser discreto em relação aos seus mais profundos sentimentos, Diaghilev sofria pela dificuldade de viver uma vida abertamente homossexual numa época em que “desvios sexuais” era considerado uma doença.


Nijinsky



Bakst 1921, The Blue Bird



Costume for mandarin by Henri Matisse, 1920



Costume for sea princess by Adolph Bolm for the Ballet Russes



Costume design for a chinese conjurer by Pablo Picasso, 1917



Costume by Pablo Picasso for the Ballet Russes, 1917



Sketch by Bakst for Nijinsky



Vaslav Nijinski in the Bakst costume above


É um prazer enorme mergulhar nessa época mágica e acompanhar cada momento ilustrado com artistas que delinearam a beleza do século XX.

Meu herói e muso.


Sergei Diaguilev



Diaguilev's resting palce in San Michele, Venice


3) Giardini Secreti a Venezia

Cristiana Moldi-Ravenna .  Tudy Sammartini

Fotografie di Gianni Berengo Gardin

1988

Como sou loucamente fascinada por jardins e plantas, precisei incluir na minha lista um livro que mostrasse os jardins secretos de Veneza.

Existe um clima presente naquele livro/filme The Secret Garden (Frances Hodgson Burnett, 1911) que nos permite entrada a um presente exclusivo da natureza, um pedaço de terra fértil exuberante como mágica.

De tempos em tempos dou mais uma folheada e é sempre um mergulho nessa neblina de sonho de morar lá.

Meu amor aos pássaros e a qualquer bicho necessita de um espaço para viver.

Os jardins são raros, escondidos e pertencem as pessoas de sorte.


Me peeking through a secret gate, in search for the Trachycarpus of Venice


Sempre que viajo analizo a flora e notei a presença do mediterrâneo nas plantas destes jardins

Somos de um país tropical e nem damos conta de que palmeiras não existem em qualquer lugar.

Fiquei contente em notar que o Trachycarpus é na minha visão uma palmeira do mediterrâneo e foi vista diversas vezes em Veneza, já na La Sereníssima tudo cabe, tudo vai, o oriente e o ocidente.


4)Venise `A Fleur D’Eau e 5)Essere Venezia

Fulvio Roiter

1953

Fulvio Roiter é O fotógrafo de Veneza, que melhor retratou essa aura fantasmagórica que eu tanto aprecio.

Italiano, autodidata, começou a fotografar como amador em 1947.

A partir de 1948 começou a fazer parte de um clube de fotografia de Veneza chamado a Gondola Fotográfica, fundado em Veneza por Paolo Monti com o objetivo de promover uma investigação mais penetrante.

Foi com Venise la fleur d’eau que se estabeleceu como fotógrafo de renome internacional.

5)Essere Venezia

1977



Em 1977, com Essere Venezia, se tornou um dos maiores best-sellers da sua categoria.

Na minha opinião a melhor visão de Veneza é dele.


Fulvio Roiter, 1970



Fulvio Roiter

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Minha musa favorita, a Marquesa Luisa Casati


Marquesa Casati with greyhounds. Portrait by Giovanni Boldini, 1908


Preciso contar a história de uma das minhas grandes inspirações na vida, ícone lendário de Veneza, motivo do meu fascínio pela La Sereníssima, a excêntrica Marquesa Luisa Casati.

Quando lí a sua biografia em 2007, confesso que não conseguia mais sair de casa, só lia sobre as suas aventuras chiquérrimas pelo universo das artes e delirava…

Nascida em Milão em 1881, herdeira de uma fortuna vindo da produção de algodão, Luisa e sua irmã mais velha, ficaram órfãs aos 13 anos apenas, se tornando as meninas mais ricas da Itália em sua época.

No ano de 1900 se casou com o falido Marquês Camillo Casati que lhe deu o título de Marquesa, uma filha chamada Christina (no point intented…) e uma vida um tanto infeliz.

Mas a minha musa não se conformaria a uma mera vida de esposa da Belle Époque não.

Logo, devidamente morando em residências separadas de seu marido, La Casati tratou de criar o seu célebre personagem  femme fatale fabulosa e patrona das artes.


Palazzo Venier dei Leoni


Dando início ao seu projeto comprou palácios de sonho e os decorou com absoluta extravagância; a Villa San Michelle em Capri, o Palais Rose em Paris e o palazzo Venier dei Leoni em Veneza.

O mais emblemático de todos, o Palazzo Venier dei Leoni no Grand Canal, onde fica hoje o museu Guggenhein, foi o palco de suas lendárias festas e como é de se esperar, ponto altíssimo da minha viagem.

Este palazzo inacabado em semi-ruína (foi construído apenas o primeiro andar) foi a sede da também milionária/excêntrica Peggy Guggenhein anos mais tarde, que na minha opinião seguiu os passos da Casati, é uma das poucas propriedades que possuí um jardim daquela dimensão.

Foi um momento na minha vida!


Sentada no trono de mármore de Casati visto maxi skirt Superonic, casaco de veludo Maria Bonita e jaqueta de couro D'Arouche



Realizada no banco do quintal de Luisa Casati


Luisa Casati se definiu como obra de arte viva e se vestia absurdamente.

Paul Poiret era sempre contratado para vesti-la em suas sensacionais festas, assim como o grande mestre Erté (que inspirado nela desenhou e esculpiu grandes coleções), Léon Bakst (figurinista do Ballet Russes e parceiro de Diaghilev) e Mariano Fortuny.

Vivo estudando o comportamento das grandes divas e um ponto em comum que todas tem é o amor aos animais, mas a Marquesa alçou isso há outros patamares.

Em sua companhia haviam sempre duas cheetahs que ela guiava em coleiras cravejadas de brilhantes Cartier.

Inclusive, a coleção Panther de Cartier, foi completamente inspirada nela, tá?

Em volta do seu pescoço se enrolava a sua jibóia de estimação e pássaros exóticos, como corvos albinos, voavam livremente pelas suas salas e seus greyhounds (sempre um preto e um branco) eram retratados em suas pinturas ao seu lado.

Era famosa pelos seus passeios noturnos em sua gôndola chiquérrima particular, onde desfilava nua, com apenas um casaco de pele por cima.

Em sua companhia estavam seu gondolier, um negro Núbio belíssimo, que era devidamente vestido como um mouro de turbante do séc. XIX e seus macacos iam vestidos como dandys da corte.


Casati by Man Ray, 1922


Marquesa Casati by Man Ray, 1922

Alta e magra, Luisa realçava o olhar com gotas de Belladona que faz a pupila dilatar e dava um efeito monstruoso aos seus enormes olhos verdes sempre maquiados com muito kohl e cílios postiços.

Seus cabelos cor de fogo a base de henna, coroavam a sua cadavérica pele branquíssima e lábios cor de sangue.

Seu grande talento era se vestir e suas pérolas costumavam chegar ao chão.

Várias coleções de Haute Couture foram inspiradas nela, a primeira delas Spring/Summer 1998 de John Galliano para Dior e novamente Autumn/Winter 2007/2008.

Karl Lagerfeld que possui um portfolio de sketches sobre a Marquesa, inspirou a sua coleção Cruise 2009/2010 ready-to-wear para Chanel.

Bem antes de tudo isso, inspirou Elsa Schiaparelli e Coco Chanel (que após a falência de Casati, comprou um lote inteiro de suas peças de decoração como aquela dupla de veados de bronze).

Era motivo de intriga entre Marcel Proust e o conde Robert de Montesquiou.


Pastel by Alberto Martini



John Galliano for Christian Dior Haute Couture SS98



John Galliano for Christian Dior Haute Couture, SS98


Em busca pela imortalidade seu retrato foi pintado pelos maiores artistas da sua época como seu amisissímo Giovanni Boldini, Augustus John, Kees Van Dongen, Romaine Brooks, Ignácio Zuloaga entre outros.

Foi esboçada por Drian, Alberto Martini e Alastair, esculpida por Giácomo Balla, Barjansky Catherine, Jacob Epstein e retratada por ninguém menos do que o surrealista Man Ray, Cecil Beaton e o Baron Adolph de Meyer.


Marquesa Luisa com Giovanni Boldini e Paul Cesar Helleu em seu jardim em Veneza



Marquesa Casati by Giovanni Boldini


Reza a lenda que, em seu palácio em Roma, Picasso participou de um sarau enquanto em outra ocasião,  fantasiou-se como obra de arte inspirando o próprio Salvador Dali.

Seu grande affair foi com o escritor Gabrielle D’Annunzio que por consequência, escreveu diversos de seus livros usando a persona de Casati.

Ou seja, a Marquesa Casati conseguiu ser a musa de diversos movimentos de arte, os surrealistas, os futuristas, os fauvistas e dadaistas.

Musa profissional, conquistou o fascínio de poetas a pintores de músicos a couturiers, escritores e escultores.


La Casati by Man Ray, 1935


Suas festas eram objeto de lenda.

Certa vez em Veneza, organizou uma festa a fantasia para (meu herói também) Diaghilev e sua companhia de dança, o Ballet Russes.

Nesta festa, os maiores bailarinos daquela data, Nijinski convidou Isadora Duncan para uma dança para deleite dos convidados.

Em outra ocasião, num jantar em seu palácio, a Marquesa Casati recebia com bonecos de cera muitíssimo bem vestidos, em tamanho natural sentados a mesa exatamente como se fossem convidados.

Seus pratos eram servidos e retirados de acordo com o desenrolar do serviço. Corria um boato que na região do coração destes manequins haviam cinzas de seus amantes passados.

Seus servos estavam quase nus, cobertos com folha de ouro.

Debaixo de toda essa teatricalidade macabra, suas orgias celebravam o oculto, regadas a absyntho e ópio.

Outra característica forte das divas que estudo é a habilidade de fazer uma entrada em qualquer ambiente que seja e Luisa Casati era mestre nessa arte.

Durante um verão em Veneza, conseguiu autorização com o prefeito para fechar a Piazza de San Marco para realizar um baile de máscaras e foi o verdadeiro frenesi.

Sua chegada, através da lagoa, era precedida por uma sucessão bandeiras com o seu brasão em mastros, lanternas chinesas acesas sobre a água e descendo da sua gondola, abriu os braços e lançou 2.000 borboletas em liberdade.

O chão da praça chegou a tremer com tantos aplausos recebidos.

E assim, a estrela mais brilhante da sociedade européia torrava a sua fortuna.


Erté



A Marquesa inspirou a coleção Panther de Cartier, que até usou esmeraldas para combinar com o verde dos seus olhos


Em 1930, Luisa havia acumulado uma dívida de 25 milhões de dólares e incapaz de pagar os seus credores, seus pertences foram  leiloados e confiscados no Palais Rose em 1932.

Vendeu todas as suas obras de arte, que por tantos anos apadrinhou e foi morar em Londres.

Obcecada pela própria imagem, sua aparência ainda era lenda e era vista em seus nobres trajes só que estes já puídos e rasgados, vasculhando o lixo.

Faleceu em 1957 aos 76 anos em Beaufort Gardens, sua última residência.


Portrait by Augustus John


A Marquesa foi enterrada no cemitério de Brompton vestida de negro com barrado de onça e seu cachorrinho pequinês empalhado descansa com ela.

Em sua lápide escolheu uma frase de Skakespeare na peça de Antonio e Cleopatra:

Age cannot wither her, nor custom stale her infinite variety.


Quer mais um pouquinho?


John Galliano para Christian Dior couture, SS08



John Galliano para Christian Dior couture, SS08



John Galliano para Christian Dior couture, SS08



Karl Lagerfeld para Chanel Resort 2010


Meus livros pesquisados sobre a vida da Marchesa:

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