Meu amor Tigre e a roseira roxa. Bom dia, boa semana!
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#Orquídea #Miltônia primeira floração comigo 🙅 Primavera chegou!Bom dia! Boa semana!!!Nada como voltar pra casa e me deparar com a explosão das #orquídeas #DendrobiumNobile ! Primavera chegando...Getty Villa é uma réplica exata do  Palácio dos Papiros, escavado das cinzas em Pompéia...

                
       





















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Travels

Majorelle cap. 3, residência e fundação de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé

Um dos casais mais chiques do mundo, na minha opinião, Pierre Bergé e YSL desfrutaram  diversas casas pelo mundo.

Cada uma destas faraônicas mansões guardavam suas coleções de arte particulares, objetos e móveis do mais puro bom gosto; tudo com qualidade de museu.

Sem dúvida, este bom gosto era baseado em cultura e história.

Quando montavam uma casa, não era sobre a dimensão do imóvel, havia uma história a ser contada.

De fato, uma mistura de mágica com poesia.

Muitas vezes, costumavam adquirir casas em ruínas e restaurá-las de volta ao esplendor.

Este foi o caso com o Jardin Majorelle.

Já era a terceira casa que o casal adquiria em Marrocos, Saint Laurent que nasceu e cresceu na Argelia, sinalizava um retorno ao ensolarado norte da África que foi grande fonte de inspiração na moda que criava.

As outras residências do casal ficavam em Paris, Normandia e no Tânger.

E sobre todas as suas outras residências, foi no Jardin Majorelle em Marrakech que Yves Saint Laurent, desejou que fossem jogadas suas cinzas. Então, sem sombra de dúvida, além de ser um lugar especial, foi onde YSL foi mais feliz.

Seu personagem marroquino tornou-se tão conhecido na cidade, que o homenagearam nomeando a rua de seu jardim com seu nome.

Muitos de seus amigos, do jet-set internacional,  passavam lendárias temporadas por lá, relaxando debaixo das estrelas, ouvindoMaria Callas no terraço forrado de tapetes persas.

Mergulhei no universo desta época e descobri algumas delícias para contar para vocês:

O casal, que eu fiquei mais passada, era o mais chique da época: Thalita e Paul Getty.

Photo by: Patrick Lichfield, on a Marrakesh rooftop in 1969.

Paul era herdeiro do petróleo, filho do homem mais rico do mundo naquela época e Thalita, absolutamente chic!

Thalita Getty, nascida na Indonésia, enteada do pintor Augustus John, musa absoluta de Saint Laurent, inventou o termo “Bohemian”, tão usado nos dias de hoje, foi pioneira usando seus looks numa etnia hippie chic, como só um ícone de estilo sabe usar.

Até o grande bailarino Rudolph Nureyev ficou enlouquecido por ela, imaginem!

Thalita e Paul Getty compraram e decoraram um palazzo em Marrakech e claro, eram assíduos frequentadores do Jardin Majorelle de Bergé e Saint Laurent.

Acontece que Thalita Getty alimentava um vício por drogas pesadas com tamanha voracidade, que seu hábito em heroína a matou com apenas 30 anos de idade, deixando para trás um filho de 3 anos apenas e uma vida pra lá de maravilhosa.

Haviam também Mick Jagger (este, dispensa apresentações) e Marianne Faithful, que viviam um tórrido romance durante este período.

Já, o melhor amigo da época de escola de Saint Laurent, designer de lingerie, Fernando Sanchez, estava sempre presente.

Sem falar em Loulou de La Falaise, musa, designer, colaboradora e grande amiga de Yves Saint Laurent. Faleceu recentemente em Novembro  de 2011. Sua notória elegância, estava em seu sangue já que descendia de uma longa linhagem  de condes ingleses.

Criou jóias e acessórios para a boutique do Jardin Majorelle, inclusive.

E como não poderia deixar de ser, outra grande amiga de Saint Laurent, Catherine Deneuve também era assídua frequentadora do Jardin Majorelle.

 

E Bill Willis, o genial decorador americano que criava cenários de sonho não apenas para Bergé e Saint Laurent, mas grandes socielites como Marie-Hélene de Rothschild, a família Agnelli, e como não poderia deixar de ser,  o casal  Getty no famoso Palais de La Zahia.

Bill Willis ajudou a decorar assim como restaurar, transformando a Villa Oasis numa fantasia Marroquina;

Segundo Bergé, ninguém compreendia a cultura Marroquina tão bem quanto Bill Willis.

Willis que era um Orientalista na tradição de George Clairin (minha mais nova obsessão), se apropriou de uma linguagem estética e a reinventou com maestria.


Conhecido pela sua personalidade difícil, Bill Willis era uma mistura de exigência com indolência.

Permitia que seus desejos e entusiasmos governassem sua vida.

Surpreendentemente, seus talentos passaram desconhecidos pelo mundo, nunca tendo conseguido o sucesso material concedido para muitos infinitamente menos talentosos.

Faleceu de hemorragia cerebral, sem um aviso escasso de sua morte em qualquer lugar, segundo Bergé.


Este Jardim de 12 acres também é onde fica o Museu de Arte Islâmica de Marrakech, que guarda a coleção têxtil norte-africana pessoal de YSL, cerâmicas, raríssimas  jóias das tribos Berber e  pinturas de Jacques Majorelle.

Essa é a história do Jardin Majorelle que inspirou e seduziu grandes nomes da cultura mundial dos séculos XX e XIX, entre eles Jacques Majorelle e Louis Majorelle, sendo inclusive a última morada de YSL.


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Majorelle Cap. 2, Jacques o filho pintor e seu Jardim em Marrakech

Japa Girl veste macacão Neon, faixa Christian Dior, regata Gloria Coelho, chapéu Plas e sapato Arezzo

Verdadeiro símbolo da cidade de Marrakech, os Jardins de Majorelle encantam até um “leigo” em botânica e desinteressados em paisagismo.


Nada mais, nada menos que, a maior e mais importante coleção de plantas de sua era, que além de ter sido o atêlier/residência  de Jacques Majorelle entre 1947 e 1962, foi também a residência de veraneio de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, a partir de 1980 restaurando todos os 12 acres do jardim até a criação da fundação que administra o museu até hoje.

Pudera, este oásis está listado entre os grandes jardins misteriosos do séc XX!

Jacques Majorelle, filho único de Louis Majorelle, grande mestre do movimento Art Nouveau, nasceu em Nancy em 1886, no meio desse rico círculo de artistas absurdamente fechado.

Assim respirou ARTE,  desde o berço.


Após ter estudado artes plásticas na École de Nancy e depois na Julian Academy em Paris, decidiu seguir a pintura como seu ofício.

O certo é que durante a sua  juventude, contraiu tuberculose e precisou se mudar para o sul onde o clima era mais quente e foi assim que descobriu sua paixão pelo oriente, começando pelo Egito, depois Espanha até encontrar seu lugar preferido no mundo: Marrocos!












Sem dúvida, desenvolveu uma paixão particular sobre o Mediterrâneo saindo fora das apresentações clássicas, encorajado pelo rápido tom do fauvismo, as formas simples, as origens.


De fato sua pintura foge completamente daquelas fantasias criadas pelo movimento Orientalista e na minha visão, o traço de Jacques Majorelle captura  uma luz Impressionista com um certo perfume Tiki, mostrando as nuances da vida diária.















Ruelle de La Médina, Jacques Majorelle, 1955 e imagem do Souk em Marrakesch

Erudito, amante da estética dos Souks (feiras livres típicas), o pintor viajante, se sentiu atraído pelas tribos Berber e pela autenticidade das regiões do Atlas.

Em 1924, Jacques resolve morar na Medina de Marrakech, encontra o terreno perfeito nas bordas de Palm Groove e dá início ao que seria o grande feito de sua vida, um exótico jardim botânico que além de levar o sobrenome de sua família, seria o seu maior legado.

Evidente que um dos grandes destaques do paisagismo de Majorelle, são as palmeiras gigantescas, que mandou trazer do sul da Ásia, do leste da África, das Ilhas Canárias, da região da Mesopotânia e até da Califórnia.



Sem falar nos cactus, nas iucas, as vitórias-régias, o perfume dos jasmins, a encantadora floresta de Bambus que me faz mergulhar nos meus encantos pelo movimento Tiki, mais uma vez.

Digamos que a originalidade deste lugar, está na combinação de uma vegetação luxuosa e elementos de arquitetura alinhados com a sobriedade e estética tradicional marroquina.

E muito importante no conceito desse jardim, é a cor ícone usada: o Bleu Majorelle.

O poder desse tom de azul, dá um contraste único a  impressão de quietude e contemplação.



Pesquisei inclusive, a combinação exata de tons para chegarmos ao Bleu Majorelle, caso queiram pintar uma parede:

- Pantone 6050 (RGB)

- RVB (r 96, v 80, b 220)

- Triplet hexa: 6050 DC

- CMJN (c 56%, m64%, j 0%, N 14%)

- TSL (t 247*, s67%, l59%)


Reza a lenda que Yves Saint Laurent, que tinha um talento único para misturar cores, foi o responsável pelo tom de hoje, melhorando assim ainda mais a tonalidade de Monsieur Jacques Majorelle.

Modéstia a parte, eu também tenho um olhar para cores e estava pensando outro dia sobre a loucura dessa cor, quando tive um insight: “O Bleu Majorelle é a cor do pescoço do pavão!”

Houve um aspecto que achei fascinante e essencialmente chic enquanto pesquisava sobre  a fundação dos Jardins de Majorelle, o cuidado com as 15 espécies de pássaros LIVRES, exclusivamente encontrados naquela região no Norte da África.

Afinal de contas, um jardim jamais é completo sem os seus devidos passarinhos.





O trabalho de Jacques Majorelle também pode ser visto no famoso Hotel La Mamounia, que o pintor ajudou a decorar, assim como pintou posters de turismo para a cidade de Marrakesch.







Teto pintado por Jacques Majorelle na entrada do tradicional Hotel La Mamounia, Marrakesch.



Foi em 1962 que Jacques após sofrer um acidente de carro, retorna para a França e vem a falecer logo em seguida.

Nos anos 80, seu Legado paisagístico sofreu grandes deteriorações , até que o casal mais chic do mundo, Yves Saint Laurent e Pierre Bergé descubriram  esse oásis e o recuperaram por completo.

Na terceira parte destes posts, revelo deliciosos segredos da estadia destes últimos proprietários do Jardim Majorelle e sobre a criação da fundação e museu, não percam!



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Majorelle Cap. 1, o Pai Louis e o movimento Art Nouveau


É verdade que Divinos são os caminhos da intuição e jamais me decepciono quando  sigo esta luz.

Ocorre que, o Jardim de Majorelle em Marrakesch, é uma importantíssima instituição da cidade, que além de ser um dos maiores projetos paisagísticos  do século XX, foi a lendária residência de veraneio de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé.

Não apenas isso, apaixonada como sou por plantas, quero saber mais sobre o primeiro proprietário que deu nome a essa residência única, e sobre esse místico jardim que foi totalmente concebido e plantado por Jacques Majorelle, o filho.

Mas conforme me aprofundo, vejo que o pai de Jacques, Monsieur Louis Majorelle, foi nada mais, nada menos, que um dos maiores carpinteiros e mestres do movimento Art Nouveau, que sempre foi o meu estilo preferido.

Bapho.

Assim como um caranguejo, que dá pulos pra trás, descubro detalhes desse universo passado, de trás pra frente.

A seguir, desenrolo três gerações de arte, muito trabalho e magia!

Louis Majorelle (1859 – 1926) nasceu em Toul na França de um pai que também era fabricante e designer de móveis.

Quando os negócios da família se estabeleceram em Nancy, Louis que já desenvolvera gosto e senso artístico, foi então a Paris estudar arquitetura e pintura na École des Beaux-Arts.

Precoce, com apenas 11 anos, já havia produzido e vendido sua primeira peça: uma escultura.

Depois do falecimento de seu pai, Louis retornou a Nancy, para cuidar da fábrica de móveis da família, o que o ocuparia para o resto da vida.

A Fábrica:

A Fábrica da família Majorelle, foi construída pelo famoso arquiteto da École de Nancy, Lucien Weissenburger, e fica localizada no número 6 da Rue du Vieil-Aître.

O primeiro sinal de uma nova estética, estava em uma das doze peças mostradas na Exposição de 1894 d’Art et Decoratif Industrial Lorrain, onde Louis foi influenciado pelo designer de vidros e móveis Emile Gallé, que o levou para novas direções.

No início de 1890, os móveis de Majorelle, eram embelezados por marchetaria inspiradas na natureza usando folhas de vitória-régia, gavinhas e libélulas.

Antes de 1900, acrescentou um atelier  que trabalhava metais nas oficinas para produzir puxadores de gaveta que eram montados de acordo com as linhas fluidas e sinuosas do seu trabalho em madeira.

Seu estúdio também foi responsável pelo trabalho de ferro das varandas, corrimãos de escada, e detalhes exteriores em muitos edifícios em Nancy, assim ajudando a transformar a cidade em um dos principais centros europeus de Art Nouveau.

No apogeu da Belle époque, durante a Feira Mundial de Paris de 1900 (1900 Paris World Fair, Exposition Universalle), os projetos de Majorelle triunfaram, conseguindo assim uma clientela internacional.

A Villa Majorelle:

Assim como todo grande artista sempre tem uma casa incrível para se expressar, Louis construiu a sua Villa Majorelle, onde hoje funciona um museu.

Entre os industrialistas da época, era de costume ter a casa próxima do trabalho, e assim, a Villa Majorelle está situada bem em frente a fábrica de móveis de arte da família.

Ícone do Art Nouveau, esta Villa de três andares que representa o desabrochar do movimento, foi projetada pelo arquiteto parisiense Henri Sauvage (1873 – 1932) e também Weissenburger (o mesmo que projetou a fábrica).


Nela Majorelle projetou ele próprio toda a serralheria, os móveis e todo o trabalho em madeira, como a escadaria mostrada na colagem abaixo.

Além disso, contratou Jacques Gruber para fazer os todos os vitrais e a lareira (veja colagem) foi desenhada por Alexandre Bigot.

Seu estúdio pessoal, que fica localizado no terceiro andar, de frente para a janela em arco que lembram galhos de uma árvore ou flor.

A Villa Majorelle, já está na minha lista de roteiros de mansões históricas que devo visitar ao redor do mundo, sem dúvida.


École de Nancy:

Em 1901, Majorelle se tornou um dos membros fundadores e vice-presidente da École de Nancy, também conhecida como Alliance Provinciale des Indutries d’Art, que era um grupo de artistas, arquitetos, críticos de arte, e industrialistas da região de Lorraine, que decidiram trabalhar de uma forma colaborativa, predominando o estilo Art Nouveau.

Presidindo este grupo, estava Emille Gallé, que vamos falar logo mais, e também por Victor Prouvé que exigiam alto padrão de qualidade nas artes decorativas francesas, dando uma unidade visual ao estilo.

Emile Gallé (1846 – 1904):

Simplismente, não posso perder a oportunidade de falar sobre este artista que foi a grande força por trás do movimento Art Nouveau.

Seus designs naturalísticos combinavam técnicas inovativas, fazendo dele um  pioneiro entre os fabricantes de vidro do final do séc. XIX e início do séc. XX .

Por certo Gallé misturava em suas peças uma grande influência do Japonismo, com elementos da natureza e poesias.

Este que foi o presidente da École de Nancy até a sua morte em 1904, desenvolveu uma técnica de corte e esmalte nos seus designs que reforçavam as cores brilhantes e a transparência do material.

Para melhor ilustrar a importância do trabalho de Emile, os famosos Daum Brothers por exemplo, que colaboravam diretamente com Majorelle foram altamente inspirados pelo trabalho de Gallé.

Assim como Majorelle, Gallé nasceu em Nancy e seguia a mesma profissão do pai, que era fabricante de vidros de arte, Monsier Charles Gallé.


Adicionava um ar de mistério a suas peças, gravando nelas uma frase poética.

Gallé deixou a sua marca como grande artista de vidros durante a feira Union Centrale des Arts Decoratifs de Paris em 1884, onde exibiu 300 peças de grande variedade artística assim como técnica.


Em 1891, com sua fama crescendo internacionalmente, Gallé apenas mostrava  seu trabalho em galerias individuais onde a importância do seu trabalho já era reconhecida, sendo adquiridos por museus e colecionadores.

Durante a década de 1890, construiu a sua “Cristallerie d’Emile Gallé”, criando abundantemente suas peças e empregando um time de designers/artesãos, que manufaturavam seus desenhos assim como aplicavam a sua assinatura depois de sua aprovação.

Na sua fábrica trabalhavam 300 pessoas e a demanda era altíssima.

Revolucionaram a indústria de arte em vidro por serem os primeiros a produzirem peças em massa usando técnicas industriais.

WWI e o final da carreira de Louis Majorelle:

Com a explosão da primeira grande guerra, Majorelle esperava conseguir manter sua produção e ritmo de trabalho porém, sua fábrica pegou fogo numa manhã de novembro em 1916.

Apenas um ano depois, para piorar a péssima fase que atravessava, uma de suas lojas na Rue Saint-George, foi destruída por um bombardeio alemão, assim como sua loja em Lille foi saqueada.

Durante o período restante de guerra, Majorelle se mudou para Paris, onde trabalhou nos estúdios e ateliers de amigos que eram designers de móveis.

Após a guerra, reabriu sua fábrica e loja, continuou a colaborar com a vidraçaria dos Daum Brothers, mas os seus designs já apresentavam os sinais mais geométricos e retos do Art Déco.

Louis Majorelle faleceu em Nancy em 1926.

Depois de sua morte, a fortuna de sua família que havia se prejudicado imensamente com a guerra, não conseguia mais sustentar o peso das dívidas da Villa Majorelle e a casa foi vendida, passando por diversas modificações.

Até que a fábrica fechou em 1931.

Acontece que Louis deixou um filho único, que cresceu neste riquíssimo meio artístico, absorvendo tudo e levou adiante a sua sensibilidade.

Jacques Majorelle era o seu nome, e é sobre o seu legado que vamos falar no próximo post, fique ligado!

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O fascinante ritual do Hammam

Acabei de voltar de viagem de Marrakesch e é com grande prazer que inicio hoje uma série de posts sobre a cultura desse país exótico.

Assim começo pelo ritual dos banhos árabes.

Jean-Léon Gérôme, The Bath, ca. 1880-85


O certo é que o Hammam combina a funcionalidade e os elementos estruturais de seus antecessores na Anatolia, nas termas do Império Romano com a tradição oriental turca de banhos a vapor com seus rituais de limpeza e respeito a água.

Ocorre que os Árabes construiram versões de banhos greco-romanos que encontraram após a conquista de Alexandria no Egito.

Sem dúvida, é uma cerimônia de limpeza não apenas corporal, mas também espiritual.

Em Marrakesch, existe uma variedade de hammams, de públicos a privados, do mais simples ao mais suntuoso e decadente.


Nestes estabelecimentos, é importante que tenha em consideração que as mulheres não tem o mesmo horário de entrada que os homens.


Os locais de banho se assemelham muito a igrejas, onde no lugar da nave central fica a “piscina”(onde vc só pode entrar quando já estiver limpo) com pequenas salas de banho ao redor, como se fossem capelas e/ou salas de batismo.

Logo, a primeira fase desta experiência, começa com um chá de hortelã quente, para o corpo começar a liberar as toxinas.

Sou encaminhada para uma pequena “capela” de banho, onde portas ancestrais se abrem para um interior    de mármore cor-de-rosa, iluminado por lanternas de ferro forjado verde- água, com um teto abobadado, suspenso por pilares, com duas camas na lateral e uma pia dramática que jorra água em abundância todo o tempo.

Num segundo passo, não é hora para timidez, uma atendente vai me banhar por completo, então obviamente, é preciso tirar a roupa.

Agora com a ajuda de uma concha de latão dourado, ela me molha numa maestria de movimentos que me fazem lembrar um ballet.

Me entrego e me deixo levar neste momento de arte que deve ser saboreado por completo.

Em françês, a massagista indica que devo me deitar na pedra morna que tem pequenos furos por onde sai o vapor.

Começa a segunda fase do ritual, a esfolição.

Elemento essencial do hammam é o sabão usado, que é uma pasta feita de azeite de oliva e eucalipto,  chamado Savon Noir (sabão preto).  Eu tive que trazer um potinho!

Conforme é passado, com o vapor da sala, parece que minha pele chupou uma bala.

E´usada uma luva especial, a kessa, que tem a textura de uma lixa e com esta sou esfregada com vigor.


The Massage by Debat-Ponsan 1839

Simbolicamente, começo a trocar de pele, como se fosse uma cobra Naja.

Lógico, já fiz esfoliações em diversos spas desse mundo, mas nunca e eu reafirmo Nunca, ví células mortas daquela maneira!

Chuá pra cá, chuá pra lá, depois de mais um enxague, eu tentando manter minhas poses lânguidas neste universo de harems, quando a  atendente começa a lavar o meu cabelo com uma espécie de argila chamada Ghassoul.

Verdadeira aula para qualquer cabeleleiro, esta veterana do banho fez uma trança no meu cabelo usando apenas uma mão e a água para mover as minhas negras madeixas.

Completamente derretida pelo processo, a moça apaga a luz e sugere que eu durma por 5 minutinhos.

Alô Cleópatra, eu sei que vossa alteza está comigo nesse momento!

Com certeza, estou muito emociada para dormir, mesmo que completamente relaxada no meio daquele vapor mentolado….

Quando me “acorda”, ganho uma água incrivelmente gelada e um roupão.

Perfeitamente purificada, saio da pequena capela e caminho  para descansar na chaise lounge,  verdadeiro deleite da higiene, eu diria.

Diferente dos banhos romanos da antiguidade, o hammam é um lugar de retiro, secreto e poético na sua natureza.

Moorish Bath by Jean-Léon Gérôme 1870


Na sala principal, o sol não brilha ofuscante, ao contrário, alguns raios fracos atravessam o vidro colorido dos vitrais.

Além dos raios de luz que seguram-se no vapor flutuante e dá a sensação de encantamento para a escuridão de sombras.

Inclusive os sons aquáticos ecoam entre as colunas de mármore nesta atmosfera de serenidade, purificação e luxo.

Spa do Hotel La Sultana - Marrakech

E neste clima, me jogo na piscina da foto, completamente passada…

Enfim, você é convidado a escolher qual perfume deseja usar: escolha entre água de rosas, água de flor de laranjeira ou musk.

Jean Lecomte du Nouy L’Esclave blanche 1888

Sobretudo os hammans da cidade, são um lugar de socialização e fofoca entre as mulheres muçulmanas, que aproveitam para escolher alí as futuras esposas de seus filhos.

Sir Lawrence Alma Tadema, Um costume favorito de 1909

Aqui alguns links dos principais spas de Marrakesch:

http://www.lasultanamarrakech.com/#

http://www.mamounia.com/uk/index.php

www.lesbainsdemarrakech.com

The Turkish Bath by Jean Auguste Dominique Ingrés, 1862

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The great five…books about Venice

1) Out of this Century

Confessions of an art addict

The autobiography of Peggy Guggenheim

First published in 1979

Inspiradora a autobiografia de Peggy Guggenheim, que me chamou a atenção inicialmente por ter comprado em 1947 o Palazzo da minha musa mór a Marchesa Casati.

Pertencente da família de milionários das artes os Guggenheim, Peggy (1898-1979), judia, nascida em Nova York,  passou os primeiros 30 anos de sua vida viajando de país em país, trocando de maridos diversas vezes, montando lares e cuidando de seus dois filhos Sinbad e Pegeen, mas foi em Veneza que encontrou a felicidade da sua persona.

Foi uma criança doente, não pode frequentar a escola normalmente e quando tinha 14 anos seu pai morreu no Titanic.

Ele é perfeitamente retratado no épico filme de James Cameron, é o senhor que se recusa a pegar os botes de salvamento e se veste em roupas de gala para se preparar para a morte.

O pai dela, Benjamim Guggenhein, era dos meus.

Então em 1919 herdou uma fortuna de $2.5 milhões de dólares que equivale a $20 milhões mais ou menos, nos parâmetros de hoje.



Japa veste casaco Maria Bonita vintage e gola eduardiana Glória Coelho


Se redescobriu  como patrona das artes, o que ao meu ver ela estava completamente inspirada na Marquesa, apesar de nesse livro não admitir esse fato. (ver post anterior)

Uma vez em Veneza, uma pessoa de sensibilidade básica sente que existe um incentivo ao vestir que está implícito no ar.

Eu sentí isso completamente.

Uma pessoa vestida com peças casuais do dia-a-dia, definitivamente não se encaixa naquele cenário, não combina, é engraçado mas é a mais pura verdade.

Então quando houver a oportunidade de ir até lá, não se esqueça destas palavras que te aconselham e leve na sua mala, pelo menos algumas peças exóticas.

Não irá se arrepender.

Peggy Guggenheim que não me deixaria mentir.

Ela que super usou os seus óculos que viraram sua marca registrada e roupas modernérrimas de vanguarda.

Dona de uma das mais importantes coleções de arte moderna do século XX, entre os artistas que patrocinou estão Ives Tanguy, Paul Delvaux, Kandinsky, Jean Cocteau, Mondrian,  foi super responsável por Jackson Pollock, teve um tórrido affair com Max Ernst, foi grande amiga de Marcel Duchamp, Alexander Calder entre outros modernistas, cubistas, expressionistas abstratos e  surrealistas.

Durante a segunda guerra mundial adquiriu obras de simplesmente Picasso, Miró, Magritte, Dali, Klee e Chagall.

Sua coleção  pode ser vista na íntegra, no que hoje é o Museu Guggenheim de Veneza, no palazzo Venier dei Leoni, lar de antigos leões e da minha diva particular, La Casati.

Peggy escolheu ser enterrada lá ao lado dos seus cãezinhos Lhasa Apsos.


Sem dúvida, Peggy Guggenheim descansa em paz e bem protegida por anjinhos.


2) Diaghilev

A Life

Sjeng Scheijen

2010

Não consigo largar essa biografia de 500 páginas que encantam.

Sergei Pavlovich Diaghilev foi além de crítico de arte, empresário do Ballet e fundador do icônico Ballet Russes que mudou a história dos espetáculos.

De personalidade fortíssima, Sergei Diaghilev transformou  o mundo do ballet, do teatro, da música, das artes visuais, como ninguém antes dele havia feito.

No início de sua carreira Diaghilev, montou um jornal de arte e o seu grupo de artistas e intelectuais consistia simplesmente de Léon Bakst (vide post anterior), Alexandre Benois, Walter Nouvel, Konstantin Somov e Dimitri Filosofov.

Diaghilev que também era profundamente apaixonado por Veneza disse em uma das suas célebres frases: O golpe de gênio de Wagner foi ter morrido em Veneza, pois assim transformou a própria vida em arte, negando assim o caos final da morte.

Só posso concordar!

Até mesmo, “Death in Venice” foi o título usado em um de seus grandes espetáculos.

Em cima da sua tumba, os bailarinos que costumam visitar, deixam suas sapatilhas sobre a pedra, que diz ”Veneza, o apaziguamento da nossa eterna inspiração”.


Retrato de Diaguilev por Aleksandrovich Serov



Todos os grandes talentos da época trabalharam para Diaghilev como seus compositores Igor Stravinski, Claude Debussy, Maurice Ravel e Richard Strauss.

Teve como figuristas desde Bakst seu grande amigo a Nathalia Gontcharova, a Matisse e até Pablo Picasso!

Era do círculo de Gertudre Stein que foi recentemente retratada por Woody Allen em Paris a Meia-Noite por Kathy Bates.

E como não poderia deixar de ser , os grandes bailarinos também eram da sua companhia como Anna Pavlova e um dos maiores de todos os tempos Vaslav Nijinsky  que foi talvez, o maior amor de sua vida.

Amor este que o traiu, casando-se com uma mulher.

Apesar de ser discreto em relação aos seus mais profundos sentimentos, Diaghilev sofria pela dificuldade de viver uma vida abertamente homossexual numa época em que “desvios sexuais” era considerado uma doença.


Nijinsky



Bakst 1921, The Blue Bird



Costume for mandarin by Henri Matisse, 1920



Costume for sea princess by Adolph Bolm for the Ballet Russes



Costume design for a chinese conjurer by Pablo Picasso, 1917



Costume by Pablo Picasso for the Ballet Russes, 1917



Sketch by Bakst for Nijinsky



Vaslav Nijinski in the Bakst costume above


É um prazer enorme mergulhar nessa época mágica e acompanhar cada momento ilustrado com artistas que delinearam a beleza do século XX.

Meu herói e muso.


Sergei Diaguilev



Diaguilev's resting palce in San Michele, Venice


3) Giardini Secreti a Venezia

Cristiana Moldi-Ravenna .  Tudy Sammartini

Fotografie di Gianni Berengo Gardin

1988

Como sou loucamente fascinada por jardins e plantas, precisei incluir na minha lista um livro que mostrasse os jardins secretos de Veneza.

Existe um clima presente naquele livro/filme The Secret Garden (Frances Hodgson Burnett, 1911) que nos permite entrada a um presente exclusivo da natureza, um pedaço de terra fértil exuberante como mágica.

De tempos em tempos dou mais uma folheada e é sempre um mergulho nessa neblina de sonho de morar lá.

Meu amor aos pássaros e a qualquer bicho necessita de um espaço para viver.

Os jardins são raros, escondidos e pertencem as pessoas de sorte.


Me peeking through a secret gate, in search for the Trachycarpus of Venice


Sempre que viajo analizo a flora e notei a presença do mediterrâneo nas plantas destes jardins

Somos de um país tropical e nem damos conta de que palmeiras não existem em qualquer lugar.

Fiquei contente em notar que o Trachycarpus é na minha visão uma palmeira do mediterrâneo e foi vista diversas vezes em Veneza, já na La Sereníssima tudo cabe, tudo vai, o oriente e o ocidente.


4)Venise `A Fleur D’Eau e 5)Essere Venezia

Fulvio Roiter

1953

Fulvio Roiter é O fotógrafo de Veneza, que melhor retratou essa aura fantasmagórica que eu tanto aprecio.

Italiano, autodidata, começou a fotografar como amador em 1947.

A partir de 1948 começou a fazer parte de um clube de fotografia de Veneza chamado a Gondola Fotográfica, fundado em Veneza por Paolo Monti com o objetivo de promover uma investigação mais penetrante.

Foi com Venise la fleur d’eau que se estabeleceu como fotógrafo de renome internacional.

5)Essere Venezia

1977



Em 1977, com Essere Venezia, se tornou um dos maiores best-sellers da sua categoria.

Na minha opinião a melhor visão de Veneza é dele.


Fulvio Roiter, 1970



Fulvio Roiter

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Minha musa favorita, a Marquesa Luisa Casati


Marquesa Casati with greyhounds. Portrait by Giovanni Boldini, 1908


Preciso contar a história de uma das minhas grandes inspirações na vida, ícone lendário de Veneza, motivo do meu fascínio pela La Sereníssima, a excêntrica Marquesa Luisa Casati.

Quando lí a sua biografia em 2007, confesso que não conseguia mais sair de casa, só lia sobre as suas aventuras chiquérrimas pelo universo das artes e delirava…

Nascida em Milão em 1881, herdeira de uma fortuna vindo da produção de algodão, Luisa e sua irmã mais velha, ficaram órfãs aos 13 anos apenas, se tornando as meninas mais ricas da Itália em sua época.

No ano de 1900 se casou com o falido Marquês Camillo Casati que lhe deu o título de Marquesa, uma filha chamada Christina (no point intented…) e uma vida um tanto infeliz.

Mas a minha musa não se conformaria a uma mera vida de esposa da Belle Époque não.

Logo, devidamente morando em residências separadas de seu marido, La Casati tratou de criar o seu célebre personagem  femme fatale fabulosa e patrona das artes.


Palazzo Venier dei Leoni


Dando início ao seu projeto comprou palácios de sonho e os decorou com absoluta extravagância; a Villa San Michelle em Capri, o Palais Rose em Paris e o palazzo Venier dei Leoni em Veneza.

O mais emblemático de todos, o Palazzo Venier dei Leoni no Grand Canal, onde fica hoje o museu Guggenhein, foi o palco de suas lendárias festas e como é de se esperar, ponto altíssimo da minha viagem.

Este palazzo inacabado em semi-ruína (foi construído apenas o primeiro andar) foi a sede da também milionária/excêntrica Peggy Guggenhein anos mais tarde, que na minha opinião seguiu os passos da Casati, é uma das poucas propriedades que possuí um jardim daquela dimensão.

Foi um momento na minha vida!


Sentada no trono de mármore de Casati visto maxi skirt Superonic, casaco de veludo Maria Bonita e jaqueta de couro D'Arouche



Realizada no banco do quintal de Luisa Casati


Luisa Casati se definiu como obra de arte viva e se vestia absurdamente.

Paul Poiret era sempre contratado para vesti-la em suas sensacionais festas, assim como o grande mestre Erté (que inspirado nela desenhou e esculpiu grandes coleções), Léon Bakst (figurinista do Ballet Russes e parceiro de Diaghilev) e Mariano Fortuny.

Vivo estudando o comportamento das grandes divas e um ponto em comum que todas tem é o amor aos animais, mas a Marquesa alçou isso há outros patamares.

Em sua companhia haviam sempre duas cheetahs que ela guiava em coleiras cravejadas de brilhantes Cartier.

Inclusive, a coleção Panther de Cartier, foi completamente inspirada nela, tá?

Em volta do seu pescoço se enrolava a sua jibóia de estimação e pássaros exóticos, como corvos albinos, voavam livremente pelas suas salas e seus greyhounds (sempre um preto e um branco) eram retratados em suas pinturas ao seu lado.

Era famosa pelos seus passeios noturnos em sua gôndola chiquérrima particular, onde desfilava nua, com apenas um casaco de pele por cima.

Em sua companhia estavam seu gondolier, um negro Núbio belíssimo, que era devidamente vestido como um mouro de turbante do séc. XIX e seus macacos iam vestidos como dandys da corte.


Casati by Man Ray, 1922


Marquesa Casati by Man Ray, 1922

Alta e magra, Luisa realçava o olhar com gotas de Belladona que faz a pupila dilatar e dava um efeito monstruoso aos seus enormes olhos verdes sempre maquiados com muito kohl e cílios postiços.

Seus cabelos cor de fogo a base de henna, coroavam a sua cadavérica pele branquíssima e lábios cor de sangue.

Seu grande talento era se vestir e suas pérolas costumavam chegar ao chão.

Várias coleções de Haute Couture foram inspiradas nela, a primeira delas Spring/Summer 1998 de John Galliano para Dior e novamente Autumn/Winter 2007/2008.

Karl Lagerfeld que possui um portfolio de sketches sobre a Marquesa, inspirou a sua coleção Cruise 2009/2010 ready-to-wear para Chanel.

Bem antes de tudo isso, inspirou Elsa Schiaparelli e Coco Chanel (que após a falência de Casati, comprou um lote inteiro de suas peças de decoração como aquela dupla de veados de bronze).

Era motivo de intriga entre Marcel Proust e o conde Robert de Montesquiou.


Pastel by Alberto Martini



John Galliano for Christian Dior Haute Couture SS98



John Galliano for Christian Dior Haute Couture, SS98


Em busca pela imortalidade seu retrato foi pintado pelos maiores artistas da sua época como seu amisissímo Giovanni Boldini, Augustus John, Kees Van Dongen, Romaine Brooks, Ignácio Zuloaga entre outros.

Foi esboçada por Drian, Alberto Martini e Alastair, esculpida por Giácomo Balla, Barjansky Catherine, Jacob Epstein e retratada por ninguém menos do que o surrealista Man Ray, Cecil Beaton e o Baron Adolph de Meyer.


Marquesa Luisa com Giovanni Boldini e Paul Cesar Helleu em seu jardim em Veneza



Marquesa Casati by Giovanni Boldini


Reza a lenda que, em seu palácio em Roma, Picasso participou de um sarau enquanto em outra ocasião,  fantasiou-se como obra de arte inspirando o próprio Salvador Dali.

Seu grande affair foi com o escritor Gabrielle D’Annunzio que por consequência, escreveu diversos de seus livros usando a persona de Casati.

Ou seja, a Marquesa Casati conseguiu ser a musa de diversos movimentos de arte, os surrealistas, os futuristas, os fauvistas e dadaistas.

Musa profissional, conquistou o fascínio de poetas a pintores de músicos a couturiers, escritores e escultores.


La Casati by Man Ray, 1935


Suas festas eram objeto de lenda.

Certa vez em Veneza, organizou uma festa a fantasia para (meu herói também) Diaghilev e sua companhia de dança, o Ballet Russes.

Nesta festa, os maiores bailarinos daquela data, Nijinski convidou Isadora Duncan para uma dança para deleite dos convidados.

Em outra ocasião, num jantar em seu palácio, a Marquesa Casati recebia com bonecos de cera muitíssimo bem vestidos, em tamanho natural sentados a mesa exatamente como se fossem convidados.

Seus pratos eram servidos e retirados de acordo com o desenrolar do serviço. Corria um boato que na região do coração destes manequins haviam cinzas de seus amantes passados.

Seus servos estavam quase nus, cobertos com folha de ouro.

Debaixo de toda essa teatricalidade macabra, suas orgias celebravam o oculto, regadas a absyntho e ópio.

Outra característica forte das divas que estudo é a habilidade de fazer uma entrada em qualquer ambiente que seja e Luisa Casati era mestre nessa arte.

Durante um verão em Veneza, conseguiu autorização com o prefeito para fechar a Piazza de San Marco para realizar um baile de máscaras e foi o verdadeiro frenesi.

Sua chegada, através da lagoa, era precedida por uma sucessão bandeiras com o seu brasão em mastros, lanternas chinesas acesas sobre a água e descendo da sua gondola, abriu os braços e lançou 2.000 borboletas em liberdade.

O chão da praça chegou a tremer com tantos aplausos recebidos.

E assim, a estrela mais brilhante da sociedade européia torrava a sua fortuna.


Erté



A Marquesa inspirou a coleção Panther de Cartier, que até usou esmeraldas para combinar com o verde dos seus olhos


Em 1930, Luisa havia acumulado uma dívida de 25 milhões de dólares e incapaz de pagar os seus credores, seus pertences foram  leiloados e confiscados no Palais Rose em 1932.

Vendeu todas as suas obras de arte, que por tantos anos apadrinhou e foi morar em Londres.

Obcecada pela própria imagem, sua aparência ainda era lenda e era vista em seus nobres trajes só que estes já puídos e rasgados, vasculhando o lixo.

Faleceu em 1957 aos 76 anos em Beaufort Gardens, sua última residência.


Portrait by Augustus John


A Marquesa foi enterrada no cemitério de Brompton vestida de negro com barrado de onça e seu cachorrinho pequinês empalhado descansa com ela.

Em sua lápide escolheu uma frase de Skakespeare na peça de Antonio e Cleopatra:

Age cannot wither her, nor custom stale her infinite variety.


Quer mais um pouquinho?


John Galliano para Christian Dior couture, SS08



John Galliano para Christian Dior couture, SS08



John Galliano para Christian Dior couture, SS08



Karl Lagerfeld para Chanel Resort 2010


Meus livros pesquisados sobre a vida da Marchesa:

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