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Today’s Sound: Blood of a Poet por Arthur Mendes Rocha

“Blood of a Poet” (‘Le sang d’um poete” em francês e “Sangue de um poeta” em português) é um filme de 1930, concebido e dirigido pelo genial Jean Cocteau, e até hoje perdura como uma alegoria surrealista e uma obra experimental que merece  ser conhecida.

Cocteau foi uma das figuras mais chaves do movimento surrealista: poeta, cineasta, escritor, dramaturgo, pintor, designer, ele acumulava atividades e as desempenhava divinamente.

Ele era amigo de figuras marcantes do século passado: Duchamp, Dali, Chanel, Radiguet, Picasso, Piaf, entre outros, estavam entre seu circulo de amigos.

“Blood of a Poet” lida com os questionamentos de um artista, suas ansiedades, metáforas e principalmente com a relação da arte e dos sonhos.

O filme é considerado à frente de seu tempo, lida com imagens lindas, com truques, sombras, poéticas, um estilo que Cocteau seguiria nos demais filmes da Orphic trilogy “Orpheu” (1950) e o “Testament of Orpheus” (1960).

O filme tem poucos diálogos, é basicamente composto de quatro segmentos:

No primeiro, um artista está pintando um quadro e fica surpreso ao ver que a boca que desenhou está se mexendo e depois vai parar em sua mão. Ele experimenta com sua mão até parar na boca de uma estátua.

No papel da estátua está a fotógrafa americana Lee Miller, em sua única aparição no cinema como atriz.

No segundo, a estátua fala com ele até ele atravessar um espelho e vai parar num hotel com pessoas estranhas, até ele tentar suicídio com uma arma.

No terceiro, estudantes brincam de jogarem bolas de neves uns nos outros, até um trágico desfecho.

No quarto, um jogo de cartas que envolve o corpo de um garoto morto e um anjo da guarda, bem como a reaparição da estátua.

Os filmes de Cocteau são difíceis de explicar se não os vermos, ele é um artista muito preocupado com a estética (vide filmes dele como “A Bela e a Fera”) e extremamente visual.

“Blood of a poet” foi financiado por Charles de Noialles, um visconde rico que patrocinava as artes.

Tudo começou em uma festa dada pelo visconde, onde o compositor Georges Auric anunciou que comporia um score para uma animação. O visconde lançou o desafio que daria um milhão de francos se Cocteau fizesse um filme com score de Auric e assim surgiu “Blood of a poet”.

Mas na época o filme veio cercado de polêmica: havia uma cena no quarto segmento que sugeria uma glamourização do suicídio (influenciado pelo que havia acontecido com o pai de Cocteau) e isto irritou a igreja católica, que o considerou um filme blasfemo.

Isto fez com que o filme atrasasse um ano para ser lançado e o visconde de Noialles exigindo que, para lançar o filme, Cocteau deveria tirar a tal cena do suicídio.

Cocteau refilmou a cena, escalando o artista Barbette, uma espécie de travesti da época, já que fazia papel de mulher e era admirado por Cocteau e Man Ray, além de fazer muito sucesso nos teatros dos anos 20 e 30. Ele também era acrobata, dominando bem a técnica do trapézio e saltos aéreos.

O Visconde acabou sendo responsabilizado, já que havia também financiado outro filme polêmico, “L’Age d’Or” (outro marco do cinema surrealista), e expulso do elegante Jockey Club de Paris e ameaça de ser excomungado pela Igreja.

Obras como esta, que lidam com temas mais densos, utilizando imagens oníricas e símbolos, acabam sendo mal compreendidos em sua época, “Blood of a poet” é um exemplo típico.

Hoje o filme é reconhecido como uma importante obra de arte que ajudou a definir o cinema avant-garde e surrealista.

O filme está disponível em sua totalidade no youtube e numa cópia da Criterion Collection:

A música foi concebida por Georges Auric, usual colaborador de Cocteau, e autor de  trilhas para filmes como “Roman Holiday”, “Wages of Fear”, “Lola Montès”, “Bonjour Tristese”, entre outros.

Mesmo visto hoje, nada do que vemos no cinema atual assemelha-se ao brilhantismo e a poesia do sensível Cocteau.



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