De longe, melhor burrito veggie de São Paulo @veggiesnapraca !!!Orquídea Catleya escândalo #9, abrindo pela primeira vez na Cerejeira. Bom dia! #orquídea #catleya #orchidsDiana Vreeland's portrait by Cecil Beaton.
"You gotta have style. It helps you get down the stairs. It helps you get up in the morning. It's a way of life...I'm not talking about lots of clothes."
Hoje no www.japagirl.com.br/blog/dj-setsAnna Pavlova and her pet swan Jack, 1905Mini-orquídeas abrindo em homenagem a Minha Avó.Minha Tucki era amiga da gatinha Pantufa e adorava quando ela vinha visitar.Cherry blossoms blessings! Boa segunda, boa semana!Hoje faz uma semana que a minha princesa Tucki se foi e só agora consigo falar sobre a minha perda. A perda da minha Filha, da cachorra perfeita, a perda de um pedaço do meu coração, da minha companheira, da minha amiga sempre tão carinhosa. Obrigada Tutu, por ter sido parte da minha vida nesses anos. Vc está fazendo muita falta, pro Papai, pra Mamãe e pro Tigre, que está doente sem vc e nem sabe mais quem ele é, sem a sua presença. Descanse em paz, minha filha, meu amorzinho.Orquídeas Cymbidium abrindo! #orchids #cymbidiumIcy mermaids talking

                
       





















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CURRENT MOON

Today’s Sound: Buñuel e três filmes surrealistas

Luis Buñuel foi um dos grandes mestres do surrealismo; roteirizando e dirigindo, ele fez obras que marcaram o movimento e até o popularizaram. Seus temas recorrentes são sempre atacando a burguesia, a igreja, a ordem pré-estabelecida, sua rebeldia não tem limites.

Este post pretende falar de três trabalhos marcantes deste diretor de extensa filmografia: “Um Chien Andalou” (O Cão Andaluz), L’Age d’Or” (A Idade do Ouro) e “Belle Du Jour’ (A Bela da Tarde).

“Um Chien Andalou” foi o primeiro trabalho de Buñuel, um curta de 16 minutos de duração e o primeiro filme surrealista.

Ele teve a colaboração do pintor Salvador Dalí, que o ajudou na composição desta pequena jóia.

Buñuel e Dali, 1933

‘Um Chien Andalou” tem uma cena que tornou o filme conhecido em todo o mundo: uma mulher tem o seu globo ocular cortado por uma navalha (o homem que corta é o próprio Buñuel), como vemos abaixo:


Reza a lenda que o filme era um “ataque” a Garcia Lorca, o dramaturgo gay que se envolvera com Dalí e a quem o machista Buñuel não era muito chegado.

O filme é lançado em 1929 para a nata da sociedade e da intelectualidade da época, que se escandaliza com o que vê, já que o filme mostra várias situações surreais como formigas saindo de mãos, burros dentro de pianos de caudas, mãos sendo cortadas, bundas saindo de paredes e sendo apalpadas, entre outras coisas.

Não esperem uma estória certinha em “Um Chien Andalou”, pois o curta é uma mistura de imagens de sonhos, pesadelos, em épocas distintas e sem uma narração linear. Abaixo o filme em sua totalidade:

O filme é um dos mais conhecidos do manifesto surrealista de André Breton, que trouxe Buñuel e Dalí para o seu seleto grupo.

Buñuel declarou que “Um Chien Andalou” surgiu de dois sonhos: um de Dalí em que ele via formigas saindo de sua mão e o outro dele no qual cortava um olho. Em uma semana, os dois escreveram o roteiro sendo que a regra era não ter nenhuma imagem racional. O resto é história…

Seu trabalho seguinte também é uma colaboração com Dalí, ‘L’Age d’Or”, filme bancado pelo Visconde de Noailles, como presente para sua esposa, a viscondessa Marie-Laure dês Noailles, uma patrona das artes. Abaixo o filme completo:

O filme tem uma hora de duração, desta vez temos estórias mais coerentes, começando com uma alegoria sobre o escorpião e suas características. Inclusive alguns críticos chegam a afirmar que o filme é dividido em cinco partes, como as cinco partes da cauda do escorpião.

Em uma das cenas com um grupo de bandidos, o líder é interpretado por Max Ernst (outro membro do movimento surrealista).

O filme mostra sequências que criticam a igreja, a violência do homem com a mulher, a sexualidade reprimida; é um filme muito a frente de seu tempo, por isto foi tão mal interpretado na época.

Fica difícil imaginar como o filme foi visto em 1930, pois ele lida com temas polêmicos e imagens fortes: há uma cena de assassinato a sangue frio de uma criança, uma vaca deitada em uma cama luxuosa, um homem velho com rosto com moscas, uma mulher chupa o dedo de uma estátua religiosa, entre outros bafos.

No final do filme, há uma alusão ao livro ‘120 dias de Sodoma” do Marquês de Sade, é uma rápida cena no qual o Duc de Blangis sai de uma orgia em um castelo, sua imagem lembrando a de Jesus.

Com a estréia do filme, foi um choque total: a liga dos Patriotas atirou tinta preta na tela de exibição, destruíram obras de artistas surrealistas no hall do cinema, até que a polícia francesa conseguiu banir o filme no final de 1930.

Até mesmo o Visconde que financiou o filme foi banido da sociedade.

“L’Age D’Or’ ficou proibido durante muito tempo, suas exibições eram raras (teve uma exibição privada no MoMA de NY em 1937) e somente 49 anos depois, o filme teve sua primeira exibição nos EUA, em São Francisco, em 1979. Uma das atrizes do filme era Lya Lis, cuja foto vemos abaixo:

A amizade de Buñuel e Dalí ficou seriamente afetada depois que Dalí se envolveu com Gala; Buñuel a destestava e rompeu sua amizade com o pintor, inclusive se recusando a lhe dar crédito como co-roteirista de “L’Age d’Or” (mas isto foi consertado posteriormente).


Este foi o início de uma filmografia brilhante, Buñuel dirigiu vários filmes incríveis e um dos pontos altos foi o lançamento de “Belle Du Jour” (A Bela da Tarde), em 1967, um filme magnífico em cada plano.

Buñuel escolheu (muito bem por sinal) a atriz Catherine Deneuve, no auge de sua beleza, para viver a burguesa e frígida Séverine.

Na cena inicial, já vemos a influência do surrealismo, na cena em que ela imagina ser amarrada pelos seus servos e chicoteada pelo marido (vivido pelo ator Jean Sorel).

Deneuve se entrega ao papel com toda a intensidade, a masoquista que não consegue fazer amor com seu marido, mesmo este sendo atraente, e passa as tardes se prostituindo no bordel de Madame Anais (Geneviéve Page).

Ela leva uma vida dupla, escondendo do marido (ela sempre está de volta em casa quando ele chega do trabalho) e se entregando a qualquer tipo que apareça no bordel.

Entre os freqüentadores do bordel com quem ela se envolve estão o durão Marcel (Pierre Clémenti), com seus dentes de metal e looks com botas, casacos de couro preto e bengala e Henri Russon (Michel Piccoli), que é amigo do casal e a apresenta ao local.

O filme é baseado na obra de Joseph Kessel, com roteiro de Buñuel e de seu habitual colaborador Jean Claude Carriére.

Fantasia e realidade, fetichismo e amor, e principalmente perversão sexual,  são os temas presentes em ‘Belle Du Jour’, onde Buñuel mais uma vez nos surpreende com suas imagens marcantes, sempre com toques surrealistas e uma imaginação notável.

Somos como voyeurs nesta descida de Séverine à degradação sexual, mas o único acesso que o diretor nos dá é através de seus devaneios.

O visual de Deneuve é outro destaque no filme, vestida por Saint Laurent, que criou modelos lindos especialmente para ela. Seus sapatos foram feitos por Roger Vivier. O total look dela de preto e óculos grandes é super referência:

Apesar de todo o sucesso que o filme obteve, Deneuve declarou em uma entrevista de 2004 que se sentiu usada, já que mostraram muito mais de seu corpo do que havia sido combinado.

Deneuve e Buñuel

Ela passou por cenas de estupro, apanhou de chicote, foi suja de lama, entre outras coisas.

“Bele Du Jour” é erótico, sugere atos de necrofilia, incesto e escatologia, temas fortes para a época, mas que acabaram passando despercebidos pela censura.

O filme acabou sendo o maior sucesso comercial da carreira de Buñuel e sua declaração foi que ele atribuía este sucesso mais às prostitutas do que à sua direção. Abaixo o filme completo:

‘Belle Du Jour” acabou por vencer o Festival de Veneza com sua integração de imaginário surrealista com sexualidade reprimida.

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