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TODAY’S SOUND: LARRY LEVAN POR ARTHUR MENDES ROCHA – Japa Girl



























































                
       
















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TODAY’S SOUND: LARRY LEVAN POR ARTHUR MENDES ROCHA

Larry Levan é nada menos que uma lenda, pois além de DJ, produtor, remixer, ele criou um tipo de som, a música que ele tocava no Paradise Garage, que incluía disco, dub, reggae, gospel, punk, electro; enfim, esta mistura e a maneira como tocava é que tornou seu estilo único.

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Larry nasceu e cresceu em NY, vindo de família simples, e desde cedo foi um garoto fraco, que sofria de asma.

Com o passar do tempo, Larry foi se saindo bem na escola, principalmente em matemática e física, enquanto escutava muita música em sua casa e brincava com os toca-discos.

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Ele sempre fora um rebelde, pintando seu cabelo de laranja (antes dos punks) e frequentando os chamados “drag balls”, os bailes das drags no Harlem que deram origem à cena do vogue-dancing.

Foi um destes bailes que Larry conheceu Frankie Knuckles, um dos papas da house music, e que se tornou seu grande amigo.

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A vida dos dois mudaria quando conhecem o The Loft, o club ilegal que David Mancuso comandava e cuja entrada era somente para membros (ou amigos destes).

No The Loft eles também conhecem Nicky Siano, que viria a ser namorado de Larry, e um dos DJs mais importantes da cena, já que mixava discos em diferentes velocidades, antes que os outros pensassem em fazê-lo e logo tocaria no seu próprio club, o The Gallery.

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Foi no The Loft que caiu a ficha para Larry do que ele viria a fazer: ser um DJ, tocar músicas para fazerem os outros dançar e se emocionarem ao mesmo tempo.

Ele e Frankie são convidados por Nicky a trabalharem no Gallery, ajudando no décor e fazendo punchs (que muitas vezes incluía ácido).

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Em 1973, numa festa de Memorial Day , onde Larry fazia um bico como iluminador no Continental Baths, o DJ falta e Larry o substitui.

O Continental era uma sauna gay onde havia show e pegação, e local onde Bette Midler e Barry Manilow iniciaram suas carreiras.

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Mas Larry queria mais, queria um club de verdade, com um sistema de som impecável e logo é convidado para tocar no SoHo Place, um club after-hours idealizado por Richard Long, para fazer uma amostra do sistema de som que ele vinha desenvolvendo.

Foi lá que ele conhece Michael Brody, que o convida para tocar num club novo na Reade Street.

Neste pequeno club (que hoje é o Tribeca), Larry aperfeiçoa sua técnica, treinando incessantemente, controlando a temperatura do lugar, bem como extraindo dos discos toda a profundidade do baixo, misturando faixas com efeitos de dub, enfim criando o estilo com o qual se tornaria famoso.

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Porém, o proprietário do imóvel cria empecilhos para continuarem com o club lá e este acaba fechando, mas com a promessa de Brody em tê-lo como DJ exclusivo do novo espaço que ele pretendia abrir em breve.

Larry espera e Brody constrói um club tendo ele na mente, assim é criado o Paradise Garage, talvez o primeiro club concebido para um DJ específico.

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O Paradise Garage ficava localizado no número 84 da King Street, num antigo estacionamento, e, em 1977, algumas festas de pré-inauguração, as “Construction parties”, foram realizadas para arrecadarem verbas para a conclusão da obra.

Finalmente o club abre suas portas em Janeiro de 1978, numa noite caótica, com forte tempestade de neve e atraso na chegada do sistema de som, fazendo com que muitas celebridades fossem embora para nunca mais voltarem.

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Justamente aí é que o PG saiu ganhando: fugindo dos famosos que iam lá para aparecer, o club acaba atraindo uma frequência mais real, de pessoas que trabalhavam em empregos simples, além de muitos gays, negros e latinos. Mas, lembrando, que o club era privado, você só poderia entrar se fosse sócio ou convidado de algum conhecido.

Quando o Paradise estava com tudo em cima, o som ajustado, as paredes acusticamente preparadas, a enorme pista de dança que não cansava os pés dos dançarinos, tudo fora concebido para dar a melhor opção para que os frequentadores curtissem o principal: a música. A qualidade de som era cuidada de perto pelo expert Richard Long (na foto abaixo com Larry).

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E Larry era como um pastor de uma igreja, ele guiava seus discípulos pelas mais diferentes jornadas; ele contava histórias, lidando com o seu mood do dia, que podia ser mais up ou down, ele não se preocupava tanto com a mixagem e sim com a seleção do que iria tocar.

Assim, tudo o que tocava era reverenciado, podia ser uma música lenta no meio de várias pulsantes, o que importava era ser entendido pela pista, ter a resposta desta e isto acontecia sempre, Larry era perfeito no que fazia.

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E apesar da disco dominar os seus sets no início, ele foi se modernizando sempre, incluindo diferentes gêneros, rock, gospel, pop, enfim, o estilo não importava e sim o resultado que Larry dava a cada track.

Um de seus truques era ter mais de uma cópia do mesmo disco, assim ele reconstruía da maneira que bem entendesse, mudando o início, incluindo outras partes, os instrumentais, os dubs, enfim, fazendo a sua própria versão. Uma que não podia faltar no seu set era Class Action (ou Phreek) com “Weekend”:

Não demorou a que executivos da indústria do disco, programadores de rádio, utilizassem o club para lançarem as novidades, tudo sob a aprovação de Larry, logicamente.

Um deles era Frankie Crocker, que tocava na rádio muitas das músicas que Larry lhe mostrava, além de ser um dos poucos que ele permitia subir à cabine.

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Além disso, os trend-setters (pessoas que ditam tendências) ficavam de olho no que Larry iria tocar, pois estas músicas gerariam demanda. Foi assim com Instant Funk e a música “I got my mind made up”:

Lojas como a Vinylmania, localizada perto do Paradise, vendiam muito das músicas que Larry tocava e ele frequentava a loja também em busca de novidades ou de coisas especiais para incluir no seu set. A loja até passou a abrir aos domingos, para que o povo já saísse do club e comprasse algum disco que Larry havia tocado.

Um de seus hits mais famosos foi “Is it all over my face” do Loose Joints, projeto de Arthur Russell:

Outro de seus hits, Central Line com “Walking into sunshine”:

Larry chegou a participar de alguns grupos como o Peech Boys (antes chamado de New York Peech Boys), cujo underground hit “Don’t make me wait”, teve totalmente o seu toque:

E também o Man Friday com “Love honey, love heartache”:

O Paradise também atraía artistas que lá se apresentaram, tudo sob a permissão de Larry, incluindo Grace Jones (com ele na foto abaixo), Madonna (numa de suas primeiras  apresentações), Chaka Khan, Gwen Guthrie, New Order, Kurtis Blow, Liz Torres, Jocelyn Brown, ESG, Liquid Liquid, entre outros.

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Taana Gardner, por exemplo, seria uma mera desconhecida se Larry não acreditasse em músicas como “Heartbeat”, a qual tocava várias vezes até conquistar os dançarinos:

Outro que não podia faltar era Sylvester, ele adorava muitas vezes encerrar o set com “Over and Over” (no vídeo abaixo com cenas da pista do Paradise):

Um dos frequentadores assíduos do club era Keith Harring, que chegou a pintar uma parte das paredes do Paradise e era amigo íntimo de Larry, o qual ele até retratou.

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Harring também fez algumas festas por lá, como a Party of Life (cujo convite vemos abaixo):

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Mas, como tudo que é bom tem um fim, o Paradise fechou em 1987; isto aconteceu quando a Aids dizimou parte da população gay de NY nos anos 80 e início dos 90, além de problemas com os donos do imóvel, assim o proprietário do club, Brody, quando foi diagnosticado com a doença.

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Foram 10 anos de reinado absoluto de Levan naquela que era considerada sua casa, onde ele mandava e desmandava, onde ele até lustrava o globo de espelhos para tornar a experiência de dançar como algo realmente especial. Todos os detalhes tinham que estar perfeitos para que ele pudesse apenas se dedicar à música.

Com o final do PG, Larry vai se viciando cada vez mais em heroína, chegando a vender parte de seu acervo para sustentar o seu vício.

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Ele chegara a ser convidado para tocar em outros clubs, mas em nenhum deles os patrões aguentavam o seu estilo de vida, as suas crises de humor, a sua maneira autoritária de controlar a pista, dificilmente haveria um novo Paradise para ele.

Musicalmente, depois da disco, Larry experimentava com outras sonoridades e no final de sua vida já estava bem influenciado pela house music, a qual foi um dos percussores.

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No início dos 90, Larry é convidado para gigs em Londres, no recém aberto Ministry of Sound, bem como viagens ao Japão.

Porém sua saúde já estava debilitada, ele fora diagnosticado com Aids e tudo se tornava mais difícil e cansativo para ele.

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Larry faleceu em 1992, de falência no coração, resultado de uma endocardite.

O documentário “Maestro” é fundamental para entender mais sobre ele e toda esta religião que ele criou, pois há vários depoimentos de frequentadores do PG, que contam histórias e falam de noites inesquecíveis, além de imagens raras feitas dentro do club:

Recentemente, foi criado em NY, o Larry Levan Way, localizada na King Street, no local onde ele teve o seu auge com o Paradise Garage. Abaixo cenas da festa realizada no ano passado, com DJs e amigos dele prestando um tributo às músicas que ele tocava e que atraiu vários dos antigos habitués do club:

A influência de Larry e do Paradise foram tão grandes, que o estilo “Garage”, uma vertente da house que privilegia os vocais, tendo ao fundo uma base pesada e bem eletrônica, é denominada assim por causa dele e do club.

Larry levan - facada paradise

Atualmente está acontecendo uma campanha para financiar um filme sobre Larry e o Paradise Garage pelo Kickstarter e cujo endereço para contribuir é:

Além disso, Larry é constantemente reverenciado como o DJ mais influente e inovador de todos os tempos, suas produções e remixes são considerados clássicos de suma importância para tudo que foi criado depois; quando se fala em dance music, ele tem o seu lugar garantido como um deus, como uma figura lendária que nunca foi igualado em uma pista de dança.

 

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