Este é meu afilhado Iron, um rottweiller mix, para adoção responsável!
Muito brincalhão e carinhoso!
Como é "mixado" tem a vantagem de não crescer, vai ser sempre tamanho médio.
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Majorelle Cap. 1, o Pai Louis e o movimento Art Nouveau


É verdade que Divinos são os caminhos da intuição e jamais me decepciono quando  sigo esta luz.

Ocorre que, o Jardim de Majorelle em Marrakesch, é uma importantíssima instituição da cidade, que além de ser um dos maiores projetos paisagísticos  do século XX, foi a lendária residência de veraneio de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé.

Não apenas isso, apaixonada como sou por plantas, quero saber mais sobre o primeiro proprietário que deu nome a essa residência única, e sobre esse místico jardim que foi totalmente concebido e plantado por Jacques Majorelle, o filho.

Mas conforme me aprofundo, vejo que o pai de Jacques, Monsieur Louis Majorelle, foi nada mais, nada menos, que um dos maiores carpinteiros e mestres do movimento Art Nouveau, que sempre foi o meu estilo preferido.

Bapho.

Assim como um caranguejo, que dá pulos pra trás, descubro detalhes desse universo passado, de trás pra frente.

A seguir, desenrolo três gerações de arte, muito trabalho e magia!

Louis Majorelle (1859 – 1926) nasceu em Toul na França de um pai que também era fabricante e designer de móveis.

Quando os negócios da família se estabeleceram em Nancy, Louis que já desenvolvera gosto e senso artístico, foi então a Paris estudar arquitetura e pintura na École des Beaux-Arts.

Precoce, com apenas 11 anos, já havia produzido e vendido sua primeira peça: uma escultura.

Depois do falecimento de seu pai, Louis retornou a Nancy, para cuidar da fábrica de móveis da família, o que o ocuparia para o resto da vida.

A Fábrica:

A Fábrica da família Majorelle, foi construída pelo famoso arquiteto da École de Nancy, Lucien Weissenburger, e fica localizada no número 6 da Rue du Vieil-Aître.

O primeiro sinal de uma nova estética, estava em uma das doze peças mostradas na Exposição de 1894 d’Art et Decoratif Industrial Lorrain, onde Louis foi influenciado pelo designer de vidros e móveis Emile Gallé, que o levou para novas direções.

No início de 1890, os móveis de Majorelle, eram embelezados por marchetaria inspiradas na natureza usando folhas de vitória-régia, gavinhas e libélulas.

Antes de 1900, acrescentou um atelier  que trabalhava metais nas oficinas para produzir puxadores de gaveta que eram montados de acordo com as linhas fluidas e sinuosas do seu trabalho em madeira.

Seu estúdio também foi responsável pelo trabalho de ferro das varandas, corrimãos de escada, e detalhes exteriores em muitos edifícios em Nancy, assim ajudando a transformar a cidade em um dos principais centros europeus de Art Nouveau.

No apogeu da Belle époque, durante a Feira Mundial de Paris de 1900 (1900 Paris World Fair, Exposition Universalle), os projetos de Majorelle triunfaram, conseguindo assim uma clientela internacional.

A Villa Majorelle:

Assim como todo grande artista sempre tem uma casa incrível para se expressar, Louis construiu a sua Villa Majorelle, onde hoje funciona um museu.

Entre os industrialistas da época, era de costume ter a casa próxima do trabalho, e assim, a Villa Majorelle está situada bem em frente a fábrica de móveis de arte da família.

Ícone do Art Nouveau, esta Villa de três andares que representa o desabrochar do movimento, foi projetada pelo arquiteto parisiense Henri Sauvage (1873 – 1932) e também Weissenburger (o mesmo que projetou a fábrica).


Nela Majorelle projetou ele próprio toda a serralheria, os móveis e todo o trabalho em madeira, como a escadaria mostrada na colagem abaixo.

Além disso, contratou Jacques Gruber para fazer os todos os vitrais e a lareira (veja colagem) foi desenhada por Alexandre Bigot.

Seu estúdio pessoal, que fica localizado no terceiro andar, de frente para a janela em arco que lembram galhos de uma árvore ou flor.

A Villa Majorelle, já está na minha lista de roteiros de mansões históricas que devo visitar ao redor do mundo, sem dúvida.


École de Nancy:

Em 1901, Majorelle se tornou um dos membros fundadores e vice-presidente da École de Nancy, também conhecida como Alliance Provinciale des Indutries d’Art, que era um grupo de artistas, arquitetos, críticos de arte, e industrialistas da região de Lorraine, que decidiram trabalhar de uma forma colaborativa, predominando o estilo Art Nouveau.

Presidindo este grupo, estava Emille Gallé, que vamos falar logo mais, e também por Victor Prouvé que exigiam alto padrão de qualidade nas artes decorativas francesas, dando uma unidade visual ao estilo.

Emile Gallé (1846 – 1904):

Simplismente, não posso perder a oportunidade de falar sobre este artista que foi a grande força por trás do movimento Art Nouveau.

Seus designs naturalísticos combinavam técnicas inovativas, fazendo dele um  pioneiro entre os fabricantes de vidro do final do séc. XIX e início do séc. XX .

Por certo Gallé misturava em suas peças uma grande influência do Japonismo, com elementos da natureza e poesias.

Este que foi o presidente da École de Nancy até a sua morte em 1904, desenvolveu uma técnica de corte e esmalte nos seus designs que reforçavam as cores brilhantes e a transparência do material.

Para melhor ilustrar a importância do trabalho de Emile, os famosos Daum Brothers por exemplo, que colaboravam diretamente com Majorelle foram altamente inspirados pelo trabalho de Gallé.

Assim como Majorelle, Gallé nasceu em Nancy e seguia a mesma profissão do pai, que era fabricante de vidros de arte, Monsier Charles Gallé.


Adicionava um ar de mistério a suas peças, gravando nelas uma frase poética.

Gallé deixou a sua marca como grande artista de vidros durante a feira Union Centrale des Arts Decoratifs de Paris em 1884, onde exibiu 300 peças de grande variedade artística assim como técnica.


Em 1891, com sua fama crescendo internacionalmente, Gallé apenas mostrava  seu trabalho em galerias individuais onde a importância do seu trabalho já era reconhecida, sendo adquiridos por museus e colecionadores.

Durante a década de 1890, construiu a sua “Cristallerie d’Emile Gallé”, criando abundantemente suas peças e empregando um time de designers/artesãos, que manufaturavam seus desenhos assim como aplicavam a sua assinatura depois de sua aprovação.

Na sua fábrica trabalhavam 300 pessoas e a demanda era altíssima.

Revolucionaram a indústria de arte em vidro por serem os primeiros a produzirem peças em massa usando técnicas industriais.

WWI e o final da carreira de Louis Majorelle:

Com a explosão da primeira grande guerra, Majorelle esperava conseguir manter sua produção e ritmo de trabalho porém, sua fábrica pegou fogo numa manhã de novembro em 1916.

Apenas um ano depois, para piorar a péssima fase que atravessava, uma de suas lojas na Rue Saint-George, foi destruída por um bombardeio alemão, assim como sua loja em Lille foi saqueada.

Durante o período restante de guerra, Majorelle se mudou para Paris, onde trabalhou nos estúdios e ateliers de amigos que eram designers de móveis.

Após a guerra, reabriu sua fábrica e loja, continuou a colaborar com a vidraçaria dos Daum Brothers, mas os seus designs já apresentavam os sinais mais geométricos e retos do Art Déco.

Louis Majorelle faleceu em Nancy em 1926.

Depois de sua morte, a fortuna de sua família que havia se prejudicado imensamente com a guerra, não conseguia mais sustentar o peso das dívidas da Villa Majorelle e a casa foi vendida, passando por diversas modificações.

Até que a fábrica fechou em 1931.

Acontece que Louis deixou um filho único, que cresceu neste riquíssimo meio artístico, absorvendo tudo e levou adiante a sua sensibilidade.

Jacques Majorelle era o seu nome, e é sobre o seu legado que vamos falar no próximo post, fique ligado!

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