Nos anos 30, os filmes de terror começavam a bombar nas bilheterias e um dos filmes que mais sucesso teve foi a clássica estória do conde vampiro: “Dracula”.
Na minha opinião, “Dracula” é um dos filmes mais assustadores do cinema: a combinação da direção de Tod Browning (que depois dirigiu “Freaks”) com a interpretação de Bela Lugosi continua imbatível.
Além disso, Drácula com a maravilhosa fotografia em p&b e a atmosfera gótica combinou perfeitamente.
O filme foi lançado em 1931, foi o primeiro filme em que a Universal se aventurou em contar uma legítima história de terror e algo que acabou se tornando sua marca registrada.
O grande acerto foi a escolha de Bela Lugosi no papel principal. O ator combina tanto com o personagem que é difícil dissociá-lo da imagem icônica dele com seu figurino todo em preto e com a famosa capa, além da maquiagem esbranquiçada e da aparência assustadora.
Há várias lendas a respeito dele, mas uma coisa é certa: ele ficou marcado para sempre por este papel.
Lugosi era húngaro, seu inglês com sotaque dá um charme extra para o papel e por isso é considerado o Drácula definitivo. Um dos detalhes que acentuaram ainda sua interpretação foi o uso de um feixe de luz sobre seus olhos, tornando-o ainda mais aterrorizante.
Sua vontade de fazer o filme era tanta que ele aceitou trabalhar por um salário de 500 dólares por semana (um valor muito baixo mesmo para os tempos de depressão).
Quando ele foi escalado, ele já estava representando Drácula na Broadway e apesar de não ser conhecido como Lon Chaney (que era a primeira opção), ele conquistou o público com sua atuação.
A história não muda muito do que conhecemos e é baseada no livro de Bram Stoker.
Drácula vive em seu castelo na Transilvânia até receber a visita de Reinfeld (Dwight Frye) que vai até ele tratar de negócios.
Ele acaba descobrindo que na verdade Drácula é um vampiro e possui três esposas que vivem como que em transe e fazem todas suas vontades.
Reinfeld acaba sendo atacado por Drácula e vira uma espécie de escravo dele. Ao retornar para Londres, Reinfeld vai para o sanatório do Dr. Seward (Herbert Bunston), onde se alimenta de insetos.
Drácula vai para Londres onde conhece o Dr. Seward e sua filha Mina (Helen Chandler), além do noive John Harker (David Manners) e a amiga deles, Lucy Weston (Frances Dade).
Lucy fica fascinada com Drácula, mas o conde fica impressionado mesmo é com Mina.
Entra em cena o professor Van Helsing (Edward Van Sloan), que estuda o caso de Reinfeld e desconfia que ele tenha sido atacado por um vampiro.
Suas suspeitas se confirmam quando Lucy é atacada por Drácula e possui duas marcas de dentes em seu pescoço, além de estar totalmente anêmica.
Drácula tem poderes sobrenaturais como se transformar em morcego e lobo, além de hipnotizar pessoas, mas depende do sangue de suas vítimas para continuar a viver.
Drácula não desiste de Mina e tenta atacá-la várias vezes e transformando-a aos poucos em vampiro, mas não chega a consumar esta ação.
Jonh conta com a ajuda do Dr. Van Helsing para acabar com Drácula, descobrindo os pontos fracos do conde como: medo da claridade, hojeriza a cruzes e alho e sua destruição total através de uma estaca de madeira no coração.
O filme causou muitos calafrios e medos nas plateias, mas mesmo assim todos correram aos cinemas para conhecer de perto o conde Drácula.
Como ‘Nosferatu” de Murnau havia estreado em 1922, os produtores de Drácula se basearam em vários pontos do clássico do cinema expressionista alemão.
A Universal gostou tanto do resultado que providenciou uma continuação, “Dracula’s Daughter” e também investiu em outros monstros como o Frankenstein, lançando o filme com Boris Karloff no mesmo ano.
Apesar de todo seu sucesso como Drácula, Lugosi não participou da continuação e só voltou a repetir o papel em uma comédia de Abbot & Costello.
Em 1998, o músico Philip Glass criou um novo score para o filme, já que o filme original não possuía uma trilha própria e sim utilizava músicas já prontas.
Glass contou com a colaboração do Kronos Quartet, utilizando um quarteto de cordas que dá uma ótima atmosfera para o filme.
No filme “Ed Wood” há várias referências à Lugosi e sua obsessão por Drácula, inclusive mostrando seu vício em morfina e como ele era sempre lembrado por seu maior papel de todos: Drácula. No filme de Tim Burton ele é interpretado por Martin Landau (que ganhou o Oscar de Coadjuvante por sua atuação).
Quando Lugosi faleceu em 1956, ele foi enterrado utilizando a capa que pertenceu ao personagem.
No ano passado, o filme completou 80 anos e mesmo assim, continua a ser um dos grandes clássicos do terror e a primeira versão de muitas que o cinema fez sobre o conde vampiro e sua maldição que sempre vai fascinar as platéias.









































































