Bom dia com a paixãozinha da America elétrica, filha de @daniela54321 Posso passar a vida olhando pra essa carinha ❤️Virginia Biddle, atriz e bailarina do Ziegfeld Follies. Hoje no site www.japagirl.com.br/blog/dj-sets/todays-sound-ziegfeld-por-arthur-mendes-rocha/Paixão de lobinho, Tiguelitos ❤️Meu amor Tigre e a roseira roxa. Bom dia, boa semana!
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Posts Tagged ‘Arthur Mendes Rocha’

TODAY’S SOUND: MUSIC NATION BRANDY & COKE – DOC SOBRE UK GARAGE POR ARTHUR MENDES ROCHA

A revista Dazed & Confused se uniu ao Channel 4 para produzir uma série de 05 mini-documentários dentro do projeto Music Nation e cada um deles abordando movimentos musicais ocorridos na Inglaterra nos últimos anos.

uk garage - foto 1

O resultado ficou muito bom e merece ser visto – esta semana falaremos de cada um deles iniciando por “Brandy & Coke”, cujo tema é o UK Garage.

O doc foi dirigido por Ewen Spencer, fotógrafo que trabalhava para a revista Sleazenation e que se apaixonou pelo ritmo nos anos 90, registrando os dançarinos, as pessoas que curtiam frequentar as noites dedicadas ao UK Garage.

uk garage - foto 2

UK Garage ou Speed Garage (como também era denominado na época) foi um gênero musical surgido na Inglaterra no final dos anos 90 e cuja batida era uma mistura da house americana e ítalo house com a velocidade aumentada (daí o speed), mais a influência do drum & bass, além de batidas pesadas e com o baixo bem acentuado.

uk garage - foto 3

Como vemos num dos depoimentos, o povo da cena não gostava do nome speed garage, preferia até acid garage, mas era uma maneira das gravadoras rotularem o gênero e lucrar com o mesmo.

Por volta de 1997/1998, este era o ritmo que dominava a juventude inglesa, que adora sair para dançar e se acabar nas pistas de dança; era uma cena que acontecia aos domingos, já que as licenças para sábado eram difíceis de serem obtidas. E outra: o movimento começou como uma extensão do que fazer após sábado à noite.

uk garage - foto 4

Para ter uma ideia do tamanho da coisa, no réveillon de 1998 havia 49 eventos de UK Garage em Londres.

 O UK Garage originou-se também das pirate rádios (rádios piratas), como a Flex FM, algo muito forte na cultura inglesa e que determinou o gosto musical de toda uma geração.

uk garage - foto 5

As pirate radios eram feitas por amantes da música cujo principal objetivo era criar uma cena, fazendo com que a música underground, tocadas nos clubs londrinos, chegassem ao maior número de ouvintes.

Um dos grandes hits do UKG foi “Gabriel” de Roy Davis Jr.:

Tudo começou no sul de Londres, um grupo de DJs, produtores, MCs, começaram a produzir este som bem sujo, mais do gueto mesmo, feito na maioria por negões que tem a música na alma, com pitadas de jungle, ragga, música caribenha, reggae entre vários outros ritmos e culturas.

uk garage - foto 6

 

O doc mostra um pouco desta cena, é rápido de ver, com duração de 23 minutos, e pode ser assistido abaixo:

 

“Brandy & Coke” traz depoimentos de pessoas fundamentais do UK Garage como Matt ‘Jam” Lamont, produtor que junto com Karl “Tuff Enuff” Brown criou o hypado duo Tuff Jam, que tantos hits produziu na época como “Never gonna let you go’ com os poderosos vocais de Tina Moore:

Além dele, também dão depoimentos Craig David, outro artista que bombou na época, Mighty Moe, Kano, MC Creed, Mike ‘Ruff Cut” Lloyd, DJ Smokey Bublin’, Scott Garcia, cuja música ‘London Thing’, tendo nos vocais MC Styles, nos transporta bem para toda a cena UK Garage, incluindo algumas cenas dos clubs, proclamando que isto era uma coisa de Londres:

Outra música presente no doc é “Black Puppet” de Noodles (que também assina como Groove Chronicles):

Outro fator fundamental no UK Garage é o visual para frequentar as noites, o povo se montava em “fancy lothes” de grifes como Versace, Moschino, Dolce & Gabbana, Patrick Cox, entre outras, muitas vezes os homens usavam paletós, camisas sociais, enquanto as mulheres se montavam em vestidos colados, calças jeans coloridas, mocassins, era uma reação ao estilo ‘baggy” usado pelos ravers.

UKG by Ewen Spencer

 

O drink da noite era champanhe, uísque, tudo era meio ostentação mesmo e atraía muitas mulheres, era uma cena bem hetero e com poucas drogas (no começo).

Lembro que quando estive em Londres em 1997, a princesa Diana havia falecido no dia anterior, era domingo à noite e eu queria muito ir a Twice as Nice, uma das noites mais famosas do gênero, cujo club era comandado por Steve Gordon e ficava em Vauxhall.

ukg  foto 8

Ao chegar lá, me deparei com as pessoas abaladas com a morte de sua princesa, mas também querendo se divertir, a música era dark, a batida rápida, mas o ritmo extremamente contagiante e grooveado e os negões dando shows na pista; não tive dúvidas e me juntei a eles e dancei até a noite acabar.

A Twice as Nice era uma evolução do Gas Club, fazia fila na porta, era reverenciada nas revistas de comportamento como a The Face (que deu a capa para o UK Garage), além de ser frequentado por Dave e Victoria Beckham, Jay-Z, Wesley Snipes, Jennifer Lopez, entre outras celebridades.

uk garage - face cover

 

Outro sucesso também presente na trilha do doc é “Love Bug” de Ramsey & Fen, que nos conquista com seu groove e os vocais de Lynsey Moore:

Várias outras noites também foram surgindo como a Cookies & Cream, Exposure, Garage Nation e muitas outras, até que o gênero virou mainstream e acabou cansando.

Outra razão para que a cena ficasse desgastada foi o aumento da violência, além das brigas de gangues, bem como o fim das pirate rádios, já que eram ilegais e não demorou para que a polícia acabasse com a festa.

UKG by Ewen Spencer

 

Mas aos poucos o UK Garage vai tendo seu revival, ainda misturado com outras cenas, mas velhos rostos vão reaparecendo e a música vai sendo renovada, muitas fotos bacanas (inclusive a maioria deste post) são do livro “UKG” e foram clicadas por Spencer, que lançou o livro pela editora GOST.

ukg - book

 

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Today’s Sound: Dracula (1931) por Arthur Mendes Rocha

Nos anos 30, os filmes de terror começavam a bombar nas bilheterias e um dos filmes que mais sucesso teve foi a clássica estória do conde vampiro: “Dracula”.

Na minha opinião, “Dracula” é um dos filmes mais assustadores do cinema: a combinação da direção de Tod Browning (que depois dirigiu “Freaks”) com a interpretação de Bela Lugosi continua imbatível.

Além disso, Drácula com a maravilhosa fotografia em p&b e a atmosfera gótica combinou perfeitamente.

O filme foi lançado em 1931, foi o primeiro filme em que a Universal se aventurou em contar uma legítima história de terror e algo que acabou se tornando sua marca registrada.

O grande acerto foi a escolha de Bela Lugosi no papel principal. O ator combina tanto com o personagem que é difícil dissociá-lo da imagem icônica dele com seu figurino todo em preto e com a famosa capa, além da maquiagem esbranquiçada e da aparência assustadora.

Há várias lendas a respeito dele, mas uma coisa é certa: ele ficou marcado para sempre por este papel.

Lugosi era húngaro, seu inglês com sotaque dá um charme extra para o papel e por isso é considerado o Drácula definitivo. Um dos detalhes que acentuaram ainda sua interpretação foi o uso de um feixe de luz sobre seus olhos, tornando-o ainda mais aterrorizante.

Sua vontade de fazer o filme era tanta que ele aceitou trabalhar por um salário de 500 dólares por semana (um valor muito baixo mesmo para os tempos de depressão).

Quando ele foi escalado, ele já estava representando Drácula na Broadway e apesar de não ser conhecido como Lon Chaney (que era a primeira opção), ele conquistou o público com sua atuação.

A história não muda muito do que conhecemos e é baseada no livro de Bram Stoker.

Drácula vive em seu castelo na Transilvânia até receber a visita de Reinfeld (Dwight Frye) que vai até ele tratar de negócios.

Ele acaba descobrindo que na verdade Drácula é um vampiro e possui três esposas que vivem como que em transe e fazem todas suas vontades.

Reinfeld acaba sendo atacado por Drácula e vira uma espécie de escravo dele. Ao retornar para Londres, Reinfeld vai para o sanatório do Dr. Seward (Herbert Bunston), onde se alimenta de insetos.

Drácula vai para Londres onde conhece o Dr. Seward e sua filha Mina (Helen Chandler), além do noive John Harker (David Manners) e a amiga deles, Lucy Weston (Frances Dade).

Lucy fica fascinada com Drácula, mas o conde fica impressionado mesmo é com Mina.

Entra em cena o professor Van Helsing (Edward Van Sloan), que estuda o caso de Reinfeld e desconfia que ele tenha sido atacado por um vampiro.

Suas suspeitas se confirmam quando Lucy é atacada por Drácula e possui duas marcas de dentes em seu pescoço, além de estar totalmente anêmica.

Drácula tem poderes sobrenaturais como se transformar em morcego e lobo, além de  hipnotizar pessoas, mas depende do sangue de suas vítimas para continuar a viver.

Drácula não desiste de Mina e tenta atacá-la várias vezes e transformando-a aos poucos em vampiro, mas não chega a consumar esta ação.

Jonh conta com a ajuda do Dr. Van Helsing para acabar com Drácula, descobrindo os pontos fracos do conde como: medo da claridade, hojeriza a cruzes e alho e sua destruição total através de uma estaca de madeira no coração.

O filme causou muitos calafrios e medos nas plateias, mas mesmo assim todos correram aos cinemas para conhecer de perto o conde Drácula.

Como ‘Nosferatu” de Murnau havia estreado em 1922, os produtores de Drácula se basearam em vários pontos do clássico do cinema expressionista alemão.

A Universal gostou tanto do resultado que providenciou uma continuação, “Dracula’s Daughter” e também investiu em outros monstros como o Frankenstein, lançando o filme com Boris Karloff no mesmo ano.

Apesar de todo seu sucesso como Drácula, Lugosi não participou da continuação e só voltou a repetir o papel em uma comédia de Abbot & Costello.

Em 1998, o músico Philip Glass criou um novo score para o filme, já que o filme original não possuía uma trilha própria e sim utilizava músicas já prontas.

Glass contou com a colaboração do Kronos Quartet, utilizando um quarteto de cordas que dá uma ótima atmosfera para o filme.

No filme “Ed Wood” há várias referências à Lugosi e sua obsessão por Drácula, inclusive mostrando seu vício em morfina e como ele era sempre lembrado por seu maior papel de todos: Drácula. No filme de Tim Burton ele é interpretado por Martin Landau (que ganhou o Oscar de Coadjuvante por sua atuação).

Quando Lugosi faleceu em 1956, ele foi enterrado utilizando a capa que pertenceu ao personagem.

No ano passado, o filme completou 80 anos e mesmo assim, continua a ser um dos grandes clássicos do terror e a primeira versão de muitas que o cinema fez sobre o conde vampiro e sua maldição que sempre vai fascinar as platéias.

Agentes funerários levam o corpo de Bela Lugosi

Bela Lugosis's Dead. R.I.P

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Today’s Sound: The Lady from Shanghai por Arthur Mendes Rocha

‘The Lady from Shanghai” (A Dama de Xangai) é um filme escrito, dirigido e atuado por Orson Welles e com Rita Hayworth, de 1947, e mistura noir com mistério e uma intriga de nos deixar atônitos.

Na época em que o filme foi rodado, o casamento de Welles e Hayworth já estava se desintegrando, logo este foi uma maneira dele reacender a chama e também fazer um clássico noir. Eles acabaram por se separar logo após o filme ser lançado.


Welles baseou-se no livro “If I die before I wake” de Sherwood King.

Aqui ela faz mais um papel de Elsa, uma femme fatale, mulher bonita e perigosa, que complica a vida Michael (Welles), homem que a conhece salvando-a de um assalto.

No início do filme, o próprio Welles fala que havia se deixado levar, que bancara o idiota e isso ele deixa claro ao decorrer da trama.

É claro que Elsa seduz Michael, mesmo sendo casada com o advogado Lannister (Everett Sloane), cujo sócio, Grisby (Glen Anders), faz uma proposta a Michael: fingir que o mata para ele puder fugir com o dinheiro do seguro, assim não tendo o corpo, Michael não seria preso.

Só que a trama vai ficando cada vez mais complicada e Elsa está por trás deste plano, onde quer se livrar do marido e ainda sair bem financeiramente.

Welles filma Hayworth com paixão, em cada cena ela está mais deslumbrante, com seu look platinado e com cabelos mais curtos (idéia do próprio Welles), além dos belíssimos gowns (vestidos) de Jean Louis (que vestiu muitas das estrelas da época, além de ter feito os vestidos de “Gilda”, filme que lançou Hayworth ao estrelato).

O todo poderoso chefão da Columbia Pictures (distribuidora do filme), Harry Cohn, exigiu que Welles fizesse mais close-ups de Rita além de obrigá-lo a inserir a música “Please don’t Kiss me” para mostrar os dotes da estrela, como vemos na cena abaixo:

‘Lady from Shanghai” tem várias cenas incríveis filmadas com maestria por Welles, com planos elaborados, fotografia, além de ótimos diálogos como nesta cena onde ele cita o Brasil, falando dos tubarões de Fortaleza que acabam se matando uns aos outros (como os personagens no filme):

Mas a cena ápice do filme é a famosa perseguição no parque de diversões abandonado, com a cena da sala de espelhos, onde Welles faz um jogo de imagens refletidas, usando e abusando de várias imagens repetidas na tela, confundindo os personagens que tentam acertar uns aos outros. A cena é extremamente bem feita, com excelente design de produção e edição, sendo que na versão que Welles imaginava ela teria 20 minutos de duração e não os três minutos que o estúdio lhe impôs:

O filme enfrentou vários problemas, já que um filme de Welles nunca é simples: teve estouro de orçamento, cenas tiveram que ser rodadas novamente, fazendo com que o filme fosse somente lançado no ano seguinte, estreando em 1948.

“Lady from Shanghai” foi filmado em locações em São Francisco, mostrando lindas tomadas de alguns pontos da cidade como em Chinatown, e também em Acapulco, nas cenas do iate e praias. Outro detalhe interessante é que o iate utilizado nas filmagens pertencia a Errol Flynn, que emprestou a seu amigo Welles.


Até hoje, não se tem notícias do destino das cenas originalmente filmadas pelo diretor, o que faria o filme ter umas três horas de duração, mas com certeza seriam geniais, vindo de um talento como Welles.

O filme não fez sucesso em arrecadação, o público não entendeu o filme direito e nem aceitou a mudança de visual de Hayworth.

Recentemente ele foi homenageado por David Lynch no comercial “Lady from Shanghai”, que ele dirigiu para a Dior.

Hoje o filme é reverenciado pelos críticos que não se cansam de elogiar a maestria e genialidade de Welles neste brilhante filme noir.

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