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Posts Tagged ‘bela lugosi’

Today’s Sound : Dracula Prince of Darkness‏ por Arthur Mendes Rocha

Outro Dracula que dominou os filmes de terror nos anos 60/70 foi o interpretado por Christopher Lee em “Dracula, Prince of Darkness’ (Dracula, o Príncipe das Trevas).

O filme foi produzido pelo estúdio da Hammer, um estúdio inglês especializado em produções de orçamentos menores, mas que acabou criando um estilo inconfundível e admirado pelos fãs dos filmes de terror.

“Dracula, Prince of Darkness” foi produzido em 1966, após o sucesso do primeiro filme de 1958, que também estrelava Christopher Lee.

O filme foi dirigido por Terrence Fisher, o mesmo da primeira versão e que se especializou na direção de filmes de terror, alguns de sucesso, outros nem tanto.

Christopher Lee foi, sem dúvida, outro excelente vampiro; sua atuação como o conde é aterrorizante, cada aparição sua na tela é assustadora.

Junto com Bela Lugosi (e mais tarde Gary Oldman), ele foi um dos melhores Dráculas de todos os tempos.

Lembro de ter visto o filme pela primeira vez numa sessão Coruja da Rede Globo e fiquei sem conseguir dormir de tão impressionado.

A estória começa com cenas do fim do primeiro filme, no qual o Prof. Van Helsing (Peter Cushing, que não está neste segundo filme) destruiu Drácula, expondo-o ao sol que o transformou em cinzas.

Dez anos se passaram e o filme começa com a suspeita de vítimas do vampirismo.

Em uma estalagem, o padre Sandor (Andrew Keir), avisa a um grupo de turistas, os irmãos Kent e suas respectivas esposas, a não visitarem o castelo de Karlsbad.

Eles acabam perdidos na floresta perto do castelo e sua carruagem enfeitiçada (e agora sem motorista) acaba os levando para o castelo, onde uma mesa e quartos estão á sua espera.

O criado de Drácula, Klove (Philip Latham), atrai Alan Kent (Charles Tingwell) para o porão e o mata, pendurando-o e fazendo com que o seu sangue se mistura com as cinzas de Drácula e o revive, conforme cena abaixo.

A primeira vítima de Drácula acaba sendo Helen Kent (Barbara Shelley), que se torna uma escrava do vampiro.

O casal remanescente, Charles e Diana Kent (Francis Mathews e Suzan Farmer), saem em busca de seus amigos e deparam com Helen transformada pela mordida de Drácula.

Eles ficam sabendo através de Sandor dos poderes de Drácula, enquanto este tenta atacar Diana de todas as maneiras.

Depois de muitas perseguições e tentativas, Charles e Sandor tentam defender Diana e destruir o conde.

O final do filme é inovador, pois foge da luta com crucifixos e sol, já que desta vez temos ao fundo um chão coberto de gelo que vai se quebrando e a tentativa de fazer com que Drácula morra congelado, destruindo o gelo para que este se quebre.

Os estúdios da Hammer criaram um estilo próprio: seus filmes são carregados de cores com o uso do Technicolor, violência gráfica, além de um bom elenco de atores ingleses e mulheres atraentes, sempre utilizando decotes e roupas sensuais.

Abaixo, um making of do filme com ótimas cenas dos bastidores do filme como Christopher sendo maquiado, o diretor Terrence Fisher em ação, detalhes do cenário do Castelo e inclusive da cena final com o dublê do ator:

Christopher Lee não fala nada neste filme, pois ele não havia gostado do roteiro e recusou-se a ter diálogos. Mesmo assim, cada aparição sua é marcante, com seu porte, sua maquiagem, os olhos vermelhos, o figurino com a enorme capa, ele é realmente o Drácula que marcou a década de 60/70.

Depois deste filme, Christopher ainda fez mais filmes como Drácula, mas também fez vários outros filmes como “Wicker Man” e até vilão de James Bond (em ‘007 contra o homem com a pistola de ouro”). Ele inovou o jeito de ser do vampiro, tornando-o mais sensual e moderno.

O ator completou 90 anos este ano e continua na ativa, ele fez recentemente a trilogia do Senhor dos Anéis como Saruman.

Barbara Shelley era presença constante em vários filmes na Hammer, onde se especializou em filmes de terror.

Ela faz uma excelente vampira, sendo que um comentário interessante dela sobre este filme foi que, em uma das cenas, ela quase engoliu seus dentes de vampira.

A versão em blu-ray foi lançada este ano na Inglaterra, incluindo um documentário e outros bônus.

“Dracula, Prince of Darkness’ foi um sucesso de público e crítica e é considerado por muitos o “Quintessential Hammer movie” (o filme da Hammer por excelência).

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Today’s Sound: Dracula (1931) por Arthur Mendes Rocha

Nos anos 30, os filmes de terror começavam a bombar nas bilheterias e um dos filmes que mais sucesso teve foi a clássica estória do conde vampiro: “Dracula”.

Na minha opinião, “Dracula” é um dos filmes mais assustadores do cinema: a combinação da direção de Tod Browning (que depois dirigiu “Freaks”) com a interpretação de Bela Lugosi continua imbatível.

Além disso, Drácula com a maravilhosa fotografia em p&b e a atmosfera gótica combinou perfeitamente.

O filme foi lançado em 1931, foi o primeiro filme em que a Universal se aventurou em contar uma legítima história de terror e algo que acabou se tornando sua marca registrada.

O grande acerto foi a escolha de Bela Lugosi no papel principal. O ator combina tanto com o personagem que é difícil dissociá-lo da imagem icônica dele com seu figurino todo em preto e com a famosa capa, além da maquiagem esbranquiçada e da aparência assustadora.

Há várias lendas a respeito dele, mas uma coisa é certa: ele ficou marcado para sempre por este papel.

Lugosi era húngaro, seu inglês com sotaque dá um charme extra para o papel e por isso é considerado o Drácula definitivo. Um dos detalhes que acentuaram ainda sua interpretação foi o uso de um feixe de luz sobre seus olhos, tornando-o ainda mais aterrorizante.

Sua vontade de fazer o filme era tanta que ele aceitou trabalhar por um salário de 500 dólares por semana (um valor muito baixo mesmo para os tempos de depressão).

Quando ele foi escalado, ele já estava representando Drácula na Broadway e apesar de não ser conhecido como Lon Chaney (que era a primeira opção), ele conquistou o público com sua atuação.

A história não muda muito do que conhecemos e é baseada no livro de Bram Stoker.

Drácula vive em seu castelo na Transilvânia até receber a visita de Reinfeld (Dwight Frye) que vai até ele tratar de negócios.

Ele acaba descobrindo que na verdade Drácula é um vampiro e possui três esposas que vivem como que em transe e fazem todas suas vontades.

Reinfeld acaba sendo atacado por Drácula e vira uma espécie de escravo dele. Ao retornar para Londres, Reinfeld vai para o sanatório do Dr. Seward (Herbert Bunston), onde se alimenta de insetos.

Drácula vai para Londres onde conhece o Dr. Seward e sua filha Mina (Helen Chandler), além do noive John Harker (David Manners) e a amiga deles, Lucy Weston (Frances Dade).

Lucy fica fascinada com Drácula, mas o conde fica impressionado mesmo é com Mina.

Entra em cena o professor Van Helsing (Edward Van Sloan), que estuda o caso de Reinfeld e desconfia que ele tenha sido atacado por um vampiro.

Suas suspeitas se confirmam quando Lucy é atacada por Drácula e possui duas marcas de dentes em seu pescoço, além de estar totalmente anêmica.

Drácula tem poderes sobrenaturais como se transformar em morcego e lobo, além de  hipnotizar pessoas, mas depende do sangue de suas vítimas para continuar a viver.

Drácula não desiste de Mina e tenta atacá-la várias vezes e transformando-a aos poucos em vampiro, mas não chega a consumar esta ação.

Jonh conta com a ajuda do Dr. Van Helsing para acabar com Drácula, descobrindo os pontos fracos do conde como: medo da claridade, hojeriza a cruzes e alho e sua destruição total através de uma estaca de madeira no coração.

O filme causou muitos calafrios e medos nas plateias, mas mesmo assim todos correram aos cinemas para conhecer de perto o conde Drácula.

Como ‘Nosferatu” de Murnau havia estreado em 1922, os produtores de Drácula se basearam em vários pontos do clássico do cinema expressionista alemão.

A Universal gostou tanto do resultado que providenciou uma continuação, “Dracula’s Daughter” e também investiu em outros monstros como o Frankenstein, lançando o filme com Boris Karloff no mesmo ano.

Apesar de todo seu sucesso como Drácula, Lugosi não participou da continuação e só voltou a repetir o papel em uma comédia de Abbot & Costello.

Em 1998, o músico Philip Glass criou um novo score para o filme, já que o filme original não possuía uma trilha própria e sim utilizava músicas já prontas.

Glass contou com a colaboração do Kronos Quartet, utilizando um quarteto de cordas que dá uma ótima atmosfera para o filme.

No filme “Ed Wood” há várias referências à Lugosi e sua obsessão por Drácula, inclusive mostrando seu vício em morfina e como ele era sempre lembrado por seu maior papel de todos: Drácula. No filme de Tim Burton ele é interpretado por Martin Landau (que ganhou o Oscar de Coadjuvante por sua atuação).

Quando Lugosi faleceu em 1956, ele foi enterrado utilizando a capa que pertenceu ao personagem.

No ano passado, o filme completou 80 anos e mesmo assim, continua a ser um dos grandes clássicos do terror e a primeira versão de muitas que o cinema fez sobre o conde vampiro e sua maldição que sempre vai fascinar as platéias.

Agentes funerários levam o corpo de Bela Lugosi

Bela Lugosis's Dead. R.I.P

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Today’s Sound: Freaks por Arthur Mendes Rocha

O post de hoje é sobre um dos meus filmes de terror favoritos, uma produção controversa e que foi banido em algumas cidades americanas, na Inglaterra e na Austrália: “Freaks”.

‘Freaks” é um filme preto e branco de 1931, dirigido por Tod Browning, famoso por ter dirigido a primeira versão de “Drácula” com Bela Lugosi e por suas colaborações com Lon Chaney (ator famoso por encarnar tipos inusitados).

Um dos grandes atrativos do filme é que o diretor optou por utilizar freaks de verdade, ou seja, aberrações verdadeiras que ele e sua equipe pesquisaram nos circos da época. Evitando o uso de artifícios como maguiagem, isto acabou sendo um golpe contra ele mesmo, já que o público da época não entendeu o que aquele bando de gente esquisita estava fazendo lá. Abaixo confiram algumas cenas do filme:

O diretor foi extremamente corajoso e abraçou a causa de levar ás telas a história curta, ‘Spurs”, com este elenco desconhecido e fora dos padrões e o estúdio era nada menos que a própria Metro Goldwyn Mayer.

A história gira em torno de um casamento arranjado pela sinistra Cleopatra, que na verdade é um ser humano normal e que resolve tornar-se a esposa de um anão (Hans), por interesse na fortuna dele. Só que seu plano é descoberto, ela é amante de Hercules, o homem forte e normal do circo, gerando a revolta dos freaks.

Outra grande sacada do filme é sua tentativa de humanizar os freaks, sendo que os humanos normais são do mal e os freaks são do bem.

O filme se passa todo nestes circos antigos de aberrações (nos EUA são conhecidos como carnival) daí temos a mulher barbada, as gêmeas que nasceram grudadas, o homem torso (sem braços e pernas), a mulher que é metade homem, além de vários anões dos mais diferentes tipos e figuras bem esquisitas com cabeças pequenas, deformidades, como o homem esqueleto (foto abaixo) e também a garota-passarinho (bird girl).


“Freaks’ teve uma recepção desastrosa nos chamados test-screenings (as projeções teste para ver a recepção da audiência). O público repudiou o filme e suas criaturas e a MGM exigiu cortes e uma diminuição da projeção, encurtando o filme de 90 minutos originais para 64 minutos.

Também exigiu que o filme tivesse um final feliz, cena esta que acabou sendo criada e que não estava no roteiro original, com o casal de anões principais se reconciliando (o que foi amenizado no filme, já que na vida real eles eram irmãos).

Além disso, na Inglaterra, o filme acabou sendo banido durante trinta anos, bem como na Austrália.

Um detalhe interessante é que a idéia original da MGM era colocar as atrizes Myrna Loy e Jean Harlow no elenco, mas a idéia foi abandonada.

Tod Browning acabou sofrendo uma espécie de maldição pelo filme, já que ficou sem trabalho por vários anos depois de tê-lo dirigido.

O filme acabou se tornando um cult com o passar dos anos, especialmente quando foi redescoberto no início dos anos 60 pelos adeptos da contracultura e virou programa obrigatório nas sessões da meia-noite em alguns cinemas americanos dos anos 70 e 80.

Hoje revendo o filme, ele continua a chocar, já que ele é completamente diferente de tudo que vimos, seus climas de sombras, a atmosfera do circo, os freaks todos se unindo contra quem queria prejudicá-los, é um belo tratado sobre a intolerância social.

Na cena do confronto final entre Cleopatra e Hans, a música tocada na flauta é o “Mournful Tune”, da ópera ‘Tristão e Isolda” de Richard Wagner.

Na versão original, que acredita-se perdida para sempre, os freaks castravam Hercules e o filme terminava com ele cantando em falsetto. Em relação à Cleopatra, ela fugia em uma tempestade e uma árvore a atingia cortando suas pernas e os freaks cobriam-na com a lama da chuva. Abaixo vemos alguns destes finais alternativos:



Eu consegui ver o filme apenas na década de 90, tendo que importar uma fita VHS para ter acesso ao filme, já que no Brasil não havia sido lançado nem em vídeo.

Nesta versão havia a cena em que Cleopatra é transformada numa mulher-pato, com deformações que tornam seus como pés como patas e torso com penas, ela acaba se tornando uma atração daquele circo de horrores.





Hoje em dia, o filme pode ser encontrado em locadoras nacionais, lançado pela distribuidora Magnus Opus.

Em Los Angeles, haverá uma sessão especial ainda este mês no Egyptian Theatre da American Cinemateque em homenagem as oitenta anos deste incompreendido filme, que estava há anos-luz na frente de seu tempo.

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