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Today’s Sound: Isaac Hayes por Arthur Mendes Rocha

Ele foi uma das grandes vozes do soul, flertando com o funk e a disco, Isaac Hayes foi o primeiro músico negro a ganhar um Oscar e chegou a ser um rei honorário na África.

Isaac Hayes era órfão de pai e mãe e foi criado pelos avôs, ele cantava na igreja desde pequeno e viu que através da música, as garotas se interessavam por ele.

Entre os muitos empregos que teve para se manter, um deles foi cozinhando em restaurantes, o que o levou a ter paixão pela culinária.

Ele se juntou ao grupo musical de sua escola, aprendeu a tocar saxofone e piano, bem como  participou de grupos de gospel, do-wop,  jazz e blues.

Foi em 1964 que ele conseguiu um emprego como músico na gravadora Staxx, trabalhando com Ottis Redding e logo viria a trabalhar como compositor de Carla Thomas, Sam & Dave, entre outros.

Hayes acabou por moldar na Staxx o que ficou conhecido como o “Memphis sound”, o típico som feito pelos artistas negros daquela região e que acabou influenciando de Ray Charles a Elvis Presley.

Em 1969, ele lança o disco que mudaria para sempre sua carreira: “Hot buttered soul”, composto de apenas quatro músicas enormes como “Walk on by”

O disco foi um sucesso, chegou a primeiro lugar na parada R&B da Billboard e mostrava uma nova direção do soul, com arranjos mais elaborados e uma nova concepção do álbum de soul, até mesmo a capa com a cabeça de Isaac raspada era revolucionária.

Mas foi em 1971 que Hayes lançaria o disco que virou sua marca registrada: a trilha sonora do filme “Shaft”. O filme foi um hit inesperado, era blaxploitation, mas teve um sucesso comercial retumbante, sendo que era a primeira vez que um artista soul tinha um disco em primeiro lugar nas paradas de R&B e Pop ao mesmo tempo:

Além disso, a trilha ganhou o Oscar, o Globo de Ouro e três Grammys.

Seu disco seguinte, “Black Moses” também foi um hit, incluindo o sucesso “Never can say goodbye” e fazendo-o excursionar pela Europa pela primeira vez:

Entre 1969 e 1980, Hayes chegou a ter vinte álbuns nas paradas de sucessos, inclusive tendo dois álbuns ao mesmo tempo nos charts no início dos anos 70.

Nos anos seguintes, Hayes lançou muitos álbuns, participou como ator em vários filmes e séries, sua música foi sampleada por artistas que vão de Portishead a Destiny’s Child, passando por Dr Dre e Snoop Dogg.

Seu trabalho humanitário também começou com força total, depois de uma viagem a África, onde ele até chegou a ser coroado rei honorário em Gana. Ele fundou a Isaac Hayes Foundation para oferecer estudo e condições aos necessitados.

Nos últimos anos de sua vida, Hayes ficou conhecido pelas novas gerações como a voz do Chef em “South Park”, do qual se afastou pelo programa por fazer críticas à Cientologia.

Ele faleceu em 2006 e será sempre lembrado por sua incrível contribuição artística, seja na música, cinema e TV além de suas causas humanitárias.

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Today’s Sound: Pearl Jam Twenty por Arthur Mendes Rocha

Esta semana será dedicada a alguns documentários musicais recentes, outros cults e até alguns docs especiais feitos para a BBC.

Hoje falaremos de um documentário do ano passado, mas que só consegui ver recentemente que é “Pearl Jam Twenty”.

O filme é dirigido por Cameron Crowe, que já foi um jornalista de música da revista Rolling Stone, antes de ser um diretor famoso por filmes como “Quase Famosos”. Ele foi o escolhido pela banda para contar a história dos vinte anos de carreira do Pearl Jam.


O doc é recheado de imagens inéditas, muitas delas feita por amadores, na época em que o grunge começava a aparecer em Seattle e as bandas que se destacavam neste gênero.

Inclusive “Pearl Jam Twenty” está disponível em sua totalidade no youtube, dividido em 12 partes, conforme link abaixo:

Tudo começa falando-se do Mother Love Bone, a banda que deu origem ao Pearl Jam, o que só veio a acontecer depois que o vocalista Andrew Wood faleceu de uma overdose de heroína.

Os demais integrantes acabaram procurando um novo vocalista e aí chegaram em Eddie Vedder, que mandou uma fita cassete com ele cantando e assim ele conseguiu ser o vocalista do Pearl Jam.


Antes disso, Eddie cantou no Temple of Dog, banda em homenagem a Andrew, formada pelo Chris Cornell (do Soundgarden) e com os integrantes do Mother Love Bone. Ano passado, eles se reuniram para comemorar o aniversário do Pearl Jam, como mostra o vídeo abaixo:

Aos poucos, o doc vai contando como o Pearl Jam começou, fazendo shows pequenos, em lugares apertados, até estourar na mídia e começar a lotar estádios.

Tudo é mostrado na íntegra: imagens destes shows, lançamento do primeiro disco ‘Ten”, que chegou a primeiro lugar na Billboard, o estouro do movimento grunge, as matérias de programas americanos como a MTV, tudo com depoimentos dos integrantes da banda.


Um dos momentos mais bacanas é quando se fala na morte de Kurt Cobain e o quanto isto foi um baque na cena e mesmo na banda, que passou a se questionar se valia á pena continuar ou se parava com tudo.

Também conhecemos melhor o perfil deles e de Eddie Vedder, mostrando ser um cara altamente politizado, preocupado em participar das causas que acredita e não se importando muito com o sucesso (o doc mostra a indiferença dele ao receber o Grammy).

Outro ponto alto é o em que falam da briga com a Ticketmaster (o maior vendedor de ingressos de shows do mundo), com cenas em tribunais e tudo mais.

Há muitas cenas de shows com várias músicas conhecidas da banda, mostrando a reação da platéia, tudo filmado bem de perto, fícamos nos sentindo como parte dos bastidores destes concertos de rock em grandes arenas. Inclusive uma das cenas mostra eles interpretando “Better Man” com toda a platéia cantando junto em Cornice, na Itália:

Outra coisa legal são os filminhos amadores feito por pessoas da equipe ou até mesmo por eles, mostrando os bastidores de suas turnês, viagens, gravações; é como se eles tivessem aberto todo seu arquivo e deixado Cameron Crowe fazer o que quisesse com as imagens e é bem este o resultado.

Nos créditos finais o diretor presta uma homenagem a todos os que filmaram e dá crédito a um por um, o que é totalmente justo.

A banda comemorou o aniversário com shows por todo o mundo, que incluíram o Brasil no final de 2011. O DVD do documentário do documentário também foi lançado em uma edição de luxo com mais quatro horas de materiais extras.

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Today’s Sound: Cypress Hill por Arthur Mendes Rocha

O Cypress Hill é um dos grupos de rap da chamada West Coast (Costa Oeste), que estourou no mundo inteiro, mantendo suas raízes latinas e continua na ativa até hoje.

O grupo foi formado em 1988 pelos irmãos Senen Reyes (Sem Dog) e Ulpiano Sergio Reys (Mellow Men Ace) juntamente com Lawrence Muggerud (DJ Muggs) e Louis Freese (B-Real) e primeiramente chamava-se DVX (Devasting Vocal Excellence).

Mas com a saída de Mellow Man Ace (que seguiu em carreira solo), eles acabaram mudando o nome para Cypress Hill, nome de uma rua de Los Angeles.

Foi somente em 1989 que eles conseguem gravar a primeira demo e lançar seu primeiro álbum em 1991 pela Columbia (Sony) puxado pelo primeiro single “The Phuncky feel one”/”How I could just kill a man”

O álbum “Cypress Hill” vendeu mais de dois milhões de cópias (somente nos EUA) e tornou-os conhecidos em todo país e convidados a participar do Lollapalooza em 1992.

O álbum seguinte, “Black Sunday”, foi um sucesso ainda maior, batendo o recorde de venda-gem de um grupo de rap na época, chegando ao triplo platina principalmente pelo mega hit “Insane in the brain” (com seu sample de rincho de cavalo alterado):

O grupo conseguia a façanha de ter dois álbuns no top 10 da Billboard ao mesmo tempo e fazer turnês acompanhados de grupos como House of Pain e Rage Against the Machine.


O Cypress Hill vivia o auge de sua fama, participando de programas como o Saturday Night Live, onde foram banidos por fumar maconha na frente das câmeras como mostra o vídeo abaixo, onde eles interpretam ‘I ain’t goin’ out like that”:

Eles também participaram do Woodstock 1994 e viraram personagens dos Simpsons no episódio “Homerpalooza”:

O terceiro álbum foi lançado em 1995 e chamava-se “III: Temples of Boom”, indo direto para o topo das paradas puxado pelo hit “Throw your hands in the air”:

Em 1998/1999 eles lançam mais dois álbuns de sucesso: “IV” e “Los Grandes êxitos en español”, este segundo uma compilação de seus sucessos em espanhol.


A partir dos anos 2000, o grupo lança álbuns sob forte influência do rock, chegando a apresentar-se ao lado do Offspring, mas seus álbuns passam a não ter o mesmo êxito de antigamente.

Uma das grandes características que diferenciam o Cypress Hill dos outros grupos de rap são os vocais anasalados e rápidos de B-Real, que faz um par perfeito com a voz de Sen Dog que é mais violenta e mais gritada, casadas com as bases chapadas do DJ Muggs.

Seu estilo tem influências minimalistas, funks, psicodélicas, além do uso de instrumentos de rock.

O Cypress Hill continua fazendo shows, lançando álbuns (o último é “Rise Up” de 2010) e também alguns projetos solos de seus integrantes.

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