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TODAY’S SOUND: THE GREAT ROCK ‘N’ ROLL SWINDLE POR ARTHUR MENDES ROCHA

Esta semana, falaremos sobre os filmes punks e para iniciar nada melhor que “The Great Rock ‘n’ roll swindle” (A maior farsa do rock n’ roll), o filme que os Sex Pistols consideram uma grande armação de Malcom Mclaren, mas não tem como não se divertir com o tom debochado e as críticas à indústria fonográfica.

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O filme foi dirigido por Julian Temple, um dos maiores diretores de vídeoclipes de todos os tempos, responsável por clipes de Bowie, Stones, Depeche Mode, Sade e muitos outros.  Temple também dirigiu o longa “Absolute Begginers” e um outro documentários sobre os Pistols, “The filth and the fury”(uma espécie de resposta a Swindle).

O filme é um mockumentary, um misto de documentários e encenações que vão nos contando a história da banda, utilizando também animações, cenas de noticiários e muito mais, criando uma grande paródia.

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Ele conta a história de como os Sex Pistols se transformaram de uma banda que não sabia tocar direito (no filme falam que não sabiam tocar nada) a uma grande sensação mundial.

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O filme é narrado em grande parte pelo próprio “inventor” e empresário da banda, Malcom Mclaren, que fica dando as dicas de como fazer uma banda de sucesso em várias lições.

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Um dos pontos engraçados é o que ele conta como ele manipulou gravadoras como EMI, A&M, Warner para arrancar destas o máximo de lucro possível.

Além de Mclaren, o guitarrista Steve Jones também guia o filme como um detetive que quer descobrir a razão do sucesso dos Pistols e para isto enfrenta divertidas situações.

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O filme se passa exatamente quando John Lydon (o vocalista também conhecido como Johnny Rotten) havia saído da banda e esta estava para acabar, por volta de 1978 e foi lançado em 1980, quando a banda havia se separado.

John Lydon participou do início do projeto, mas acabou se retirando, recusando-se a participar. Assim, ele só aparece em imagens de arquivo e apresentações da banda previamente gravadas.

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Um dos pontos altos é o relato de como os Sex Pistols se aproveitaram do Jubileu da Rainha para fazer um show em um barco no mesmo dia e toda a controvérsia causada por eles, com incríveis imagens de todo este babado.

Foi justo neste momento que eles lançavam ‘God save the queen”, música esta que criticava a monarquia e que foi direto para o primeiro lugar da parada inglesa, sendo proibida de tocar nas rádios comerciais inglesas (já que a maioria eram ligadas ao governo).

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As animações são bem interessantes também, pois satirizam bem a época e as situações vividas pelos Pistols durante sua carreira.

É dado bastante destaque a como eles dominavam a imprensa londrina da época, chocando a todos por onde passavam e conquistando as manchetes dos principais jornais de fofocas como The Sun, Daily Mirror, entre outros.

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Ronald Biggs, o famoso ladrão do assalto ao trem pagador e que fugiu com a grana para o Brasil, sendo proibido de voltar à Inglaterra, tem papel de destaque no filme, já que dois dos integrantes dos Sex Pistols vão até o Rio para visitá-lo.

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Estas cenas no Brasil são bem divertidas, com eles participando do carnaval carioca, sambando com mulatas, andando de barco pelo Rio Amazonas e até gravando uma canção com Biggs:

Sid Vicious também tem importante papel, com várias cenas dele andando pelas ruas de Paris, fugindo da polícia, cantando uma prostituta (a qual ele atira uma torta na cara), como vemos abaixo:

Até culminar na cena em que canta “My Way” (famosa na voz de Sinatra) no Olympia:

Na trilha, diferente do filme, várias das canções da banda tiveram que omitir ao máximo a voz de Lydon (que já não estava mais na banda) e substituir pelas vozes dos outros integrantes da banda e até mesmo dos atores/personalidades convidadas para o filme.

Como é o caso de “Who killed Bambi’ na voz de Edward Tudor-Pole:

Também foram gravadas novas versões das músicas interpretadas por artistas de rua franceses (como “Anarchy in the UK”) e um medley de canções dos Sex Pistols interpretadas pelo grupo disco Black Arabs.

Outro detalhe é que o primeiro diretor contratado para dirigir o filme era Russ Meyer, o cultuado diretor de “Faster Pussycat, Kill Kill”,mas que ele teve que largar o projeto por impossibilidade de comunicação com a banda, além de diferentes pontos de vista.

Segundo o próprio Malcom: ‘Se você tem quatro artistas que não sabem tocar, por que não fazer um filme com quatro atores que não sabem atuar?”

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Na definição de Temple: “O filme é um documento vivo de seu tempo. É sobre toda a manipulação das coisas por Malcom e como uma coisa tão pura como o punk pode se estrepar de várias maneiras”.

Independente de toda polêmica, The Great Rock ‘n’ roll swindle é um filme que merece ser assistido para entender melhor todo o fenômeno que foi os Sex Pistols.

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Today’s Sound: Ney Matogrosso por Arthur Mendes Rocha

Ney Matogrosso é o que podemos chamar de um showman nacional: ele canta muito bem, dança  e tem uma incrível performance no palco.

Ney foi um dos primeiros artistas nacionais a se ‘montar” para um show, já que a banda com a qual ele estourou, ‘Secos e Molhados’, era pura performance teatral.

Ele sempre teve interesse pelo teatro e decidiu primeiro ser ator, mas antes chegou até a trabalhar na Aeronáutica.

Ney é natural de Bela Vista, Mato Grosso do Sul, mas mudou-se em 1966 para o Rio, atrás de melhores oportunidades na área artística.

Ele cantava esporadicamente e até chegou a participar de festivais da canção em sua cidade natal.

Em 1971, ele se muda para São Paulo, que é onde ele conhece João Ricardo, o mentor do grupo Secos e Molhados, que estava a procura de um vocalista para sua banda.

Ney gravou dois discos com o Secos e Molhados, ambos auto-intitulados: o primeiro foi lançado em 1973 e tornou-se um clássico imediato e o segundo de 1974.

Cada aparição de Ney e os Secos eram marcantes: seu visual com a cara pintada de branco e preto, o figurino extravagante, eles eram diferentes de tudo que rolava na época, sua ousadia chegava a chocar a sociedade.

Ney apresentava-se rebolando, com mil trejeitos, a voz fina, sem camisa, sempre com modelitos absurdos, sua figura era única.

O primeiro disco teve alguns sucessos como “Rosa de Hiroshima”, “Sangue Latino’, ‘O Vira” e ‘Patrão nosso de cada dia”, além da icônica capa com as cabeças deles em uma mesa.

Em 2009, tive a oportunidade de entrevistar Ney para o relançamento remasterizado do primeiro álbum dos Secos e Molhados e me impressionei com sua simpatia, clareza, alguém que viveu com intensidade cada momento daquela aventura artística que foram os Secos.

O segundo disco não teve o mesmo êxito do primeiro, mas teve bons momentos como “Flores astrais”

Musicalmente, Os Secos estavam à frente de tudo, eles eram como se o glam rock tivesse desembarcado no Brasil com toda aquela sonoridade e visual adaptados para nosso ambiente tropical.

Em 1974, ele sai do grupo e se lança em carreira solo com o disco ‘Àgua do Céu-Pássaro” , no qual ele mantém muito do visual extravagante dos Secos, com figurino de pelos de animais, colares e pulseiras de dentes e um repertório que misturava vanguarda com sons da natureza.

Neste disco se destacava ‘O homem de Neanderthal” e ‘América do Sul’, que ganhou um clipe no Fantástico, com Ney mega produzido como um guerreiro selvagem, como vemos abaixo:

O disco não teve boa vendagem, por ser considerado extravagante demais.

Em 1976, ele lança “Bandido” e finalmente tem o reconhecimento da crítica, interpretando grandes compositores nacionais como Rita Lee, que dedica á ele “Bandido Corazón’:

O show de lançamento do disco também se chamava “Bandido” e Ney continuava escandalizando todos com seu visual e performance.

Em 1978, ele lança “Feitiço’, álbum que tinha como principal hit “Não existe pecado ao sul do Equador”, tema da novela Pecado Rasgado e com forte influência da disco music. O clipe abaixo é hilário, pois o trapalhão Didi tenta imitar o figurino leather e os trejeitos de Ney:

“Na década de 80, Ney e sua androginia continuam provocando o regime militar vigente no Brasil, mas mesmo assim ele se destaca, lançando vários discos, fazendo shows e emplacando vários hits como:  “Homem com H”, ‘Folia no Matagal”, ‘Pro dia nascer feliz”, “Vereda Tropical”, ‘Seu Tipo’, ‘Por debaixo dos panos” e muitos outros.

Na década de 90, com um visual mais comportado, Ney opta por gravar um repertório mais adulto, regravando clássicos da MPB, dedicando um disco somente com canções de Chico Buarque(‘Um Brasileiro” de 1996).

Ele faz shows pelo Brasil a fora e até mesmo na Europa em festivais como Montreux.

Ney também faz iluminação para shows, tendo feito para  artistas como Cazuza, Chico Buarque, entre outros.

Nos anos 2000, ele continua sua proposta de regravar clássicos da MPB, dedicando dois discos à obra de Cartola e o álbum ‘Batuque” (de 2001), no qual prioriza músicas de Carmem Miranda e cujo show teve figurino assinado por Ocimar Versolato.

Em 2008, toda sua obra é relançada em CD, numa caixa chamada ‘Camaleão’ e Ney volta a se apresentar com figurinos extravagantes, como no início de carreira.

Em 2009, ele participa do filme ‘Luz nas trevas”, uma continuação do clássico do cinema nacional ‘O bandido da luz vermelha’ e neste ano ele participa de outro filme “Gosto de Fel”.

Seu trabalho mais recente é ‘Beijo Bandido’, com regravações e algumas músicas inéditas.

Neste ano está rolando uma exposição com vários figurinos que Ney cedeu ao SENAC: ‘A Cápsula do tempo: identidade e ruptura do vestir de Ney Matogrosso”, que fica em cartaz até dezembro e mostra várias roupas que marcaram a carreira de Ney.

Ney nunca deixou de mostrar ao povo brasileiro toda a naturalidade de um artista que acredita no seu trabalho. Doa a quem doer, ele é um artista autêntico e mostrou, com o passar dos anos, que é muito mais que apenas um artista excêntrico: sua voz e seu talento falam por si só.

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Ray Ban 75: Meet the Legends

Fotos: Bete Miguez

A Ray Ban comemora 75 anos de existência. Para celebrar no Brasil a marca preparou

um livro, uma série de vídeos e eventos.

Veja como foi a festa no espaço Absolut Inn em São Paulo.

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