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Posts Tagged ‘California’

Today’s Sound: Antony Hegarty por Arthur Mendes Rocha

Antony & The Johnsons é a banda liderada por Antony Hegarty e seus vocais agudos, melódicos, de uma beleza estranha, quase como um lamento, tornando-os uma das bandas mais interessantes da cena atual.

Antony nasceu na Inglaterra, mas foi criado na Califórnia e mais tarde mudou-se para NY, onde suas ambições artísticas e sexualidade seriam melhores compreendidas.

Ele sempre teve uma sexualidade ambígua, já que se apaixonara desde cedo pela imagem de Boy George no auge de sua fase andrógina no Culture Club.

Antony começou a despontar com os Blacklips, uma banda de cabaret que se apresentava em lugares pequenos e na qual ele vestia-se num misto de Isabella Rosselini em “Blue Velvet” e a imagem da capa do single “Torch” do Soft Cell, como vemos abaixo:

Logo em seguida, ele forma o Antony and The Johnsons, banda que começa a ser notada por um pequeno selo, Durtro, que lança seu primeiro álbum em 1998 intitulado apenas ‘Antony and the Johnsons”.

O single do álbum era “Cripple and the Starfish”:

O álbum passou meio despercebido, sendo relançado quando a banda começou a fazer sucesso.

Em 2001, eles lançam um EP, ‘I Fell in Love with a Dead Boy”, que continha uma versão de “Mysteries of Love” de Angelo Badalamenti e David Lynch (e que fazia parte da trilha de “Twin Peaks”):

Este EP foi apresentado à Lou Reed, que caiu de amores pelos vocais de Antony e o convidou a participar de seus discos ‘The Raven” e ‘Animal Serenade”, além de excursionar com ele em 2003. Abaixo eles cantam juntos no programa de Jools Holand:

Depois de lançarem mais alguns EPs, a banda lança em 2005 seu segundo álbum “I am a Bird Now”, disco este responsável pelo seu estouro mundial e pela conquista do prêmio Mercury, prestigiado prêmio inglês para artistas iniciantes. A capa era uma foto da drag Candy Darling, estrela da Factory e dos filmes de Andy Warhol, em sua cama.

Um dos destaques do álbum era “Hope There’s Someone”:

O álbum teve participação dos ídolos de adolescência de Antony como Lou Reed e Boy George (com o qual canta abaixo ‘You are my Sister”), além de Devandra Banhart e Rufus Wainwright.

Neste meio tempo, ele ainda apareceu no filme de Steve Buscemi ,“Animal Factory”, como um presidiário andrógino e também cantando no começo do filme franco/belga “Lado Selvagem”:

Nos anos seguintes, Antony excursionou pelo mundo com shows , além de participar do disco “Volta” de Bjork e do documentário “I’m your Man’ sobre Leonard Cohen.

Além disso, ele participou do documentário de Charles Atlas, “Turning”, no qual treze mulheres dão depoimento durante um concerto de Antony and the Johnsons. O filme foi muito bem recebido pela crítica especializada.

Em 2008, ele participa como vocalista convidado no hit das pistas “Blind’, do grupo Hercules & The love affair”. Abaixo ele interpretando a música (com o Hercules) no festival Meltdown neste ano:

Em 2009, eles lançam seu novo trabalho, “The Crying Light”, atingindo o primeiro lugar de discos independentes europeus e falando sobre natureza, morte, futuro, paisagens e amor. Um dos singles de destaque era “Epilepsy is Dancing”:

Numa das apresentações deste novo álbum, Antony fez um concerto com a Manchester Camerata no Manchester Opera House, transformando o hall do teatro em uma caverna de cristais com a concepção artística de Chris Levine.

Esta apresentação aconteceu também em salas de concertos em Roma, Paris, Lyon e até no Festival de Jazz de Montreux, sendo que seu figurino era assinado por Ricardo Tisci, estilista da Givenchy.

Uma das características da personalidade de Antony é seu engajamento em causas ecológicas e a defesa de que o mundo não deve ser governado apenas pelos homens e sim pelas mulheres, já que a humanidade até agora só fez foi prejudicar o planeta.

Além disso ele também culpa as religiões patriarcais pelo colapso da relação de sustentabilidade entre a humanidade e a terra.

Portanto, suas letras vêm carregadas destes sentimentos de mudança, além de poesia e influências líricas.

Em 2010, ele lança mais um EP, desta vez com covers de Dylan, ‘Pressing On”, e Lennon, “Imagine”.

Também em 2010, ele lança o álbum “Swanlights”, acompanhado do lançamento do livro do mesmo nome mostrando os dotes artísticos de Antony, com desenhos, pinturas, colagens e fotografias.

Um dos destaques do novo disco era “Thank you for your Love”:

Em janeiro deste ano, Antony e o MOMA (Museum of Modern Art) se uniram para uma performance esgotada de “Swanlights” no Radio City Music Hall de NY.

Em julho ele faz a curadoria do festival Meltdown, com performances e apresentações de artistas como Elizabeth Fraser (Cocteau Twins), Diamanda Galás, Laurie Anderson, entre outros.

Em Agosto de 2012, ele lança o álbum ao vivo “Cut the World”, uma espécie de retrospectiva sinfônica do grupo acompanhado pela Danish National Chamber Orchestra.

A faixa ‘Cut the World’ foi escrita especialmente para a produção de Bob Wilson, “The Life and Death of Marina Abramovic” e o vídeo  tem a participação da própria Abramovic, além do ator americano Willem Dafoe e da atriz alemã Carice Van Houten, como vemos abaixo:

Abaixo uma foto dele e o elenco desta produção cumprimentando a Rainha Beatrix:

Antony com seu visual privilegiando o preto, geralmente com seus cabelos compridos e bem escuros é uma persona única na música da atualidade e cada trabalho seu é sempre revigorante e surpreendente.


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TODAY’S SOUND: LES BAXTER POR ARTHUR MENDES ROCHA

Les Baxter foi um instrumentista americano responsável pela popularidade que a música Exotica teve ao redor do mundo, com sua melodia ele criou um mundo exótico e misterioso cheio de mágica e sensualidade.



Desde cedo, Les mostrou atração pela música, estudando piano e instrumentos de sopros. Na sua juventude ele vai para a Califórnia, onde na época o som era dominado pelas big bands, as grandes orquestras da época com todos os tipos de instrumentos e que animavam os bailes. Les passa a ter contato com vários músicos de jazz no momento em que começa a fazer parte das big bands.

Ele tem sua grande chance como arranjador no final dos anos 40, quando o compositor da Broadway, Harry Revel, o chama como assistente e eles gravam o álbum “Music out of the moon”, pela gravadora Capitol, considerado uma obra-prima da música futurista e que utilizava o instrumento theramin (um dos primeiros instrumentos eletrônicos).



Les é chamado pela gravadora para trabalhar com o cantor Nat King Cole (foi Les que conduziu o arranjo de Nelson Riddle para o hit “Monalisa”) e também com Yma Sumac (com a qual gra-va ‘Voice of the Xtabay” e de quem falaremos nesta semana).

No início dos anos 50, tudo o que Les toca acaba virando sucesso, ele lança vários hits como “Unchained Melody” e “The poor people of Paris”, entre outros, mas nada era composto realmente por ele.

Em 1951, a Capitol lhe dá sinal verde para lançar um álbum original, com composições próprias e assim ele lança em 1952 o álbum considerado o pioneiro do gênero Exotica: “Le Sacre Du Sauvage”(The Ritual of the savage)



O álbum é um sucesso, com uma temática africana, mistura arranjos clássicos (influenciados pelo seu ídolo Stravinsky) com uma levada mais latina e ritmos tribais e contém o clássico “Quiet Village” (regravado mais tarde por Martin Denny) que imediatamente nos transporta para um mundo onde imaginamos paisagens exóticas:


A partir daí, Les passa a ter o seu estilo mais definido pelo seu som exótico, lounge, com arranjos orquestrais e utilização de instrumentos como conga e bongos eque influencia toda uma nova geração de músicos.

Ele lança vários álbuns, mas dentro do estilo Exotica pode-se destacar “Tamboo’ (1956) como a música “Simba”:




Bem como “African Jazz” e “Jungle Jazz” (ambos de 1959) e também a trilha do filme “The Sacred Idol” (1960).

Les também fez trilhas para o cinema (como já falamos aqui) e tem até uma estrela na calçada da fama em Hollywood. Lançou muitos álbuns e seu trabalho é constantemente regravado e sampleado por bandas como Beastie Boys e Thievery Corporation. Ele chegou a vir ao Brasil e até lançou um álbum chamado “Brazil now” em 1966. Seu legado cultural é fundamental para os apreciadores da música Exotica.
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Today’s Sound: The Dickies por Arthur Mendes Rocha

Hoje falaremos sobre uma das primeiras bandas punks a surgirem em Los Angeles: os Dickies.


The Dickies surgiu na Califórnia em 1977 e foram a primeira banda punk americana a aparecer na tv aberta dos EUA e também a primeira a gravar por uma grande gravadora. A formação original era: Leonard Graves Phillips (voz), Stan Lee (guitarra), Chuck Wagon (teclados/sax/guitarra), Billy Club (baixo), Karlos Kaballero (bateria).  O primeiro single da banda foi um cover de “Paranoid” do Black Sabbath.

Seu primeiro disco com a A&M Records foi lançado em 1979 e chamava-se “The Incredible Shrinking Dickies”. O mais incrível é que a gravadora lhes deu liberdade artística total (coisa bem rara de acontecer, ainda mais para uma banda jovem punk). Inclusive permitiram que eles lançassem um single vestidos como membros da Klu Klux Klan (conforme foto abaixo):


O som dos Dickies é super bem-humorado, um mix de punk hardcore de L.A. com Ramones, com forte influência de filmes trash e cultura pop. Para se ter uma idéia, um dos principais hits do Dickies foi o cover da música tema do seriado “Banana Splits’ (que recentemente foi trilha do filme “Kick Ass”)

A música foi top 5 na Inglaterra e permitiu que a banda gravasse o segundo disco “Dawn of the Dickies” com sucessos como “Attack of the mole man” e a versão cover de ‘Nights in White Satin” (dos Moody Blues)

Esta sua ligação com o pop, fazia com que as outras bandas torcessem o nariz para eles, mas a banda sempre acreditou que mesmo tocando rápido, suas músicas eram melódicas: Éramos músicos pop disfarçados de punk rockers”, declarou o vocalista Leonard Phillips e “que o punk rock hoje em dia acabou tornando-se parte da indústria, uma espécie de fórmula”, completa ele.


Mesmo com algumas baixas na banda (Chuck Wagon cometeu suicídio, Karlos Kaballero morreu de enfarte) e problemas com drogas, a banda continuou na ativa com novos integrantes. Nos anos 80, eles lançaram poucas coisas, mas voltaram com um bom disco em 1995, “Idjit Savant”. Os Dickies permanece sendo uma das bandas punk de maior duração, pois continuam a fazer shows até hoje e devem tocar no Brasil ainda este ano.

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