Written by Arthur Mendes Rocha quarta-feira, 28 março 2012 19:09 No Comments
Outro documentário que a BBC 4 apresentou é sobre a música feita na Alemanha, no pós-guerra, quando esta buscava algo mais moderno e com características próprias que foi chamado de ‘Krautrock – the Rebirth of Germany”.
O krautrock foi um movimento musical alemão que no final dos anos 60, início dos 70 dominou algumas das bandas do país, com influências da música eletrônica, progressiva, clássica, minimalista; utilizando guitarras elétricas, sintetizadores (quando estes ainda eram primitivos) e bases pré-gravadas.
Ele mostra que este termo foi inventado pela imprensa musical inglesa e pela gravadora Virgin, que editou na Inglaterra os discos dos grupos alemães do gênero e precisava categorizá-los.
O doc está todo disponível no youtube conforme link abaixo.
Entre as bandas que estão presentes no documentário estão alguns dos maiores expoentes do krautrock tais como Popol Vuh, CAN, Neu!, Aamon Düll II, Tangerine Dream, Cluster, Faust, entre outros.
Vários integrantes destas bandas dão seus depoimentos, mostra os estúdios onde criaram suas músicas, a atmosfera da época; as estórias curiosas de, como um gênero mais viajante e sofisticado de música, tentava se sobressair numa Alemanha dominada pela mesmice de uma música pop sem graça.
Um dos segmentos é sobre o Popul Vuh, que inclusive fez várias trilhas-sonoras para Werner Herzog como “Aguirre”, além de ser o primeiro grupo alemão a utilizar o sintetizador em 1970.
Conhecemos mais também do grupo CAN, que era formado por estudantes de Stockhausen e que incluíram o jazz experimental em sua música e considerado uma das grandes bandas do gênero, que também vivem um revival na música eletrônica produzida atualmente.
Claro que o Kraftwerk não poderia ficar de fora, estando presente em um bom trecho do doc, falando de suas inspirações na tecnologia e na modernidade da Alemanha na época como as auto-estradas (auto-bahn).
Outro segmento interessante é o que fala da vinda de David Bowie a Berlin para gravar seu disco “Heroes’, altamente influenciados pelo krautrock e a cena alemã da época, sendo gravado no estúdio Hansa, por onde passeamos com Florian Schneider (ex-integrante do Kraftwerk).
É recomendável assistir à este documentário e saber mais sobre o rock alemão da época, que diferenciava-se do americano e inglês por ser muito mais experimental; utilizando fontes da música de vanguarda, psicodélica e futurista para criar o chamado krautrock.
Today’s Sound: Marlene Dietrich por Arthur Mendes Rocha
Written by Arthur Mendes Rocha quinta-feira, 12 janeiro 2012 17:34 No Comments
Marlene Dietrich sempre esteve rodeada de polêmicas: era admirada pelos nazistas, bissexual, exigente ao extremo, mas uma coisa não pode se negar, ela foi uma das maiores atrizes do cinema, dona de uma personalidade única, de um estilo inconfundível e também tinha o dom de cantar.
Nascida na Alemanha, Marlene começou a sua carreira atuando no teatro, pois havia se formado em artes cênicas, até ser descoberta pelo diretor austríaco Joseph Von Sternberg que a convidou a estrear em “O Anjo Azul” (The Blue Angel). No filme ela faz o papel de Lola-Lola, uma cantora de cabaré que enlouquece um professor e dona da cruzada de pernas mais sensual do cinema (muito antes de Sharon Stone), tornando-a um mito da noite para o dia:
Na década de 30 ela atua em vários filmes de Sternberg como “O expresso de Shangai”, “A Vênus loira”, entre outros. Neste último ela canta vestida com uma roupa de gorila, cena esta que ficou famosa na época:
Na década de 40, ela vai para Hollywood onde trabalha com vários diretores importantes como Hitchcock (“Pavor nos bastidores”), Fritz Lang (“O Diabo feito mulher”), Orson Welles (“A marca da maldade”), Billy Wilder (“A Mundana”), entre outros.
Dietrich era admirada pelos nazistas, mas nunca foi simpatizante de Hitler, tendo recusado o convite deste para estrear em filmes pró-nazistas, o que foi considerado um desrespeito com a pátria alemã e ela acaba se naturalizando cidadã americana para poder seguir com sua carreira.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Dietrich resolve entreter as tropas que estão no campo de batalha, cantando para eles músicas como “Lili Marlene”, “Falling in love again”, “Boys in the backroom” e a partir daí dedica-se também a sua carreira musical.
Além de cantar em seus filmes, ela participou de vários concertos ao redor do mundo, a partir do final dos anos 50, apresentando-se nas melhores casas de espetáculos como o Sahara Hotel em Las Vegas e com ótima aceitação do público e de seus fãs. Ela até chegou a se apresentar no Brasil, no teatro da Record em São Paulo e no Golden Room do Copacabana Palace no Rio, em 1959, tendo como partner o famoso compositor Burt Bacharach, em início de carreira.
Uma das histórias interessantes a seu respeito é que ela conhecia tão bem a melhor luz que a iluminava nos filmes, que chegava a dar as diretrizes para os diretores de fotografia sobre o melhor posicionamento dos spots e no melhor ângulo para fotografá-la.
Dietrich tinha uma preocupação absurda com o estilo, ela sempre está impecável em seus filmes, com um figurino arrasador, feito pelos melhores figurinistas da época e com cabelo e maquiagem de acordo. Ela inclusive foi uma das primeiras mulheres a fazer uso do estilo andrógino, ela adorava vestir ternos masculinos como no filme “Marrocos’, onde ela aparece de smoking e também beija uma mulher, causando escândalo e boatos sobre sua sexualidade.
Em 1984, seu amigo Maximilian Schell realizou um ótimo documentário a seu respeito chamado ‘Marlene”, no qual ela recusou-se a ser filmada e somente concordou em que fosse utilizado o áudio de sua voz.
Dietrich cantava em alemão, inglês e francês e suas apresentações como cantora viraram discos, compilações que até hoje são reeditadas com sucesso. Aqui ela canta “La Vie em Rose”, famosa na voz de sua grande amiga Edith Piaf, no Café de Paris em Londres, em 1972:
Dietrich fez seu último filme em 1978, “Apenas um Gigolô” (ao lado de David Bowie), e optou por uma vida reclusa em Paris, aonde veio a falecer em 1992.
Dietrich era a encarnação do glamour de uma grande estrela, chique, elegante, extremamente preocupada com sua imagem, até hoje ela é referência indispensável seja no cinema, na música e na moda; artistas como Madonna e estilistas como Yves Saint Laurent a reverenciam. Se fosse viva, ela teria completado cem anos no ano passado.
Written by Arthur Mendes Rocha sexta-feira, 02 dezembro 2011 18:17 No Comments
Madonna Louise Veronica Ciccone ou simplesmente Madonna, com este nome e muita atitude ela surgiu na cultura pop pronta para arrebentar seja com sua música, shows, modismos, sensualidade e muita polêmica.
Madonna nasceu em Detroit, em 1958, teve uma infância e adolescência difícil, pois perdeu sua mãe muito cedo, fato este que a marcou por toda a vida. Mas, ao mesmo tempo, isto serviu como determinação para que ela buscasse o sucesso e a fama a todo custo.
Trocando sua cidade natal por NY, ela chega em plena efervescência cultural dos anos 80, com muito grafismo, boogie, hip hop, punk, fica logo amiga de DJs e figuras da noite nova-iorquina, freqüentando os guetos gays e os clubs da moda como o Danceteria.
É lá que ela convence o dj a tocar sua música e estoura no circuito underground com a música “Everybody” em 1982, quando assina com a gravadora Sire, parte do conglomerado Warner.
Todos pensavam em se tratar de uma cantora negra, até que Madonna surge por todos os lugares para divulgar seu single, apresentando-se em clubs e na TV. Logo ela lança seu primeiro álbum, apenas intitulado Madonna, que contém os hits “Holiday”, “Borderline” e “Lucky Star”.
O álbum vende mais de 12 milhões de cópias, com sua mistura de grooves, drum machine e sintetizadores. Mas o álbum seguinte é que a torna um estrela, “Like a Virgin”, com produção de Nile Rodgers (do grupo Chic e produtor de David Bowie, Duran Duran, entre outros) e com hits como a faixa título, além de “Material Girl” e uma venda de mais de 25 milhões de álbuns, alcançando o topo da parada da Billboard.
Na formação do mito Madonna, o videoclipe é um instrumento fundamental, já que ela tem um ótimo senso fashion, seu estilo acaba por ditar a moda entre as adolescentes da época e todas querem copiá-la, com muitas rendas, crucifixos, pulseiras de borracha, etc. Madonna vira a queridinha da vez da MTV, com seus clipes em alta rotação.
Ela adquire o status de celebridade mundial, viaja por vários lugares para promover seu disco, inicia sua primeira turnê pelos EUA, a “Virgin Tour”, sai em todas as capas de revistas, além de estrear no cinema com o filme “Procura-se Susan Desesperadamente” onde na trilha destacava-se “Into the groove”:
Mas Madonna sempre soube conduzir bem sua carreira, a cada novo disco, um novo visual, em “True blue” ela adota os cabelos mais oxigenados, com um look bem Marilyn Monroe; em “Like a prayer”, morena com um visual mais clean e assim ela continuou sempre a se renovar.
Ela também pretende conquistar o cinema, assim estrela “Who’s that girl” e “Dick Tracy”, com Warren Beatty (com o qual vive um tórrido romance).
Nos anos 90, ela já começa com tudo, com a turnê mundial “Blonde Ambition Tour”, turnê esta que tive a chance de ver e na qual ela estava no ápice de sua carreira, um espetáculo de luzes, coreografias perfeitas e um desfile de hits que enlouquecem a todos como “Vogue”. A turnê também é marcada pela polêmica, já que a igreja católica tenta impedir algumas apresentações.
Madonna nesta época era a dona do mundo, a estrela definitiva, fazendo boa música, trabalhando com os melhores produtores, tocando sem parar, vendendo milhares de discos, a imprensa só se falava nela, ela vivia em todos os meios de comunicação, era a maior celebridade da época.
Em 1991, ela lança o filme “Na cama com Madonna”, lançado no festival de Cannes, além do livro “Sex”, todo fotografado por Steven Meisel e que causa ainda mais polêmica por seu conteúdo de forte apelo sexual, Madonna choca muito de seu público, continua provocando a tudo e a todos.
Mais para o final da década, Madonna começa a ficar mais séria, opta por ter filhos, resolve fazer o papel de “Evita” no cinema, ansiando por um maior reconhecimento da crítica e lança o álbum “Ray of Light”, que finalmente lhe dá o cobiçado prêmio Grammy.
Nos anos 2000, o mito de Madonna continua, novas estrelas surgem, mas ela segue lançando bons álbuns como “Confessions on a dancefloor”, mas sempre mantendo seu público fiel, viajando o mundo com turnês (tendo incluído o Brasil em sua última turnê).
Musicalmente, Madonna sempre foi uma inovadora pesquisando o que havia de mais moderno e diferente na música, optando por trabalhar com artistas que fossem acrescentar algo a mais em sua música como Mirwais, William Orbit, Shep Pettibone, Stuart Price, Orbital, Bjork, Justin Timberlake, Prince, Kanye West, Martin Solveig, entre outros.
Madonna já desempenhou os mais diferentes papéis em sua vida tais como compositora, dançarina, produtora e agora ela também é diretora de cinema: ela lançou este ano o filme “W.E”, que não foi muito bem recebido, mas de uma coisa ninguém pode duvidar, Madonna tem a coragem de se expor. Ano que vem ela já se prepara para lançar disco novo, ou seja, ela não pára.
Recentemente ela declarou: “Se divertir é o principal, continuar a ser uma provocadora, de fazer o que se percebe ser o domínio de ser jovem: provocar, ser rebelde, começar uma revolução”.
E este é o mote de Madonna, uma diva pop camaleônica, uma entertainer de primeira, empresária de sucesso, um ícone, ela vem nos divertindo há 30 anos, viva Madonna!!!