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Today’s Sound: Miss Piggy por Arthur Mendes Rocha

Miss Piggy é um personagem que define o glamour de uma grande diva: histriônica, dominadora, exigente e com uma personalidade marcante, mas acima de tudo uma estrela.

Ela foi criada por Jim Henson para o programa Muppet Show, mas sua primeira aparição na TV foi em um especial de Herp Alpert e Tijuana Brass.

Era o início de uma carreira que ainda ia dar muito o que falar. Durante os anos, Miss Piggy foi mudando seu visual e sua participação foi aumentando aos poucos.

Tudo começou em 1975, com uma participação pequena no piloto do programa Muppet Show, no qual ela passa meio despercebida, pois ainda não tinha o visual que a consagrou.

Mas quando o programa estréia de verdade em 1976, Piggy já começa a aparecer mais, especialmente por causa de sua paixão por Kermit (Caco na versão brasileira) e por seus ataques violentos quando ela é contrariada. Mas ela não deixa de amar o sapo, como mostra na música “Mad about the frog” (trocadilho com a música “Mad about the boy” ):

Os Muppets recebiam em seu programa sempre um convidado importante, seja do cinema, TV ou música, e todos adoravam contracenar com a porquinha estrela, fazendo números musicais como este em que Danny Kaye, famoso ator cômico dos anos 40 e 50, canta com ela o clássico “Cheek to cheek” (famoso na voz de Fred Astaire e Ginger Rodgers):

Frank Oz era quem manipulava o fantoche de Miss Piggy, bem como fazia sua voz, ele fala um pouco da biografia dela: “Ela cresceu em uma pequena cidade do Iowa, seu pai morreu quando era jovem e sua mãe não era gentil com ela. Ela teve que participar de concursos de beleza para sobreviver. Ela tem muita vulnerabilidade, algo que ela deve esconder, por causa de seu desejo em ser uma superstar”.

Nesta cena do Muppet show, ela faz às vezes de Maria Antonieta ao som de “Stayin’ Alive”:

E Miss Piggy é bem isso, seu visual é totalmente inspirado pelas atrizes hollywoodianas da década de 30/40/50, seu cabelo loiro comprido e sempre bem penteado, seus vestidos luxuosos, suas jóias. Ela tem até um camarim só seu, todo decorado em rosa e fala sempre com algumas palavras em francês para dar um charme ainda maior ao personagem e também  para fazer jogo de sedução com os convidados masculinos.


Nesta cena de “The Great Muppet Caper” ela homenageia a atriz Esther Williams e seus bailados aquáticos:

Também é imperdível sua interpretação do hit disco “I Will survive” (famoso na voz de Gloria Gaynor):

Este ano ela voltou com tudo à mídia, já que um novo filme dos Muppets acaba de estrear nos cinemas “The Muppets”, com o elenco original dos bonecos do programa, mais Jason Segel e Amy Adams. Como parte da divulgação do filme, Miss Piggy esteve em vários programas da TV americana, desde entrevista com Chelsea Handler, Jimmy Kiel, passando pelo Saturday Night Live e até no X-Factor. Em uma das publicidades ela faz o papel de Bella da série “Twilight”.

O sucesso de Piggy transcendeu o programa, ela fez vários filmes com os Muppets, além de posters, calendários, brinquedos e até uma linha para a Mac:

Ela é passional, dramática, quer sempre ter um número musical somente seu, saiu em capas de revistas, teve livros seus editados, estilistas de moda criaram figurinos especais para ela, se dentro da cultura pop um personagem foi criado em homenagem às verdadeiras divas, este é Miss Piggy!

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Today’s Sound: Nina Simone por Arthur Mendes Rocha

Como falar de divas sem falarmos em uma das mais cool que já existiu, a “alta sacerdotisa do soul”: Nina Simone.

Nina era famosa por nos absorver com sua voz sedutora e hipnótica, uma artista que lutava pelos direitos dos afro-americanos, tudo ela fazia com muita paixão e intensidade.

Ela nasceu como Eunice Kathleen Waymon em 1933, filha de uma pastora e de um padre da Igreja Metodista, ela logo começou a aprender a tocar piano de ouvido, isto aos três anos de idade. Com o passar dos anos, ela se dedica mais e mais ao piano e também aos compositores de música clássica. Mas ao tentar ingressar na Julliard School de NY, Nina é recusada por ser negra. Este fato a marcou profundamente, para que fosse contra todo e qualquer tipo de racismo.

Para sobreviver, Nina dava aulas de música e à noite cantava e tocava piano em um bar de New  Jersey, onde desfilava um repertório que incluía Gershwin, Cole Porter, transformando músicas mais pop em uma leitura mais jazz, blues e mesmo clássica. Para não envergonhar seus pais, cantando em bares, ela resolve trocar seu nome de Eunice para Nina Simone: Nina vem de “little one” (a pequena) e Simone vem de sua atriz favorita, Simone Signoret.

Logo ela atrai a atenção da indústria da música e assina com uma gravadora pequena onde grava seu primeiro disco. Uma das músicas é “My baby Just cares for me”, música esta que foi sua marca registrada durante anos e virou tema de filmes e comerciais:

Aos poucos, as pessoas vão percebendo a intensidade das apresentações ao vivo de Nina e ela grava muito de seus discos ao vivo, bem como participa de festivais de jazz nos anos 60.

O estilo de Nina abrange uma série de gêneros, como ela bem definiu em sua autobiografia “I Put a Spell on You” onde ela fala que toca canções populares em um estilo clássico, com técnicas de piano clássico, influenciado por cocktail jazz e também por spirituals e canções infantis, tudo isto poderia ser clasificado de folk. Mas é mais que isso, pois tem os elementos de vários gêneros, blues, jazz, folk, clássico, ou seja, Nina é uma artista difícil de categorizar.

Ela participou ativamente pela luta dos direitos civis para os negros nos anos 60 e entre seus sucessos desta época estão “Don’t let me be misunderstood”, ‘Feeling good”, “Ne me quite pas”, entre outras:

Ela passou parte os anos 70 e 80 vivendo longe dos EUA, apresentando-se em festivais de jazz como Montreux, bem como nos melhores teatros e casas de espetáculos de todo o mundo.

Nina, mesmo com vários casamentos, era uma alma solitária, ela entendia a dor de ser incompreendida, e conseguia captar toda a eletricidade de uma platéia em suas memoráveis apresentações ao vivo.

Seu estilo de cantar, de vestir, com seus vestidos vaporosos e turbantes, ou mesmo coques altos e acessórios enormes, explorando toda a sensualidade da mulher negra e de influência africana, a tornaram um ícone.

Ela faleceu em 2003 e até hoje é admirada por seu sensacional estilo de cantar e se “entregar” em cada música.

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Today’s Sound: Tina Turner por Arthur Mendes Rocha

Tudo já foi dito a respeito da diva Tina Turner, seja em sua cinebiografia, livros, reportagens, mas não pudemos deixar de falar mais um pouco desta grande estrela que se mantém linda e ativa aos 71 anos.

Tina Turner sofreu tudo o que pôde na vida: uma infância pobre,  um marido abusivo, preconceito racial, falta de trabalho, mas isto não deixou abater a diva, que enfrentou todas as barras, pois sempre acreditou em seu talento.

Tina iniciou sua carreira aos 18 anos como cantora oficial da banda de seu então marido Ike Turner e logo ela chamou a atenção por seu vocal diferenciado, alternando graves e agudos, além de uma personalidade inconfundível em cena, dançando e cantando com muita energia. Um de seus sucessos na época foi a regravação de “Proud Mary” (hit do Creedence Clearwater Revival), onde dá um show de rebolado ao lado das “Ikettes”:

É público e notório o quanto Tina sofreu a violência do ex-marido Ike, que a culpava por qualquer coisa, tudo isto  foi retratado no filme “What’s Love got to do with it”, baseado em sua autobiografia “I, Tina”. Ao separar-se de Ike, Tina saiu sem um tostão no bolso, tendo que fazer faxina na casa de amigos para sobreviver.

Tina enfrentou uma fase muito difícil em sua carreira quando saiu da banda de Ike e lançou-se em carreira solo. Seus álbuns nesta época não vendiam bem, ela era constantemente comparada á época em que estava na banda, sua separação de Ike ainda não havia sido oficializada, enfim, ela não conseguia emplacar nenhum hit.

Um dos momentos em que teve algum sucesso nesta época foi como a personagem Acid Queen (apelido que durou por algum tempo) na versão para o cinema da ópera-rock “Tommy” do The Who, sob a direção do recentemente falecido Ken Russell:

Nos anos 80, já separada oficialmente de Ike e mantendo o sobrenome Tuner, Tina sai em busca do sucesso, regravando “Let’s Stay Together” de Al Green, conseguindo finalmente emplacar um hit. Logo em seguida ela lança o disco que mudaria para sempre sua vida: “Private Dancer” que continha o hit “What’s Love got to do with it”, primeiro lugar nas paradas e prêmio de melhor clipe da MTV em 1984:

O disco foi um sucesso absoluto: três prêmios Grammys, mais de cinco milhões de cópias vendidas (só nos EUA), clipes em alta rotação na MTV, cinco discos de platina, Tina voltava a ser um nome conhecido e admirado por milhares de fãs como a “Rainha do Rock”.

Até mesmo no cinema ela voltou a ser um sucesso, como no filme “Mad Max beyond thunderdome” em que contracenou ao lado de Mel Gibson e interpretou a música tema “We don’t need another hero”:

Tina veio mesmo para ficar, seus discos solos voltaram a ter boas vendagens e suas turnês mundiais estão sempre lotadas. Ela já vendeu mais de 200 milhões de discos em todo o mundo e é considerada uma das maiores cantoras de todos os tempos.

Tina Turner tem um estilo próprio, sua voz sensual e poderosa, suas coreografias, suas belas pernas, sua escolha no figurino (geralmente vestida por Azzedine Alaia) como no clipe de ‘Missing You”, sob a direção do fotógrafo de moda Peter Lindbergh:

O segredo de Tina para manter a saúde física e mental é uma combinação de estilo de vida, saúde e atitude. Ela não abusa de doces e salgados, sua alimentação é balanceada, optando por comida italiana e tailandesa. Tina hoje mora na Suiça e caminha bastante, além de fazer sauna, mas seu principal exercício foram os 40 anos em que se apresentou em incansáveis shows mundo a fora.

Outra coisa importante em sua vida foi encontrar o equilíbrio emocional, já que hoje vive tranquilamente ao lado de Erwin Bach, executivo da indústria da música e também seu manager, algo bem distante do estilo de vida que tinha ao lado de Ike.

Tina diminuiu um pouco o ritmo de suas apresentações, mas em 2008/2009 ela comemorou 50 anos de carreira com a turnê “Tina! 50th anniversary tour”, uma das turnês mais rentáveis daquele ano.

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