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Posts Tagged ‘ecologia’

LAR TEMPORÁRIO DA DAURA

POLA_DAURA

Texto e fotos: Bete Miguez
Tarde de sábado ensolarada, lá fui eu mais uma vez cobrir uma pauta para minha coluna no site.
Mas só que desta vez a proposta foi outra!
Não fui clicar nenhum evento badalado, nem uma exposição….
Desta vez, minha amiga JapaGirl me convidou pra conhecer o lindo trabalho de Daura Carvallho, que fica em Mairiporã SP. 
 
No Lar temporário, Daura cuida mais ou menos de 300 cães, e alguns gatos, que foram abandonados, sofreram maus tratos ou foram vitimas da crueldade do ser humano. 

Animais que chegam ou são resgatados em estados as vezes críticos, e que lá recebem os cuidados médicos necessários, alimentação, atenção e carinho.

Muitos deles são mantidos por “madrinhas” ou “mães” como é o caso de King, e sua mãe Christina Hiura, um cão da raça Dobermann que foi encontrado e resgatado com um quadro grave de desnutrição avançado, que desencadeou outros problemas de saúde, e que  com o esforço de todos os envolvidos está se recuperando. 


Lá muitos chegaram como ele, e já estão saudáveis esperando por adoção. 
São cães de todas idades, tamanhos e temperamentos.
Na página no facebook da Daura https://www.facebook.com/dauracarvalhopereira vc pode acompanhar os casos, e colaborar como quiser.

Dados bancários do Lar Temporário da Daura:

Banco: Itaú
Nome: Daura Gomes Carvalho
Agência: 9068
Conta corrente: 04015-4

 
Foi um sábado inesquecível pra mim, e a primeira de muitas visitas que farei ao Lar temporário de Daura.
Parabéns pelo seu trabalho inspirador, e parabéns e obrigada ao site Japa Girl pela iniciativa.
Com muito orgulho aqui vão as fotos desses amores.
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Lágrimas de Sereia

Edmund Dulac

Encantamento a primeira vista.

Na ONG Morungaba onde presto serviços fotográficos, tive a honra de fotografar a festa junina de uma escola pública chamada Amorim Lima.

Logo na entrada eram vendidas canecas de plástico com um barbante para servir de acessório e descartar a quantidade insana de descartáveis que usamos em comemorações, cafezinhos e outros hábitos que nos fizeram incorporar o uso indiscriminado das embalagens que se usa apenas uma vez.

Ao utilizarmos canecas ao invés de copos descartáveis, em dois anos, pelo menos 1.000 copos descartáveis deixarão de ir para o aterro.

O Universo descartável.

O mundo das caixinhas sintéticas e inorgânicas…Foi nos anos 50 que para ser moderno e prático, era preciso ser descartável.

Os plásticos são artefatos fabricados a partir de resinas (polímeros), geralmente sintéticos e derivados do petróleo, que digamos de passagem, é um recurso natural finito.

Existem os polímeros termoplásticos e termofixos.

Os termoplásticos são recicláveis (Pet, Nylon, PVC, PEAD), entre outros.

Já os termofixos  como o Nylon, fraldas, adesivos, lâminas metalizadas, cabos de panela, canetas, acrílico e embalagens a vácuo não podem ser reprocessados, por enquanto.

A reciclagem de plástico exige apenas 10% da energia que se usaria para realizar o processo desde o início.

Reciclamos 15% destes resíduos que ocupam cerca de 10% dos aterros.

O Plástico que não está no aterro e nem em nenhuma cooperativa de reciclagem pode estar no mar e desta maneira ampliamos a visão para um problema de saúde pública.

Foi o capitão Charles Moore, em 1997, que resolveu fazer uma caminho diferente entre o litoral da Califórnia e o Havaí.

Encontrou o Lixão do Pacífico.

Levadas pela corrente marítima, toneladas e toneladas de sujeira, produzidas pelo homem nos Estados Unidos, Japão e sabe-se mais onde, se acumulam num lugar paradisíaco e inabitado.


Um oceano de plástico, uma sopa intragável, de aproximadamente 16 milhões de quilômetros que, segundo estimativas, seria maior do que a soma de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

O mais gigantesco aterro do mundo.

“Foi perturbador. Dia após dia não víamos uma única área onde não houvesse lixo. E tão distantes do continente”, diz Charles Moore que após trágica experiência direcionou a sua vida para a conscientização das conseqüências de um consumo desenfreado e na destruição da vida marítima por conta dos hábitos humanos.

Nas pesquisa envolvendo Charles Moore, cientistas  descobriram, por exemplo, que 27% do lixo marítimo vem de sacolas de supermercado e 10% de inocentes tampinhas e 8% de embalagens de limpeza e, em uma análise feita com 670 peixes, encontraram quase 1,4 mil fragmentos de plástico.

Por conclusões assim, a Suécia, começou a recomendar que as mulheres em idade fértil limitassem o consumo de arenque e salmão do Báltico, sendo estes a base da alimentação dos suecos.

Análises químicas mostraram que eles estavam muito contaminados com substâncias chamadas disruptoras endócrinas.

Em peixes, elas causam hermafroditismo.

Em humanos, câncer, aumento da próstata e puberdade precoce, entre outros distúrbios.

Encontrar plástico bicado pela vida marítima é muito comum neste marzão afora.

O lixo sintético se transforma numa grande sopa que junto com matéria orgânica, vira comida de peixes e aves.

Com o nome de “lágrimas de sereia”, estas pequenas partículas são consumidas pelos peixes e depois consumidas por nós.

Comemos petróleo com mais um monte de outras porcarias sintéticas.

Somos todos adictos, viciados e moldados no consumo do plástico e ainda por cima, comendo este resíduo também.

Plástico por todas as vias e sentidos.

Um quadro que parece sem solução, porém, cada pequena ação é como um sorriso de sereia que contamina quem está convivendo com os novos paradigmas.

Uma iniciativa interessante é a  Campanha Adote uma Caneca em seu local de trabalho, academia, festas…

Ao invés de utilizar copos descartáveis para a hora do café, ou mesmo para beber água, utilize sua própria caneca (de plástico, de louça, de alumínio) e incentive seu meio a fazer o mesmo.

Garrafinhas de alumínio é outra boa solução.

O mercado dos descartáveis já está se conscientizando e apresentando soluções interessantes e econômicas em papel e amido de milho para opção de festas e até copos comestíveis feito de algas.

Só “Googlar”.

http://www.outofhome-shops.nl/2742/jelloware-eetbare-weggooiglazen-

Utilizar produtos com refil ou retornáveis (retrônáveis), usar sacolas de pano ou papel, não aceitar embalagens plásticas desnecessárias e dizer com tranqüilidade :

Obrigada, não preciso.

Que sensação boa que é !

Com criatividade, consciência e boa vontade, sair da zona de conforto pode ser divertido, assim como estavam brincando com suas canecas as crianças de olhos brilhantes da Escola Amorim Lima.

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Permacultura: A ciência generosa do século 21



Parece que o mundo começou a entender que os moldes de consumo da sociedade nos últimos 60 anos é algo insustentável.

A indústria do lucro descomedido, passou por cima de rios e florestas para construir uma sociedade estressada, doente, egoísta, verticalizada e insatisfeita.

Se todos os continentes consumissem como os Estados Unidos, precisaríamos de 5 planetas para gerar alimento, água, energia e armazenamento de resíduos para todos.



Jogar o lixo fora é uma ilusão.

Do ponto de vista planetário, não existe fora.

Na terra somos 7 bilhões de pessoas, 7 bilhões de produtores de lixo, 7 bilhões de humanos que precisam de alimento e de saúde.

Esqueça a conversa de “Salvar o planeta”, nossa imensa bola azul se vira há 15 bilhões de anos, precisamos mesmo é salvar a existência do gênero humano que habita esta casa há poucos 200 mil anos.

Ecologia e Economia são palavras irmãs.

Ekos do grego casa.

Sufixo nomus entende-se por gerir.

Já o Logus significa estudo.

Enquanto a ecologia estuda, a economia administra.

Numa altura em que a tendência geral é a de nos concentrarmos em todos os problemas, desequilíbrios e assimetrias sociais e ambientais, o grande objetivo da Permacultura é o de contribuir para a criação, organização e transmissão de soluções.

Soluções que contribuam para que os indivíduos, famílias e comunidades possam gerir, de forma resiliente, livre e abundante a realidade que habitam, visando do começo ao fim da cadeia produtiva, entendendo que todo o processo precisa ser cíclico, como ocorre na natureza.

Este foi um tema evitado ao longo de décadas, mas com visíveis sinais de escassez de recursos, a Permacultura surgiu para facilitar a integração homem-natureza e começou a difundir um conceito simples de sustentabilidade, racionalidade e consumo consciente e social.

Mas, afinal, o que é Permacultura?


Permacultura é uma ciência que imita a natureza.

É um conceito que podemos chamar de “Cultura Permanente” ou “Ciência do Óbvio” e o permacultor é uma ponte que observa atentamente, cria o design e orienta os padrões naturais de crescimento e regeneração de uma forma sistêmica de pensar e conceber princípios ecológicos que podem ser usados para projetar, criar, gerir e melhorar todos os esforços realizados por individuo, família e comunidade, seja na área urbana ou rural.

Bill Mollison, co-idealizador da Permacultura

Bill Mollison, australiano, após 12 anos de vivências práticas em seu próprio sítio, introduziu a Permacultura na década de 70, juntamente com seu aluno brilhante e co-criador David Holmgren.

Em meados dos anos 90, Bill veio ao Brasil, no estado do RS, apresentar um novo conceito de vida, e a partir de então, é crescente o número de adeptos e praticantes.

Um ideal:

Famílias moram perto uma das outras.

Num sistema colaborativo e foco no desperdício zero, o grupo tem em suas casas, cisternas para armazenagem de água.

Esta água é dividida e encaminhada para irrigação, limpeza, tanques de plantas ornamentais e bio-digestor.

O biodigestor gera gás para cozinha do residencial ou para algum automóvel.

A idéia de lixo é desconstruída e dos resíduos orgânicos as galinhas são alimentadas e os minhocários também.

Dos resíduos das minhocas e das galinhas, gera-se ovos, terra fértil e bio fertilizante para o pomar e a horta comunitária sem agrotóxicos.

Galinheiro para geração de ovos

Os resíduos recicláveis são encaminhados para alguma cooperativa e alguns armazenados para confecção de papéis, instrumentos musicais, objetos e para a bioconstrução da próxima empreitada do grupo.

A internet é potente, já que permacultores são curiosos nas práticas incríveis que brotam por todos os campos do planeta.

Numa casa de container os computadores para o home office, biblioteca comunitária e uma sala de estudos para todas as idades.

Painéis solares aquecem as casas feitas de materiais de demolição, bambu, taipa de pilão, pneus, garrafas e tijolos de barro.

Harmonia estética e arquitetura funcional.

Enquanto as crianças solidárias desta vila aprendem que o melhor é “Ser Humano” já que o “Ter Humano” se mostrou triste e ineficiente.

Paredes e degraus feitos de taipa de pilão

Este modelo já existe e a opção de residências eco-responsáveis cresce a cada ano.

Comunidades se agrupam em interesses comuns na busca de uma realidade menos poluída e mais saudável.

Menos stress e mais comunicação e sensibilidade.

Piscina natural

Hoje o Governo Federal financia projetos apoiando os princípios da Permacultura, visando desenvolver tecnologias sociais com base na ética e nos princípios e métodos de design permacultural e prosperidade sustentável.

Esta ciência é multidisciplinar e consegue unir diferentes métodos, práticas e conceitos do conhecimento secular às descobertas da ciência moderna, proporcionando o desenvolvimento integrado de propriedades urbanas (captação da água da chuva, teto verde, compostagem doméstica, jardim comestível…) e rurais (biodigestores, agroflorestas, agricultura biodinâmica, energias renováveis…)

Exemplo de agrofloresta

Se você detesta desperdício e pratica ou simpatiza com: reciclagem de resíduos, reaproveitamento de bens de consumo,  jardinagem, horta, troca de produtos e serviços, arquitetura funcional, educação integral, consumo consciente, alimentação orgânica, melhor distribuição de renda…você já é um iniciante da Permacultura… só falta mergulhar e multiplicar seu conhecimento.

A Permacultura é para ser vivida na íntegra, exige uma mudança de atitude, de percepção e até mesmo quebra de paradigmas.

Sair da flácida zona de conforto e estabelecer na rotina diária, hábitos e costumes de vida simples com conforto e responsabilidade ecológica, no sentido de deixarmos para as próximas gerações a mesma opção que temos hoje: Preservar a natureza, a vida.

Não queremos nossos descendentes vivendo num mundo com acúmulo de lixo e escassez de água.

Queremos?

A responsabilidade (responder com habilidade) está em nossas mãos.

É um caminho de transformação potente, leva o tempo necessário, cada pessoa tem seu ritmo de despertar e organizar a vida de forma que ela seja abundante para todos à sua volta, no seu bairro, na sua cidade e no nosso planeta, sem prejuízo para o meio ambiente.

Na opinião da rede de Permacultura Social Brasileira, uma síntese dos pilares da permacultura é:  Cuidar das pessoas, da  terra e repartir os excessos.

Enfim, a Permacultura resgata a relação entre as pessoas e o meio ambiente de forma a “transformá-los” em sistemas perenes, abundantes e auto-regulados.

Green school – Sala de aula da Green School em Bali, construída com Bambú, nos moldes permaculturais.

Basicamente uma revolução silenciosa, social, econômica e infinita que busca a cooperação e solidariedade, para um futuro alegre, próspero e desejável para todos.

Símbolo da Permacultura: “O formato oval do símbolo da permacultura, representa o ovo da vida; aquela quantidade de vida que não pode ser criada ou destruída, mas que é expressada e emana de todas as coisas vivas.

Dentro do ovo está enrolada formando o símbolo do infinito, a serpente do arco-íris, a formadora da terra dos povos aborígines. (A serpente é mito comum em culturas tradicionais e também símbolo da medicina).

No centro está a árvore da vida, a qual expressa os padrões gerais das formas de vida.

Suas raízes estão na terra e sua copa na chuva, na luz do sol e no vento. O símbolo inteiro e o ciclo que representa, é dedicado à complexidade da vida no planeta Terra. (Extraído de “Introdução a Permacultura” de Bill Mollison)

Por Ana Alcantara e Ricardo Semealuz PSB( Permacultura Social Brasileira)

Saber mais :

http://permaculturabr.ning.com/

http://www.florestadosunicornios.com.br/eco/

http://www.moradadafloresta.org.br/

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