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Posts Tagged ‘filme noir’

Today’s Sound: Breathless por Arthur Mendes Rocha

Um filme cinqüentão que continua moderno e influente, parte do movimento que mudou o cinema francês e uma referência na cultura pop; estamos falando de “Breathless” (À Bout de suffle, na França ou “Acossado” no Brasil).

“Breathless” foi lançado em 1960, sob a direção do então desconhecido Jean-Luc Goddard (este é seu primeiro filme) e é considerado um dos pilares da Nouvelle Vague.

A Nouvelle Vague (ou french new wave em inglês) foi um importante movimento de alguns cineastas franceses que buscavam romper com as regras do cinema na época, dando-lhe uma cara mais moderna, mais “faça você mesmo’, abordando outros temas do que o cinema comercial francês da época e trabalhando com equipes amadoras e mais baratas.

Na sua maioria, os integrantes da Nouvelle Vague eram críticos da icônica revista de cinema, “Cahiers du Cinéma” e idolatravam o cinema de Hitchcock, Hawks, Cukor, entre outros e também faroestes e filmes B.

“Acossado’ gira em torno do personagem Michel Poiccard, papel vivido pelo jovem Jean Paul Belmondo.

Michel é fã de Humphrey Bogart e de filmes de gangsteres americanos. Ele imita seus trejeitos e o jeito de vestir, ele tenta ser um gangster, mas é apenas um jovem que vive de pequenos furtos, até que rouba um carro e acaba por assassinar um policial.

A partir daí, sua vida torna-se uma eterna fuga da polícia e ele vai buscar conforto nos braços de sua namorada americana, Patricia (Jean Seberg), que também o esconde em um quarto de hotel.

Patricia é vendedora do jornal americano Herald Tibune, ela tenta ajudar Michel a arrumar um empréstimo para fugir para a Itália e em certo momento até confessa que está grávida dele.

A estória tem várias cenas de perseguição pelas ruas de Paris, inclusive este era um dos objetivos de Godard, de tudo parecer uma coisa normal, câmera na mão, ruas em movimento, como um documentário.

Inclusive, Godard nem pediu autorização para filmar nas ruas, foi tudo feito na cara e na coragem.

O filme foi um sucesso internacional, feito com orçamento baixo; atores que não eram tão conhecidos na época e que, depois do filme, viraram astros internacionais.

Jean Seberg, a linda atriz americana, quase não topou fazer o filme, pois não conhecia Godard direito, nem seu estilo, questionando-o se o filme seria comercialmente viável.

Uma das inovações de “Breathless” foi o uso do jump cut (na tradução corte com pulo), que nada mais é do que uma edição que dá a impressão de que houve um pulo, já que utiliza um mesmo objeto e logo em seguida este mesmo objeto já se mexeu, devido à uma leve mudança no posicionamento da câmera. Isto pode ser visto na cena abaixo:

Outro equipamento que Godard utilizou foi a Eclair Cameflex, câmera esta que faz um barulho que exigiu que várias cenas fossem dubladas no estúdio.

O filme teve mais de dois milhões de espectadores (somente na França) e também recebeu o Urso de Prata de melhor direção para Godard e o prêmio Jean Vigo.

Godard virou um dos nomes principais da Nouvelle Vague, seus filmes foram marcantes, sejam os mais experimentais ou os menos famosos, mas que sempre despertam a curiosidade dos cinéfilos, tais como “Alphaville”, “Le Mépris”, “Pierrot Le Fou”, entre outros.

Para este seu primeiro trabalho, Godard contou com a ajuda de François Truffaut (outro membro importante da Nouvelle Vague e que despontaria para a fama com “400 blows”) que escreveu o roteiro e Claude Chabrol, que fez consultoria técnica.

Uma das participações especiais em “Breathless” é o grande diretor francês Jean Pierre Melville, ele mesmo um grande fã dos filmes de gangsteres, como mostra em filmes seus tais como “O samurai” e “Bob, o jogador”, e que deu algumas dicas para Godard.

O filme é um exercício de estilo, seu visual é imitado até hoje, o filme prima pela sua autenticidade, é um marco no cinema independente mundial.

Na moda, “Breathless” também teve bastante influência, vários estilistas são fãs do filme, vários editoriais já o homenagearam, como vemos abaixo com Christy Turlington fazendo às vezes de Seberg:

O filme não teve uma figurinista oficial, a idéia de Godard era de que os atores vestissem suas próprias roupas: Jean Seberg com seus cabelos bem curtinhos, um estilo meio bem gamine, com calças cigarrete e camiseta do Herald Tribune, saias plisadas e camiseta listrada estilo marinheiro ou mesmo vestindo as camisas de Belmondo…

E ele, com seu terno desestruturado, chapéu de gangster ou boina xadreza, óculos escuros, seu jeito de fumar, de andar, tudo é puro estilo em “Breathless”.

O filme teve até uma refilmagem em 1983, com Richard Gere e Valerie Kaprinsky nos papéis principais, não chega a ser ruim, mas também não dá para comparar com o original.

Em 2010, o filme completou 50 anos e a distribuidora Rialto relançou o filme em alguns cinemas na Europa e EUA, incluindo a  remasterização de som e imagem (aprovada pelo diretor de fotografia do filme Raoul Coutard), resgatando o filme para a nova geração.

“Breathless” é tanto uma homenagem ao cinema americano (e aos filmes noir dos anos 40) como a expressão de algo novo e bem francês, é isto que o torna interessante e à frente de seu tempo; não é a toa que vários crítico cinematográficos dividem o cinema moderno entre antes e depois de “Breathless”.




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Today’s Sound: Sunset Boulevard por Arthur Mendes Rocha

Talvez não seja exagero dizer que “Sunset Boulevard” (Crepúsculo dos Deuses) seja o melhor filme sobre os bastidores do cinema, sua glória, sua decadência, e as feridas que deixa em uma grande atriz do cinema mudo.

Muito antes de ‘O Artista” (o grande vencedor de todos os prêmios do cinema em 2011), Billy Wilder havia dirigido em 1950 um filme que lida justamente com o destino de um artista do cinema mudo que não consegue participar da transição para o cinema falado e acaba ficando ultrapassado.


A atriz em questão chama-se Norma Desmond, papel feito sob medida para a maravilhosa atriz Gloria Swanson, ela mesmo uma vítima dos estúdios hollywoodianos, já que era super estrela do cinema mudo e já não trabalhava tanto no cinema falado.

“Sunset Boulevard” é brilhante do início ao fim, é considerado uma obra-prima do noir e um filme que homenageia o cinema e suas figuras lendárias como Erich Von Stroheim (famoso diretor do cinema mudo alemão que migrou para Hollywood), Buster Keaton (o incrível comediante rival de Chaplin), Cecil B. DeMille (o lendário produtor de grandes espetáculos do cinema) e até Hedda Hopper (a colunista de fofocas rival de Louella Parsons).

A estória gira em torno da tentativa de Norma em voltar ao cinema por cima, para isso ela contrata o roteirista Joe Gillis (papel do galã William Holden) para ajudá-la.

Só que ela acaba se apaixonando perdidamente por Joe e até o convida para morar com ela enquanto escreve o roteiro (que ele considera medíocre).

Joe acaba participando desta loucura de Norma, tudo isto sob a vigilância constante de seu fiel mordomo Max (Stroheim), que mantém com ela uma relação de total servidão e proteção.

Só que Joe não está apaixonado por Norma e sim por uma jovem que ele conheceu na Paramount , papel da atriz Nancy Olson.

Norma vai percebendo que Joe não corresponde ao seu amor, sua volta ao cinema não se concretiza e ela já não sabe distinguir o mundo real e o da fantasia, levando-a a um desfecho dramático.

O filme já ousa logo na cena inicial, quando vemos o corpo de Joe boiando na piscina da mansão, e a estória é contada toda em flashback, pelo próprio Joe, que na verdade está morto.

Sunset Boulevard concorreu a onze Oscars, mas só acabou levando três, incluindo melhor roteiro (feito por Wilder em parceria com Charles Brackett).

Billy Wilder sempre foi um apaixonado pela cultura americana e quando se mudou para Hollywood (na verdade o diretor é austríaco), ele ficou se perguntando o que faziam os atores do cinema mudo que já não trabalhavam mais. Esta foi sua inspiração para criar “Sunset Boulevard”.

Wilder já começava a fazer sucesso, já que quando dirigiu o filme, já havia feito “Double Indemnity” (outro clássico do noir) e “Lost Weekend”, entre outros. Mais tarde ele faria “Quanto mais quente melhor”, “O Apartamento”, entre outros.

Swanson não foi a primeira opção para viver Norma Desmond; várias atrizes famosas foram consultadas incluindo Mae West (a primeira opção de Wilder), Pola Negri, Norma Shearer, Greta Garbo e Mary Pickford.

Quem indicou Swanson foi o diretor George Cuckor, que considerava ela perfeita para o papel.

Uma das lendas do filme é que Swanson agiu como Desmond ao se recusar a fazer o teste na Paramount para o papel, já que no filme ela fala: “sem mim, não haveria nenhuma Paramount”.

Holden também não foi a primeira opção para viver Gillis, o desejo do diretor era ter Marlon Brando e depois Montgomery Clift, que chegou a rodar algumas cenas, mas abandonou as filmagens (dizem que por coincidentemente também estar namorando uma atriz mais velha).

Outra cena famosa é a da festa a fantasia que ela dá em sua mansão, convidando seus amigos do cinema mudo e veste-se de Chaplin.

Em outra cena antológica, ela chega na Paramount para visitar DeMille e enquanto está esperando-o, um microfone passa por sua cabeça e ela o afasta com desprezo.

O filme é cheio de referências sobre cinema, tanto de Hollywood como sobre roteiristas, é um delírio para os cinéfilos.

Outro destaque é o lindo score criado por Franz Waxman, o mesmo de “The Philadelphia Story”, “Rebecca” e “A place in the sun”, entre outros, e que foi premiado com o Oscar.

A fotografia em p&b também é uma atração a parte, realizada pelo usual colaborador de Wilder, John F. Seitz, indicado sete vezes ao Oscar.

O figurino foi criado por Edith Head, a célebre estilista de grandes clássicos do cinema, vencedora de vários prêmios da Academia, habitual colaboradora de Hitchcock, que criou o figurino de Norma, que ela descreve: “como Norma estava perdida em sua própria imaginação, eu tentei criar um visual de como se ela estivesse sempre personificando alguém”.

A lendária figurinista Edith Head com Gloria Swanson em Sunset Boulevard

“Sunset Boulevard” é um marco na cultura pop, gerando várias homenagens e suas frases famosas são sempre lembradas como esta: “I am big, it’s the pictures that got small” (Eu sou grande, são os filmes que se tornaram pequenos).

Ele até originou um musical da Broadway, escrito por Andrew Lloyd Webber e estrelando Glenn Close.

O filme foi um sucesso de público e crítica, mesmo que gerando algumas inimizades para Wilder, pois o filme não deixa de ser um retrato cruel (mas realista) da decadência de uma atriz que um dia já foi uma grande estrela.

“Sunset Boulevard” será lançado pela primeira vez em Blu-ray em novembro deste ano e preparem-se, pois será uma edição altamente caprichada: as matrizes originais foram remasterizadas, tanto em termos de imagem como de som. Além disso, mais de duas horas de materiais extras inéditos com documentários e especiais sobre o filme, bem como uma cena cortada da versão original.

O American Film Institute considerou “Sunset Boulevard” um dos cem maiores filmes americanos de todos os tempos, ficando na 12ª posição.

Se você ainda não o viu, não deixe de assisti-lo, já que é uma verdadeira aula de cinema, um filme que merece o status de cult.

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Today’s Sound: Shadow of a Doubt por Arthur Mendes Rocha

“Shadow of a doubt’ (A Sombra de uma dúvida) não é dos filmes de Hitchcock mais badalados, mas era o preferido do mestre do suspense.

A produção é de 1943, já em sua fase americana, e estrelada por dois atores famosos na época: Joseph Cotten (que já vinha de “Cidadão Kane” e “The Magnifcient Ambersons”, ambos de Orson Welles) e Teresa Wright (que logo em seguida faria o premiado “The Best years of our lives”).

Os dois têm o mesmo nome no filme, ambos chamam-se Charlie: ele é o tio Charlie e ela é sua sobrinha Charlie.

O filme gira em torno deste misterioso tio, adorado pela sobrinha, mas que na verdade esconde um terrível segredo.

“Shadow of a doubt” começa com a sobrinha entediada, já que vive em uma cidade pequena (Santa Rosa) e seu desejo em ter a visita do tio que ela adora e que sempre a anima.

Seu desejo é realizado com a visita do tio, mas este (sem saber) estava sendo perseguido por dois detetives disfarçados de jornalistas, que acabam deixando dúvidas na cabeça de sua sobrinha.

Os detetives estão à procura do assassino de viúvas, um sujeito que andava matando senhoras ricas para ficar com seu dinheiro e o tio Charlie é um dos suspeitos.

A sobrinha não quer acreditar que seu tio talvez seja o assassino e o jeito de Hitchcock lidar com esta desconfiança é que torna o filme intrigante.

Em uma das cenas, o tio Charlie vê uma notícia do jornal sobre a morte de uma viúva e tenta esconder isto da família, arrancando a notícia e gerando a suspeita da sobrinha.

Pequenos detalhes como um anel de esmeralda que o tio a presenteia e que contém duas iniciais também gera uma desconfiança.

Outra cena bem hitchcokiana é a que a sobrinha assobia uma valsa e vem a descobrir que esta é a “Merry Widow Waltz”, ou seja, a valsa da viúva (em referência às viúvas que o tio assassinava).


Joseph Cotten está brilhante como o tio Charlie, com esta dualidade entre o bem e o mal, seu carisma e cinismo, seu ar sinistro, como nesta cena do jantar onde ele fala mal das viúvas (prestem atenção no seu olhar final para a câmera):

Hitchcock não era o mestre do suspense à toa, ele cria climas que nos surpreendem, cada vez mais o tio vai tendo ações que o tornam mais suspeito. Como na cena em que ele ameaça a vida da própria sobrinha ao trancá-la na garagem com um motor ligado na ausência da família.

Uma das coisas que mais gosto em seu estilo, é a maneira com que ele vai nos envolvendo em suas tramas, esta forma dele agitar uma pacata vida de uma família americana, quando iria-mos desconfiar que um tio tão dedicado esconde um frio assassino?

Vejam esta cena, onde o tio Charlie fala para sua sobrinha, que está acostumada com uma vida normal, o que significa a presença dele:

O diretor cria aqui o seu próprio filme noir, em p&b, com cenas em ruas escuras, utilização de sombras, contrastes, lidando com o instinto assassino e dark que alguns seres humanos escondem dentro de si.

Na famosa entrevista que Hitchcock concedeu à Truffaut, que virou livro, ele fala da cena em que o tio Charlie chega de trem, cercado de fumaça negra, e que isto era o prenúncio do mal.

Hitchcock usa e abusa de seus famosos planos de câmeras, como os close-ups para pontuar uma cena ou algo que não havíamos percebido.

E também os tilt shots, os planos que filmam de diferentes ângulos, como de cima para baixo, para acentuar a tensão de determinada cena.

“Shadow of a doubt” não nos mostra uma redenção final de sua heroína, ele trabalha com as ambigüidades, com a perda da inocência através da absorção da culpa; uma obra brilhante.

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