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TODAY’S SOUND: SCREAM QUEENS, AS RAINHAS DO TERROR

E nada melhor que encerrar os posts de terror numa sexta-feira 13, falando de algumas das “Scream queens”, ou as rainhas do grito – estrelas, starlets, que tiveram seu momento de glória em algum clássico do terror.

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Vamos começar por Fay Wray, a primeira companheira de King Kong (derrotando candidatas como Jean Harlow e Ginger Rogers), no clássico dos anos 30, e que ficou marcada por este papel pela vida inteira.

Wray, Fay (King Kong)_16

O filme foi um grande sucesso e ela havia feito antes um ótimo filme de terror, “The most dangerous game” (que acaba de ganhar uma refilmagem).

Outra estrela foi Janet Leigh, que trabalhou num dos filmes mais assustadores de todos os tempos, “Psicose’, de Alfred Hitchcock. Mesmo sendo a protagonista do filme, ela acabou sendo eliminada logo na primeira metade ( o que causou estranheza nas plateias da época).

Psycho (1960) Directed by Alfred Hitchcock Shown: Janet Leigh (as Marion Crane)

Janet teve uma carreira de sucesso em Hollywood, trabalhou com grandes diretores como Orson Welles (em ‘A Touch of Evil”), entre outros.

Ela era casada com outro grande astro, Tony Curtis, com quem teve a filha Jamie Lee Curtis.

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Mas no gênero horror, sua grande participação foi em ‘Psycho’, sendo atacada no chuveiro depois de roubar alguns dólares de sua empresa e se esconder no Bates Motel (péssima escolha para uma noite chuvosa). A cena entrou para a história do cinema, pela sua edição impecável e pelo impacto que causou na época (estamos falando de 1960).

Já que falamos na mãe, por que não falar da filha: Jamie Lee Curtis, que teve um de seus papéis mais importante logo que começou, no filme “Halloween”, de John Carpenter.

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O filme, de produção barata, se tornou um sucesso retumbante (custou 325 mil dólares e arrecadou 47 milhões) e é o responsável pela renascer do gênero terror; foi lançado em 1978 e seu vilão, Michael Myers virou um ícone.

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Depois deste filme, Jamie ainda fez a continuação, “Halloween II”. Ela se juntou à mãe em outro clássico do terror, “The Fog’‘ (em 1980), do mesmo diretor, Carpenter. E também atuou com a mãe em outra continuação de Halloween, com os fatos ocorridos 20 anos depois, ‘Halloween H20”.

Outro filme de terror que ela participou foi “Prom Night”, ao lado de Leslie Nielsen (de ‘Airplane’ e dos filme “Loucademia de Polícia”) e foi musa fitness nos 80’s (quando fez “Perfect”). Ela também arrasou em ‘Um peixe chamado Wanda” e ‘True Lies”.

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Este ano, ela foi homenageada por Ryan Murphy (de American Horror), que lhe deu um papel de destaque na nova série dele, justamente intitulada ‘Scream Queens” (eu vi o primeiro episódio e achei adolescente demais).

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Já que falamos em “The Fog”, vou aproveitar e falar de outra estrela que participou do filme, Adrienne Barbeau, casada na época com o diretor John Carpenter.

Barbeau bombou nos anos 80, participando de filmes como “Fuga de Nova York” (também de Carpenter), mas foi nos filmes de terror que ela se destacou tais como ‘Swamp thing” e ‘Creepshow” (no segmento “The Crate”).

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Ela até chegou a fazer um pôster sexy que vendeu horrores, ela era mesmo uma musa do terror.

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Recentemente, ela participou de seriados como ‘Carnivale” (no qual vivia a dançarina de cobras, Ruthie), e em papéis menores em ‘Dexter”, ‘Sons of Anarchy” e “Revenge”, entre outros.

Outra atriz que também se destacou nesta época foi Margot Kidder, que ficou mais conhecida como a Lois Lane, a namorada do Superman vivido por Cristopher Reeve no cinema.

Margot Kidder in “The Amityville Horror.” Courtesy of Shout! Factory

Mas Margot fez alguns filmes de terror importantes, como o ótimo “Sisters”, um dos primeiros filmes de Brian De Palma, onde ela vive gêmeas siamesas aterrorizantes.

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Ela também participou de outro clássico, “Amityville Horror” (Terror em Amityville), sobre um casal que se muda para uma casa mal-assombrada, onde haviam ocorridos vários assassinatos.

Nos anos 90, ela foi diagnosticada como maníaco-depressiva, e desde então tem feito participações esporádicas em algumas produções, pois andava aprontando alguns bafos.

Com a recente perda do grande mestre do terror, Wes Craven, vale a pena falarmos de Heather Langenkamp. Ela foi a primeira estrela do filme “Nightmare on Elm Street” ( A Rua do Pesadelo). Nunca vou esquecer a vez que vi o filme pela primeira vez e o quanto a figura de Freddy era assustadora.

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Heather, apesar de parecer ser apenas uma “girl next door”, enfrentava Freddy Kruger com toda a garra e gritando muito (também não tinha como não gritar).

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Outra atriz que se destacou nos 90/00 foi Neve Campbell, que ficou conhecida por sua participação na série “Party of Five” (O Quinteto) e que depois fez alguns importantes filmes de terror como o clássico ‘Scream” (Pânico), também de Wes Craven, bem como um de suas continuações, “Scream 3”. Agora os filmes viraram uma nova série da MTV que está fazendo sucesso.

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Vale ressaltar que Campbell também atuou em “The Craft’ (Jovens Bruxas), outro filme que procurava ressuscitar o gênero de maneira mais light. Recentemente, ela fez uma ótima participação num episódio de “Mad Men”.

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E finalizamos este post prestando uma homenagem dupla: a dois astros de “The Texas Chainsaw Massacre” (O Massacre da Serra Elétrica), Marilyn Burns e Gunnar Hansen.

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Burns faleceu no ano passado e estará para sempre em nossa memória como a vítima que escapa no final, coberta de sangue, e que passa mais de meia hora gritando, por isso talvez ela mereça o troféu das “scream queens’.

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E Hansen caba de falecer nesta semana e ele foi Leatherface, o vilão mais aterrador de todos os tempos, sua presença em cena já nos fazia arrepiar e estamos falando de 1974, quando o incrível filme de Tobe Hooper foi lançado e que até hoje não perdeu sua força e influência na história dos filmes de terror.

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TODAY’S SOUND: ALIEN SEX FIEND POR ARTHUR MENDES ROCHA

Alien Sex Fiend é a banda formada por Nick Fiend nos vocais e Ms. Fiend na bateria eletrônica e sintetizadores, com mais de 30 anos de estrada, eles inovaram a cena gótica-dark-industrial-eletrônica, fazendo um som que ninguém fazia na época.

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O Alien Sex Fiend formou-se em 1982, no Norte de Londres, baseado nas experimentações sonoras da dupla e ousando nos vocais maníacos de Nick Wade (que passou a assinar como Nick Fiend), nos sintetizadores e baterias eletrônicas de Christine (a futura Ms. Fiend) e mexendo com a cena musical em clubs como o icônico Batcave (do qual já falamos aqui).

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O single de estreia foi ‘Ignore the machine’, lançado em 1983, já com influências de filmes de terror e potente batidas eletrônicas, sob a produção de Youth (do Killing Joke):

O álbum ‘Who’s been sleeping on my brain” foi lançado logo em seguida, com os demais integrantes da banda, o guitarrista Yaxi Highrizer e o baterista Johnny ‘Ha Ha’ Freshwater.

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Foi um ótimo debut para uma banda que chamava ainda mais atenção com os visuais psicóticos de Nick, sempre bem maquiado, com a cara pintada de branco, olheiras pretas, e variando seus looks, podendo ter a cara coberta de sangue, com cartolas, dentes de vampiros, além de modelos cavernosos, diretamente saídos de um pesadelo.

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Em 1984, eles conseguem emplacar alguns hits na parada independente como “R.I.P.’;

 

E no mesmo ano lançam o álbum “Acid Bath”, considerado um de seus melhores trabalhos a começar pela icônica capa (que ficou ainda mais famosa depois que Tim Burton vestiu um dos personagens de “Mars Attacks” com ela)

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Dois dos singles que o álbum originou foi ‘E.S.T.(Trip to the moon)” e “Dead & Burried”:

Com este álbum, o ASF ficou muito famoso especialmente no Japão, tendo lançado no ano seguinte o álbum ao vivo, “Liquid Head in Tokio”.

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Imagine um som que envolva psicodelia, filmes B, distorções, vocais fantasmagóricos, além do uso de muitos samples e loops, tudo isso é o som que o Alien Sex Fiend faz e que possui muitas classificações, entre elas death metal, techno-goth, industrial e mais.

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Em 1985, eles lançam seu terceiro álbum de estúdio, ‘Maximum Security’, desta vez sem o baterista Johnny, que separou-se da banda.

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Entre os destaques do álbum estava ‘I’m doing time in a maximum security twilight home”, mostrando a banda ainda mais experimental e utilizando ainda mais efeitos sonoros:

1986 marca o ano que o ASF abre a turnê ‘Nightmare Returns’ de Alice Cooper e lançam ‘It-the álbum” que incluía “Smells like…”:

A capa foi criada pelo próprio Nick, que desde então, também passou a se dedicar à criação artística, pintando, fazendo colagens, experimentando diferentes cores e texturas, chegando a exibir seus trabalhos em várias galerias.

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As apresentações ao vivo do ASF são insanas, com uma espécie de cabaré liderado pelo mestre de cerimônias Nick, com bonecos e cenários mirabolantes, conquistando fãs que iam de Iggy Pop a David Bowie.

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No ano seguinte, eles gravam seu último disco enquanto trio, “Here Cum Germs”, pois Highrizer deixa a banda.

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Agora como uma dupla, o Fiend continua lançando vários discos, seja em estúdio ou ao vivo.

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No programa Beavis & Butthead, um dos vídeos favoritos da dupla era “Now I’m feeling zombfied”, que eles mantinham em alta rotação:

Com a chegada da década de 90, o ASF se rende aos novos tempos, lançando CD-Rom da trilha sonora do game “Inferno – the Odyssey continues”.

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Além de produzirem o fanzine ‘Fiendzine” ou “Alien World News” que hoje em dia viraram ítem de colecionador.

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Com o final da década de 90 se aproximando, o ASF, com a adição de um novo guitarrista, Rat Fink Jr., eles ficam cada vez mais influenciados pela eletrônica e pelo trance, lançando “Nocturnal Emissions” em 1997.

Este é o primeiro lançamento de seu selo próprio, o 13th Moon.

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Os anos 00 mostram a banda continuando suas experimentações sonoras, ainda mais instigantes e explorando novos territórios, mostrando que a banda continua na ativa.

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Seu último lançamento foi ‘Death Trip’, lançado em 2010 e eles ainda prometem um disco de remixes que possivelmente se chamará “Death Trip 2”.

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No ano passado, eles fizeram um super show na Castle Party, na Polônia, que levou os seus fiéis admiradores a verem que o Alien Sex Fiend continua com toda a energia que os tornaram ícones do rock alternativo.

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TODAY’S SOUND: JOY DIVISION POR ARTHUR MENDES ROCHA

Mesmo tendo uma curta existência, o Joy Division foi uma das bandas mais influentes do pop moderno; seu som inovador e os vocais sofridos de Ian Curtis deixaram a sua marca para sempre na música.

Joy-Division1A banda se originou em 1976, em Manchester, quando os amigos Bernard Summer e Peter Hook ficaram tão impressionados com um show do Sex Pistols e viram que para formar uma banda, bastava enfiar as caras e fazer, comprar os instrumentos e experimentar até criar o seu próprio estilo.

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Na tentativa de arranjar um vocalista, eles colocam um anúncio na loja de discos Virgin para recrutar um, e quem acaba respondendo (o único por sinal) é justamente Ian Curtis.

O primeiro nome escolhido foi Warsaw, mas existia outra banda com o nome parecido e eles optaram pelo nome Joy Divison (Divisão da alegria), inspirado em uma passagem do livro “House of Dolls”, escrito por Ka-tzetnik 135633, onde o autor se refere com este nome a  um grupo de prostitutas que entretinham os nazistas.

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No primeiro EP da banda, ‘An Ideal for living” (hoje raríssimo de ser encontrado), a capa se refere à juventude nazista, com um jovem tocando um tambor (desenhado por Summer) e o som é bem cru, bem punk mesmo.

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A existência do Joy Division foi uma das mais rápidas, já que Ian Curtis cometeu o suicídio em 1980, quatro anos depois que a banda começou.

Tony Wilson é outra figura essencial para banda, pois fundou a Factory Records, foi o primeiro a apostar na banda e ver o seu potencial. Ele até mereceu um filme a seu respeito, ’24 hour party people”.

A trajetória do JD é cheia de histórias, fatos que foram sendo elucidados com o tempo, mas ninguém nuca saberá o que levou Curtis ao suicídio, mesmo que ele sofresse de depressão, epilepsia e tivesse uma alma torturada e dividida entre dois amores (sua esposa Debbie e a amante Anik), além de uma filha.

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Segundo Summer, Ian estava nos extremos da vida, ele chegou a trabalhar em centros de reabilitação e uma de suas músicas mais famosas “She’s lost control’ (do álbum ‘Unknown Pleasures”) foi inspirada em uma jovem que frequentava o centro em busca de trabalho:

Curtis foi quem apresentou à banda, álbuns que ele gostava como os do Kraftwerk e os de David Bowie produzidos por Brian Eno, o que fez Summer começar a utilizar sintetizadores em músicas como ‘I Remember nothing”.

Curtis já foi tema de inúmeros livros, ensaios e até de um filme: ‘Control’, dirigido por Anton Corbjin (o diretor famoso por videoclipes), filme em preto e branco, soturno, lento e que é um belo retrato sobre este artista incompreendido. Abaixo uma cena do filme, com atores no lugar da banda interpretando ‘Dead Souls”:

Para fazer este post, reli várias entrevistas com a banda, de como os demais integrantes não se deram conta que Curtis poderia ter feito o que fez, onde eles erraram, o quanto ele havia dado pistas em suas letras e que na época eles não perceberam, enfim, mas uma coisa é certa: Curtis sempre parecia deixar a impressão de que ele estava bem, ela não queria preocupar ninguém e não fazer alarde à sua pessoa.

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Um dado interessante é que as letras, todas feitas por Curtis, tinham influências de autores como William Burroughs e J. G. Ballard, mas a banda sequer lia as letras e achavam que elas combinavam com as músicas (na maioria escritas por Summer), mas estas mostravam temas como culpa, raiva, medo, claustofobia até um curioso fatalismo.

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O Joy Divison gravou apenas dois álbuns: “Unknown Pleasures” e ‘Closer’ e ambos entraram para a história da música como álbuns impecáveis, criando um som característico, que ninguém na época fazia, já abordava  temas que não costumavam ser abordados pela música pop; eles não eram uma banda punk, o punk fala de dentro para fora, da realidade social, enquanto o som do Joy busca um diálogo interno. Era um gótico mais dançante, tudo isto encorpado pela instrumentação.

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Inclusive, o produtor destes dois discos, Martin Hannett procurou tornar a banda em estúdio como se estivessem em um sonho, com a sensação de estar em suspenção, de estarem presos em uma trama complexa, perdendo até um pouco da ‘sujeira”, da empolgação das apresentações ao vivo, mas que agradou em cheio todos os admiradores que a banda conquistou.

Abaixo eles interpretam ‘Disorder” do álbum ‘Unknown Pleasures”:

Em depoimentos dos membros restantes, eles criticam esta decisão do produtor, mas acabam reconhecendo que isto ajudou a criar o mito que se tornou o Joy Division, com toda a melancolia e a profundidade deles.

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Hannett colocava sintetizadores e efeitos sonoros como garrafas quebrando, barulhos de alguém mastigando batatas fritas, guitarras com o som ao contrário. Inspirado por bandas como The Doors, The Velvet Underground, Throbbing Gristle, e muitas outras, o produtor procurou trazer aos estúdios todo o seu conhecimento musical.

As capas de ambos os discos são bem darks e tornaram-se ícones gráficos;  idealizadas por Peter Saville, elas refletem justamente o que a banda é, imagens fortes, contrastantes.

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Em ‘Unknow Pleasures”, ele utiliza imagens baseadas em ondas de rádio e somente isto na capa, a imagem do branco no preto e as informações apenas dentro do álbum (inclusive o nome da banda).

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Um dos destaques era “Shadowplay”:

Logo após este álbum, a banda lança o single “Transmission”:

O segundo disco “Closer” só foi lançado após a morte de Curtis, e a capa, escolhida pelo próprio Curtis, não pode ser mais pessimista (e linda ao mesmo tempo), com uma imagem de um túmulo de um cemitério italiano, em Genova, com concepção de Saville, tudo branco e a imagem em p&b.

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Segundo a própria definição de Hook, “Closer’ é a trilha sonora da distância; a distância do primeiro e do segundo álbum, a distância entre os pontos, entre as pessoas, de estar junto ou sozinho.

Por incrível que pareça, o maior sucesso comercial da banda, a música ‘Love Will tear us apart’, foi lançada apenas como single e também após a morte de Curtis e mostra justamente o momento em que Curtis vivia dividido, confuso, sofrendo de ataques epiléticos e dependente de drogas.

Outro disco lançado após a morte de Curtis foi ‘Still”, com músicas que não haviam sido lançadas, sobras de estúdio e faixas ao vivo. O título refere-se a algo que continua (mas que na verdade não continua) e baseia-se numa frase do livro ‘Herzog” de Saul Bellow e também refere-se ao cineasta Werner Herzog, a cujo filme ‘Stroszek”, Curtis assistiu antes de se suicidar.

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Depois que o Joy Division terminou, os integrantes remanescentes criaram o New Order, outra excelente banda que está na ativa até hoje, de grande sucesso comercial e mesmo que com alguns ressentimentos entre eles.

A morte dele gerou comoção entre seus fãs e muito da atitude pessimista, dark, gótica do início da década de 80, foi também atribuído à seu trágico desaparecimento.

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Só com isso, o Joy Division já entrou em lugar de destaque no pop mundial, com uma adoração e uma legião de seguidores que permanece até hoje.

Sem o Joy Division, toda uma geração de bandas do pós punk, do pop depressivo dos anos 90 e mesmo das bandas mais modernas, jamais existiriam.

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