“Mad Men’ é uma das séries mais chiques e cheias de classe já transmitida pela TV, seja pela incrível direção de arte e pelos roteiros imaginados por Mathew Weiner.
A série se passa nos anos 60 e foi criada por Weiner, tendo em mente os profissionais da Madison Avenue, os publicitários que ditavam as regras do mercado da época.
A começar pelos créditos, que se tornaram icônicos, vemos a imagem de um homem caindo, em uma animação e com aquele tema elegante ao fundo; uma homenagem ao designer Saul Bass, que fez importantes aberturas de filmes como “North by Northwest” e “Vertigo”, ambos de Hitchcock:
Tudo gira em torno da agência Sterling Cooper, que agora já trocou de nome no decorrer das outras temporadas e ganhando novos sócios.

‘Mad Men’ estreou na TV americana em julho de 2007, também através do canal AMC (o mesmo de ‘Breaking Bad”) e atualmente está em sua sexta temporada.
A atual temporada, a sexta, está sendo transmitida no momento nos EUA e deve encerrar em junho.
No Brasil, a série é transmitida pela HBO e na TV aberta, agora que a Cultura começou a exibi-la.

A estória é centrada no personagem de Don Draper (John Hamm), mais um anti-herói, cheio de incertezas, dúvidas e que esconde um passado obscuro, já que trocou de identidade com um soldado que morreu ao seu lado na guerra.
Este lado de Don é explorado com maestria por Weiner, já que atrás de toda a aparência de sujeito forte e decidido, Don esconde uma personalidade de alguém que sofreu muito no passado e que desistiu de ser quem ele era.

A série recorre muito aos flashbacks da vida de Don, do tempo em que ele se chamava Dick Whitman, contando um pouco de suas experiências no passado, tendo uma infância dura e uma mãe prostituta e um pai severo e frio.
Mas Don é muito bem sucedido profissionalmente, é um excelente diretor de criação, cheio de ótimas idéias para vender os produtos de seus clientes.
Hamm era um ator desconhecido, que vivia de pequenas pontas em Hollywood, ele era apenas mais um rosto bonito no meio de tantos e se ‘Mad Men” não tivesse acontecido em sua vida, teria desistido da profissão.
A escolha dele como Don foi certeira, pois ele é a alma da série, cada episódio vai nos revelando um novo Don, do qual podemos esperar tudo. Ele é sedutor, charmoso, sexy, com seu charme conquista todas as mulheres. Adoro esta cena dele com Betty em Roma:
Mas diferente de Walter (de Breaking Bad), Don ainda tem uma certa moral, ele é ambicioso, mas ainda tem escrúpulos (pelo menos até agora).
Vamos aos outros personagens:
Roger Sterling (John Slattery) – o chefe de Don (pelo menos nas primeiras temporadas) e um dos sócios majoritários da agência. Dono das melhores falas da série, Roger é simpático, mulherengo, se envolvendo em dois casamentos além de flertar com Joan e mais algumas. Slattery cresce a cada temporada no papel e chegou até a dirigir episódios da série.
Pete Campbell (Vincent Kartheiser) – se eu tivesse que escolher um vilão na série, votaria em Pete: mega ambicioso, sem escrúpulos, moralmente ambíguo, ele sempre está contra tudo e todos e aí de quem se atravesse em seu caminho

Peggy Olson (Elisabeth Moss) – ambiciosa e cheia de ideais, Peggy é a protegida de Don, que lhe dá chance de subir na agência. Porém Peggy tem dificuldades na escolha de seus parceiros, terá um filho indesejado e é uma mulher a frente de seu tempo. Um de seus envolvimentos foi com Peter:
Joan (Christina Hendricks) – competente e autoritária, ela vai subindo na firma, até virar uma das sócias (em um sensacional episódio da quinta temporada). Joan já se envolveu com Roger e atrai os homens com sua figura pin-up de seios fartos, meio Sophia Loren, mas de cabelos ruivos, um dos grandes charmes da série.

Betty (January Jones) – a esposa chata de Don nas primeiras temporadas, ela não vai agüentar as traições do marido e acaba tomando uma atitude radical nas temporadas seguintes. Betty é a típica american girl, loira, bonita e com físico a la Grace Kelly.

Abaixo, uma entrevista com parte do elenco para o programa Inside the Actor’s Studio:
Além destes, vários outros personagens transitam na série, como Lane, vivido por Jarred Harris (filho do ator inglês Richard Harris), publicitário inglês que se une à agência; a filha de Don e Betty, Sally (Kiernan Shipka), que vai ganhando importância quando fica mais adolescente e se envolve com um garoto de sua vizinhança, Megan Draper (Jessica Paré), a nova mulher de Don que deseja ser atriz, Trudy (Alison Brie), a mulher certinha de Pete, entre muitos outros.
A série já teve ou tem várias participações especiais, atores novos ou de renome, que se tornaram personagens recorrentes.
Weiner era um dos roteiristas de ‘The Sopranos’, uma das grandes séries de todos os tempos, e que lhe deu a experiência necessária em escrever brilhantes estórias.
Ele bateu na porta de várias emissoras, mas a maioria recusou financiar a série, já que para produzir uma série de época e com o cuidado com que esta é feita, com certeza o gasto de cada episódio é muito alto, girando em torno de dois milhões de dólares.

Mas o canal a cabo AMC topou e investiu na série, o que se mostrou um grande trunfo, já que durante cinco temporadas, a série venceu o prêmio Emmy de melhor série dramática, quatro vezes consecutivas, um recorde e a primeira vez que uma série da TV a cabo conquistava isto.

A série, que também ganhou o Globo de Ouro e o SAG, se tornou uma referência, várias tentativas de imitá-la já foram feitas, mas nenhuma conseguiu chegar perto da original.

Outro ponto forte é o figurino de Janie Bryant, a figurinista oficial da série ela cria modelitos especiais para cada personagem, garimpa em brechós, enfim, seu trabalho é tão bom que influenciou vários estilistas a criarem coleções inspiradas por Mad Men. Até a Banana Republic lançou uma coleção totalmente dedicada a Mad Men e também foram lançadas edições limitadas da Barbie e Ken tendo Don, Betty, Roger e Joan como bonecos.

A música também tem lugar de destaque, ilustrando cada episódio com músicas fundamentais do período, mas não caindo no lugar comum e sim com músicas que casam com perfeição com a temática de cada episódio.
Entre os temas abordados, a série já falou de racismo, prostituição, drogas, adultério, chantagem, homossexualismo, entre outros.
Além disso, ‘Mad Men’ é carregada de cigarros e bebidas (fuma e bebe-se muito em todas as cenas), têm muito sexo, temas fortes e diálogos inteligentes.

Não é uma série de ação, e sim uma série que nos conquista de outro jeito, através do cuidado de sua produção (Weiner participa de todos os detalhes), da sua atuação e principalmente de seu conteúdo intelectual.

O legal da série é justamente acompanharmos todas as mudanças desta década tão importante e seus reflexos em cada personagem, seja na crise dos mísseis de Cuba, as mortes de Kennedy e Marilyn, a luta pelos direitos civis, a guerra do Vietnã, a contracultura, tudo é tratado de maneira adulta e realista no universo da série.

O próximo ano deve ser a última temporada e pelas declarações de Weiner, esta deve acabar quando estiver se aproximando os anos 70 e aí saberemos o desfecho da estória de Don.









































































