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Today’s Sound: Paris is Burning por Arthur Mendes Rocha

Hoje falaremos de um documentário que não é exatamente sobre música, mas que tem tudo a ver já que trata de uma dança: “Paris is Burning”.

“Paris is Burning” é um documentário cult de 1990,dirigido por Jenny Livingston, que causou sensação na época e até hoje gera bastante interesse.

Neste link abaixo do Vimeo, está o documentário em sua versão completa:

http://vimeo.com/8350272

O doc nos mostra o “voguing”, dança iniciada nos salões de bailes dos guetos gays, latinos e negros nova-iorquinos, onde cada participante dança como se estivesse em uma passarela de um desfile de moda e fazendo poses glamurosas como sendo fotografados para a revista Vogue.

Estas competições de danças são julgadas por um pequeno júri, que deve escolher qual é a melhor ‘house” (como as fashion houses),ou seja, o melhor grupo de performances, premiando os vencedores.

Assim conhecemos alguns dos melhores representantes desta cena, dançarinos e drags como Pepper LaBeija, Willi Ninja, Dorian Corey, Octavia St Laurent, Angie e Venus Xtravaganza, entre outros.

‘Paris is Burning” é o nome de um destes eventos, onde cada participante se monta e quer arrasar com o concorrente, seja no visual ou na dança.

Mas o doc também aborda o lado social do vogue, ou seja, como cada integrante sofria preconceitos de suas famílias (muitas vezes sendo expulsos de casa), da sociedade por causa de raça e da Aids, como eles enfrentavam a pobreza e a falta de oportunidades.

Entre vários depoimentos, estórias, alternativas de vida como roubar roupas de lojas ou até mesmo se prostituir, “Paris is Burning” mostra que nem tudo na vida deles era glamour.

Quando do lançamento do filme, a diretora foi ao programa de Joan Rivers juntamente com o elenco de drags do filme e explicou um pouco sobre o filme e o conceito voguing:

O filme foi bastante premiado em festivais como Sundance (onde venceu o grande prêmio do júri) e Berlin (vencendo o Teddy Bear de melhor documentário), bem como figurou nas listas de melhores filmes do ano de 1991.

Malcom McLaren lançou uma homenagem aos dançarinos de voguing com a música “Deep in Vogue’, que inclusive homenageia algumas das “houses ” e têm a participação de Ninja e LaBeija:

Logo em seguida, em 1990, Madonna espalhou o voguing para o mundo inteiro, com o sucesso da música “Vogue”.

É uma pena que muitos dos participantes do filme já tenham falecido, mas o voguing teve um revival recentemente, com suas danças sendo novamente vistas nas pistas de dança e um livro de fotos foi lançado a respeito.

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Today’s Sound: Marilyn Monroe por Arthur Mendes Rocha

Marilyn Monroe foi sem dúvida o maior símbolo sexual de Hollywood em todos os tempos e este ano completam-se os cinqüenta anos de sua morte, mas pouco se fala sobre um outro lado de sua carreira: a de cantora.

Marilyn nasceu Norma Jean, uma menina tímida com problemas familiares e que acabou se tornando a loira mais desejada do mundo, a mulher fatal que fazia às vezes de burra, mas que na verdade não tinha nada de tonta; Marilyn era bem inteligente e escrevia poemas, ensaios, enfim, interessava-se por leitura e chegou a ser casada com o grande dramaturgo americano Arthur Miller.


Seus filmes tiveram grande sucesso na década de 50 e início dos 60, foi o seu ápice como intérprete desde comédias sofisticadas como “Quanto mais quente Melhor” de Billy Wilder até dramas mais adultos como “Os Desajustados” de John Huston (seu último filme), ela trabalhou com grandes diretores e sempre que podia cantava também nestas películas. Aqui ela canta “I wanna be loved by you” na comédia de Wilder:

Em “Os Homens preferem as loiras” de Howard Hawks, ela tem dois ótimos números de canto e dança: um com Jane Russell, outra bombshell hollywoodiana, em “A Litle girl from little rock”:

E também cantando uma de suas músicas mais famosas, “Diamonds are a girl’s best friend”, copiado por Madonna no clipe de “Material Girl”:

Mas um de seus melhores papéis foi no filme “Let’s make Love” no qual contracena ao lado de Yves Montand, que faz um milionário que deseja aprender a cantar, um dos números mais famosos é onde ela canta “My heart belongs to Daddy”:

Ela levava a sério sua carreira de cantora também, estudando com treinadores de voz e com artistas como Ella Fitzgerald, do qual era grande amiga e impulsionou a carreira da mesma.


Além disso, vários discos foram lançados com suas gravações, além de entreter as tropas americanas durante a Guerra da Coréia:

Marilyn teve uma vida curta, porém intensa, além dos filmes que fez, casou-se três vezes, teve vários casos extraconjugais como o com o então presidente dos EUA, John Kennedy (na época casado com Jacqueline). Inclusive na festa de aniversário deste, ela lhe cantou o parabéns a você mais sensual de todos os tempos, “Happy Birthday Mr. President”, como mostra o vídeo abaixo:

Até hoje não se sabe direito a causa de sua morte, todo o tipo de teoria já foi levantado, terá sido apenas um suicídio? Terá sido uma armação da Máfia sabendo do caso dela com Kennedy? Vários livros e teorias foram escritos a respeito, mas nunca saberemos da verdade, pois várias provas desapareceram e muitos dos prováveis envolvidos já faleceram.


Todo este mistério em torno de sua morte alimentou ainda mais a mitologia em torno de Marilyn. Seja no cinema ou na moda, ela influenciou toda uma geração de atrizes, com seu estilo sexy, seu visual com os cabelos platinados e ao mesmo tempo “girl next door” em filmes como “O Pecado mora ao lado’, famoso pela cena onde seu vestido levanta no metrô. Vestido este recentemente vendido em um leilão pelo recorde de 5.52 milhões de dólares.

Ela era puro estilo, nunca uma atriz já falecida continua tão falada e tão publicada. Este ano será lançado no Brasil o filme ‘My week with Marilyn” com a atriz Michelle Williams no papel de MM, reascendendo o interesse das novas gerações sobre a misteriosa Marilyn.

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Today’s Sound: Marlene Dietrich por Arthur Mendes Rocha

Marlene Dietrich sempre esteve rodeada de polêmicas: era admirada pelos nazistas, bissexual, exigente ao extremo, mas uma coisa não pode se negar, ela foi uma das maiores atrizes do cinema, dona de uma personalidade única, de um estilo inconfundível e também tinha o dom de cantar.

Nascida na Alemanha, Marlene começou a sua carreira atuando no teatro, pois havia se formado em artes cênicas, até ser descoberta pelo diretor austríaco Joseph Von Sternberg que a convidou a estrear em “O Anjo Azul” (The Blue Angel). No filme ela faz o papel de Lola-Lola, uma cantora de cabaré que enlouquece um professor e dona da cruzada de pernas mais sensual do cinema (muito antes de Sharon Stone), tornando-a um mito da noite para o dia:

Na década de 30 ela atua em vários filmes de Sternberg  como  “O expresso de Shangai”, “A Vênus loira”, entre outros. Neste último ela canta vestida com uma roupa de gorila, cena esta que ficou famosa na época:

Na década de 40, ela vai para Hollywood onde trabalha com vários diretores importantes como Hitchcock (“Pavor nos bastidores”), Fritz Lang (“O Diabo feito mulher”), Orson Welles (“A marca da maldade”), Billy Wilder (“A Mundana”), entre outros.


Dietrich era admirada pelos nazistas, mas nunca foi simpatizante de Hitler, tendo recusado o convite deste para estrear em filmes pró-nazistas, o que foi considerado um desrespeito com a pátria alemã e ela acaba se naturalizando cidadã americana para poder seguir com sua carreira.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Dietrich resolve entreter as tropas que estão no campo de batalha, cantando para eles músicas como “Lili Marlene”, “Falling in love again”, “Boys in the backroom” e a partir daí dedica-se também a sua carreira musical.

Além de cantar em seus filmes, ela participou de vários concertos ao redor do mundo, a partir do final dos anos 50, apresentando-se nas melhores casas de espetáculos como o Sahara Hotel em Las Vegas e com ótima aceitação do público e de seus fãs. Ela até chegou a se apresentar no Brasil, no teatro da Record em São Paulo e no Golden Room do Copacabana Palace no Rio, em 1959, tendo como partner o famoso compositor Burt Bacharach, em início de carreira.

Uma das histórias interessantes a seu respeito é que ela conhecia tão bem a melhor luz que a iluminava nos filmes, que chegava a dar as diretrizes para os diretores de fotografia sobre o melhor posicionamento dos spots e no melhor ângulo para fotografá-la.

Dietrich tinha uma preocupação absurda com o estilo, ela sempre está impecável em seus filmes, com um figurino arrasador, feito pelos melhores figurinistas da época e com cabelo e maquiagem de acordo. Ela inclusive foi uma das primeiras mulheres a fazer uso do estilo andrógino, ela adorava vestir ternos masculinos como no filme “Marrocos’, onde ela aparece de smoking e também beija uma mulher, causando escândalo e boatos sobre sua sexualidade.

Em 1984, seu amigo Maximilian Schell realizou um ótimo documentário a seu respeito chamado ‘Marlene”, no qual ela recusou-se a ser filmada e somente concordou em que fosse utilizado o áudio de sua voz.

Dietrich cantava em alemão, inglês e francês e suas apresentações como cantora viraram discos, compilações que até hoje são reeditadas com sucesso. Aqui ela canta “La Vie em Rose”, famosa na voz de sua grande amiga Edith Piaf, no Café de Paris em Londres, em 1972:

Dietrich fez seu último filme em 1978, “Apenas um Gigolô” (ao lado de David Bowie), e optou por uma vida reclusa em Paris, aonde veio a falecer em 1992.

Dietrich era a encarnação do glamour de uma grande estrela, chique, elegante, extremamente preocupada com sua imagem, até hoje ela é referência indispensável seja no cinema, na música e na moda; artistas como Madonna e estilistas como Yves Saint Laurent a reverenciam. Se fosse viva, ela teria completado cem anos no ano passado.

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