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Posts Tagged ‘Mercury’

Today’s Sound: Dinah Washington por Arthur Mendes Rocha

Dinah Washington fecha nossa semana de divas do jazz, menos badalada que as outras, mas não menos talentosa e dona de uma voz penetrante e um estilo inconfundível.

Seu nome verdadeiro era Ruth Jones e ela nasceu nos anos20 no Alabama e logo mudou-se para Chicago. Sua mãe tocava piano na igreja batista e logo ela teve contato com os golspels e spirituals cantados nas cerimônias.

Ao vencer um concurso de calouros, ela foi convidada a integrar um grupo de gospel e sua vontade de cantar era tanta, que fugia de casa para cantar em bares e clubes noturnos de Chicago, onde adquiriu o hábito de beber bastante.


Em 1943, ela foi descoberta pelo bandleader Lionel Hampton, que se encantou com seu jeito de cantar, meio rápido, mas com ótimo senso de fraseado, além da voz clara e afinada como em “I don’t hurt”:

Nesta época, ela troca seu nome para Dinah Washington, alcançando sucesso nas apresentações com a big band de Hampton. Porém, com a banda, Dinah tinha poucas ofertas para gravar e finalmente em 1946 ela assina com o selo Mercury e por volta de 1948 sua estrela está em plena ascenção.

Dinah grava com instrumentistas conceituados como Clifford Brown, Max Roach e Cannonball Adderley, entre outros, além de trabalhar com Quincy Jones como arranjador.

É em 1959, com a gravação de “What a difference a Day makes” que seu nome vira um sucesso pop instantâneo:

Mas Dinah custou a aceitar que fosse rotulada uma cantora pop, já que sua grande inspiração era mesmo o jazz ou até o blues, os quais gravou vários standards como ‘Lover come back to me”:

Sua parceria com o cantor Brook Benton também trouxe ótimo lucro para a gravadora, vendendo muitos álbuns.

Dinah gastava bastante com o fruto de seu trabalho, procurava compensar a infância pobre, gastando muito em carros, jóias e presentes para sua filha.

Uma mistura de álcool com remédios para inibir o apetite acabaram causando sua morte cedo, aos 39 anos.

Hoje em dia, Dinah virou uma figura cult, era a cantora favorita de Amy Winehouse e até serviu como fundo musical de um anúncio da Levi´s nos anos 90, com a música “Mad about the boy”, que reacendeu o interesse pela sua obra.

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Today’s Sound: Space Age Bachelor Pad Music por Arthur Mendes Rocha

Space Age Bachelor Pad Music foi um termo cunhado pelo artista americano Byron Werner para descrever um tipo de música instrumental feita por compositores e artistas entre os anos 50 e 60 da chamada Space Age (a era espacial).

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Na verdade este termo foi criado nos anos 80, depois que este tipo de música já havia saído de moda, mas é um bom termo para descrever a excitação que aqueles novos tempos despertavam, com a economia em forte crescimento e o avanço da tecnologia combinados com as possibilidades do homem explorar o espaço. Lembrando que seria um espaço imaginado, já que o homem ainda não havia viajado á Lua (isto só veio a ocorrer em 1969).





Mesmo que na música várias avanços estavam ocorrendo (como o nascimento do rock n’ roll e do soul), a população adulta americana ainda preferia uma música suave, sofisticada, com toques de swing, às vezes sexy e sem compromisso, que pudesse ser tocada em suas salas de estar, nos apartamentos de solteiros (bachelor pad) que liam a revista Playboy e haviam comprado recentemente seus aparelhos stéreo e na hora dos drinks ou coquetéis (cocktails).







Musicalmente falando, este estilo mistura diferentes tipos de ritmos, composições e arranjos, geralmente com o uso de uma orquestra de cordas combinados com percussão latina, além de piano, marimba e orgão e até mesmo o uso do theremin. Outro diferencial é o jeito que as canções são gravadas, com os estúdios de gravação mais bem equipados, a música podia ser gravada em diferentes canais, com efeitos sonoros (manipulação da velocidade do som, equalização, reverberação e mais) que testavam a capacidade dos aparelhos hi-fi stéreo da época.

Digamos que o arranjador tinha um papel fundamental dentro deste gênero, já que ele mudava os standards de jazz e mesmo de música clássica, dando uma nova sonoridade a uma música já conhecida, tornando-a inovadora e irreverente.

São diversas as influências do Space Age Pop tais como compositores clássicos como Ravel e Debussy, as grandes orquestras (big bands) dos anos 40, os estilos exóticos como samba, música latina, calypso; a própria música Exotica (que falamos na semana passada), lounge music são precursores deste estilo.




Entre os principais representantes pode-se destacar Esquivel (considerado o rei do Space Pop), bem como Bob Thompson, Three Suns, Dick Hyman, Hugo Montenegro, Marty Gold, Manny Albam, Enoch Light, Syd Bass, Ferrante & Teicher, Sauter-Finnegan e mesmo em alguns trabalhos de Henry Mancini (o grande compositor de músicas para o cinema) e Les Baxter (como o disco Space Escapade).



Mesmo as capas dos discos de Space Pop são bem caracterizadas com elementos espaciais, designs abstratos como os da série Stereo Action da gravadora RCA e Perfect Presence Sound da gravadora Mercury para poder guiar melhor os compradores.


Na metade dos anos 90, junto com o revival da Exotica, houve um ressurgimento do Space Pop, com relançamentos de discos e coletâneas como a de Esquivel, “Space-Age Bachelor Pad Music”, que vendeu mais de 70 mil cópias e até inspirou um nome de um EP da banda Stereolab, além de ser influência em bandas dos anos 90 como Combustile Edison e Squirrel Nut Zippers, entre outras.

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Today’s Sound: Circle Jerks por Arthur Mendes Rocha

Finalizando os posts sobre punk californiano, hoje falaremos do Circle Jerks.

The  Circle Jerks foi formado pelo ex-vocalista do Black Flag, Keith Morris, mais o guitarrista Greg Hetson, o baixista Roger Rogerson e o baterista Lucky Lehrer,em 1979. Segundo Morris, ele formou o Circle Jerks por não aguentar mais ouvir ordens e para ter mais liberdade criativa, fazendo um som mais rápido (as músicas da banda tem a duração de um pouco mais de um minuto), bem humorado e com muitas referências ao sexo (o nome da banda tem a tradução de “círculo de punheteiros”). Uma combinação da rebeldia dos Sex Pistols e Ramones com a atitude agressiva dos skatistas e surfistas de Hermosa Beach, L.A., Califórnia, lugar de origem da banda.


O primeiro disco dos Circle Jerks foi lançado em 1980 e chamava-se “Group Sex”, como o próprio nome já diz, com forte temática de sexo entre adolescentes e referências políticas.


No mesmo ano eles apareceram no filme “Decline of Western Civilization” (que já falamos por aqui), tocando músicas do disco ao vivo. No próximo álbum, “Wild in the streets”, a banda assina com o selo IRS, mas fica um bom tempo sem gravar depois que a subsidiária da gravadora encerra suas operações. Além disso, a banda tem mudanças na sua formação: saem Rogerson e Lehrer e entram Zander Schloss e Keith Clark.



A banda é uma das responsáveis pela popularidade do hardcore; em 1984, eles participam na trilha sonora e tocando no filme “Repo Man” (um dos filmes-cult dos punks, dirigido por Alex Cox) a música “When the shit hits the fan”.



Depois de mais mudanças na banda, eles resolvem dar uma parada nos anos 90, até voltarem em 1995 com um novo álbum (“Oddities, Abnormalities and Curiosities) e desta vez por uma grande gravadora (a Mercury). Mas a banda ainda enfrentaria problemas de saúde de Morris (com diabetes) até voltar nos anos 2000 para turnê que incluiu o Brasil.

A banda também participou do filme/documentário “American Hardcore” que conta um pouco da história destas bandas que falamos.

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