Uma figura completamente única na música, uma mistura de alienígena com voz de cantora de ópera, este era Klaus Nomi.
Klaus nasceu na Alemanha, onde desde cedo era um apaixonado pela música clássica, especialmente pelas divas de ópera.
Não demorou muito para que ele trocasse seu país de origem pela efervescente cena nova-iorquina de meados dos anos 70.
Lá ele conheceu vários artistas performáticos como Ann Magnuson, que lhe deu uma oportunidade de se apresentar no New Wave Vaudeville no Irving Plaza em NY em 1978:
Em um destes shows, ele foi convidado para se apresentar no Max Kansa’s City, onde fizeram um show centrado na figura de Klaus Nomi, um show de vanguarda, com figurinos absurdos e temática new wave, com muitas referências visuais de filmes espaciais dos anos 50.
Klaus tornou-se uma figura conhecida no underground nova-iorquino, colaborando com artistas como Joey Arias, Man Parrish (um dos pioneiros da música eletrônica), Kenny Scharf, entre outros.
Klaus passou a tocar nos clubs new wave da época como o Hurrah!, Danceteria, Mudd Club e até mesmo uma histórica apresentação na discoteca Xenon em 1980. Abaixo ele interpreta “Lightning strikes”:
Um de suas apresentações mais famosas foi quando ele tocou num evento na loja da Fiorucci (onde Joey Arias, um de seus backing vocals trabalhava) em NY nos anos 80, com a vitrine sendo ocupada por ele e dançarinos new wave, como vemos no vídeo abaixo:
Seus espetáculos eram altamente admirados pelos artistas de vanguarda da época, entre eles, David Bowie, que se apaixonou pelo show de Klaus, convidando-o a se apresentar com ele em uma aparição histórica no Saturday Night Live em 1979. O vídeo é excepcional, com aquelas figuras estranhas e Bowie vestindo um figurino dadaísta e interpretando “The man Who sold the world”:
Klaus estava à frente do seu tempo, seus shows eram muito modernos para a época, seu trabalho era muito requintado, cantando músicas em falsetto com uma voz digna de uma cantora de ópera e com bases no estilo Kraftwerk.
Sua aparição no SNL abriu-lhe as portas e assim ele viajou para vários lugares, incluindo o Japão, onde fez bastante sucesso. Um de seus hits era “Total Eclipse”:
As gravadoras não sabiam como classificar sua música: era new wave? Pop? Clássico? Klaus teve que dar uma suavizada em seus shows, passando a ter uma banda com músicos normais. No fim, o que acabou fazendo mais sucesso foram suas músicas em que privilegia o clássico, com bases mais euro-pop.
Seu figurino continuava bem extravagante, um de seus looks com um smoking triangular ficou bem famoso, completado por sua maguiagem branca, sem sobrancelhas e com a boca pintada de batom preto, imagem esta que estamparia a capa de seu primeiro disco gravado pela RCA francesa em 1981.
O mundo da moda parisiense descobriu Klaus quando este se apresentou em Paris, no Palace, rendendo-se à sua figura especial e altamente fashion.
Klaus chegou a lançar um segundo trabalho, “Simple Man”, cujo clipe vemos abaixo:
Infelizmente quando Klaus tornava-se mais conhecido, ele foi diagnosticado com Aids, isto em 1983, sendo uma das primeiras celebridades a padecer desta terrível doença.
Uma de suas últimas apresentações foi com a linda interpretação de “The Cold Song” de Purcell:
A obra de Klaus Nomi continua sendo admirada e reconhecida por um público ligado em inovações musicais.
Em 2004, ele foi tema de um excelente documentário (disponível em sua totalidade no youtube) chamado ‘Nomi Song”.
Depois de sua morte, foram lançadas coletâneas e discos ao vivo recuperando um pouco de seu legado.


















































