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TODAY’S SOUND: DOWNTON ABBEY POR ARTHUR MENDES ROCHA

“Downton Abbey” é uma das séries mais amadas e vistas no momento em todo mundo, nunca uma exportação inglesa fez tanto sucesso nos últimos tempos quanto a estória da família Crawley e de sua propriedade luxuosa em Yorkshire.

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A série é uma produção da Carnival Films para o canal inglês ITV e estreou em setembro de 2010 na Inglaterra, cujo trailer vemos abaixo:

Nos EUA, a série é transmitida pelo canal PBS, que aumentou consideravelmente sua audiência por causa de Downton e no Brasil, pelo canal GNT.

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Downton é uma criação de Julian Fellowes, que já havia escrito o roteiro de “Assassinato em Golsford Park” de Robert Altman e inclusive arrebatado um Oscar, e realmente o filme e a série tem algumas semelhanças.

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A começar pela importância dos serviçais em ambos, a ação se passa muito tempo na cozinha da casa, o ponto de encontro dos empregados, que são muitos e variam também.

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Assim, Julian soube muito bem contrabalançar os dramas da aristocrática família dona da propriedade com os empregados, seus dramas, desejos e tudo o que acontece ao seu redor como guerras, mudanças na sociedade e mais.

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A série já arrebatou prêmios como o Emmy, Globo de Ouro, SAG (o prêmio do Sindicato dos Atores) como melhor minissérie (na verdade uma maneira que os americanos encontraram para que ela não compita com as suas séries).

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Dame Maggie Smith é a alma da série, sua personagem tem as melhores falas e sempre um aparte que nos conquista, com aquele típico humor inglês, sábio e ferino. Abaixo uma compilação de algumas delas:

Maggie já arrematou todos os principais prêmios de melhor atriz coadjuvante, derrotando importantes concorrentes de outras séries.

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Abaixo, ela dá uma entrevista para o programa ’60 minutes” falando da série e do seu trabalho e revela que nunca assistiu a série:

http://www.cbsnews.com/video/watch/?id=50141231n

Mas, vamos aos personagens principais:

A família Crawley:

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-Robert Crawley (Hugh Boneville) – o patriarca e dono da propriedade, ele é o Conde de Grantham, filho da Condessa. De alma boa, ele tem o pulso firme para controlar a propriedade e as crises da família e seus empregados.

-Cora Crawley (Elizabeth Mcgovern) – a matriarca que sempre usa mais o coração que a razão em suas decisões, ela na verdade é de uma rica família americana que se muda para a Ingla-terra com o marido.

-Lady Mary (Michelle Dockery) – a primogênita de forte personalidade, ela quer casar com o homem certo, mas passa por algumas dúvidas antes de se apaixonar por Mathew.

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-Mathew Crawley (Dan Stevens) – o suposto herdeiro de Dowton, já que Robert só tem filhas mulheres; Mathew é jovem, cheio de ideais e de mentalidade progressiva e acaba se atraindo por Mary

-Violet Crawley (Maggie Smith) – a tempestuosa Condessa Dowager, a mãe de Robert, sábia, aristocrática até o último fio de cabelo, e a força da família em todas as dificuldades

- Lady Edith (Laura Carmichael) – a filha do meio, não tão bonita quanto ás outras e sempre tendo dificuldades no amor, ela nutre uma grande inveja de Mary

-Lady Sybill (Jessica Brown Findlay) – a filha mais nova, de ideais mais revolucionários, ela quer fazer algo de útil na sociedade, acaba se apaixonando pelo chofer da família

-Isobel Crawley (Penelope Wilton) – mãe de Mathew, como ela é de uma classe social menos abastada, ela briga um pouco com os valores da família dona de Downton

Os empregados:

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-Mr. Carson (Jim Carter) – o chefe dos serviçais, ele conduz com pulso firme todo o serviço da casa, é autoritário, de valores tradicionais, mas de bom coração

-Mrs. Hughes (Phyllis Logan) – a principal governanta, comanda as mulheres, todas lhe pedem conselhos e ela sempre sabe resolver as dificuldades

-Mr. Bates (Brendan Coyle) – o valete de Robert, sujeito de bom coração, sofreu na guerra, teve um casamento ruim e se apaixona por Anna, mas para consumar sua paixão vai passar até por uma prisão

-Anna Smith (Joanne Froggat) – a criada de Lady Mary e sua confidente; generosa, humana e se interessa por Mr. Bates

-O’Brien (Siobhan Finneran) – a criada pessoal de Cora, uma verdadeira naja, do mal mesmo, sempre pronta para prejudicar alguém em nome de seus interesses

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-Mrs. Patmore (Lesley Nicol) – a cozinheira e pessoa do bem, sempre preocupada com o melhor para todos da casa

-Daisy (Sophie McShera) – ajudante de Mrs. Patmore, jovem idealista cheia de sonhos e que vive se apaixonando pelas pessoas erradas

-Thomas Barrow (Rob James-Collier) – o personagem gay da série, ambicioso e sem caráter, mas que aos poucos vai revelando mais humanidade

-Tom Branson (Allen Leech) – chofer da família, é irlandês e nutre certo antagonismo á burguesia, ela vai se apaixonar por Lady Sybill

Estes são os principais personagens que habitam a casa, além deles, vários outros atores já fizeram participações especiais como Shirley Maclaine, que vive a mãe de Cora.

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Atualmente a série está na terceira temporada, ela começou no ano de 1912, mas até agora já atravessou a Primeira Guerra Mundial e hoje está na década de 20.

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Todos os anos, a série apresenta o episódio especial de Natal (Christmas Special) que é parte importante da estória.

No documentário abaixo, vemos como foram feitas algumas das cenas, mostrando os bastidores da produção, o cuidado com a reconstituição de época, além de depoimentos dos atores e equipe técnica, vale a pena conferir:

O figurino é uma atração a parte, a figurinista Susannah Buxton faz extensas pesquisas em brechós e livros da época para mostrar suas criações, baseando-se em estilistas como Charles Worth, Paul Poiret, Chanel, entre outros.

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A quarta temporada promete mais emoções e já foi divulgado que haverá um personagem negro, um músico de jazz interpretado por Gary Carr, já que sempre houve críticas a pouca presença de outras raças no clã dos Crawley.

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Além dele, mais personagens devem aparecer na nova temporada como Tom Cullen e até Dame Kiri te Kanawa, que fará uma cantora de ópera que canta em Downton Abbey.

A nova temporada deve estrear no outono inglês deste ano (com direito a um xmas special) e nos EUA em janeiro de 2014.

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A série faz tanto sucesso na Inglaterra que foi aberto uma visitação ao castelo onde a série tem seus exteriores filmados, em Hampshire, no Highclere Castle.

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O livro “O Mundo de Downton Abbey’ também acaba de ser lançado (já a venda no Brasil) contando vários segredos sobre a série e foi escrito pela sobrinha de Julian, Jessica Felowes.

Além disso, acaba de ser anunciado que haverá uma linha de roupas e objetos para a casa baseado na série.

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TODAY’S SOUND: RAY HARRYHAUSEN POR ARTHUR MENDES ROCHA

Esta semana, apesar de pouco divulgado, o cinema perdeu um de seus grandes mestres; ele não era diretor, nem ator, mas seu papel é de fundamental importância no cinema moderno, seu nome, Ray Harryhausen.

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Ray era o mago dos efeitos especiais, o mestre da animação com bonecos, mais conhecida como stop-motion.

Sem ele, não existiria Spielberg, George Lucas, Peter Jackson, James Cameron, Guilhermo Del Toro e muitos dos cineastas que nos fazem sonhar e penetrar em mundos tão fantásticos e cheios de imaginação. Todos eles falam sobre o mestre no documentário de 2011 ‘Ray Harryhausen, Special Effects Titan.

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Vi uma exposição em Londres, em 1990, que apresentava várias das pequenas maquetes e das criaturas incríveis criadas por Harryhausen e elas nunca mais saíram da minha mente.

Eu havia conhecido Harryhausen, vendo muitos dos seus filmes nas sessões da Tarde nos anos 70 e 80, em filmes como “Jasão e os Argonautas”, “A Viagem de Simbad”, entre outros.

Abaixo ele conversa sobre as criaturas que criou para “Fúria de Titãs”, a versão original:

Todos eles haviam me impressionado especialmente por seus efeitos especiais, algo novo para a época, já que não havia efeitos computadorizados e tudo era feito da maneira antiga, filmando cada bonequinho cena a cena, movimento a movimento, quadro a quadro.

Um trabalho desta perfeição era complicado na época e Harryhausen se sobressaia com seu olhar, suas criaturas tinham uma personalidade própria.

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Harryhausen iniciou sua carreira fazendo pequenos filmes sobre famosas fábulas como “Chapéuzinho Vermelho”, “João e Maria”, “Rapunzel”, “O rei de Midas”, entre outras.

Nesta época, ele ainda não havia feito o que o tornaria famoso, que são os monstros ou criaturas de filmes de fantasia como o ciclope de Sinbad:

Harryhausen decidiu-se pela profissão ao assistir á primeira versão de “King Kong”, cujos efeitos realizados por Willis O’brien o impressionaram bastante.

Ele se oferece para trabalhar com O’brien que o inclui para fazer as animações do filme “Mighty Joe Young”, filme este que deu o Oscar a O’brien de melhores efeitos especiais em 1947.

Seu grande desejo era fazer filmes de ficção científica e isso aconteceu com “The beast of 20.000 Fathoms”, baseado numa estória escrita por seu grande amigo Ray Bradbury, lançado com grande sucesso de bilheteria em 1953.

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Harryhausen foi um dos grandes inovadores da animação na época, seus filmes tinham um toque realista, já que ele conseguia misturar com perfeição os modelos de stop-motion com as ações reais, filmadas com atores de verdade.

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Seu papel era quase como o do diretor do filme, pois tudo ele participava: roteiro, direção de arte, storyboard, design de produção.

Com o produtor Charles H. Schneer, ele fez os filmes “It came from beneath the sea” (1955), “Earth Vs. Flying Saucers” (1956), todos grandes sucessos de público.

Esta cena acima foi recriada por Tim Burton no filme ‘Mars Attack’ e o cineasta declarou que é uma homenagem ao gênio de Harryhausen.

Quando filmou em cores pela primeira vez, com “The 7th Voyage of Sinbad” , em 1958, Schneer cunhou o termo “Dynamation” ou “Dynarama”, que se tornaria sua marca registrada.

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A cena mais impressionante feita por Harryhausen foi a luta dos sete esqueletos em “Jasão e os Argonautas” (1963), cena que mostramos abaixo e que marcou a história do cinema para sempre:

Esta cena jamais foi igualada, mesmo com os efeitos modernos de hoje em dia, e consumiu quatro meses para ser realizada.

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Outra cena de Jasão nos mostra a estátua do deus Talos criando vida:

Ao entregar um Oscar especial para Harryhausen, Tom Hanks declarou que muitas pessoas consideram Cidadão Kane e Casablanca como os melhores filmes já produzidos, mas ele considerava Jasão.

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Em meados dos anos 60, Harryhausen foi contratado pela Hammer e trabalhou em dois filmes com animais pré-históricos: “One million years B.C.” (famoso pela presença de Raquel Welch vestindo um biquíni de pele de animal) e ‘Valley of the Gwangi” (1969).

Nos anos 70, ele faz mais dois filmes de Sinbad: “The Golden Voyage of Sinbad” (1973) e “Sinbad and the eye of the tiger” (1977). Abaixo a famosa dança da deusa Kali (na verdade Siva) no primeiro filme:

Nos anos 80, ele realiza sua última contribuição nos efeitos especiais para o cinema com ‘Clash of the Titans”(Fúria de Titãs), lançado em 1981, com grande elenco que incluía Laurence Olivier e Maggie Smith, entre outros. O filme teve uma refilmagem recentemente, mas os efeitos do primeiro filme, apesar da tecnologia ainda escassa, dá de dez na nova versão.

Em 2010, o BAFTA (o Oscar Inglês) fez uma homenagem a Harryhausen dando-lhe um prêmio especial por ocasião do seu 90º aniversário.

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No seu obituário, George Lucas declarou: “Sem Harryhausen, provavelmente nem haveria existido “Star Wars”.
Terry Gilian disse que enquanto os novos técnicos em efeitos especiais fazem tudo digitalmente, Harryhausen faziam tudo com suas digitais.

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Isto só vem nos mostrar que, em se tratando de efeitos especiais, monstros e criaturas incríveis, ninguém bate o mestre Harryhausen.

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TODAY’S SOUND: FANNY E ALEXANDER POR ARTHUR MENDES ROCHA

“Fanny & Alexander” é um dos filmes mais famosos do grande diretor sueco Ingmar Bergman, que procurou contar a estória de uma família através dos olhos de uma criança, utilizando elementos surrealistas em sua narrativa.

O filme foi lançado em 1982 e foi um sucesso internacional, arrebatando quatro Oscars da Academia, um feito até então inédito para um filme estrangeiro.

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Não é exagero afirmar que “Fanny & Alexander” seja o filme mais acessível de Bergman, já que ele foi concebido para ser uma minissérie na TV sueca e depois foi editado para ser lançado nos cinemas.

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A versão original, que assisti recentemente, tem mais de cinco horas de duração e é dividida em capítulos, esta é a versão que indico, pois mostra o filme em toda sua magnitude.

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A estória se foca na família Eckhardt, composta da matriarca, seus três filhos e suas respectivas esposas e os filhos, no qual se incluem as crianças Fanny e Alexander, no início do século XX.

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Logo no começo do filme, já vemos que Alexander tem visões diferentes dos demais, já que ele vê uma estátua se mexer.

A família possui um teatro, onde apresentam várias peças de autores famosos. Quando o filme inicia, estamos no Natal e a família comemora em grande estilo com um a peça natalina, além de um grande jantar para os artistas da cia e toda a família, além dos empregados.

Os ambientes, a riqueza dos detalhes, deram o Oscar de melhor direção de arte ao filme, bem como o de melhor figurino e de melhor fotografia, com as exuberantes tonalidades do genial Sven Nykvist, usual colaborador de Bergman e diretor de fotografia de filmes como ‘Crimes e Pecados” (de Woody Allen), “O Inquilino” (de Polanski), “O Sacrifício” (de Tarkovsky) e muito mais.

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Quando Bergman começou a filmá-lo, ele resolveu fazê-lo pela parte mais fácil e alegre do filme: a cena da guerra de travesseiros, conforme abaixo:

Mais uma cena onde ele dirige a parte do teatro de bonecos de papel que Alexander brinca em sua casa, recriando uma cena da própria infância de Bergman:

A reviravolta no filme acontece com a morte do pai das crianças, o que deixa viúva sua bela mãe e esta deve continuar cuidando do teatro.

Porém, ela se apaixona por um bispo e resolve levar as crianças para morar na casa dele.

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O bispo se mostra um tirano, punindo as crianças e principalmente Alexander, que adora contar histórias fantásticas e cheias de imaginação.

No papel do bispo Vergerus está o conhecido cantor e dançarino sueco Jan Malmsjö em seu primeiro papel importante no cinema.

Aí vemos mais um elemento surrealista, já que Alexander enxerga fantasmas, principalmente o de seu pai, que afirma não querer abandoná-lo.

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Até que finalmente as crianças conseguem fugir da casa do seu padrasto com a ajuda do Tio Isak (papel vivido por um dos grandes atores bergnianos, Erland Josephson).

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As cenas na casa do tio Isaac são meio mágicas, pois com ele mora seu irmão Ismael que fabrica fantoches e numa de suas visões, Alexander vê um boneco que fala com ele como se fosse a encarnação de Deus.

Em outra cena, ele vê uma múmia ainda respirando, são algumas pontuações surrealistas que Bergman dá ao longo do filme e que fazem parte do universo imaginativo de uma criança como Alexander

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Abaixo podemos ver uma cena do documentário do filme, com Bergman dirigindo justamente esta cena dos bonecos e Nykvist iluminando:

Mas a mãe de Alexander continua na casa do bispo, sem as crianças, e bola um plano para escapar do inferno de sua vida com o bispo.

Um fato aterrorizante acontecerá para que o bispo tenha um final trágico e a família volte a se reunir como nos velhos tempos.

No elenco, além de Josephson, vale citar o lindo trabalho do menino Alexander (Bertil Guve, que não seguiu a carreira artística); a beleza da mãe das crianças, vivida pela atriz Ewa Fröling (que hoje se dedica à TV, mas continua Lina, conforme foto abaixo) e mais  a presença da atriz Pernilla August (que ficou conhecida como a tia que cuida de Luke Skywalker em ‘Guerra nas Estrelas”).

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Inicialmente Bergman havia pensado em Liv Ullman e Max Von Sydow para trabalharem no filme, mas Liv tinha compromissos (o que deixou o diretor bem decepcionado) e Max acabou não recebendo o recado de seu agente e ficou bastante chateado com o diretor durante muito tempo.

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Outro detalhe interessante é esta habilidade de Alexander de enxergar fantasmas, ao longo do filme, além de seu pai, ele vê os fantasmas das filhas do bispo numa cena em que é preso no sótão da casa.

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Para conseguir uma interpretação mais naturalista possível de Alexander, Bergman não informava ao pequeno ator o que iria acontecer ao longo do filme.

“Fanny & Alexander’ era para ser o último filme que Bergman dirigiria para o cinema, mas ele acabou ainda lançando “Saraband”, vários anos mais tarde.

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O filme pode ser descrito como uma carta de amor ao teatro, contém vários elementos autobiográficos (seu pai era religioso e também o maltratava), ele enfrentou muitas dificuldade de saúde para completá-lo, mas vale cada segundo, é um dos mais belos filmes de um grande diretor.

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