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paisagismo – Japa Girl












































































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Posts Tagged ‘paisagismo’

Um mundo de jardins

Antes da humanidade povoar a terra o frut√≠fero Jardim do √Čden j√° imperava nas religi√Ķes Abra√īnicas.

"Adam and Eve in Paradise" by Jan Brueghel, circa 1610-15

“Deus plantou e onde se cultivavam √°rvores de todas as esp√©cies, agrad√°veis para se contemplar e alimentar”.

"Garden of Eden" by Roelandt Jacobsz Savery

Este trecho do G√™nesis relata a import√Ęncia dos jardins desde as primeiras civiliza√ß√Ķes.

Os Jardins Suspensos da Babil√īnia e a Torre de Babel

Na Mesopot√Ęmia, os ass√≠rios foram os mestres das t√©cnicas de irriga√ß√£o e drenagem, criando v√°rios pomares e hortas formados pelos canais que se cruzavam.

Os textos mais antigos sobre jardins datam do terceiro mil√™nio a.C., escritos pelos babil√īnicos, descrevendo os “jardins sagrados”, onde os bosques eram plantados sobre os Ziggurats.

Assim nasceu os Jardins Suspensos da Babil√īnia que unem arquitetura, espiritualidade e paisagismo, sendo at√© hoje uma das 7 maravilhas do mundo.

Tamareiras amenizavam o clima árido onde jasmim, rosas, tulipas e álamos cresciam banhados por sofisticado sistema de irrigação, onde a crença vigente era que os jardins dependiam da vontade dos deuses.

Exemplo de Ziggurats


No Egito quando a prosperidade deu espaço para as artes da arquitetura e escultura, também o paisagismo acompanhou o desenvolvimento.

Jardins simétricos rigorosamente e afinados com os quatro pontos cardeais.

As plantas utilizadas eram: palmeiras, sic√īmoros, figueiras, videiras e plantas aqu√°ticas, j√° que o Rio Nilo propiciava estas condi√ß√Ķes.

Osíris era o Deus da reverenciada vegetação.

Jardim Egípcio na Antiguidade


Egito Antigo

Os persas absorveram a cultura egípcia e acrescentaram flores ornamentais.

Os jardins procuravam recriar uma imagem do universo, constituindo-se de bosques povoados por animais em liberdade, canteiros, canais e elementos monumentais, formando os “jardins-para√≠sos” que se encontravam pr√≥ximos aos pal√°cios do rei.

Jardim Persa

Os gregos amavam a vida ao ar livre e mesmo tendo influências egípcias a topografia acidentada fez em seus jardins ambientes assimétricos, mais próximos do que encontramos na natureza.

Desenvolviam-se, inclusive, em recintos fechados, onde eram cultivadas plantas √ļteis, principalmente ma√ß√£s, p√™ras, figos, rom√£s, azeitonas, uva e at√© horta.

Colunas e esculturas faziam uma transação harmoniosa entre ambientes internos e externos.

Jardim grego cl√°ssico

Na China as atividades com jardinagem datam de 2.000 a.C, onde se encontram  paisagens muito antigas de rara beleza e flora riquíssima.

Os parques das casas dos antigos imperadores valorizavam a vegetação existente, sendo a tarefa do jardineiro ordenar o que a natureza oferece.

Acreditava-se que no norte da China havia um lugar para os imortais.

Como o Imperador Wu n√£o conseguiu encontr√°-lo, decidiu ent√£o cri√°-lo na fantasia.

Dessa maneira surgiu o jardim “lago-ilha”.

O ‚ÄúLago ilha‚ÄĚ foi se multiplicando, se tornando conhecido pelo continente at√© chegar no Jap√£o em 607dc.


Em 1894, para comemorar os 1100 anos da capital Kioto, construiu-se um desses jardins, ficando conhecido como Santu√°rio Heian.

Trata-se de uns dos jardins mais alegres do mundo, com hortos de cerejeira, maciços imensos de azaléias e lírios, rochas cobertas por flores e pinus, traduzindo o amor dos japoneses pela natureza macro e micro, com respeito as sutilezas de cada espécie.

Na idade média os jardins deram lugar a igrejas rudes e pesadas.

Tudo precisava ser funcional e alamedas em cruz ditavam a direção da religião dominante.

Pomares em mosteiros e ervas em praças era comum.

O estilo gótico retratava bem os jardins medievais.

Plante de jardim medieval

Os dois estilos b√°sicos de jardim foram:

Monacais ‚Äď Para reagir ao luxo romano, os jardins eram dividios em 4 partes.

O pomar, a horta, o jardim de plantas medicinais e o jardim de flores.

Existiam áreas gramadas cercadas e arbustos, viveiros de peixes e pássaros, além de local para banho.

Mouriscos ‚Äď Com influ√™ncia √°rabe, os jardins espanh√≥is trouxeram um frescor dos ‚Äújardins da sensibilidade‚ÄĚ do s√©culo VI, que se caracterizavam pela √°gua, cor e perfume, com os objetivos de sedu√ß√£o e encantamento.

A cer√Ęmica e o azulejo eram bastante utilizados.

Nas vers√Ķes da idade m√©dia, as principais caracter√≠sticas eram de jardins em pequenas dimens√Ķes, sem ostenta√ß√£o e com destino √† vida familiar.

A primavera dos jardins veio com o Renascimento, assim como em todas as manifesta√ß√Ķes art√≠sticas, esta √©poca houve uma renova√ß√£o do pensamento, principalmente na It√°lia, Fran√ßa e Inglaterra.

Países que cultivam com naturalidade a cultura da jardinagem.

No Brasil, a mais antiga manifestação do paisagismo ocorreu na primeira metade do século XVII, em Pernambuco, por obra de Maurício de Nassau, durante a invasão holandesa, da qual restou uma grande quantidade de laranjeiras, tangerinas e limoeiros plantados e raros desenhos pouco nítidos de Frans Post.

Vista de Olinda, Frans Post

A hist√≥ria documentada do paisagismo iniciou-se com a chegada de Dom Jo√£o VI em 1807, que destinou ao Jardim Bot√Ęnico a voca√ß√£o de fomentar esp√©cies vegetais para a produ√ß√£o de carv√£o, mat√©ria-prima para a fabrica√ß√£o de p√≥lvora.

D. Jo√£o VI - O Carioca

O paisagismo ganhou for√ßas com os preparativos para o casamento de D. Pedro I com a arquiduquesa da √Āustria.

A corte contratou os trabalhos do alemão Ludwig Riedel, arquiteto paisagista que ocupou as ruas do Rio de Janeiro no período de 1836 a 1860.

Em 1858, D. Pedro I contratou o engenheiro agr√īnomo Glaziov que, pela primeira vez, usou √°rvores flor√≠feras no paisagismo.

Come√ßava o uso de: sibipiruna, pau-ferro, c√°ssias, paineira, jacarand√°, suin√£, cedro, emba√ļva, oiti, mirindiba, quaresmeira e ip√™s.

Hoje, no Brasil, percebemos uma grande mistura paisagística, não poderia ser diferente pela quantidade de imigrantes que formam este país.

Apesar dos cinzas dos centros urbanos, telhados verdes, hortas verticais, pequenos jardins em vasos, suculentas em janelas crescem silenciosamente.

Ao se apropriar de seu jardim, do tamanho que ele pode ser, com certeza, estar√° colaborando para um ambiente mais fresco, agrad√°vel e belo.

Nos pa√≠ses onde a arte √© cultivada ¬†os jardins p√ļblicos e privados tamb√©m o s√£o.

Jardim é arte, tradição e hábito.

Ao cultivar suas plantas existe um aprendizado profundo que oxigena a observa√ß√£o, alimenta a sutileza, banha a tranq√ľilidade e faz crescer o gosto pela beleza da vida.

Desde sempre.

Seu √Čden depende de voc√™.


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Majorelle Cap. 2, Jacques o filho pintor e seu Jardim em Marrakech

Verdadeiro s√≠mbolo da cidade de Marrakech, os Jardins de Majorelle encantam at√© um ‚Äúleigo‚ÄĚ em bot√Ęnica e desinteressados em paisagismo.


Nada mais, nada menos que, a maior e mais importante coleção de plantas de sua era, que além de ter sido o atêlier/residência  de Jacques Majorelle entre 1947 e 1962, foi também a residência de veraneio de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, a partir de 1980 restaurando todos os 12 acres do jardim até a criação da fundação que administra o museu até hoje.

Pudera, este oásis está listado entre os grandes jardins misteriosos do séc XX!

Jacques Majorelle, filho √ļnico de Louis Majorelle, grande mestre do movimento Art Nouveau, nasceu em Nancy em 1886, no meio desse rico c√≠rculo de artistas absurdamente fechado.

Assim respirou ARTE,  desde o berço.

 


Ap√≥s ter estudado artes pl√°sticas na √Čcole de Nancy e depois na Julian Academy em Paris, decidiu seguir a pintura como seu of√≠cio.

 

O certo é que durante a sua  juventude, contraiu tuberculose e precisou se mudar para o sul onde o clima era mais quente e foi assim que descobriu sua paixão pelo oriente, começando pelo Egito, depois Espanha até encontrar seu lugar preferido no mundo: Marrocos!



 










Sem d√ļvida, desenvolveu uma paix√£o particular sobre o Mediterr√Ęneo saindo fora das apresenta√ß√Ķes cl√°ssicas, encorajado pelo r√°pido tom do fauvismo, as formas simples, as origens.


 

 

 

De fato sua pintura foge completamente daquelas fantasias criadas pelo movimento Orientalista e na minha visão, o traço de Jacques Majorelle captura  uma luz Impressionista com um certo perfume Tiki, mostrando as nuances da vida diária.















Erudito, amante da est√©tica dos Souks (feiras livres t√≠picas), o pintor viajante, se sentiu atra√≠do pelas tribos Berber e pela autenticidade das regi√Ķes do Atlas.

Em 1924, Jacques resolve morar na Medina de Marrakech, encontra o terreno perfeito nas bordas de Palm Groove e d√° in√≠cio ao que seria o grande feito de sua vida, um ex√≥tico jardim bot√Ęnico que al√©m de levar o sobrenome de sua fam√≠lia, seria o seu maior legado.

Evidente que um dos grandes destaques do paisagismo de Majorelle, s√£o as palmeiras gigantescas, que mandou trazer do sul da √Āsia, do leste da √Āfrica, das Ilhas Can√°rias, da regi√£o da Mesopot√Ęnia e at√© da Calif√≥rnia.



Sem falar nos cactus, nas iucas, as vitórias-régias, o perfume dos jasmins, a encantadora floresta de Bambus que me faz mergulhar nos meus encantos pelo movimento Tiki, mais uma vez.

 

Digamos que a originalidade deste lugar, está na combinação de uma vegetação luxuosa e elementos de arquitetura alinhados com a sobriedade e estética tradicional marroquina.

E muito importante no conceito desse jardim, é a cor ícone usada: o Bleu Majorelle.

O poder desse tom de azul, d√° um contraste √ļnico a¬† impress√£o de quietude e contempla√ß√£o.



Pesquisei inclusive, a combinação exata de tons para chegarmos ao Bleu Majorelle, caso queiram pintar uma parede:

- Pantone 6050 (RGB)

- RVB (r 96, v 80, b 220)

- Triplet hexa: 6050 DC

- CMJN (c 56%, m64%, j 0%, N 14%)

- TSL (t 247*, s67%, l59%)

 


Reza a lenda que Yves Saint Laurent, que tinha um talento √ļnico para misturar cores, foi o respons√°vel pelo tom de hoje, melhorando assim ainda mais a tonalidade de Monsieur¬†Jacques Majorelle.

Mod√©stia a parte, eu tamb√©m tenho um olhar para cores e estava pensando outro dia sobre a loucura dessa cor, quando tive um insight: ‚ÄúO Bleu Majorelle √© a cor do pesco√ßo do pav√£o!‚ÄĚ

Houve um aspecto que achei fascinante e essencialmente chic enquanto pesquisava sobre¬† a funda√ß√£o dos Jardins de Majorelle, o cuidado com as 15 esp√©cies de p√°ssaros LIVRES, exclusivamente encontrados naquela regi√£o no Norte da √Āfrica.

Afinal de contas, um jardim jamais é completo sem os seus devidos passarinhos.





O trabalho de Jacques Majorelle também pode ser visto no famoso Hotel La Mamounia, que o pintor ajudou a decorar, assim como pintou posters de turismo para a cidade de Marrakesch.









Foi em 1962 que Jacques após sofrer um acidente de carro, retorna para a França e vem a falecer logo em seguida.

Nos anos 80, seu Legado paisag√≠stico sofreu grandes deteriora√ß√Ķes , at√© que o casal mais chic do mundo, Yves Saint Laurent e Pierre Berg√© descubriram¬† esse o√°sis e o recuperaram por completo.

Na terceira parte destes posts, revelo deliciosos segredos da estadia destes √ļltimos propriet√°rios do Jardim Majorelle e sobre a cria√ß√£o da funda√ß√£o e museu, n√£o percam!



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