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Pierre Bergé – Japa Girl












































































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Posts Tagged ‘Pierre Bergé’

TODAY’S SOUND: BETTY CATROUX POR ARTHUR MENDES ROCHA

Betty Catroux é a Yves Saint Laurent girl por excelência: loira, magra, sempre vestida com roupas masculinas , ela é puro estilo e não é a toa que o designer a chamava de seu alter-ego.

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Betty tem conexões brasileiras, pois sua mãe, a socialite francesa Carmen Saint, nasceu aqui.  Seu pai era diplomata e os dois frequentavam as altas rodas sociais parisienses.

Betty nasceu e cresceu em Paris e aos 17 anos, foi convidada pela própria Chanel para ser modelo, mas ela não gostava de desfilar, preferindo fotografar.

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Ela trabalhou como gerente da nova loja de Pierre Cardin e lá começou a chamar a atenção pelo seu estilo todo especial.

Sua vida mudou em 1967, quando conheceu no nightclub Regine’s Yves Saint Laurent, o famoso designer que se apaixonou por ela à primeira vista, considerando-a sua irmã, sua alma gêmea.

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Saint Laurent via em Betty um pouco de si próprio, já que ela é pura androginia, os dois foram amigos durante toda a vida e ela é considerada uma de suas principais musas, vários modelitos YSL foram criados tendo ela em mente.

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Betty adora andar de preto, de óculos escuros, com os cabelos loiros compridos, geralmente vestindo preto e sempre impecavelmente elegante.

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Em 1968, ela se casa com o chiquérimo designer de interiores François Catroux e já causa no seu casamento, vestindo casaco de pele preto e branco Cardin, mini-culote e botas com placas prateadas.

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Betty começa a se tornar a girl of the moment, acompanhando Saint Laurent em sua inauguração na loja da Madison, em NY, além de pousar para Vogue ao lado de Jane Birkin.

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Aliás, os fotógrafos adoravam Catroux, tendo sido ela fotografada por Irving Penn, Horst P. Horst, Helmut Newton, entre vários outros.

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Betty frequentava direto a lista das mais elegantes do mundo, entrando para o Hall of Fame dos bem-vestidos.

Ela vestia as roupas de Saint Laurent, pois ela as veste como imaginadas por ele, segundo o próprio afirmou: ‘ela representa o rigor e a disciplina de um corte perfeito”.

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Junto com Loulou de La Falaise, Betty era a outra companhia inseparável de YSL, frequentando suas casas (como a Majorelle no Marrocos) e apartamentos mundo a fora, participando sempre da primeira fila de seus desfiles.

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Quando Tom Ford assumiu a Saint Laurent, por pouco tempo, sua coleção foi toda inspirada por Betty, especialmente depois dele ter revirado os arquivos da Maison e visto as fotos dela nos anos 50, que dizem serem incríveis.

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Assim que Heidi Slimane começou a desenhar para a linha masculina da Saint Laurent, ela apoiou o designer e inclusive vestia suas criações.

Mesmo depois da morte de Yves, quando Slimane assumiu a Saint Laurent, Betty disse que ele continuaria o espírito de Yves.

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Está para ser lançado aqui o novíssimo filme que fala da vida de YSL, desta vez um filme de ficção e não um documentário, como era  ‘L’Amour fou” (do qual ela participou).

Neste filme, intitulado apenas “YSL’, ela é vivida pela atriz e modelo Marie de Villepin, que pela foto abaixo foi uma escolha acertada para vivê-la no cinema.

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Segundo seu marido, François, declarou: ‘Ela foi para Yves, e estou certo disto, como um desenho. Ela é o que ele teria sonhado ser, acho eu.”

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Em 2010, a revista Bazaar fez uma homenagem fashion aos filmes de Almodovár e publicou esta foto com Betty e Loulou refazendo uma cena de ‘Mulheres a beira de um ataque de nervos”.

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Betty é um exemplo de elegância, sem o menor esforço, ela transpira classe e até hoje é referência para todos os fashionistas.

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Majorelle cap. 3, residência e fundação de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé

Um dos casais mais chiques do mundo, na minha opinião, Pierre Bergé e YSL desfrutaram  diversas casas pelo mundo.

Cada uma destas faraônicas mansões guardavam suas coleções de arte particulares, objetos e móveis do mais puro bom gosto; tudo com qualidade de museu.

Sem dúvida, este bom gosto era baseado em cultura e história.

Quando montavam uma casa, não era sobre a dimensão do imóvel, havia uma história a ser contada.

De fato, uma mistura de mágica com poesia.

Muitas vezes, costumavam adquirir casas em ruínas e restaurá-las de volta ao esplendor.

Este foi o caso com o Jardin Majorelle.

Já era a terceira casa que o casal adquiria em Marrocos, Saint Laurent que nasceu e cresceu na Argelia, sinalizava um retorno ao ensolarado norte da África que foi grande fonte de inspiração na moda que criava.

As outras residências do casal ficavam em Paris, Normandia e no Tânger.

E sobre todas as suas outras residências, foi no Jardin Majorelle em Marrakech que Yves Saint Laurent, desejou que fossem jogadas suas cinzas. Então, sem sombra de dúvida, além de ser um lugar especial, foi onde YSL foi mais feliz.

Seu personagem marroquino tornou-se tão conhecido na cidade, que o homenagearam nomeando a rua de seu jardim com seu nome.

Muitos de seus amigos, do jet-set internacional,  passavam lendárias temporadas por lá, relaxando debaixo das estrelas, ouvindoMaria Callas no terraço forrado de tapetes persas.

Mergulhei no universo desta época e descobri algumas delícias para contar para vocês:

O casal, que eu fiquei mais passada, era o mais chique da época: Thalita e Paul Getty.

Photo by: Patrick Lichfield, on a Marrakesh rooftop in 1969.

Paul era herdeiro do petróleo, filho do homem mais rico do mundo naquela época e Thalita, absolutamente chic!

Thalita Getty, nascida na Indonésia, enteada do pintor Augustus John, musa absoluta de Saint Laurent, inventou o termo “Bohemian”, tão usado nos dias de hoje, foi pioneira usando seus looks numa etnia hippie chic, como só um ícone de estilo sabe usar.

Até o grande bailarino Rudolph Nureyev ficou enlouquecido por ela, imaginem!

Thalita e Paul Getty compraram e decoraram um palazzo em Marrakech e claro, eram assíduos frequentadores do Jardin Majorelle de Bergé e Saint Laurent.

Acontece que Thalita Getty alimentava um vício por drogas pesadas com tamanha voracidade, que seu hábito em heroína a matou com apenas 30 anos de idade, deixando para trás um filho de 3 anos apenas e uma vida pra lá de maravilhosa.

Haviam também Mick Jagger (este, dispensa apresentações) e Marianne Faithful, que viviam um tórrido romance durante este período.

Já, o melhor amigo da época de escola de Saint Laurent, designer de lingerie, Fernando Sanchez, estava sempre presente.

Sem falar em Loulou de La Falaise, musa, designer, colaboradora e grande amiga de Yves Saint Laurent. Faleceu recentemente em Novembro  de 2011. Sua notória elegância, estava em seu sangue já que descendia de uma longa linhagem  de condes ingleses.

Criou jóias e acessórios para a boutique do Jardin Majorelle, inclusive.

E como não poderia deixar de ser, outra grande amiga de Saint Laurent, Catherine Deneuve também era assídua frequentadora do Jardin Majorelle.

 

E Bill Willis, o genial decorador americano que criava cenários de sonho não apenas para Bergé e Saint Laurent, mas grandes socielites como Marie-Hélene de Rothschild, a família Agnelli, e como não poderia deixar de ser,  o casal  Getty no famoso Palais de La Zahia.

Bill Willis ajudou a decorar assim como restaurar, transformando a Villa Oasis numa fantasia Marroquina;

Segundo Bergé, ninguém compreendia a cultura Marroquina tão bem quanto Bill Willis.

Willis que era um Orientalista na tradição de George Clairin (minha mais nova obsessão), se apropriou de uma linguagem estética e a reinventou com maestria.


Conhecido pela sua personalidade difícil, Bill Willis era uma mistura de exigência com indolência.

Permitia que seus desejos e entusiasmos governassem sua vida.

Surpreendentemente, seus talentos passaram desconhecidos pelo mundo, nunca tendo conseguido o sucesso material concedido para muitos infinitamente menos talentosos.

Faleceu de hemorragia cerebral, sem um aviso escasso de sua morte em qualquer lugar, segundo Bergé.


Este Jardim de 12 acres também é onde fica o Museu de Arte Islâmica de Marrakech, que guarda a coleção têxtil norte-africana pessoal de YSL, cerâmicas, raríssimas  jóias das tribos Berber e  pinturas de Jacques Majorelle.

Essa é a história do Jardin Majorelle que inspirou e seduziu grandes nomes da cultura mundial dos séculos XX e XIX, entre eles Jacques Majorelle e Louis Majorelle, sendo inclusive a última morada de YSL.


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Majorelle Cap. 2, Jacques o filho pintor e seu Jardim em Marrakech

Verdadeiro símbolo da cidade de Marrakech, os Jardins de Majorelle encantam até um “leigo” em botânica e desinteressados em paisagismo.


Nada mais, nada menos que, a maior e mais importante coleção de plantas de sua era, que além de ter sido o atêlier/residência  de Jacques Majorelle entre 1947 e 1962, foi também a residência de veraneio de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, a partir de 1980 restaurando todos os 12 acres do jardim até a criação da fundação que administra o museu até hoje.

Pudera, este oásis está listado entre os grandes jardins misteriosos do séc XX!

Jacques Majorelle, filho único de Louis Majorelle, grande mestre do movimento Art Nouveau, nasceu em Nancy em 1886, no meio desse rico círculo de artistas absurdamente fechado.

Assim respirou ARTE,  desde o berço.

 


Após ter estudado artes plásticas na École de Nancy e depois na Julian Academy em Paris, decidiu seguir a pintura como seu ofício.

 

O certo é que durante a sua  juventude, contraiu tuberculose e precisou se mudar para o sul onde o clima era mais quente e foi assim que descobriu sua paixão pelo oriente, começando pelo Egito, depois Espanha até encontrar seu lugar preferido no mundo: Marrocos!



 










Sem dúvida, desenvolveu uma paixão particular sobre o Mediterrâneo saindo fora das apresentações clássicas, encorajado pelo rápido tom do fauvismo, as formas simples, as origens.


 

 

 

De fato sua pintura foge completamente daquelas fantasias criadas pelo movimento Orientalista e na minha visão, o traço de Jacques Majorelle captura  uma luz Impressionista com um certo perfume Tiki, mostrando as nuances da vida diária.















Erudito, amante da estética dos Souks (feiras livres típicas), o pintor viajante, se sentiu atraído pelas tribos Berber e pela autenticidade das regiões do Atlas.

Em 1924, Jacques resolve morar na Medina de Marrakech, encontra o terreno perfeito nas bordas de Palm Groove e dá início ao que seria o grande feito de sua vida, um exótico jardim botânico que além de levar o sobrenome de sua família, seria o seu maior legado.

Evidente que um dos grandes destaques do paisagismo de Majorelle, são as palmeiras gigantescas, que mandou trazer do sul da Ásia, do leste da África, das Ilhas Canárias, da região da Mesopotânia e até da Califórnia.



Sem falar nos cactus, nas iucas, as vitórias-régias, o perfume dos jasmins, a encantadora floresta de Bambus que me faz mergulhar nos meus encantos pelo movimento Tiki, mais uma vez.

 

Digamos que a originalidade deste lugar, está na combinação de uma vegetação luxuosa e elementos de arquitetura alinhados com a sobriedade e estética tradicional marroquina.

E muito importante no conceito desse jardim, é a cor ícone usada: o Bleu Majorelle.

O poder desse tom de azul, dá um contraste único a  impressão de quietude e contemplação.



Pesquisei inclusive, a combinação exata de tons para chegarmos ao Bleu Majorelle, caso queiram pintar uma parede:

- Pantone 6050 (RGB)

- RVB (r 96, v 80, b 220)

- Triplet hexa: 6050 DC

- CMJN (c 56%, m64%, j 0%, N 14%)

- TSL (t 247*, s67%, l59%)

 


Reza a lenda que Yves Saint Laurent, que tinha um talento único para misturar cores, foi o responsável pelo tom de hoje, melhorando assim ainda mais a tonalidade de Monsieur Jacques Majorelle.

Modéstia a parte, eu também tenho um olhar para cores e estava pensando outro dia sobre a loucura dessa cor, quando tive um insight: “O Bleu Majorelle é a cor do pescoço do pavão!”

Houve um aspecto que achei fascinante e essencialmente chic enquanto pesquisava sobre  a fundação dos Jardins de Majorelle, o cuidado com as 15 espécies de pássaros LIVRES, exclusivamente encontrados naquela região no Norte da África.

Afinal de contas, um jardim jamais é completo sem os seus devidos passarinhos.





O trabalho de Jacques Majorelle também pode ser visto no famoso Hotel La Mamounia, que o pintor ajudou a decorar, assim como pintou posters de turismo para a cidade de Marrakesch.









Foi em 1962 que Jacques após sofrer um acidente de carro, retorna para a França e vem a falecer logo em seguida.

Nos anos 80, seu Legado paisagístico sofreu grandes deteriorações , até que o casal mais chic do mundo, Yves Saint Laurent e Pierre Bergé descubriram  esse oásis e o recuperaram por completo.

Na terceira parte destes posts, revelo deliciosos segredos da estadia destes últimos proprietários do Jardim Majorelle e sobre a criação da fundação e museu, não percam!



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