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Posts Tagged ‘Punk Rock’

TODAY’S SOUND: Punk Brasil parte 1 POR ARTHUR MENDES ROCHA

Hoje falaremos um pouco do início do punk no Brasil.

O punk teve suas primeiras manifestações no Brasil no final da década de 70, quando bandas de São Paulo, Brasília e outros estados começaram a tentar fazer aqui o que viam que estava acontecendo na Europa e EUA.

Os grupos paulistas vinham na maioria da periferia, eram jovens revoltados com a ditadura militar, eram simples e não tinham dinheiro para comprar discos importados, por isso havia muito a cultura da fita cassete e a reunião em pontos como o largo São Bento e a Vila Carolina (ambos em SP). Inclusive foi nesta última que aconteceu um dos primeiros shows punk em dezembro de 1978.

Um dos precursores do punk no país foram os grupos Joelho de Porco e Banda do Lixo (Minas), mas as primeiras bandas punks paulistas foram Restos de nada (primeira banda do Clemente), AI-5, Cólera, Condutores de cadáver e Olho Seco, seguidas por Garotos Podres, Ratos de Porão, Inocentes, 365, entre outras.

O punk brasileiro também foi uma reação à mesmice que se encontrava o rock, eles não gostavam de música disco e os astros da MPB faziam mesma coisa. Um dos primeiros programas a mostrar o que estava acontecendo lá fora com o punk rock era o programa de Marcelo Nova (que viria a ser o vocalista do Camisa de Vênus) na Bahia e o programa de Kid Vinil na rádio Excelsior em 1979.

O primeiro registro de punk brasileiro lançado em vinil foi a coletânea “Grito Suburbano” com a participação das bandas Cólera, Inocentes e Olho Seco.


Em São Paulo o movimento punk foi adquirindo mais força e crescendo: a loja Punk Rock (pertencente ao vocalista do Olho Seco) trazia as novidades de fora e reunia as diferentes facções na galeria do Rock (centro de SP). Um dos primeiros shows de punk foi na PUC, evento este que acabou em incêndio (que segundo os punks da época foi causado pela própria polícia).

Na época havia muita rivalidade dos punks da capital e os da região do ABC paulista. Isto prejudicou o movimento, pois faltava união para fazer shows, lançar discos. Uma tentativa de apaziguá-los rolou com o festival “O Começo do fim do mundo”, no SESC Pompéia em 1982, mas o evento acabou em pancadaria e repressão policial, tornando-os mal vistos pela mídia que deturpou a imagem do movimento perante o grande público.

O documentário “Abotinados” do Gastão Moreira é um bom retrato deste começo do punk paulista.


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Today’s Sound: Circle Jerks por Arthur Mendes Rocha

Finalizando os posts sobre punk californiano, hoje falaremos do Circle Jerks.

The  Circle Jerks foi formado pelo ex-vocalista do Black Flag, Keith Morris, mais o guitarrista Greg Hetson, o baixista Roger Rogerson e o baterista Lucky Lehrer,em 1979. Segundo Morris, ele formou o Circle Jerks por não aguentar mais ouvir ordens e para ter mais liberdade criativa, fazendo um som mais rápido (as músicas da banda tem a duração de um pouco mais de um minuto), bem humorado e com muitas referências ao sexo (o nome da banda tem a tradução de “círculo de punheteiros”). Uma combinação da rebeldia dos Sex Pistols e Ramones com a atitude agressiva dos skatistas e surfistas de Hermosa Beach, L.A., Califórnia, lugar de origem da banda.


O primeiro disco dos Circle Jerks foi lançado em 1980 e chamava-se “Group Sex”, como o próprio nome já diz, com forte temática de sexo entre adolescentes e referências políticas.


No mesmo ano eles apareceram no filme “Decline of Western Civilization” (que já falamos por aqui), tocando músicas do disco ao vivo. No próximo álbum, “Wild in the streets”, a banda assina com o selo IRS, mas fica um bom tempo sem gravar depois que a subsidiária da gravadora encerra suas operações. Além disso, a banda tem mudanças na sua formação: saem Rogerson e Lehrer e entram Zander Schloss e Keith Clark.



A banda é uma das responsáveis pela popularidade do hardcore; em 1984, eles participam na trilha sonora e tocando no filme “Repo Man” (um dos filmes-cult dos punks, dirigido por Alex Cox) a música “When the shit hits the fan”.



Depois de mais mudanças na banda, eles resolvem dar uma parada nos anos 90, até voltarem em 1995 com um novo álbum (“Oddities, Abnormalities and Curiosities) e desta vez por uma grande gravadora (a Mercury). Mas a banda ainda enfrentaria problemas de saúde de Morris (com diabetes) até voltar nos anos 2000 para turnê que incluiu o Brasil.

A banda também participou do filme/documentário “American Hardcore” que conta um pouco da história destas bandas que falamos.

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TODAY’S SOUND: DEAD KENNEDYS POR ARTHUR MENDES ROCHA

Hoje o tema do post é uma banda-ícone do punk hardcore: o Dead Kennedys.

São Francisco -1978: tudo começou quando o guitarrista East Bay Ray colocou um anúncio no jornal procurando um vocalista para sua banda e este anúncio foi respondido por Jello Biafra. À eles juntaram-se Klaus Flouride (baixo), Ted (bateria) e 6025 (outro guitarrista que foi logo substituído por D.H. Peligro).

O Dead Kennedys se caracteriza pelas letras extremamente anárquicas, ácidas, satíricas, criticando a política, as guerras, a polícia, a igreja, dificilmente alguém escapava das críticas da banda. Seus primeiros shows em SF são uma mistura de caos e teatro, uma misto de Ventures com Sex Pistols.

Seu primeiro single é ‘California Uber Alles’ em 1979, um ataque ao governo californiano da época e que foi lançado pelo próprio selo da banda, o Alternative Tentacles, já que nenhuma gravadora tinha a coragem de lançar seus discos.

Em 1980, eles lançam seu primeiro álbum, o clássico do punk rock “Fresh Fruit for Rotting Vegetables” (que foi disco de ouro na Inglaterra).

A posição política da banda acaba por criar conflitos com os mais diferentes segmentos conservadores, que passam a vigiar seus shows com a violenta presença da polícia na maioria deles. Biafra chega a candidatar-se a prefeitura de São Francisco, ficando na quarta posição.

Em 1981, eles lançam o EP “In God we trust” com a polêmica “Nazi Punks, fuck off”, um ataque direto aos punks simpatizantes do nazismo que estavam surgindo na cena e dos quais discordavam ideologicamente. Este EP é seguido do álbum ‘Plastic Surgery disasters” (considerado um dos melhores da banda) e com músicas como “Bleed for me” e “Halloween”, além de elementos novos na música da banda como o uso do clarinete.

Depois de excursionarem pelos EUA, Austrália e Europa por dois anos, eles lançam o terceiro álbum “Frankenchrist”, com músicas que criticam a posição de extrema direita que a política americana refletia na época e que continha no encarte um desenho de H.R Giger chamado “Penis landscape” com vários desenhos de pênis e vaginas. Foi o que os conservadores precisavam para cair novamente em cima da banda e invadir o apartamento de Biafra além de processá-lo por “distribuição de material pornográfico a menores”.

Biafra consegue sair ileso das acusações baseado na primeira emenda que prega a liberdade de expressão. Mas mesmo antes desta controvérsia toda, a banda resolve terminar em 1986 ao completar a gravação do disco “Bedtime for democracy”.

Jello Biafra lançou-se como artista solo, além de produzir bandas para o selo Alternative Tentacles. Mas a relação entre eles não terminou nada pacífica, pois os outros integrantes processaram Biafra pelo não pagamento de direitos autorais e ele acabou perdendo o controle sobre o catálogo da banda em 2000. Ele continua lançando discos, fazendo leituras e ganhando direitos autorais sob as músicas dos Dead Kennedys, pois a maioria são de sua autoria.

Os demais integrantes continuam fazendo shows como os Dead Kennedys, mas sem a presença de Jello Biafra.

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