Hoje falaremos um pouco do início do punk no Brasil.
O punk teve suas primeiras manifestações no Brasil no final da década de 70, quando bandas de São Paulo, Brasília e outros estados começaram a tentar fazer aqui o que viam que estava acontecendo na Europa e EUA.
Os grupos paulistas vinham na maioria da periferia, eram jovens revoltados com a ditadura militar, eram simples e não tinham dinheiro para comprar discos importados, por isso havia muito a cultura da fita cassete e a reunião em pontos como o largo São Bento e a Vila Carolina (ambos em SP). Inclusive foi nesta última que aconteceu um dos primeiros shows punk em dezembro de 1978.
Um dos precursores do punk no país foram os grupos Joelho de Porco e Banda do Lixo (Minas), mas as primeiras bandas punks paulistas foram Restos de nada (primeira banda do Clemente), AI-5, Cólera, Condutores de cadáver e Olho Seco, seguidas por Garotos Podres, Ratos de Porão, Inocentes, 365, entre outras.
O punk brasileiro também foi uma reação à mesmice que se encontrava o rock, eles não gostavam de música disco e os astros da MPB faziam mesma coisa. Um dos primeiros programas a mostrar o que estava acontecendo lá fora com o punk rock era o programa de Marcelo Nova (que viria a ser o vocalista do Camisa de Vênus) na Bahia e o programa de Kid Vinil na rádio Excelsior em 1979.
O primeiro registro de punk brasileiro lançado em vinil foi a coletânea “Grito Suburbano” com a participação das bandas Cólera, Inocentes e Olho Seco.
Em São Paulo o movimento punk foi adquirindo mais força e crescendo: a loja Punk Rock (pertencente ao vocalista do Olho Seco) trazia as novidades de fora e reunia as diferentes facções na galeria do Rock (centro de SP). Um dos primeiros shows de punk foi na PUC, evento este que acabou em incêndio (que segundo os punks da época foi causado pela própria polícia).
Na época havia muita rivalidade dos punks da capital e os da região do ABC paulista. Isto prejudicou o movimento, pois faltava união para fazer shows, lançar discos. Uma tentativa de apaziguá-los rolou com o festival “O Começo do fim do mundo”, no SESC Pompéia em 1982, mas o evento acabou em pancadaria e repressão policial, tornando-os mal vistos pela mídia que deturpou a imagem do movimento perante o grande público.
O documentário “Abotinados” do Gastão Moreira é um bom retrato deste começo do punk paulista.




























