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CURRENT MOON

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TODAY’S SOUND: TALK TALK‏ ‏ POR ARTHUR MENDES ROCHA

O Talk Talk tem um lugar especial na música pop, é um grupo que não se vendeu para a indústria fonográfica, que lançou trabalhos instigantes, diferentes do simples conceito de vender discos, sempre preocupados com um som mais refinado, maduro, profundo, tanto que influenciaram muitas bandas surgidas após eles e consolidaram a definição de “post-rock” nas bandas surgidas a partir dos aos 90.

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A peça chave do Talk Talk é Mark Hollis, o vocalista e letrista da banda, que desistiu dos estudos de psicologia para se dedicar à música. E assim fomos presenteados com uma voz única, um timbre difícil de descrever, mas que é muito especial.

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O primeiro grupo que ele formou foi o The Reaction, uma banda punk que procurava uma chance.

O irmão de Mark, Ed Hollis, era DJ e produtor de bandas e o incentivou a gravar uma demo para a Island Records.

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Esta demo continha uma canção chamada ‘Talk Talk”, incluída na coletânea de bandas punks, The Streets (lançada pel selo Beggars Banquet):

No fim, The Reaction acabou lançando apenas um single, “I can’t resist’, em 1978, e logo se dissolveu.

Neste meio tempo, Ed apresenta Mark para aqueles que formariam com ele o Talk Talk: Paul Webb (baixista), Lee Harris (baterista) e Simon Brenner (tecladista).

Assim, em 1981, eles formam o Talk Talk e depois de alguns demos, assinam com a EMI.

No começo de sua trajetória, o Talk Talk era considerado um grupo nos padrões do Duran Duran, com fortes influências new romantic , synthpop e new wave, tendo inclusive aberto shows para o Duran no final de 1981, além de adotarem o mesmo produtor, Colin Thurston, e o mesmo selo, EMI.

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O primeiro single deles foi lançado em 1982, ‘Mirror Man’, mas não teve destaque nas paradas.

Já o segundo single, era uma regravação de uma música do Reaction, ‘Talk, Talk”, que alcançou o 52º lugar e o single seguinte foi bem em execução, “Today”, aqui numa rara apresentação na TV inglesa em 1982:

Logo em seguida é lançado o primeiro álbum da banda, “The Party’s over’, tendo alcançado apenas o 21º lugar na parada de sucessos.

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Em 1983, Brenner sai da banda e o Talk Talk passa a ser um trio. Um detalhe interessante é que o quarto membro do Talk Talk acabou sendo o produtor do segundo álbum, Tim Friese-Greene, que ajudava nos teclados e também na composição das letras, mas nunca saiu em fotos ou participou de shows com o grupo.

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Neste período, a banda abriu alguns shows para Elvis Costello nos EUA, o que os surpreendeu, pois estavam acostumados a tocar para públicos bem menores na Inglaterra.

Mas o sucesso mesmo só veio em 1984, com o lançamento do álbum “It’s my life’, cujo single “Such a shame” e “Dum Dum Girl” alcançam sucesso em alguns países da Europa e na Nova Zelândia, mas continuavam sendo ignorados em sua terra natal, a Inglaterra.

O som do Talk Talk não pode ser considerado fácil, é um som altamente elaborado, suas músicas não são dançantes, suas letras são densas, sua música tem elementos de jazz, ambient e música clássica.

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Neste segundo trabalho, fica mais evidente um amadurecimento deles em relação ao primeiro disco, principalmente pelo trabalho de Friese-Green, que imprimiu texturas mais ricas no som deles.

O próximo single, intitulado It’s my life”, talvez até hoje seja a música mais conhecida deles, especialmente depois de regravada pelo No Doubt.

A capa do disco foi realizada por James Marsh, designer gráfico que desde então fez todo o material da banda, criando uma identidade que pode ser facilmente reconhecida, geralmente utilizando lindas ilustrações de animais, plantas e mais.

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O disco seguinte, The Colour of Spring, lançado em 1986, acaba se tornando seu maior êxito comercial na Inglaterra, atingindo finalmente o top 10, especialmente pelo single ‘Life’s what you make it” e levando a banda para o Top of the Pops:

O álbum acaba sendo um grande sucesso internacional, seguida de uma grande turnê mundial.

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O segundo single, ‘Living in another world”, também atinge o top 40 de países como Alemanha, Suíça, Holanda, entre outros. Aqui em um vídeo do show deles no Festival de Montreux em 1986:

“The Colour of Spring” era um disco diferente de tudo que a música pop da época oferecia, era bem mais soturno, introspectivo e seu som mais orgânico que os outros álbuns do Talk Talk.

Em 1987, o Talk Talk se tranca em uma igreja abandonada de Suffolk (Inglaterra), para iniciar os trabalhos de seu próximo disco, “Spirit of Eden”.

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Este disco é considerado a obra-prima deles, um disco a frente de seu tempo, com uma riqueza de ambientações, músicas longas, letras magníficas e um disco fundamental para o post-rock.

Eles tiveram muitos problemas com a gravadora para conceber este álbum, já que a EMI os estava pressionando para lançarem um novo single e Mark se recusava a entregar qualquer material antes de terminar todo o disco.

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Além disso, ele afirmou que era impossível realizar uma turnê do disco, devido às elaboradas instrumentalizações e improvisações, este não comportava shows, deixando os executivos da gravadora de cabelo em pé.

Já tendo estourado orçamento e o tempo em estúdio, finalmente o disco é lançado em 1988, sendo elogiado pela crítica, porém sem um grande hit para puxar as vendas.

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O único single lançado do álbum foi ‘I Believe in you”, mesmo assim contra a vontade de Mark,  que o fez apenas por pressão da gravadora e ficou insatisfeito com o vídeo da canção:

A banda tentava se liberar do contrato com a EMI, o que finalmente aconteceu, mesmo com a tentativa da gravadora em processar a banda por realizar um trabalho não-comercial (Spirit of Eden), o que acabou não dando em nada.

Agora a EMI procurou lucrar o máximo possível com o catálogo do Talk Talk e lançou a coletânea ‘Natural History” em 1990, que atingiu o primeiro lugar em vendagens na Inglaterra e vendeu mais  de um milhão de cópias mundo a fora.

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Agora o Talk Talk pertencia ao cast da Polydor, mas a banda se resumia quase que somente a Mark e Friese-Green, já que Webb já havia abandonado o grupo e restava apenas Harris e músicos convidados.

Mesmo assim, eles lançam o experimental ‘Laughing Stock”, em 1991, continuando na mesma linha de Spirit of Eden, e que atingiu o 26º lugar na parada inglesa.

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Porém, depois deste disco, a banda se desmembra de vez, com Mark se dedicando á seus filhos pequenos e só vindo a lançar um disco-solo em 1998, para depois sumir novamente.

A última música que rolou dele foi um instrumental usado para o seriado “Boss”, no qual ele utilizou a AB Section 1, abrindo e fechando um dos episódios, isto em 2012.

Webb e Harris acabam formando a banda O.rang e  Friese-Green forma o Heligoland.

Em 2002, Webb, sob o pseudônimo de Rustin Man, lança um álbum com Beth Gibbons, a vocalista do Portishead, show este que veio ao Brasil no Tim Festival.

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O Talk Talk teve um álbum tributo e um livro, ambos lançados em 2012, intitulado “Spirit of Talk Talk”.

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Até hoje a banda é reverenciada e é influência assumida para grupos como Radiohead, Sigur Rós,  Portishead, Catherine Wheel, Slowdive, DJ Shadow, Weezer, Death Cab for Cutie, além de muitas outras que admiram a sua sonoridade e seu espírito criativo e inovador.

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TODAY’S SOUND: LEE SCRATCH PERRY POR ARTHUR MENDES ROCHA

Lee “Scratch” Perry é nada menos que uma lenda do reggae e do dub e acaba de completar 78 anos, com seu talento dedicado à produção, mixagem e composição de várias e importantes músicas do gênero.

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Rainford Hugh Perry nasceu na Jamaica, em 1936, o apelido Lee lhe foi dado pela mãe e o Scratch pela sua habilidade nas mixagens, tendo também o apelido de The Upsetter.

Lee, na verdade, é mais famoso por suas produções, já que tudo o que a música jamaicana criou a partir da década de 60 passou pelas mãos dele (como vimos com Bob Marley, Peter tosh, entre outros).

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Suas experimentações inovadoras e audaciosas ajudaram a sedimentar o dub e o reggae de maneira fundamental na história da música pop.

Sua carreira musical iniciou ao trabalhar com Prince Buster (nos primórdios do ska) e vendendo discos para Clement “Coxsone” Dodd, vindo mais tarde a trabalhar no icônico Studio One, pertencente a Coxsone.

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Ao brigar com Coxsone, ele vai trabalhar com Joe Gibbs na Wirl Records, lançando vários artistas novos até abrir a sua própria gravadora, a Upsetter records, em 1968.

O primeiro lançamento de sua gravadora é histórico, já que “People funny boy” é o primeiro disco que mostrava a linha de baixo um pouco mais lenta que o ska, lançando as raízes do reggae:

Durante os anos  70, Perry lançou várias faixas instrumentais sob os mais diferentes pseudônimos, tais como Jah Lion, Pipecock Jakson, Super Ape, The Upsetter e Scratch.

Entre elas estava “The return of Django’, assinada por sua banda, The Upsetters; esta faixa foi influenciada pelos spaghetti-westerns (que Perry adorava) e cultuada pelos skinheads ingleses:

Para entender sua importância para a música eletrônica, o dub, ou seja, o reggae remixado de forma mais instrumental, no qual se tira o vocal, dando destaque para baixo e bateria bem pronunciados, foi fundamental para a base de muitas faixas, incluindo várias de rap.

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Hoje quando se fala de dub, os apreciadores já entendem como um estilo com vida própria.

Perry teve seu primeiro contato com o dub ao escutar King Tubby e suas experimentações, abriu os ouvidos e resolveu ele mesmo experimentar em seu novo estúdio, Black Ark.

Abaixo cenas dele gravando com os Upsetters no estúdio:

Sua colaboração mais famosa com King Tubby foi ‘Blackboard Jungle dub”:

Foi no Black Ark que ele produziu ótimas músicas para Bob Marley e the Wailers, mas com os quais ele queimou o filme a vender faixas, sem a autorização deles, para a Trojan Records.

Em 1976, ele lança o lendário álbum ‘Super Ape”, com muito dub, sopros e vocais dos mais variados, como em ‘Dread Lion’:

Mesmo depois de se desentender com os Wailers, Perry acabou produzindo faixas para oThe Clash, que já haviam regravado uma produção dele: ‘Police & thieves”.

O jeito loução de Perry teve alguns momentos complicados, já que ele abusou das drogas e acabou botando fogo no seu próprio estúdio numa viagem de ácido.

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O figurino de Perry mostra bem a sua personalidade, ousando na mistura cores inusitadas, usando boinas cheia de bottons, casacões estampados ou militares, correntes douradas, anéis enormes, até pintando barba e cabelo de vermelho, criando todo um estilo único como vemos nestes comerciais que ele fez para a cerveja Guiness:

Mas mesmo com todas estas viagens de Perry, ele continuou a produzir, lançar discos, fazer turnês, tendo tocado aqui no Abril Pro Rock em 2007 e também no Tim Festiva,l e no ano passado no Festival de Coachella.

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Em toda sua carreira, Perry já lançou mais de 30 discos, como o álbum de 2004, “Panic in Babylon’, cuja faixa título podemos ouvir abaixo:

Além disso, Perry gravou em várias companhias ilustres como Mad professor e mais recentemente com o The Orb, cujo vídeo de ‘Golden Clouds” está abaixo:

Ele continua na ativa e do alto dos seus 78 anos, parece não querer parar tão cedo e continua dando sua contribuição da melhor forma possível.

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TODAY’S SOUND: BOUNCING SOULS POR ARTHUR MENDES ROCHA

Hoje falaremos de uma banda de punk e sua mistura com ska, fazendo delas uma das mais animadas: o Bouncing Souls.

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A banda começou em 1987, em New Jersey, formado pelos amigos (e colegas): Greg Attonito (vocais), Pete Steinkopf (guitarra), Bryan Kienlen (baixo) e Shai Khichi (bateria).

O nome foi originado do slogan da propaganda das botas Dr. Martens (as mais usadas pelos punks) que fala das ‘bouncing soles’ (algo como solas robustas, quicantes).

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Entre seus  primeiros EPs estão “Ugly Bill” (1991), ‘The Green Ball Crew” , do qual interpretam “Kicked” em um show de 1993:

Com esta formação, eles fundaram  a gravadora Chunksaah Records em 1993, por onde lançaram seu primeiro LP: ‘The Good, the bad & the argyle”.

Um dos destaques era “Candy” (cover de “I want candy” do Strangelove e também gravado pelo Bow Wow Wow):

Em 1995, eles assinam com a gravadora BYO Records, que relança seu primeiro disco além de lançar o seu segundo trabalho: “Maniacal Laughter’, com ritmo mais rápido e letras mais alegres como “Argyle”:

Sua popularidade também foi aumentando e começaram a abrir shows para nomes como NOFX, The Mighty Might Bosstones, entre outros.

Mas foi com seu terceiro álbum, intitulado “Bouncing Souls”, agora pelo selo Epitaph, que a banda cmeçou a chamar ainda mais a atenção com hits como “Cracked”:

Seu próximo trabalho é ‘Hopless Romantic”, até que Khichi abandona a banda em 2000, sendo substituído por Michael McDermott.

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Durante os primeiros anos da nova década, os Bouncing Souls lançam mais discos de estúdio, como o elogiado ‘Anchors Aweigh’ (de 2003), além de álbuns ao vivo.

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Em 2006, em comemoração ao lançamento do disco “The Gold Record”, eles sobem ao palco do Knitting Factory, de NY, fazendo seis shows com lotação esgotada.

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O Bouncing Souls, apesar de não serem um grande sucesso comercial,é uma banda respeitada na cena punk americana, seus shows são bastante apreciados e eles sempre foram fiéis às suas raízes.

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Depois de apresentações na Warped Tour, em 2009 eles lançam vários singles no formato físico e digital em comemoração aos seus vinte anos de carreira intitulados “20th anniversary series’.

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Seu último trabalho lançado foi no final de 2012, o álbum “Comet”, bem recebido pelos fãs e pela crítica.

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