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Posts Tagged ‘rap’

Today’s Sound: Stevie Wonder por Arthur Mendes Rocha

Stevie Wonder não deixou que sua cegueira atrapalhasse sua brilhante carreira musical, nos emocionando com sua música que tem acima de tudo muito soul.

Stevie nasceu de parto prematuro e isto foi uma das principais causas de sua cegueira.

Desde cedo, ele demonstrou interesse na música, cantando em corais de igrejas e aprendendo a tocar instrumentos como piano, gaita, bateria e baixo.


Ele foi apresentado ao presidente da Motown, Berry Gordy, como Little Stevie Wonder, já que tinha apenas 11 anos de idade e Gordy logo se impressionou com o talento do menino.

Ele assina com a Motown e grava dois discos de pequeno sucesso.

Mas foi aos 13 anos, ao lançar o single “Fingertips  (Part 2)” que ele estoura nas paradas de sucesso, bem como com “Uptight (Everything’s alright”):

Nos anos seguintes, já assinando somente como Stevie Wonder, ele compõe sucessos para outros artistas da Motown, além de lançar canções como “For Once in my life”

No início dos anos 70, ao renovar o contrato com a Motown, Stevie consegue o sonho de todo artista: o controle artístico sobre seu trabalho e os direitos sob todas as canções, além de royalties mais altos.

Ele vivia seu ápice criativo, lançando discos que se tornariam ícones como “Talking Book” que originou o hit “Superstition”, música que fez o crossover com as rádios de rock, que passaram a tocar suas músicas. No vídeo abaixo ele interpreta a canção no programa Soul Train:

Os hits vão chegando com tudo como “My cherie amour”, ‘You are the sunshine of my life”, “Signed, sealed, delivered (I’m yours)” (na versão abaixo ele canta com Beyoncé):

Sua canções ficam mais politizadas, como mostrava seu álbum “Innervisions”, um de seus melhores trabalhos, no qual se destacava “Living for the city”, lhe dando três Grammys incluindo álbum do ano:

Para coroar este momento incrível de sua carreira, Stevie lança mais um grande álbum “Songs in the key of life”, álbum que já foi direto para o primeiro lugar e que continha os hits “I wish”, “Sir Duke”, ‘As” e “Isn’t she lovely”, entre outros.

Nos anos 80, Stevie vive um dos seus melhores momentos comerciais, já que colhe os louros dos álbuns que lançou, participando de shows beneficentes, ações de caridade, colaborações com artistas de sucessos e aumento nas vendas de seus discos.

Ele lança novos trabalhos como “Happy Birthday”, “Master Blaster (Jammin’)”, “Do I do”, “That girl”, “Ribbon in the Sky”, “Ebony and Ivory” (no vídeo abaixo com Paul McCartney na Casa Branca em 2010):

Em 1983, ele faz a trilha de “A dama de vermelho” que origina o hit que lhe renderia o Oscar de melhor canção: “I Just called to say I love you”.

Nos anos 90, ele lança bem menos coisas, mas um de seus bons trabalhos foi a trilha do filme “Jungle fever” de Spike Lee.


Nos anos 2000, Stevie continua fazendo shows e turnês mundo a fora, tendo se apresentado no ano passado no Rock in Rio para um público de mais de onze mil pessoas, que cantaram junto com ele em alguns momentos como quando ele homenageou a música brasileira (que tanto adora) interpretando “Garota de Ipanema” e “Você abusou”:

Stevie é influência para muitos músicos, desde o pop, passando pelo rap, rock, R&B, jazz, música eletrônica e muitos outros.

Ele detém o recorde de artista masculino que mais venceu Grammys, tendo conquistado 25 Grammys no total em sua carreira.

Stevie está aí há mais de quatro décadas, sempre na ativa, é um artista completo, cantando, tocando e compondo divinamente, dono de um ritmo e uma musicalidade jamais igualada. Ele é um retrato vivo do que a música negra é capaz, seja no soul, R&B, funk, disco ou hip-hop.

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Today’s Sound: Cypress Hill por Arthur Mendes Rocha

O Cypress Hill é um dos grupos de rap da chamada West Coast (Costa Oeste), que estourou no mundo inteiro, mantendo suas raízes latinas e continua na ativa até hoje.

O grupo foi formado em 1988 pelos irmãos Senen Reyes (Sem Dog) e Ulpiano Sergio Reys (Mellow Men Ace) juntamente com Lawrence Muggerud (DJ Muggs) e Louis Freese (B-Real) e primeiramente chamava-se DVX (Devasting Vocal Excellence).

Mas com a saída de Mellow Man Ace (que seguiu em carreira solo), eles acabaram mudando o nome para Cypress Hill, nome de uma rua de Los Angeles.

Foi somente em 1989 que eles conseguem gravar a primeira demo e lançar seu primeiro álbum em 1991 pela Columbia (Sony) puxado pelo primeiro single “The Phuncky feel one”/”How I could just kill a man”

O álbum “Cypress Hill” vendeu mais de dois milhões de cópias (somente nos EUA) e tornou-os conhecidos em todo país e convidados a participar do Lollapalooza em 1992.

O álbum seguinte, “Black Sunday”, foi um sucesso ainda maior, batendo o recorde de venda-gem de um grupo de rap na época, chegando ao triplo platina principalmente pelo mega hit “Insane in the brain” (com seu sample de rincho de cavalo alterado):

O grupo conseguia a façanha de ter dois álbuns no top 10 da Billboard ao mesmo tempo e fazer turnês acompanhados de grupos como House of Pain e Rage Against the Machine.


O Cypress Hill vivia o auge de sua fama, participando de programas como o Saturday Night Live, onde foram banidos por fumar maconha na frente das câmeras como mostra o vídeo abaixo, onde eles interpretam ‘I ain’t goin’ out like that”:

Eles também participaram do Woodstock 1994 e viraram personagens dos Simpsons no episódio “Homerpalooza”:

O terceiro álbum foi lançado em 1995 e chamava-se “III: Temples of Boom”, indo direto para o topo das paradas puxado pelo hit “Throw your hands in the air”:

Em 1998/1999 eles lançam mais dois álbuns de sucesso: “IV” e “Los Grandes êxitos en español”, este segundo uma compilação de seus sucessos em espanhol.


A partir dos anos 2000, o grupo lança álbuns sob forte influência do rock, chegando a apresentar-se ao lado do Offspring, mas seus álbuns passam a não ter o mesmo êxito de antigamente.

Uma das grandes características que diferenciam o Cypress Hill dos outros grupos de rap são os vocais anasalados e rápidos de B-Real, que faz um par perfeito com a voz de Sen Dog que é mais violenta e mais gritada, casadas com as bases chapadas do DJ Muggs.

Seu estilo tem influências minimalistas, funks, psicodélicas, além do uso de instrumentos de rock.

O Cypress Hill continua fazendo shows, lançando álbuns (o último é “Rise Up” de 2010) e também alguns projetos solos de seus integrantes.

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Today’s Sound: Run DMC por Arthur Mendes Rocha

O Run DMC foi um dos primeiros grupos que tornou o rap um fenômeno pop, misturando-o a
outros gêneros e tornando-o algo grandioso.

Tudo começou em 1982 em Hollis, Queens, NY, quando Russell Simmons (o futuro dono da gravadora DEF JAM) estava empresariando Kurtis Blow e seu irmão, Run, começava a fazer rimas de rap em casa.

Run uniu-se ao seu amigo de infância Darryl McDaniels (DMC) para ajudá-lo a compor seu primeiro single “It´s like that”, com influências de Afrika Bambaataa e de Melle Mel (autor de “The Message”), ambos com hits na época.

No lado B do single havia “Sucker MC’s”(neste vídeo quem os apresenta é Vincent Gallo):

O single foi lançado em 1983 pela Profile Records e vendeu mais de 250 mil cópias, além de tocar nas beatboxes (os rádios breaks), bem como nas rádios, que passaram a tocá-la nos horários diurnos também, já que naquela época o rap era tão underground que só tocava na programação noturna.

Era o que bastava para que eles recrutassem seu camarada, o DJ Jason Mizell, mais conhecido como Jam Master Jay, fechando o trio e mostrassem seus beats únicos, percussão nervosa e vocais crus que mudaram o mundo do rap.

O Run DMC tinha chegado para ficar e começaram a lançar álbuns que são considerados verdadeiros clássicos do rap como o seu auto denominado primeiro álbum, “Run DMC” de 1984, seguido de “King of Rock”de 1985.


Mas foi com o álbum “Raising Hell” de 1986, que o grupo obtém o maior sucesso de sua carreira, atingindo o certificado de duplo platina em vendas (a primeira vez que um grupo de rap atingia esta marca) e originando o mega hit que mistura rap e rock com “Walk this way” e salvando a carreira do Aerosmith (que na época estava no ostracismo):

“Raising Hell” é um verdadeiro marco do hip hop, pois ele mostrou que o gênero podia ser admirado por fãs de outros estilos, era cool gostar de rap, o hip hop saia dos porões e atingiam as grandes massas, outro sucesso do álbum era “It’s tricky”:

Assim o Run DMC mudou as regras do jogo: artistas negros de periferia podiam ser pop stars, vender milhares de discos e chegar ao topo das paradas, ter um estilo de vida bem equipado, aparecer em clipes da MTV, no Saturday Night Live, na capa da Rolling Stone, ser indicado ao Grammy, participar do Live Aid e ser garotos-propagandas de uma marca esportiva.

O estilo de vestir do Run DMC atingiu a moda em cheio, a marca Adidas (que até virou nome de música deles) voltou a ser referência mundial, vestir abrigos da marca era essencial (muito antes da Sue Sylvester de Glee), bem como tênis, chapéus de couro, correntes grandes e muito preto. A Adidas até lançou um tênis em homenagem a eles.

Os jovens adoravam o estilo Run DMC de ser e de vestir, o grupo era a grande tendência da época, seja na música e na moda, o hip hop finalmente saia do gueto para as ruas.

Em 1988 eles lançam outro ótimo álbum “Tougher than Leather” que originou o hit “Beats to the rhyme”, entre outros:

Nos anos 90 e 2000, o Run DMC viveu de seu passado de glórias, mesmo lançando novos trabalhos, o grupo nunca conseguiu atingir as marcas de seus álbuns clássicos dos anos 80.

Em 2002 acontece uma grande tragédia no grupo com o assassinato de Jam Master Jay e os membros restantes resolvem terminar com o grupo.

Mas isto não significou que o mundo ficasse sem o seu legado: novos remixes e mash-ups foram lançados, seus discos foram relançados em edições luxuosas e com vários bônus, além de um biografia chamada “Tougher than Leather – The Rise of Run DMC”.

Hoje em dia Run tem um programa chamado “Run’s house” na MTV/BET, além de ter excursionado com Kid Rock na Rock n’Roll Revival tour (em 2008) e de ter participado no Guitar Hero do Aerosmith, ele também lançou o álbum solo “Distortion”.

Enquanto que DMC continua lançando singles e colaborando com a VH-1 em programas especiais.

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