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Posts Tagged ‘Saturday Night Live’

Today’s Sound: Prince por Arthur Mendes Rocha

Prince é um dos maiores talentos que a música americana já produziu: músico, compositor, performer, arranjador, ele é um legítimo showman.

Até hoje não entendo como Prince não tem a mesma fama de um Michael Jackson por exemplo, já que genialidade é o que não lhe falta.

Prince Rogers Nelson (seu nome completo) iniciou sua paixão pela música em Minnesota, aos sete anos de idade, quando compôs sua primeira canção.

Desde então, ele não parou mais, criando músicas, trilhas, lançando vários discos e se consagrando como um dos grandes entertainers americanos.

Prince chama muita a atenção por sua persona nos palcos: ele se veste de maneira extravagante, com modelitos incríveis, além de dançar de maneira bem sexy, rebolar, pular, gritar e até fazer amor com sua guitarra: sua performance é absurda.

Lembro que nos anos 80, quando ele aparecia com seus modelitos meio barrocos, com muitos brocados, rendas, babados e aqueles acessórios na cabeça, um franjão crespo por cima do olho, ele já chamava a atenção e já se destacava.

Prince lançou seu primeiro álbum, ‘For you”, em 1978. Mas foi somente com o segundo disco, simplesmente chamado “Prince” de 1979, que ele estourou com as músicas “Why You Wanna Treat Me So Bad” e “I Wanna Be Your Lover”, tendo esta última vendido mais de um milhão de cópias e ficado no número UM da parada de soul music:

Logo em seguida, em 1980, ele lança “Dirty Mind”, puxado pela música título e também por ‘Uptown”, que alcançou o quinto lugar na parada soul da Billboard. O disco foi todo gravado no próprio estúdio de Prince e já mostrava canções com forte teor sexual.

Na época, ele acabou abrindo a turnê de outro astro funk: Rick James, bem como fazendo sua primeira aparição no programa Saturday Night Live.

Em 1981, ele lança “Controversy’, cuja música título também se torna um sucesso, fazendo com que ele comece a fazer suas próprias turnês em universidades americanas.

No ano seguinte é a vez de “1999”, álbum duplo que originou a música título, além de mais dois hits: “Little Red Corvette” e ‘Delirious”, tendo o álbum vendido mais de três milhões de cópias e tornando o nome dele conhecido fora dos EUA.

Neste período, a banda que o acompanhava chamava-se Revolution, com destaque para suas musas Wendy e Lisa, que o acompanhariam em vários shows e apresentações.

Além disso, ele também apadrinha artistas como Vanity e seu grupo Vanity 6, além de Apollonia, outra de suas musas (e affairs).

1984 é o ano chave na vida de Prince, pois é aí que estoura mundialmente o álbum e o filme “Purple Rain’, vendendo mais de treze milhões de cópias, além de tornar Prince um ídolo e ainda lhe dar um Oscar de melhor trilha sonora. Nunca esqueço de como Prince foi receber o Oscar, vestido com uma capa de paetês, ele era o ídolo máximo na época:

A trilha rendeu mega hits como “When Doves Cry’, ‘Let’s go Crazy’ e a própria “Purple Rain”.

Era a primeira vez na história da cultura pop que um artista liderava as bilheterias no cinema e tinha um álbum também no primeiro lugar.

Logo após este sucesso todo, ele ainda lança mais dois ótimos álbuns: “Around the World in a Day”, que tinha como um dos sucessos a música “Rasberry Beret’ e seu colorido vídeo:

E depois “Parade”, que tem o seu hit mais conhecido: “Kiss”

Em 1986, ele inicia a turnê mundial ‘Hit n Run – Parade Tour”, mas logo ao término desta resolve dissolver seu grupo Revolution, demitindo Wendy & Lisa e substituindo-as por Bobby Z e Sheila E.

Depois da tentativa de lançar algumas músicas já feitas, ele acaba tendo que optar por lançar o álbum duplo ‘Sign “O” the  Times”, um brilhante trabalho encabeçado pela música título, além de ‘If I Was Your Girlfriend” e “U Got the Look “ (dueto com Sheena Easton). O disco também originou um show-doc que foi exibido nos cinemas e que possuía a energia de um show ao vivo.

Prince tem o seu próprio séquito, sejam seus colaboradores, músicos, estrelas, musas, mas ele exige dedicação e empenho total.

Além disso, Prince compôs músicas para vários artistas que vão desde Chaka Khan (I Feel for You) até Sinead O’Connor (Nothing Compares to You).

O próximo álbum dele seria o ‘Black Album”, álbum onde ele expermentou mais com ritmos como o hip-hop, mas que veio cercado de polêmcia, já que ele lançaria todo com a capa preta e acabou achando que o álbum era meio amaldiçoado, assim ele acabou sendo lançado em edição limitada e virou item de colecionador.

Em 1988, ele lança “Lovesexy”, um disco bem mais alto-astral que o Black álbum, mas que não teve tanto sucesso.

Logo em seguida ele é convidado pelo diretor Tim Burton para fazer a trilha da nova versão de ‘Batman”, que foi um estouro de bilheteria e a trilha atingiu o primeiro lugar em vendagens. O principal single era ‘Batdance”:

Eu cheguei a ver Prince ao vivo em Londres, na turnê Nude tour, desta vez a banda dele era a New Power Generation, sem Sheila E. e Cat, mas ele arrasava no palco com suas coreografias e movimentações, além de uma seleção de sucessos.

Depois da fracassada trilha e do filme “Graffiti Bridge”, ele concentra seus esforços no disco ‘Diamond & Pearls’, lançado no final de 1991 e com os hits ‘Get off’, “Cream”, entre outras:

Em 1993, Prince resolve trocar de nome e assinar como Love symbol (uma mistura dos símbolos sexuais masculino e feminino, conforme abaixo), o que causou muitos problemas em como se referir a ele, sendo assim a gravadora referia-se a ele como: “the artist formely known as Prince” (o artista que era conhecido como Prince) ou apenas ‘the artist’ (o artista).

Em 1995 ele até foi garoto-propaganda da Versace, já que sempre vestiu a etiqueta, além de ser amigo pessoal de Gianni e Donatella.

Depois desta mudança, Prince culpa cada vez mais a gravadora Warner pelas suas fracas vendas e acaba se desligando, depois de cumprir cláusulas contratuais em lançamentos de novos trabalhos.

Em 2000, ele volta a assinar Prince, está de gravadora nova (Arista), mas ele já não consegue emplacar hits como no passado.

Em 2004, ele se apresentou na entrega do Grammy junto com Beyoncé, cantando um medley de seus sucessos e com ótima repercussão:

No mesmo ano, ele lança ‘Musicology’, álbum que chegou a atingir o quinto lugar em vendagens.

Neste meio tempo, ele troca novamente de gravadora e desta vez vai para a Universal.

Em 2007, ele se apresenta no intervalo do Superbowl, um dos maiores eventos esportivos nos EUA e que escolhe a dedo os artistas que convida.

Seu trabalho mais recente é ‘2010”, lançado em 2010. Recentemente, ele esteve no programa de Jimmy Kimmel, conforme abaixo:

Prince é um dos poucos artistas a ter conquistado sete Grammys (e ser indicado mais de trinta vezes), quatro MTV Music Awards, além de vários BET awards (o prêmio da música negra), enfim, ele é um artista mega reconhecido pela sua contribuição inigualável no mundo da música pop.

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Today’s Sound: Klaus Nomi por Arthur Mendes Rocha

Uma figura completamente única na música, uma mistura de alienígena com voz de cantora de ópera, este era Klaus Nomi.

Klaus nasceu na Alemanha, onde desde cedo era um apaixonado pela música clássica, especialmente pelas divas de ópera.

Não demorou muito para que ele trocasse seu país de origem pela efervescente cena nova-iorquina de meados dos anos 70.

Lá ele conheceu vários artistas performáticos como Ann Magnuson, que lhe deu uma oportunidade de se apresentar no New Wave Vaudeville no Irving Plaza em NY em 1978:

Em um destes shows, ele foi convidado para se apresentar no Max Kansa’s City, onde fizeram um show centrado na figura de Klaus Nomi, um show de vanguarda, com figurinos absurdos e temática new wave, com muitas referências visuais de filmes espaciais dos anos 50.

Klaus tornou-se uma figura conhecida no underground nova-iorquino, colaborando com artistas como Joey Arias, Man Parrish (um dos pioneiros da música eletrônica), Kenny Scharf, entre outros.

Klaus Nomi e Joey Arias

Klaus passou a tocar nos clubs new wave da época como o Hurrah!, Danceteria, Mudd Club e até mesmo uma histórica apresentação na discoteca Xenon em 1980. Abaixo ele interpreta “Lightning strikes”:

Um de suas apresentações mais famosas foi quando ele tocou num evento na loja da Fiorucci (onde Joey Arias, um de seus backing vocals trabalhava) em NY nos anos 80, com a vitrine sendo ocupada por ele e dançarinos new wave, como vemos no vídeo abaixo:

Seus espetáculos eram altamente admirados pelos artistas de vanguarda da época, entre eles, David Bowie, que se apaixonou pelo show de Klaus, convidando-o a se apresentar com ele em uma aparição histórica no Saturday Night Live em 1979. O vídeo é excepcional, com aquelas figuras estranhas e Bowie vestindo um figurino dadaísta e interpretando “The man Who sold the world”:

Klaus estava à frente do seu tempo, seus shows eram muito modernos para a época, seu trabalho era muito requintado, cantando músicas em falsetto com uma voz digna de uma cantora de ópera e com bases no estilo Kraftwerk.

Sua aparição no SNL abriu-lhe as portas e assim ele viajou para vários lugares, incluindo o Japão, onde fez bastante sucesso. Um de seus hits era “Total Eclipse”:

As gravadoras não sabiam como classificar sua música: era new wave? Pop? Clássico? Klaus teve que dar uma suavizada em seus shows, passando a ter uma banda com músicos normais. No fim, o que acabou fazendo mais sucesso foram suas músicas em que privilegia o clássico, com bases mais euro-pop.

Seu figurino continuava bem extravagante, um de seus looks com um smoking triangular ficou bem famoso, completado por sua maguiagem branca, sem sobrancelhas e com a boca pintada de batom preto, imagem esta que estamparia a capa de seu primeiro disco gravado pela RCA francesa em 1981.

O mundo da moda parisiense descobriu Klaus quando este se apresentou em Paris, no Palace, rendendo-se à sua figura especial e altamente fashion.

Klaus chegou a lançar um segundo trabalho, “Simple Man”, cujo clipe vemos abaixo:

Infelizmente quando Klaus tornava-se mais conhecido, ele foi diagnosticado com Aids, isto em 1983, sendo uma das primeiras celebridades a padecer desta terrível doença.

Uma de suas últimas apresentações foi com a linda interpretação de “The Cold Song” de Purcell:

A obra de Klaus Nomi continua sendo admirada e reconhecida por um público ligado em inovações musicais.

Em 2004, ele foi tema de um excelente documentário (disponível em sua totalidade no youtube) chamado ‘Nomi Song”.

Depois de sua morte, foram lançadas coletâneas e discos ao vivo recuperando um pouco de seu legado.

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Today’s Sound:TALKING HEADS – CHRONOLOGY por Arthur Mendes Rocha

Acaba de ser lançado no Brasil, via ST2, um DVD imperdível de uma das bandas mais bacanas que já se teve notícia: “Chronology” dos Talking Heads.

O Talking Heads surgiu na efervescente cena nova-iorquina de meados dos anos 70, quando punk, hip-hop e disco se mesclavam e faziam da cidade um dos lugares mais cool do planeta, apesar da crise econômica que o país atravessava.

A banda, liderada por David Byrne, era primeiramente um trio e depois passou a ter quatro integrantes fixos, mais alguns colaboradores que faziam uma “cozinha” mais funk.

O DVD mostra exatamente estas mudanças na banda, já que vemos várias apresentações ao vivo dos Talking Heads no período entre 1975 a 1983, seja em lugares pequenos como o CGBG até enormes auditórios para grandes shows, assim que a banda vai ganhando notoriedade.

Os shows são históricos e alguns até inéditos, pois foram recuperados através de um intenso trabalho de pesquisa que levou alguns anos para ser finalizado.

Assim, vemos dezoito apresentações em lugares que vão desde o Kitchen em NY, passando pelos programas Saturday Night Live e Dave Letterman  até em campus de universidades americanas.

Entre os destaques está a versão de “Psycho Killer” apresentada em toda sua glória no CGBG em 1975:

Outro ótimo momento é quando eles se apresentam no influente programa inglês “Old Grey Whistle Test” em 1978 interpretando “Don’t worry about the government”:

Também merece destaque é “Crosseye and painless”, apresentada no Capitol Theatre em 1980, onde sentimos uma forte mudança no som da banda com a adição de dois membros do Funkadelic , com uma pegada bem mais negra e funkeada:

Se me perguntassem por uma banda que eu gostaria que voltasse, a resposta seria sem dúvida o Talking Heads.

Em 2002, eles ensaiaram uma volta, apresentando-se pela primeira vez, desde a sua separação (que se deu oficialmente em 1991), para sua entrada no Rock and roll Hall of Fame interpretando ‘Burning down the house”  e “Life during wartime”:

O Talking Heads foi uma das bandas mais avant-garde que se tem notícia, com forte influência new wave, estavam muito à frente de seu tempo. Estas apresentações estão filmadas em P&B, em cores, algumas são registros amadores, mas são um documento incrível de uma banda que merece toda nossa atenção.

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