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TODAY’S SOUND: BETTER CALL SAUL POR ARTHUR MENDES ROCHA

Para finalizar os posts de novas séries, hoje falo de “Better Call Saul”, o spin-off (série derivada, que utiliza personagens em comum) de “Breaking Bad”, focado em dois personagens icônicos: Saul Goodman (ou Jimmy McGill) e Mike Ehrmantraut.

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Criada por Vince Gilligan e Peter Gould (também produtores), a série teve sua primeira temporada exibida no ano passado e terminou há pouco a sua segunda temporada, que ficou ainda melhor que a primeira.

Para quem não acompanhou ‘Breaking Bad”, Saul Goodman era o advogado trambiqueiro de Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (Aaron Paul), que os salva de várias enrascadas e que eles descobrem vendo-o um comercial bem bagaceiro na TV, onde ele utiliza o jargão: “you better call Saul” (é melhor você chamar Saul). Sua primeira aparição foi no episódio oito da segunda temporada, justamente intitulado “Better Call Saul”.

O personagem caiu tanto no gosto do público que Gilligan e Gould acharam que valia a pena contar um pouco da história de Saul, que em ‘Better Call Saul’ ainda atende pelo nome de James “Jimmy” Morgan McGill.

Jimmy (ou Saul) é interpretado pelo excelente ator Bob Ordenkirk, que já foi roteirista do “Saturday Night Live’ (no final da década de 80 e início de 90), do programa ‘Late Night with Conan O’brien”, além de ter criado o seu próprio show de comédia com David Cross, o “Mr. Show with Bob and David” (que teve quatro temporadas) e que ano passado foi revivido com um novo nome, “W/ Bob & David”.

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Bob Ordenkirk como Jimmy McGill (ou Saul Goodman)

Estou torcendo para que este ano, ele não só seja nominado para o Emmy de melhor ator, bem como vença o prêmio (já que não terá a competição nem de Cranston e nem de John Hamm, de “Mad Men”).

Odenkirk foi feito para o papel, ele é uma mistura perfeita entre o cômico e o dramático, já que nas piores situações ele apela para o humor, ou sentimos tanta pena dele que acaba sendo engraçado. Jimmy é dono de um bom papo, vive contando piadas, nos enredando em suas histórias, é um personagem muito rico e que pode render sempre ótimos episódios.

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Jimmy era o típico preferido dos pais, seus erros eram encobertos por eles e ele escolhe a advocacia como profissão, mas não consegue ser um advogado certinho, ele tem que dar o seu ‘jeitinho’, tendo um comportamento considerado antiético pelos seus colegas de profissão, mas ele sempre consegue achar uma saída para os piores problemas (nem que sejam arriscadas). Ele detesta tribunais, seu escritório é no fundo de um salão de beleza cuja dona é coreana e uma de suas principais fontes de renda são idosos, que os adoram.

A primeira temporada foi focada especialmente na relação de Jimmy com o irmão, Chuck, onde há elementos ótimos para diálogos bem escritos e traumas do passado que são colocados à prova.

Na segunda temporada, os problemas com Chuck continuam, mas Mike vai tendo maior destaque também, com mais cenas de seu passado e novos acontecimentos que unem os dois.

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Mike (Jonathan Banks) e Jimmy numa cena da série

Mas vamos aos personagens da série, além de Jimmy:

Michael “Mike” Ehrmantraut (Jonathan Banks, ele já havia feito vários papéis pequenos em filmes como “Apertem os cintos, o piloto sumiu” e em séries como “O Homem da Máfia”) – outro personagem adorado de “Breaking Bad” que volta com força total na série. Aqui conhecemos uma faceta mais humana de Mike, já que ficamos sabendo do seu passado, da relação dele com a neta, de seu trabalho na portaria de um estacionamento (onde ele conhece Jimmy) e seus bicos para sobreviver, como ser um matador de aluguel. O personagem tem cenas maravilhosas, seja para ajudar Jimmy como seu investigador particular ou para se livrar da perseguição de elementos perigosos.

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Depois do sucesso em “Breaking Bad”, Mike (Jonathan Banks) volta em “Better Call Saul”.

Charles “Chuck’ McGill (Michael McKean, ator de filmes como “Antes só que mal acompanhado”, “This is Spinal Tap”, entre outros) – irmão de Jimmy, Chuck é o oposto do irmão: bem sucedido, honesto, porém sofre de “hipersensibilidade eletromagnética”, não podendo mais trabalhar em sua firma, a Hamlin, Hamlin & McGill. Assim, quem toma conta de Chuck na primeira temporada é Jimmy, que faz tudo pelo irmão, lhe dando alimentação, cuidando para que ninguém o perturbe, e mais. Porém a relação dos dois é cheia de conflitos, pois Chuck parece sempre querer que Jimmy se dê mal, ele tem ciúmes do traquejo social de Jimmy e como este conquista as pessoas.

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Chuck (Michael McKean) numa cena da série

Kim Wexler (Rhea Seehorn, de séries como “House of Lies”) – minha personagem favorita da série, Kim é linda, tem uma voz sexy, e uma ótima advogada e protege Jimmy, nutrindo uma paixão recolhida por ele. Na segunda temporada sua personagem vai aumentar ainda mais e ficar cada vez mais interessante, especialmente no seu relacionamento com Jimmy, tanto pessoal como profissional.

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Jimmy e Kim (Rhea Seehorn) numa cena de ‘Better Call Saul”.

Howard Hamlin (Patrick Fabian, de inúmeras séries e filmes como “O Último Exorcismo”) – sócio de Chuck na Hamlin, Hamlin & McGill, ele se acha o galã da firma e não gosta de Jimmy, com quem tem vários enfrentamentos.

Patrick Fabian é Howard Hamlin.

Patrick Fabian é Howard Hamlin.

Lars e Cal (Steve Levine e Daniel Spencer Levine) – irmãos gêmeos skatistas que vivem de pequenos golpes. Eles se tornarão os videmomakers de Jimmy para fazer seus comerciais na TV  e dão a série um certo ‘alívio cômico”.

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Jimmy com os gêmeos skatistas/videomakers Lars e Cal.

Além destes, “Better Call Saul” tem vários personagens recorrentes, reservando aparições de alguns de “Breaking Bad”, como Tuco Salamanca, o perigoso traficante que não tem receio algum em eliminar quem atravessar seu caminho, bem como de seu tio Hector (Mark Margolis), nos trazendo aquela alegria em rever figuras conhecidas.

Tuco Salamanca (de 'Breaking Bad") em uma aparição em "Better Call Saul".

Tuco Salamanca (de ‘Breaking Bad”), à esq. de Jimmy, em uma aparição em “Better Call Saul”.

A série também é filmada em Albuquerque, Novo México (mesma locação de BB), só que transcorre seis anos antes, logo mostra as raízes destes personagens. Mas a fotografia também trabalha muito bem cores, tonalidades que nos remetem a BB. Além disso, as cores estão presentes na representação dos personagens, como nos ternos e gravatas coloridas de Jimmy.

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Há outro fator interessante em “Better Call Saul” que são os flashforwards (acontecimentos que acontecem no futuro) em P&B, que nos mostram Jimmy em outra função, ou seja, ainda tem muita coisa para acontecer e também para chegar até a época de BB.

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Comparada com BB, a série é mais lenta, há menos cenas de ação, de violência, mas nem por isso ela deixa de ser instigante e cheia de surpresas, afinal os criadores, roteiristas e toda a equipe técnica envolvida sabe muito bem o que está fazendo.

Fico me perguntando, por que as pessoas não falam muito de ‘Better Call Saul”, mas acho que falta para a série ser descoberta, eu aconselho a fazer uma maratona no Netflix, pois as duas temporadas estão todas disponibilizadas por lá.

Existem vários boatos de uma provável aparição de Walter, Jesse, Skyler, Hawk (todos de BB), mas nada ainda foi confirmado pelos atores ou pelos criadores, mas não deixamos de torcer para que isso vire uma realidade.

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A produção também é da AMC juntamente com a Sony Pictures Television.

A trilha é bem variada e teve participação de artistas de rock, pop, jazz, easy listening, tais como Esquivel, Ink Spots, Dave Brubeck, Herbie Mann, Chicago, Creedence Clearwater Revival, 38 Special, Henry Mancini, Deep Purple, Thievery Corporation, Blue Six, Supreme Beings of Leisure, Miles Davis & Milt Jackson, Bill Evans Trio, Gipsy Kings, entre outros.

Uma das maneiras de divulgar a série foi a criação de um app em que se pode ligar para Saul e ouvir sua voz, reproduzindo diálogos do advogado ao telefone.

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Tenho certeza que todos os fãs de “Breaking Bad” vão adorar “Better Call Saul” e não vejo a hora para ver a transformação de Jimmy em Saul Goodman.

A segunda temporada terminou em abril e as filmagens da terceira temporada devem iniciar agora em setembro, serão mais dez episódios (como nas temporadas anteriores), com provável estreia em fevereiro de 2017.

Jimmy (Bob Ordenkirk) com os criadores de 'Better Call Saul", Vince Gilligan e Peter Gould

Jimmy (Bob Ordenkirk) com os criadores de ‘Better Call Saul”, Vince Gilligan e Peter Gould

Outra teoria descoberta pelos fãs é que os nomes de todos os episódios da segunda temporada formam a frase “FRINGSBACK” que significa Fring está de volta. Fring é o sobrenome de Gus Fring (interpretado por Giancarlo Esposito em BB) e tudo leva a crer que ele realmente aparecerá na terceira temporada, mas os criadores não confirmam, mas também não negam.

Ainda há poucos detalhes divulgados da terceira temporada, mas esta deve se aproximar cada vez mais dos acontecimentos de BB, agora é só torcer para que alguns dos personagens voltem e façam uma aparição surpresa, seria o máximo…

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Today’s Sound: Prince por Arthur Mendes Rocha

Prince é um dos maiores talentos que a música americana já produziu: músico, compositor, performer, arranjador, ele é um legítimo showman.

Até hoje não entendo como Prince não tem a mesma fama de um Michael Jackson por exemplo, já que genialidade é o que não lhe falta.

Prince Rogers Nelson (seu nome completo) iniciou sua paixão pela música em Minnesota, aos sete anos de idade, quando compôs sua primeira canção.

Desde então, ele não parou mais, criando músicas, trilhas, lançando vários discos e se consagrando como um dos grandes entertainers americanos.

Prince chama muita a atenção por sua persona nos palcos: ele se veste de maneira extravagante, com modelitos incríveis, além de dançar de maneira bem sexy, rebolar, pular, gritar e até fazer amor com sua guitarra: sua performance é absurda.

Lembro que nos anos 80, quando ele aparecia com seus modelitos meio barrocos, com muitos brocados, rendas, babados e aqueles acessórios na cabeça, um franjão crespo por cima do olho, ele já chamava a atenção e já se destacava.

Prince lançou seu primeiro álbum, ‘For you”, em 1978. Mas foi somente com o segundo disco, simplesmente chamado “Prince” de 1979, que ele estourou com as músicas “Why You Wanna Treat Me So Bad” e “I Wanna Be Your Lover”, tendo esta última vendido mais de um milhão de cópias e ficado no número UM da parada de soul music:

Logo em seguida, em 1980, ele lança “Dirty Mind”, puxado pela música título e também por ‘Uptown”, que alcançou o quinto lugar na parada soul da Billboard. O disco foi todo gravado no próprio estúdio de Prince e já mostrava canções com forte teor sexual.

Na época, ele acabou abrindo a turnê de outro astro funk: Rick James, bem como fazendo sua primeira aparição no programa Saturday Night Live.

Em 1981, ele lança “Controversy’, cuja música título também se torna um sucesso, fazendo com que ele comece a fazer suas próprias turnês em universidades americanas.

No ano seguinte é a vez de “1999”, álbum duplo que originou a música título, além de mais dois hits: “Little Red Corvette” e ‘Delirious”, tendo o álbum vendido mais de três milhões de cópias e tornando o nome dele conhecido fora dos EUA.

Neste período, a banda que o acompanhava chamava-se Revolution, com destaque para suas musas Wendy e Lisa, que o acompanhariam em vários shows e apresentações.

Além disso, ele também apadrinha artistas como Vanity e seu grupo Vanity 6, além de Apollonia, outra de suas musas (e affairs).

1984 é o ano chave na vida de Prince, pois é aí que estoura mundialmente o álbum e o filme “Purple Rain’, vendendo mais de treze milhões de cópias, além de tornar Prince um ídolo e ainda lhe dar um Oscar de melhor trilha sonora. Nunca esqueço de como Prince foi receber o Oscar, vestido com uma capa de paetês, ele era o ídolo máximo na época:

A trilha rendeu mega hits como “When Doves Cry’, ‘Let’s go Crazy’ e a própria “Purple Rain”.

Era a primeira vez na história da cultura pop que um artista liderava as bilheterias no cinema e tinha um álbum também no primeiro lugar.

Logo após este sucesso todo, ele ainda lança mais dois ótimos álbuns: “Around the World in a Day”, que tinha como um dos sucessos a música “Rasberry Beret’ e seu colorido vídeo:

E depois “Parade”, que tem o seu hit mais conhecido: “Kiss”

Em 1986, ele inicia a turnê mundial ‘Hit n Run – Parade Tour”, mas logo ao término desta resolve dissolver seu grupo Revolution, demitindo Wendy & Lisa e substituindo-as por Bobby Z e Sheila E.

Depois da tentativa de lançar algumas músicas já feitas, ele acaba tendo que optar por lançar o álbum duplo ‘Sign “O” the Times”, um brilhante trabalho encabeçado pela música título, além de ‘If I Was Your Girlfriend” e “U Got the Look “ (dueto com Sheena Easton). O disco também originou um show-doc que foi exibido nos cinemas e que possuía a energia de um show ao vivo.

Prince tem o seu próprio séquito, sejam seus colaboradores, músicos, estrelas, musas, mas ele exige dedicação e empenho total.

Além disso, Prince compôs músicas para vários artistas que vão desde Chaka Khan (I Feel for You) até Sinead O’Connor (Nothing Compares to You).

O próximo álbum dele seria o ‘Black Album”, álbum onde ele expermentou mais com ritmos como o hip-hop, mas que veio cercado de polêmcia, já que ele lançaria todo com a capa preta e acabou achando que o álbum era meio amaldiçoado, assim ele acabou sendo lançado em edição limitada e virou item de colecionador.

Em 1988, ele lança “Lovesexy”, um disco bem mais alto-astral que o Black álbum, mas que não teve tanto sucesso.

Logo em seguida ele é convidado pelo diretor Tim Burton para fazer a trilha da nova versão de ‘Batman”, que foi um estouro de bilheteria e a trilha atingiu o primeiro lugar em vendagens. O principal single era ‘Batdance”:

Eu cheguei a ver Prince ao vivo em Londres, na turnê Nude tour, desta vez a banda dele era a New Power Generation, sem Sheila E. e Cat, mas ele arrasava no palco com suas coreografias e movimentações, além de uma seleção de sucessos.

Depois da fracassada trilha e do filme “Graffiti Bridge”, ele concentra seus esforços no disco ‘Diamond & Pearls’, lançado no final de 1991 e com os hits ‘Get off’, “Cream”, entre outras:

Em 1993, Prince resolve trocar de nome e assinar como Love symbol (uma mistura dos símbolos sexuais masculino e feminino, conforme abaixo), o que causou muitos problemas em como se referir a ele, sendo assim a gravadora referia-se a ele como: “the artist formely known as Prince” (o artista que era conhecido como Prince) ou apenas ‘the artist’ (o artista).

Em 1995 ele até foi garoto-propaganda da Versace, já que sempre vestiu a etiqueta, além de ser amigo pessoal de Gianni e Donatella.

Depois desta mudança, Prince culpa cada vez mais a gravadora Warner pelas suas fracas vendas e acaba se desligando, depois de cumprir cláusulas contratuais em lançamentos de novos trabalhos.

Em 2000, ele volta a assinar Prince, está de gravadora nova (Arista), mas ele já não consegue emplacar hits como no passado.

Em 2004, ele se apresentou na entrega do Grammy junto com Beyoncé, cantando um medley de seus sucessos e com ótima repercussão:

No mesmo ano, ele lança ‘Musicology’, álbum que chegou a atingir o quinto lugar em vendagens.

Neste meio tempo, ele troca novamente de gravadora e desta vez vai para a Universal.

Em 2007, ele se apresenta no intervalo do Superbowl, um dos maiores eventos esportivos nos EUA e que escolhe a dedo os artistas que convida.

Seu trabalho mais recente é ‘2010”, lançado em 2010. Recentemente, ele esteve no programa de Jimmy Kimmel, conforme abaixo:

Prince é um dos poucos artistas a ter conquistado sete Grammys (e ser indicado mais de trinta vezes), quatro MTV Music Awards, além de vários BET awards (o prêmio da música negra), enfim, ele é um artista mega reconhecido pela sua contribuição inigualável no mundo da música pop.

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TODAY’S SOUND: FRANK ZAPPA POR ARTHUR MENDES ROCHA

Mr. Frank Zappa merece todo nosso respeito: rock star, criador de paradigmas musicais, atento a todas as revoluções estilísticas da música, foi sempre um inovador e sempre acreditou no que fazia.

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Zappa nasceu em Baltimore, nos EUA, seus pais eram de origem italiana, teve muitos problemas de saúde quando criança (ele sofria de renite).

Ele era multi-talentoso, conhecida pencas de engenharia de som, era produtor, um grande talento, mas que nunca fez um super sucesso comercial, sua música é mais experimental, mais densa e, portanto, de mais difícil assimilação.

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Zappa conhecia muitos compositores clássicos, ele curtia as vanguardas musicais seja no rock, jazz, música instrumental, portanto seu estilo musical englobava várias vertentes.

Sua predileção por sons mais obscuros, o levaram a gostar de artistas de avant-garde, seja o compositor clássico Edgar Varèse ou de grupos de R&B e doo-wop, além de muito jazz moderno.

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Incompreendido por uns, amados por outros, Zappa tinha um posicionamento político e social importante, ele apoiava as liberdades,como o direito à liberdade de expressão, odiava a igreja católica (que para ele estimulava a ignorância intelectual e política) e desprezava a censura.

Suas músicas geralmente são longas, muitos solos de guitarras, vocais despachados, direto ao ponto mesmo; ele não tinha medo de dizer o que pensava.

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Não é por nada que Zappa era admirado pelos mais diferentes músicos, que tinham nele um artista de conceito, que realmente ia a fundo em suas pesquisas, sua música era curtida pelos apreciadores da música mais “cabeça”, tendo gravado mais de 30 álbuns em sua carreira.

Tudo começou nos anos 60, com o grupo The Mothers of Invention, onde Zappa ousou as mais diferentes colagens de som em uma época em que os hippies curtiam rock psicodélico ou estilos mais tradicionais, ele já estava em outro estágio.

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Na verdade, ele era mais bem compreendido na Europa, onde era mais admirado e considerado um artista de vanguarda, fundamental para a música do século XX.

Zappa fez amizade com Captain Beefheart, com quem trocava experiências sonoras, discos, influenciando um ao outro.

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Seu primeiro disco com o Mothers foi “Freak Out”, até hoje considerado um de seus clássicos e era adorado pelos freaks de plantão de lugares como L.A.

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No decorrer dos anos 60, ele e sua banda vão lançando trabalhos cada vez mais inovadores e cheios de propostas diferentes para a época, tais como o uso de temas orquestrais, falações no meio das músicas, diálogos improvisados e mais.

Um de seus pontos altos foi o disco “We’re in it for the Money”, uma forte crítica ao movimento hippie e na qual fez uma paródia da capa de Sgt Peppers dos Beatles.

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Outra das inovações técnicas de Zappa foi incluir em uma mesma faixa, diversas versões da mesma interpretadas em diferentes lugares e que depois eram “coladas” formando uma faixa só, como “King Kong”:

No final dos 60’s, Zappa era procurado por diferentes artistas para que ele os produzissem, é o caso de Alice Cooper, seu amigo Captain Beefheart e até o comediante Lenny Bruce (tema do filme “Lenny” de Bob Fosse).

O Mothers acaba se desfazendo no final da década e Zappa lança com sucesso o seu primeiro álbum “Hot Rats”, álbum considerado precursor do jazz-rock-fusion.  Um dos destaques era “Peaches en Regalia”:

Em 1970, ele forma uma nova versão do Mothers (desta vez sem o Invention) incluindo George Duke (recentemente falecido), Ainsley Dunbar, três membros do The Turtles, além de seus antigos companheiros Ian Underwood e Jeff Simons.

Em 1971, ele co-dirige o filme e lança o álbum duplo “200 Motels”, filme anarquista sobre a rotina de um rock star e sua banda, com participação de Ringo Starr, Keith Moon (do The Who), Teodore Bikel, Motorhead, entre outros.

Durante os anos 70, ele lançou vários álbuns importantes, fez turnês pelos EUA e Europa, além de ter a liberdade artística de puder lançar o que quisesse, apesar de que durante bom tempo, seu catálogo não esteve em seu poder, o que foi readquirido após a sua morte em 1992.

Em 1973, ele formou sua própria gravadora, a DiscReet Records, além de finalmente ter um álbum no top 10, “Apostrophe”, cujo destaque era “Don’t eat the yellow snow”:

O visual de Zappa já chama a atenção de primeira, pois ele é bem alto, sempre usando aquele bigodão, cavanhaque e cabelos compridos, que se tornaram sua marca registrada. Em termos de moda, ele era bem casual, muita calça jeans, camisas coloridas, suspensórios, enfim, ele era bem desencanado no seu look, o que importava era mesmo a música.

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Ainda nos anos 70, ele também se apresentou no Saturday Night Live cantando “Dancin’ Fool”, música mais pop se comparada ao restante de seu repertório, chegando ao top 50, e onde no final do vídeo, ele apronta uma das suas, convidando uma garota da plateia para transar com ele:

Esta música estava incluída no álbum de maior sucesso de sua carreira, “Sheik Yerbouti” e ele encerra década lançando outro disco muito bem conceituado “Joe’s Garage”, ambas lançadas pelo seu novo selo Zappa Records.

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Nos anos 80, ele continua lançando novos álbuns e também arranjando um tempinho para dar uma força na carreira de seus filhos: ele convida Moon Zappa para cantar em “Valley Girl” e ela também canta na faixa de seu irmão Dweezil Zappa intitulada “Let’s talk about it”.

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Mas seus filhos não despontam para o estrelato e Zappa continua testando seus limites, compondo álbuns com compositores clássicos como Pierre Boulez e novas versões para as composições de Francesco Zappa, compositor do século XVIII.

Até o fim de sua vida, ele continuou experimentando, com instrumentos inovadores como o Synclavier, uma espécie de sintetizador digital que permite utilizar o som de qualquer instrumento, ou seja, samplear.

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Em 1990, ele foi diagnosticado com câncer de próstata e veio a falecer três nos depois.

Até hoje a obra dele é admirada, estudada e sua família cuida para que os mais diferentes lançamentos cheguem a seus fãs, seja através da internet ou do relançamento remasterizado de seu catálogo.

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