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Posts Tagged ‘Sex Pistols’

Today’s Sound: PUNK XMAS SONGS por Arthur Mendes Rocha

Hoje falaremos sobre um Natal menos convencional, sobre algumas canções de Natal punks, com Ramones, Billy Idol, The Ravers, The Dickies e Garotos Podres.

Os Ramones lançaram em seu álbum “Brain Drain” de 1989 a música “Merry Xmas (I don’t want to fight tonight)”. À primeira vista, poderia parecer uma canção de rock n’ roll dos anos 50, se não fosse a inconfundível voz de Joey Ramone que dedicou a canção à uma de suas namoradas. Vejam o vídeo onde até rola uma historinha de um casal partindo para a porrada em plena noite de Natal:

Billy Idol também andou atacando com canções de Natal em um álbum dedicado somente a este tipo de canções natalinas: “Happy Holidays (A Very Special Christmas Album)” de 2006. No disco ele interpreta alguns clássicos e o destaque fica por conta de “Jingle Bell Rock”, mas mesmo assim o ex-integrante do Generation X está comportado se comparado com seu passado punk:

Em 1995 a Rhino lançou a coletânea “Punk Rock Xmas” com várias músicas punks natalinas entre elas “(It’s gonna be a) Punk Rock Christmas”, interpretada pelo grupo The Ravers, mas todos confundiam que eram os Sex Pistols. A canção havia sido lançada originalmente em 1977 e do grupo fazia parte Lou Maxfield, que já gravou com Joan Jett e Ray Manzarek, entre outros:

Também na coletânea estava “Silent Night’ dos Dickies, versão punk para a tradicional “Noite Feliz”, cujo single saiu em vinil branco e preto quando editado na Inglaterra:

No Brasil, os Garotos Podres lançaram em 1986 a música “Papai Noel Velho Batuta’ (a original era “Papai Noel Filho da Puta”), mudando o refrão para burlar a censura da época, com uma letra que atacava o Natal não ser justo com os pobres, é um dos melhores registros do punk natalino nacional:

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TODAY’S SOUND: SIOUXSIE SIOUX POR ARTHUR MENDES ROCHA

O post de hoje é dedicado a uma figura muito especial na música, seja nos primórdios do punk na Inglaterra até se tornar a musa gótica Siouxsie Sioux.

Siouxsie freqüentava a cena punk inglesa desde o começo, quando os Sex Pistols estavam surgindo e inclusive ela foi modelo viva da loja Sex de Malcom McLaren e Vivienne Westwood.

Ela sempre chamou muita a atenção pelo seu jeito de vestir, utilizando acessórios sadomasoquistas, muito couro, camisetas com referências sexuais e principalmente o uso de delineador preto em torno dos olhos, com sombras escuras bem carregadas (influenciado por Theda Bara), o que se tornou sua marca registrada e influenciou toda uma geração de góticos.

Foi nesta época que ela formou o Siouxsie and the Banshees juntamente com Steven Severin (também conhecido como Budgie, seu futuro marido) que também era do grupo de fãs dos Sex Pistols. Uma curiosidade é que nesta primeira formação dos The Banshees, Sid Vicious tocou bateria na banda por um curto período.

O primeiro show da banda foi em 1976 no Punk Rock Festival no 100 Club organizado por McLaren e onde ainda assinavam como Suzie and the Banshees. A partir daí, a banda participa de vários shows e de programas de TV até lançar o seu primeiro single “Hong Kong Garden” em 1978 (que Sofia Coppola utilizou na trilha de “Maria Antonieta”) e que alcança o sétimo lugar na parada inglesa:

O primeiro álbum veio em setembro de 1978, “The Scream’, elogiado pela crítica que considerou a melhor estréia do ano, bem como os vocais poderosos e dramáticos de Siouxsie com cada instrumento ocupando perfeitamente o seu espaço. Uma das músicas marcantes do álbum era a versão deles para “Helter skelter’ dos Beatles:

A própria Siouxsie afirma em entrevistas na época de lançamento do álbum “Juju” (de 1981) que, mesmo reconhecendo a influência deste trabalho nas bandas góticas devido a sua forte identidade, ela acha que várias tentaram imitar esta identidade e acabaram diluindo-a, que não há tensão na música destas bandas. O próprio nome Banshees vem de um filme da Hammer (produtora inglesa de filmes de terror dos anos 60/70), mas que eles achavam que sua música era mais “thriller” de Hitchcock do que filme de horror.

Outro grande single da banda lançado em 1980 foi “Israel”, aqui na versão do ótimo show “Nocturne” com a participação de Robert Smith (que tocou na banda por um curto período);

Com vários álbuns lançados e hits como “Christine”, “Happy House”, “Cities in Dust’, “The Passenger’, entre outros; músicas que geraram covers, tributos, DVDs, Siouxsie continua a fazer shows e a gravar e com seu marido Budgie ela também tem o projeto “The Creatures”.
Siouxsie é puro estilo dentro e fora do palco, sua maquiagem branca, seu jeito de cantar e seus movimentos, tudo isto a torno um ícone para uma geração, sejam punks, pós-punks ou góticos.

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Today’s Sound: Punk NY x Punk London (parte 2) por Arthur Mendes Rocha

Continuamos hoje o post sobre punk NY x punk Londres:

Mesmo NY também vivendo uma crise econômica, o punk lá era diferente, era um movimento mais underground, não tinha a mídia toda que tinha em Londres. Esta é outra diferença crucial entre o movimento punk nas duas cidades, a cobertura dos meios de comunicação de massa: as bandas americanas fazem seus shows longe da mídia, enquanto as inglesas tinham notoriedade nacional.

Os punks nova-iorquinos neste sentido são mais cool que os londrinos, chamam menos atenção, o que importa é mais a música e não apenas o visual conforme lembra Elliot Kidd, ex guitarrista da banda Demons: “As bandas de NY estavam muito mais na dor, enquanto as bandas inglesas estavam muito mais na fúria”.

O primeiro concerto dos Sex Pistols na Inglaterra estava vazio, tinha umas cinco pessoas vestidas de punk e todas se conheciam, como em NY. Esta cena é retratada no filme “A festa tem que terminar” (24 hour party people).

Tanto Johnny Rotten quanto Sid Vicious gostavam de ser escrotos, de provocar os outros. Na primeira turnê punk da Inglaterra, a Anarchy (que não chegou a ser completa, pois os lugares se recusavam a recebê-los), tocavam Pistols, Clash e eles tinham esta atitude de ser chocante, irritante e debilóide, coisa que as bandas de NY já não se identificavam mais.

Já o The Clash era uma banda que questionava mais a política vigente, não apenas se revoltava contra o sistema. Ao lançarem seu primeiro single “White Riot” em 1976, eles escreveram na contracapa: “um choque de gerações não é fundamentalmente perigoso para a arte de governar como seria um choque entre os que ditam as regras e os que as obedecem”.

Os Sex Pistols ao tocarem na América e ao proclamarem seu tédio e raiva, atraíam as mais diferentes reações possíveis; a mídia tornou o punk algo inglês, acabou perdendo-se o controle. “Não havia mais a preocupação com a música, em fazer algo inventivo, criativo, em tornar tudo de embaraçoso e estúpido em pontos a favor. Depois dos Pistols, o punk não era mais nosso, parecia uma armação da mídia, tinha se transformado em tudo que odiávamos” declara Legs McNeill, autor de “Please Kill me” e criador da revista Punk.

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