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Posts Tagged ‘today’s sound’

Today’s Sound: Circle Jerks por Arthur Mendes Rocha

Finalizando os posts sobre punk californiano, hoje falaremos do Circle Jerks.

The  Circle Jerks foi formado pelo ex-vocalista do Black Flag, Keith Morris, mais o guitarrista Greg Hetson, o baixista Roger Rogerson e o baterista Lucky Lehrer,em 1979. Segundo Morris, ele formou o Circle Jerks por não aguentar mais ouvir ordens e para ter mais liberdade criativa, fazendo um som mais rápido (as músicas da banda tem a duração de um pouco mais de um minuto), bem humorado e com muitas referências ao sexo (o nome da banda tem a tradução de “círculo de punheteiros”). Uma combinação da rebeldia dos Sex Pistols e Ramones com a atitude agressiva dos skatistas e surfistas de Hermosa Beach, L.A., Califórnia, lugar de origem da banda.


O primeiro disco dos Circle Jerks foi lançado em 1980 e chamava-se “Group Sex”, como o próprio nome já diz, com forte temática de sexo entre adolescentes e referências políticas.


No mesmo ano eles apareceram no filme “Decline of Western Civilization” (que já falamos por aqui), tocando músicas do disco ao vivo. No próximo álbum, “Wild in the streets”, a banda assina com o selo IRS, mas fica um bom tempo sem gravar depois que a subsidiária da gravadora encerra suas operações. Além disso, a banda tem mudanças na sua formação: saem Rogerson e Lehrer e entram Zander Schloss e Keith Clark.



A banda é uma das responsáveis pela popularidade do hardcore; em 1984, eles participam na trilha sonora e tocando no filme “Repo Man” (um dos filmes-cult dos punks, dirigido por Alex Cox) a música “When the shit hits the fan”.



Depois de mais mudanças na banda, eles resolvem dar uma parada nos anos 90, até voltarem em 1995 com um novo álbum (“Oddities, Abnormalities and Curiosities) e desta vez por uma grande gravadora (a Mercury). Mas a banda ainda enfrentaria problemas de saúde de Morris (com diabetes) até voltar nos anos 2000 para turnê que incluiu o Brasil.

A banda também participou do filme/documentário “American Hardcore” que conta um pouco da história destas bandas que falamos.

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Today’s Sound: The Avengers por Arthur Mendes Rocha

Hoje falaremos de uma banda não muito conhecida, mas que causou grande impacto na cena punk: The Avengers.

The Avengers surgiu em São Francisco, Califórnia, em 1977, quando Danny Furious (baterista) e Greg Ingrahan (guitarra) convidaram Penelope Houston para ser a vocalista de uma banda que eles estavam montando.

Penelope entra para a banda e também compõe várias músicas, sendo umas das primeiras bandas punks com vocal feminino. Seus cabelos descoloridos, sua maneira de cantar possui a atitude feroz de Poly Stirene (do X-Ray Specs) e a sensibilidade poética/punk de Patti Smith. Segundo a própria Penelope: “nós tinhamos elementos de punk e rock n´roll melódico, letras inteligentes, performances vigorosas, boas composições, nós arrebentávamos!”.

A cena de São Francisco na época era tão produtiva como NY e Londres, como Greg Ingrahan lembra: “eles não tentavam ser como ninguém, eles faziam o que sentiam e não tentavam soar como os outros”. Musicalmente, o punk de SF era influenciado pelas dialéticas políticas do The Clash, mas menos estilizado.

Os Avengers destacavam-se dos demais grupos pela sua elaborada musicalidade, suas canções eram maiores e mais que três acordes, abrindo espaço para a experimentação.

O seu primeiro e único lançamento, enquanto em atividade, foi o EP ‘We are the one”, lançado pela Dangerhouse. O famoso primeiro álbum da banda, conhecido como álbum rosa, foi lançado apenas em 1982, quando a banda já havia terminado e ficou fora de catálogo durante muito tempo até ser relançado no ano passado.

Mesmo com o sucesso da banda, nenhuma grande gravadora da época queria contratá-los. A grande oportunidade dos Avengers foi ser a banda escolhida para abrir o último show do Sex Pistols no Winterland, em São Francisco, em 1978. Steve Jones, guitarrista dos Pistols, ficou tão impressionado com a banda que produziu uma sessão deles em estúdio.

Apesar de durar apenas dois anos, a banda tem um lugar especial na cena punk, sendo bastante cultuada e respeitada. Atualmente o The Avengers foi redescoberto e tudo o que eles produziram pode ser encontrado em compilações, álbuns ao vivo e bootlegs (ver o site da Penelope: www.penelope.net).

A banda voltou a se reunir a partir de 2004 para uma série de shows, aparecendo também como The Avengers. Penelope é hoje uma artista folk e continua gravando discos.

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Today’s Sound: Patti Smith por Arthur Mendes Rocha

Para fecharmos a primeira semana de posts das raízes do punk, nada melhor que falarmos da musa Patti Smith.

Patti era uma garota em busca da fama e reconhecimento na cena nova-iorquina do final dos anos 60/início dos 70. Fã da poesia de Rimbaud, do existencialismo francês, dos beatniks, Patti era intelectualizada e trazia isto para sua música, um rock único com poesias declamadas.



Nesta época, Patti era inseparável de Robert Mapplethorpe, o fotógrafo que tinha nela a sua musa inspiradora. Esta relação deles e o início da carreira é toda contada no livro “Só garotos”, imperdível e sensível relato deste período.


Patti era vanguarda também na maneira de vestir com roupas sujas e rasgadas, tinha seu estilo próprio, meio andrógino, foi uma das primeiras riot girls. Em suas performances, ela acabou inspirando os punks e dando-lhes informação e conteúdo literário.

Sua estadia no hotel Chelsea, nesta época efervescente com vizinhos como Burroughs, suas idas ao Max’s, seu envolvimento com os artistas e rock stars da época (ela foi namorada de Todd Rundgren, Sam Sheppard, Jim Carroll, até casar-se com Fred ‘Sonic” Smith do MC5), tudo isto Patti trouxe para sua música e lançou em 1975, o seminal disco “Horses”, cuja capa virou um ícone do rock e foi fotografada por Mapplethorpe.






“Horses” foi um sucesso, é considerado uma das melhores estréias de um artista, foi co-produzido por John Cale e lançou o seu nome no meio musical mundial e sua força permanece até hoje. O disco é assinado pelo Patti Smith Group com o qual ela gravou mais dois álbuns antes do final da década de 70, incluindo “Easter”, que inclui o hit “Because the night”, seu maior sucesso comercial.








Patti também é artista plástica, suas obras já foram expostas em vários museus, ela é ativista política, já escreveu vários livros, é uma artista em constante atividade. Sua carreira permanece até hoje, tendo lançado oito discos depois de “Horses” e “Easter”,  já apresentou-se no Brasil no Tim Festival (em 2006) e em 2009 foi lançado um documentário sobre sua vida chamado ‘Dream of Life’:



Vale a pena conhecer o seu site: http://www.pattismith.net/


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