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Posts Tagged ‘trilha’

TODAY`S SOUND: UM HOMEM UMA MULHER (UN HOMME ET UNE FEMME) por Arthur Mendes Rocha

O post de hoje é sobre a trilha de um dos filmes mais românticos de todos os tempos, vencedor da Palma de Ouro de 1966 e do Oscar de melhor filme estrangeiro de 1967: “Um homem, uma mulher” (Um homme et une femme).

O filme foi dirigido por Claude Lelouch e causou sensação no mundo inteiro, por mostrar com classe, planos inovadores de câmera, flashbacks, misturando preto e branco, sépia e cores, o envolvimento entre um homem e uma mulher.

Nos papéis principais estão Jean Louis Trintgnant e Anouk Aimée (no auge de sua beleza), cuja química contribuiu diretamente para todo este sucesso.

Um dos elementos que mais marcou este filme foi sua deliciosa trilha sonora assinada por Francis Lai (usual colaborador de Lelouch) e cujo tema principal passou a ser assobiado por toda uma geração; a letra é de Pierre Barouh (que no filme faz o papel do marido de Aimée) e a voz é de Nicole Croisille.

O filme conta a estória de dois viúvos, um piloto de carros de corrida e uma script-girl, que freqüentam a mesma escola para visitar seus filhos e a partir daí apaixonam-se.

O score de Francis Lai para o filme é nada menos que sublime, com referências jazzísticas e aquele estilo cocktail music dos anos 60. Duas faixas que se destacam também são “Aujord’hui c’est toi” e “Plus fort que nous”:

A trilha tem até uma homenagem à música brasileira com a inclusão de “Samba Saravah” de Baden Powell e Vinicius de Moraes, aqui com o vocal de Pierre Barouh, que no início da letra fala dos nomes de destaque do samba e da bossa nova:

A trilha concorreu ao Globo de Ouro e ao BAFTA (o Oscar britânico) e até hoje é utilizada em comerciais e em programas jornalísticos (como o programa Panorama da BBC); o filme também ganhou o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e o Oscar de melhor roteiro em 1967.

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Today’s Sound: As Virgens Suicidas (Virgin Suicides) por Arthur Mendes Rocha

A estréia de Sofia Coppola na direção foi com este pequeno filme de 1999 baseado num best seller de Jeffrey Eugenides e que é o nosso post de hoje: “As Virgens Suicidas” (The Virgin Suicides).

“As Virgens Suicidas” conta a estória de cinco irmãs da família Lisbon, sendo que uma delas acaba se suicidando e as tentativas dos pais para que as demais filhas não sigam o mesmo caminho. O filme é estrelado por Kirsten Dust (em um de seus primeiros papéis de destaque), Josh Hartnett (inesquecível como Trip Fontaine), Kathleen Turner, James Woods, entre outros.

A trilha original deste filme é um primor, já que foi toda composta pelo duo francês Air. O Air é formado pela dupla Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, eles são conhecidos por fazerem um som eletrônico e etéreo, que deu um novo sopro de originalidade na música francesa no final dos anos 90.


A canção “Playground Love” é o tema principal e virou um videoclipe co-dirigido por Sofia com seu irmão Roman Coppola e onde um chiclete canta a música e contém várias cenas do filme:


O filme tem toda a atmosfera dos anos 70, com cores suaves, parece até feito na época e foi lançada uma segunda trilha com as músicas que tocam no filme e que é uma coletânea de músicas pop que tocavam nas rádios americanas daquela época.


Em uma das melhores cenas do filme, os garotos, que são apaixonados pelas virgens, telefonam para a casa delas e ambos ficam tocando músicas um para o outro nas vitrolas da época. Entre as músicas estão “Hello,it´s me” de Todd Rundgren, “Alone Again (Naturally)” de Gilbert O’Sullivan, “Run to me” dos Bee Gees e “So far away” de Carole King (infelizmente estas duas últimas não estão presentes na trilha que foi lançada):

Outra cena de destaque é a que mostra trechos do diário de Cecilia (a irmã que se suicidou) e no fundo toca “Ce matin La” do Air:

As Virgens Suicidas é um belo filme, que retrata a angústia de ser adolescente, de se apaixonar pela primeira vez e é um dos filmes que melhor retrata este período para quem viveu nos anos 70.

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TODAY’S SOUND: “MIDNIGHT COWBOY” POR ARTHUR MENDES ROCHA

Hoje a trilha comentada é a do filme dos anos 60, “Perdidos na Noite” (Midnight Cowboy)

‘Perdidos na Noite” é um dos grandes filmes americanos de 1969, dirigido por John Schlesinger e com uma temática forte para a época, pois conta a estória de um cowboy vindo do interior e que chega em NY e acaba se tornando um garoto de programa para conseguir sobreviver.


O filme é estrelado por Jon Voight (agora mais conhecido como o pai de Angelina Jolie) e Dustin Hoffman (como o impagável Rizzo) e arrebatou três Oscars incluindo o de melhor filme em 1970. Os dois foram indicados ao prêmio de melhor ator, mas perderam para John Wayne (por “Bravura Indômita”).


A trilha foi composta pelo grande John Barry, um dos melhores compositores de trilhas para o cinema e criador do famoso tema de James Bond, entre outros trabalhos incríveis. Barry faleceu em janeiro deste ano e este foi lembrado como um de seus trabalhos mais marcantes.


O tema principal do filme, “Everybody’s Talkin”, composta pelo cantor folk Fred Neil , foi reorquestrada e interpretada no filme pelo cantor Harry Nilsson. Quando lançada como single acompanhando a trilha, a música chegou ao sexto lugar no top 100 da Billboard e deu um Grammy a Nilsson. ‘Everybody’s talkin” tornou-se a marca registrada do filme, seja cantada ou instrumental, ela já está presente desde a abertura:

Outro fato curioso é que Bob Dylan havia composto uma música especialmente para o filme que veio a ser ‘Lay lady lay”, que acabou não ficando pronta a tempo de ser incluída na trilha.

John Barry utilizou temas pops da época, com artistas da gravadora United Artists (que lançou a trilha) como o já citado Nilsson, além do The Groop (presete com duas canções)e até mesmo a banda avant-garde nova-iorquina Elephant’s Memory, que interpreta a canção “Old man wilow”. A música serve de fundo para uma das melhores cenas do filme: a que os personagens principais entram de furões em uma festa psicodélica, bem ao estilo das festas da Factory de Andy Warhol:

A música que dá o titulo do filme é o tema “Midnight Cowboy”, onde Barry utiliza a gaita harmônica com a participação do belga Toots Thielemans (que não está creditado na versão do álbum). Esta faixa deu a Barry o Grammy de melhor tema instrumental

O britânico John Barry mostra na trilha a sensação de solidão e vazio de uma grande metrópole como NY. Ele trabalha bem os temas com vocais e harmonia, uma tendência que ficaria forte nas trilhas de filmes do final dos anos 60, usando mais os elementos da música pop ao invés de apenas orquestrações.

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